Disclaimer: Copyright Jo-Ro.

Antes: Petunia conta a Vernon que Lily é uma bruxa, e Vernon não quer contato com ela, então Petunia a expulsa da cerimônia de casamento. James e Remus finalmente perdoaram Sirius pelo incidente com Snape no Salgueiro. Marlene conta a James que está apaixonada por Adam. Donna e Sirius estão trabalhando no Caldeirão Furado, onde os clientes habituais incluem o velho e paranoico Pip e Lathe, o auror cumprindo suspensão.

Eu não queria que este capítulo fosse tão longo, mas... bem... ele é.

Chapter 26- The Wedding

(O Casamento)

Or

"Rhapsody in Blue"

"Caramba," suspirou Lily. Havia mulheres demais em sua família.

Ela só tinha três primos, dois deles do sexo feminino, e seus dois avós estavam mortos; mas sua avó materna ainda estava viva, e isto, combinado com a presença de Lily, Petunia e da Sra. Evans (sem falar nas damas de honra), significou uma casa cheia de mulheres três horas antes do casamento.

Em suma: um caos.

"Tudo bem, Lily," disse sua mãe, em um raro momento solitário pouco antes do meio-dia, "é hora de falar sério. Em uma hora e meia estaremos saindo para a igreja, o que significa que você, meu amor, tem noventa minutos para descobrir como estar em dois lugares ao mesmo tempo, de modo que possa almoçar, manter aqueles fugitivos do asilo na cozinha para evitar um desastre, enquanto simultaneamente troca de roupas porque, Lily, por mais linda que você seja, não acho que deva participar de um casamento vestida desse jeito."

Lily ergueu as sobrancelhas. "Como é, mãe? Você não acha que Petunia adoraria que eu aparecesse com meias ilustradas de bastões de doces?" Ela indicou as meias listradas que iam até o joelho, as quais combinara com shorts e uma camiseta na qual cabiam três ou quatro Lily Evans. Ela ainda não encontrara uma oportunidade para tirar o pijama.

"De alguma forma, acho que não."

"Bem, não se preocupe com isso," assegurou a filha. "Vá cuidar de Petunia e das damas de honra... eu tenho um plano."

"Tem?"

"É claro."

"Eu deveria ficar preocupada?"

"Não faça perguntas, e não te direi mentiras."

"Agora eu estou preocupada."

"Vá, mãe."

"Está bem..."

A Sra. Evans se virou e correu escada acima para seu quarto, onde Petunia estava no meio de seu terceiro colapso nervoso do dia. Lily, por sua vez, respirou fundo e dirigiu-se à cozinha.

Na mesa estava a avó da jovem, e ela parecia estar discutindo com a filha – a tia de Lily, Sara – sobre política (para variar). As duas primas de Lily, as meia-irmãs Alexandria e Eden, discutiam sobre as idas à igreja, o tempo todo fazendo uma bagunça terrível com as carnes do almoço.

Lily suspirou. Ela gostava da família, especialmente dos primos, mas eles não se reuniam com frequência, e quando o faziam, especialmente nos "eventos de família," havia muito a ser discutido. E hoje, a casa não suportava mais conflitos.

"Tia Sara," Lily dirigiu-se à irmã mais velha de sua mãe, a mulher de bochechas rosadas ergueu os olhos.

"Sim, Lily?"

"Posso dar uma palavra... Eu só queria perguntar sua opinião sobre uma coisa..."

Sara a seguiu até o corredor.

"Sim, querida?"

"Tia Sara, minha mãe acabou de me pedir para você ficar de olho na vovó. Quero dizer, ela é sua mãe, então, você sabe melhor do que ninguém como lidar com ela, e minha mãe está preocupada que ela esteja ficando um pouco cansada com toda essa agitação do casamento. "

A expressão da mais velha repentinamente tornou-se bastante prudente. "Claro, querida. Não se preocupe com isso."

"Ah, muito obrigada..."

"Imagine, querida."

Elas rumaram de volta para a cozinha, e então Lily, como se tivesse acabado de se lembrar de algo, exclamou: "Ah! Eu esqueci completamente: eu deveria trazer o vestido aqui para baixo..."

"Eu faço isso, querida", ofereceu-se a tia gentilmente. "Você já está tão ocupada, e tenho certeza que você quer se preparar..."

"Ah, obrigada..."

Tia Sara subiu correndo para o quarto principal, enquanto Lily voltou para a cozinha. A vó agora repreendia Lexi e Eden (as primas paternas de Lily) sobre a montagem adequada de sanduíches.

A ruiva fez uma careta. Ela correu para o balcão, onde as duas primas estavam perdendo rapidamente a paciência.

"Vó, por que não se senta? Eu levo seu sanduíche."

"Ora, ora, eu estou muito bem, Lily..." Mas ela deixou que a neta a guiasse de volta à mesa da cozinha mesmo assim. Uma vez lá, a garota sentou-se na cadeira anteriormente ocupada por sua tia e inclinou-se para a avó.

"Vó, eu odeio pedir, mas mamãe queria que eu visse se seria possível a senhora se assegurar de que toda essa agitação do casamento não esteja aborrecendo tia Sara. Ela estava se queixando de uma dor de cabeça mais cedo, e ela não anda tanto quanto a senhora, então eu tenho certeza que ela não está acostumada com alvoroço, e eu faria isso, só que tenho que ajudar as damas de honra com a maquiagem... "

A vó acariciou a mão dela carinhosamente. "É claro, querida, não se preocupe com isso. Eu criei Sara. Eu vou cuidar de tudo..."

"Ah, obrigada, vó." Lily se levantou da cadeira. "Eu vou checar seu sanduíche..."

Ela foi até o balcão, onde Eden estava se servindo do suco.

"Honestamente, Lex, qual é o seu problema, afinal? Eu tenho vinte e três anos! Não tenho absolutamente pressa alguma em ficar presa a um casamento sem amor!"

Lexi – que era casada e estava grávida de oito meses – ficou vermelha. "Veja bem, E, você não está entendendo o aviso que estou lhe dando. Quero dizer, você tem alguma ideia de onde esses caras com quem costuma andar estiveram? Eu pessoalmente nem tocaria neles... "

Lexi rumou para a geladeira, e Lily a seguiu até lá, enquanto Eden travava uma briga com uma fatia de presunto.

"Você está linda, Lex," disse a ruiva.

Sua prima amansou com a afirmação.

"Eu me sinto enorme."

"Bobagem; você está realmente incrível. Ei, tenho um favor para te pedir..." Ela baixou a voz, para que a conversa fosse apenas entre as duas, "...estava imaginando... quero dizer, eu sei é muito errado eu sequer pedir, porque ela tecnicamente não é nem sua parente, mas eu estava esperando... que você pudesse apenas... sabe... ficar de olho na minha vó? Eu, Tuney e Will somos seus únicos netos, eu tenho um milhão de coisas para fazer, Will está vendo o jogo e... bem, vamos apenas dizer que ele é a Eden do lado da minha mãe..."

Lexi assentiu compreensivamente. "Não se preocupe, Lily. Eu vou cuidar disso."

"Obrigada, obrigada, obrigada," esguichou a mais nova. "Apenas, sabe, certifique-se de que ela não esteja se aborrecendo..."

"Claro; sem problemas"

"Você é um anjo!"

Lexi sorriu calorosamente e em seguida foi buscar o leite, enquanto Lily montava e levava um sanduíche para a avó.

Eden, enquanto isso, ligou o rádio e estava balançando ao som de Elton John. Lily foi para o canto da cozinha e encostou-se no balcão ao lado dela.

"Ei, E... sapatos bonitos ".

"Obrigada," disse Eden, alegre agora que era Lily e não Lexi conversando com ela. "Gostei das suas meias. Deveria usá-las no casamento... Petty ficaria furiosa."

Lily riu. "Ei, E, você já conheceu meu primo Will...?"

Quinze minutos depois, Lily desceu as escadas, vestida com um roupão de banho, mas tomada banho e maquiada. Sua tia Sara estava cuidando para o chá da mãe não ficar muito quente, enquanto Lexi fingia interesse nas histórias da idosa sobre "A Guerra", e Eden montava um sanduíche para o primo de Lily, Will... que, não importava o que a avó dissesse, parecia perfeitamente satisfatório aos olhos de Will. Lily sorriu para a cena, e sua mãe desceu as escadas.

A Sra. Evans olhou para os parentes alegres e depois para a filha, as sobrancelhas erguidas.

"Eu sou um gênio," suspirou Lily.

"O que você fez?"

"Menti descaradamente."

A Sra. Evans deu uma tapinha no ombro da filha. "Essa é minha garota."

(Despedaçado e Inteiro)

O Caldeirão Furado teve um agradável movimento de começo de tarde, e apesar de James já ter visto o bar em dias mais movimentados, a presença de quaisquer bruxos e bruxas era um alívio atualmente.

Sirius estava finalizando o turno da manhã, e Donna ainda não chegara para o período da tarde. James sentou-se no bar ao lado Pip, o bruxo de cabelos brancos que frequentava o bar e que no momento entretinha o rapaz com suas diversas teorias da conspiração.

"Então, é por conta do Ministério que a pele fica manchada assim quando envelhecemos?" perguntou o jovem bruxo. "Quem diria."

"Não se pode confiar em nenhum deles," murmurou Pip, balançando a cabeça e tomando outro gole de hidromel.

Sirius sorriu, servindo bacon com ovos a uma bruxa de cabelo encaracolado em uma mesa próxima. "Conte a ele sobre a corrida com o Lethifold, Pip."

"Ele já me contou essa história," disse James. "Na terça-feira. Precisa prestar mais atenção, Padfoot."

Pip embarcou na história mesmo assim. "Foi nos anos trinta, e eu 'stava em Lichfield no dia… na época que ainda me chamavam..."

Mas naquele momento Donna entrou, amarrando um avental à cintura, e James desviou um pouco a atenção da história.

"Está atrasada, Shack," brincou Sirius. "E a mesa quatro pediu mais uma rodada de suco de abóbora."

"Sim, sim, sim," disparou Donna. "Tive uma manhã terrível." Ela sacou a varinha e tocou duas vezes na garrafa de suco de abóbora, que começou imediatamente a encher três copos diferentes. "Saia daqui, Black. Eu continuo."

Sirius bufou. "Até mais tarde, Shack. Bata o ponto para mim, o.k.?"

"Eu não vou..."

Mas Sirius já tinha jogado o avental sobre o bar e rumado em direção à porta que levava à Londres trouxa com James.

"Babaca," murmurou Donna.

"'Tarde, senhorita," cumprimentou Pip, erguendo o copo para ela.

"Oi, Pip," respondeu ela vagamente.

Esperando por James e Sirius na estrada estavam Remus e Peter, que estavam na padaria ali perto, como demonstravam os doces que consumiam.

"Comprou um para mim?" perguntou Sirius, quando começaram a andar sem destino pela rua.

"Não. Você não pediu," respondeu Remus. "O que vamos fazer hoje, afinal?"

"O que você quer dizer com 'eu não pedi?'" indagou Sirius. "São doces! Há um pedido implícito... e eu estava trabalhando."

"Devia ter mandado uma coruja," disse Peter.

"É, ou ter usado o espelho de comunicação," resmungou Sirius. "Se algum desses dois idiotas tivesse um. O que me lembra..." Ele se virou para James. "Eu gritei para o espelho por cerca de dez minutos ontem à noite, e você não respondeu."

James baixou o olhar rapidamente, limpando a garganta. "D-Desculpe. Eu devia estar... jogar quadribol. Sim. Definitivamente. Jogando quadribol. Então, o que decidimos fazer hoje?" Ele acelerou o passo. "Eu pensei que talvez..."

"Espere um minuto," interrompeu Sirius. "O que foi isso?"

"O que foi o quê?"

"A gagueira e o desconforto."

"Eu não notei nada," disse Remus depressa.

"Nem eu," concordou Peter.

Sirius parou de andar, obrigando os outros três a fazerem o mesmo. Ele olhou para eles com desconfiança. "O que não estão me contando?"

"Nada."

"Nada."

Padfoot cruzou os braços, voltando-se para Peter e elevando-se sobre ele. "Wormtail?"

"Sim?"

"O que vocês estão escondendo de mim?"

"Não estamos escondendo nada!" disse Remus ansiosamente. "Então, alguém escutou aquele jogo na rádio? Os Wasps e... aquela... outra... equipe...?"

"Wormtail ".

Peter se contorceu. Sobre o ombro de Sirius, James e Remus balançaram a cabeça violentamente.

"N-nada?"

"Wormtail."

"James-jogou-o-espelho-de-comunicação-na-parede-e-o-quebrou."

Sirius voltou-se para James, que olhou feio para Peter. "Eu vou te sufocar quando estiver dormindo, Wormtail. Então... sabe... fique ligado."

"Você quebrou o espelho de comunicação?" questionou Sirius.

"Não deveríamos estar falando sobre isso no meio da rua," disse Remus em voz alta.

"Você quebrou o espelho de comunicação, Prongs?" repetiu Sirius.

"Eu estava com raiva," defendeu-se James. "E, sabe, se você estivesse lá, teria ficado impressionado. Foi muito dramático. Eu quase arranquei o olho de Adam McKinnon com os fragmentos."

"É verdade," afirmou Remus. "Eu tive que limpar a bagunça."

Mas Sirius não parecia impressionado. Longe disso. "Eu não consigo acreditar que você quebrou o espelho de comunicação! Quando isso aconteceu?"

"Após a final da palavra com Q," disse James sombriamente. "Foi um dia muito ruim."

Sirius franziu a testa. "Bem... não podemos consertá-lo?"

"Eu tentei," disse Remus. "E Prongs também, mas estão faltando muitas partes do espelho, e é…" Ele abaixou a voz, embora nenhum trouxa que estava passando parecesse particularmente interessado na conversa, "um espelho mágico, então Reparos normais não vão funcionar..."

"E nós não sabemos o feitiço que usaram no espelho," acrescentou Peter. "Portanto, não podemos reproduzi-lo..."

Sirius fez uma careta para James, que de repente ficou fascinado por uma pedra na estrada. "Ah, por favor, Padfoot. Fazer cara feia não vai resolver nada."

"Talvez possamos mandar repará-lo," sugeriu Peter. "Onde você os conseguiu mesmo, Prongs?"

"Os espelhos eram do meu pai," disse James. "Acho que ele os comprou quando estava na escola... há cerca de um século atrás."

"Bem, isso não significa que a loja em que ele comprou está fechada," disse Remus com otimismo. "Há um monte de lojas bastante velhas em Londres. Ollivander funciona desde antes de Cristo. É literalmente antigo!" Ele riu de sua própria piada, mas James apenas revirou os olhos.

"Hilário, Moony."

"Foi mesmo."

"Não foi não," disse Sirius. "Tudo bem, então... é sábado. Seu velho está em casa, certo, Prongs?"

James ergueu as sobrancelhas. "Você costumava morar conosco, Padfoot. Estava bêbado o tempo inteiro? É claro que ele não está em casa!"

"Mas é meio-dia," disse Peter esperançoso. "Ele provavelmente está agora no horário de almoço, certo?"

James revirou os olhos novamente. "Eu juro, é como se vocês não conhecessem minha família."

"Mas," disse Remus, "tenho certeza que ele ficará satisfeito por seu amado filho decidir aparecer para visitá-lo durante suas últimas semanas no Ministério..."

"Talvez..."

"Brilhante!" disse Sirius com entusiasmo. "Então, vamos buscar os espelhos e depois vamos encontrar o Sr. Potter. Ele vai nos dizer onde podemos consertar o de James." Ele olhou para os outros. "E aí?"

"Tudo bem," concordaram eles, dando de ombros.

Sirius assentiu satisfeito. "Bom. Mas, primeiro, vou comprar um daqueles doces..."

(Azul e Amarelo)

O vestido de Lily era amarelo. Era de algodão, com a bainha no meio da perna e um decote quadrado, formado pelas alças do vestido, que era da largura de dois dedos. Ele não tinha uma cintura marcada, mas havia uma faixa combinando. A garota a amarrou em torno da parte mais fina de sua cintura, e ficou muito bom.

Lily calçou as sandálias de salto alto marrom escuro e arrumou os cabelos – secos e enrolado frouxamente com magia – em torno dos ombros. Ela aplicou o batom rosa pálido mais uma vez, e depois contemplou seu reflexo no espelho. Amarelo combinava muito mais com ela do que rosa, afinal.

Na cozinha, as damas de honra se reuniram, uma massa de babados cor de pastel e spray de cabelo. Petunia ainda não colocara seu vestido, mas seu cabelo platinado tinha sido preso em um coque alto e elegante, reforçado por rosas em miniatura, e meticulosamente projetado para parecer solto e relaxado. Um único cacho caía propositalmente perto de cada orelha, chamando a atenção para os pingentes de diamantes que a noiva orgulhosamente usava – alguns dos poucos diamantes que possuía, e certamente os únicos que não recebeu de seu noivo.

Apesar da cara feia que a noiva ostentava, e apesar do fato de ela se encontrar gritando para todo mundo pegar as coisas e entrar em um carro, Petunia estava muito bonita. Lily suspeitou que o "Brilho Nupcial" não fosse tão proeminente como as pessoas diziam ser, mas tinha detectado algo diferente em sua irmã naquela manhã.

"É melhor você ir atrás de um carro, Lily," advertiu a mãe, vestida de cetim coral. "E eu sugiro que vá no banco da frente."

Houve uma grande confusão sobre entrar nos carros, e levou mais dez minutos até Lily se encontrar no Austin Allegro de sua prima Eden, com Eden como motorista e Rachel Richards – a dama de honra que a substituiu – no banco de trás.

"Você está linda, Lily," disse Eden, acendendo um cigarro enquanto rumavam em direção ao casamento. "Amarelo é muito melhor que rosa." Ela disse isso com um olhar significativo para o retrovisor central, tentando ver a reação de Rachel Richards.

"E," censurou Lily em voz baixa, embora estivesse de acordo, e a prima apenas sorriu.

"Procure algo no rádio, o.k., ruiva?"

O caminho até a igreja não foi longo. Tocou uma canção de Paul Simon, e então do Queen, o último hit de Diana Ross, uma música do KC and the Sunshine Band, que Rachel não só insistiu para que deixasse nela, como também que aumentasse o som, um intervalo comercial, e cerca de oitenta por cento de "Strange Magic" do ELO, antes que entrassem no estacionamento da igreja.

Enquanto Eden foi se sentar na igreja, Lily ficou para trás com Rachel na sala de espera. Ocorreu à ruiva que o efeito concreto de ser expulsa da cerimônia de casamento foi sobretudo emocional; ela ainda estaria perto da mãe antes da cerimônia, o que significava que estaria na sala da noiva, e alguém a acompanharia até seu assento antes que as madrinhas e padrinhos prosseguissem para a nave. Claro que teria sido bom não ter sido condenada por Vernon e expulsa da cerimônia, mas, apesar de tudo, ele não podia fazer nada sobre o fato de Lily estar ali.

Falando em Vernon...

Já que Eden dirigia como uma maluca, o carro delas foi o primeiro a chegar da parte dos Evans, e enquanto Rachel Richards foi preparar a sala de Petunia na igreja, Lily se sentou em um banco na antecâmara, perto de uma pia de água benta, cantarolando "50 Ways to Leave Your Lover", porque agora – graças à rádio – a música não saía de sua cabeça.

O pessoal da parte do noivo chegara pouco antes e estavam por todo lado, mas por pouca sorte de Lily o próprio Vernon Dursley deparou-se com ela lá em cima.

Iniciou-se um momento de constrangimento. Lily parou de cantarolar.

