Boa leitura! VOLTEI PORQUE VOCÊS MERECEM!


Branco

Franzi o cenho.

Edward e eu?

Segurei o portarretrato com mais força que o necessário. Eu precisava sair do quarto de Summer antes que a acordasse novamente, então fui para a sala e liguei a luz, tomando coragem para encarar a imagem que era confusa para mim. Respirei fundo e fitei a foto.

Tentei relembrar de todos os momentos que tivemos, mas em nenhum houve fotos. Não teria como Summer portar algo assim. E ela parecia tão apegada ao portarretrato... Analisei cada mínimo detalhe, sentindo meu coração palpitar com mais rapidez, quando notei que o "eu" ali, era bem mais jovem, muito mais jovem.

O sangue fugiu de meu rosto.

— Oh Deus – sussurrei, as lágrimas queimando para caírem. – Esse... Esse Edward é tão jovem.

Como era possível uma foto com Edward e eu jovens? Em que mundo paralelo aquilo aconteceu? Minhas mãos começaram a tremer quando percebi que o cenário da foto era os armários da escola. Porra, que merda era aquela?!

O que estava acontecendo?!

Eu teria conhecido Edward quando adolescente? Mas, por que ele não me contou isso? Por que essa merda toda estava sendo jogada no ventilador logo agora? Logo agora que fiz amor com ele, que falei sobre meu acidente... Oh isso.

Ele sabia do meu acidente.

É a única opção que restava.

Os sintomas que Edward detectou como ataque de pânico, começaram a me assolar. Descobrir que Edward fez parte da minha vida, de alguma forma, que ele mentiu para mim... Não podia acreditar nisso. Meu Edward não faria isso.

Por favor, não.

— Isso é tão horrível – murmurei chorando.

Com raiva, taquei o portarretrato o mais longe de mim, temendo que aquela descoberta queimasse-me viva. O estrondo deve ter acordado Edward, porque ele apareceu na sala apenas de cueca e cabelos revoltos, meio perdido, mas preocupado.

— Baby, o que houve? Aconteceu alguma coisa? – correu até mim, sentando-se ao meu lado no sofá. – Bella, fale comigo! Escutei um barulho e só...

— Cale-se – grunhi entredentes.

— Bella? – indagou um pouco magoado com meu tom de voz. – Por que você está assim? Não chore, baby.

Ele tentou tocar em mim, porém, eu o empurrei, levantando-me. Tudo me sufocava, era como voltas e mais voltas no meu cérebro e nada acontecia. Porra, Edward não deveria estar no meu passado, não tinha sentido!

— O que te deixou assim? – estreitou os olhos, provavelmente procurando uma resposta. Será que ele chegaria ao óbvio tão rápido ou eu teria que dar uma ajudinha? – É outro ataque de pânico? Vem aqui, eu cuido de você.

Balancei a cabeça várias vezes, sentindo as lágrimas escorrerem.

— Que merda é essa, Edward? – apontei para o portarretrato no chão. – Por favor, me diz que isso não é verdade...

Ele levantou do sofá e foi até o portarretrato, pegando-o. Quando os olhos dele viram a imagem, eu soube que era verdade. A expressão dele entregou tudo. Isso só me fez chorar mais. Eu estava sendo enganada há meses.

— Bella...

— Por quê? – perguntei quebrada. – Por que você não contou que me conhecia? Por que isso estava com Summer? Por que, Edward? Por que você me escondeu isso?! – gritei. – Minha cabeça está explodindo – agarrei meus cabelos, tentando tirar a dor que se propagava rapidamente no meu crânio. – Tudo dói. Só me explique o porquê...

— Eu... eu sabia que chegaria o dia da verdade, mas nunca pensei que seria assim... desse jeito... Bella, eu te amo, deixe eu cuidar de você, não consigo te ver nesse estado...

— Não mude de assunto! – elevei mais ainda a minha voz. – Foda-se o meu estado, foda-se o amor! Será que dá para explicar o que está acontecendo de uma vez por todas?!

Então eu vi uma cena que ficaria gravada para sempre na minha mente. Edward caiu de joelhos em minha frente com a cabeça baixa e pelo jeito dos ombros mexerem-se rapidamente, ele deveria estar chorando.

— O que você quer que eu explique? – murmurou erguendo os olhos avermelhados para mim. O olhar dele era de desespero... Ele estava devastado.

— Quando nos conhecemos? – consegui perguntar.

