Gente nada aqui me pertence, personagens é a da S. Meyer e o livro da S. Mason ;D


CAPÍTULO 26

Edward cai no chão como um saco de batatas, e ouve-se no ar uma exclamação abafada. Em seguida faz-se um silêncio estranho no salão inteiro. Todos ficam sem ação, pasmos. É como se tivessem virado estátuas, como a brincadeira que fazíamos em criança.

Emmett e Alice são os primeiros a agir. Não ouço o que Emmett diz para Jasper, mas ao que tudo indica, pela sua linguagem corporal, ele diz: "Você é completamente maluco, mas vou falar com calma, porque talvez você esteja armado." Ele olha muito aliviado quando Alice, depois de ver se Edward está bem, dá meia-volta e vai enfrentar Jasper.

— O que você está fazendo aqui? — ela pergunta com voz estridente, dando a impressão de uma galinha garnisé, o que vai particularmente bem com a acústica do salão.

Por um instante acho que Alice vai perguntar se estamos ouvindo bem lá no fundo; se perguntasse, eu mostraria que sim com o polegar para cima. Estremeço por dentro e espero que ninguém se lembre que fui eu que a trouxe para a festa.

A essa altura Edward consegue se levantar e um pequeno grupo mórbido o incita a revidar a agressão, eu entre eles, para ver sangue correr. É mais um interesse pessoal que uma mera curiosidade. Tanya entra em cena, atravessando a multidão e atirando-se sobre Edward.

— Meu querido, você está bem? Quantos dedos está vendo aqui?

— Tanya, não seja ridícula. Eu estou bem — diz ele. Contenho um sorriso.

Jasper deve ter acertado no nariz dele. Deduzo isso pela quantidade de sangue que está escorrendo. Tanya tira um lenço não sei de onde e passa para ele. Eu por pouco tenho de me amarrar em uma cadeira para não bancar o anjo protetor e me enfiar no meio do casal.

Embora Jasper tenha tido a audácia de se comportar assim, agora está muito confuso. Todos os olhos voltam-se para ele. Jasper passou a ser o centro da atenção e parece não saber o que fazer. Alice está à frente com os punhos cerrados e o corpo erguido; ninguém diria que ela tem apenas um metro e cinqüenta e oito de altura. Suspeito que ela está se divertindo com tudo aquilo. O vestido vermelho foi uma escolha absolutamente certa para a ocasião.

— Você andou bebendo? O que acha que está fazendo? — ela repete.

— Eu... Eu... — Ele fica sem saber o que dizer, até que lhe vem à inspiração. — E você, o que está fazendo aqui? — ele pergunta triunfante.

Dessa vez é Alice que não sabe o que dizer. Uma voz sarcástica interrompe os dois.

— Pelo que vejo vocês se conhecem.

Alice vira-se para a voz.

— Nós nos conhecemos, sim. Sinto muito, Edward. Eu não sei por quê...

— Pensei que o nome dele fosse Jack — diz Jasper.

Estremeço quando essa agressão verbal ricocheteia em Edward e me atinge diretamente. Por favor, não diga que isso tem alguma coisa a ver com o diário. Os olhos de Edward me procuram.

— O nome dele é Jack no diário. — Alice lança um olhar de solidariedade na minha direção. Olho para a minha mãe, que dá a impressão de estar se divertindo muito com a cena.

— Vamos todos conversar sobre isso? — diz Edward com voz calma. A multidão vai se aproximando, tentando ouvir o que ele diz.

Gentilmente ele leva Alice, Jasper, Emmett e Tanya para a porta, como se fosse um pastor tangendo seu rebanho. Depois olha para trás, faz um sinal para mim com a cabeça e eu sigo os demais, obediente como se fosse uma ovelhinha.

Quando saímos do salão, comigo no fim da fila, os convidados retomam a conversa em tom ainda mais alto. Nosso pequeno grupo sombrio atravessa o corredor e entra em uma sala do lado oposto à que estávamos. É uma linda sala também. Uma imensa lareira de pedra — com papel, madeira e carvão dentro, porém apagada — ocupa quase toda a parede. As outras paredes são cobertas de livros, e uma enorme mesa de mogno fica abaixo de uma bay window (janela saliente octogonal). Eu me atiro em um dos confortáveis sofás de chintz em frente à lareira.