"Petunia está aqui? resmungou ele. A ruiva debateu se devia responder. Reconhecendo a imaturidade disso, ultimamente ela tinha dado para se comportar de maneira muito estranha perto do noivo da irmã, só para saborear o medo que ele inevitavelmente demonstrava como resultado. Talvez fosse por isso que ele a olhasse como se ela fosse explodir a qualquer segundo, levando metade da igreja e parte do estacionamento consigo. Então, por alguns segundos, Lily permaneceu em silêncio, e Vernon repetiu: "Petunia já chegou?"

"Não," Lily cedeu. "A qualquer momento ela chega."

Vernon a encarou com um olhar de desgosto, que Lily sustentou e retribuiu. Após alguns segundos de silenciosa animosidade, porém, ela decidiu tomar uma atitude. A ruiva bateu o pé contra o chão polido e gritou "Boo!", fazendo o noivo se assustar. A exclamação dela ecoou na sala vazia, e a expressão chocada de Vernon – como um elefante surpreendido por um rato – desapareceu depressa. Com um sorriso de escárnio, ele saiu pisando duro, com bigode e tudo, e Lily ficou sozinha até que o resto do cortejo nupcial chegasse.

Yvonne Howard – dama de honra – enfiou a cabeça na antessala primeiro para ver se Vernon estava, e, verificando que não estava, ela acenou para que as outras entrassem. Petunia, escoltada pela Sra. Evans, Nancy Wiggins e Marge Dursley, caminhou até a pequena sala ao lado da antecâmara, e sua mãe, levando o vestido cuidadosamente embrulhado, fez um gesto para que Lily a seguisse.

Quando Lily entrou na sala da noiva, já parecia haver um conflito a ser solucionado. No forte calor, a maquiagem dos olhos de Petunia tinha manchado e, como resultado das tentativas equivocadas para resolver o problema, uma de suas maçãs do rosto agora estava totalmente sem maquiagem. Um completo desastre, obviamente.

Na verdade, a noiva era a mais calma de todas, enquanto as outras despejavam suas bolsas de maquiagem por cima das duas mesas, localizando base, pó, rímel e delineador, como se suas vidas dependessem disso. E, para ser franco, provavelmente dependiam.

"Por que não ligaram o ar condicionado?" questionou Lily.

Nancy Wiggins, que comparava dois frascos de corretivo, balançou a cabeça com tristeza. "Como o florista acidentalmente entregou os buquês na recepção em vez de entregar na igreja, eles tiveram que ser colocados no carro de Marge, que tem o ar condicionado mais potente. Petunia veio no meu carro, e... Ah! É tudo culpa minha!" Ela começou a chorar, e Yvonne revirou os olhos.

"Sai dessa, Nan, e me dê a máscara..."

A Sra. Evans, que saíra com a chegada de Lily, voltou com três buquês de rosas brancas em miniatura; atrás dela vinha a prima de Lily, Lexi, carregando outro e o buquê da noiva.

"Deixem uma mesa livre," ordenou a Sra. Evans sobre o barulho, e Rachel transferiu a maquiagem espalhada de uma mesa para outra. Os buquês foram depositados, e a Sra. Evans partiu para falar com o sacerdote. Lexi deu um aperto carinhoso na mão de Lily e murmurou: "Você está muito bonita, Lil," e depois se foi.

Então, Lily ficou novamente como a única na sala, além de Petunia, que não vestia rosa. Mesmo assim, ela não parecia tão deslocada quanto Marge Dursley.

Em consideração ao casamento, e – ainda mais importante – em consideração às fotos do casamento que imortalizariam o dia, as damas de honra tinham atacado Marjorie Dursley com tudo, desde depilação das sobrancelhas (e bigode) a um líquido verde suspeito que Yvonne chamava de "cuidados com a pele", e que Lily suspeita que logo seria tido por ilegal devido a prováveis ligações com câncer. O cabelo loiro, liso e opaco de Marge tinha sido desfiado, aparado e penteado, e a maquiagem aplicada tão exaustivamente que, com exceção de uma parte ao redor dos olhos, seu verdadeiro rosto estava invisível. E, depois de um trabalho que quase superou o realizado com a noiva, Marge parecia...

Desconfortável.

A pobre moça, cercada por garotas super femininas do tipo Petunia, suava em bicas e obviamente estava odiando tudo aquilo. Ela parecia precisar de uma bebida forte, se a dieta do casamento ao menos permitisse álcool. Marge não era, e nunca seria, bonita (nem Lily era tão generosa para acreditar no contrário), mas em outro ambiente, ela poderia pelo menos estar confortável e feliz, e conforto e felicidade podem fazer maravilhas as quais os "cuidados com a pele" de Yvonne nem imaginavam.

Os minutos passaram. Lily foi buscar no carro um livro que sabiamente trouxera, e ficou na pequena sala ao lado da antecâmara, enquanto as damas de honra e a noiva se movimentavam ao seu redor. Ela sentou-se absorta em seu romance e não viu quando Petunia colocou o vestido, ou quando as outras tiraram fotos com a Polaroid que a Sra. Evans trouxera. Ela não prestou atenção ao pânico com a manicure das 02:09, quando o esmalte de Nancy destacou, e Rachel foi chamada para consertar, pois Nancy estava muito nervosa para segurar o pincel do esmalte. Nem ouviu a Guerra de Carboidratos das 2:18 entre Yvonne e Marge a respeito de um queijo dinamarquês, culminando com Yvonne batendo na mesa das flores e derrubando o buquê meticulosamente elaborado de Petunia no chão. Isso motivou a Batalha do Buquê das 2:19, que, por sua vez, terminou quando a noiva colocou o buquê em uma cadeira no canto e mandou que ninguém falasse nos próximos dez minutos.

Na verdade, o verdadeiro desastre não aconteceu até as 02:24, trinta e seis minutos antes do casamento, enquanto Nancy e a Sra. Evans auxiliavam Petunia a prender o véu. Marge, ainda ressentida pela perda da Guerra de Carboidratos das 2:18, limpou as gotas de suor da testa com um lenço e foi se sentar. Infelizmente, ela ou não lembrava ou não notou o ocupante anterior da cadeira escolhida: o buquê da noiva.

Um grito agudo finalmente desviou Lily das Memórias de Brideshead, e Yvonne ergueu as flores, o que foi pior do que Marge Dursley sentar nelas. O verdadeiro pânico drenou a cor do rosto de Petunia, quando ela as tomou de sua dama de honra, examinando as flores danificadas em estado de choque. Marge cobriu o rosto com as mãos grandes, e, por um momento, a sala toda prendeu a respiração. Então, a Sra. Evans pegou o buquê da noiva e disse com uma voz severa: "Não se atreva a chorar, Petunia Elaine. Eu tenho uma ideia de como consertar isso, está bem?"

"M-m-mas elas estão arruinadas..." gaguejou a noiva.

"S-sim," admitiu a mãe, sem encarar ninguém. "Mas... há um florista... próximo à estrada, e tenho certeza que posso encontrar um buquê adequado na próxima..." Ela olhou para o relógio, "meia hora".

"Mas..."

"Petunia," interrompeu-lhe a mãe, calma e séria, "tudo vai ficar bem. Yvonne, cuide para ela não chorar. Lily, venha comigo."

A garota seguiu a mãe para fora da sala, até a antecâmara. Elas ficaram a uma distância segura da multidão de pessoas que passava para se sentar, e a Sra. Evans falou com muita pressa e em voz baixa. "Lily," começou ela, "em seis anos, eu nunca pedi para você usar... qualquer um dos seus talentos especiais para nada..."

Lily entendeu de imediato. Ela pegou o buquê deplorável de sua mãe. "Eu sou o 'florista que fica aqui perto,' não é?"

"Você pode consertar?"

Lily assentiu. "Tuney não ficará feliz se descobrir."

"Então talvez não devêssemos contar a ela?"

"Eu nunca soube que a senhora era tão dissimulada," brincou Lily.

"Por favor, Lily."

"O.k."

A Sra. Evans olhou em volta do salão ansiosamente. "Talvez seja melhor ir para o carro."

Lily assentiu. "Eu volto em alguns minutos."

"Obrigada."

Lily voltou à sala da noiva para pegar sua bolsa e evitou olhar para alguém enquanto saía de fininho para o estacionamento. O Cortina de sua mãe, todavia, estava estacionado bem na frente, e não evitaria que os trouxas vissem. Assim, em vez disso, a ruiva rumou para o Allegro de sua prima Eden, no qual andara pouco antes e que estava mais discretamente localizado, perto da estrada.

A porta do motorista foi destrancada, e Lily sentou-se, fechando a porta ao entrar. O banco de trás estava quente contra os ombros nus da garota, e quando ela se inclinou para descer o vidro, a alça de metal queimou seus dedos.

Merlin, estava fervendo hoje: seco, o que era uma boa por conta da umidade, mas ainda terrivelmente sufocante.

Transportar a varinha tinha sido uma dificuldade para Lily por algum tempo. Quase todas as vestes bruxas tinham um bolso para guardá-la, mas as roupas trouxas não tinham, e assim, por longos períodos de sua existência trouxa, tinha sido forçada a improvisar. Finalmente, no quarto ano, descobrira um feitiço (ela chamou de feitiço Mary Poppins) que lhe permitiu ajeitar sua bolsa para que coubesse mais em seu interior do que aparentava.

E assim Lily sacou sua varinha de vinte e seis centímetros, feita de salgueiro, da bolsinha de mão, e pegou o buquê que jogara no banco do passageiro.

O breve uso que Marge fizera das flores como almofadas certamente causara vários danos: uma haste foi quebrada, e a maioria das pétalas foram amassadas – algumas tinham até caído no caminho até o carro. Por um momento, a ruiva olhou para as flores com cuidado. Ela fechou os olhos, imaginando o buquê – não como tinha sido antes – mas como ela queria que fosse. Rosas brancas misturadas com rosas em um forte e vibrante cor-de-rosa... folhas bem verdes e caules...

Um tanto previsivelmente, Lily sempre fora boa com flores.

Ela tornou a abrir os olhos. Pegando a varinha, direcionou a ponta para baixo, para a flor no centro do buquê; em seguida, traçou espirais no ar, que emanavam daquele ponto e se ramificavam para fora, até chegar ao perímetro do buquê. Ainda torcendo a varinha, como um espaguete em um garfo, ela a puxou para cima. A ruiva parou quando sua mão chegou ao nível dos olhos, e, em seguida, sacudiu o pulso uma vez.

A luz saiu da ponta de sua varinha – sem intensidade, mas visível, banhando as flores com um brilho cor de ouro. Em seguida, a luz se apagou, e Lily baixou a varinha, erguendo o buquê para examiná-lo. Era basicamente o mesmo arranjo: a mesma proporção de miniaturas brancas e cor-de-rosa padrão, a mesma fita branca presa ao longo das hastes com os mesmos pinos de pérola. Mas as flores em si – as pétalas e as folhas – estavam mais brilhantes e frescas, e quando ela as cheirou, sentiu um aroma deliciosamente doce...

Sorrindo para o trabalho que fizera, Lily cuidadosamente recolocou as flores no banco do passageiro. Tinha que ficar ali fora por mais alguns minutos, pois um rápido retorno poderia levantar suspeitas das damas de honra.

Ela suspirou, recostou-se, e o assento quente do carro ardeu em seus ombros novamente. A garota examinou preguiçosamente o carro da prima por um instante, até que notou um pequeno pacote dourado de cigarros Benson & Hedges no painel.

Levou um segundo para a jovem registrar por que seu peito deu uma dolorosa pontada com a visão da caixa. Ela a apanhou, considerando a suave caixa de papelão entre seus dedos.

Seu pai sempre fumara Bensons.

Quase automaticamente, a ruiva tirou um da caixa e o acendeu com a varinha, dando uma longa tragada. Ela deslizou o braço para fora da janela e inclinou a cabeça para trás.

A última vez que fumou tinha sido com Sirius, à beira do lago em Hogwarts, quando conversaram sobre o tio dele, o pai dela e a morte. Há quatro meses.

Só que Sirius não fumava Bensons, e fazia muito mais do que quatro meses que fumara um cigarro da mesma marca que seu pai. Dois anos... na sua curta fase de rebeldia.

Mas tinha sido mais do que uma fase de "rebeldia". Ela ainda era amiga de Snape na época – aconteceu antes do primeiro afastamento deles. Foi o último verão que passaram juntos, e tinha sido horrível. Sev não era como costumava ser… eles estavam se agarrando às memórias passadas do que outrora viveram juntos, só que ela estava se agarrando com mais força. Seu pai tinha morrido há cinco meses, e Petunia tinha acabado de começar a sair com Vernon. Lily passou pouquíssimo tempo com os outros amigos naquele verão... se não estava com Sev, estava sozinha. E, de repente, simplesmente ficara cansada demais de ser Lily.

Ela deu outra tragada. Alguns amigos do ensino médio de Petunia podiam ser vistos conversando nos degraus da igreja. Pouco mais de vinte minutos para o casamento... deixaria Petunia suar por mais um tempo.

Fumaça saiu da ponta do cigarro de Lily, desaparecendo em meio ao pálido céu azul, que estava quente demais.

Seu pai teria adorado este clima terrível.

Ele tinha um apreço estranho por calor sufocante – dizia que não havia nada mais honesto do que um dia quente.

Então, de repente e inesperadamente no silêncio do carro, Lily ouviu sua própria voz dizer: "Eu queria que você estivesse aqui." Só quando ouviu a própria voz foi que percebeu que falou em voz alta.

Sem pensar, ela continuou: "Você tiraria sarro de mim, sem real intenção de zombar, e seria bom para Tuney – ter você aqui... para levá-la até o altar e tudo mais." Outra longa inalada. "Eu sinto sua falta, pai..." Ela estava piscando para conter as lágrimas, sua voz ficando rouca: "E odeio porque eu... porque eu não penso mais em você todos os dias. No início, você estava lá todo o tempo... em tudo que acontecia eu simplesmente pensava em você. E então, após um tempo, era apenas à noite, quando eu estava tentando dormir... você se lembra? Eu sempre falava com você em minha mente, e... Bem, eventualmente, eu passei a só pensar em você algumas vezes por semana, e agora só de vez em quando. Exceto em casa, quando estou em casa, penso muito mais." Ela levou o cigarro aos lábios mais uma vez. "Você provavelmente bateria em minha mão se pudesse agora, não é? Mamãe bateria. Mas são Bensons, pai, e você também não conseguia resistir a eles. Não que eu... quero dizer, não é por isso..." Ela arriscou um pequeno sorriso aguado. "Eles têm o seu cheiro, só isso."

Lily bateu no cigarro com a parte superior de seu dedo anelar, e as cinzas caíram no asfalto do lado de fora da janela.

"Você odiaria Vernon," ela continuou de forma irregular. "Ele é exatamente tudo o que você detestava nas pessoas. Chato, insosso, ganancioso e… rico. Bem, não podemos culpá-lo por ser rico, mas ele podia tentar não ser chato. Mas... mas acho que... de onde você está, você não odeia ninguém... nem mesmo Vernon Dursley? Você ainda consegue importunar as pessoas, pelo menos? Não de uma forma má, apenas... sabe... por diversão? Espero que sim. Espero que você esteja muito feliz, e que não se sinta sozinho sem a mamãe, eu e Tuney... acho que não se sente... acho, acho que é como se você pudesse sempre se lembrar da gente, mas sua memória é perfeita, então não é como uma memória na verdade. É como reviver cada momento a todo o tempo. E as coisas ruins parecem pequenas, e são apenas... apenas trampolins para as coisas boas. E todas as coisas boas parecem maravilhosas."

A primeira lágrima concreta deslizou por seu rosto, e Lily limpou apressadamente.

Inala, exala. Inala, exala.

"Tuney está usando os brincos que você deu quando ela fez dezesseis anos." Inala, exala. "Eu n-não sei se ela te disse alguma coisa, mas e-eu não a culparia se não tivesse dito. Mas eu sei que ela também sente sua falta." Outra tragada, mais cinzas. Amargamente: "Eu só queria que você estivesse aqui. Tudo seria... tão diferente se você estivesse aqui... sabe, eu não acho que Petunia estaria casando com Vernon. Talvez ela..."

Mas Lily parou, porque aquilo era uma ilusão. Não sabia se Petunia se casaria ou não com Vernon Dursley em outras circunstâncias, mas uma parte pequena e inexplicável dela achava que se casaria.

O cigarro estava pequeno agora, e Lily perdeu o interesse. Ela o colocou no cinzeiro e pegou a varinha novamente. Aqui, ela hesitou.

Ela tornou a se recostar e fechou os olhos, respirando fundo e registrando o cheiro do tabaco em sua memória. Então, sem abrir os olhos, porque poderia mudar de ideia, Lily acenou com a varinha e baniu o cheiro das roupas e dos cabelos. Afinal, não podia aparecer no casamento assim.

Lily colocou a varinha de volta na bolsa e usou o espelho retrovisor para corrigir a maquiagem, que ficou manchada pelas lágrimas. Quando tudo estava como deveria estar, ela pegou o buquê e saiu do carro.

Seus saltos clicavam satisfatoriamente enquanto atravessava o estacionamento, subia as escadas da igreja, e dirigia-se à antessala, driblando todos os olhares e evitando todo mundo. Ela entrou na sala da noiva e viu que Petunia estava sozinha.

"Onde estão as outras?" perguntou Lily, e sua irmã pulou ao som de sua voz. Ela estava sentada na penteadeira, olhando para o espelho, e ainda assim ficara alheia à entrada da outra. Petunia levantou-se, tocando com cautela seu cabelo delicadamente arrumado.

"Eu pedi para ficar só por um instante. Você está com o buquê, não é?"

Mas, quando Petunia se levantou e a encarou, Lily a vislumbrou em sua glória nupcial pela primeira vez e ficou sem fala. Imediatamente se repreendeu por ter duvidado da fábula do "brilho nupcial." Petunia estava magnífica.

"Você está linda," disse a mais nova em voz baixa. Ela pousou o buquê.

O vestido era acinturado, tinha um corpete elegantemente costurado, mangas ligeiramente niveladas, e uma saia abrangente: cetim, mas com uma camada de renda estilo chiffon. O véu era leve, preso ao cabelo dela e com uma única costura, caindo ao redor de seus cotovelos. Havia uma luz radiante em sua pele e olhos, um leve rubor em sua face que poderia ser de excitação.

Petunia não respondeu à irmã de imediato. Ela parecia querer dizer alguma coisa, sem saber exatamente como fazê-lo. A mais nova recompôs-se um pouco, e comentou com mais naturalidade: "Você está usando os brincos que papai te deu." A noiva assentiu lentamente. "Eu gostaria que ele estivesse aqui."

Suspirando, Petunia sentou-se na cadeira vazia. Lily sentou ao lado dela. "Eu também," murmurou a mais velha. "Primeiro, Tio Estranho vai me conduzir ao altar..."

Lily riu. "Tio Richard não é tão ruim assim..."

"Deus, se ele ao menos não ficasse falando o tempo todo de todas as mulheres que não quiseram sair com ele..."

"Ah, Deus, sim."

Petunia sorriu. Ela pegou o buquê de onde Lily o colocara, olhando para ele. A jovem não parecia particularmente interessada em certificar-se de que a substituição foi adequada, e a mais nova logo soube o porquê. "Você o consertou, não foi?" indagou Petunia, mais como uma afirmação do que como uma pergunta. "Com sua..." Ela parou de falar, e a ruiva considerou negar. Mas não negou, e em vez disso assentiu lentamente, sem encarar a outra direito. As duas irmãs permaneceram em silêncio por um tempo. "Eu sabia que você consertaria," começou a mais velha por fim; "quando mamãe te chamou, eu sabia que ela ia pedir para você... consertá-lo." Ela levantou a fita em volta da haste, examinando as flores com um pouco mais de atenção. "São adoráveis," finalmente admitiu, mas claramente relutante. "Eu me lembro... de quando éramos pequenas, no parque..."

E embora ela tenha cortado a frase, Lily sabia exatamente que desfecho Petunia tinha planejado.

"Eu sempre fui boa com flores," murmurou a mais nova. A outra olhou para ela, franzindo a testa.

