Hogsmeade
Ginny abriu os olhos.
Piscou uma, duas, três vezes.
Olhou ao redor e pensou estar dormindo ainda.
Seus pais e os gêmeos rodeavam sua cama. Expectativa em seus olhares.
Tentou se levantar. Mas não conseguiu, estava atordoava. Puxou na memória o que havia acontecido e... lembrava-se apenas da dor. O olhar foi direto para seu braço. Estava enfaixado. Mas não doía mais.
"O que houve?" Sua voz saiu rouca. Olhou direto para seu pai. Ele sorriu. Parecia cansado, mas contente.
"Você não tem sorte mesmo, hein, pirralha" George se manifestou antes, sentando-se ao seu lado na cama da Ala Hospitalar. "Atingida duas vezes por magia negra em uma única vida..."
"...está tentando superar Harry Potter?" Completou Fred, sorrindo brilhante. Através da piada, parecia aliviado.
"Não tem graça!" Sua mãe desceu um cascudo nos gêmeos. Puxou os dois pelas orelhas e os fizeram se sentar na cama ao lado.
"Aquele perfume estava envenenado, filha" Seu pai explicou. Um brilho no olhar. "Um dos ingredientes utilizados é de venda proibida em mais de 60 países"
A ruiva sentiu uma pontada no peito. Uma dor maior que a queimadura em seu braço. Por que...
"...Theo fez isso?" A voz não passou de um sussurro.
"Não o culpe, querida" Sua mãe voltou a atenção para a filha, passando a mão por seus cabelos "Não foi ele que te deu o perfume, na verdade, não se sabe quem foi ainda, mas o diretor está investigando já"
Ginny sentiu o sentimento ruim desaparecer, aliviada. Sentiu-se um pouco culpada também. Não poderia duvidar de um amigo. Não de Theo.
Encarou a mãe. Apreensiva.
"Vai ficar tudo bem?"
Molly Weasley sorriu e, então, Ginny soube.
Ficaria tudo bem, sim.
"Claro que vai, querida, foi apenas o susto, Madame Pomfrey e o Prof. Snape disseram que o veneno foi apenas superficial"
"Gostou do que fizemos, Gin?" Fred chamou sua atenção. Apontou para Ron jogado em uma das camas hospitalares. "Sedativo trouxa" Explicou "Muito eficaz"
"O que houve com ele?"
"Precisava acalmar os nervos" Seu pai estava rindo. Deu um beijo na ruiva e informou que comunicaria à enfermeira que havia acordado.
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"Ela acordou" Blaise entrou no quarto de Draco. O loiro estava jogado em sua cama, brincando com um pomo de ouro nas mãos. O olhar fixo no teto.
"Já era hora" Resmungou, sem olhá-lo "Faz três dias que só dorme"
Zabini revirou os olhos. Jogou-se na poltrona e afrouxou o nó da gravata.
"Acho melhor você esperar um pouco para vê-la" Sugeriu "Os Weasleys estão em peso lá na Ala Hospitalar" Deixou um sorriso maldoso atravessar o rosto bonito "E quando digo em peso..."
"...você se refere à mãe de Ginny" Pansy completou, entrando no aposento também. Draco deixou um sorriso atingir o rosto, esquecendo-se do mau humor momentaneamente.
A morena revirou os olhos.
"Respeito, rapazes, ela pode ser nossa sogra um dia" A morena comentou. Se olhar matasse, Pansy provavelmente já estaria enterrada. Draco voltou a encarar o teto, tentando ignorar o que ela havia dito. "Quando digo nossa, eu incluo o Theo e não você" Continuou, displicente.
Draco quebrou o pomo de ouro entre seus dedos.
"Tchau, querida" Blaise rapidamente se levantou e empurrou a amiga para fora do quarto. Voltou a atenção para o outro "Honestamente, Draco, Theo não fez nada..."
"Não quero falar sobre isso" Cortou o loiro, analisando o pomo quebrado entre seus dedos. Provavelmente, não valia a pena consertá-lo.
"...e não vejo problema algum no pobre coitado presentear a menina..."
"Não quero falar sobre isso!"
"...não que ele tenha presenteado ela..."
"Zabini!" Draco jogou os restos do pomo no peito do rapaz, chamando sua atenção. Levantou-se. "Eu não dou a mínima se ele der um perfume, uma jóia ou um castelo para ela" Esbravejou "É o jeito dele que me irrita!"
Blaise soltou o ar cansado.
"Se quiser vê-la que seja no horário de sempre, então, aquele que tanto te irrita está com ela agora" Informou, deixando o aposento. "E o seu problema não é Theodore, você sabe muito bem"
O moreno sabia que o problema não era bem com Theo, mas com o fato de magia negra ter acontecido bem debaixo do seu nariz e não ter feito nada. Ou pior. Não ter descoberto nada de sua origem. E Blaise sabia, Draco, mais que qualquer outro no castelo, a não ser Severus talvez, tinha acesso à magia negra.
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Pansy sabia que Draco não queria ver Theodore nem pintado de ouro, mas não precisava descontar nela. Sentou-se no sofá do Salão Comunal da Sonserina. Queria tanto conversar com Ginny, mas sabia que ela precisava desse momento família que estava tendo. E agora não era a hora de falar sobre seus problemas à ela.
Apoiou a cabeça no encosto e fechou os olhos. Apesar do mau humor que Draco lhe causou, não pôde deixar de notar que esse parecia ser o primeiro momento de paz que teve nos últimos dias. O primeiro momento que não ouvia as reclamações de Ron quanto ao acidente de Ginny e como continuava a culpar Draco pelo que aconteceu. Ou os comentários de Draco sobre Theodore e de Theodore sobre Draco. Ou então as idéias de Luna de convencer os sereianos em restaurar o braço de Ginny...
"Cunhadinha!" Pansy soltou o ar cansada. E claro, tinham os gêmeos Weasleys.
Abriu os olhos e deparou-se com Fred de um lado e George do outro. E aquele sorriso não poderia significar coisa boa.
"Vocês não deviam se enfiar no ninho das cobras" Comentou. Dificilmente, um Weasley seria bem vindo nesse Salão Comunal, quanto mais dois. "Podem acabar picados"
"Isso é uma ameaça?" Fred fingiu estar surpreso.
"Se vocês me derem aquele doce nojento que deixa minha voz grossa de novo, considere sim, uma ameaça" Relembrou de uma das brincadeiras que fizeram com ela no Natal. E, certamente, aquela voz masculina não caiu-lhe nada bem.
"Ora, nós somos praticamente família agora, você deveria tentar nos agradar"
"E se Snape pegá-los aqui nesse Salão, acaba com vocês" Informou. Certamente, Snape não está nem um pouco satisfeito com a presença dos dois no castelo. Mesmo que por uma causa nobre. "Ele é o responsável por aqui e qualquer coisa que ele fizer com vocês aqui dentro, não compete ao diretor questionar"
"Relaxa, não é a primeira e nem será a última vez que entramos aqui" George brincou.
"Agora, o que eu não entendo é por que Nott está dando uma de cunhadinho para cima da gente também" Fred perguntou um pouco sério. Encontrando os olhos castanhos esverdeados da menina.
