Pó de Chifre de Unicórnio

Título original: "Polvo de Cuerno de Unicornio"

Autora: Julieta Potter

Tradução (autorizada): Inna Puchkin Ievitich


Capítulo 26

O erro e a decisão

Mais tarde, nessa mesma noite, Harry se lamentaria profundamente de não ter fugido quando Gina o descobriu espiando no banheiro... teria sido o melhor e o mais sensato. Não teria passado por aquilo… um erro que lhe estava custando caro.

Mas não, não fugiu. Apenas ficou ali, de pé... congelado pela impressão e desconcerto, como que tentando convencer-se de que o que seus olhos viam não era o que parecia ser. Esperando de alguma forma que a ruiva não estivesse correspondendo a esse apaixonado beijo, e então Harry tivesse que entrar para salva-la das garras do infame Malfoy... mas não era assim.

Quando a garota o viu parado na porta, precisou apenas de um segundo para reagir. Ainda antes de separar seus lábios dos de Draco, colocou suas mãos em seu peito e, com força, o empurrou para longe dela. Malfoy olhou-a incrédulo, ainda ofegante de paixão... abriu a boca, talvez para perguntar que demônios lhe passava, quando pareceu perceber que ela olhava espantada algo à suas costas. O loiro girou sua cabeça e, ao ver Harry, seu rosto se pôs como grená, ou de vergonha ou de fúria... Harry não o saberia jamais.

De repente, um sentimento de raiva inundou o olhos verdes... pensou em Rony e a dor que lhe causaria saber com quem estava enrolada sua irmã. Não era que Harry se importasse com o que ela fizesse, mas teve claro que com sua atitude machucaria a algumas das pessoas mais estimadas por ele: a família Weasley completa. De modo que, quando viu Malfoy sacar com rapidez sua varinha, quase que por instinto ele também o fez, disposto ao que fosse...

- Incarcerus!

Mal teve tempo de abaixar a cabeça quando o feitiço lançado por Malfoy passou por cima de si e fez em cacos o lustre que se encontrava junto à porta. Furioso pelo atrevimento do loiro, Harry apontou-lhe e pensou com todas suas forças: Levicorpus!

- Protego! – exclamou Malfoy bloqueando o feitiço de Harry, e de novo brandiu sua varinha para ele.

Gina, que havia permanecido até esse momento paralisada junto à pia onde Draco e ela haviam-se beijado e acariciado um momento antes, pareceu reagir de repente e tirou também sua varinha, ao tempo em que gritava:

- Petrificus totalus! – e lançou o feitiço a Harry.

- Desmaius! – enfeitiçava, por sua vez, Draco.

Harry teve que lançar-se ao longo do chão para poder evitar ambos feitiços, os quais se cruzaram à suas costas e deram com extrema violência na porta, que quase voa de suas dobradiças pelo duplo impacto. Sem ver realmente a quem apontava, já que estava cegado momentamente pelo pó de serra que caía da porta danificada, Harry decidiu tirar alguém do meio...

- Expelliarmus! – gritou enaltecido.

- AH! – queixou-se Gina, quando sua varinha se desprendeu com brutalidade de sua mão e perdeu-se entre os cubículos dos sanitários.

E ainda antes que ela e Malfoy reagissem a isso, Harry atacou de novo, totalmente desesperado para sair ileso dali.

- Locomotor mortis!

Malfoy se afastou para um lado com agilidade, para evitar que Harry lhe unisse as pernas com seu feitiço, ao tempo em que Gina quase caia ao precipitar-se para os cubículos, a fim de buscar sua varinha... o feitiço de Harry destroçou a pia que estava atrás deles e provocou que a água saísse em um grosso jorro pela válvula quebrada...

- Você está morto, Potter! – cuspiu Malfoy, com o rosto contorcido e vermelho de fúria. Apontou de novo para o rapaz, que havia permanecido deitado no chão, o qual começava a inundar em instantes... Harry sentiu sua túnica molhar-se rapidamente e, angustiado ao ver que Draco o atacaria de novo, ergueu sua varinha desesperado para evita-lo.