"É isso que você faz naquela escola durante o ano? Brinca nos jardins?"

Lily suspirou. Como explicar que era muito mais... real do que Petunia compreendia? Não era só a escola. Não era apenas a varinha e os livros, a coruja e o caldeirão. Não era só fazer as flores brotarem, ou saltar quando deveria parar. Era sua vida – sua existência, na verdade.

A ruiva não disse nada daquilo, pois era a primeira vez Petunia manifestara interesse na vida de Lily em Hogwarts em muito, muito tempo, e não havia como comunicar tudo que precisava ser compreendido.

"É praticamente o mesmo que a escola normal. Livros, caras, detenção..."

"E brincar nos jardins," acrescentou Petunia com ironia. Lily sorriu.

"Jardins mágicos," corrigiu a ruiva.

A expressão de Petunia tornou-se desconfortável. Ela se endireitou, e em seguida tornou a se levantar, arrumando sua saia longa. "É melhor chamar nossa mãe... eu acho que estou pronta."

Lily assentiu, levantando-se também. Enquanto a irmã examinava seu reflexo uma última vez, a garota rumou para a saída. Ela parou na porta. "Tuney?"

Petunia encarou-a pelo espelho.

"Você... você está muito linda."

A noiva quase sorriu, mas manteve um semblante equilibrado e respondeu, quase em um sussurro: "Obrigada."

Lily assentiu e saiu da sala para encontrar a mãe.

(Dervish and Banges)

"Byron Produtos Mágicos," repetiu Sirius, jogando outra batata frita na boca e mastigando pensativamente. "Nunca ouvi falar. Acham que ainda está funcionando?"

"Acho que não," disse Remus. "Conhecemos todas as lojas em Hogsmeade, e sei que nunca estivemos lá."

Os quatro bruxos se sentaram em um banco numa estação do metrô, não porque tinham qualquer intenção de pegar um trem, mas porque, após a estadia um pouco mais longa do que o pretendido no Ministério (segurança e tudo mais), eles queriam um lugar para se sentar, e ali dava para o gasto. James roubou uma batata frita do pacote recém-comprado por Sirius e sorriu.

"Essa é a coisa mais próxima do orgulho Maroto que eu já ouvi você dizer, Moony. E, infelizmente, você está certo."

"Droga, Prongs," xingou Sirius indolentemente. "Por que seu velho é tão... velho?"

"Isso não vem ao caso," rebateu James. "E agora?"

"Eu acho que alguém em Hogsmeade deve saber algo sobre esse lugar," disse Peter. "Ou nós poderíamos tentar Dervixes e Bangues."

"Wormtail tem razão," concordou Remus. "Só porque eles não o produziram, não significa que não vão saber como consertar o espelho."

James roubou outra batata. "Então, estamos de acordo? Dervixes e Bangues?"

"Assim que eu terminar de comer," disse Sirius. Remus revirou os olhos.

"Nesse ritmo, ficaremos aqui para sempre."

Apesar dessa conclusão pessimista, os meninos aparataram em Hogsmeade dez minutos depois. O bom de aparatar em uma comunidade totalmente mágica era que não tinham que se preocupar muito sobre onde apareceriam, o que, neste caso, não foi muito longe da loja.

Sirius explicou a situação para o responsável pela Dervixes e Bangues, James apresentou os espelhos, e eles esperaram.

"Estou vendo o problema," resmungou o bruxo por trás do balcão. Era um homem forte, de óculos, com as bochechas rosadas, um nariz proeminente e o cabelo ralo. Ele se apresentou apenas como "Glauff."

Sirius ergueu as sobrancelhas para a declaração. "Vidro quebrado, talvez?" sugeriu sarcasticamente.

"Não, não," respondeu o outro. "Bem, é claro que o vidro não ajuda muito, mas o problema aqui é o feitiço, se o espelho não pode funcionar com alguns pedaços faltando."

"Você sabe como consertar?" perguntou Peter esperançosamente.

"Não posso dizer que sei," disse Glauff. "Você diz que seu pai o comprou em Byron?"

"Sim," disse James. "Você conhecia o lugar?"

O bruxo assentiu. "Fechou há cerca de vinte anos, e é lá que se iria para consertar esse tipo de coisa. Eu não sei de muita gente que conheceria uma magia antiga como essa nos dias de hoje."

"Você não pode tentar um feitiço diferente?" indagou Remus. "Deve haver outros espelhos de comunicação..."

"Eu poderia tentar," disse Glauff, balançando a cabeça. "Mas isso não teria muita utilidade. No fim, eu só estaria produzindo um novo par."

"Quanto tempo levaria?" perguntou Sirius.

"Pelo menos algumas semanas, devido à minha agenda."

Os Marotos trocaram olhares, e James franziu o cenho. "Você disse que teríamos que levá-lo para Byron para consertar este par."

"É, mas está fechado agora."

"Sim, nós sabemos, mas você tem ideia de onde podemos encontrar o cara que era responsável pela loja?"

"Leander Byron?"

James assentiu ansiosamente.

"A seis palmos da terra".

Sirius ficou cabisbaixo, e o bruxo suspirou. "Byron morreu em 1956, mas eu tenho quase certeza de que seu filho ficou responsável pela maioria dos trabalhos da loja nos últimos anos. O nome dele é Clarence, e eu acho que ele ainda está por aí."

"Você sabe como poderíamos encontrar Clarence?" insistiu Remus.

Glauff tirou os óculos e começou a limpá-los com um lenço de bolso. "Se vocês tivessem vindo aqui há um ano, eu teria dito 'não.'"

"Mas e agora?" incitou Sirius, impaciente.

"Eu falei com a patroa dele, Lorraine, há alguns meses. Ela estava entrando na Trapo Belo – uma senhora simpática, e muito engenhosa, mas ela queria vestes, e a Trapo Belo é um excelente lugar para isso. Claro que não é tão pomposo como algumas coisas que você vai encontrar no Beco Diagonal, mas... "

Sirius parecia pronto para sacar a varinha e azarar, mas Remus levantou uma mão. "Por favor," interrompeu ele o mais educadamente possível. "Clarence Byron?"

"Certo, certo, você tem razão." Glauff terminou de limpar os óculos e tornou a colocá-los delicadamente em seu nariz. "A Sra. Byron mencionou que seu marido estava na Harvest Lane. Claro, foi há mais de um ano, mas imagino que ele ainda esteja lá..."

"Harvest Lane?" perguntou James, confuso. "É onde ele mora?"

"Não, não, garoto. Harvest Lane. É uma loja. Primordialmente de antiguidades mágicas. Taças encantadas e coisas do tipo – não coisas perigosas, mas bonitas, que podem esvaziar um pouco seus bolsos."

"Nós temos bolsos fundos," disse Sirius. "Onde fica este lugar?"

"James tem bolsos fundos," corrigiu Peter.

"Bem, James jogou o espelho na parede," apontou Sirius, antes de virar para Glauff novamente. "Onde fica Harvest Lane?"

"Em Liverpool," disse o bruxo. "Um lugar muito legal, parece um beco comum para os trouxas, mas..."

"Pode nos dar o endereço?" interveio Remus.

"Claro, claro." Glauff pegou uma pena, tinta e um pergaminho, e começou a escrever. "Só que vocês não vão conseguir ser atendidos hoje."

"Por que não?" perguntou Peter.

"É sábado, rapazes. Um lugar como aquele não vai abrir nos finais de semana."

"Bobagem," disse James. "Você tem certeza?"

"Sim, Sim." Glauff fez uma pausa. "A menos que... não... eu tenho certeza."

"A menos que o quê?" perguntou Remus.

"Há uma chance... não, tenho certeza de que era Lane... só que, bem, agora não me lembro..."

"Pode tentar?" retrucou Sirius.

"Cuthbert Cauldrons... costumava ser nas mesmas imediações, e eu estou tentando lembrar se era Cuthbert ou Lane que fechava nos fins de semana..."

"Então, você não tem certeza," disse Remus com as esperanças renovadas.

"Não, não, eu tenho certeza que era Lane. Só que... talvez..."

Cinco minutos depois, os Marotos estavam no Três Vassouras tomando cerveja amanteigada.

"O que vocês estão aprontando?" Rosmerta, a bela bruxa atrás do bar, perguntou, colocando uma nova rodada de bebidas diante deles. "Ansiosos para voltar à escola, não é?"

"Não consegui ficar longe de você, meu amor," disse Sirius. "Rosie, quando você vai acabar com meu sofrimento e casar comigo?"

"Hummm, nada mau a proposta," rebateu a bruxa. "Só que eu sei que você só está atrás das bebidas de graça." Piscando o olho, ela foi até outro cliente.

"Então," começou Remus. "Vamos tentar ir a essa tal de Harvest Lane? Encontrar Clarence Byron?"

James brincou com o pergaminho que continha o endereço. "Não vai fazer mal." Ele pegou dois galeões do bolso e colocou-os sobre o balcão. "Vamos, então," disse ele. "Não se preocupe, Moony, eu já paguei."

"Mas..."

"Blá, blá, você está me entediando. Tchau, Rosie! Fique com o troco!"

Rosmerta sorriu e acenou, e os meninos saíram, carregando as garrafas consigo. "Tudo bem," disse Remus. "Então, em primeiro lugar Dedos de Mel e em seguida Liverpool. Combinado?"

"Combinado."

"Combinado."

"Combinado."

(Wagner e Mendelssohn)

Lily supôs que, quando Wagner compôs "Lohengrin", não imaginava que a Marcha Nupcial ficaria tão famosa a ponto de se tornar um clichê. Mas algumas pessoas não viviam para saber o que deixaram para trás. Mas, quando Petunia apareceu, todos se levantaram e a marcha começou no órgão, não pareceria mais clichê. Era 1976, e embora fosse haver muitas e muitas noivas naquele ano escolhendo coisas da moda, em cinquenta anos, quando houvesse novas modas de casamentos elegantes, Petunia poderia dizer que entrara com Wagner e não pareceria antiquado. Clichê ou não, Lily achava que representava algo.

"Estamos reunidos aqui perante a sociedade," começou o celebrante, "para a união de Vernon e Petunia em matrimônio..."

A noiva parecia radiante lá em cima.

"...que constitui um compromisso digno e solene, e, portanto, não deve ser assumido levianamente, mas com reverência e sensatez..."

Vernon parecia um pouco roxo. Marge estava se remexendo.

"...estas duas pessoas aqui presentes vão agora se unir..."

A Sra. Evans já tinha lágrimas nos olhos.

"Se alguém se opõe a este matrimônio..."

Lily prendeu a respiração.

"...ou se calem para sempre."

Gramaticalmente incorreto. Não deveria ser "calem", devia ser "cale" ou algo assim, porque era no singular... Lily se opôs à imprecisão da linguagem...

Ninguém se opôs a mais nada... ao menos não em voz alta. Yvonne estava investigando o padrinho.

"Vernon, você aceita Petunia como sua legítima esposa? Promete amá-la, respeitá-la...?"

Ele aceitou.

"Petunia, você aceita Vernon como seu legítimo esposo? Promete amá-lo, respeitá-lo, confortá-lo e estimá-lo de hoje em diante..."

Sem hesitação, não havia dúvida nos olhos da noiva.

"...guardando-te para ele e sendo fiel até a morte?"

"Sim."

Houve um pouco mais de cerimônia, e depois o juramento de Vernon e, em seguida o de Petunia.

"Que esta aliança seja abençoada de modo que ele que dá e ela que usa fiquem em paz, e continuem apaixonados até o final de suas vidas."

Quem sabe um pouco mais também.

"Receba esta aliança em sinal da nossa união."

"Receba esta aliança em sinal da nossa união."

"Que este casal esteja preparado para partilhar, seja capaz de perdoar, e experimentar mais e mais alegria a cada dia e a cada ano que se passa. Vernon e Petunia iniciam agora uma vida de casados. Esperamos que possam contar com o carinho da família, o apoio constante dos amigos, e uma longa vida com saúde e amor sem fim. Considerando que eles consentiram em viver para sempre em matrimônio, o que foi testemunhado pelos presentes, tendo declarado o mesmo ao trocar as alianças, eu os declaro marido e mulher."

Para algo que foi feito para durar tanto tempo, as cerimônias de casamento eram bastante curtas.

A mãe de Vernon não chorou, mas a de Petunia sim. A irmã dela, que estava na fila da frente, usando o vestido amarelo, também tinha lágrimas nos olhos.

(Pistas e Subornos)

James não tinha ideia do como Harvest Lane parecia para os trouxas, mas aos olhos dele, parecia uma lixeira. A entrada não ficava na frente da loja, mas ao lado, em um beco abandonado que tinha um gato malhado de olhar tristonho e várias lixeiras. A porta de madeira era estreita e poderia ser derrubada com um pontapé se alguém se interessasse em tentar entrar, e a tinta da placa na fachada estava descascando, como se o lugar estivesse deserto. Na verdade, a única indicação de que o lugar ainda estava funcionando era a longa janela à direita da porta. Isso, James pensou, deveria ser invisível aos olhos não mágicos, pois a visão era arriscada demais.

No entanto, ainda havia um problema com Harvest Lane, e não era apenas o inexplicável nome.

"Está fechado," disse Remus de forma óbvia.

"Pode não estar!" protestou Sirius.

"As janelas estão escuras," apontou Peter.

"Talvez seja a decoração!"

"Há uma placa de 'Fechado' na janela," disse Remus.

"Talvez seja um erro!"

"O horário de funcionamento está bem ali..." disse James.

"Outro erro!"

"Não é um erro," sustentou Remus. "E você é delirante."

Sirius suspirou. "Eu não sou delirante. Eu sei que está fechado." Ele encostou-se à parede de tijolos em frente à loja. James se juntou ao amigo.

"Podemos tentar Borgin & Burkes," disse ele. "Eles podem ser bizarros e desonestos, mas eu tenho certeza que sabem lidar com um espelho de comunicação."

"Eu sei," respondeu Sirius com indiferença. "Mas aquele lugar me lembra do Senhor Black..." Sirius referia-se ao pai assim; "Ele costumava nos levar lá quando éramos crianças."

James tentou pensar em algo reconfortante para dizer, mas não achou. Ele procurou momentaneamente uma desculpa, até que Remus – que estivera analisando a vitrine – falou.

"Espera aí, eu acho que há alguém lá dentro!"

"Pare de tentar me fazer sentir melhor," lamentou Sirius.

Remus revirou os olhos e virou-se para eles. "Não estou fazendo isso. Venham ver."

Eles foram, e havia, de fato, um bruxo andando dentro da loja. O que ele estava fazendo estava oculto por uma pilha de malões e a pouca iluminação, mas sua mera presença forneceu esperança suficiente para James, que imediatamente começou a bater na janela e gritar. Os outros o imitaram, e, após um minuto, o bruxo – um homem idoso e curvado – olhou e mancou em direção à porta.

Ele abriu o suficiente para colocar a cabeça para fora e em seguida resmungou: "Estamos fechados." Ele começou a fechá-la novamente, mas James impediu com a mão.

"Por favor, estamos à procura de alguém. Clarence Byron? O senhor é ele?"

O homem riu. "Eu pareço com algum Clarence Byron?" perguntou ele, pronunciando o nome com zombaria

"Ele tem razão," admitiu Sirius. Os outros olharam para ele. "Quê? Clarence... tem uma certa... feminilidade..."

Remus revirou os olhos novamente. "O senhor trabalha aqui?" perguntou ele ao bruxo.

"Nah, eu estou roubando o lugar," retrucou o idoso sarcasticamente. "Claro que eu trabalho aqui, e eu gostaria de continuar trabalhando, se me entendem, então é melhor vocês rapazes irem embora, antes que eu..." Ele parou quando James entregou-lhe três galeões. "Bem, o que vocês querem, então?"

"Nós estamos procurando alguém para consertar um espelho," disse Peter.

"Não é apenas um espelho comum... é um espelho mágico," acrescentou Sirius. "Foi fabricado na antiga loja do pai de Byron em Hogsmeade, e o bruxo na Dervixes e Bangues disse que Clarence Byron poderia saber como substituir o feitiço nele."

"Bem, não vão encontrar Clarence Byron aqui. Estamos fechados, como eu lhes disse..."

"Suponho que o senhor não tenha nenhuma experiência com magia antiga de espelhos de comunicação?" indagou Peter. O bruxo bufou.

"Acham que eu estaria desempoeirando este lugar no final de semana se fosse bom com feitiços desse tipo?"

"Provavelmente não," concordou James.

"O senhor sabe onde poderíamos encontrar Clarence Byron, então?" perguntou Remus.

"Não aqui," reiterou o homem idoso. "E não vão encontrá-lo por aqui nem tão cedo também. Foi demitido há seis meses, Byron."

"Demitido?" repetiu Peter.

"Por quê?" perguntou Sirius, acrescentando com otimismo para James: "Talvez ele esteja precisando de dinheiro..."

"Eu não faço ideia," disse o bruxo. "Ele não parecia muito incomodado, pelo que percebi."

"Por que não?" perguntou Remus.

"Já tinha um novo emprego, por isso."

"Onde?" perguntou James.

"Bem..." O bruxo deu um sorriso enrugado e desdentado. "É difícil de lembrar..."

"Essa é a sua deixa, Prongs," murmurou Sirius, revirando os olhos. James entregou mais alguns galeões.

"No Profeta Diário," disse o bruxo, guardando as moedas no bolso de seu avental empoeirado. "Só Merlin sabe o porquê. Ouvi dizer que ele estava escrevendo algum tipo de coluna."

"No Profeta Diário?" repetiu Remus. Ele olhou para os outros. "Há chance de conseguirmos encontrá-lo por lá."

"Tudo bem," disse James. "Eu estou dentro se vocês estiverem."

Sirius virou-se para o bruxo. "Poderíamos usar a loja para aparatar?"

"Bem, eu não estou muito..."

James entregou-lhe outro galeão.

"Andem com cuidado, rapazes; não devem se demorar lá na rua..."

(Bruno e Elton)

Bruno Trent poderia ser irmão de Vernon Dursley, se não lhe faltasse uma das características cruciais dos Dursley. Bruno, assim como Vernon, era grande e roliço, branco em vez de moreno, mas tinha o mesmo bigode ridículo. Possuía semelhantes olhos redondos, e uma inclinação semelhante para roupas formais, feias e caras. Ele também suava profusamente, um fato que Lily descobriu com infelicidade – o que nos leva à diferença entre Vernon e seu parente distante. Bruno Trent não desprezava Lily.

Por que era que – em filmes e livros – quando uma garota era convidada para dançar por um estranho em um casamento, o cara era bonito e charmoso, enquanto na vida real, ele era apenas... Bruno?

Depois de ele pisar seus pés ao longo de Can't Help Falling in Love, a ruiva tentou desesperadamente se esquivar em Your Song. No entanto, Bruno rapidamente derrubou seus fracos argumentos, e insistiu que ela compartilhasse outra dança. Por fim, a garota aceitou relutante, com a ressalva de que aquela seria, de fato, a última dança com ele.

A recepção aconteceu em um grande salão de um hotel, cujo custo deve ter sido considerável; Lily não sabia como seria pago. No entanto, ver o lugar deixou poucas dúvidas sobre o gosto de Petunia. O efeito das luzes suaves, o piso de madeira polida, os grandes arranjos de flores, e os desenhos projetados eram de tirar o fôlego.

"O clima está bom hoje," disse Bruno, já que, aparentemente, ele não tinha um assunto de verdade para iniciar a conversa.

"Eu prefiro um pouco mais frio," respondeu Lily. Ela olhou para a mesa principal, onde a noiva e o noivo estavam sentados conversando. Pergutando-se vagamente sobre o que Vernon e Petunia conversavam, a ruiva tentou distrair-se da dor que atingiu seu pé quando o rapaz pisou seus dedos mais uma vez.