— Tínhamos quatorze anos, você era a líder do grêmio estudantil e me pegou com outra garota em horário de aula, então nos mandou para a diretoria.

A voz dele parecia morta. Eram só palavras.

Palavras que me machucavam tanto.

— Quatorze? Tanto tempo assim? – solucei.

Ele somente assentiu esperando pelas perguntas.

— Nós éramos amigos?

— Eu te odiei porque você se meteu onde não tinha sido chamada – riu amargamente. – Depois eu só conseguia pensar em você e no quanto eu te achava linda. Você me odiava, eu tinha certeza.

— Nós nos odiávamos...? – em que mundo eu odiaria Edward Masen? – Mas, e o portarretrato? Nós não estávamos nos odiando ali.

Edward ficou em silêncio por alguns segundos, fitando o portarretrato que ainda estavam nas mãos dele.

— No seu aniversário de dezesseis anos, você conversou comigo e viramos amigos. Essa foto foi tirada por Alice em um dia qualquer na escola.

Arfei, sentindo a dor me atingir mais ainda.

Alice estava nisso também. Deus, eu conhecia Alice.

— Alice?

— Nós éramos melhores amigos, eu, você, Jasper e Alice.

Meu coração parecia que ia sair pela boca. Eram tantas coisas ao mesmo tempo! Edward... Alice... Jasper. Ele era o marido dela, não era? O que deu o Nemo para Summer? Então era por isso aquelas expressões engraçadas. Eles me conheciam.

— Eu... eu esqueci de vocês. – gaguejei. – Não sei nada de vocês. Como isso pode ser possível, Edward? Por que tudo dói? Por que você não me contou a verdade?

Eu ia desmoronar a qualquer minuto.

Parecia que ele pressentiu isso, pois no momento seguinte, eu estava em seus braços, agarrando-o como se minha vida dependesse daquilo para me manter sã. Entretanto, era quase impossível. Eu estava beirando à loucura.

— Calma – disse baixinho em meu ouvido. – Fique calma.

— Só me diz a verdade – implorei chorando no peito dele. – Toda a verdade. Não mente mais para mim, eu não vou suportar.

Senti as mãos dele esfregando as minhas costas com carinho. Ele tentava me acalmar, mas seria muito difícil surtir algum efeito. Eu sabia que tinha mais coisas, que tinha muito mais.

— Na nossa formatura eu dancei com você – contou, apertando-me contra ele. – Foi tão lindo, era o meu sonho te ter tão perto. Depois te levei para a praia, a lua estava brilhando, deixava você encantadora. Foi quando eu disse que te amava pela primeira vez.

Solucei em meio aos tremores. Aquilo doía demais. Eu tentava lembrar de cada palavra dele, mas nada vinha. Porém, ao mesmo tempo, eu sabia que eram palavras verdadeiras. Nosso primeiro olhar foi uma mentira. Nosso primeiro beijo foiuma mentira. O que mais teria sido mentira?

— Fomos para Dartmouth, nós tínhamos um apartamento só nosso.

— Então você... você... – tudo girava, respirar doía. – Você era o pai do meu bebê.

Uma crise de choro pior que a que me dominava, caiu sobre mim. Edward era o pai do meu bebê morto. Edward tinha sido o meu primeiro homem. Edward... Deus, isso estava me matando aos poucos. Eu sabia que não podia ser verdade a história de minha mãe.

Minha mãe.

Ela sabia. Por que ela mentiu para mim? Por que me escondeu isso? Riley também sabia, era tão óbvio agora. Por isso que ele estava tão preocupado comigo.

— A perda do nosso bebê acabou conosco, Bella – os olhos verdes estavam marejados e a voz embargada. Eu tinha vontade de dizer que tudo ficaria bem, mas não era verdade.

— Nós nos separamos?

Negou.

— Não. Na verdade, viramos dois zumbis durante um ano, então, eu tomei uma decisão. Foi quando te pedi para ser minha para sempre, no Central Park, numa carruagem com direito à um buquê de tulipas.

Soltei-me dele confusa. Ele me pediu em casamento? Andei alguns passos para trás, balançando a cabeça várias vezes, não querendo acreditar naquilo. Minha mente estava indo para um rumo que não teria mais volta, caso eu prosseguisse. Não. Não podia ser. Estava fora de cogitação.

— É verdade – afirmou sobre o pedido de casamento, mas minha cabeça estava em outra coisa. Numa coisa muito mais doentia de se esconder.