- Cru…! – começou a gritar o loiro, fora de si.

- Sectumsempra! – vociferou Harry frenético, recordando de pronto um feitiço anotado em seu livro de Poções.

O que se passou em seguida foi a situação mais aterradora de que Harry teve lembrança depois... especialmente angustiante porque foi ele mesmo quem a provocou. Esse feitiço, cujos efeitos ignorava, cortou Draco no peito e na cara, como se Harry o tivesse atacado com uma grande a afiada espada. Malfoy perdeu sangue de ambas feridas, com uma rapidez espantosa, enquanto desfalecia sem forças sobre o frio e úmido chão do banheiro.

Harry levantou-se trêmulo, assombrado, e sem poder dar crédito ao que acabava de fazer. A seu lado, Gina soltou um grito lancinante que o olhos verdes jurava que fora ouvido por todo o castelo.

- DRACO! Por Merlin…! – gritou e olhou para Harry horrorizada. – O que fez a ele? VOCÊ O MATOU!

Matou…? Harry, incrédulo, observou-a jogar-se sobre Draco, o qual tremia e convulsionava em pavorosos espasmos, por entre seu próprio sangue e a água...

- Draco!. Não morra, por favor... ! – chorava Gina sobre ele, enquanto acariciava ansiosa seu avermelhado rosto e seu cabelo empapado...

Malfoy dirigiu à garota um olhar vidrado e carregado de desesperança, enquanto ela gemia e derramava grossas lágrimas de dor e angústia.

Por Merlin bendito… O que fiz?, perguntou-se Harry, desejando estar vivendo um pesadelo e poder despertar de imediato. Tinha que fazer algo... qualquer coisa.

Estava para lançar-se até eles a fim de tentar carregar Draco à enfermaria, quando, de repente, percebeu alguém passando com velocidade a seu lado, empurrando-o com violência para fora do caminho.

Ligeiramente nocauteado, Harry viu Snape passar ao longe e olhar estupefato para Malfoy... O garoto supôs que, talvez, providencialmente ele escutara o grito de Gina e comparecera para averiguar o que acontecia ali. Apagando toda a turbação de seu gesto, Snape inclinou-se sobre Draco e tirou sua varinha... curando-o quase de imediato, ao murmurar um desconhecido contra-feitiço que parecia soar como uma canção.

Aliviado ao ver as feridas de Malfoy fecharem-se por completo, Harry sentiu que a alma lhe voltava ao corpo... que tão próximo estivera de converter-se em assassino. Tanto, que estremecia sem poder evita-lo tão somente de pensar.

Snape ajudou Draco a incorporar-se e levou-o quase arrastado para enfermaria, seguido muito de perto por Gina, que dirigiu a Harry um último olhar cheio de apreensão... o garoto não soube se foi pelo que ele acabava de fazer, ou por ele ter descoberto o que ela estava fazendo.

Teve que esperar no banheiro cheio de água e sangue, que Snape voltasse, pois ele assim o havia ordenado antes de sair... com a voz carregada de ódio gelado.

Ao regressar seu odiado professor, este lhe questionou com enorme dureza quem era a pessoa que havia ensinado esse feitiço de magia negra... Harry ficou boquiaberto ao ouvir isso. Magia negra...? Sentiu-se traído pelo Príncipe e seu livro... caiu em conta que Hermione havia tido razão sobre isso todo o tempo.

E, claro, Harry não confessou a Snape que leu o feitiço em seu livro de Poções, pois isso implicaria em que o professor requeresse o mesmo e descobrisse todos os conselhos escritos nele pelo misterioso Príncipe; os quais haviam ajudado ao garoto a converter-se em um ás da matéria, sem merece-lo...

Mas Snape, suspeitando algo ou fazendo uso de sua habilidade em Legilimencia, não engoliu as mentiras de Harry... Castigou-o a passar as manhãs de todos os sábados que restavam no ano em detenção... quase uma dúzia dos melhores dias de verão fechado na pestilenta masmorra que ele chamava de sala.

