Snape percebeu naquele momento que havia perdido o controle das suas ações. Voldemort estava furioso e Belatriz se escondia atrás dele, fingindo uma fragilidade que ela não possuía.

- Milorde, ele tentou me matar do nada! – Belatriz gritou.

- Assuma o que você fez, Belatriz. – Snape olhou para ela e só então encarou Voldemort pela primeira vez.

- Eu vi, Belatriz. Agora, Severus, explique-me o que aconteceu aqui a ponto de eu presenciar a cena que acabou de acontecer. – Voldemort se aproximou dele.

- Belatriz tentou matar minha esposa. – Snape falou alto, sem tirar os olhos de Voldemort.

Era bastante perceptível a confiança que o Lorde das trevas tinha em Snape. Ao ouvir a acusação, ele franziu o cenho e virou para Belatriz que deixava transparecer toda a sua insegurança.

- Isso é verdade, Belatriz? – Ela não respondeu, estava receosa de piorar as coisas com Voldemort. – Responda! O que Severus está me falando é verdade?

- S-sim, Milorde. – a resposta saiu fraca, quase inaudível.

- Já não era suficiente o desastre que foi a tentativa de pegar aquela profecia? – Voldemort falava com raiva e Belatriz mantinha o rosto abaixado, os cabelos escondendo sua face quase que por completo. – Você deve uma explicação pelos seus atos.

- Snape já sabe. – ela respondeu ríspida, levantando o rosto de repente e fuzilando Snape com o olhar. Aquela situação estava deixando Snape furioso, ele sabia que ela sairia impune e isso era inaceitável. Mas ele nada podia fazer.

- Deixe-me a sós com Severus. – Voldemort se dirigiu a ela com grosseria.- Mas espere-me no escritório de Lucius.

Belatriz saiu quase correndo em direção às escadas, sem ousar olhar para trás.

Quando ela sumiu nos últimos degraus, Voldemort voltou sua atenção à Snape.

- Onde você esteve na última noite, Severus? Você não respondeu ao meu chamado. – ele continuou sem esperar uma resposta. – Sua farsa ao lado de Dumbledore me é muito útil. Mas em momentos como esse eu percebo como a sua falta em algumas ações com os comensais é crucial.

Snape apenas balançou a cabeça em concordância com o que o Lorde falou.

- Eu estava com Melvina. Como eu disse, Belatriz tentou matá-la.

- Conte-me exatamente o que aconteceu. – Voldemort demonstrou interesse.

- Belatriz entrou no departamento de poções e, com a maldição Impérius, fez com que um aluno de Melvina explodisse um caldeirão enquanto ela estava no laboratório de Poções com ele. – Snape explicou rapidamente e emendou. – Melvina está em St. Mungus até agora.

Voldemort ignorou o tom afetivo que Snape terminou a explicação.

- O que Belatriz falou para você?

- Ela disse que não confia em mim e que devido ao fracasso de ontem, eu... eu me tornaria favorecido pelo senhor, Milorde. Então, nas palavras dela, ela queria acabar com a minha felicidade. – Snape contou com calma.

- Severus, apesar do episódio com Narcisa e sua esposa há algum tempo. Eu tenho plena confiança em você, e consequentemente nela. Sinto pelo que aconteceu, mas você estava prestes a matar Belatriz, Severus! – Voldemort o repreendeu.

- Eu me descontrolei, Milorde. Belatriz pode ser um pouco...- Snape desistiu e terminar sua frase, mas Voldemort ficou esperando ele continuar.- um pouco intragável. – Snape concluiu, com receio.

- Belatriz é, realmente, uma Comensal exemplar. Mas eu concordo que, na maioria das vezes, ela age sem pensar nas consequências. – Voldemort riu pensando no que iria falar. – A sede de sangue e de vingança dela é admirável, é uma pena que seja mal pensada e precipitada.

- Ela não tinha nenhum motivo para se vingar da minha esposa, Milorde. – Snape tornou a lembrar Voldemort de que estavam ali por causa de Melvina. – Belatriz não pode deixar com que os motivos pessoais dela interfiram nos seus atos. Principalmente no meu caso, é evidente que ela me odeia, mas se ela atentar contra Melvina de novo, eu não deixarei passar novamente, Milorde.