— Tanya, é melhor você voltar para a festa. Eu estou bem — diz Edward.

Ela vira a cabeça de lado com ar preocupado, e eu tenho vontade de lhe dar um chute na... É incrível como os sentimentos com reação a uma pessoa mudam depressa quando sabemos que essa pessoa está prestes a se casar com o amor da nossa vida.

— E você também, Emmett. Não é assunto de polícia. — Ergo as sobrancelhas ao ouvir isso. Será que eles ficam enlouquecidos e dão socos a torto e a direito em outras ocasiões? Emmett e Tanya saem — sala em silêncio.

Jasper ergue o corpo e olha para ele. Edward, ao contrário, o ignora e se afunda no sofá em frente ao meu. Jasper vira-se para Alice.

— Há quanto tempo isso está acontecendo? Eu não sou nenhum bobo. Aquelas flores, os telefonemas. Bella o apresentou a você. Não é? NÃO

FOI ELA?

Eu não sei de que ele está falando, mas levo a coisa em termos pessoais.

— Jasper, eu não sei de que você está falando — diz Alice aos gritos. — A primeira vez que vi este homem foi quando ele foi ver Bella no hospital, umas noites atrás.

— Qual das vezes em que eu estive no hospital? — pergunto Edward do meu sofá.

— Quando você enfiou o dedo do pé na garrafa — ele diz do outro sofá.

— Ah! — A conversa toda está acima de nós, em sentido metafórico e físico.

— Com quem você está tendo um caso? — pergunta Jasper.

— Com ninguém. Não é verdade, Bella?

— A não ser que seja comigo. Ela praticamente se mudou para a minha casa — respondo.

— Pensei que você estivesse com ele. — Jasper aponta para Edward

de forma dramática e acusadora, mas felizmente Edward não nota porque está preocupado com o sangue do seu nariz.

— Não — explica Alice com paciência. — Eu fui para a casa de Bella. Como você sabe que eu não tenho estado em casa?

E a vez de Jasper sentir-se envergonhado e olhar para o chão, examinando a bela estamparia do tapete.

— Eu telefonei e fui lá algumas vezes.

— Andou me espionando?

Ele vira a cabeça.

— Talvez você precise ser espionada.

— Que surpresa você conseguir tirar umas horas do seu precioso trabalho — diz Alice com raiva.

— Eu estou tentando ser promovido, e será que pode imaginar por quê? —

Jasper está praticamente gritando agora.

Da relativa segurança do sofá, Edward pergunta com um tom aborrecido:

— Bella e eu ainda precisamos ficar aqui?

Alice olha para baixo.

— Não, eu acho que a situação tem de ser esclarecida entre nós dois. Sinto muito pelo seu nariz.

Jasper acrescenta:

— Eu também. Pensei que...

Edward dispensa a explicação e diz:

— Tudo bem — mas numa voz que indica que não está nada bem. Nós nos levantamos dos respectivos sofás e saímos para o corredor.

— Você não quer colocar um pouco de gelo no nariz? — pergunto quando vejo que o sangue ainda está escorrendo. — Talvez ajude a estancar o sangramento. — Edward faz que sim, me leva pelo corredor até uma escadaria e abre uma porta ao lado.

Entramos em uma cozinha espaçosa e arejada, onde cinco pessoas estão trabalhando, com folhas de salada e fatias de salmão defumado até as orelhas. A cozinha é imensa, meu apartamento inteiro deve caber dentro dela.

Edward senta-se em uma mesa de carvalho grande no meio da cozinha, rodeada de cadeiras. Peço uns cubos de gelo para um dos empregados. Vocês podem me chamar de mulher frustrada (aliás, talvez eu mesma me chame assim mais tarde), mas tenho muito prazer em fazer essa pequena gentileza para Edward. O que se passa com as mulheres? Será que não podiam superar esse instinto maternal ao nascerem? Pego o gelo, enrolo uma toalha de mão em volta dele e coloco a toalha no nariz de Edward.

— Obrigado — ele diz secamente. Ficamos sentados em silêncio por um instante, até que ele pergunta: — Ela estava tendo um caso?

— Não! — respondo com determinação.