Harry quase lhe suplica quando, aterrado, deu-se conta que o castigo interferiria na final de Quadribol a ser jogado nesse mesmo sábado pela manhã... mas, para Snape, que às claras o fizera assim de propósito, evitar que Harry comparecesse ao jogo foi, obviamente, um motivo a mais para sorrir maquiavelicamente.


Sentindo-se culpado até os ossos e depois de ter suportado uma dura reprimenda da parte de McGonagall, onde ela lhe disse que se sentisse agradecido com seu "insignificante" castigo, Harry caminhava derrotado para a enfermaria do Castelo.

Havia perdido o jantar mas não lhe importava em absoluto... a fome havia se esfumado junto com suas esperanças de ganhar a Copa de Quadribol desse ano. Acabava de falar com Katie, Demelza, Jimmy e Ritchie sobre seu castigo e sua impossibilidade de jogar a partida, o que os havia deixado furiosos em seu desfavor, somado ao fato que sabiam que Rony estava incapacitado por uma alguma estranha enfermidade cujo nome Harry não lhes quis revelar... e como se isso fosse pouco, não havia sinal de Gina em nenhum lugar e Harry não tinha idéia se ela continuaria no time depois do que havia acontecido.

Terei que conseguir três substitutos para o jogo... Gina, Rony e eu mesmo... assim será impossível ganhar, pensava abatido.

Terminou de percorrer o já escuro e silencioso corredor, e, ao chegar ante a porta da enfermaria, vacilou em entrar... era certo que ali estaria Draco, e não podia imaginar qual seria a reação do loiro ao ver Harry depois do ocorrido...

Mas também estava Rony. E presumia que Hermione também, pois não a vira na Sala Comum... E necessitava dela com desespero. Urgia vê-la, saber o que pensava dele depois do que fizera. Não lhe importava se ela lhe dizia "eu te disse", porque realmente sim ela o havia dito... ela o havia advertido sobre esses feitiços desconhecidos e anotados misteriosamente em seu livro, e ele não lhe dera caso. E agora se arrependia disso.

Suspirou profundamente e abriu a porta, tentando não pensar no que aconteceria dentro quando Malfoy o visse entrar.

A primeira coisa que sentiu ao ver Hermione lançar-se em seus braços e aperta-lo como se não o visse em anos, foi surpresa... mas imediatamente a substituiu por um enorme agradecimento. Harry abraçou-a por sua vez, tão forte o quanto podia se permitir sem lastima-la... submergiu seu rosto no emaranhado cabelo e voltou a suspirar... mas agora seu sentimento foi de gratificante alívio.

- Não está chateada comigo? – sussurrou-lhe Harry, sem erguer seu rosto dentre o cabelo. Fechou os olhos com força, querendo preservar esse momento o maior tempo possível.

- Claro que estou chateada... – respondeu ela em um murmúrio, mas em sua voz não havia sinal de raiva. – Porém, estou mais feliz de vê-lo a salvo...

Desejando evadir por uns minutos a dura realidade, Harry a manteve nesse abraço por um longo tempo... sentiu que os olhos se umedeciam inevitavelmente, tal era sua emoção de saber-se compreendido pela pessoa que mais lhe importava no mundo.

Envergonhado até a medula por isso, apertou mais os olhos tentando evitar que as lágrimas escapassem destes. Acariciou com suavidade as costas de Hermione... subindo uma mão até sua melena e perdendo-se na suavidade dela... Pela terceira vez, um suspiro escapou de sua boca.

- Por favor... agora deixem de contar dinheiro diante dos pobres, vocês dois... – escutou dizer baixinho Rony.

Harry riu pelo comentário de seu amigo e teve, por fim, a coragem de erguer seu olhar para o quarto. Rony os fitava divertido desde sua cama, e, ao lado desta, flutuava a cabeça de Luna, aparentemente sem corpo algum que a sustentasse.

Harry pestanejou desconcertado, mas então recordou que ela ainda estava usando sua Capa de Invisibilidade... riu um pouco mais forte pelo engraçado que era vê-la assim, como uma espécie de querubim loiro que velava seu amigo.