"Sim, sim, claro," disse ele, tentando conduzi-la a um distinto movimento circular. Lily teria tentado ajudá-lo no gesto, mas na última vez que ela fizera essa tentativa, ele a acusou de estar "guiando".

A Sra. Evans estava falando e rindo com alguns amigos próximo à mesa de presentes. Ela tinha um copo de vinho branco na mão, e, do breve vislumbre que Lily teve durante o tempo em que Bruno a virou naquela direção, achou que sua mãe parecia muito feliz. Muito feliz e muito bonita. Pelo menos isso fez a jovem sorrir.

Bruno riu nervosamente, evidentemente pensando que seu "sim, sim, claro," tinha causado o sorriso dela. A ruiva olhou para ele como se tivesse esquecido que ele estava ali, completamente suando sobre ela.

"Você tem namorado, Lily?"

"Não."

"Por que não?" perguntou o rapaz com seu melhor sorriso conquistador. Lily odiava aquela pergunta. Ela supôs que os garotos perguntavam como se fosse um elogio, mas não era.

"Eu tinha um namorado," disse Lily aborrecida, observando Nancy Wiggins e Rachel Richards paquerar com seu primo Will do outro lado do pátio. "Terminamos em abril."

"Ah, foi mesmo?"

"Sim."

Bruno prosseguiu dançando sem jeito. "P-por quê?" perguntou ele. Lily não se importou de ter claramente dirigido a conversa para uma área desconfortável.

"O irmão dele queria me matar e espalhar minhas cinzas no rio."

Bruno tornou a pisar em seu pé.

"Brincadeira," disse ela em seguida, em vez de entrar em detalhes. Bruno sorriu sem jeito. Por que ele continuava dançando com ela era um mistério para Lily naquele momento; não tinha sido nada além de sarcástica e esquisita (para não dizer maldosa) desde que ele a chamou para dançar e a garota não conseguiu pensar em uma desculpa razoável. O vestido amarelo deve ter caído realmente bem nela.

A música finalmente terminou, e desta vez, Lily conseguiu fugir. Ela tinha dois alvos: a mãe e uma taça de vinho. A ruiva encontrou a última primeiro, e depois dirigiu-se à primeira.

"Oi, meu amor," cumprimentou a Sra. Evans, beijando-a no topo da cabeça, enquanto sua filha mais jovem beijava seu ombro. "Eu vi você dançando."

"Aquilo era dançar? Eu pensei que ele só quisesse alguém em quem transpirar."

A Sra. Evans sufocou um sorriso. "Seja boazinha."

"Quem? Eu? Eu sempre sou boazinha."

Mas sua mãe decidiu não comentar sobre isso. "Você já comeu?"

"Sim, como uma porca."

"Bom. Você está muito bonita."

"Você também, mãe."

A Sra. Evans sorriu. "Logo mais serviremos o bolo."

"Humm, bolo."

"Verdade. Seja uma boa menina e vá olhar com suas primas, sim?"

"Se não tem outro jeito."

"Obrigada."

"Por nada."

"E pegue leve no vinho... você ainda é menor de idade aqui."

"Você não está mais bonita".

"Um sacrifício que estou disposta a fazer."

Lily fez uma careta, mas se inclinou e beijou o rosto da mãe antes de se afastar.

(Teresa e O Profeta)

Quando os Marotos entraram, a recepção do Profeta Diário, uma grande sala de pedra, estava repleta de atividades. Dois bruxos gigantescos estavam de cada lado das portas duplas, mas eles não falavam com os visitantes, e James lançou um olhar de advertência para Sirius, alertando-o a resistir ao impulso que o outro certamente teve de soltar gracinha quando os quatro rapazes passaram. Janelas altas em forma de arco revestiam as paredes do salão, e corujas entravam e saíam livremente, enquanto as bruxas e bruxos que estavam ali resolviam seus negócios, dando pouca atenção às aves.

Havia uma recepcionista atrás de uma mesa alta no centro da sala. Era uma loira bonita, e no momento que os Marotos a avistaram – orientando um bruxo a pegar os elevadores – Sirius pigarreou e afastou o cabelo negro dos olhos.

"Eu acho que podemos dizer que essa está no papo," disse ele, confiante. Os outros reviraram os olhos, mas o seguiram até a mesa. "Olá," cumprimentou Sirius, e a bruxa olhou para eles. Mas seus olhos mal repousaram em Sirius antes de cintilarem para um de seus amigos.

"James Potter?".

James de repente percebeu a razão de a moça parecer um pouco familiar.

Todos os olhos – inclusive os da loira – estavam sobre James, e desta vez ele não gostou muito. "Vai nos apresentar, cara?" perguntou Sirius incisivamente.

"Por favor, Sirius, eu era apenas dois anos à frente de vocês," interrompeu bruscamente a bruxa. "Eu e James namoramos por um mês no meu sétimo ano."

"Isso não vai acabar bem," murmurou Peter.

"É c-claro." Sirius pigarreou. "Eu me lembro agora. Rebecca?"

"Teresa," disseram James e a própria em coro. Ela cruzou os braços.

"Estou surpresa por você lembrar."

"Claro que eu lemb..."

"E você se lembra por que nós terminamos?"

"Definitivamente não vai acabar bem," concordou Remus, cutucando Peter.

"Se eu disser que 'sim', você não repete?" perguntou James, esperançoso.

Teresa o ignorou. "Nós terminamos porque depois de sairmos duas vezes e nos beijarmos cerca de vinte vezes, ele continuou a chamar Lily Evans para sair!"

Sirius ficou espantado. "Prongs, eu não consigo acreditar que você faria algo assim com uma mulher linda como esta."

"Cala a boca, Padfoot, ou vamos recapitular o que você andou fazendo quando tinha quinze anos."

"Literal e figurativamente," sugeriu Peter. Sirius fez uma careta.

"Está bem." Ele se virou para Teresa. "Eu sinto muito por meu amigo ser um idiota – e ele realmente é, mas foi um problema de paixão, e..."

"Me poupe, Black, foi há dois anos," interrompeu Teresa. Ela suspirou e revirou os olhos. "Eu segui em frente. O que vocês querem?"

"Nós estamos procurando por Clarence Byron," disse Remus, contornando James e se colocando em evidência. "Fomos informados de que ele trabalha aqui agora."

"Ele trabalha, sim," confirmou Teresa. "Ele escreve uma coluna sobre magia utilitária em artigos para o lar. E eu posso levar uma mensagem para vocês, mas somente pessoas autorizadas têm permissão para subir."

"Eu pensei que você tivesse dito que seguiu em frente!" reclamou Sirius. Teresa olhou para ele.

"Eu segui," disse ela severamente. "No entanto, à luz dos recentes acontecimentos, O Profeta está seguindo um protocolo, e eu tenho que aderir a ele."

Ela se referia, é claro, ao infeliz acontecimento da Semana das Exigências. Os Marotos trocaram olhares; James manteve-se extremamente desconfortável com a situação, mas Sirius estava bastante desesperado. "Você pode ao menos nos dizer se ele está aqui hoje?"

Teresa se remexeu, obviamente considerando suas opções. Por fim, ela respondeu: "Eu não deveria falar. Mas posso lhes dizer que o Sr. Byron dirige uma coluna semanal que é entregue no sábado à noite e que uma tarde de sábado como esta seria exatamente o tempo em que alguém nessa posição poderia querer passar no escritório."

"Isso significa 'sim', certo?" Peter resmungou para Remus, que assentiu.

"Tudo bem, então," começou Sirius lentamente. "Você pode levar uma mensagem para nós?"

"Eu poderia levar um bilhete, sim," respondeu a bruxa. "E o Sr. Byron iria recebê-lo na próxima vez que estivesse no escritório."

"Que é hoje, certo?" perguntou Peter novamente, e Remus mais uma vez acenou com a cabeça.

"Ótimo," disse Sirius. "Poderia nos arranjar um pergaminho e uma pena?"

Teresa providenciou os itens necessários, e os Marotos foram para uma pequena sala de estar próximo à porta. James escreveu o bilhete, curto e simples, endereçado a Clarence Byron, explicando que soube dele através de Byron Produtos Mágicos e Harvest Lane, e afirmando educadamente que estariam dispostos a lhe compensar se pudesse realizar um pouco de magia sobre um objeto comprado em sua antiga loja.

Quando James acabara de escrever, Remus e Sirius entregaram o bilhete para Teresa novamente. Ela o pegou, colocou-o em uma bandeja de plástico preta sobre sua mesa, na qual bateu com a varinha. O bilhete desapareceu de imediato.

"Quanto tempo para ele responder?" indagou Peter. Ela apenas deu de ombros.

"Pode levar uns cinco minutos, ou pode levar uma hora," respondeu ela, um tanto indiferente. Naquele momento, um pedaço de pergaminho dobrado apareceu na bandeja, mas quando a jovem o apanhou, foi rápida em dissipar a evidente esperança dos quatro visitantes. "Não é a resposta de vocês," disse ela. "O Sr. Byron não envia mensagens pela bandeja. Ele vai mandar um mensageiro. É melhor se sentarem." Ela os dirigiu mais uma vez para a sala de espera, e os Marotos sentaram-se novamente.

Minutos se passaram, e enquanto muitas pessoas passavam pelo corredor, entrando nos elevadores, recebendo corujas, ou parando para dar uma palavrinha com a recepcionista Teresa, nenhuma mensagem chegou para os Marotos.

"Quanto tempo leva para escrever 'sim' ou 'não?'" Sirius reclamou, após quinze minutos terem se passado sem intercorrências. "Muito indelicado esse Byron Clarence".

Remus observou distraidamente um bruxo alto e rijo sair de um elevador e se aproximar de Teresa. "Talvez ele não tenha lido o bilhete ainda. Ele pode estar ocupado, sabe."

"Tolice," murmurou Sirius. "As pessoas aqui só ficam enrolando. Olha aquele cara..." Ele meneou a cabeça na direção do bruxo mais velho na recepção. "Ele tem tempo para descer aqui para o térreo e conversar com Teresa, não tem?"

"Escute," começou James, desviando a atenção deles da cena. "Nós nem sequer sabemos se esse tal de Byron pode nos ajudar. Talvez ele não tenha ideia de como o espelho foi feito."

"Mas Glauff disse que ele praticamente tocou a loja por anos," argumentou Sirius; ele puxou o espelho que ainda funcionava do bolso. "E ele trabalhou naquela tal de Harvest Lane também; ele deve ter alguma ideia."

"Se ele não tiver," disse Peter, "a gente ainda pode conseguir consertá-lo..."

"Eu pensei que Prongs já tinha tentado..."

"Ele tentou. Mas quando voltarmos a Hogwarts, teremos a biblioteca inteira."

"É verdade," concordou Remus com otimismo. "Se vocês conseguiram descobrir como me ajudar com meu... problema..."

"Probleminha peludo," corrigiu James, sorrindo.

"Sim, isso. Se conseguiram resolver isso, tenho certeza que poderiam..."

"Mas ainda falta mais de um mês para voltarmos a Hogwarts," interrompeu Sirius. "E o espelho tem que ser consertado agora..."

"Por quê?" perguntou Peter.

"Porque sim," disse Sirius com firmeza, e ninguém viu muita utilidade em debater a questão.

Quase mais vinte minutos se passaram até que, por fim, Teresa chamou os meninos até sua mesa novamente. Uma criatura feia, estilo um duende, subiu depressa na mesa com um pedaço de pergaminho e resmungou algumas instruções.

"O Sr. Byron pede que vocês não o incomodem mais hoje," disse Teresa, quando o duende partiu para o elevador novamente. "Na verdade, ele pediu para não ser mais interrompido hoje."

"Ele pode fazer isso?" questionou Sirius. "Ele é um maldito colunista, não o Ministro da Magia!"

"A segurança está forte," disse Teresa com simplicidade. "É melhor vocês irem. Mandem uma coruja para ele, se é importante."

"Mas..." começou Sirius, só para ser interrompido quando James agarrou seu braço.

"Vamos, Padfoot," disse Remus. "Vamos pensar em outra coisa, o.k.?"

Sirius relaxou, embora com relutância, e seguiu os amigos quando rumaram para a porta. "O que vocês acham?" perguntou em voz baixa. "Aparatamos de volta para a casa de James, pegamos a Capa da Invisibilidade..."

"Nós não vamos invadir o edifício do Profeta Diário," retrucou Remus, sussurrando em voz alta. "Isso é loucura. Um repórter..." Ele parou, e os garotos ficaram em silêncio ao passar pelos dois bruxos que faziam a segurança na saída. "...Um repórter," retomou ele, "foi morto aqui semana passada. Eles têm todo direito de serem cautelosos."

Na rua, o ar denso de julho estava um tanto sufocante, e Sirius fez careta para os amigos. "Nós não vamos fazer nada perigoso, só queremos falar com esse canalha! Certo, Prongs?" Ele se virou para James em busca de apoio.

"Não sei," começou seu amigo lentamente; "Moony tem razão, e estamos nisso há quase cinco horas..."

Sirius olhou incrédulo para os dois. Os rapazes estavam perambulando próximo às portas de entrada do edifício do jornal. Sirius voltou a atenção para Peter. "Wormtail?"

"Andamos o país inteiro," disse Peter calmamente. "Não vejo por que não apenas voltamos à Dervixes e Bangues amanhã e mandamos o cara fabricar um conjunto de espelhos novos..."

"Nós não podemos simplesmente fabricar novos espelhos!" protestou Sirius. "Estes aqui pertenciam ao Sr. Potter! Certamente, ele vai..."

"Eu acho que meu pai tem algumas outras coisas em mente no momento," apontou James.

"Mas estes são os espelhos!" insistiu Sirius. "Eles são o primeiro despojo decente que tivemos! Antes de seu velho te dar a capa, Prongs, nós tínhamos os espelhos! Antes do mapa, antes dos apelidos, antes de desistirmos de arranjar uma namorada para Remus!" Ele apelou para o humor, mas James ainda hesitou. "Prongs."

"Padfoot," começou James, "eu também quero consertar os espelhos, mas podemos mandar uma coruja para esse tal de Byron como Teresa disse, e..."

"Você está desistindo?"

"Eu não estou desistindo, eu só disse que podíamos..."

Sirius, no entanto, não aceitaria aquilo. Ele ergueu a mão, exasperado. "Honestamente, nós somos os Marotos, e alguns bruxos de cara feia na entrada fizeram vocês tremerem nas calças..."

"Padfoot, se acalme," disse Remus depressa. "Nós estivemos aparatando, andando e procurando o dia todo, e não é sem razão que..."

"Bobagem, Moony, vocês apenas..." Mas Sirius foi interrompido quando um bruxo que saía do edifício do jornal atrás deles quase colidiu de frente com ele em sua partida apressada. Era o homem que Sirius acusara de estar conversando com Teresa mais cedo, e ele não parou, apesar de quase tê-lo derrubado no chão. Sem resmungar sequer um 'me perdoe,' ele passou abaixado pelos garotos e correu pela rua. "Seu idiota! Preste atenção por onde anda!" gritou Sirius impacientemente para ele, mas o homem não parou. "Babaca," acrescentou em voz baixa. Ele começou a se dirigir aos outros Marotos novamente, mas foi interrompido por mais um bruxo que saiu desabalado pelas portas do Profeta.

"Eu sinto muito!" guinchou o segundo; ele não partiu de imediato, em vez disso gritou para o primeiro bruxo, que se afastava, sacudindo um grande livro de bolso: "Você esqueceu sua pasta, Sr. Byron! Sua pasta!"

Os Marotos se assustaram ao som do nome. "Você disse 'Byron?'" perguntou James, desviando dos outros para falar com o homem.

"Sim, sim," grunhiu o bruxo. "Ele deixou isso para trás, e ele não terminou a..."

"Ele é Clarence Byron?" perguntou Remus depressa.

"Isso mesmo, mas..."

Os quatro Marotos olharam imediatamente para o primeiro bruxo, que tinha parado a certa distância. Mas no instante que o contato visual foi feito, o bruxo se virou e partiu novamente, correndo o máximo que suas pernas idosas conseguiam. James pegou a maleta.

"Eu entrego a ele," disse inteligentemente, e em seguida partiu em perseguição ao homem. Sirius, Remus e Peter o seguiram.

James mergulhou em meio aos transeuntes e pedestres, mal conseguindo desviar de alguns e quase virando uma mesa na calçada da sorveteria Florean Fortescue's. No entanto, Byron era mais rápido do que parecia e, embora a rua não tivesse saída, a principal preocupação do rapaz era que o outro aparatasse antes que pudesse alcançá-lo. James apressou o passo, cortando uma fila que se formava em frente à Gambol & Japes. Saindo do outro lado – com alguns bruxos e bruxas gritando com ele por sua grosseria – James perdeu Byron de vista; ele ficou na ponta dos pés, procurando por cima da multidão pelo bruxo de cabelos grisalhos. O rapaz o avistou outra vez, virando apressado na esquina do brechó, e correu atrás dele.

O Maroto sabia que não havia nada a não ser um beco sem saída de tijolos após aquela esquina em particular, e teve certeza de que quando o alcançasse, Byron teria aparatado. No entanto, quando virou a esquina, lá estava o bruxo idoso, chiado dramaticamente, preso entre James e parede de pedra.

Byron deu um passo para trás.

"Eu sei o que você vai f-f-f-fazer!" gaguejou ele, ofegando e segurando o abdômen. "Não vai d-dar certo! Eu não tenho nenhum dinheiro! Não é verdade!"

James não poderia ficar mais confuso. "Do que você está falando?" questionou. Sirius chegou em seguida, com os outros dois não muito atrás. "Por que você estava fugindo da gente?"

"Por que estavam me perseguindo?" contra-atacou Byron.

"Porque você estava correndo!" retrucou James, contrariado.

"James considera outras pessoas correndo como... um desafio pessoal," comentou Remus; ele também estava ofegante com a perseguição.

"O que vocês querem comigo?" perguntou Byron. Ele se endireitou, evidentemente, com a esperança de recuperar alguma dignidade.

"Nós só queríamos falar com você," disse Sirius. "Eu sou Sirius Black... estes são James Potter, Remus Lupin e Peter Pettigrew. Nós queríamos falar com você sobre um objeto que você vendeu ao pai de Pron... James... da Byron Produtos Mágicos."

O rosto enrugado de Clarence Byron relaxou quase que imediatamente. "A loja está fechada. As vendas encerraram," afirmou solenemente.

James revirou os olhos. "Isso é óbvio. Mas... anda, mostre seu espelho a ele, Padfoot." Tanto James quanto Sirius pegaram seus respectivos espelhos e os apresentaram a Byron. "Nós não queremos causar nenhum problema, seu dinheiro ou o que seja..." Ele entregou a maleta de Byron como sinal de boa intenção; "você não leu nosso bilhete?"

"Li," murmurou Byron. Ele olhou friamente para os espelhos, mal percebendo as rachaduras em um deles. James achou que ele poderia simplesmente estar olhando seu reflexo. "Eu pensei que vocês estavam... bem, eu pensei que vocês estavam atrás de dinheiro. Disseram que queriam que eu realizasse um feitiço, e..."

Ele parou de falar. "E o quê?" perguntou Peter curiosamente.

"Eu pensei que vocês estavam me ameaçando," concluiu Byron com um suspiro.

"Eu não estou entendendo nada," murmurou Remus.

"Bem, nós não estávamos ameaçando você," disse Sirius, cruzando os braços. "O pai de James comprou estes espelhos na Byron Produtos Mágicos. São espelhos de comunicação, e Glauff na Dervixes e Bangues disse que você poderia conseguir repará-los... ou nos dizer que feitiço foi usado para fazê-los funcionar, para que pudéssemos consertar o espelho e nós mesmos lançarmos o feitiço..."

Byron limpou a garganta. Ele tentou devolver os espelhos, mas nenhum dos Marotos os pegou.