— Então, por que andou recebendo flores e telefonemas. — Droga, eu devia saber que os ouvidos daquele detetive alerta ouviriam isso.

— Ela recebeu flores e telefonemas? — pergunto inocentemente.

— Foi o que ele disse. Isso não tem nada a ver com você, não é Bella?

— Não diretamente.

— Eu sabia — ele diz com um suspiro. — Por que você tem que arranjar encrenca por onde passa?

— Não sei — respondo baixinho.

Faz-se uma pausa.

— Se você levar mais um soco na cara nós ficaremos quites — digo brincando, louca para mudar de assunto e não ter de explicar qual foi exatamente o meu papel no plano de Alice.

— Seus incidentes foram completos e absolutos, e de alguma forma você está envolvida nisso.

— Você acha que vai deixar marca no nariz?

— Pelo menos nós dois nos machucamos.

— Mas você e Tanya não vão se machucar na semana que vem. A cor do seu nariz vai destoar terrivelmente do vestido dela.

— Não se preocupe. Não vai deixar marca. — A conversa parece significativa e divertida de certa forma.

Tanya aparece.

— Querido, procurei você por toda parte! Como vai o nariz? — Ela parece um pouco aborrecida de nos ver juntos eu dou uma desculpa e saio.

Meus pais e eu nos despedimos dos anfitriões. Como os mosqueteiros, nosso número é reduzido para três quando entramos no carro voltamos para o meu apartamento. Jasper e Alice continuavam trancados no escritório quando eu saí da festa, e suponho que ele vai lhe dar uma carona para casa.

Minha mãe me interroga impiedosamente sobre os acontecimentos da noite e conto tudo de boa vontade, agradecida por ter alguma outra coisa em que pensar. O resto do fim de semana se arrasta como se o tempo estivesse fazendo uma brincadeira de mau gosto. Passo por agonias contrastantes; ora fico louca para chegar logo o próximo fim de semana, ora sinto pavor só de pensar que não vou mais ver Edward.

Minha mãe é fantástica. Não me deixa limpar o apartamento, e insiste para que a gente vá fazer um passeio revigorante à beira-mar e tome chá no hotel local no domingo. Mas em todo lugar que eu vou me lembro de Edward. É como se eu tivesse um disco girando na minha cabeça sem poder ser desligado, e até mesmo eu esteja me cansando da música.

Quando voltamos para casa telefono para Alice pela milésima vez desde a noite da festa. E pela milésima vez desde a noite da festa o telefone não é atendido. Quando estou começando a pensar que a segunda-feira não chegará nunca mais, ela felizmente chega. Eu me visto com muito cuidado e Tristão e eu saímos ansiosos. Levamos pouco tempo para chegar, e logo depois eu me vejo subindo as escadas da delegacia.

— Bom-dia, Dave — digo ao meu novo amigo (o ex-sargento-Dave-

ranzinza-da-recepção).

— Teve um bom fim de semana, Bella?

— Muito bom — respondo animada.

— É a sua última semana conosco, não é? — Faço que sim e sorrio. —

Aposto que você não vai saber o que fazer depois! — Dou um sorriso forçado e penso comigo mesma que ele não sabe que está dizendo a pura verdade.

Quando chego ao escritório, o turno da noite está acabando de colocar uma grande faixa na sala com os dizeres:

"A ÚLTIMA SEMANA DE LIBERDADE DE EDWARD CULLEN! CASAMENTO NÃO É SÓ UMA PALAVRA, É UMA CONDENAÇÃO!"

Estão todos trepados nas mesas, e eu rio para eles.

— Boa idéia! — exclamo.

— Levamos a noite toda fazendo isso! — diz um deles.

— Foi uma noite tranqüila?

— Muito tranqüila.

Vou para a minha mesa e tento ignorar a faixa gigantesca pendurada acima de mim. Ligo o laptop e abro meus e-mails. Há um de Jake pedindo para eu passar no jornal no fim da tarde para falarmos sobre a "minha próxima tarefa".

Suspiro e fico imaginando se o cachorro do prefeito morreu e ele quer que eu faça a cobertura da ocorrência. O resto da equipe do dia vai chegando aos poucos, e o escritório fica tomado de barulho e cheiro de café. Os telefones tocam e as pessoas começam a berrar. Um viva é ouvido do outro lado do escritório e eu levanto a cabeça.