"Nott não sabe que vocês sabem sobre Draco e Ginny" Ela explicou. "Acha que a família toda inclui vocês dois" Theo e Ginny fingiam namorar, principalmente, para Ron. Só Merlin sabe o ataque que Ron teria se descobrisse quem andava se engraçando para o lado da irmã mais nova de verdade.
Então, Fred deixou um sorriso surgir nos lábios. Aquele sorriso.
"Acho que está na hora de ter aquela conversinha com o novo namorado da nossa irmã, George"
Antes que Pansy pudesse falar qualquer coisa, ambos já haviam desaparecido pelo portal.
Mas, claro, qualquer coisa que dissesse, seriam apenas palavras gastas.
Voltou a apoiar a cabeça no encosto e a fechar os olhos. Agora não tinha jeito, teria que pensar no inevitável.
A herança dos seus pais.
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"Mione," Ginny analisou o rosto da amiga que, no momento, era a única companhia na enfermaria. Seus pais estavam caçando os gêmeos pelo castelo. Luna e Theo já lhe fizeram um pouco de companhia. Pansy deixou apenas um beijo na hora que despertou e disse que voltaria depois. Ron, apesar de estar meio grogue por causa do sedativo trouxa, também fizera-lhe companhia, junto ao Harry, e até jogaram um pouco de xadrez bruxo. E ela perdeu, obviamente. A Monitora Chefe parecia ter escolhido um momento que sabia que evitaria o menino que sobreviveu para fazer um pouco de companhia à ruiva "você está dormindo bem?"
"A doente aqui é você e não eu" Respondeu, dando um sorriso leve. Parecia que precisava dos três dias de sono que a ruiva teve.
"É que estou preocupada com você" Contou "Ron me disse que você mal fala com ele e se você mal fala com Ron, dúvido muito que sequer olha na cara de Harry"
"Eu sei, Ginny" Suspirou, a morena apoiando o queixo na mão "Harry é muito querido e não queria que as coisas ficassem assim"
A ruiva assentiu. Sabia que Hermione estava destruída por dentro. Ela, Ron e Harry eram o trio maravilha desse castelo. Viveram coisas que ninguém aqui viveu antes. Destruíram você-sabe-quem juntos. E um simples término de relação parecia ter acabado com toda a amizade.
"Vou me encontrar com Viktor em Hogsmeade nesse fim de semana" Contou. "Sabe, gostei muito dele no quarto ano" Sorriu, lembrando-se de algo que Ginny não sabia. "Terminamos de um jeito péssimo também, talvez eu deva a ele essa chance"
"Claro, o que for melhor para você" Ginny sorriu. Ela devia ser feliz e, se sua felicidade estava na Bulgária, quem era ela para discordar?
"Posso confessar uma coisa?" A morena mordeu o lábio e olhou para baixo "Estou me sentindo horrível, quase uma Sara Perks" Contou "Namorei seu irmão, Harry e serei vista com Viktor no fim de semana..."
"Não pense assim, Hermione, por Merlin!" A ruiva sabia como Sara Perks conseguia ficar com três em apenas uma noite, mas nem se compara à morena. "Você não fez nada demais"
"Principalmente, quando ouço sobre aqueles bolões horríveis que rola na Sonserina sobre mim..."
"Acredite-me, Granger, você não é a goles da vez" Zabini entrou estrondosamente na Ala Hospitalar, com uma caixa colorida nas mãos "Millicent terminou com Crabbe porque ele a traiu e todos querem descobrir quem é a corajosa que realizou tal façanha..."
A morena revirou os olhos e se levantou, ignorando a fofoca da vez.
"Mais tarde eu volto, Ginny" Despediu-se da amiga e deixou o aposento, sem antes lançar um olhar severo ao sonserino.
"Blaise! Não acredito!" A ruiva o repreendeu.
"Não me olhe assim, não fui eu quem começou o bolão, na verdade, eu acho que essa história toda de amante é mentira para que Millicent possa desfilar por aí com um namorado com fama de pegador e, acredite-me," Ele a encarou cético "esse tipo de coisa existe" E ele era testemunha disso.
"Não estava falando sobre isso" Ela revirou os olhos "Quando finalmente consigo falar com Hermione, você aparece e..."
"Esquece, Ginny" Blaise dispensou suas palavras. Não tinha interesse algum na vida pessoal daquela sangue ruim. Sorriu. "Olha o que eu te trouxe!" Entregou a caixa nas mãos da ruiva.
Ginny esqueceu o por quê da discussão com o moreno. Sua boca encheu de água. Não podia ser, podia...?
"Chocolates!" Exclamou, maravilhada. Tudo que queria e a enfermeira não deixava. Era como se ele soubesse. Na verdade, ele devia saber mesmo. Esses meninos tinham uma capacidade de descobrir coisas que a ruiva nem imaginava. "Blaise! Não precisava..."
"Sim, direto da Suíça," Contou, nem um pouco modesto. "Paguei um elfo para comprar, vou te contar, está cada vez mais difícil de sair desse castelo" Os elfos desse castelo estão cobrando meias para retribuir favores aos alunos. Achou que o mundo estava começando a enlouquecer.
A ruiva riu.
"Está perdendo o jeito?" Provocou. Abrindo a caixa de bombons.
"Não me ofenda, Ginny," Ele colocou uma mão sentida no peito "Mas com seus irmãos no Castelo a atenção por aqui triplíca!"
Como se ela não soubesse.
Blaise sentou-se na cadeira que antes ocupava a Granger. Partilhava os chocolates também.
"Não vi o Draco ainda" Comentou a ruiva, desembrulhando um bombom.
"Não sei se o verá por aqui, querida" Disse, sem qualquer rastro de malícia ou brincadeira no olhar "Ele se sente culpado" Explicou.
Ginny arregalou os olhos, surpresa.
"Ele não tem motivos para sentir-se culpado..."
Ele sorriu levemente.
"Você desmaiou nos braços dele e não havia nada que ele pudesse fazer"
"Ora, ele me trouxe até aqui, já foi o suficiente"
"Você não o conhece mesmo" Brincou, alcançando um bombom também. "Draco não é nenhum Harry Potter, mas ele odeia sentir-se incapaz, impotente..." Obviamente, não contou os outros motivos também. O pai dela era do Ministério, não precisava saber do pouco convívio de Draco com magia negra. "Ele deve ter pirado quando você apagou" Como queria ter o auto controle que o melhor amigo tinha.
"Duvido que ele te disse isso tudo" Ela o encarou, sugestiva.
"É," Ele riu "até que você o conhece um pouco" Ficou sério novamente e alcançou a mão da amiga "Apenas não se decepcione se ele não aparecer, está bem?"
Ela assentiu, incerta se seria capaz de não se decepcionar.
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"Pansy!" Blaise abriu caminho entre a aglomeração de estudantes que interditavam o corredor principal. Procurava a menina desde que terminou a visita na Ala Hospitalar. Não sabia como podia ter demorado tanto a encontrá-la. Era tão óbvio onde estava. Era onde todos os alunos estavam. Alcançou-a em meio a bagunça e a puxou pelos braços. "Que parte do eu lido com Draco você não entendeu?"
Ela o encarou. Ele se referia ao episódio no quarto de Malfoy.
