Capítulo XXV
~Melhor chamar Sakura!~
Depois dos ataques da misteriosa organização, Sakura luta cada dia mais para encarar a nova realidade: aprendendo a ser mãe solteira e criar um filho pequeno sozinha…
Por Sakura Kinomoto.
Flashback:
Era mais uma noite qualquer que iria para a faculdade numa das raras vezes de metrô, se não fosse o pressentimento que alguma coisa de errado estava acontecendo no seu apartamento. Saiu do metrô onde estava e correu para o lugar. Móveis fora do lugar, corpos nocauteados de diversos homens e mulheres armados com armas brancas, espalhados ao redor daquele prédio e um homem careca que se chamava "Dian Shi" segurava o pequeno Sholong na varanda.
Meiling e Kero haviam derrotado os homens e impedido que as cartas fossem subtraídas, mas a vida do pequeno, presa a um frágil fio nas mãos daquele homem impediu que os dois parceiros dessem mais algum passo. Sakura não hesitou e convocou a carta Esperança; a carta arremessou o homem pela varanda até o térreo e tirou o pequeno Sholong das mãos daquele homem.
Policiais de Osaka, Touya, a imprensa e Syaoran souberam do acontecido. Foi então que o superintendente da polícia estendeu as mãos para Sakura:
– Vamos encontrar e acabar com eles! Fique com as cartas em mãos e colabore conosco!
Syaoran estendeu a sua e apresentou outra proposta, sabendo que Sakura já tinha preocupações o bastante para cuidar com faculdade e família:
– Sakura, precisamos que as cartas voltem para a China imediatamente!
Kero e Touya, por sua vez, também deram o seu parecer:
– Sakura, você precisa ficar forte para enfrentar essa organização! Precisamos treinar firme! – Disse Kero.
– Eu te dou aulas de Karatê se precisar… sou terceiro dan…
Indo contra Syaoran, Sakura apertou as mãos de Makoto e de Kero e aceitou a proposta deles. Syaoran ficou profundamente irritado com a esposa:
– Sakura, você sabe o que está fazendo? Você tem uma faculdade pra fazer, uma família para cuidar e você vai usar o pouco tempo que você tem pra combater uma organização que você nem sabe o que é direito? Eles querem as cartas! Eles querem você! Você precisa mantê-las a salvo!
Sakura, com o olhar entristecido, respondeu para o marido:
– Syaoran-kun… me ajuda a combater eles?
– Sakura, não estamos no tempo das cartas Clow, quando você vai entender isso? Naquele tempo, só tínhamos a escola e nada mais, mas agora, estamos lidando com profissionais! Você entende os riscos! Eu trabalho usando meu físico, meu corpo! Não posso me esgotar a esse nível mais! – Syaoran agarrou a esposa e a encarou nos olhos. Sakura se sentia cada vez mais angustiada e respondia com dificuldade:
– Syaoran-kun… eu vou combater essa organização… eu esperava que você tivesse do meu lado…
– Eu estou do seu lado! Você vai trancar a sua faculdade por causa dessa organização, mas em vez de cuidar do seu filho nem pensar, não é?
Sakura não disse mais nada, baixou a cabeça e Syaoran continuou:
– Sakura eu estou do seu lado, do lado do seu bem e não do seu mal… tudo bem se você quiser combate eles, eu cuido do Sholong enquanto você cuida disso… – Syaoran agarrou o pequeno nos braços e se afastou de Sakura com Meiling do lado dele. Sakura ajoelhou-se no chão e chorou muito:
– Meu marido!
BCS!
No campo de treinamento da polícia, Sakura estava ao lado de Kero e do Superintendente Makoto Koribayashi, aprendendo técnicas do trabalho policial e aprendendo a controlar seus poderes mágicos:
– Sakura, como você tem uma fonte muito grande de poder mágico, você precisa controlar as forças da natureza por si mesma, você não pode depender das cartas para jogar magia neles como o fogo ou a água, você precisa fazer isso sem elas! – Disse Kero.
– E outra: você precisa saber atirar, ter noções de direitos humanos, abordagem, revista, direito básico, todo o essencial, afinal você agora vai treinar para ser uma oficial de polícia. Entendido aluna?
Meio que sem jeito, Sakura bateu uma continência:
– Entendido superintendente!
– Essa vai ser sua equipe a partir de agora: Subaru, Hikaru.
Um homem de sobretudo e chapéu branco e uma mulher de farda da polícia de Tóquio cumprimentaram Sakura.
BCS!
A cena havia mudado. Corpos de diversos homens e mulheres, uns com fardamento azul da polícia e outro com roupas brancas de wushu estavam lado a lado. Sakura estava com uma pistola quente nas mãos que atirou freneticamente naqueles homens e mulheres de branco. Era o atentato à polícia de Osaka, no dia da sua formatura.
