And then,

o último capítulo de AIT.

É triste sim terminar uma fanfic quando têm tantos leitores bacanas como vocês acompanhando,

mas né, o negócio é seguir em frente.

Deixo os agradecimentos e os avisos pro final, ENTÃO NÃO DEIXEM DE LER, ok?

Agora, espero que curtam o finalzinho.

;*


26 – Epílogo

6 anos depois

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Hiro's POV

Se aquele era o dia do meu aniversário, então por que eu não podia fazer o que queria? Papai havia dito que estava tudo bem em desenhar com giz de cera nas paredes da cozinha — papai sempre dizia sim —, porém, mamãe passava o tempo todo me perseguindo com aquele olhar que prometia castigos. Mas os castigos nunca se cumpriam quando papai estava por perto.

Papai sempre resolvia tudo.

A música alta vinha da sala, onde meus pais e os pais de Nozomu e Hagumi conversavam e petiscavam os doces da festa, acomodados nos largos sofás brancos de mamãe. Oh, aqueles sofás brancos! Mamãe sempre gritava de um jeito estranho quando eu subia neles sem tirar os tênis ou quando comia qualquer coisa sentado ali. Então papai chegava e perguntava por que diabos tínhamos um sofá se não podíamos tocar nele e mamãe fazia uma careta engraçada.

Encolhido no espaço entre a geladeira e a porta que dava para o quintal, eu desenhava um belo avião na parede com giz de cera azul. Nozomu espremia-se ao meu lado, rabiscando nuvens vermelhas acima de meu avião e mastigando um punhado de salgadinhos que havia acabado de jogar dentro da boca. Nozomu era divertido. E diferente. Ele tinha os cabelos ruivos eriçados num moicano e suas calças jeans pareciam sempre surradas. Quando perguntei à mamãe porque Nozomu usava roupas velhas, ela apenas sorriu e disse que aquilo era coisa do pai dele. Os dois eram iguais.

Mesmo assim, Nozomu era meu melhor amigo.

Ambos paramos de rabiscar a parede e olhamos para trás ao ouvirmos o som de meus giz de cera rolando pelo chão da cozinha. Hagumi estava ajoelhada debaixo da mesa com meu estojo vazio nas mãos e os giz rolando em todas as direções. Ela nos encarou assustada, os olhos bem arregalados, e ficou ali quieta como uma estátua. Hagumi era sempre assim, como se fosse quebrar a qualquer momento. Nozomu costumava dizer que ela se parecia com alguém que estava sempre com dor de barriga.

Ela escondeu o rosto corado debaixo da franja de cabelos negros e encolheu-se como se acabasse de cometer um crime. Francamente, eram apenas giz de cera.

— Não faça barulho! — sussurrou Nozomu. — A mãe do Hiro vai ver a gente.

— Não... Não tem rosa. — murmurou Hagumi, olhando para os giz de cera.

— É claro que eu não tenho giz rosa! Eu prefiro azul.

— Venha logo ou não vai sobrar espaço na parede pra você. — disse Nozomu.

Ela ficou nos olhando com aqueles grandes olhos cheios de água.

— Mas eu quero rosa.

— Faça de amarelo. — suspirei. — Tome.

— Ei, Hiro. — chamou Nozomu, todo sorridente. — Olha só minhas nuvens.

— Uaw, você fez tantas!

Percebi que meu avião havia quase desaparecido debaixo daquele monte de nuvens e torci a boca numa careta. Nozomu era sempre tão espaçoso...

— Não existem nuvens vermelhas. — disse Hagumi, espiando por sobre nossos ombros.

— É claro que existem, idiota. — disse ele. — Você nunca viu o pôr-do-sol?

— Eu não sou idiota.

— Hum, é sim.

— Não a faça chorar, Nozomu. — pedi, rolando os olhos.

Mas era tarde demais. Porque, no fundo, Hagumi era só uma garotinha que ainda nem tinha cinco anos e que só pensava em coisas bobas e cor-de-rosa. Ela não era tão esperta como nós dois.

Nozomu no baka! — choramingou ela.

E saiu correndo para fora da cozinha.

— Olha o que você fez! — sacudi-o por um ombro. — Junte os lápis, rápido!

— Junte você também! — berrou ele, jogando os giz para dentro do estojo.

— Agora mamãe saberá o que fizemos!

— Vamos nos esconder no quintal!