"Meninos, eu... eu me lembro de vender dezenas desses tipos de espelhos, há anos e anos, mas eu não os fabriquei. Havia muitos outros bruxos na loja e em outros lugares que fabricavam os objetos que vendíamos. Eu não poderia..."

"Mas você trabalhou lá," disse Sirius depressa. "E as pessoas levavam coisas danificadas para o conserto, não é?"

"Eu recomendo que comprem um novo par," disse Byron, ignorando a pergunta. "Eu tenho certeza que podem encontrar um bom par de espelhos de comunicação na Dervixes e Bangues ou na Borgin & Burkes, ou qualquer número de..."

"Nós não queremos substitui-lo!" falou James em voz alta. "São os espelhos dos Marotos, e são estes que vão ser consertados!"

"Que marotos?" perguntou Byron timidamente, mas James o cortou.

"Ficamos em filas no Ministério da Magia, subornamos um velho na Harvest Lane e suportamos esse clima horroroso tentando te encontrar... você escreve uma coluna inteira sobre esses tipos de coisas! Deve ter alguma ideia de como consertar!"

Byron baixou o olhar. "Eu sinto muito mesmo, meninos," murmurou, e ele parecia sincero, "mas não há nada que eu possa fazer por vocês. Se eu pudesse, eu certamente faria, mas... Eu simplesmente não posso."

"Você não pode nem mesmo tentar?" indagou Remus.

"Não faria diferença alguma se eu tentasse."

"O que isso significa?" questionou Sirius.

"N-nada. Simplesmente que... que eu sou incapacitado para ajudá-los."

"Mas..."

Byron tentou contornar os Marotos. "Por favor, rapazes, não há nada..."

"Espere um minuto." James obstruiu seu caminho, a compreensão surgindo nele. "Por que você não aparata agora?"

Byron parou. "P-perdão?"

"Você fugiu da gente..." continuou James. "Pensou que estávamos te ameaçando por algum motivo e fugiu... poderia ter aparatado, e teria sido impossível nós te perseguirmos."

O bruxo mais velho não respondeu, então James continuou.

"E você correu para a esquerda ao invés de ir para a direita... mas se tivesse ido na direção do Caldeirão Furado estaria na Londres trouxa em um minuto, e teria sido moleza desaparecer por . Mas você foi para a esquerda... foi para a outra saída..."

"Tem outra saída para a Londres trouxa?" perguntou Remus, curioso. James assentiu.

"Mas vai dar no esgoto, por isso a única razão para usá-la seria... se você não pudesse usar a outra entrada."

"Por que você não poderia usar a outra entrada?" perguntou Peter.

James não tirou os olhos de Byron, mas o bruxo continuou a encarar os dedos do pé. "É uma boa pergunta," murmurou o Maroto. "Por que você não usaria a entrada através do Caldeirão Furado?"

Remus entendeu o que seu amigo estava tentando dizer. "Porque é preciso magia! Você precisa convocar o arco!"

Todos os Marotos olharam para o agora pálido-como-Snape Byron. "Você é um aborto?" perguntou Sirius.

"Foi por isso que ele pensou que o estivéssemos ameaçando," disse James. "Porque tudo que o bilhete dizia era que queríamos que ele fizesse um feitiço... ele achava que estávamos zombando dele...!"

"Ele pensou que era uma chantagem!" acrescentou Remus com entusiasmo. "Sabia que eu que deveria ter escrito o bilhete; você expressa as coisas da forma errada, Prongs."

"Isso é irrelevante," desconsiderou James. Ele se aproximou de Byron. "Você é um aborto?"

Por alguns segundos, o homem não disse nada. Então, seu lábio começou a tremer, e, momentos depois, ele estava chorando – não apenas algumas lágrimas respeitáveis, mas um oceano de fluídos que encharcavam seu rosto e davam a impressão de um bebê enrugado e esticado. Os Marotos apenas o encararam.

"Isso foi inesperado," disse Sirius.

Remus entregou um lenço a Byron. Todos eles esperaram.

"E-e-eu estou t-t-tão ter-terrivelmente cansado de tudo isso," choramingou Byron no lenço de Remus, balançando a cabeça tristemente. "Há sessenta e um anos e-e-e-eu tenho m-m-mentido para tod-todo mundo sobre... sobre o q-q-que eu sou!"

"Que é," começou Sirius, "só para ficar claro... um aborto. Certo?" Remus deu uma cotovelada nele. "Quê? Eu só quero ter certeza de que sabemos em que tipo de crise de identidade estamos nos envolvendo!"

Byron mal parecia ouvi-los. Ele balançou a cabeça fracamente. "S-s-s-sim. E-e-e-eu tenho pouquíssimo sangue mágico em m-m-mim!" Com isso, ele se desmanchou em soluços durante vários minutos. James se aproximou dele, batendo-lhe desajeitadamente no ombro e fazendo careta, enquanto os outros ficaram por perto sem jeito, imaginando se não seria melhor sair de fininho enquanto podiam.

Por fim, porém, Byron recuperou um pouco o autocontrole. Ele finalmente chegou ao estágio de soluço, e mais cinco ou dez segundos deselegantes se passaram em silêncio.

"Tudo bem, então, companheiro," sussurrou James. "Vamos... tomar um pouco de chá ou algo assim."

"Eu vou colocar gim no meu," murmurou Sirius com rebeldia.

(Comum e Harmônico)

"No meu casamento," declarou Eden Hayes de forma decidida: "cada dama de honra vai usar uma cor diferente. E a cerimônia decididamente será ao ar livre; é muito mais... natural..."

Lexi, que estava sentada à esquerda de sua irmã, revirou os olhos para a afirmação. "No seu casamento, Eden? Quando isso acontecer, acho que já vão ser capaz de realizar toda a cerimônia no espaço. Teremos carros voadores."

"Babaca," retrucou Eden. Ela estendeu a mão e, com o garfo, roubou um pedaço da fatia de bolo da irmã.

"Ei! Vá pegar o seu!"

"Lerda."

"Ladra!"

Lily riu das palhaçadas das primas, comendo outro pedaço do seu bolo mais branco do que a neve. Por fim, Eden relutantemente concordou em buscar outra fatia para a irmã, mas apenas na condição de não ter que fazer isso sozinha.

"Vamos, Lily," implorou ela. "Por favor, por favor, por favor, por favor, não me faça ir sozinha!"

Lily inevitavelmente cedeu, sorrindo e balançando a cabeça, enquanto Eden enroscava um braço no seu e elas desfilaram até a mesa do bolo.

"Eu vi você dançando com aquele amigo de Vernon," começou Eden em tom de provocação, enquanto elas se juntavam à fila para o bolo. "Vocês formam um lindo casal."

"Não tente ser engraçadinha, E," respondeu Lily, tentando parecer desaprovar.

"Eu só estou dizendo que... vi potencial, Lily. Você tem que aproveitar oportunidades como aquela."

"Ha, ha, pegue seu bolo antes que eu apresente você a ele."

"Essa é uma péssima ideia."

Mover-se por entre a densa multidão que se reunia ao longo da pista de dança era um pouco difícil, mesmo depois de Eden ter pegado seu bolo. Já que o desvio que necessitou fazer levou Lily até o bar de qualquer maneira, ela decidiu parar para pegar champanhe, e Eden prosseguiu de volta para a mesa sem ela.

"Só um instante," informou o barman. "Temos que abrir outra garrafa."

Então, Lily esperou, observando a pista de dança de braços cruzados. A noiva e o noivo dançavam uma música lenta, e um número suficiente de pessoas os admirava, de modo que a garota supôs que Vernon deveria estar bastante satisfeito. Ela os fitou por apenas alguns segundos, e estava prestes a se virar para verificar o champanhe, quando ouviu o nome de sua irmã, murmurado em voz baixa em algum lugar não muito longe.

Marge Dursley estava perto do bar com um copo de algo âmbar preso entre os dedos maciços, falando com alguém que Lily achava ser uma tia de Vernon. Tudo, do vestido verde-jade à expressão permanentemente reprovadora, embasava essa teoria.

"Você não deve culpar Petunia," grunhia Marge para a provável tia, enquanto tomava mais um grande gole de sua bebida. "Ela é uma garota legal, e Vernon poderia arranjar algo pior."

"Sim, mas honestamente," respondeu a mulher mais velha (Lily aproximou-se furtivamente), "toalhas de mesa de algodão... poderiam muito bem ter colocado cadeiras dobráveis!"

"Isso é coisa da mãe dela..." respondeu Marge; Lily engasgou, e o barman entregou o champanhe à garota ainda atordoada. "Uma mulher agradável, eu suponho, mas... bem, eu acho que ela não impõe limites à filha mais nova..."

"A garota ruiva?"

"Isso mesmo. Frequenta escola católica pelo que eu ouvi."

"Deus, aonde a Inglaterra vai parar?"

Os dedos de Lily estavam brancos visto que agarrava a haste da taça de champanhe com um desejo cada vez maior de esmagá-la na cabeça de alguém. No entanto, se a conversa tivesse terminado ali – mesmo com Marge e a tia a chamando de sem limites e zombando das toalhas de algodão perfeitamente agradáveis, mesmo assim, se a conversa tivesse terminado ali, tudo poderia ter passado despercebido, e Lily poderia ter ido se sentar com os primos novamente, furiosa, mas teria sido melhor.

Infelizmente, a garota ouviu a próxima parte da conversa.

"É claro, algumas coisas já eram esperadas..." prosseguiu a tia. "Não é verdade que o pai trabalhou em uma linha de montagem por alguns anos?"

"Sim," confirmou Marge. "Ele morreu há alguns anos, mas eu acho que ele era muito simples..."

Lily não ouviu mais nada nos dois segundos seguintes, ela também não notou muita coisa, exceto o calor subindo em seu rosto, e a distância entre ela e Marjorie Dursley diminuindo rapidamente. Com uma velocidade instintiva, Lily esvaziara o conteúdo de sua taça de champanhe no rosto avermelhado de Marge.

"Meu Deus!" engasgou-se a tia, enquanto a encharcada Marge ficou lá boquiaberta, incapaz de elaborar qualquer tipo de resposta por alguns segundos.

"Você cale a boca ao falar da minha mãe e do meu pai, sua velha inútil e pelancuda!" vociferou Lily para a mais velha, antes de se virar para Marge mais uma vez. "E você é uma mulher horrorosa! Você é cruel, mal-educada e... e...!" Mas de repente ela não conseguiu pensar em mais nada: "gorda!"

Marge e a tia ainda estavam se recuperando, Lily ainda estava furiosa, e alguns espectadores continuavam atentos, quando Eden reapareceu e, agarrando o braço da prima, guiou-a para longe. Só quando tornou a se sentar à mesa dos primos foi que Lily recuperou-se da raiva que lhe causaram. Eden entregou-lhe sua taça de vinho.

"Você está precisando mais do que eu, Ruiva."

(Chá e Sorvete)

James, Sirius, Remus, Peter, e Clarence Byron sentaram-se em uma mesa na Sorveteria Florean Fortescue. Os Marotos tomaram sorvete, e o Sr. Byron tomou chá enquanto lhes relatava sua triste história.

Clarence Byron nasceu como o que ele chamou de "praticamente um aborto", com talento mágico o suficiente para conjurar algumas faíscas, embora não o bastante para realizar qualquer magia de verdade. Seu pai era dono da loja em Hogsmeade, mas logo percebeu que Clarence não seria um autêntico bruxo, e tentou, ou fingiu, pelo menos, educá-lo em casa. O que lhe faltava em talento, Clarence compensou em esforço: ele memorizou feitiços, estudou teoria mágica, e aprendeu todas as regras escritas ou não escritas de magia prática. Se tivesse nascido bruxo, teria sido brilhante.

Além disso, ele era muito bom com números. Enquanto seu pai avançava em idade, Clarence assumia cada vez mais os negócios – controlando as contas, vendendo produtos e etecetera. Tudo que exigia magia (inclusive reparos) era delegado aos outros funcionários. Apesar do relativo sucesso, alguns anos depois de Leander Byron finalmente se aposentar, Clarence decidiu fechar a loja. Por essa época, pouquíssimas pessoas sabiam ou lembravam que ele era um aborto – sua esposa, seu pai, sua mãe, e um empregado da Byron Produtos Mágicos... um sujeito idoso, que lealmente dava cobertura a Clarence quando necessário. O nome deste homem era Pierson Peasegood.

"Pierson Peasegood?" repetiu James.

"Ridículo," concordou Sirius.

"Não... bem, sim, é, mas... não sei... não soa familiar para vocês?"

"Meninos, sério..."

"Desculpa."

"Desculpa."

Em todo caso, Clarence decidiu fechar a loja, e ele se sentiu confortável em fazê-lo, pois já tinha conseguido um emprego na Harvest Lane. Lá ninguém sabia que ele era um aborto, e ele teve que se esforçar significativamente mais para esconder seu segredo. Suas mentiras deixaram de ser omissões e tornaram-se descaradas. No entanto, Pierson Peasegood tinha ido com Byron para Harvest Lane, e ele continuou a lhe dar cobertura. Se fosse designado para consertar alguma coisa, o aborto alegava ser necessário deixar o produto de um dia para o outro, para que Pierson, ou mesmo a esposa de Byron, Lorraine, realizasse os feitiços de reparação. Mesmo assim, a maior parte de suas atividades na Harvest Lane eram administrativas.

Finalmente, cerca de seis meses mais cedo, as pressões da Harvest Lane e do engano que exigia tornaram-se demais. O bruxo daquele estabelecimento tinha informado mal aos Marotos; Byron não foi demitido, mas se demitiu. Ele assumiu o cargo no Profeta, porque tudo o que precisava lá era de conhecimento profundo sobre teoria mágica. Infelizmente, a maior visibilidade gerada por este novo emprego deixara Clarence um pouco nervoso como há pouco, e foi por isso que ele interpretou o bilhete de James como ameaça. Ele havia descido para ver os chantagistas pessoalmente, mas, descobrindo que não os conhecia, decidiu despachá-los e também cair fora depressa.

E aquilo meio que levou as coisas para onde eles estavam agora, sentados na Sorveteria Florean Fortescue, tomando chá e sorvete.

"Você realmente convenceu a todos de que não é um aborto?" perguntou Sirius sem acreditar, quando a história foi concluída. "Como você contorna a questão da aparatação? Quero dizer, com certeza as pessoas se perguntam por que você não aparece e desaparece como as pessoas normais fazem."

"Eu digo a todos que tenho aparatofobia," murmurou Byron tristemente. "É terrivelmente humilhante, mas é... é melhor do que a verdade." Ele pronunciou a última palavra com nítido desprezo.

"Aparatofobia?" perguntou James.

"Aparatofobia é o medo de aparatar," explicou Remus. "É raro, mas alguns bruxos têm medo mortal de aparatar. Você usa Chaves do Portal, então?" acrescentou para Byron.

"Sim. E transporte trouxa também, às vezes," respondeu Byron.

Em seguida, houve mais uma dúzia de perguntas sobre a logística da coisa, e Byron respondeu todas elas, um pouco confuso com a combinação de diversão e admiração dos Marotos com suas respostas. Quando finalmente as perguntas sobre a vida de Byron tinham sido feitas e respondidas, James girou sua colher em torno do pote de sorvete esquecido e fez a pergunta que os trouxera ali: "E quanto ao espelho?"

Automaticamente, todos olharam para os dois espelhos, pousados sobre a mesa, brilhando com a iluminação acolhedora do lugar.

Byron suspirou. "É... é possível que eu pudesse determinar o método mágico que foi usado nesses espelhos..." Ele pegou o quebrado, examinando-o, "mas os papéis da loja do meu pai se perderam, e sem eles... bem, sem eles, seria necessária magia para responder suas perguntas, e obviamente eu não posso ajudá-los com isso." Ele notou a grave decepção dos meninos com isso, e sentiu-se compelido a acrescentar: "Eu já recomendei que vocês recorressem a outras opções... certamente é possível comprar novos espelhos..."

"Nós não estamos interessados em espelhos novos," disse Remus calmamente.

Byron respirou fundo. "Bem, rapazes... se há alguém que poderia quase certamente reparar esses espelhos... seria Pierson Peasegood."

"O cara que trabalhou com você na Harvest Lane?" perguntou Peter, e Byron assentiu.

"Sim, sim. Ele era um bruxo brilhante no seu tempo... Eu o conheço desde que eu era um menino."

"Brilhante," disse James com entusiasmo. "Então, onde podemos encontrá-lo?"

"Eu não faço ideia."

Sirius ergueu uma sobrancelha. "Mas você disse que o conhece desde que era um menino?"

"Conheço," disse Byron. "Mas ele se aposentou de Harvest Lane pouco antes de eu partir, e a gente perdeu o contato."

"Mas você deve ter alguma ideia de como encontrá-lo? Um endereço?"

"Ele costumava morar com a filha, mas ela foi para a América há algum tempo," disse Byron. "Sério, eu não tenho a menor ideia de onde ele está. Vocês podem tentar mandar uma coruja para ele, caso ele não tenha ido embora com a filha e seu marido. P-E-A-S-E-G-O-O-D."

Os Marotos trocaram olhares.

"Essas são as opções, meninos," continuou Byron. "Eu sei que elas não são, talvez, exatamente o que vocês esperavam, mas são extremamente otimistas. Deveriam ficar feliz."

Remus respondeu com um superficial, "É."

Logo depois, Byron terminou seu chá agora morno e informou que ele realmente tinha que ir. Com agradecimentos e sinceridade, os Marotos prometeram que o segredo dele ficaria seguro com eles, embora Remus tenha apontado que, como ele ficara aterrorizado ao ponto de fugir de quatro adolescentes inofensivos, Byron poderia estar fazendo um favor a si mesmo ao revelar a verdade sobre suas habilidades mágicas.

Então, Byron se foi e os quatro Marotos ficaram sozinhos.

"Que horas são?" perguntou James, e foi Remus que respondeu com "Cinco para as seis."

James franziu a testa, pensativo. "Vocês acham que o Correio ainda está aberto?"

"Por quê?" perguntou Peter.

"Eles podem ter o endereço desse Pierson Peasegood, certo?"

"Eu acho que tem algum tipo de lista de endereços," murmurou Sirius. "Cinco para as seis você disse, Moony?"

"Sim..."

"Então é melhor a gente ir..."

Dois minutos depois, os Marotos apareceram em Hogsmeade pela segunda vez no dia, desta vez perto do Correio. Faltando poucos minutos para fechar, eles entraram correndo e foram até o balcão.

A bruxa que lá estava ergueu uma sobrancelha em questionamento, com um certo tom de ameaça, pois ela certamente não queria ficar presa depois das seis.

"Você tem uma lista de endereços?" perguntou Sirius apressadamente. A bruxa, uma mulher de óculos com seus cinquenta e poucos anos, assentiu.

"Pierson Peasegood," disse Remus. "Estamos procurando por Pierson Peasegood. Você poderia verificar se ele está na lista?"

"Um momento," disse a bruxa. Ela se virou e mancou até um pequeno gabinete atrás da mesa.

"Cruzem os dedos, companheiros," disse James, correndo uma mão pelo cabelo.

"Ela vai encontrar," murmurou Sirius. Ele se inclinou sobre o balcão, praticamente pulando na ponta dos pés com o excesso de energia. "Eu posso sentir. É isso."

James sorriu. "Sabe, quanto mais eu penso nisso, mais me convenço de que já ouvi esse nome antes... Pierson Peasegood... talvez ele seja algum velho puro-sangue que eu conheci..."

"Nós logo vamos descobrir," disse Remus. Eles esperaram, e a bruxa do Correio voltou um minuto depois.

"Não há nenhum Pierson Peasegood na lista."

"Quê?" indagou Sirius, incrédulo. "Você tem certeza? P-E-A-S-E-G-O-O-D?"

"Certeza absoluta, rapaz," respondeu a bruxa. "Só havia um 'Peasegood' e era 'Aphrodite.' Se quiserem enviar uma coruja de busca, podem fazê-lo..." Ela fez uma pausa e olhou para o relógio, "amanhã. O correio agora está fechado."