- Talvez sejam ciúmes, Severus. – Voldemort falou e deu uma risada engraçada. Snape se calou. - Mudando de assunto. Preciso que você tente tirar algo sobre a profecia daquele velho.

- O que o faz pensar, Milorde, que Dumbledore sabe o que diz a profecia?

- Severus, ele sabe...ele sabe. – Voldemort falou pensativo.

- Eu tentarei, Milorde, assim que eu voltar a Hogwarts. – Snape prometeu.

- Você pode ir, Severus. Belatriz está me esperando. – Voldemort ia se retirando quando Snape se adiantou:

- O que o senhor fará com ela?

- Creio que a punição de ontem ainda precisa ser terminada. – Voldemort respondeu, já ao pé da escada, antes de subi-la com seu manto farfalhando.


- Você quer que eu busque roupas? – Elisa repetiu a pergunta, como se não tivesse escutado bem a amiga.

- Sim, você ouviu o medibruxo, eu terei alta à tarde. – Melvina respondeu.

- Você quer que eu vá até a casa do Snape sozinha? E se ele estiver lá? – Elisa parecia ter medo do Mestre de Poções.

- É a minha casa também, Elisa. – Melvina riu, enquanto se sentava melhor na cama. – E Severus não vai estar lá, Peter me disse que ele precisou ir a Hogwarts resolver algumas coisas.

- Certo, eu vou. – a amiga se rendeu, indo em direção à porta. – Logo estarei de volta.

Silêncio se instalou no quarto quando Melvina ficou sozinha. Ela, que havia ficado o tempo todo acordada entretida pela companhia dos seus amigos, de Peter e até mesmo do medibruxo, começou a pensar no que havia acontecido. Foi uma grande sorte ela ter se salvado daquele incidente. Mas esse não era o mistério, ela se questionava como aquilo teria acontecido e porque Jonathan teria provocado aquele desastre. Ela não via a hora de poder conversar com o garoto.

Melvina olhou com atenção para as marcas na sua pele. Como havia estudado muitas poções que podiam melhorar aquele aspecto, ela sabia que era questão de semanas e um pouco da ajuda de Snape no preparo das poções, para sua pele voltar ao normal. Mas mesmo quando as marcas fossem apagadas, ela não conseguiria apagar da memória o medo que sentiu ao presenciar aquele caldeirão com conteúdo tóxico explodindo. Melvina realmente pensou que iria morrer, e antes de apagar, um flashback passou pela sua mente. Ela pensou que morreria como seus pais, numa explosão provocada por outra pessoa, e depois disso a primeira pessoa que veio no seu pensamento foi Snape. Era estranho, mas foi nele que ela pensou enquanto estava naquela situação. Naquele momento, no quarto do hospital, sã e salva, ela podia rir do que já havia passado. "Talvez eu pensei em Severus porque se eu morresse naquele laboratório, ele pensaria que eu havia feito alguma burrice com a poção e me tiraria mil pontos póstumos da Sonserina." Estava rindo sozinha do seu pensamento mórbido quando Snape entrou no quarto.

- Vejo que está se divertindo sem a minha companhia. – ele brincou, tentando esconder o conflito interno que estava tendo em sua mente, contar a ela ou não contar a verdade?

Snape caminhou até a cama e sentou de frente para ela.

- Seus amigos deixaram você sozinha? – Ele perguntou, em tom de indignação.

- Eles tinham que ir trabalhar, Severus. Só Elisa que ficou, mas foi pegar algumas roupas para mim. - Melvina sorriu aliviada. – O medibruxo Thomas disse que terei alta pela tarde.

- Que noticia boa. – Snape sorriu também, aqueles raros sorrisos que só dava o prazer de Melvina vê-los. – Por isso você estava rindo sozinha quando entrei?

- Não. – Melvina riu de novo, lembrando-se do que pensara. Continuou com um tom mais sério. – Eu estava lembrando do que aconteceu... Eu podia ter morrido.

- Não consigo ver a parte engraçada disso. – Snape tentou entendê-la.