"Faça-me o favor," Ela se afastou do moreno "você não está fazendo nada para melhorar a situação entre Draco e Theodore"
"E você acha que você consegue melhorar a situação dos dois?" Riu, debochado. Ela tinha medo de encarar Draco.
"Com certeza, faria mais do que você!" Estreitou o olhar e apontou para a aglomeração que os demais estudantes faziam. "Eu sei o que os gêmeos estão fazendo com Theodore e sei muito bem que aquela saliva de dragão só poderia ser financiada por alguém com a sua condição financeira" O tom de voz acusatório. Saliva de dragão é muito caro, basicamente, pela dificuldade de alcançar a boca de um dragão. Sem se machucar. Ou morrer carbonizado.
Os lábios de Blaise se repuxaram levemente para cima.
"O litro estava mais barato que cerveja amanteigada, não podia perder a oportunidade" Ele informou "Não mude de assunto, eu trato da situação dos dois e você não se meta!"
Passou as mãos pelos cabelos negros. Estava nervoso, percebeu a menina.
"Quer saber?" Ela o encarou nos olhos, irritada. Blaise raramente a tratava assim. "Se vira sozinho, então, e quando eu digo sozinho" Ela indicou a aglomeração "Eu incluo isso também" Jogou os cabelos para trás e deu as costas para o rapaz, desfazendo o caminho que fazia. "Theodore não merece" E ele sabia disso muito bem.
Zabini quase se arrependeu do que disse à menina.
Olhou ao redor.
Suspirou derrotado, sabia que se arrependeria do que estava prestes a fazer... E nas próximas cinco vidas também.
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"Você é um herói mesmo, Blaise!" Luna sorriu. O comentário beirava a maldade.
O moreno sorriu sem graça para a loira. Continuou escovando os dentes fervorosamente.
"Sim, haja coragem, viu!" Theodore comentou, não conseguindo segurar a gargalhada.
Pansy não conteve o riso também. A morena estava trabalhando nos cabelos de Theo. Toda aquela saliva de dragão, certamente, detonariam com os cabelos do rapaz. Estavam lambuzados e em uma tonalidade, anormal, de verde. E ela sempre achou os cabelos de Theo tão bonitos. Um loiro escuro. "Mas, sinceramente, se você tivesse apenas jogado um feitiço nos Weasleys já era o suficiente" O rapaz, que deveria estar irritado com as boas vindas dos Weasleys, mal se importou. O que Blaise havia feito era impagável.
"Não poderia fazer isso" Parou de escovar os dentes e virou-se para encarar os amigos "Eles fazem parte dos Weasleys que eu gosto"
Theo revirou os olhos, enquanto Zabini voltava à escovar os dentes pela trigésima vez.
"Honestamente, Blaise," Pansy comentou, esquecendo-se que estava brava com ele "quando falei para você lidar com a situação sozinho, não pensei que você teria uma idéia tão idiota"
"Já entendi," Ele resmungou, quando terminou a higiene bucal "vocês poderiam ser mais gratos, não? Fred queria te colocar numa caixa cheia de bosta e mandar para aquele irmão mais velho deles, o que cuida de dragões" Informou ao Theo. O que cuida de dragões e que provavelmente recebeu todos os galeões de Blaise.
"Obrigado, Blaise, por desviar a atenção de todos beijando Crabbe no meio do corredor" Theo não conteve a diversão "Se não fosse aquele beijo, provavelmente, estaria morto"
Todos riram, até mesmo Luna.
O moreno parecia enjoado. Voltou a escova de dentes.
"Relaxa, Blaise, você mesmo disse que nem teve língua!" Luna, sua doce e amada Luna, comentou.
"Vou contar para vocês, Vicent estava na maior fossa desde que Millicent terminou com ele" Pansy colocou os amigos por dentro do que acontecia no castelo "Acho que Millicent finalmente conseguiu o que queria"
Blaise ignorou as brincadeiras dos amigos e focou a atenção na sua boca. E na sua limpeza. Seria pedir demais, se Snape usasse uma daquelas poções para limpar os caldeirões para limpar sua boquinha? Não queria contaminar sua Luna.
Sabia que se arrependeria, mesmo. Não foi bem um beijo, beijo. Foi mais um estalinho. Assim como já dera em Draco, algumas vezes, para irritá-lo. Mas, provavelmente, a imagem do moreno com os lábios nos de Vicent Crabbe não era boa. Não mesmo.
DgDgDgDgDg
Ginny estava exausta.
Não sabia se era efeito da poção que a Madame Pomfrey a fez tomar ou o dia cansativo que teve.
Recebeu tantas visitas. Parecia que o dia não acabaria nunca. Sentiu-se aliviada pelo fato de seus pais terem ido para casa e levado os gêmeos também. Não gostou de saber o que aprontaram com Theo. Suspirou, cansada. Talvez, estava na hora de colocar um fim nessa mentira toda que criou com Theo. Ele estava tolerando mais do que merecia e deveria, principalmente, tratando-se dos gêmeos. Mas não podia negar. Ele era uma ótima companhia, nunca pensou que poderia sentir tanto carinho por ele.
E ele sentia-se tão culpado pelo que houve com a ruiva. Não parava de se desculpar durante sua visita. Ela sabia que Theo não tinha envolvimento algum no incidente. Talvez, apenas a idéia de ter alguém passando-se por ele, querendo prejudicá-la, já o deixava assim.
Ele era muito querido. Um amor. Muito preocupado com ela.
Sorriu.
Sabia que não estava surpresa.
Depois de Draco Malfoy, nada mais poderia surpreendê-la.
Olhou pela janela. Devia estar muito tarde já. O céu estava tão carregado de nuvens que não conseguia enxergar uma estrela sequer.
Provavelmente, seria a primeira noite que passaria sozinha depois do incidente. Sabia que seus pais ficaram a maior parte do tempo com ela.
Arrepiou-se.
Não queria pensar nisso, mas era inevitável. Alguém tentou machucá-la com magia negra. E ninguém tinha idéia quem poderia ser o responsável.
Ginny olhou ao redor. Estava escuro e sozinha. Um silêncio total.
Sentiu seus olhos arderem. E as lágrimas foram inevitáveis.
Essa pessoa poderia tentar atingí-la de novo. Tentou controlar a respiração. Impossível. O Castelo era o lugar mais protegido do Reino Mágico. Soltou uma risada ironica com tal pensamento. Não poderia nunca ser considerado o lugar mais protegido, mesmo com os reforços que o diretor colocou. Senão, não teria sido atingida já. Ou Você-sabe-quem nunca teria invadido o lugar e feito de palco daquela tão assombrosa batalha. Ai meu Merlin! E se a pessoa que a atacou estivesse no castelo ainda?
Então, a porta da enfermaria abriu subitamente, fazendo com que a menina alcançasse a varinha no criado-mudo, rapidamente.
"Não se atreva!" Gritou, apontando para a entrada da Ala Hospitalar. Queria ser ao menos capaz de se levantar da cama hospitalar para poder se defender melhor. Ou enxergar alguma coisa. Sentia-se ridícula. A ameaça não saiu como queria que saísse.