Hermione soltou-se de seu abraço e Harry deixou-a ir. Buscou Malfoy com o olhar por todo o lugar... mas não se via, pelo menos não perto dali. Hermione pareceu notar o que Harry pensava, porque lhe resmungou:

- Malfoy está em um quarto particular ao fundo, Harry... supomos que não pode nos ouvir, mas de todas as formas...

- Em um particular? – Harry desconcertou-se, nem sequer sabia que havia quartos privados na enfermaria. – Por quê?

- Não o sabemos... quando Snape o trouxe, nos olhou com enorme desprezo e disse a madame Pomfrey que seria o melhor. Imagino que para evitar uma briga com Rony... ou com você.

Harry não comentou nada. Sua vista perdeu-se em uma pequena linha de luz que brilhava ao final da longa enfermaria e que, supôs, seria o quarto de Draco... uma enorme e quente pontada de remorso cruzou-lhe a alma...

- Harry. Está bem? – perguntou-lhe Hermione, evidentemente preocupada.

Ela olhou-a nos olhos... notou seu medo, sua pena e sentiu-se pior consigo mesmo. Assentiu com a cabeça para não preocupa-la mais. De repente, recordou o episódio no banheiro e perguntou-se o quanto saberiam seus amigos sobre o mesmo, concretamente sobre o fato de que Gina se encontrava presente... voltou-se para Rony, para tentar descobrir algum sinal em seu comportamento que lhe indicasse se sabia ou não, mas encontrou-o tão despreocupado como sempre.

- Nos contará por fim o que aconteceu, camarada? – questionou-lhe o ruivo, com indubitável curiosidade. – Só sabemos o que Snape disse a madame Pomfrey e não foi muito, na realidade... mas isto sim, deixou muito bem claro que havia sido obra sua e que iria falar com a professora McGonagall sobre isso...

- Sim... ela já falou comigo. – respondeu Harry cansadamente. – E Snape já se encarregou de meu castigo...

Em poucas palavras e sentindo uma grande vergonha, terminou de contar a seus amigos o que se passou no banheiro, abstendo-se de incluir Gina no informe... não queria ser ele quem diria a Rony que sua irmã caçula estava apaixonada por seu eterno inimigo. Não agora... não ainda. Tinha a certeza de que Rony se levantaria a fim de assassinar Malfoy se soubesse a verdade.

Finalizou o relato dizendo-lhes que o mais seguro era que perderiam a partida, pois ele não poderia jogar e era óbvio que Rony tampouco.

- Espera, Harry! – interrompeu-o Rony. – Eu vou sim jogar a partida!

- De que fala, Rony? – questionou-lhe Harry desanimado. – Se McGonagall me disse que não podia sair daqui até...

- Vamos, Harry! – disse Rony entre risos. – Realmente crê que a professora faria isso ao seu próprio time na Final de Quadribol? Ela veio e me disse que me daria uma permissão especial para sair da enfermaria apenas para jogar a partida...

Harry esboçou um sorriso ao dar-se conta de que devia ter esperado isso de McGonagall... indubitavelmente seu espírito torcedor fora mais potente que sua preocupação por continuar aparentando a suposta maldição de Rony, não podendo resistir-se a ajudar seu time a ganhar a Copa. Sentindo-se um pouco mais animado, Harry perguntou, dirigindo-se à loira amiga de Corvinal:

- E você comentará a partida de novo, Luna? É que a última vez que o fez esteve realmente... – pensou em dizer "divertido", mas substituiu por: - interessante.

Luna riu com vontade junto com Hermione, enquanto Rony colocava cara de deprimido ao responder por ela:

- Não... não poderá. A condição que McGonagall nos colocou para que eu possa jogar é que Luna não deverá estar no Estádio... supõe-se que eu não deva vê-la.

- Sim... – secundou-lhe Luna, deixando de rir. E olhando para Rony, concluiu: - Terei que perder a... partida. Quando eu gosto de ver... todos jogarem.

- Eu sinto, tudo é minha culpa... – murmurou Harry, sentindo-se responsável por isso... parecia que o remorso era seu sentimento mais comum nos últimos dias. – E eu nem sequer poderei jogar... não me ocorre quem, diabos, poderá me substituir.