- Para todos os efeitos, eu teria morrido fazendo poções. Imagino o que você teria pensado, que eu fui cabeça oca o suficiente para explodir um caldeirão e me matar.

- Isso é coisa de se pensar, Melvina? – Snape instintivamente chegou mais perto dela e a abraçou com força. – Eu não quero nem pensar no que seria de mim se isso tivesse acontecido. Melvina sorriu contra o ombro dele, sentindo-se melhor naquele abraço.

- Não vamos mais falar sobre isso. – ela disse quando Snape se afastou, e ele concordou com a cabeça. – Bom, não vamos mais falar do que poderia ter sido. Mas eu preciso saber o que aconteceu, Severus.

Snape ficou em silêncio encarando aqueles olhos azuis enquanto decidia o que dizer.

- Severus, - Melvina despertou-o dos seus pensamentos. – não me esconda as coisas, por favor. Eu sei que você está escondendo algo.

Snape suspirou e deu um meio sorriso pra ela.

- Você está ficando boa em me decifrar.

- Você é quem está ficando cada vez mais aberto comigo a ponto de não conseguir mais esconder.

- Eu ia contar para você de qualquer forma. – Snape parou para escolher as palavras. – Eu conversei com Jonathan.

- Você me disse que ele estava muito mal. – Melvina interrompeu.

- Ele conseguiu conversar um pouco, o suficiente pra contar que não se lembrava de nada do que tinha acontecido naquele laboratório. – Melvina ia abrindo a boca para interrompê-lo novamente, mas Snape se adiantou. – Mas eu usei legilimência nele.

Snape procurou reprovação na expressão dela, mas Melvina continuava a fitá-lo com atenção, querendo saber mais.

- Realmente, Melvina, não foi o garoto quem provocou a explosão. Ele estava sob a maldição Impérius.

Melvina respirou fundo, fechando os olhos, ao perceber que o que ela tinha suspeitado era verdade.

- Foi algum comensal da morte que estava no Ministério, não foi? – Ela perguntou, já que Snape parecia incapaz de falar.

- Foi. – Snape falou quase num sussurro. – Eu...me desculpa.

- Quem, Severus? – Melvina continuou questionando.

- Belatriz Lestrange.- Snape começou a contar, mal e mal dando pausas para respirar. – Eu fui atrás dela, Melvina. Eu tentei mata-la, mas Voldemort me impediu. Eu devia saber...

- Severus, você o quê? – Melvina o fez parar de falar. – Você está louco? Como? Você-sabe-quem impediu você?

- Eu fui atrás dela, nós discutimos, e eu tentei matá-la, então o Lorde das trevas me impediu a tempo. – Snape falou novamente com mais calma, Melvina estava surpresa e ao mesmo tempo amedrontada pelo que acabara de ouvir.- Melvina, me desculpa se o pensamento de eu tentar matar aquela louca assusta você. – Snape evitou o olhar dela.

- Eu, eu não sei nem o que dizer, Severus. – Melvina falou baixinho, mas com o nervosismo a flor da pele. – Mas, mas e ele?

- Graças a muito tempo de farsa, e diferentemente de Belatriz, ele acredita e confia em mim, Melvina. Eu disse que ela havia atentado contra você, e então ele apenas me repreendeu por ter tentado me vingar dela. Sinceramente, não acho que ele se importe com alguém, nem mesmo com os mais próximos dele, como Belatriz.

Foram interrompidos por batidas na porta. Elisa espiou dentro do quarto e ficou parada com receio de entrar, a presença de Snape a intimidava.

- Boa tarde, senhorita Dallman. – Snape ainda lembrava-se dela como aluna.

- Oi, é Truman agora. – Ela sorriu para ele, fazendo-o lembrar da lei do casamento. – E, bom, eu trouxe as suas roupas, Mel. – Elisa ergueu a bolsa que trazia nas mãos.

- Obrigada, Lisa. Pode colocar a bolsa ali na poltrona.

- Você está bem, Mel? Se você não se importar eu preciso ir, mas vou visitar você assim que puder.

- Vai tranquila, Lisa. Eu estou bem e vou esperar a sua visita. – Melvina se despediu da amiga.