"Você pode enviar corujas de busca para o exterior?" perguntou James, apressado. "Para a América, por exemplo?"

"É necessário um endereço para toda correspondência internacional enviada por nossas corujas," disse a mulher. "No entanto, se quiserem enviar um pedido para um estabelecimento americano, nós podemos fazer isso. Amanhã. Nove horas. Adeus."

E ela falou em um tom tão conclusivo que nem Dumbledore a teria questionado.

(Conversas e Possibilidades)

A Sra. Evans encontrou sua filha mais nova no corredor do lado de fora do salão de recepção, sentada no chão de carpete, com as costas contra a parede enquanto tomava um café. A mãe caminhou na direção de Lily em uma velocidade lenta e deliberada, e quando sentou-se seu lado, havia afeto em seus suaves olhos azuis.

"Eu soube do que aconteceu," murmurou a Sra. Evans. Lily olhou temerosa para ela. "Lil, você achou que ninguém fosse notar, não é?"

"Petunia soube?"

"Não, eu acho que não. Ela está um pouco ocupada."

"Acho que é inevitável que ela descubra em algum momento," resmungou Lily. "Mas eu espero que ela não saiba hoje à noite, pelo menos."

"Ela e Vernon estão se trocando agora," disse-lhe a Sra. Evans. "Eles vão partir em breve."

Lily apenas assentiu. "Eu sinto muito, mãe. Eu não... eu não queria fazer um escândalo, mas ela... as coisas que Marge estava dizendo..."

"O que ela estava dizendo?" perguntou a Sra. Evans, e quando Lily não respondeu de imediato, ela acrescentou: "Eu paguei por aquele champanhe. Devo saber por que ele estava sendo jogado na cara das pessoas."

Lily deu um leve sorriso, suspirando. Ela apoiou a cabeça no ombro da mãe. "Marge estava... estava dizendo as coisas de sempre... me chamando de 'sem limites' e falando daquela 'escola religiosa terrível' que eu frequento..."

"Ah, Lily..."

"Eu sei, mãe. Eu deveria ter ignorado, mas eu simplesmente... perdi a paciência por um momento."

A Sra. Evans passou um braço em volta dos ombros de Lily, esfregando seu braço nu e descansando a cabeça em cima de cabeça da filha. "Eu sei que não é fácil, meu amor... e que... aquela mulher não tinha direito algum de falar assim. Sério, se é assim que ela vai se comportar, eu deveria dar uma palavrinha com..."

"Ah, mãe, não," interrompeu Lily depressa, recuando. "Por favor, não... é... é melhor a gente simplesmente esquecer isso tudo."

"Lily..."

"Mãe, por favor..."

"Mas..."

"Mãe!"

"Sim, mas..."

"Sra. Evans," interrompeu-a Lily, fingindo severidade, e sua mãe cedeu.

"Tudo bem," disse ela, suspirando. "Mas eu não vou convidar Marge para o Natal."

"De forma alguma."

A Sra. Evans sorriu. "É melhor eu voltar... e você ainda tem que se despedir da sua irmã."

"Certo," murmurou a jovem, enquanto a Sra. Evans se levantava. Lily a seguiu pelo corredor, onde havia um ar iminente de partida com todo mundo se preparado para se despedir dos noivos. A ruiva pousou o café, e a Sra. Evans dirigiu a filha mais nova para o quarto onde a mais velha estava se aprontando. Lily avançou na direção do cômodo, esperando que Petunia aparecesse antes que ela chegasse.

No entanto, não teve essa sorte, e quando chegou à porta, foi obrigada a bater.

"Entre!" ouviu-se a voz abusada de Petunia. Lily abriu a porta, deslizou para dentro, e fechou-a rapidamente ao passar. A noiva tinha trocado de roupa e usava um vestido azul, combinando com um casaco de lã estampado e sandálias. Ela estava diante do espelho, trocando os brincos de diamantes por outros menos elaborados. A mais velha pareceu mais irritada do que surpresa com a entrada da irmã.

"Eu só queria me despedir antes de todo mundo," disse a ruiva suavemente. Petunia bufou.

"Eu soube do que aconteceu."

"Quê?"

A loira enviou-lhe um olhar incisivo. "Com Marge."

"Ela mereceu," murmurou Lily com rebeldia, jogando-se em cadeira vaga.

"Por Deus, Lily, dá para ser mais egocêntrica? É o meu casamento, e você me envergonhou diante da minha nova família!"

"Ela estava insultando sua antiga família, Tuney!"

Petunia revirou os olhos, mas parecia estar tendo problemas com os brincos.

"Como você soube, afinal?" indagou Lily.

"Marge contou a Nancy, e Nancy não consegue ficar de boca fechada," retrucou Petunia. "Eu só posso agradecer por já termos tirado as fotos, ou teríamos que refazer completamente o rosto de Marge..." continuou, em um ligeiro discurso inflamado sobre os inconvenientes que o temperamento de Lily causaram, que logo se tornou uma confusão de sons incompreensíveis e vagos. Lily percebeu o mau humor, embora não tenha entendido as palavras proferidas.

Petunia sempre tinha se preocupado muito com as aparências. Ela sempre se importara com regras, ordem e a origem das coisas. Sempre gostou de limpeza e de manter o controle, mas a jovem nem sempre foi superficial.

"Lily?" A voz da outra interrompeu o devaneio da ruiva, como se ela tivesse repetido o nome várias vezes.

"Quê?"

"Você não estava nem ouvindo," zombou a noiva; ela tinha terminado com os brincos e agora pegava sua bolsa. "É claro! Eu perguntei, o que foi que Marge disse sobre você que te causou esse pequeno acesso de raiva?"

Lily hesitou. Petunia aguardou com expectativa, as mãos nos quadris estreitos, com sua aliança de casamento e o anel de noivado reluzindo na luz amarela da lâmpada.

"Isso faz diferença?" perguntou Lily, por fim. A mais velha fez uma careta.

"Eu tenho que ir," anunciou, colocando a bolsa sobre o ombro.

"Petunia..."

A loira olhou para Lily com uma tranquilidade em sua expressão que a ruiva não vira há um longo tempo. "Sim?"

"É... é só que eu não sei quando vou vê-la novamente," murmurou.

Petunia ficou na indecisão por alguns momentos. "Nós duas escolhemos nossos caminhos," disse por fim. Ela juntou o restante de seus pertences e foi embora poucos segundos depois.

Lily não a seguiu; podia ouvir os outros do lado de fora e foi até a janela, de onde podia ver o carro de Vernon esperando o casal. Ela não ficou olhando, mas ouviu o barulho do carro, os aplausos enquanto a noiva e o noivo iam embora, o riso e as vozes de seus amigos, e, por fim, a música suave da banda no salão.

(Peasegood e Pagamento)

Derrotados e sem esperança, os quatro Marotos tornaram a se sentar em uma mesa na Sorveteria Florean Fortescue, e nem mesmo uma segunda (no caso de Sirius, terceira) rodada de sorvete conseguiu animá-los. Sirius fez uma sopa em seu copo, observando o chocolate, a baunilha, a menta e o morango formarem um redemoinho com uma expressão sombria no rosto. Durante muito tempo, todos ficaram calados.

"Ouçam," começou Padfoot por fim; "mesmo que não tenha dado certo... obrigado por terem vindo hoje. Eu sei que vocês não queriam vir."

"Isso não é verdade," disse Remus depressa. "Nós reclamamos muito, mas, se houvesse alguma coisa que pudéssemos fazer para consertar os espelhos, você sabe que teríamos feito... ou, pelo menos, eu estaria disposto a fazer."

"Eu também," concordou Peter.

"É claro," disse James.

Sirius assentiu. "Valeu, então."

Todos assentiram tristemente em resposta. Ainda assim, embora nenhum deles estivesse precisamente emocionado com o decepcionante desfecho daquela tarde, ninguém estava mais chateado do que Sirius.

Depois de um tempo, Remus decidiu que queria uma cerveja amanteigada, e então se levantou para pedir uma no balcão; Peter foi com ele, deixando James e Sirius momentaneamente sozinhos. James pegou seu espelho, correndo cuidadosamente o dedo sobre uma das bordas de vidro estilhaçado.

"Eu sinto muito por ter quebrado," murmurou, sem tirar os olhos de seu reflexo recortado.

"Não foi culpa sua," respondeu Sirius, suspirando.

"Eu o joguei na parede."

"Sim..."

"Eu quase arranquei o olho de Adam com os fragmentos..."

"Não foi culpa sua," repetiu Sirius. "Você estava com raiva de mim. Foi culpa minha." Ele pegou seu espelho, ainda intacto, da mesa. "Foi tudo culpa minha, eu suponho que é por isso que eu queria tanto consertá-lo." Ele franziu a testa. "Mas têm razão... podemos conseguir um substituto... talvez até um conjunto com quatro ou algo assim."

James assentiu lentamente. "Acho que sim," murmurou com um pouco de hesitação. Ele finalmente ergueu os olhos do espelho. "As coisas não vão voltar a ser como eram de imediato."

Sirius pareceu um pouco surpreso.

"Você sabe do que estou falando," continuou James. "Eventualmente, tudo voltará ao normal... mas vamos retornar à escola também, e... as coisas vão ser diferentes lá por um tempo. Com Moony, e Snape sabendo..." Sirius desviou os olhos rapidamente. "Está tudo bem, sabe," prosseguiu James. "O que aconteceu é... é passado."

"Eu sei," murmurou Sirius por fim. "Não é isso o que está me incomodando."

"O que é, então?"

Ele hesitou por um instante: "É só que... que você jogou o espelho na parede, porque você... você devia estar bastante certo de que nunca mais me perdoaria. Certo?"

"Certo..."

"Bem... eu acho que imaginei que se pudéssemos consertar o espelho, então isso seria... refutado."

"Mas eu te perdoei... já está refutado."

"Eu sei, é só que..." Sirius deu de ombros, um pouco sem jeito, "há evidência concreta de que você me odiou. Não há qualquer evidência concreta de que nós não somos mais inimigos..."

James suspirou profundamente. "Por que isso soa como se você estivesse tentando me levar para a cama?" indagou, confuso, e Sirius riu. Remus e Peter voltaram com as cervejas; tinham sabiamente decidido comprar bebidas para os companheiros Marotos.

"O que é tão engraçado?" perguntou Peter, sentando-se novamente à mesa.

"Padfoot está tentando me seduzir."

"E de repente a necessidade de consertar o espelho é muito mais do que uma metáfora oculta," disse Remus, dando de ombro. "Bebam, seus idiotas."

James e Sirius pegaram as garrafas de vidro escuro que Remus e Peter haviam comprado para eles. James levantou a cerveja amanteigada para brindar, e os outros aproximaram suas garrafas ao encontro da dele.

"Moony, Wormtail, Padfoot e Prongs," disse Peter, e eles brindaram.

"Bem," começou Remus, quando todos tinham bebido, "eu ainda gostaria que tivéssemos conseguido encontrar esse tal de Pierson Peasgoode."

"Eu ainda acho que soa familiar," disse James, fazendo Sirius revirar os olhos.

"Você provavelmente já leu um livro que ele escreveu ou algo assim, Prongs. De qualquer forma, como, em nome de Godric, nós iriamos encontrá-lo? Especialmente se ele se mudou para a América..."

"É muito improvável," concordou Peter. "Mas vocês podem comprar novos espelhos."

"Sim, sim," murmurou Sirius. "Parece que essa é a última opção. De qualquer forma, eu consigo remendar esses aqui... sou umas quinze vezes mais inteligente do que vocês."

"Bobagem," disseram James e Remus em coro.

Sirius sorriu e tomou outro gole de cerveja amanteigada.

Eles apreciaram as bebidas com tranquilidade por um tempo, até que Peter, ouvindo a música que tocava na rádio mágica da sorveteria, comentou: "Esta música é muito boa."

"É a mais recente dos Goblins," disse James.

Sirius olhou para ele. "Não... é dos Hobgoblins."

"Do que vocês estão falando?" interrompeu Remus. "Parece Hate Potion."

Sirius e James bufaram. "Não parece nada com Hate Potion. São claramente os Goblins."

"Os Hobgoblins!" protestou Padfoot. "Os Goblins nunca se rebaixariam a um acorde tão óbvio."

"Está claro que você não ouviu os últimos dois álbuns deles."

"Escute a voz dele! É totalmente... explosiva! É Hate Potion!"

"Não é Hate Potion!" responderam James e Sirius em uníssono, e o último acrescentou: "Eu saberia! No pub nós ligamos a rádio à tarde, e esta canção passa toda hora..."

"É Hate Potion! Os caras do Hobgoblins não conseguiriam atingir metade dessas notas!"

"Existem poções para isso, Moony."

"É Hate Potion!"

"São os Hobgoblins! Prongs..." Sirius virou-se para James, "escute... é óbvio que são os Hobgoblins..."

Mas James não estava ouvindo nada. Ele tinha se retirado da conversa há tempo, e estava perdido em pensamentos.

"Prongs?" perguntou Remus, erguendo as sobrancelhas. "Você está bem?"

"Olá? Terra chamando Prongs?" disse Sirius, acenando a mão diante dos olhos vidrados do amigo.

"Ei, Prongs!" chamou Peter, e James se assustou de repente. Ele afastou a mão de Sirius para longe, e olhou para os outros três, um sorriso crescendo em seu rosto.

"O que se passa, Maluco?" perguntou Sirius, achando graça.

Inexplicavelmente, James começou a rir.

"Quê?" indagou Remus. "É Hate Potion, certo?"

James apenas balançou a cabeça. "Não, não, não," murmurou, descartando a indagação com uma total falta de preocupação. "Eu... eu sei quem é Pierson Peasegood."

"Sabe?" questionou Peter. "Quem é?"

Mas James também ignorou aquela pergunta. "Eu sei quem ele é, e eu sei onde encontrá-lo."

"Sabe?" perguntaram os outros três ao mesmo tempo.

James assentiu, seu sorriso crescendo. "E você também saberia, Padfoot," acrescentou para Sirius, "se escutasse o que os outros dizem."

"Não precisa levar para o lado pessoal," retrucou Sirius. "Quem é ele?"

James começou a rir de novo. Ele ficou em pé no assento e passou por cima das pernas de Sirius, pulando para o chão. "Venham!" chamou os outros, rumando para a porta.

Sirius, Remus e Peter trocaram olhares perplexos, mas correram atrás do amigo. James fez uma pausa na saída. Ele se virou e correu para o balcão. A canção na rádio acabara de terminar.

"...E essa," disse a voz nebulosa do locutor, "foi a mais recente do Hate Potion..."

"Eu sabia," disse Remus em tom vitorioso.

"Uma para Moony," disse James, correndo de volta para os amigos. Ele deslizou entre Sirius e Peter, empurrando a porta da sorveteria. "Vamos!"

"Onde estamos indo?" perguntou Sirius, enquanto o seguiam.

"Encontrar Pierson Peasegood!"

"Agora?"

"Se ele ainda estiver lá, sim!"

"Ainda estiver onde?"

Mas James apenas continuou a sorrir enigmaticamente.

Eles terminaram no Caldeirão Furado, que zumbia com a multidão de sábado à noite, e ainda assim ninguém, a não ser James, sabia o que eles estavam fazendo ali.

"O que vocês estão fazendo aqui?" perguntou Donna, que ainda estava no bar, agora acompanhada do próprio Tom. "Você não trabalha hoje à noite, Black."

Sirius deu de ombros. "Pergunte ao louco..." Ele apontou para James, que varria o bar lotado com os olhos.

James ignorou os dois. Ele localizou seu alvo, sentado em seu lugar habitual, os ralos cabelos brancos de sempre, enquanto bebia em uma grande taça.

"Pip!"

Pip se assustou, surpreso com o entusiasmo com que o seu nome foi pronunciado, e se virou para ver James praticamente empurrar alguém para fora do caminho em busca de espaço ao lado do bruxo ancião.

"Pip!" repetiu James ofegante. "Seu nome verdadeiro... é Pierson Peasegood, não é?"

A surpresa de Pip cresceu. "Isso mesmo, meu garoto, agora..."

"Você esteve aqui o dia todo?" perguntou Remus. "Isso não é saudável..."

"É o que eu digo," concordou Donna, atendendo a um pedido de cerveja amanteigada de uma bruxa que estava por perto.

"Não é hora para isso," apontou James. "Pip, você conhece um cara chamado Clarence Byron?"

Pip, ou Pierson, levantou uma sobrancelha ríspida em descrença. "Quem quer saber?"

"Eu quero. Eu. James. Potter. Eu estive aqui com você todos os dias desta semana."

"Certo, certo," murmurou Pip. "Sim, eu conheci Clarence. Trabalhei na loja de seu velho pai a maior parte da minha vida..."

James sorriu. Ele tirou os espelhos dos bolsos e colocou-os sobre a bancada. "Você já vendeu algo assim?"

Pip pegou os objetos, segurando-os perto do rosto e os estudando com grande interesse. Por fim, ele esboçou um sorriso com seus dentes tortos e amarelos, e assentiu; "Mas não os vejo há anos... costumava vender dúzias de espelhos de comunicação como esse, lá na Byron. Um belo trabalho com a varinha aqui, e... rabo-córneos e hipógrifos, está quebrado!"

"Bem observado," murmurou Remus.

"Sim, esse é o nosso problema," disse James. "Ninguém parece saber o feitiço que foi usado nele... estávamos esperando..."

Mas Pip não parecia estar a ouvindo. Ele pousou os espelhos sobre o bar. Cantarolando com um bafo de álcool, sacou o que um dia parecia ter sido uma varinha: um pedaço de pau espesso e desgastado, com pequenos pelos saltando de vários lugares. Ele se atrapalhou com a varinha por um momento, murmurou e pigarreou ocasionalmente, interrompendo sua cantoria.

Por fim, ele fez uma pausa e ficou quieto o suficiente para dizer: "M-muita gente por aqui. Vou para o banheiro." E, levando os espelhos consigo, Pip se foi.

"Ele vai deixá-los pior," disse Sirius assim que o bruxo saiu. "É um velho bêbado, não importa o que era quando Byron o conhecia, ele mal consegue andar em linha reta normalmente, quanto mais consertar os espelhos!"

"Como é que você sabia que era aquele cara?" questionou Peter.

"Ele está sempre contando histórias sobre 'os velhos tempos,'" respondeu James distraído. "Mencionou que seu nome era Pip. Estava recontando uma história hoje, e se eu tivesse escutado, provavelmente teria lembrado de imediato. Você não acha mesmo que ele vai piorar as coisas, não é, Padfoot?"

Mas foi Donna que respondeu: "Ele não consegue nem lançar um feitiço de resfriamento direito, e acha que é culpa do Ministério da Magia. Eu não sei o que são esses espelhos, mas se significam alguma coisa para vocês, eu iria buscá-los antes que ele termine de vomitar."

Os olhos de James se arregalaram, e os Marotos foram juntos atrás de Pip. No entanto, eles não tinham dado três passos quando o bruxo ressurgiu do banheiro. Ele tornou a caminhar até o bar e pediu outra cerveja, antes de pousar os espelhos. Donna atendeu seu pedido, e James pegou os espelhos; as superfícies de vidro agora pareciam igualmente lisas e intactas.

"É isso?" perguntou Sirius sem acreditar, olhando por cima do ombro do amigo. "Estão funcionando?"

"Claro que funcionam," retrucou Pip, indignado, enquanto tomava um gole de sua bebida. "Para começar, usei um feitiço ar-arcaico. Limp-pei, emendei o vidro, e lancei um novo feitiço. Acho que vão funcionar muito bem, mesmo que algum rache novamente."

James não sabia bem o que dizer; ele entregou o espelho que reconheceu como de Sirius ao amigo e ergueu o outro, como que examinando seu reflexo. Por um momento, James Potter se olhou, encarando seus olhos cor de avelã e seus óculos.

