Ligações Perigosas
Capítulo 26
Na sexta-feira, após o trabalho, Jared passou na casa de Jensen para pegar o seu filho, já que o loiro o havia buscado na escola.
- Fazendo maratona de Duro de Matar sem mim? Jensen, você é um traidor! - Jared brincou, dramático, ao se sentar no sofá da sala, junto de Joshua.
- Você falou que ia trabalhar até mais tarde, não pensei que fosse ter disposição pra isso - O loiro justificou, dando de ombros.
- Você tinha toda razão Jensen… John McClane é o cara - Josh comentou, animado com uma cena de luta e Jensen sorriu, orgulhoso de si mesmo.
- Acho que você conseguiu convertê-lo - Jared deu risadas. - Bom, acho que eu eu já vou indo, senão qualquer dia o Thomas não vai mais querer voltar pra casa comigo. A propósito, obrigado por pegá-lo na escola, você me quebrou um grande galho.
- Você pode deixá-lo dormir aqui, se quiser aproveitar a noite - Jensen sugeriu.
- Obrigado, mas eu não estou com disposição pra sair - Jared olhou para o seu filho, que estava entretido com um trenzinho de brinquedo, no lado oposto da sala. - Esse é o seu antigo trenzinho? - Sorriu. - Deve ter dado um trabalhão pra montar os trilhos.
- O Josh me ajudou. Pelo menos alguém pode aproveitá-lo, certo? - Jensen sorriu, observando Thomas, que fazia os barulhinhos junto com o trem. - E como estão as coisas na empresa?
- O de sempre. Muitos problemas pra resolver, mas parece que as coisas estão se encaminhando.
- E o Jeffrey?
Jared riu. - Sendo Jeffrey. Mas ele tem estado na linha, como prometeu.
- E isso é bom ou ruim? - Jensen brincou.
Jared gargalhou, mas não disse nada.
- Me ajuda a pegar algumas cervejas na geladeira? - Jensen pediu, e Jared o seguiu até a cozinha, apenas para que pudessem falar a sós. - Nunca passou pela sua cabeça, lhe dar uma chance?
- Não.
- Jay... - Jensen se encostou no balcão. - Eu imagino que ele traga lembranças de uma época que você gostaria de esquecer, mas… Eu não sei, cara. Às vezes eu acho que você está travando uma batalha desnecessária.
- Dá pra falar a minha língua? - Jared brincou, abrindo uma das cervejas, mas sabia exatamente do que Jensen estava falando.
- Você fica lutando o tempo todo contra o que sente por ele… Por quê? Você fez o que tinha que fazer naquela época, não é como se tivesse alguma escolha. Mas você deu a volta por cima, Jared. Você conseguiu recuperar o seu filho, a sua dignidade… Uma hora você vai ter que se perdoar, cara.
- É… eu sei - Jared engoliu em seco.
- E eu não quero me meter, mas pelo que você me falou das atitudes do Jeffrey, ele parece mesmo disposto a mudar. E eu vi o jeito que ele te olhou lá no hospital, Jay. A preocupação dele era real. Você até pode negar, mas eu sei que gosta do cara, então por que não lhe dar uma chance?
- Porque é diferente agora, Jensen. Se as coisas não derem certo, não sou só eu quem tem a perder, tem o Thomas também. Ele pode acabar se apegando. E eu não sei se o Jeff realmente está ciente do que é a minha vida, agora. O Tom sempre será a minha prioridade.
- Eu acho que ele é um homem adulto, e se ele realmente quer algo com você, vai saber lidar com isso tudo. Ou pode aprender. Você é o maior exemplo do quanto as pessoas podem mudar quando realmente querem, Jared - Jensen tocou seu ombro, de um jeito carinhoso.
- Você já terminou? - Jared sorriu.
- Já - Jensen fez uma careta, mas acabou rindo. - Vamos voltar pra maratona, estamos perdendo as melhores cenas.
- x -
- Ele é mesmo um velho teimoso - Jeffrey reclamou, depois que o senhor Thompson deixou a sua sala, logo pela manhã.