"A entrar na Ala Hospitalar?" A ruiva nunca sentiu-se tão feliz em ouvir aquela voz arrastada. "É um grande desafio mesmo"
"Você me assustou, Malfoy!" Ela respondeu, ignorando a ironia dele. Meio aliviada, meio assustada.
Ele riu.
"Confesso que já fui melhor recebido" Comentou, entrando no aposento. Acendeu algumas velas ao redor, desaparecendo o breu. "Pode abaixar a varinha, não vou te atacar"
Ela abaixou a varinha e evitou o olhar dele. Sua péssima ameaça foi justamente para ele.
Draco aproximou-se dela e sentou-se na cadeira ao lado da cama.
"Você está bem?" Perguntou com a voz neutra.
"Estou melhor, eu acho, o braço não está doendo mais" Ginny respondeu, olhando para o braço enfaixado e imóvel "Queria saber se vai ficar cicatriz..."
"Eu sei que seu braço está melhor" Cortou o que ela dizia, analisando bem o rosto dela. "Refiro-me às lágrimas"
Ginny sentiu uma onda de calor varrer seu corpo. Sabia que não estava mais chorando, mas seu rosto estava molhado.
Draco inclinou-se em sua direção e aproximou sua mão pálida do rosto molhado. Secou as lágrimas, sutilmente, com a ponta dos dedos.
Então, ela levantou o olhar para encará-lo nos olhos, surpresa. Ele não tinha qualquer rastro de maldade ou malícia no rosto. Parecia diferente. Quando seus olhos se encontraram, ele sorriu. Para ela. Um sorriso limpo, honesto e simples.
"Eu estava com medo" Confessou. Não fazia nem idéia porque estava contando isso para ele. Aquele sorriso, lembrou-se, parecia àquele que certa vez viu dirigindo aos amigos.
"Do quê?" Afastou a mão dela, prestando total atenção em suas palavras.
"Besteira, mania de perseguição, acho" Começou a raciocinar coerentemente quando sua mão fria deixou seu rosto "Por causa do acidente, tem uma voz na minha cabeça dizendo para tomar cuidado" Contou, sentindo-se estupidamente ridícula por, ao finalmente desabafar, ser justamente ele a pessoa a ouvir. Diferente de ter rido e zombado com a sua cara, ele assentiu com a cabeça.
"Também acho que você deveria tomar cuidado" Informou, sério.
Ouvir o aviso dele fez com que o medo tornasse mais real. Desviou o olhar do dele, sentindo-se incomodada.
"Achei que você não iria me ver" Comentou, fazendo bolinhas no lençol com o dedo.
O loiro alcançou a mão boa da menina, fazendo-a parar com as bolinhas e chamando sua atenção. "Não te agradeci ainda por me ajudar" Completou, alarmada com o seu toque.
"Um pouco difícil com seus irmãos rondando aqui o dia todo" Era como se ele estivesse se desculpando. E provavelmente ignorando seu agradecimento.
Ginny riu. Certamente, seus irmãos eram um prato cheio. Principalmente para ele.
"Está perdoado, então"
Novamente, ele riu, soltando a mão dela.
"Estou?"
"Está" Ela confirmou com a cabeça, não contendo um bocejo.
"Bom" Ele afastou-se um pouco "Durma, agora, você está precisando"
"Obrigada por ser tão gentil ao me chamar de acabada" Respondeu, acomodando-se melhor na cama, os olhos já fechados.
"Dificilmente, acabada seria um adjetivo que te definiria" Ele sussurrou, aproximando-se dela novamente. Depositou um beijo casto na sua testa. Demorado. "Independente das circunstâncias"
"Vou considerar isso um elogio" Murmurou, sorrindo, quase adormecida.
"E deveria" Draco concluiu. Afastou-se dela e passou as mãos pelos cabelos loiros.
Merlin!
DgDgDgDgDg
"Ron, não me faça usar os sedativos trouxas que Fred me deu!"
O ruivo encarou o menino que sobreviveu.
"Olha, Ginny pode ter alta a qualquer momento e não seria bom estressá-la por causa, bom," Harry evitou o olhar do amigo "do seu ataque de ciúmes"
"Não estou sentindo ciúmes, Harry!" Inconformou-se. Estava, na verdade, apenas querendo matar Malfoy pelo que fez a sua irmã mais nova. E Nott. Este, bem, por não ser um namorado decente. Afinal, que tipo de namorado deixa a amada ser atingida por magia negra.
"Eu odeio admitir isso, mas Malfoy ajudou Ginny!" Harry tentou colocar bom senso na cabeça do amigo "Do mesmo jeito que você ajudou Pansy no começo do ano letivo"
O ruivo encarou o outro, incrédulo.
"Não vou agradecer aquela doninha!"
Harry revirou os olhos.
"Não precisa, apenas não o persiga por causa disso, certo?"
Ron nada respondeu. Sua expressão mudou. Encarou o amigo, seriamente.
"O que aconteceu à Ginny não me pareceu acidente"
Harry mudou de expressão também.
"Somos dois a dividir o mesmo pensamento, então" Assentiu. Ponderou se deveria dividir com o melhor amigo sobre a teoria que veio a sua cabeça a hora que acordou. Mas Ginny era sua irmã mais nova, sua adoração. Por isso mesmo, deveria contar. "Você sabe que há comensais que não foram capturados ainda, uns três ou quatro, que conseguiram fugir" Os olhos se Ron arregalaram-se, percebeu Harry. "Quero dizer, Ginny e eu fomos vistos juntos em Hogsmeade já, em um encontro, talvez, alguém esteja interpretando mal a situação"
"Aposto que é Lucius Malfoy!" O ruivo se levantou e bateu a mão fortemente na mesa que estavam sentados. A mais afastada da biblioteca. Não seria a primeira vez que atingia Ginny.
Harry revirou os olhos. Ron era tão cabeça dura. Puxou-o pela camisa e o fez sentar-se novamente.
"Ron, você é um dos poucos que sabe a verdade sobre Lucius Malfoy, então, coloque seus preconceitos de lado, apenas um minuto, antes de encher sua cabeça com besteiras"
Detestava ter de defender Lucius Malfoy, mas a hipótese de Ron era improvável. Principalmente, quando Malfoy foi essencial para a queda de Voldemort.
"O que você acha, então?"
"Acho que você precisa falar dessa hipótese com o diretor, Harry" Hermione, aproximou-se da mesa dos rapazes. Os dois encararam-na, surpresos. Sentou-se na ponta da mesa. "Estive pensando a mesma coisa, Ginny não recebeu aquilo por acidente" Contou. Ignorando a reação dos dois. O acidente de Ginny era muito maior que seu sofrimento por Harry. "E aquele ingrediente usado na fórmula do perfume é magia negra pura, muito raro"
"A família de Nott tem uma empresa que importa ingredientes mágicos do mundo todo para o St. Mungus, você não acha que seria mais fácil para eles?"
Ron quase explodiu ao ouvir Harry.
"Vamos pegá-lo!" Levantou-se, sem um pingo de delicadeza.
"Não foi ele, Ron!" Hermione o puxou pelo braço, fazendo-o se sentar.