— Você disse que era noivo há sete anos – lembrei do nosso passeio quando ele também me deu uma tulipa. – Você não me enganaria a esse ponto, não é? Por favor, Edward... Eu não posso acreditar no que está vindo à minha mente, é doentio. Diz que é loucura, que não tem nexo.

— Bella... – encolheu os ombros como se eu tivesse o ferido. – Eu não quis mentir. Nunca quis. Mas era necessário, Bella. Não podia falar toda a verdade na sua cara quando nos vimos no hospital. Não era só o meu egoísmo... Era por ela.

Deus, não!

— Summer... – tapei a minha boca chocada com o quanto ele tinha sido tão baixo. Com o quanto todos foram tão baixos. Mentiram para mim... Sobre ela. – Isso é doentio. Doentio! Ela é minha filha — a palavra pesou na minha língua. – Agora eu entendo todo o medo dela de que eu não acordasse mais, de que tudo fosse um sonho... Deus, o que essa criança não passou? Porra, eu tenho uma filha, será que dá para você entender o quanto isso é grave? O quanto isso me machuca? Você é louco, Edward. Louco – a acidez na minha voz escorria. O meu interior parecia que se solidificava a cada nova descoberta, o amor esvaindo a cada segundo. Tudo era tão branco. Tão vazio. Frio. – Eu quero a guarda dela.

— Isso não, Bella... Não a tire de mim. Summer é tudo o que tenho, a gente pode cuidar dela juntos. Eu juro, ela sempre soube de você, ela sempre a amou... Mas, eu sou o suporte dela, não mude isso tão radicalmente. Eu te imploro, não tire minha menina de mim.

— Você disse não? – arqueei uma sobrancelha com raiva.

Ele acenou que sim.

Foi o que bastou para que eu saísse quebrando toda a sala. Ele realmente achava que eu deixaria Summer? Que eu não lutaria por ela? Ela era minha.

Oh, Summer. Todo o amor que eu sentia por ela tinha um sentido, afinal. Era um amor de mãe. Por que nos privaram disso? Por quê?

— Você vai acordar Summer! – prendeu-me em seus braços fortes – Bella, eu sei que é tudo horrível, que tudo está explodindo. Eu entendo que você esteja sofrendo, porra. Mas Summer é o meu mundo. – choramingou a última palavra. – Você acha que estou te enganando? Baby, passei quatro anos da minha vida lutando por você e por Summer, porque eu sabia que era minha culpa você estar deitada numa cama. Eu lutei cada minuto, cada dia. E quando você acordou, eu não estava lá. Sabe o quanto isso me matou? O quanto Summer sofreu? Renée simplesmente sumiu com você e ameaçou tirar Summer de mim, eu não tinha muito o que fazer. Todas as dicas sobre o seu paradeiro eram falsas... Eu tentei, Bella. Por Deus, eu tentei. Até que te vi no hospital e você se apresentou como professora de Summer. Nos quase três anos que te procurei, você estava bem perto.

Respirei fundo. Toda a minha trajetória desde que acordei era uma mentira. Cada memória de Edward tinha sido apagada no meu acidente e Renée se aproveitou disso. Não culpo Riley, pois ele era uma criança e minha mãe sempre argumentou bem.

Meu castelo de cristal quebrou-se. Nada era real. Quando algo foi real?

— Por que eu sofri um acidente?

Eu sentia que essa era uma peça importante para todo esse quebra-cabeça. Pelo modo como estremeceu enquanto me apertava, eu sabia que estava certa.

— Eu te traí – confessou. O repúdio era facilmente encontrado na voz dele, mas foi o estopim para tudo ruir.

Empurrei-o com toda a minha força, odiando cada toque que me deu, cada beijo, cada olhar. Ele me traiu. E mesmo que isso me fizesse querer morrer, era muito pior. A traição dele foi muito além de sexualmente, ele me traiu como companheira. Ele me traiu quando não falou da minha filha. Ele me traiu quando fez amor comigo enquanto eu estava no escuro.

— Eu tenho nojo de você.

Virei-me e saí da sala. Eu precisava pensar, precisava de respostas, precisava abraçar a minha filha. Fui até o quarto de Summer e limpei o meu rosto, apesar de eu apostar que estava inchado.

— Bella, ela está dormindo, pense no que vai fazer.

Não dei ouvidos a ele e simplesmente fui abrindo todas as gavetas, pegando um tanto de roupas suficientes para alguns dias. Achei uma mala rosa e coloquei tudo lá, assim como alguns pares de sapatos. Para onde eu iria com Summer, ela sentiria calor. Era preciso de chinelos.