- Olha, no quesito teimosia, vocês dois são páreo duro - Jared riu. - Mas não se preocupe, amanhã ele já terá mudado de ideia. Thompson é um homem sensato, ele sempre para pra pensar, nunca toma as decisões de cabeça quente.
- Sim, ele é. Bom, ele ouve você, pelo menos. Acho que meio que te adotou como filho. Ou vai ver ele tem uma tara por você.
- Deus, Jeffrey. Não me faça imaginar uma coisa dessas - Jared deu risadas.
Morgan gargalhou. - Eu vou precisar da sua ajuda, depois do trabalho.
- Minha ajuda? - Jared estranhou.
- Eu vendi a mansão.
- Você… o quê?
- Sim, e estou procurando uma nova casa, mas… Eu sou péssimo com essas coisas, pensei que talvez você pudesse me ajudar.
- Jeffrey… Não sei se eu posso ajudar com isso, é a sua casa, ela tem que ser do seu gosto, e não do meu.
- Eu sei, mas eu confio no seu gosto. Vamos lá, não custa nada e você pode dispor de algumas horas, não pode? Por favor? - Insistiu, esperançoso.
- Eu tenho que pegar o Thomas na escola depois do trabalho, Jeff. Não posso abusar da boa vontade do Jensen, mais uma vez.
- Leve-o conosco. Vai ser divertido - Jeffrey piscou.
Na maior parte do tempo, Thomas era uma criança muito doce, mas ele tinha certa dificuldade em se relacionar com pessoas estranhas. Por um lado isso era bom, mas tinha sido um problema quando a sua professora da escola tivera que ser substituída.
No entanto, lá estava ele, rindo das palhaçadas de Morgan e conversando com ele, como se fossem velhos conhecidos.
E Jeffrey, que nunca tivera paciência alguma, nem mesmo com seus sobrinhos, agora corria atrás dele pelos cômodos da casa, como se fossem duas crianças.
Por fim, Jared não sabia se sentia raiva de Jeffrey, por ter conseguido conquistar seu filho com tanta facilidade, de Thomas, por ter confiado nele tão rapidamente, ou de si mesmo, por estar achando a interação dos dois a coisa mais adorável do mundo.
- Quem é você? - Perguntou, brincando, quando Morgan se aproximou, ofegante pela corrida.
- Vou confessar, seu filho me deu uma canseira - Jeffrey inclinou as costas para a frente, apoiando as mãos nas próprias coxas e respirando fundo. - Acho que eu preciso me exercitar mais.
Jared não conseguiu deixar de dar uma boa olhada em seu traseiro e ter pensamentos impuros com Jeffrey naquela posição, mas desistiu da ideia ao ver seu filho se aproximar.
- Tio Jeff, vem! - Thomas correu até o empresário, do lado de fora da casa, e segurou a sua mão.
Jared riu com o pensamento de que provavelmente Jensen ficaria com ciúmes daquele tratamento, já que até agora, ele era o único "tio" de Thomas.
- Acho que ele realmente gostou da casa - Jeffrey sorriu, vendo a empolgação do menino. - E você também, não?
- Tenho que admitir, esta realmente se parece com um lar, ao contrário das outras duas. E tem um quintal enorme, você pode ter alguns cachorros, assim não vai ser tão solitário, quanto era na sua mansão.
- Solitário? - Morgan ergueu as sobrancelhas. - Só depois que você foi embora.
- Não começa - rolou os olhos.
- Mas é verdade - sorriu. - Eu vou ficar com a casa. Vai precisar de algumas reformas, mas não muita coisa. Depois é só trocar a decoração, e… quem sabe um dia vocês dois possam se mudar pra cá.
- Você se acha engraçado - Jared riu.
- Um homem pode sonhar, não é mesmo?