"Não estou dizendo que foi ele" Ron resmungou "Mas a família dele também fez parte do grupo de comensais" Sim, comensais, mas que tiveram o nome limpo depois da queda do Lorde das Trevas.
Hermione ponderou.
"Vamos averiguar, certo?" Propôs. Afinal, se eles tiveram o nome limpo, motivos tiveram. "Não haja impulsivamente, Ron" A morena se levantou, olhando o amigo significativamente. "Theodore Nott gosta mesmo da Ginny" Deixou a mesa, sem olhar Harry nos olhos. Nem por um segundo.
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Theodore ajeitou a touca em sua cabeça que escondia os cabelos verdes. Mas não o cheiro. Céus! Só Merlin sabe que a cada feitiço que ele e Pansy fizeram para tentar voltar a cor natural de seus cabelos, o cheiro só piorava. Se é que era possível.
Atravessou o corredor que no dia anterior havia sido palco da maior humilhação que já viveu, ignorando os olhares e comentários que os demais estudantes faziam.
Blaise era sempre centro das atenções. Mesmo quando fazia a maior das idiotices. Como beijar Crabbe. Desejou que o amigo estivesse ao seu lado, ao menos ofuscaria toda a atenção que recebia. Revirou os olhos. Contudo, diferente de Theo, Blaise adorava ser o centro das atenções. Não fazia o que fazia, inconsciente. Ele vivia das atenções que recebia.
Entrou no Grande Salão, onde logo avistou a pessoa que procurava, almoçando sozinho. Como tem feito, ultimamente. Recluso no fim da grande mesa.
Andou até ele e sentou-se ao seu lado.
"Dá área, Nott" Malfoy torceu o nariz e afastou-se um pouco, tirando sua atenção da refeição "Você está fedendo" Constatou "E essa touca é horrível"
"Dá um tempo, Draco" Theo ignorou o comentário e aproximou-se mais ainda do loiro. "Papai me escreveu hoje"
"Obrigado por me informar, estou muito interessado em saber como ele está" Não pôde evitar o sarcasmo. Deixou a refeição de lado e fez um feitiço para não sentir o cheiro do colega.
Ainda ignorando a falta de educação do loiro, Theodore continuou.
"Papai me disse que o ingrediente utilizado na combinação do perfume só pode ser encontrado no Peru" Informou, em um tom de voz que apenas Draco podia ouvir "E, há tempos, Dolohov está foragido" Olhou, significativo. Os dois sabiam que Dolohov continuava foragido. Assim como outros dois ou três comensais. De tempos em tempos mandavam notícias aos seus pais. Porém, a última vez que contatou Lucius, há um certo tempo já, havia informado que estava na América do Sul.
Draco encarou o outro, ponderando o que havia informado.
Não tinha considerado comensais. Sentiu-se estúpido. Claro que era uma hipótese cabível. Todos sabiam que a Weasley costumava ser namoradinha de Potter. Mas, o que acontecia em Hogwarts, não ficava apenas em Hogwarts. Era de se pensar que as pessoas já estavam cientes sobre o suposto caso entra ela e Nott. Só que Nott não era Harry Potter, então, não tinha a vida contada de cabo a rabo no Profeta Diário todos os dias. O cartão que ela recebeu foi supostamente mandado por Nott.
Algo não se encaixava.
Se ao menos tivesse encontrado algum vestígio do frasco, após o pedido de Snape. Já estava tudo limpo quando retornou àquele corredor. O aborto maldito já havia desaparecido com tudo, enquanto reclamava sobre a bagunça dos alunos. Não poderia ser menos incompetente, claro, era um aborto, afinal.
"Vou escrever para meu pai" Decidiu. Não custava nada dar uma atualizada com Lucius, afinal. Desviou a atenção de Nott, para o Weasley e Potter, do outro lado do Salão. Ambos lançavam olhares mortais à mesa da Sonserina. Precisamente, ao Nott e Malfoy. Revirou os olhos, eles deviam achar que era culpado.
"Quanto à Pansy, acho que..."
"Você não acha nada" Draco cortou rudemente o rapaz que havia mudado o assunto completamente. Sabia dos problemas de Pansy. Já havia falado com seu pai sobre isso também. Não precisava dele palpitando. Ou não queria.
Theo revirou os olhos.
Que seja, então.
"Draco," Uma voz grossa chamou a atenção dos dois. Crabbe. Ótimo. "se você encontrar Blaise, mande um recado por mim, por favor?"
Draco apenas continuou encarando o outro colega de Casa. A sobrancelha arqueada.
"Preciso conversar com ele" Continuou, sem jeito.
Quando o loiro nada respondeu, apenas permaneceu encarando, inexpressivo, então, deu de ombros e retirou-se do Grande Salão. O andar desengonçado. Millicent era bonita. Podia conseguir algo melhor que esse traste, sem dúvidas. Mas com a fama que tinha, esse era melhor que poderia conseguir mesmo. Deprimente.
"Nunca vi casal mais bonito, você já?" Nott comentou, rindo.
Draco revirou os olhos e o ignorou, levantando-se da mesa e retirando-se do Grande Salão.
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Honestamente, quem precisa aprender Poções?
De fato, era uma das aulas mais fáceis. Pelo menos se você fosse sonserino. E afilhado de Severus Snape. Os lábios de Draco curvaram-se levemente para cima.
Olhou ao redor.
Essa sala estava uma bagunça.
Pansy não fazia mais dupla com ele, ou Blaise, ou até mesmo Theo. Assistia às aulas com o namorado idiota, agora. Estava com enormes olheiras. Estava triste e cansada, por causa do problema com o testamento. Draco sabia que ela sentia a injustiça do que foi imposto por seu pai, porém, tinha certeza que se fosse ele na situação de seu pai, teria feito o mesmo. As famílias mais tradicionais prezavam muito um herdeiro homem ou um bom casamento para as filhas.
O Weasley desistiu de mandar olhares ameaçadores para o loiro ou Theodore, e cochilou nos ombros da Pansy.
Potter, surpreendentemente, fazia dupla com a gralha da sua casa. Sorria afetado para ela.
A sangue ruim fazia o trabalho com o Longbottom.
Theodore fazia dupla com Blaise. Os dois não paravam de rir. Idiotas. Como se Snape não fosse notar os feitiços que faziam para trocar os ingredientes de Longbottom e da sangue ruim. Mas também, como se Snape ligasse para o bom desempenho de qualquer grifinório.
Para completar, Crabbe não parava de lançar olhares para Zabini. Era só o que faltava...
Finnigan sentou-se com a Patil que, agora, eram um casal. Surpreendentemente, Thomas não estava na aula. Estreitou o olhar, passando informações na sua mente rapidamente.
O loiro, fazia dupla com Daphne, que sempre foi uma ótima companhia e, no momento, não suportava mais ficar ao lado de Millicent.
Voltou a atenção para o quadro negro. Que idiota em sã consciência não sabia o que era uma Poção Polissuco. A gente nasce ouvindo sobre essa poção...
"Não sei o que é, professor" Goyle respondeu, quando Severus perguntou a definição e composição da poção.
Mas, claro. Sempre tem um idiota.
Um bilhete apareceu na sua frente. Revirou os olhos. Se fosse alguma brincadeira idiota de Zabini...