— Ela tem chinelos?

— Bella – começou e eu o interrompi.

— Ela tem ou não, os chinelos?!

Com um suspiro, ele me entregou um par de chinelos florido. Guardei tudo e fui até a cama, sentando-me com cuidado, para analisá-la melhor. Summer era tão linda. Os traços suaves e perfeitos... Só de olhar nos cabelos castanhos, me dava orgulho de saber que eles eram uma parte minha.

— Querida – chamei-a, acariciando o rostinho de querubim. – Summer, acorda, é a mamãe.

Os olhos tremularam levemente até abrirem. Ela piscou demoradamente, confusa. Depois pegou a minha mão e a segurou.

— Mamãe? O café da manhã já pronto?

— Minha princesa, não vai dar tempo para fazer o café da manhã – puxei-a para mim, abraçando-a como uma leoa protetora. – A mamãe te ama, você sabe, não é?

Ela me fitou e depois abriu um sorriso lindo.

— Eu também te amo, mamãe. Sempre. Do tamanho do céu, lembra?

Assenti, as lágrimas rolando no meu rosto. Minha filha estava entre meus braços, dizendo que me amava. Eu não sabia como distinguir o que era esse momento, porque ao mesmo tempo que meu mundo desmoronava, aquela menininha conseguia fazer tudo brilhar.

— Claro que eu lembro – dei um beijinho de esquimó nela. – Você vai viajar com a mamãe, tudo bem?

— E o papai? – ela virou-se para ele, fazendo-me lembrar que Edward ainda estava no quarto.

Edward apenas nos fitava chorando em silêncio. Acho que ele não tinha nada além das lágrimas para conseguir expressar-se.

— O papai não vai.

Summer me soltou e correu para o pai, esticando os braços para que a pegasse. Ele a colocou no colo e a abraçou; os dois choravam. A cena me quebrou mais ainda. Eu não podia machucá-la, mas precisava dela comigo. Precisava sentir que a nossa conexão era forte.

— Papai, vem com a gente – ela suplicava, agarrando-se nele com as pernas e os braços. – Por favor, por favor, por favor.

— Meu bebê – balbuciou, beijando-a na testa. – Vai com a mamãe.

— Mas papai...

— Olhe para mim, Summer – ele exigiu, mas de certa forma, saiu como uma carícia. – O papai ama você e eu prometo com todo o meu coração que o papai vai estar aonde você estiver, porque o papai está bem aqui – então apontou para o peito dela.

Eu quis me bater por estar separando-os. Mas foda-se, eu estava muito mais machucada que ele.

— Papai, não quero te deixar – enroscou-se mais ainda nele. – Por que você não pode viajar?

Edward me encarou e veio até mim com Summer grudada nele.

— A mamãe só quer ficar um tempinho com você, princesa. Acho que ela vai visitar a vovó – eu assenti quando ele me fez a pergunta muda. – Você não quer ver a vovó? Tem a tia Esme também, eu posso ligar para ela encontrar vocês. Filha, é só um passeio, não precisa ficar assim.

— Promete que é só um passeio, mamãe? – fitou-me de canto com um biquinho nos lábios.

O que eu poderia fazer, a não ser concordar? Summer viria em primeiro lugar sempre.

— Só um passeio.

— Então eu vou – sorriu, o rosto molhado de lágrimas. – Papai, vou sentir saudade e eu te amo de montão.

— Eu também te amo, querida. Eu também.

Ele me entregou Summer e pegou a mala rosa saindo do quarto. Suspirei, tirando os cabelos do rosto dela que grudavam nas lágrimas.

— Mamãe, o feitiço foi quebrado?

— Como, querida?

— O feitiço do esquecimento – falou baixinho como se fosse um segredo. – O papai me contou que você era uma princesa que foi enfeitiçada, que nem a Bela Adormecida, mas quando acordou, não lembrava mais de um monte de coisas.

Mordi meu lábio inferior, temendo chorar na frente dela. Summer não precisava de mais sofrimento na vida dela. Como não deve ter sido todos esses anos para ela? Deus, eu dava aula para Summer e ela sabia que eu era a mamãe. Por que nunca havia falado nada?

— A mamãe descobriu um monte de coisas, Summy. Posso não lembrar, mas agora já sei que você é minha filha. E isso é o mais importante.

Os olhos dela brilharam.

— Eu tinha medo de falar que você era minha mamãe e tudo ser um sonho. Fiquei quietinha para que eu sonhasse para sempre. Nem o papai sabia, era só o meu sonho.