- x -
Três meses haviam se passado desde a aquisição da empresa e Morgan ficou observando enquanto os diretores e gerentes deixavam a sala de reuniões. Boa parte das metas da empresa estavam sendo cumpridas e os resultados, embora ainda não fossem lucrativos, eram promissores. Mas nada daquilo teria qualquer significado para ele, se não fosse o sorriso que via no rosto de Jared.
Para Jeffrey, que sequer sabia exatamente o que estava fazendo naquela empresa, tinha sido um bom recomeço. Muitos tinham se empenhado naquela batalha, mas nada daquilo teria acontecido sem Jared e sua persistência e entusiasmo.
Um lado de Jeffrey o dizia para manter-se longe, pois era o que haviam combinado. Um relacionamento puramente profissional. Ainda que a palavra "profissional", nunca tivesse realmente funcionado entre ambos.
Mas o seu outro lado, o mais teimoso, não conseguia tirar os olhos dele. O jeito que ele sorria e passava a mão pelos cabelos, enquanto conversava com Alona, a secretária... O jeito empolgado com que ele falava, sempre gesticulando; o terno perfeitamente alinhado em seu corpo forte e esguio, era demais para qualquer ser humano resistir. E, na verdade, Jeffrey não queria resistir. Não mais. Eram como fogo e combustível quando estavam juntos, e sentia falta daquilo. Sentia falta de Jared preenchendo todos os espaços vazios em sua vida.
- Os resultados não foram tão ruins pra um primeiro trimestre, temos que concordar - Jared se aproximou assim que Alona deixou a sala, percebendo que Jeffrey o olhava, muito sério.
- Bom, pelo menos não ficamos no vermelho. Confesso que foi melhor do que o esperado, mas não diga isso a eles - Jeffrey piscou e sorriu. - Na verdade eu sempre confiei nos seus instintos. Você nunca me decepciona.
- Eu não fiz nada sozinho - Parou, pensativo. - Espero que isso não seja uma cantada barata, só pra tentar me levar pra cama.
- Quem precisa de cama, quando nós temos esta sala de reuniões todinha só pra nós? - Brincou, passando a mão pela mesa, no centro da sala.
- Eu pensei que você tivesse dito que a nossa relação seria puramente profissional.
- E eu cumpri com minha palavra, não cumpri?
Jared sorriu. Não podia negar que embora algumas vezes se sentisse despido diante dos olhares do mais velho, ele tinha se mantido na linha.
- Mas isso não quer dizer que eu concorde. Nós somos dois homens adultos e livres… Por que não? Você pode negar o quanto quiser, Jared, mas eu posso ver em seus olhos, que você quer isso tanto quanto eu.
- Jeff…
- Eu sei que fiz tudo errado, sei o quanto as coisas podiam ter sido diferentes se eu tivesse percebido antes o quanto… Bom, o tempo não volta atrás e talvez nem tudo possa ser esquecido, mas eu realmente me arrependo de algumas coisas. E eu sei que de arrependimentos você entende bem, não é mesmo? - Se aproximou. - Quem sabe você possa me dar uma chance de fazer as coisas certas, desta vez?
- Espera… você está usando o meu passado contra mim? - Jared tentou brincar. Aquilo tudo estava se tornando profundo demais. De repente não sabia se o melhor era sair da sala ou ceder àquela vontade louca de se jogar nos braços de Morgan de uma vez. Seria muita loucura, não seria?
- Não. Nunca. Eu só acho que se existe alguém que pode me compreender, esse alguém é você. Você é quase tão bom em fugir dos próprios sentimentos, quanto eu.
- De que tipo de sentimentos nós estamos falando? - Jared provocou.
- Precisa mesmo que eu diga?
- Não. É melhor não. Isso seria esquisito.
- É. Seria - Jeffrey sorriu.
- Jeff… você está ciente de que eu tenho um filho de três anos vivendo comigo, e que ele sempre será prioridade na minha vida, não é? Além de ele consumir em torno de 90% do meu tempo livre - Era bom que algumas coisas ficassem bastante claras, já que Jeffrey nunca fora lá muito fã de crianças.