Estávamos quase alcançando a porta que dava para o quintal quando a voz de mamãe nos agarrou como se tivesse mãos. Abracei o estojo contra o peito e nos viramos como que petrificados para a imagem séria de mamãe — apesar de ser a mulher mais bonita do mundo, ela ficava realmente assustadora quando estava brava.

Entendemos que então não havia mais jeito quando a mãe de Nozomu também entrou na cozinha, os lábios apertados numa careta e os saltos altos fazendo barulho no chão.

— Nozomu, o que é que você fez?! — gritou ela, pegando-o pela orelha.

— Ai, isso dói!

— Vamos pra casa agora! Você está de castigo.

— Eu vou contar pro papai que você puxou minha orelha de novo! — e cruzou os braços.

— Como se isso fosse adiantar, moçinho.

Eu estava pronto para receber minha parte do castigo por desenhar na cozinha de mamãe outra vez, quando meu herói chegou para me salvar como fazia todas as vezes em que eu me metia em encrenca. Papai espiou pela porta da cozinha com uma sobrancelha erguida naquela pergunta muda que só nós dois entendíamos e eu soube que estava à salvo. Mamãe imediatamente percebeu o que estava prestes a acontecer e resolveu jogar sua ira sobre papai também, mas como de costume, ele sempre sabia o que fazer.

Pensei que quando crescesse, eu queria ser como papai.

— Não, Sasuke! Você não vai livrá-lo do castigo outra vez.

— É o aniversário dele, querida. — papai sorriu e passou um braço pela cintura de mamãe. — Vamos conversar sobre isso mais tarde, que tal?

— Vocês dois sempre fazem isso comigo. — suspirou ela, revirando os olhos. — E a minha cozinha?

— Hiro e eu vamos limpar depois, não é, garotão?

Papai piscou para mim e eu tentei fazer o mesmo.

— Vamos sim!

— Ok, vocês venceram.

Fugi para a sala assim que mamãe deixou os ombros caírem e começou a sorrir daquele jeito esquisito e meio mole pro papai. Nozomu estava sentado ao lado de seu pai em um dos sofás brancos, e deu de ombros ao me ver enquanto sua mãe pegava a bolsa e marchava até a porta da frente. Ela estava berrando reclamações num ritmo descontrolado e os dois pareciam nem mesmo estar ali.

— Eu não quero saber, Gaara! Você não educa seu filho.

— Ele é um ótimo garoto, Ino.

— Você nunca me ajuda nisso! — disse ela. — Só sabe passar a mão na cabeça do Nozomu e fingir que está tudo certo. Nosso filho não vai ser um arruaceiro!

— O que tem de mau nisso?

O pai de Nozomu abriu um sorriso meio torto e colocou os calcanhares sobre a mesinha de centro. Mas só até minha mãe aparecer outra vez e dar-lhe tapinhas numa das pernas. A loura furiosa que era a mãe de Nozomu ainda parecia querer comer o marido vivo.

— Ok, não brinque comigo, Gaara!

— Certo, vamos para casa. Pega suas coisas, moleque.

— Eu não trouxe nada, pai. — Nozomu encolheu os ombros.

— Ah, então vamos indo.

Debruçado sobre a mesinha de centro cheia de salgadinhos e doces, eu achava tudo muito engraçado. Depois de tanto tempo convivendo com Nozomu e seus pais, que nos visitavam com frequência, eu havia me acostumado àquelas cenas, e mamãe sempre dissera que aquilo era normal.

Nozomu correu até mim e rapidamente nos despedimos com um toque de mão. Seus pais acenaram para os meus e para os de Hagumi, que ainda permaneciam em um dos sofás rindo da confusão, e então a família Sabaku foi embora.

Eu beliscava os salgadinhos enquanto observava o nariz vermelho da pequena Hagumi encolhida sobre as pernas do pai e pensava que, apesar de tola, ela era bem bonitinha. Hagumi era uma coisinha cor-de-rosa que dava vontade de cuidar, assim como se faz com um cãozinho ou coisa do tipo.

Ofereci-lhe um caramelo e ela logo abriu um sorriso maior que o mundo.

— A Ino se tornou um pouco autoritária após o casamento. — comentou a mãe de Hagumi.

— Eu pensei que ela sempre tivesse sido uma mulher autoritária, Hinata. — disse papai, sentando-se em sua poltrona.

— Nozomu é uma criança difícil. Agradeço todos os dias por minha Hagumi ser uma menina tão meiga. — disse o pai de Hagumi, sorrindo todo bobo para ela.