- Mas, do que fala, Harry? – exclamou Rony, entusiasmado. – Se Gina é uma estupenda Apanhadora também. Claro, não tão boa como você, mas não poderá negar que ela consegue pegar o Pomo... Você poderia pôr Dino como Artilheiro e assim ela...!

E Rony se empenhou a dar-lhe mil conselhos de como poderiam armar um bom time de Quadribol para esse dia, enquanto Harry fingia que o ouvia, quando, na realidade, sua mente se perdia nos olhos marrons de Hermione, que olhava-o compassiva. Ela pareceu notar algo em seu olhar, porque tomou-lhe da mão e apertou-a, em um mudo gesto de apoio.

Aproximou-se dele e sussurrou em sua orelha:

- Não se preocupe... o time poderá conseguir. Você fez um bom trabalho com eles.

Harry engoliu em seco e moveu a cabeça num gesto afirmativo... teria que falar com Gina mais tarde, para perguntar-lhe se jogaria ou não. Isso mortificou-o, pois não sabia como reagiria a ruiva para com ele. Se tão somente não tivesse usado aquele feitiço, como Hermione havia-lhe advertido... as coisas seriam tão diferentes agora.

- Tinha razão – disse Harry de repente à sua namorada, com voz forte e clara, silenciando o discurso de Rony. – Tinha toda a razão com os feitiços desse livro... eu devia tê-la escutado, Hermione... e isto não teria acontecido.

Ela observou-o sobressaltada por um momento, quiçá não esperava que Harry aceitasse isso nunca. E, de imediato, um enorme sorriso de orgulho e reconhecimento marcou seu lindo rosto... permaneceram olhando-se por um longo tempo, e o garoto teria jurado que ela estava para beija-lo, quando Rony gritou de repente:

- Hey! A propósito, sobre escutar alguém! – Harry e Hermione o olharam estranhados, Luna, em troca, olhava-o com devoto interesse... – Agora que eu penso... Se certa-pessoa-aqui-presente houvesse escutado você quando lhe dizia que tinha a maldição e houvesse acreditado em você, ela podia ter preparado a poção... não acha? E Luna e eu nunca teríamos nos metido nesta embrulhada...

Harry voltou-se para Hermione e ergueu uma sobrancelha interrogante, enquanto lhe sorria... ele também acreditava que se ela houvesse acreditado nele desde um tempo antes, teriam poupados muitos problemas. Mas, para surpresa de todos, Hermione riu e meneou a cabeça como quando está certa de que todos deviam saber algo do qual apenas ela é consciente...

- Olha Ronald... - disse-lhe, com seu usual tom de sabichona, e Rony pôs cara de entediado. – Embora eu tivesse acreditado em Harry antes que vocês passassem por essa farsa de terceira que tiveram que montar, de qualquer modo, de uma forma ou de outra, os professores teriam que ter se inteirado...

- Por que Hermione? – espetou-lhe o ruivo. – Não podia elaborar você sozinha a poção? Se você me escreveu naquela carta que era perfeitamente capaz de faze-la...

- Pois claro que sou capaz de faze-la! – respondeu ela, com auto-suficiência. – Mas digo-lhe que algum professor teria que ter se inteirado, porque eu precisaria de ingredientes que não são permitidos aos estudantes... ingredientes que apenas o professor de Poções tem em sua sala...

- Vamos! Não me saia com essa, Hermione! – soltou Rony, incomodado. – Isso me diz alguém que no segundo ano atreveu-se a roubar ingredientes do mesmíssimo Snape, para a poção "Polissuco"?

Hermione abriu a boca, mas pareceu não encontrar palavras para rebater aquilo... Harry riu com vontade ao dar-se conta de que seus amigos voltavam a ser os mesmos de sempre... os eternos discutidores sem remédio de tolices e similares...

- Polissuco? – perguntou Luna curiosa – É essa a poção que faz desenvolver vários estômagos como as vacas...?

Antes que alguém pudesse responde-la, madame Pomfrey emergiu de sua sala para pô-los para correr do lugar, e apressadamente Harry e Hermione bloquearam de sua visão a cabeça de Luna, para que esta pudesse colocar-se a capa por completo, antes que a enfermeira a descobrisse...