- Eu vou ficar bem com os outros 10% - brincou. - Jared, eu sei muito bem onde estou me metendo, fique tranquilo. E nunca vou exigir mais do que você possa me dar, e também estou de acordo em levar o pacote completo. E se isso inclui um pirralho de três anos, é algo com o que eu posso aprender a lidar.
Jared gargalhou.
- O que foi? As crianças gostam de mim. Não sei como, nem por que, mas elas gostam - Deu de ombros, um tanto sem graça.
- Deve ser a sua simpatia - Jared zoou. - Vem cá… você acha que essa mesa já foi inaugurada? - Mordeu o lábio inferior, pensativo.
- É um móvel antigo. Na juventude do Thompson, provavelmente ainda se fazia teste do sofá com as secretárias, então talvez… Ainda assim, acho que devíamos garantir que ele foi devidamente inaugurado - Passou a língua pelos lábios e sorriu ao sentir Jared se aproximar.
Seus lábios tomaram os do outro em um beijo quente, possessivo… Tinha sido assim desde a primeira vez. Jeffrey tinha o poder de fazê-lo esquecer quem era, de lhe tirar o chão.
Morgan enfiou seus dedos pelos cabelos macios do outro, segurando-os com firmeza enquanto aprofundava o beijo. Suas línguas brigavam por espaço e exploravam a boca um do outro, embora já conhecessem tão bem o caminho.
As roupas de ambos foram sendo arrancadas, com pressa, e de repente Jared se viu nu e parcialmente deitado sobre a enorme mesa de reuniões, com as mãos de Jeffrey tocando cada pedacinho do seu corpo.
A boca do empresário explorava o seu pescoço, deixando marcas, a barba lhe causando arrepios por todo o corpo. Jeffrey sabia exatamente como lhe deixar completamente louco, e a sensação era sempre incrível.
Morgan beijou a parte interna das coxas e a virilha do mais novo, se deliciando com cada gemido que escapava da garganta do outro. Chupou suas bolas, primeiro uma, depois a outra, sem pressa, e passou a língua pela extensão do seu membro, completamente duro e pesado, inclinado sobre a sua barriga.
Jared gemeu alto e agarrou os cabelos curtos do outro, enquanto o seu membro era sugado. Fechou os olhos e permitiu-se sentir, sem pensar em mais nada.
Jeffrey o conhecia muito bem e de nada adiantava fugir do que sentia. Talvez fosse a hora de simplesmente parar de lutar...
- x -
- Almoça comigo hoje? - Jeffrey pediu, enquanto aguardava Jared terminar de se vestir e ajeitar a própria gravata, um tanto atrapalhado.
- Eu preciso passar em casa no horário do almoço. Não posso ficar cheirando a sexo o dia todo, tenho outra reunião no início da tarde - Jared justificou.
- Eu gosto de você cheirando a sexo - Jeffrey sorriu e o puxou para os seus braços, beijando e cheirando seu pescoço.
Jared riu e se afastou, pegando o seu laptop e disposto a voltar para a sua sala. - É, eu sei que você gosta.
- Só falta meia hora pro seu horário de almoço, você já pode ir. E o que você me diz de ir lá em casa hoje à noite? Eu preparo o jantar.
- Jeff… Hoje é quarta-feira, o Thomas tem lição da escola pra fazer, e ele também costuma ir dormir cedo. Eu não gosto de mexer na rotina dele durante a semana.
- Entendi - Morgan baixou a cabeça e fez bico, se sentindo rejeitado.
- Mas se você quiser aparecer por lá, eu não vou ter tempo para cozinhar, mas nós podemos pedir uma pizza, ou algo assim - sugeriu.
- Oh - Jeffrey sorriu, animado. - Pizza está ótimo pra mim.
Ao passar pela recepção da empresa, na saída, Jared percebeu que um dos seguranças cutucou o outro e ambos riram de alguma piadinha interna. Logo desconfiou e foi até o balcão onde eles estavam, onde pode ver nos monitores as imagens de todas as câmeras da empresa, inclusive da sala de reuniões onde ele e Jeffrey transaram.