— Espere só até chegarem os namorados. — disse mamãe.

— Minha filha não terá namorados antes dos dezoito anos!

Todos na sala riram e eu fiquei me perguntando qual era a graça.

— Está exagerando, Naruto. — sorriu a mãe de Hagumi.

O que eram namorados?

— Me sinto aliviado por não ter filhas. — papai sorriu.

— Aposto que Hiro quer uma irmã, não é, querido? — perguntou-me mamãe.

— Eu não quero que ela chore como a Hagumi. — disse, após pensar um pouco.

Choro de menina era irritante.

— Hiro mau... — murmurou Hagumi, encolhendo-se novamente.

— Por que garotas sempre choram tanto? — suspirei, analisando os doces.

— Não se preocupe, meu filho. Eu lhe ensinarei tudo sobre mulheres. — afirmou papai.

Deus! Hiro será um pervertido. — gargalhou o pai de Hagumi.

— O que é um pervertido, papai? — ela quis saber.

— Ah... Nada! Não é nada, meu bem. — pigarreou o loiro, desconcertado.

Adultos eram tão estranhos.


Hagumi e seus pais — a família Uzumaki — foram embora quando já era noite. Minha festa de aniversário havia deixado papéis de doces e giz de cera por toda a casa, que mamãe teria que pôr em ordem na manhã seguinte. As luzes estavam todas ligadas, e tudo ainda dançava ao som da música animada até que papai baixou o volume do rádio e começou a juntar os papéis rasgados de presentes que rolavam pelo tapete da sala.

Eu estava tão exausto que acabei caindo sobre o grande sofá branco de mamãe e ficando ali. Estava quase dormindo quando papai inclinou-se sobre mim e pegou-me em seus braços, carregando-me pela sala. Pendurei-me em seu pescoço e afundei o rosto contra seu ombro, lutando para não dormir antes de ser colocado na cama e receber o "boa noite"de papai. Ele tinha cheiro de calor e de gente grande — eu nunca me esqueceria.

No meio do corredor, mamãe saiu do banheiro enrolada em seu roupão felpudo que se parecia com um urso e foi até nós. Inclinou-se para ficar na altura dos ombros de papai, observou-me com seu sorriso doce por algum tempo e então deu-me um beijo na testa coberta pelos cabelos negros que eu herdara de meu pai.

— Estou indo para o quarto, não demore. — pediu ela, sorrindo para papai.

— Esquente a cama pra mim, ok? — ele sorriu daquele modo que mamãe adorava.

— Combinado.

Papai empurrou lentamente a porta de meu quarto com o pé e entrou comigo nos braços, colocando-me na cama. O abajur de cabeceira estava ligado, e a luz amarela sobre o rosto de papai era uma coisa que eu jamais saberia explicar. Era como se aquilo nunca fosse acabar. E quando ele finalmente deu-me o beijo de boa noite, assim como mamãe costumava fazer, eu senti que poderia fechar os olhos e dormir.

— Boa noite, Hiro. — disse papai, afastando-se de minha cama.

— Boa noite, papai.

Eu ouvi seus passos macios indo até a porta, parando por alguns instantes para verificar se meu quarto estava livre de monstros e criaturas saídas de pesadelos, e então a luz se apagou.

Quando o sono veio, eu ainda tinha gosto de doce na boca.


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E aí, o que acharam?

Dá vontade de apertar o Hiro, né? OHEAOEHOHEOEH

E a Hagumi? Tão Hinata. Sem falar no Nozomu, que saiu a cara do Gaara.

Gostei de escrever esse epílogo com as versões chibi da fanfic.

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Então, quero agradecer MUITO a todos que leram, acompanharam e comentaram ao longo desses quase 30 capítulos. Poxa, foi história pra caramba, né? E fico realmente super feliz que vocês tenham curtido.

Já tinha postado AIT há um tempão no Nyah!, mas a receptividade de vocês aqui me surpreendeu.

Obrigada, pessoal. (:

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E por fim, o momento propaganda.

OEHOAHEOHEOHOEH

Sei que já tinha avisado aqui pra vocês sobre a coleção de oneshots que estou postando,

mas não custa reforçar, né? Pra vocês que curtem Naruto, dêem uma espiada lá,

se chama TELLING LIES,

e engloba vários casais do anime.

Quem sabe você não encontra seu shipper favorito lá?

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Enfim, é isso, pessoal. Nos vemos por aí, em futuras fanfics, espero. sz