Quando a garota deixou o quarto um silêncio incômodo se impôs entre os dois. Depois de alguns minutos, Snape começou a falar.

- Apesar de tudo, eu sinto que o Lorde possui confiança em mim, Melvina. E ele castigará Belatriz pelo que ela fez, não é o suficiente, eu sei. Então eu peço que você tome muito cuidado sempre, principalmente porque o Ministério estará tomado de pessoas malignas mais cedo ou mais tarde. Eu farei de tudo para proteger você, para fazer com que os comensais não ousem chegar perto de você, mas mesmo assim, você precisa estar em alerta constante.

- Eu sei, Severus. – Melvina entendia a situação. – Não vou mentir dizendo que não estou com medo, mas vou me cuidar. Tenho que parar de confiar em todo mundo.

- Não confie em ninguém, Melvina. – Snape concordou. – Pode não ser a pessoa agindo, como aconteceu com o seu aluno.

- Nem em você? – Ela sorriu minimamente.

- Isso depende de você. – Snape retribuiu o sorriso.

- Você sabe que eu confio, Severus. Confio plenamente.

Snape lembrou-se do que havia passado para pegar em Hogwarts antes de voltar para St. Mungus. Retirou um recipiente pequeno de poção de dentro do bolso do colete e mostrou para Melvina.

- Confia a ponto de tomar uma poção sem saber o que é? – Snape brincou.

- Regra número um dos Mestres de poções: - Ela começou, mas Snape a interrompeu, terminando a frase:

- Nunca tomar uma poção que não tenha sido você que fez.

– Acho que ninguém respeita essa regra.

- Eu lembrei que um aluno teve um incidente com queimaduras há pouco tempo em Hogwarts. – Snape entregou o pequeno frasco a ela. – Como não foi nada sério, sobraram alguns desses que preparei na época. Vai fazer sua pele melhorar. Quer saber os ingredientes que usei nela?

- Não precisa, não estou com cabeça para pensar. – Ela disse abrindo o frasco e bebendo. - Confio em você. Quantos desse eu precisarei tomar para melhorar?

- Uns quatro ou cinco, eu providenciarei.

- Obrigada, Severus. – Melvina puxou-o para um abraço e falou baixinho no ouvido dele: Eu amo você.

- Mesmo depois de tudo isso? – Snape fechou a cara e parecia cético.

- Meu amor por você é mais forte que esses problemas que estamos passando. – Melvina foi sincera e corou como nunca havia antes ao falar. Snape beijou-a logo em seguida, era o jeito dele dizer que sentia o mesmo.

- Severus, - Melvina chamou sua atenção quando se distanciaram. – hoje mais cedo, você me chamou pelo meu apelido.

- E? – Snape arqueou uma sobrancelha ao mesmo tempo em que sorria largamente pra ela.

- E eu gostei. – Melvina admitiu.

- Eu não gosto de apelidos, nem para mim nem para ninguém, mas Mel soa tão bem quanto Melvina.

Snape mal havia acabado de falar e o medibruxo Thomas entrou no quarto, sorrindo, segurando o prontuário dela nas mãos.

- Acho que está na hora de ir para casa, Mel. – Snape ficou de pé para ouvir as boas notícias vindas de Thomas.


N/A: Já estou de volta, queridos leitores. Espero que gostem do capítulo e continuem ligados na fic que muita coisa ainda está por vir! Quero esclarecer a dúvida de uma leitora que foi bater lá no meu facebook pra perguntar. Quando o Snape chama a Melvina de Mel, surgiu a dúvida para minha leitora de como se pronuncia o nome. Então, o apelido é Mel (de mel de abelha, gente), mas Melvina não. Mel(lê-se meu)vina. Ok?! Resolvi esclarecer aqui também, pois a dúvida dela pode ser de vocês também.

Provavelmente voltarei a postar após as festas de fim de ano. Então desejo um Feliz Natal e ano novo maravilhoso para todos. :)

Obrigada Ana Scully Rickman e Serena pelos reviews deixados no último capítulo. Obrigada mesmo, senti falta deles nesse tempo de ausência!

Bjbj!