'Draco, Vicent e eu demos um tempo. Estamos precisando de um espaço para pensar. Estive lembrando daquele verão que você passou na minha casa de campo e...'
Amassou o bilhete sem terminar de ler. Virou-se para encarar a loira, três assentos atrás. Tudo que precisava.
"Tenha amor próprio, Millicent, todos sabem que seu namorado está te trocando por Blaise" Anunciou em alto e bom som, extremamente irritado.
A loira, não podendo sentir-se mais insultada, lançou um olhar mortal a Draco e virou o rosto.
"Há mais alguma fofoca que deseja partilhar com o restante da turma, Draco?" Snape encarou o afilhado repreensivo, o tom de voz exagerava o sarcasmo. O professor estava irritado com a demasiada distração que essa turma em particular demonstrava hoje. "Acho que estão todos muito interessados em saber" Referia-se a comoção da sala ao ouvir seu insulto à Bulstrode.
Draco revirou os olhos e encarou o padrinho nos olhos.
Quero ir à Ala Hospitalar.
Snape pestanejou. Seus lábios tremeram levemente, Draco notou.
"Dispensado, Draco"
A sala toda ficou em silêncio. Não estavam acostumados a ver o prof. de Poções tratar seu afilhado como um aluno normal. Aplicando detenções, tirarando pontos ou expulsando da sala. E já era a segunda vez que acontecia nesse ano escolar.
O loiro se levantou, desculpou-se num sussurro com sua parceira de estudo e retirou-se.
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"Agora movimente o braço, veja se sente qualquer incômodo" Madame Pomfrey instruía a sua paciente.
Ginny movimentou o braço. Para cima, para baixo. Sorriu.
"Nadinha"
A enfermeira sorriu.
"Está liberada, Ginny" Contou à menina "Se sentir qualquer incômodo ou formigamento, volte, está certo?" Avisou.
"Com certeza" Levantou-se da cama hospitalar. Não aguentava mais descansar. Queria voar. Queria estudar. Queria fazer qualquer coisa à voltar a essa cama. "Obrigada, Madame Pomfrey" Beijou seu rosto, agradecida, antes de retirar-se para seu escritório.
Alongou-se rapidamente. Sentia-se quebrada. Recolheu a varinha e os cartões de melhoras que recebeu nos últimos dias.
Aproximou-se do espelho mais próximo que tinha, perto do lavabo e deu uma olhada no seu visual. Suspirou cansada e passou as mãos pelos cabelos, tentando alinhá-los. Não podia estar com cara pior, obviamente, depois de dias à base de poções para sono.
"Você está ótima, Ginny" Uma voz masculina, chamou sua atenção.
Ela se virou e olhou diretamente para o portal.
Dean estava lá, sorrindo.
"Não precisa ser gentil, já estive melhor" Sorriu para ele. Tentaria ser agradável. Não queria sair de uma recuperação chata e entrar numa discussão tão cedo.
Ele riu, aproximando-se dela.
"Se você soubesse como tem fãs por aqui" Comentou, beijando-a no rosto.
"Acho que meu namorado, certamente, é o número um" O sorriso dócil não era compatível ao tom de voz.
Dean riu. Olhou-a, suplicante.
"Se você me desse uma chance só..."
"...Theo não iria gostar nem um pouco de chifres"
Dean enrijeceu.
"Eu te respeitei quando decidiu sair com Harry, Ginny, não gostei" Disse, sério. Um brilho meio doentio no olhar que a ruiva não gostou nem um pouco "Mas respeitei, porque sabia que você tinha aquela paixonite por ele" Aproximou-se mais da menina "Então, quando era minha vez de ter uma chance, você a entregou para Nott?"
Ginny o encarou, boquiaberta. Como assim? Ela nunca prometera dar uma chance a ele. Como se ela funcionasse a base de chances. Como se a vez fosse mesmo de Theo.
"Olha, se era inveja de Luna porque ela está namorando um sonserino, é bobeira..."
"Cala a boca, Dean!" Explodiu. "Cala a boca!" Seu rosto vermelho, a respiração ofegante, a vontade de evitar uma discussão evaporando e sentiu aquela sensação novamente. "Sabe por que não te dou uma chance? Porque você está sempre pensando o pior de mim!" Apontou o dedo na cara dele, que recuou "Com certeza, pensa como os demais do castelo, não é! Pensa que estou louca para ter um namorado rico ou famoso!"
"Não disse isso, Ginny" Ele tentou aliviar a tensão "Mas você sempre soube como me sentia por você..."
"Até que eu poderia ter levado a sério seus sentimentos, Dean, se não estivesse gostando de outra pessoa!" Continuou, alterada.
"Ginny, por favor" Suplicou.
"Para de se humilhar, Thomas" Malfoy entrou na Ala Hospitalar. "Você é patético"
Dean se virou e apanhou a varinha. Encarou o loiro, que tinha um deboche mal disfarçado na expressão.
"Vai atacar o Monitor Chefe?" Arqueou uma sobrancelha.
"Não tenho medo do seu distintivo, idiota"
"Vai atacar um Malfoy?" Cruzou os braços, agora.
Dean pestanejou.
"E qual o problema?" Devolveu "O papai comensal vai me pegar?"
"Estupefaça!"
Ginny encarou o loiro, alarmada. Em um segundo tinha um sorriso superior e cínico nos lábios, no próximo havia atacado Dean.
"Draco!" Repreendeu-o. Ele a encarou. Seus olhos estavam escuros. Ele voltou a atenção ao corpo inerte do grifinório e, com um feitiço rápido, jogou-o em uma das camas. Ginny, mesmo incerta, aproximou-se do loiro. Não tinha motivo para sentir medo dele, tinha?
"Já foi liberada?" Perguntou, a sua voz não estava tão estável, mas a cor dos olhos suavizavam, diante da ruiva.
"Madame Pomfrey acabou de me dar alta" Contou.
"Ótimo" Passou a mão nos cabelos loiros. Encarou a ruiva nos olhos e deu um passo à frente. Puxou uma mecha de cabelo para atrás da orelha. Então, inclinou-se e depositou um beijo suave em seu rosto.
Ginny sorriu.
"O que você está fazendo aqui?" Perguntou, desconfiada, afinal, ele deveria estar em aula. Será que estava passando mal?
"Snape me expulsou da aula" A ruiva arregalou os olhos, surpresa. Severus Snape, padrinho dele, expulsou-o da sua sala? "Mas isso não importa agora" Draco sorriu para a ruiva. Não importava mesmo, afinal, ele pediu para ser expulso. Alcançou a sua mão e a conduziu para fora da Ala Hospitalar.
Ginny levou um tempo para entender que ele estava andando de mãos dadas com ela pelos corredores do Castelo, mal percebeu que ele conduzia o caminho também.
"Onde estamos indo, Draco?"
Ele sorriu e abaixou o olhar para ela.
"Para Hogsmeade," Contou. "aposto que você está louca para ter uma refeição decente"
Os olhos da menina brilharam. Claro que estava. Viveu à base de poções fortificantes e sopas nos últimos dias. Teve os chocolates de Blaise, claro, que foram uma bênção. Mas sentia falta de comer e beber propriamente. Teria ido para a cozinha de qualquer jeito. Espera aí. Precisava pensar propriamente. Seria loucura sair do Castelo.