"Sirius Black," disse ele, e então sua imagem desapareceu, sendo substituída pela do outro Maroto.

"Por Godric, eles funcionam!" disse Sirius, sua voz ecoando no espelho.

"Só um instante," interveio Remus. "Padfoot, tente chamar Prongs."

Os dois pousaram os espelhos, e em seguida pegaram novamente para limpá-los. Então, Sirius pronunciou o nome de James, trazendo o reflexo do outro para seu espelho e o dele para o de James.

"Funcionam!" repetiu Peter com entusiasmo.

Sirius virou-se para Pip. "Eu nunca mais vou te chamar de bêbado," prometeu. Os Marotos riram, e Donna revirou os olhos. Mas Pip parecia satisfeito.

James devolveu o espelho ao seu bolso. "Eu deveria... remunerá-lo ou algo assim?" perguntou ao bruxo mais velho, sem saber exatamente como proceder com aquilo.

"Nah..." Pip tomou outro gole de sua bebida. "Eu só vou gastar em bebidas."

"Isso é verdade," contribuiu Donna.

"Você não está trabalhando?" questionou Sirius.

"Eu largo em dez minutos," retrucou a jovem. "E estou repondo o estoque do bar."

"É isso," concluiu James. "Eu vou pagar a comanda de Pip hoje. Quanto deu?"

"Espere um instante," interrompeu Sirius. "Isso não é justo... Eu deveria contribuir."

"Mas eu que quebrei..."

"Mas a culpa foi minha..."

"Treze galeões," disse Donna. Os dois bruxos olharam para ela e depois para Pip.

"Treze galeões de bebida?" perguntou James, vasculhando o bolso. "Como é que você ainda não morreu? Ou... faliu?"

"Talvez eu ainda possa chamá-lo um bêbado, Pip," concordou Sirius.

James jogou todos os seus galeões sobre o bar e os contou. "Só me restam nove," disse ele. "Eu poderia dar um pulo em casa..."

Sirius jogou dois galeões no bolo. "Fora isso, eu tenho dez sicles e..."

Remus e Peter contribuíram com mais dois galeões. "Para o restante da noite," explicou o último.

"Muito obrigado, cavalheiros," disse Pip, acenando casualmente para eles. "E eu vou tom-mar outra, Senhorita Donna".

"Senhorita Donna," Remus achou graça.

"Eu vou te chamar assim a partir de agora," disse James.

Donna os fuzilou com os olhos.

"Eu acho que deveríamos tomar uma cerveja para comemorar," disse Peter.

"Concordo," disse Sirius.

"E como é que vocês vão pagar por isso?" questionou Donna, enquanto preparava a bebida de Pip, bem como a de outro cliente na outra extremidade do bar.

Os Marotos franziram a testa. "Ela tem razão," admitiu James. "Posso dar um pulinho em casa..." Desta vez, a sugestão foi aceita com mais entusiasmo.

Quando James voltou ao Caldeirão Furado cerca de quinze minutos depois de ter partido, a cena era praticamente a mesma, com algumas notáveis alterações. O turno de Donna tinha terminado, e um bruxo que ele não conhecia cuidava do bar com Tom. A Senhorita Shacklebolt, entretanto, estava sentada em uma mesa com os outros três Marotos, e havia duas outras bruxas com eles.

Levou alguns segundos para James perceber que eram Mary Macdonald e Marlene Price.

"Price, Macdonald," cumprimentou ele, sentando confuso na cadeira disponível na mesa que agora estava cheia. "Que bom encontrá-las aqui."

"Viemos para encontrar Donna," explicou Marlene. "Ela concordou em nos ajudar com nossa tarefa de Transfiguração..."

"Quanta generosidade," comentou James.

"Na verdade, não. Ela está cobrando um galeão de cada," disse Mary.

"Tempo é dinheiro," afirmou Donna com dignidade.

Marlene bufou. "Enfim, Sirius disse que as bebidas eram por sua conta, então por isso ficamos por aqui."

James observou que todos tomavam cerveja amanteigada. "Valeu, Padfoot," disse ele com sarcasmo.

"Não há de quê. Agora..." Sirius tomou um gole de cerveja e depois limpou a garganta: "Onde eu estava?"

"Você tinha acabado de descobrir quem era Pierson Peabody," disse Marlene.

"Peasegood," corrigiu James. "E não foi você que descobriu isso, seu mentiroso."

"Cale a boca, Prongs. É a minha história."

"Mas você está mentindo."

"Relaxa, Prongs," interferiu Remus secamente. "Nesta versão da história, ele já duelou com um ogro e torturou alguém para obter informações... Eu acho que ninguém além dele mesmo acredita que está dizendo a verdade."

"Pare de arruinar a história," retrucou Sirius. "Então, Pierson Peabody..."

"Peasegood," corrigiu James.

"Mais uma palavra, Prongs, e eu vou te tirar da história."

(Destroços e Destruição)

Lily e sua mãe foram as últimas a deixarem o salão. Enquanto a Sra. Evans recolhia os itens que precisavam ser levados para casa (ou devolvidos aos seus proprietários distraídos), a jovem vagava em meio aos restos do que aparentemente fora uma agradável festa. Restos de comida intactos que seriam embrulhados e provavelmente congelados, assim como o bolo, e alguns objetos pessoais seriam levados, mas a maioria das coisas que sobraram seria recolhida pelos empregados.

"Eu espero que você tenha conseguido esclarecer tudo com Petunia," gritou a mãe do outro lado do salão vazio. "Sabe que não gosto quando vocês duas brigam..."

Lily caminhou preguiçosamente até a mesa onde estavam uma dúzia de pratos com bolo fatiado e embrulhado, prontos para serem transportados para o carro. A ruiva desejou vagamente poder explicar que aquele desentendimento ia além do "quem roubou a escova de cabelo de quem" ou "quem é melhor: os Osmonds ou os Carpenters."

"Não se preocupe, mãe," respondeu a garota. "Está tudo esclarecido."

Talvez a Sra. Evans inevitavelmente descobrisse a verdade mais tarde, mas Lily achou que poderia muito bem acalmar os temores de sua mãe pelo menos naquela noite. Tinha sido um dia muito longo.

Elas trabalharam separadamente e em silêncio por algum tempo, antes de a Sra. Evans dizer: "Pode ir para casa quando quiser, Lily. Da sua maneira, quero dizer. Não resta muito a fazer aqui."

"Não, eu vou para casa com você," respondeu a filha. "Prefiro que você não dirija sozinha."

(Lennon e McCartney)

As mesas em torno deles esvaziaram e encheram, e esvaziaram e encheram, e os quatro bruxos e três bruxas no Caldeirão Furado continuaram conversando. Começava a parecer que o plano de fazer o dever de casa de Transfiguração seria completamente abandonado. À medida que o relógio se aproximava das nove, Sirius sugeriu que deixassem de enrolar e pegassem algo "de verdade" para beber.

"Está bem, está bem," disse Marlene, levantando-se. "Eu vou pegar uma rodada. Alguém não quer cerveja?"

"Price," repreendeu Sirius, "se vai dizer coisas ridículas, por favor, não nos insulte no processo."

Marlene revirou os olhos, mas, rindo, foi em direção ao bar.

"Eu vou te dar uma mão," disse James, seguindo-a.

Após realizarem o pedido, eles ficaram por lá, esperando por Tom, e Marlene – lançando um olhar na direção dos outros – disse: "Fico feliz em ver todos vocês juntos novamente Era simplesmente bizarro não vê-los sempre juntos."

James sorriu. "Bem, nós somos pessoas muito importantes."

"Ah. Certo."

O Maroto considerou deixar para lá, mas sentiu necessidade de acrescentar: "Eu nunca te agradeci por... sabe... conversar comigo semana passada. Tentando me convencer a cair na real."

"Você está me agradecendo agora?"

"Considere como um agradecimento."

"Considere como um 'por nada.'" Marlene hesitou. "Sobre a outra parte da conversa... o que eu disse sobre mim..."

"Eu sou muito bom em guardar segredos."

Marlene sorriu agradecida. "Considere como um agradecimento."

Eles voltaram à mesa com as bebidas, e Sirius – após tomar um grande gole de cerveja – perguntou: "Então, Marlene, Mary... onde está John Lennon, afinal?"

As meninas olharam confusas para ele. "John Lennon?" repetiu Mary.

James assentiu. "George, Paul, Ringo," traduziu ele, acenando com a mão para indicar que Sirius se referia a elas. "Então, onde está John?"

Marlene entendeu. "Você quer dizer Lily?"

"Claro."

"Ela está..."

"Só um instante," interrompeu Remus. "Lily não é John. É claro que ela é Paul."

"Lily não é Paul," argumentou Sirius. "Marlene é Paul."

"Sério? Pensei que eu fosse Ringo..."

"Se Marlene é Paul, eu posso ser Ringo?" indagou Mary. "Eu gosto de bateristas."

"Se Lily é Paul, quem é John, então?" questionou James.

"Donna," disse Remus.

"Por mim tudo bem," pronunciou-se Donna.

"Não, Donna é George," disse Sirius.

"Por que Donna é George?"

"Ela é assustadora e sempre parece meio zangada."

"Isso é maldoso," disse Marlene. "George deve ser um cara muito legal."

"Obrigada pelo apoio, Price."

"Não, não," disse Remus. "Lily é Paul, Donna é John, e Marlene é George."

"Por que eu sou George?"

"Você acabou de dizer que ele devia ser um cara muito legal!"

"Eu ainda prefiro ser Paul!"

"Wormtail," chamou Sirius, voltando-se para Peter. "Resolva esse assunto. Lily é John ou ela é Paul?"

Peter franziu a testa, pensativo. "John," decidiu finalmente.

Remus gemeu. James e Sirius sorriram vitoriosos, e Marlene deu um soco no ar.

"Eu sou tão Paul McCartney!"

"Contanto que eu seja Ringo," concluiu Mary, dando de ombros.

"Tudo bem," disse Sirius. "Agora que ficou estabelecido, onde está o Homem de Lugar Nenhum?"

"No casamento da irmã," disse Marlene.

"Ah. É hoje?"

"Não deveria ter ido de jeito nenhum," disse Donna com amargura. "Você não expulsa alguém do seu casamento e depois obriga a pessoa a participar."

"Evans foi expulsa do casamento da própria irmã?"

"Bem, isso é lamentável."

"Honestamente," murmurou Mary.

Houve um momento de silêncio, enquanto cada um de seus colegas de classe considerava a injusta situação de Lily. Foi Marlene quem quebrou o silêncio.

"Donna, que horas são?"

"Dez para as nove. Por quê?"

Marlene deu um largo sorriso. "Eu tenho uma ideia, George."

"Pelo amor de Agrippa, ela não é George, ela é John..."

"Moony, você não tem noção..."

"Lily é tão Paul..."

"Não, eu sou..."

(Home and Away)

O Cortina da família – com um som de conclusão – desligou quando Edie Evans girou a chave do carro, e, quando os faróis se apagaram, as duas Evans que restavam ficaram no carro escuro por alguns segundos.

"Foi um dia maravilhoso, não foi?" perguntou a mãe, um sorriso emocional visível em seu rosto, mesmo à mínima luz.

Lily tentou sorrir. "Sim. Foi legal."

Dando algumas batidinhas na mão da filha, a Sra. Evans abriu a porta do carro, e as duas embarcaram na trabalhosa – ou ao menos tediosa – tarefa de descarregar o carro. Se não fosse pela vizinhança trouxa, Lily teria concluído o trabalho com um rápido feitiço, mas o sol se punha tarde no verão, e as manchas cinza claro e azul no céu retinham luz suficiente para deixá-la cautelosa em usar a magia na rua.

Quando o carro finalmente ficou vazio e a cozinha e a sala de estar ficaram consideravelmente mais apertadas, a Sra. Evans serviu-se de um copo de água e anunciou sua ida para a cama.

"Mãe, não são nem nove horas," apontou Lily, rindo.

"Sim, sim, eu estou velha, faça graça agora; já já eu morro."

Lily revirou os olhos, beijando o rosto da mãe mesmo assim. "Boa noite."

"Boa noite, meu amor."

Lily ouviu os passos da mãe na escada e então ela fechando a porta do quarto. Respirando fundo – puramente devido à exaustão – a ruiva tirou os sapatos e os deixou no chão da cozinha antes de agarrar uma fatia de bolo e voltar à sala de estar.

Ela tinha toda a intenção de ligar a televisão, mas de repente percebeu que o esforço envolvido naquele ato excedia sua capacidade no momento. Em vez disso, Lily colocou as pernas embaixo do corpo, aconchegou-se a um travesseiro, e deu uma mordida no bolo.

"Merlin, está uma delícia," disse ela para a sala escura, e deu outra mordida.

Quando estava na metade do pedaço do bolo, Lily começou a compor uma música – um canto – para o citado alimento, e era isso que cantarolava quando houve uma batida na porta da frente. A garota franziu a testa com a interrupção. Ela considerou ignorar completamente o visitante inconveniente. No entanto, restava pouco do bolo, e ela o engoliu depressa, jogando os farelos no prato.

Então, suspirando, empurrou-se para fora do sofá – seus pés doíam um pouco – e arrastou-se até a porta. Estava quase certa de que seria sua vizinha idosa, a Sra. Fitzpatrick, que frequentemente telefonava ou aparecia, no que ela considerava a qualquer hora (na realidade, era pouco depois da nove), para pedir que Lily ou sua mãe verificasse o quintal em busca de arruaceiros imaginários (que nunca estavam lá).

Como resultado, a ruiva ficou bastante surpresa ao não ver a Sra. Fitzpatrick, mas Mary Macdonald e Marlene Price no terraço.

"Estamos aqui para sequestrá-la," disse a morena.

Lily a encarou, perplexa. "Quê?"

"Nós viemos para sequestrá-la," repetiu Marlene.

"É?"

Mary assentiu orgulhosamente. "E nós trouxemos reforços."

"Do que vocês...?" Mas ela logo viu a que Mary se referia; a morena apontou para a faixa de grama mais próxima ao meio-fio, onde estava Donna, encostada a um carro estacionado na rua, com quatro rapazes – Remus Lupin, James Potter, Sirius Black e Peter Pettigrew, ela percebeu em seguida. "Não estou entendendo."

"Nós nunca comemoramos seu aniversário de verdade," disse Marlene. "E no seu meio aniversário eu e Mary prometemos te compensar. Lembra?"

"Vagamente..."

"E nós todos queremos encher a cara," acrescentou Mary. "O que na verdade antecedeu toda essa coisa de 'meio-aniversário.' Isso foi meio que uma ideia adicional."

"Nós já estávamos na sua rua quando nos lembramos," admitiu Marlene.

Lily tentou compreender. "Eu acabei de voltar do casamento da minha irmã, e..."

"Ah, você quer dizer o casamento do qual você foi expulsa?" indagou Mary inocentemente.

"Hum... sim..."

"O casamento de sua única irmã, que pensa que você é uma aberração, com um homem que detesta você quase tanto quanto você o detesta?"

"Sim..."

"Tinha algum padrinho bonito?"

"Não, e por que está tentando me deixar infeliz?"

"Porque queremos que você venha com a gente!" choramingou Mary.

"Por que isso me faria ir com vocês?"

Marlene franziu a testa. "Ah. Será que nós ainda não falamos?" Ela virou-se e gritou por cima do ombro: "Potter! Venha aqui!"

James levantou-se relutantemente e correu até elas. Ele estava carregando um saco de papel. "O que foi? Evans está sendo uma estraga-prazer?"

"Vai se ferrar."

"Mostre a ela," ordenou Marlene.

"Em público?"

"Muito engraçado... você sabe o que quero dizer."

James sabia. Ele sorriu e tirou uma garrafa do saco de papel.

"Tequila?"

"Em grande estilo."

"E os Marotos sabem como driblar as leis de consumo de álcool dos trouxas," acrescentou Mary.

Lily considerou as três por um instante, e em seguida os outros quatro próximos ao meio-fio. Por fim, ela deu de ombros. "Só... deixa eu ir avisar à minha mãe..."

Eles estavam sentados em círculo; James, depois Sirius, Marlene, Mary, Peter, Remus, Donna, Lily e novamente James, com a tequila passando entre eles.

Como eles foram sentar ali, no topo de um edifício garagem de vários andares, deserto e iluminado pela luz da rua, é uma história longa e complexa, perfeitamente sintetizada por meio da exclamação de Lily, que misturava riso e incredulidade: "Eu não acredito que fomos expulsos... eu jamais fui expulsa de lugar algum... exceto de um casamento, é claro".

Ela tomou um gole da bebida e entregou-a a Donna, que limpou a garrafa com a manga da camisa, balançou a cabeça e declarou: "Eu nunca mais vou a lugar algum com esses idiotas novamente!" É claro que ela se referia aos Marotos.

Sirius riu, sem acreditar nas palavras dela. "Nós nunca tínhamos sido perseguidos pela daquela forma," confessou ele. "Mas tem que admitir, Shack... foi muito engraçado."

"Não foi engraçado!" protestou Donna; ela tomou um gole de tequila. "Foi... humilhante!" Mas até ela teve dificuldade em se convencer disso, e a morena entregou a garrafa a Remus.

"Vocês costumam ser expulsos dos bares?" indagou Marlene, descansando a cabeça no ombro de Sirius em seu estágio mais avançado de embriaguez.

"Você está brincando?" perguntou Remus secamente; "Esse é o passatempo favorito deles."

"Sério," concordou Peter, pegando a garrafa em sequência; "aquela artimanha foi bastante tranquila. Devia vê-los executando 'Horatio.'"

"'Horatio?'" repetiu Mary, curiosa. "Quem é esse?"

"'Horatio' é um jogo que esses idiotas gostam de jogar para serem expulsos dos bares," explicou Remus, revirando os olhos.

"Você não é exatamente um espectador inocente, Lupin," apontou Sirius; a garrafa foi entregue a Marlene, mas ele tomou dela. "Você está dois goles à frente do restante, Price," respondeu ele ao bico de protesto da loira. "E vai me agradecer pela manhã."

"Que cavalheiro," zombou Donna, enquanto o Maroto tomava um gole e estendia a garrafa para James.

"Então, em média," perguntou Lily casualmente, recostando-se nas palmas das mãos, "de quantos bares vocês diriam que são expulsos... sabe... por semana?"

"Não mais do que um," disse James em um tom solene, e a ruiva riu, pegando a garrafa dele. "Não sabia que você bebia assim, Snaps."

"Essa noite eu mereço," respondeu Lily; dando um segundo gole em sequência ao primeiro, antes de passar a garrafa mais uma vez. Curioso, James olhou para ela, banhada pela luz alaranjada do poste, mas ele não teve chance de perguntar, porque Marlene escolheu aquele momento para anunciar que apostaria corrida com Mary até o final da propriedade, e as duas se levantaram aos tropeços, disputando corrida em direção à parede distante.

"Deveríamos tomar cuidado para ninguém cair em nenhum precipício," disse Remus com sabedoria.

Concordando com aquilo, os outros também se levantaram; Remus correu atrás de Marlene e Mary, enquanto Sirius, Donna, Peter, Lily e James seguiram em um ritmo mais lento.

Lily pegou a garrafa de Donna e diminuiu o passo para ficar mais atrás dos outros, até que James também desacelerou, olhando um pouco desconfiado para a ruiva, enquanto ela tomava outro gole.

"Está bem. Desembucha," ordenou ele, sorrindo.

"Desembuchar o quê?" perguntou Lily, confusa.

"O que aconteceu nesse casamento? Você deve ter feito alguma coisa... tropeçou na frente de todo mundo? Derramou vinho no vestido da noiva? Perdeu a aliança?"

Lily zombou. "Eu não fiz nada constrangedor, Potter."

"Mentirosa."