- Dessa vez o show foi de graça, mas da próxima, vou cobrar cachê - Sorriu e deu uma piscadinha, brincando, mas no fundo, não sabia onde se enfiar de vergonha.
- x -
Conforme os dias foram se passando, Jeffrey estava cada vez mais envolvido na rotina de Jared e Thomas.
No início, Jared não queria que o mais velho dormisse por lá, pois ainda tinha seus receios, mas depois de algumas semanas, Jeffrey já dormia mais na casa do moreno do que na sua própria, sem se importar no quão humilde era o lugar. Se Jared morava lá, era lá onde queria estar.
- Eu trouxe um presente pro Thomas - Falou ao chegar na casa de Jared, num sábado à tarde.
- Jeff, o que eu te falei sobre dar presentes fora de hora?
- Eu sei, e juro que não estou tentando conquistá-lo com presentes. Você bem sabe que eu não preciso disso - Sorriu, convencido, e abriu a porta do carro, de onde saiu um filhote de cachorro.
- Um cachorrinho, pai! Um cachorrinho! - Thomas gritou, assim que o viu. - Eu posso pegá-lo?
- Claro que pode, ele é seu - Jeffrey bagunçou os cabelos do garoto.
- Obaaa! - Thomas não cabia em si de tanta felicidade. Agradeceu, dando um abraço em Jeffrey e saiu carregando o cãozinho para dentro de casa.
- Jeff - Jared bufou, cruzando os braços sobre o peito. - Você sabe que eu não posso manter um cachorro aqui, e só por isso eu nunca adotei um. Ele vai ficar sozinho durante todo o dia, isso não se faz.
- Certo. Ele pode ficar lá em casa, então. Eu tenho empregados que podem tomar conta e levá-lo pra passear.
- E você acha mesmo que o Tom vai querer largá-lo agora?
- Bom... quem sabe assim você tenha um motivo para se mudar lá pra casa, já que eu não sou motivo o suficiente - Falou com ar dramático.
- Jeff…
- Você está bancando o teimoso, e sabe disso. Não é como se nós tivéssemos nos conhecido ontem, Jared. E eu e o Thomas nos entendemos super bem, eu já o amo só pelo fato de ele ser seu filho. Do que você tem medo, afinal?
- Não é medo. Eu só não quero acostumá-lo com um nível de vida que eu não vou poder manter, se as coisas não derem certo.
- E por que não dariam certo?
- Eu não sei - Suspirou, sem conseguir olhar nos olhos do outro. - Acho que tanta coisa ruim já me aconteceu, que eu tenho sempre essa sensação de que algo vai dar errado, ou que eu vou estragar tudo a qualquer momento.
- Oh, isso de novo? - Jeffrey rolou os olhos. - Jared… tudo o que eu mais quero é viver com você e me tornar parte dessa família. Eu você e o Thomas. E de uma certeza eu tenho: Vocês são importantes demais pra mim, e eu não vou fazer nada para estragar o que temos. Não desta vez. Você deveria confiar mais em si mesmo, Jared. Você conquistou a sua independência, e nada, nem ninguém, vai tirar isso de você. Mesmo que as coisas não deem certo entre nós, o cargo que você conquistou na empresa, continuará sendo seu, nada vai mudar e você vai poder dar uma vida confortável pro seu filho, sempre.
- É, você tem razão. Acho que eu sou meio paranoico, às vezes - Riu de si mesmo, sem graça.
- Sim, você é - Jeffrey o puxou para perto e o abraçou. - Mas não é um problema. Foi assim que eu me apaixonei por você, afinal. Problemático, cheio de manias, teimoso... mas no fundo, um lutador, que não desiste nunca e sabe exatamente o que quer.
- x -
- Era o Jared? - Joshua perguntou, ao ver Jensen desligar o celular.
- Sim.
- Por que essa cara? Aconteceu alguma coisa?