Toquei na bochecha dela e depois no nariz, brincando. Ela riu e eu também. O peso de um sonho de uma menininha era enorme.

— Não é um sonho – afirmei.

— Agora eu sei, mamãe.

Beijei-a no topo da cabeça, saindo do quarto com ela. Edward estava na sala, vestido com uma calça jeans apenas. A mala rosa estava do lado dele e ele segurava minhas roupas.

— Troque-se, eu já liguei para um táxi. Você está muito nervosa, não quero correr nenhum risco.

Assenti, deixando Summer com ele enquanto me trocava. Assim que eu estava pronta, o táxi chegou. Edward estava tão destruído, era visível. Mas, eu também estava. E mesmo eu odiando isso, não podia voltar atrás.

— Só tome cuidado, está bem? Ela é alérgica a poeira, como eu já tinha te dito. Ah, não dê chocolate perto da noite, ela não conseguirá dormir... – disse enquanto entrávamos no táxi. Minha picape estava na garagem dele. – Bella, não deixe Summer sozinha com Renée, por favor. Qualquer coisa, me ligue.

— Eu cuidarei bem da minha filha, não se preocupe – falei com raiva.

Eu não era idiota, saberia cuidar de uma criança.

Então o táxi zarpou a caminho do meu apartamento, deixando Edward sozinho na rua, vendo o carro distanciar-se.

Assim que cheguei em casa, Summer estava quieta, mas riu quando viu Riley adormecido no sofá. Logo ele teria que ir para a escola.

Merda. Escola.

— Summy, vou colocar no desenho para você, está bem? Senta ali da poltrona enquanto a mamãe faz o seu café da manhã.

Deixei a televisão ligada para ela e fui até a cozinha. Acabei por achar algum cereal de Riley, então, coloquei numa tigela com leite. Peguei meu celular e liguei para Tanya enquanto arrumava a mesa na cozinha.

— Por que você está me interrompendo nessa maldita hora? – resmungou sonolenta.

— Por favor, Tanya – implorei.

— O que houve? – perguntou após pigarrear.

— Preciso que você me substitua hoje. É muito importante.

— Merda, Bella – grunhiu. – Desculpe, Mike, não, está tudo bem... – falou baixinho, mas pude ouvir. O que Mike tinha a ver com ela? – Bella, daqui a pouco passo aí e pego seu planejamento de aula. Mas está acontecendo algo? Você nunca falta.

— Está acontecendo tudo de uma vez, uma bola de neve. Simplificando... Edward é meu noivo há quase oito anos e eu sou a mãe de Summer.

Silêncio.

— Puta que pariu! Que porra é essa, mulher?! Como assim?! Mike, fica quieto, caralho. O mundo está de ponta cabeça e você resmungando. Mike, cala a boca...

Desliguei antes que eu ouvisse mais do que não deveria. Pelo visto, os dois deram uma chance à paixão reprimida que havia entre eles.

— Summer, temos cereal e leite.

— Eu gosto – assentiu, deixando a poltrona e vindo até mim. Servi ela direitinho e fui acordar Riley para se arrumar para ir para à escola.

Dei um tapa de leve no braço dele e tirei o boné da cabeça dele. Mesmo assim, Riley continuou dormindo como se nada tivesse acontecido. Meu segundo tapa foi um pouquinho mais forte e o despertou com um gritinho quase feminino, fazendo-me rir.

Meu primeiro riso do dia.

Doeu.

— Bells? Por que me bateu, está louca?

Revirei os olhos.

— Vá tomar um banho, é sexta ainda e você tem aula.

Ele boquejou, mas levantou-se e assustou-se um pouco quando viu Summer sentada à mesa e comendo cereal.

— Tem uma menininha ali – apontou.

— Tem – concordei, fitando-o com uma sobrancelha arqueada. – Uma menininha que está tomando o café da manhã que a mãe dela preparou. Normal, Riley.

A boca dele abriu. Ele percebeu que eu já sabia. É verdade que eu tinha uma certa raiva por ninguém me contar... tudo bem, eu estava puta de raiva, todavia, Riley era meu irmão e o menos culpado naquilo tudo. Ele faria o que minha mãe dissesse que era o melhor para mim.

— Vá logo tomar o seu banho, depois a gente conversa. Ah, ligue para Jacob e diga que esse fim de semana você vai ficar lá... A não ser que queira ir comigo para Jacksonville.

— Jake. Mil vezes Jake. Essa merda não vai estourar perto de mim – levantou as mãos indo para o banheiro.