"Você está louco?" Exclamou. Parou de andar e soltou a mão do rapaz. "Mamãe vai me matar se descobrir que saí daqui!"
"Ela não vai descobrir" Respondeu. Não havia como. Ele já saiu do Castelo escondido algumas vezes. Potter saía o tempo todo.
"Mas você se lembra do receio que eu estava sentindo ontem?" Perguntou. Não queria falar medo. Fazia-a se sentir fraca. "Sair do castelo não iria me expor?"
Draco ponderou. Ela tinha razão, claro. Mas...
"Não vou deixar nada de ruim acontecer à você!" Ele parecia ultrajado.
Ginny não pôde evitar um sorriso.
"Se um louco aparecer e tentar me acertar com uma cadeira, você vai me salvar?" A pergunta saiu de sua boca antes que pudesse filtrá-la.
Draco voltou a pegar sua mão. Aquele sorriso retornou aos seus lábios.
"Sempre"
A ruiva riu. Sabia que o tom da sua voz era como se fosse uma simples brincadeira, mas ela sabia que toda brincadeira tinha um pingo de verdade e não pôde conter sua boca novamente.
"Certo" Concordou. "Quero vê-lo tentar me salvar da detenção que vou receber quando descobrirem que saímos"
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Estavam no Três Vassouras.
O bar estava vazio, obviamente, pois era uma quinta-feira. O lugar costumava ter mais público nos fins de semana.
Draco pediu à garçonete tudo que Ginny disse estar com vontade de comer. Não queria nada em especial, afinal, não estava com fome. Mas, por educação, faria companhia à menina durante à refeição.
"Sério, Draco, é muita coisa, acho que a gente não vai aguentar..." A ruiva se chutou mentalmente por ter caído na conversa do loiro. Durante o caminho ao vilarejo, através de uma saída secreta no terceiro andar, ele perguntou à ela o que gostava de comer e ela, estupidamente, contou todos os pratos favoritos, pois era o que mais pensava toda vez que precisava tomar outra sopa durante a internação.
"Desencana, certo?" Disse relaxado, dando um longo gole na sua cerveja amanteigada. Fez uma careta. "Isso é tão fraco, deve precisar de uns quinze copos para ficar bêbado" Referia-se à bebida.
Ginny revirou os olhos.
"Você não precisa ficar bêbado toda vez que toma bebida alcoólica"
Draco arregalou os olhos, fingindo surpresa pelo que a menina falou.
"Você só pode estar brincando!" A voz falsamente atônita "E Blaise me enrolando esse tempo todo..."
Ela riu e Draco não pôde evitar o sorriso que esboçou no rosto.
"Qual foi a pior situação que Blaise já te colocou?" Perguntou, curiosa.
Draco a encarou, pensativo.
"Uma vez, quando tinha uns dez ou onze anos," Começou, um olhar de lembrança na expressão "meu pai havia me colocado de castigo porque tinha dado um murro em Theo" Riu, para si mesmo. Seu pai o colocou de castigo mais pela briga ao modo trouxa do que pela briga com seu amigo de infância. Na verdade, estava acostumado a ver Draco brigando com Theo. "Não podia sair da Mansão nem para ir ao jardim. Então, Blaise apareceu lá, na companhia de Severus" Ginny quase perdeu o apetite ao ouvir o rapaz falar com um certo carinho do detestável professor "E se enfiou no meu quarto. No próximo segundo, estávamos viajando via flu para Madri, no próximo minuto, havíamos perdido nossas calças e estávamos dentro de um bar bruxo homossexual e, na próxima hora as autoridades bruxas locais já haviam chamado meu pai" Soltou uma risada nasal. A ruiva gargalhou. Parecia com uma história que envolvia Blaise Zabini.
"Seu pai quis te matar, né?" Tentou recuperar o ar.
"Antes fosse" Respondeu, antes de dar outro gole na bebida "Fui perdoado, meu pai ficou muito preocupado com a minha orientação sexual" Explicou "Se seu único herdeiro fosse gay, seria o fim da família" Subitamente, sua expressão fechou "Frequentei um psicólogo durante meses"
"E Blaise?"
"A mãe dele não se importou e meu pai não podia obrigá-lo a frequentar um psicólogo também" Sorriu de novo, malicioso "Acho que foi um erro, Blaise começou a ter uma certa tendência para coisa, você sabe" Ginny continuou rindo. Claro que sabia. Todos sabiam da fama de Blaise. Não importa o sexo, desde que o sangue seja puro. E da última fofoca do castelo também. Crabbe. Mesmo que fosse para resolver um problema para um amigo, não precisava ser com um homem. Como se fosse algo que importava para ele.
A garçonete trouxe a refeição do casal, servindo-os fartamente, com um pouco de tudo que Draco pediu.
Ginny deu uma garfada no presunto assado com molho de maçã e quase desmaiou de tanto prazer.
"Está uma delícia!"
Draco sorriu, concordando com a menina, abocanhando um pouco de tudo. Havia pedido, além do presunto assado, carne de cordeiro com batatas, alguns legumes refogados e o salmão grelhado. Certamente, sobraria muita comida.
"Tem certeza que não quer mais nada?" Draco insistiu, quando ela terminou a refeição.
"Estou satisfeita" Informou. E estava mesmo Ah, o pecado da gula...
"E o que vai querer de sobremesa?" Passou um braço por trás dela, descançando-o no encosto da cadeira de sua cadeira.
"É, sério, Draco, estou bem já" Ela insistiu também. E era verdade. Não aguentava mais nada.
Mesmo assim, ele a ignorou e pediu a especialidade da casa para ela.
Ginny revirou os olhos.
"Achei que você não tinha encontros em Hogsmeade" Lembrava-se, no começo do ano letivo, do rapaz falando que achava patético encontros no vilarejo de fim de semana.
Draco virou-se para encará-la. Sorria como se tivesse ouvido uma piada e ela não.
"Eu não tenho" Respondeu, cético. Não se recorda de ter combinado um encontro sequer no vilarejo. Considerava um encontro, apenas um jeito mais educado de ir para cama com alguém. E ele nunca teve dificuldades para conseguir alguém na sua cama. Millicent costumava facilitar essa parte para ele. Lembra-se de quantas vezes ridicularizou outros colegas que marcavam encontros nos fins de semana de visitas aqui. "Talvez você tenha mudado isso, Gin"
A ruiva sentiu o rosto esquentar violentamente. Tinha certeza que ele não estava tentando ser romântico ou algo do tipo. Estava sendo apenas sincero. E o modo que seu apelido saíra carinhosamente de seu lábios, foi extremamente encantador. Não se recordava do rapaz a chamando pelo pré-nome, em qualquer circunstância. Sempre pelo sobrenome, não diferenciando-a dos seus parentes. Gin. Sorriu e não pôde evitar inclinar-se em sua direção.
Draco havia mudado da noite para o dia. O modo de tratá-la, de tocá-la, até de olhá-la.
Ele levou a mão para o rosto dela e fechou o espaço entre os dois. Beijou-a suavemente.
Quando o ar faltou para os dois, afastaram-se levemente.