Edward entrou e esta olhando para a faixa. Tento melhorar minha aparência forçando um sorriso e vejo que ele está caminhando na minha direção.

— Bom-dia.

— Bom-dia, como está o nariz?

— Doído. Como está sua cabeça?

— Está bem.

— E o dedo do pé?

— Está bem.

— Eu me lembrei de tudo?

Faço uma pausa e respondo:

— Acho que sim. — Continuo a trabalhar no laptop, enquanto ele busca um café na máquina para nós e vai mexer na sua bandeja de papéis.

— Alguma coisa? — pergunto depois de algum tempo.

— Um estupro, infelizmente. Tenho de pedir uma policial para nos acompanhar e me ajudar a interrogar a moça. — Ele dá uns fonemas e finalmente se levanta. — Hora de ir, Swan.

Serpenteamos pelo estacionamento, o que devemos ter feito pelo menos cinqüenta vezes nas últimas cinco semanas. Resolvo não chamar Vince para ir conosco desta vez, pois acho que o caso pode ser muito delicado. A última coisa que essa pobre moça vai querer é que Vince tire suas fotos e diga:

"Pode chorar mais um pouco, belezinha?" Teremos de usar umas fotos do arquivo. Entramos no Vauxhall cinza familiar e passamos pela frente do prédio onde a policiai aguarda nos degraus de baixo.

Edward e eu não nos falamos durante o percurso de vinte minutos; converso o tempo todo com a jovem oficial de polícia sobre casos de estupro e ela me conta fatos fascinantes, que poderão ser usados na edição do diário de hoje. A manhã passa depressa.

Fico tão horrorizada com o caso de estupro que Edward me pergunta várias vezes se estou bem. Nós três vamos para a delegacia, e fico escrevendo minhas anotações. Por volta das quatro da tarde já terminei tudo que tinha de fazer; como Edward ainda está falando ao telefone e tem de terminar seu trabalho burocrático, resolvo bancar a advogada do diabo e vou fazer uma visita para Rose.

Enfio a cabeça pela porta e ela me olha da sua mesa.

— Oi! Que tal tomarmos uma xícara de chá? — Vamos até a cantina conversando sobre várias coisas, e quando nos sentamos para tomar o chá lhe faço uma pergunta de chofre:

— Rose lembra que você um dia disse que eu não conhecia sua história toda? — Ela olha para mim hesitante, mas continuo. — Você acha que pode me contar agora?

Rose me olha um pouco mais, depois faz que sim.

— Acho que posso confiar em você a essa altura — diz ela com um suspiro. — É difícil saber por onde começar. Você lembra que no seu primeiro dia de trabalho eu disse que também era nova aqui? —

Faço que sim. Eu me lembrava muito bem.

— Bom...

Ó meu Deus. Pobre Rose. Pobre, pobre Rose. Quando eu a conheci não entendi por que uma pessoa glamourosa como ela estava trabalhando no departamento de RP de uma delegacia. Agora estava tudo explicado.

Basicamente, ela tinha caído de uma grande altura. Possivelmente da mesma altura que a Torre Eiffel. Rose veio de Londres para ficar com o namorado, Mark. Ao que parece, Mark tinha implorado para ela passar uns meses com ele em Bristol.

Vocês sabem como é. Ele telefonava diariamente para falar dos planos que tinha para os dois, das coisas ótimas que podiam fazer nos fins de semana em vez de ficarem gastando o tempo entre Londres e Bristol, todo esse blablablá.

Um dia ela viu um programa sobre pessoas idosas, que mostrava o que elas gostariam de ter feito durante a vida. Ficou tão impressionada e comovida com o programa que, no dia seguinte, pediu demissão do seu emprego fantástico.

Aparentemente eles ficaram furiosos, pois estavam no meio de uma campanha ou coisa assim, mas Rose disse que se não fosse embora naquela hora não iria mais. Só que quando chegou a Bristol, um dia antes para fazer uma surpresa para Mark, encontrou-o na cama com outra mulher.