- Não. Quero dizer, aconteceu, mas é algo bom, eu acho. Ele aceitou se mudar pra casa do Jeffrey.
- É mesmo? Pelo jeito que ele estava resistente, pensei que fosse levar mais tempo. Mas eu fico muito feliz por eles - Joshua comentou, animado.
- Parece que eles estão mesmo se tornando uma família, não? - Jensen comentou, pensativo.
- Pensei que você fosse ficar feliz com isso, mas parece… chateado? - Joshua o abraçou pela cintura.
- Não, muito pelo contrário - Jensen sorriu. - Com certeza isso me deixa feliz, é só que… Eu já te contei sobre ter morado em Londres, não contei?
- Parcialmente...
- Quando eu voltei de lá, fiquei sabendo que Jared estava na prisão, que ele teve um filho que estava em um lar provisório, e eu… Eu me senti a pior pessoa do mundo, Josh. E por muito tempo eu me senti culpado, só conseguia pensar que se eu não o tivesse deixado, nada daquilo teria acontecido, e… - Jensen falou com os olhos marejados e a voz embargada.
- Provavelmente nada teria mudado, Jensen. Eu não acho que você tenha qualquer culpa, pois as escolhas foram dele, mas eu entendo. Acho que no seu lugar, qualquer um se sentiria desta maneira.
- Depois disso tudo, eu sabia que só teria paz quando eu o visse feliz novamente, e agora…
- Agora você pode parar de se preocupar, e se permitir ser feliz também - Josh beijou sua testa, com carinho.
- Sim, finalmente eu posso. Jared passou por muita coisa, sabe? E muitas vezes eu o vi tão derrotado, que… Então ele simplesmente erguia a cabeça e passava por cima do seu orgulho… Muitas vezes. Confesso que não sei se eu teria toda essa força que ele teve, Josh. Mas Jared nunca desistiu, ele conseguiu se levantar. Se tem alguém que merece ser feliz, esse alguém é ele.
- Você é um amigo maravilhoso, Jensen. Você conseguiu consertar as coisas entre vocês e o ajudou a se reerguer. A amizade de vocês é bastante incomum, sabia? Dá pra sentir o quanto vocês se amam e cuidam um do outro.
- Isso te incomoda?
- Você quer saber se eu tenho ciúmes? - Joshua sorriu. - Um pouco, eu confesso. Mas é ciúmes dessa cumplicidade que há entre vocês, ciúmes do quanto ele conhece você, e eu ainda tenho muito o que conhecer. Mas não, não me incomoda, porque é algo que faz bem a você. E tudo o que é bom pra você, é bom pra mim, também.
- Você é incrível, sabia? Às vezes eu nem posso acreditar que te conheci, e que nós estamos mesmo namorando - sorriu, sem graça. - Tudo aconteceu tão rápido, e eu… Eu estou realmente feliz, Josh. Como há muito tempo eu não me sentia.
- É bom ouvir isso, porque eu também me sinto assim, Jensen. Depois de todo o desastre que foi a minha vida amorosa, eu sempre mantive um pé atrás em qualquer relacionamento. Mas eu sinto que não preciso de reservas, quando estou com você. E eu sei que ainda é um pouco cedo, mas posso afirmar com toda a certeza do mundo, que eu te amo, e quero construir uma vida com você.
Continua…
N/A: Gente, eu estou há mais de dois anos escrevendo esta fanfic, e vocês não imaginam a minha aflição escrevendo o penúltimo capítulo. Sim, penúltimo! Não quero que acabe! Não! rs
Surtos e momento drama queen à parte, vocês sabem que eu estou sem beta nesta fanfic, então se encontrarem algo absurdamente fora da casinha, por favor me avisem, tá?
Beijos a quem está acompanhando, e até o próximo. E último. Snif... :(
Review sem login:
Anaas: Acho que finalmente se acertaram, né? rs. E sim, Jeffrey está mudando, acho que ele finalmente percebeu que existem coisas muito mais importantes do que o dinheiro. Obrigada por comentar!