Algum tempo depois, Riley estava comendo bacon e dando uns pedacinhos para Summer enquanto eu separava meu planejamento de aula para Tanya. Eu já tinha avisado a escola sobre a minha substituição e ficou tudo acertado. Logo Tanya chegou, toda arrumada e desesperada.

Ela queria saber cada detalhe do que tinha acontecido, mas prometi contar depois que eu voltasse de viagem. Minha cabeça iria explodir se eu tocasse no assunto novamente e eu ainda tinha que falar com J. Jenks às três. Com um muxoxo e um dar de ombros quando questionei sobre Mike Newton, Tanya deixou a minha casa. Provavelmente, ela estava querendo me matar, pois adorava uma boa história para comentar com Charlotte.

Riley foi para a escola e já tinha deixado avisado com Jake que ficaria o fim de semana lá. Eu reservei duas passagens para Jacksonville para às cinco, assim eu teria tempo para conversar com J. Jenks. Deus, o que mais ele me diria?

Quando deu três horas, eu já estava no escritório de J. Jenks – o detetive que contratei. Summer estava com alguns livros para pintar, entretida com a secretária. Eu pedi que ela cuidasse de Summer enquanto eu conversava e com um sorriso solicito, a secretária aceitou.

— Srta. Swan – J. Jenks cumprimentou-me com um beijo na mão. Fiquei um pouco constrangida, porém, fingi que nada havia acontecido. – Por favor, sente-se. É melhor estar confortável com que vou lhe dizer.

Sentei-me e esperei para que ele começasse.

— Então?

— Está ansiosa, não? – riu rouco, pegando uma pasta que estava embaixo de outros papéis. – Aqui tenho as provas do seu passado, Srta. Swan. Pode ler à vontade.

Peguei a pasta e a abri. Meus dedos tremiam ao tocar nas folhas. Havia xérox de fotos minhas com Edward nos beijando, fotos da formatura na faculdade, assim como havia recortes de jornais sobre o meu acidente e o tempo que fiquei em coma. Tinha um relato detalhado do médico que me tratou, falando do quanto Edward esteve ao meu lado todos os dias.

Era muita coisa para assimilar.

— Você perdeu sua memória ao acordar do coma, mas deixou muita coisa além das lembranças. Pelo que descobri, a Srta. vivia um momento conturbado com seu noivo Edward Cullen, hoje Masen, pois havia ficado grávida e corria risco de morte. Vocês ficaram bem afastados, como diz os relatos de pessoas próximas. Pelo que parece, você não podia sair de casa e Edward era contra a gravidez. Há várias imagens dele com essa loira, conhecida pelo nome de solteira Senna Foster, hoje Senna Green. Os burburinhos da época eram que você os pegou juntos e saiu com o carro desesperada, sofrendo assim seu acidente. A data do acidente bate com o nascimento de Summer Cullen, hoje Masen. Srta. Swan, você tem uma filha, isso é fato. – ele juntou as mãos, encostando-se na cadeira acolchoada dele. – O que eu acabei de dizer é só um resumo. Nessa pasta há muito mais.

Assenti um pouco atordoada. Minha vida estava sendo dita na minha cara por palavras e papéis. Finalmente eu sabia todos os vácuos de minha mente.

— Obrigado.

— É só o meu trabalho, Srta. – abriu um sorriso polido. – Deixei em anexo o endereço atual de todas as pessoas envolvidas. Por incrível que pareça, há quem esteja mais perto do que você imagina.

Ele deveria estar falando de Edward e Summer. Merda. Eu precisava chegar logo à Jacksonville, precisava saber pela boca de minha mãe o motivo dela mentir sobre Edward, o porquê dela fingir que eu não tinha um passado, que eu não tinha uma filha. Pelo que Edward havia dito, ela sumiu comigo e deixou rastros falsos. Quem faria isso com a própria filha?

— Eu... eu já vou – levantei-me.

— Qualquer coisa pode contar comigo.

Assenti novamente e despedi-me, saindo do escritório. Chamei Summer e voltamos para o meu apartamento para pegar nossas malas. Tínhamos que ir para o aeroporto esperar o nosso voo.

Muitas coisas ainda seriam ditas. Muitas coisas ainda seriam quebradas. Mas eu precisava começar por um ponto ou ficaria louca...

Minha mãe.


NOTA DA AUTORA:

BOOOOOOOOOOM *bomba explodindo*

Espero vocês nos comentários :3