Já fora da enfermaria, Harry e Hermione se despediram de sua loira amiga, empreendendo seu caminho em total silêncio até o Salão Comunal. Desejando realizar o que estiveram a ponto de fazer antes que Rony os interrompesse, Harry ia pensando no porquê Hermione o olhava de novo com os olhos cheios de orgulho como naquele momento... tentou tocar no tema dos feitiços do Príncipe para retomar aquilo.

- Hermione... - chamou-a enquanto diminuía o passo, sem vontade de chegar à Sala Comum ainda. Ela também caminhou mais lento, e fitou-o com verdadeira alegria.

Harry não soube o que dizer. Estranhou-se com aquilo e perguntou:

- Por que está tão contente?

- Como que por quê? – disse ela por sua vez, como se fosse o mais óbvio do mundo. – Pois porque você está bem. Não é que me ponha feliz que tenha usado aquele feitiço de magia negra, mas... por Merlin que me alegro que não seja você quem está na enfermaria.

Harry não lhe respondeu nada e olhou seus pés enquanto caminhava... era doloroso recordar o que havia ocorrido essa tarde no banheiro. Hermione pareceu arrepender-se do que dissera e, pegando-o por um braço, murmurou-lhe:

- Eu sinto, não quis dizer... digo, eu sei que você esteve mal. Sei que não era sua intenção fazer isso a Malfoy... mas é que... Diabos, Harry! Ele iria lançar a Cruciatus, não? Teria sido pior para você e para ele, pois é um feitiço imperdoável... o teriam expulsado. Talvez o teriam metido na prisão...

Harry continuou caminhando sem olha-la nos olhos. Não lhe havia ocorrido aquilo. Ela tinha razão. Mas de qualquer forma, ele, Harry, podia ter usado qualquer outro feitiço para detê-lo... não teria que ter usado esse que nem sequer sabia o que fazia. Sentia-se tão mal por isso que até esqueceu que uns momentos antes morria por ser beijado por Hermione...

- De qualquer forma, ele acabará em Azkaban cedo ou tarde. – disse Harry com frieza. – É um Comensal da Morte.

Hermione parou em seco e Harry imitou-a. Olharam-se nos olhos... ele esperava, um tanto desafiante, comprovar se a garota acreditava nele ou não. Para ele, isso era tão importante... Mas a dúvida assomava nos olhos café dela... parecia questionar-lhe por que Harry afirmava aquilo... e antes que perguntasse, ele lhe informou:

- Ele estava falando com... com alguém de Sonserina. Creio que era Pansy. – mentiu Harry, para proteger Gina, embora não sabia porque o fazia. – E dizia que tinha duas missões a cumprir... missões, Hermione. E mencionou que seu Senhor das Trevas as havia encomendado... e que o mataria se não as consumasse. E quantos Senhores das Trevas conhecemos você e eu?

Harry viu, com renovada satisfação, que Hermione abria os olhos espantada, ao tempo em que murmurava:

- Pelas barbas de Merlin...

O garoto empreendeu marcha de novo, verdadeiramente comprazido que ela acreditasse em sua palavra como outrora. Não pode evitar que um leve sorriso se desenhasse em seus lábios. Em meio a tudo, alegrava-lhe sobremaneira ter sua confiança de novo.

Ela caminhou a seu lado, completamente desconcertada e olhando-o com terror mal dissimulado.

- Harry! – exigiu-lhe de pronto. – Que missões são essas? Ele disse?

- Não... não mencionou. Mas estava muito seguro de lograr ao menos uma delas. E aposto minha Firebolt que têm a ver com o maldito tempo em que ele passa na Sala Precisa!

Ela acompanhou-o sem dizer mais. Caminharam até o vão da escada que faltava e chegaram ante o quadro da Senhora Gorda. Hermione disse a senha e entraram, esperando que já não houvesse gente impertinente à vista.

E efetivamente, não havia. Harry a acompanhou até o pé das escadas do dormitório dela, onde Hermione parou em frente a ele como que aguardando algo... Harry não entendia o quê. Franziu o cenho, perguntando-se o que desejava ela.