"Verdade..." Mas ela parou de falar, porque o sorriso no rosto dela era de quem sabia das coisas. Suspirando, Lily cedeu. "Eu chamei a irmã do noivo de gorda na cara dela."

A expressão de James iluminou-se imediatamente devido à sua incapacidade de esconder o divertimento. "Você não fez isso..."

"Não ria," repreendeu Lily.

"Bem, ela era?"

"Ela era o quê?

"Gorda."

Lily revirou os olhos. "Sim, muito, mas essa não é a questão! Eu me sinto... bem, eu não me sinto exatamente mal. Aquela vaca mereceu, mas eu não deveria ter atacado a aparência física dela... isso é muito baixo. Eu devia ter chamado ela de ignorante, mundana e idiota, mas... mas ela estava lá... toda de rosa e chiffon, feia e maldosa, e eu não consegui pensar em nada... ah, pare de rir! "

"O que foi que ela fez?" questionou James. "Deve ter sido algo terrível para causar uma reação dessa na Santa Lily."

"Não me chame assim. E... ela falou mal da minha mãe e do meu pai."

As sobrancelhas de James se ergueram. "Espere um minuto. Essa garota estava no casamento de sua irmã, falando mal dos seus pais, um dos quais é falecido, e tudo que fez foi chamá-la de gorda?"

"Bem... eu joguei champanhe na cara dela."

"Você devia ter quebrado a taça na cabeça dela!"

Lily riu mesmo sem querer, mas James manteve-se firme.

"Estou falando sério! É o que eu teria feito!"

"Bem... eu chamei a mulher com quem ela estava falando... uma tia idosa, eu acho... eu meio que a chamei de 'velha inútil e pelancuda.'"

James a encarou por um momento e então tornou a rir. Algo naquela Lily era irresistivelmente contagioso.

"Não enche, Potter... eu deveria me sentir culpada!" disse a ruiva em meio aos risos. James apenas revirou os olhos.

"Bobagem. Você não tem do que se sentir culpada."

Lily não respondeu; em vez disso, ela virou os olhos para os amigos. Sirius executava uma cena dramática ao fingir resgatar Marlene, o que ela, evidentemente, achou excepcionalmente divertido. A ruiva franziu a testa, pensativa.

"James..." começou ela devagar. "Você não acha que...?"

James seguiu seu olhar na direção de dois de seus amigos. Ele sacudiu a cabeça. "Eu acho que não."

"Por que não?"

O bruxo hesitou; "Eu só... acho que Marlene... combina mais com outra pessoa."

Lily não insistiu. Em vez disso, ela puxou de leve um assunto. "Sirius e Remus me contaram sobre a jornada épica de hoje."

"Contaram?" perguntou James, achando graça. "Como foi que eu perdi isso?"

"Você estava comprando bebidas."

"Ah. E Sirius matou algum dragão nessa versão da história?"

"Não, mas você lutou com um trasgo..."

"Eu fui incluído desta vez? Que sorte!"

"Ah, sim, Sirius te enalteceu um pouco."

"Muito decente da parte dele, considerando que na última vez que contou a história, ameaçou me deixar totalmente de fora."

Lily sorriu, e eles chegaram ao final do pavimento, onde os outros tinham se reunido. "Estamos jogando dez dedos," informou Marlene, tendo se libertado do aperto de Sirius.

Remus suspirou. "Isso é o que ganhamos por ensiná-la jogos envolvendo bebida."

Só que quando eles se sentaram em fileira no asfalto, encostados na borda do muro do último andar do edifício garagem, com a garrafa passando continuamente entre si, o jogo logo se transformou em beber e falar qualquer coisa que surgisse na cabeça.

"Eu nunca... beijei Remus Lupin," disse Mary, tomando um gole de tequila, porque as regras tinham sido abandonadas há muito tempo.

"Mary, não minta," brincou Remus, pegando a garrafa dela. "Não podemos esconder o nosso amor para sempre." Ele tomou um gole e riu. "Eu nunca... matei ninguém."

"Que você lembre," disse Sirius.

Peter pegou a garrafa. "Eu nunca beijei um cara."

"Que você lembre," repetiu Sirius. Ele pegou a garrafa na sua vez e tomou um longo gole. "Eu nunca... preparei meu próprio jantar." Ele deu de ombros. Marlene revirou os olhos.

"Eu nunca... namorei Miles Stimpson." Ela tomou um gole. "Espera... não. Namorei. Durante três malditos anos." A garota tomou outro gole.

"Sentindo-se amargurada?" zombou Donna.

Marlene mostrou a língua. "Eu nunca transei com Charlie Plex."

"Sua vadia." Donna pegou a garrafa. "Eu nunca cantei Gloria Gaynor com uma escova de cabelo."

Marlene pegou a garrafa de volta. "Eu nunca fingi estar doente por esquecer de estudar para um teste de Runas Antigas."

"Eu nunca tive um namorado que beijou Carlotta Meloni!"

"Eu nunca fui azarada por Cassidy Gamp!"

"Eu nunca fiquei sem comer pão por uma semana, porque me sinto estranhamente insegura!"

"Eu nunca..." Marlene fez uma pausa. "O que quer dizer com 'estranhamente insegura?'"

"Ah, vamos," retrucou Donna. "Você tem espelho. Você não pode verdadeiramente se achar uma obesa mórbida."

Marlene olhou para ela.

"Isso está ficando interessante," disse Sirius. "Vocês duas vão se beijar agora?" Donna o chutou.

"Obrigada," disse Marlene para a outra por fim. "E eu sinto muito ter mencionado o ocorrido com Cassidy Gamp."

"Está tudo bem," respondeu Donna. Eles ficaram em silêncio por um momento, e então Mary iniciou uma conversa com Remus e Peter, e James virou-se para Lily.

"Eu acho que elas vão se beijar."

"Cala a boca e pega a garrafa," Lily ordenou, sorrindo, e ele obedeceu.

"Eu nunca chamei uma pessoa de 'gorda' e joguei champanhe na cara dela," disse James, tomando um gole.

"Eu nunca inventei apelidos para meus supostos 'só amigos.'"

"Touché."

"Saúde."

"Eu nunca... pintei minhas unhas," disse Sirius.

"Eu nunca... pulei de um edifício garagem!"

"Marlene!"

"Quê? Eu não pretendo pular!"

"Eu nunca... flertei com uma pessoa de idade."

"Eu nunca... joguei maçãs nos trouxas no Boxing Day!"

N/T: "Boxing Day" é um feriado inglês que ocorre no dia 26 de dezembro, ou seja, um dia após o Natal. Historicamente remete ao fato de ser o dia no qual os ricos distribuíam presentes aos pobres. Tem mil e uma coisas sobre isso na internet para os curiosos, mas não vou me alongar aqui. É um feriado lá na Inglaterra e eu encontrei tradução como "Dia de Santo Estêvão", mas preferi manter o original.

"Eu nunca celebrei o Boxing Day de verdade..."

"Eu nunca... espere, não, eu já fiz isso..."

E aquilo continuou por algum tempo. Mas, então, a garrafa de tequila, embora enfeitiçada para conter muito mais do que parecia – começou a esvaziar, foi ficando tarde, e as frases (edificantes como tinham sido no início, é claro) tornaram-se cada vez menos coerentes, até que, finalmente, bocejando e se alongando, Mary declarou que ia para casa.

"Eu vou com você, querida," disse Marlene com a voz arrastada, jogando-se sobre os ombros da amiga.

"Nenhuma de vocês deveria aparatar," repreendeu Remus, cambaleando ao levantar e ajudando as duas bruxas também. "Vamos... vamos descer e chamar o Knight Bus."

"Eu nunca andei no Knight Bus." Marlene bocejou. Ela enlaçou o braço ao de Remus e descansou a cabeça em seu ombro; "É divertido?"

"Ela vai vomitar muito," sussurrou Lily, observando os três partirem. Peter correu atrás deles.

"Esperem um minuto, eu também vou!"

"Estou indo também," disse Donna, principalmente para Lily. "Eu trabalho ao meio-dia de amanhã, afinal."

"Que horas são?" perguntou Lily, curiosa. Sirius olhou para o relógio, apertando os olhos para enxergar.

"Quase duas. Ou três. Não sei. Não é cedo."

"Exatamente", concordou Donna. Ela deu um tapinha no ombro de Lily, e depois seguiu atrás dos outros quatro em direção à escada.

Sirius bateu com bom humor no braço James. "Vejo você amanhã, cara."

"Sim. Boa noite, Padfoot."

Sirius fez uma vaga saudação, acenando para Lily, e acrescentando em uma despedida solene: "Vossa alteza," antes de aparatar.

"Eu espero que ele não se estrunche," comentou ela, mas o álcool em seu corpo a impedia de se preocupar muito com isso.

"Nah, ele é melhor bêbado," disse James. "Vamos..." Ele passou um braço sobre os ombros dela. "Eu vou levá-la para casa."

Lily e James apareceram no pequeno amontoado de árvores perto do parque onde ela outrora brincara com Severus. A luz do luar caía bem em James Potter, ponderou Lily, quando eles começaram a caminhar no chão de areia, e a luz branca iluminou uma parte de seu rosto, refletindo em uma das lentes de seus óculos. Levou um instante para a jovem perceber que estava olhando e desviar o olhar.

"Em que direção, Snaps? perguntou James alegremente, empertigando-se pela grama e olhando para as fileiras de casas.

Lily riu, inexplicavelmente divertindo-se com a visão de James – James Potter, que outrora fora seu inimigo da escola – ali em seu bairro comum e trouxa. Ele já estivera ali antes, é claro, quando os outros tinham aparecido para "sequestrá-la", mas estava tão distraída na ocasião, que aquele pensamento não lhe ocorreu.

Ela se juntou a ele na grama, agarrando seu braço e puxando-o em direção à rua. "Por aqui," e ela o guiou, enlaçando seu braço no dele ao invés de soltá-lo. Afinal, era mais fácil andar com um suporte.

"Você não está com frio?" indagou James enquanto caminhavam. Ele fitou os braços sardentos e expostos dela, e a ruiva tornou a rir.

"Firewhiskey é como um casaco de lã," respondeu Lily.

"É um belo vestido," disse ele. "Você parece um girassol."

"Eu gosto de girassóis," ponderou Lily debilmente. Sim, o amarelo deve ter ficado muito bom nela.

Eles entraram na rua para atravessá-la, e Lily, tomada por uma súbita vontade de girar, soltou o braço de James. Ela girou como uma bailarina, e só parou quando quase tropeçou no meio-fio. Rindo, James correu até ela, segurando-a.

"Ei."

"Ei o que?"

"Ei, eu posso cuidar de mim mesma," disse a ruiva, jogando o cabelo para fingir indignação. "Eu tenho... um equilíbrio muito bom, sabe."

"Você estava bebendo," disse ele.

"Você também," acusou Lily. Ela pulou para a calçada novamente e puxou James consigo, desta vez pela gola da camisa. "Por aqui, Potter."

"Eu estou indo, Evans."

Logo eles estavam em frente à casa dela; a luz da varanda estava acesa. "Minha mãe foi dormir," disse Lily. "Ela acende a luz quando uma de nós está fora, mas ela não quer ficar esperando."

"Ah," disse James. "Então, aqui é onde Vossa Alteza passa os verões."

"Não é nenhum castelo," disse Lily. "Mas eu gosto bastante."

"Castelos são superestimados," concordou James; ele avançou até a porta, e eles pararam no degrau mais alto. "Eu sei do que estou falando... moro em um."

"Eu também," apontou a outra. "Hogwarts".

"É verdade."

"Bem... você não está ao menos animado com seu passeio na próxima semana?"

Mais cedo, James mencionara com pouco entusiasmo sua iminente viagem ao litoral, e naquele instante ele deu de ombros.

"On the beach at night alone, as the old mother sways her to and fro, e tal e tal e tal," entoou Lily, de frente para James, os braços cruzados sobre o peito. Ele sorriu.

N/T: Joguei essa frase no Google, já que desconhecia do que se tratava, e descobri que o que a Lily entoa é um trecho da grande obra do poeta norte-americano Walt Whitman, chamada "Leaves of Grass", no português "Folhas de Relva". Também achei uma tese de doutorado sobre a obra onde o trecho estava traduzido da seguinte forma: "Na praia sozinho à noite, enquanto a velha mãe oscila pra lá e pra cá".

"Você sempre recita poesias quando bebe?"

"Você sempre... Ei..."

"Ei o que?"

"Você está laranja."

"Quê?"

"Laranja."

James arqueou uma sobrancelha, dando um passo adiante sutilmente e inclinando a cabeça para um lado. "Do que você está falando, Snaps?"

Lily meneou a cabeça em direção à luz da varanda. "Laranja. Você está laranja." Ela riu de novo, e James bufou.

"Você está tostada, Snaps."

"Bom, você também! Eu aposto que você não conseguiria nem... não conseguiria nem..."

"Não conseguiria nem o quê?"

"Eu não sei! Fazer algo realmente simples que só pessoas sóbrias poderiam fazer! Estalar com os dois dedos!"

James ergueu as mãos ao nível dos olhos e começou a estalar os dedos, fazendo-a rir. "Você é ridículo," disse ela. "Pare com isso."

"Não," provocou ele. "Você queria que eu estalasse os dedos, e estou estalando."

"Psiu," Lily pediu silêncio, olhando para a janela no andar de cima, onde sua mãe dormia. "James, pare com isso!" Mas ela não estava realmente irritada.

"Não. Eu estou estalando, Snaps."

"Pare!"

"Hã-hã..."

Lily segurou as duas mãos dele com as suas, que eram consideravelmente menores, tentando mantê-las abaixadas, e obtendo pouco sucesso, até James relaxar os braços. A vitoriosa ruiva sorriu para seu adversário derrotado, percebendo estar muito perto dele. Seus dedos do pé roçavam no bico de borracha dos tênis dele, e ela ainda segurava as mãos quentes nas suas. O espaço entre seus narizes correspondia essencialmente à diferença de altura; James a encarava de cima, e ela o encarava de volta, o sorriso ainda estampado nos lábios da ruiva...

Lábios que, aliás, estavam perigosamente perto dos seus.

Isso fez Lily despertar de imediato, assim como a inesperada gravidade na expressão de James. Nenhum deles sorria agora; era quase como se todo o ar tivesse sido sugado, e, por um segundo, os dois prenderam a respiração.

James tinha olhos muito, muito, muito legais.

E ele estava prestes a beijá-la.

Não, ela estava prestes a beijá-lo.

Não...

Ah, que diferença isso fazia?

Ambos se aproximavam cada vez mais, diminuindo o mínimo espaço entre seus lábios. Lily inconscientemente fechou os olhos. Ela não os fechou por completo, mas baixou as pálpebras e, de repente, não estava vendo James, mas o sentindo. A bolsa da ruiva caiu na calçada; suas mãos tinham subido até os ombros dele, e então até seu pescoço. Ela ficou na ponta dos pés. O hálito dele a aqueceu no ponto que a alcançou – a cabeça dela estava inclinada em resposta à inclinação da dele, e ela não tinha certeza se realmente sentiu o roçar de seus lábios ou se foi apenas a expectativa... Imaginação, talvez, porque se perguntou por tanto tempo como seria, e...

Espera.

Quê?

Lily abriu os olhos.

"A gente estava bebendo!" gaguejou ela demasiadamente alto.

Ela recuou, retirando as mãos de James e prendendo-as atrás das costas, como se temesse que elas pudessem agir sem sua permissão. Ele também deu um passo para trás, parecendo ter perdido o fôlego, enquanto corria uma mão pelo cabelo desarrumado.

"Sinto muito," desculpou-se Lily freneticamente, apanhando a bolsa. "Eu não... Eu não deveria..."

"Não, não, está tudo bem," disse James depressa. "Quero dizer... você está certa. É claro."

Ele estava processando os fatos.

Lily se perguntava se era realmente possível morrer de vergonha. E a maneira como seu coração batia – aquilo não podia ser saudável.

"Q-q-quero dizer," começou ela, afastando o cabelo de seu rosto corado, "é só que... tem sido um dia muito... intenso..."

"Não, sim, talvez seja melhor eu ir..."

"Sim. Quero dizer... não precisa ir, mas é tarde, então você provavelmente quer ir..." (Pare de falar, sua idiota!)

"Lily, acalme-se, está tudo bem... nada... sabe..."

"Aconteceu," concluiu ela por ele. "Certo."

"Eu vou indo."

"Está bem."

Ele se virou para partir.

"Boa noite!" Lily gritou para ele, sua voz anormalmente elevada. Ele tornou a encará-la, engolindo em seco.

"Boa noite, Lily."

James mais uma vez começou a caminhar em direção à calçada, mas Lily – ainda bastante afobada – sentiu necessidade de dizer mais alguma coisa... se explicar...

"James!"

Ele parou mais uma vez, e quando olhou para ela, o bruxo parecia consideravelmente mais calmo. Lily, por sua vez, estava prestes a surtar.

"Estou... eu sinto muito," repetiu sem jeito. "Quero dizer, eu só... Eu não posso..."

"Lily," ele a interrompeu, e sua voz soou... estranha. "Está tudo bem. Como você disse... estávamos bebendo."

"Certo."

"Boa noite."

"Boa noite."

Então, ele se foi. Lily entrou em casa.

Misteriosamente descontente com a justificativa da bebida para o que acontecera (Quase acontecera, corrigiu mentalmente), ela fechou a porta da frente ao passar, recostando-se contra ela e respirando fundo para se acalmar. A jovem levou uma mão até a testa em uma tentativa parcialmente bem-sucedida de resfriar sua pele ardente.

O que... o que exatamente tinha acabado de (quase) acontecer?

Ah, Merlin.

Que dia.

Ela suspirou profundamente.

"Caramba".

N/A: O.k., eu não sou louca, e eu sei que Lily e James não são pessoas reais, mas eu juro por Billy Joel que quando eu estava escrevendo a última cena, eles QUERIAM se beijar. Tipo, há versões legítimas do que aconteceu nas quais eles se beijam. E embora eu tenha iniciado este capítulo SABENDO que eles não iam se beijar de verdade... embora eu tenha começado a cena sabendo que eles não podiam se beijar, continuei escrevendo mesmo assim!

O que estou dizendo a vocês é que o teclado do meu laptop é claramente um shipper.

Para ver algumas dicas sobre quem NÃO vai ficar com quem, vejam o blog. O link está no meu perfil.

Comentários são pãezinhos de canela.

Com amor,

Jules

N/T: Pessoal, mil anos depois estou aqui para atualizar rsrs Dessa vez minha beta não tem culpa alguma, ela me devolveu o capítulo em 24 horas! Eu sou culpada. Mas tenho atravessado uma fase complicada quanto aos concursos, mudanças e tudo mais, então o tempo ficou bemmmmm curto! Porém espero que ainda haja bastante gente pra ler o novo capítulo e comentá-lo! Beijão e desculpem a demora! Rsrs ^^

Elyon: Obrigada pela review! Espero que a dose de Jily nesse capítulo, embora meio frustrante (hahahaha!), te satisfaça! =D Beijos!

Guest: Olá! Desisto não, podexá! Rsrs... Obrigada por comentar. Bjs!

Linee: Que bom! Abandonei por um tempinho, mas voltei rsrs Beijos! Obrigada!

F: Sim! Uma beleza ver James e Sirius novamente unidos, né? Também fiquei bem agoniada com eles separados rs... Obrigada pelas palavras! Espero que curta esse capítulo. Beijos!

Guest: Sim! A reconciliação foi o ponto alto do capítulo! 3 Sobre a cena Jily, espero que tenha amado a desse capítulo! Beijos e obrigada!

Lumes: Fiquei feliz por te proporcionar bons momentos! Espero que curta muito a atualização de hoje, beijão! Obrigada!

J amylla Snape: Continuei rsrs Bjs e obrigada por comentar!

Hello Potter: Olá! Sorry a demora rsrs Mas aí está, curta muito o 26! Beijos!