"Você mudou" Ela sussurrou ofegante, os olhos ainda fechados.
"Não" Deslizou a mão pelo rosto dela e afundou em seus cabelos. Depois, afastou-se dela. Ginny abriu os olhos, encontrando o olhar intenso do rapaz "Algumas coisa mudaram, mas ainda sou o mesmo, não se esqueça disso"
A sobremesa apareceu na frente da menina. Sorvete de morango coberto com calda de chocolate e feijõezinhos de todos os sabores.
"Bom apetite" Ele incentivou-a a comer. Ginny não resistiu, mesmo depois de tudo que comeu, principalmente, quando a mão que ele apoiava no encosto da sua cadeira começou a brincar com as pontas dos seus cabelos, distraidamente.
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"Que merda!" Blaise explodiu. "Que merda!" Estava possesso. Como nunca esteve em toda a sua vida.
Não pôde evitar o soco na parede. Descontou toda a sua raiva nesse gesto e, mesmo assim, não foi o suficiente. Seus dedos estavam quebrados. Sua mão ensanguentada. E a raiva ainda era a mesma.
"Calma, Blaise!" Luna tentou, assustada. "Calma!"
O moreno a ignorou e começou a andar de um lado para outro. Nervoso.
"Ela não tinha o direito!" Exclamou, sendo a informação mais para si do que para os demais.
Pansy estava arrasada. A carta, endereçada à Blaise e que há poucos minutos estavam em suas mãos, agora estava toda amassada, entre seus dedos delicados. Certamente, esse seria o fim da sua fortuna. Desabou no sofá.
Theo entrou no Salão Comunal dos monitores chefes também. Fechou a porta estrondosamente.
"Papai acabou de me contar" Anunciou, informando que já estava por dentro do assunto dos amigos. "Disse que amanhã estará em todos as colunas sociais"
Blaise xingou alto.
"Divórcios bruxos não costumam levar um certo tempo para acontecerem?" Encarou Theo. Tinha uma leve sensação de que levava. Ou não. Nunca reparou. Nunca precisou saber antes. Mesmo sabendo que já deveria ser expert no assunto.
"Acho que ela já tem toda a papelada e encantamentos prontos antes mesmo do casamento" O rapaz respondeu, agachando-se em frente à Pansy. Acolheu a menina em seus braços. Ela afundou o rosto em seu peito.
Blaise voltou a andar pelo aposento. Pensava fervorosamente, passando os fatos rapidamente em sua mente. No entanto, não conseguia concluir nada. Queria tanto que sua mãe desaparecesse.
"Onde está o Draco?"
"Sumiu há horas," Theo respondeu à Luna "Snape o expulsou da aula" Virou-se para encarar Blaise. "Você deveria conversar com Snape" Sugeriu "Ou Lucius"
O moreno parou de andar e considerou a idéia de Theo.
Antes que pudesse dizer qualquer coisa, a porta se abriu novamente, revelando Ginny e Draco.
"O que aconteceu?" Ginny perguntou de imediato, alarmada com o estado de Zabini.
"Minha mãe e Richard Parkinson estão noivos" Blaise informou, olhando diretamente para Draco.
N/A: Oi, amores!
Agora que me dei conta que estou quase no trigésimo capítulo! Queria que vocês me dissessem se estão ficando enjoados da história ou acham que não está indo para lugar nenhum. Porque essa é a sensação que eu tenho. A história precisa ter um ápice e estou chegando lá. Haverá mais festas. Haverá mais intrigas, ciúmes e, sinto informar-lhes, mais separações também...
Estou com o próximo capítulo quase pronto.
Ah, e o que acharam do Draco? Diferente, não está? Eu adoro esse Draco. Ele não é um bobo apaixonado (eu não gosto de Draco bobo apaixonado), mas... aiai... haha... Minha intenção quando comecei a escrever essa fic era fazê-los se apaixonar devagar, se descobrindo... nada de amor à primeira vista. E estou satisfeita como a relação dos dois está crescendo...
Os pratos que Draco e Ginny comeram em Hogsmead não são inventados. Fiz uma pesquisa rápida de pratos típicos na Inglaterra! :)
Sinto muitíssimo por eventuais erros no texto. Quando eu entrar de férias vou escrever novamente todos os capítulos, corrigindo-os devidamente. Promessa!
OBRIGADA PELAS REVIEWS:
Ruiva (aii, o Draco ciumento é lindo, não é! Tenha certeza que Theo ainda vai sofrer muito, tadinho, ele é tão bonzinho. E gostou do momento DG especial que tiveram nesse capítulo?), Artemise3000 (gostou da reação do Draco? eu adoro o Draco preocupado, apaixonado... ciumento! haha ele é tudo de bom. na verdade, adoro o Draco de qualquer jeito!), Gaabii (que bom saber que acompanha desde o início! fico feliz que não são todas que me abandonaram... espero que goste do capítulo), misspotter (Oi, adorei sua review! sério mesmo! ai que bom que vc gosta dos casais, confesso que nao sou nem um pouco fã de HH, mas amo Ron/Pansy, então, nao queria que eles ficassem sozinhos tbm. Eles são super divertidos né... quanto ao Theo e a Daphne, há uma Padma Patil entre eles hahaha... mas vamos ver, até considerei a idéia, sabia? Ah! e o mesmo se aplica à você! aproveite muitoooo a sua vida e seja feliz! o tempo passa mto rápido... haha um beijão!), Kandra (Leu inteira em um dia? nossa, coragem, eu levei uma semana para reler toda a história... bom, só posso supor que tenha gostado mto da fic! espero que goste desse capitulo e continue acompanhando, bjoo), Schaala (nossa, eu também odeio quando isso acontece cmg, e olha que já aconteceu mto! Decidi continuar com a fic, pq ficava louca da vida qdo tinha uma fic que eu adorava tanto e estava incompleta. Bom, fico feliz que vc gosta da fic e espero que qdo acabar tenha se divertido mto!), Mari da Veiga (Oláa, tbm estava curiosa para saber como ia ficar essa relação dos dois, mas acho que esse capítulo já dá para dar uma idéia, ne! espero que goste ;), Naat (Oi, leitora nova, que bom que está gostando da história! adoro dramas tbm, achei que ia dar um tcham na fic... haha... o que achou do capítulo?), Jennifer Malfoy Weasley (Draco e Ginny juntos é tudo de bom né! eu estou louca para deixá-los juntos como casal assumido, mas acho tão engraçado o ciúme que Draco sente do amigo! vamos ver o que rola...), Juliana (haha você é fã de HH? Bom, então, vou considerar seu pedido, certo? mesmo porque não faz sentido só os dois acabarem sozinhos, não é. haha), Tati Black (olá, fã desesperada, fico feliz em saber que gostou da fic, mas espero que não tenha ido tão mal na prova! haha quantas vezes já troquei fics por estudos... espero que goste desse novo capítulo e continue acompanhando a história) e poke (ai, você gostou? acho que a maioria não gosta. Notei que a maioria não gosta de HH, mas prefere Hermione com Harry do que com Krum. Acho que se ela ficar com KRum, vou deixar Harry sozinho... tadinho... haha).
Um beijo, gente! Até a próxima!