Podem imaginar isso? Ela apanhou o cara literalmente no ato. Eu com meu senso prático, pensei imediatamente no que aconteceu depois. Será que ele se vestiu primeiro e depois começou a gritaria? E o que aconteceu com a outra mulher? Será que Rose falou com ela ou a ignorou? De qualquer forma, ela telefonou imediatamente (não tão imediatamente, é claro; primeiro fez uma gritaria danada) para seu chefe dizendo que queria retomar o emprego, mas ele estava tão furioso com sua demissão repentina que se recusou a recebê-la de volta.

— Por que você não voltou para Londres e arranjou outro emprego? — perguntei.

— Porque provaria para mim mesma que tinha errado. Errado com Mark, errado de fazer aquela mudança louca para Bristol. Alem do mais, eu já havia sublocado meu apartamento lá. Não tinha pra onde ir.

— E suas amigas? Você não podia ter ficado com uma delas. Rose olhou encabulada para baixo. — Na verdade, eu não contei nada para ninguém. — Ela deve ter olhado para cima e visto minha expressão horrorizada, eu não consigo nem comprar uma rosca na padaria sem contar para minhas amigas, porque acrescentou depressa: — Não consegui contar. Tinha pedido demissão de um emprego glamouroso e muito bem pago para viver com o suposto amor da minha vida, e acabei descobrindo que ele me traía sabe Deus há quanto tempo. E eu nem ao menos consegui meu emprego de volta! Me achei uma idiota. Então não podia voltar para Londres e dizer simplesmente: "Oi, pessoal! Sabem aquela minha vontade repentina de mudar minha vida? Bem, eu estava errada. E sabe aquele rapaz maravilhoso com quem eu saía? Ele estava transava com outras nas minhas costas." Minhas amigas sempre me a admiraram muito e achavam que estava tudo indo às mil maravilhas não queria desapontá-las. — Rose deu de ombros. — Então fiquei aqui e tentei refazer a minha vida. Procurei o emprego mais desafiador possível. Eu sabia que se virasse este lugar ao avesso, minha saída de Londres pareceria apenas uma mudança de carreira.

Rose olhou de novo para baixo.

— Então cometi o erro de me envolver com um colega de trabalho.

— Isso começou depois do Mark?

Ela fez que sim.

— Eu estava realmente num período ruim. Um dia saímos com o pessoal do departamento para tomar uns drinques depois do trabalho, e nos demos tão bem que as coisas se estenderam... Até a cama. — Senti minhas entranhas revirarem. — Foi muito bom não estar mais sozinha, mas esse sujeito também me deu o fora.

— Então é por isso que você quer voltar para Londres?

— É — disse ela, dando de ombros de novo. — Eu me cansei daqui. Quero voltar para casa.

— Você vai ao casamento no fim de semana?

— Edward insistiu. — Faço um carinho na mão dela e nós duas ficamos olhando para as xícaras, perdidas nos nossos próprios pensamentos.

No fim do dia, Edward e eu nos despedimos, e vou para o jornal. Jake, dessa vez, me dá boas notícias!

— Meus parabéns! A julgar pelo número de telefonemas, e-mails e fax que recebemos nos últimos dias, parece que seu diário é um grande sucesso! As pessoas querem saber qual vai ser o assunto do seu próximo diário! Você tem alguma idéia?

— Idéia para quê?

— Para outro diário, é claro! Quero começar a pensar nele no fim da semana!

— Você não vai me mandar fazer matérias sobre funerais de animais de estimação? — pergunto surpresa.

— É claro que não. Outra coisa que tenho para contar... — ele faz uma pausa dramática — ...É que eu recebi um telefonema do Express. Eles querem publicar esse diário em série na imprensa nacional.

— Você está brincando!

— Não! — Um largo sorriso cobre o seu rosto e ele sacode a cabeça de um lado para o outro. — Quando falei que você tinha outro diário em mente, eles pediram uma opção para o próximo também.

— Ó meu Deus!

— Por isso preciso de uma idéia sua depressa! Vou dar duas semanas para você fazer umas elaborações depois que este diário terminar. Pense em alguma coisa e passe por aqui amanhã, depois do trabalho, para discutirmos a idéia.

Sorrio para Tristão na hora de voltar para casa. Quem diria, hein? O Express também! Não posso esperar para contar tudo para meus pais e para Alice. Ponho Tristão em primeira e lá vamos nós.