Hermione pareceu cansar-se de esperar e suspirou com tristeza.

- Boa noite, Harry. – disse-lhe seriamente e deu-lhe as costas para subir os degraus.

E então, de golpe, o garoto recordou que ela era sua namorada de novo, e que podia beija-la quando quisesse, como nesse momento... Deu um longo passo adiante para alcança-la, antes de que se fosse e tomou-a com suavidade pela mão. Ela voltou-se com um sorriso nos lábios e aproximou-se dele...

Antes de fechar os olhos, Harry percebeu de novo um brilho de apreço no olhar marrom dela, o qual o fez sentir-se ditoso... E ao mesmo tempo que saboreava seus lábios ansiosos e úmidos, sentiu-se o ser mais feliz do mundo. Sua Hermione estava orgulhosa dele... isso sempre o fazia sentir-se tão bem. Ela o amava... ela reconhecia sua coragem de dar-se conta que havia cometido um erro, e, ao invés de dizer-lhe "eu te disse"... o beijava com paixão.

Harry sentiu o desejo despertar em seu interior e tomou-a pelas bochechas, enquanto degustava sua boca com candente ritmo... deslizou-as por seu pescoço e ombros, para terminar de percorrer suas costas, e atraiu-a para ele com efusão.

Hermione gemeu tão reservadamente que seu som quase se perdia na boca de ambos... E como se fosse uma maldição por si mesmo, de repente veio à mente de Harry a recordação do efeito que a poção teria sobre a memória de sua namorada...

Com o temor e a dor apoderando-se de seu coração, Harry não pode suster por mais tempo seu beijo e separou seus lábios dos da garota. Sem abrir os olhos, recostou sua testa sobre a dela. Não tem importância, não tem... ela não recordará nada, me esquecerá... esquecerá tudo o que temos vivido... talvez, não me ame mais. Engoliu em seco em um intento de não deixar-se levar por sua inquietação e, então, escutou-a sussurrar:

- Harry... não se preocupe com isso.

Abriu seus verdes olhos e, ao ver resolução nos dela, ele soube que Hermione sabia. Mas, como podia ser?

Então, lembrou que McGonagall havia falado com ela nessa tarde. A professora devia ter dito... Pensou em pergunta-la como pedi-lo que não se preocupasse, se ele temia perdê-la; mas ela, olhando-o com determinação, adiantou-se:

- Não quero esquecer nada, Harry... E eu... creio que sou capaz de... quero dizer... eu disse a McGonagall que... decidi não tomar a poção.


Nota da Tradutora:

Ah, 2007! Finalmente! Já não suportava mais assinar "2006" nos documentos e correspondências! Mas mal começa um ano 'novo' e eu já estou torcendo para que chegue dezembro! Neste exato momento, por exemplo estou sonhando com a Páscoa! Mais um excelente motivo para eu abastecer o estoque de chocolates já pensando no Apocalipse!

Bueno, bueno, minha gente, tatibitatis à parte, eis o capítulo 27! – sem revisão, como sempre, para não perder o maldito hábito. Com este estamos mais próximos do fim! Julie deu uma pequena brecada no capítulo de número 33, mas já deixou avisado que o final está bem perto. Oh, mas não se preocupem (ou preocupem-se!)! Até lá, mais águas rolarão - ou poções, ou maldições, ou missões, ou desencontros, ou encontros, e, sobretudo, cenas lemon, seja o que for, continuarão!

Vou-me curtir o sábado – só vim aqui mesmo para publicar este capítulo com três dias de atraso (?) -, porém não antes de deixar o meu abraço carinhoso a todos vocês, e um beijo grandioso e cheio de ternura no coração da Julieta Potter (pessoa de uma simpatia e generosidade imensas, a quem tive o prazer de conhecer). Também deixo aquele beijundão para os review-sadores Valson, Jéssy e Pumpkin Pie Girl!Muito obrigado MESMO pelas reviews! Vocês são uns amores!

Hasta la vista! Hasta siempre! – ao menos até o término das traduções. ;-)

Inna