Por cima da pilha de corpos, um homem chamado "Dian Ying" fazia uma dança estranha como se tivesse fazendo um "kata" de Wushu, mas, no caso, estava convocando magia. Um círculo mágico branco apareceu nos seus pés e um arco e flecha transparente estava em suas mãos:
– Flecha fantasma!
A flecha atingiu em cheio o seu peito. Era como se o seu coração explodisse. Pensando que ia morrer, lembrou-se das palavras de Kero sobre o princípio básico da magia:
– Sakura, concentre-se em reunir energia mágica em seu corpo, pense em uma forma ou elemento, use seu círculo mágico da estrela e revide!
Sakura concentrou-se na dor em seu peito, imaginou uma lança invisível nas mãos e, quando seu círculo mágico apareceu, arremessou a lança contra aquele homem. Dian Ying voou pelos ares e seu corpo explodiu. Dos fragmentos do seu corpo, foram moldados os corpos de outros membros da organização, todos com roupas brancas de wushu e círculos mágicos diferentes com inscrições chinesas nos pés, todos carecas, exceto as mulheres:
– Eu sou Shun Fanxun e vou explodir a sua mente! Explosão mental!
O homem, instantaneamente, pôs as mãos na têmpora e Sakura sentiu um fluxo mágico invadir a mente. Era como seu cérebro estivesse sendo esmagado. Não pensou em mais nada a não ser devolver a pressão de volta:
– Explosão mental!
Shun Fanxun teve sua cabeça estourada. Nesse instante, um fio prateado saiu do peito de Sakura e foi puxado por outro homem da organização com uma faca prateada nas mãos e um círculo mágico nos pés:
– Sou Ru Tanghu e posso controlar seu destino! Mais um passo e arranco a alma do seu corpo!
Sakura levantou as mãos para o céu. Fios prateados saíam de suas mãos e iam até o céu. Era como se movesse as estrelas:
– A sua vida já acabou! – Sakura fez a lua entrar em conjunção com Saturno e Ru Tanghu caiu duro no chão. Sua alma saiu de seu corpo como um vapor.
– Flare! – Outro homem da organização apontou o dedo para Sakura e fez com que uma explosão saísse de seu corpo. Ela caiu no chão com uma dor enorme, como se o corpo estivesse ardendo em chamas. De repente, Hikaru e Subaru apareceram ao lado e dão dois tiros no homem. Ele caiu no chão sangrando muito.
– Tudo bem, Sakura? – Pergunta Hikaru.
– Sim, sim… brigadinha…
Do nada, Syaoran aparece para ela, enquanto Subaru a erguia:
– Sakura, você não está me reconhecendo? Sou eu, Syaoran!
Sakura arregala os olhos e se levanta do chão, correndo para abraçar o marido, mas Kero, em sua forma verdadeira, voa até o pescoço dele, estourando-o. Sakura se desespera:
– Kero-chan!
– Sakura, esse é o Xinyi Huang, ele é um transformista! Ele se transfigurou pra te atacar! Olha a faca na mão dele! – Disse Kero e Sakura olha para a cabeça do homem. Não era mais Syaoran, era outro homem da organização.
– De mim, Xia Yu, você não vai escapar! Vento da morte! – Um homem da organização ataca Sakura com uma fumaça mágica que saiu de um facão e Sakura pede ajuda para Kero:
– Kero-chan, o que eu faço?
– Sakura, magia nada mais é do que fluxo de energia; o báculo e o círculo mágico são canais onde ela flui. Use o báculo e crie um círculo mágico! Vou ganhar tempo! – Kero lançou uma rajada de chamas contra a fumaça negra de Xia Yu.
Sakura fez uma coreografia e apontou o báculo para o céu, criando uma redoma mágica envolta dela e dos amigos. Enquanto se defendia, a fumaça de Xia Yu parou de fluir. Sons de luta eram ouvidos e no fim, a cabeça de Xia Yu foi golpeada por… Syaoran! O marido de Sakura segurou uma coisa nas mãos que tinha tirado do cérebro do homem e sumiu misteriosamente.
– Syaoran-kun…
– Não tão rápido, mocinha! Tente se defender disso aqui! – Uma mulher da organização levantou uma estátua próxima usando um graveto e dois dedos na têmpora e arremessou com tudo contra a redoma mágica que Sakura usava. A estátua quebrou, a redoma rachou e começou a se partir e Sakura ficou desesperada. Os fragmentos da estátua perfuravam com tudo aquela proteção mágica e Kero urgiu:
– Todos, segurem-se na Sakura! Sakura, visualize-se cruzando o espaço atrás daquela mulher!
– Mas, Kero-chan…
– VISUALIZE-SE SAKURA!
Sakura fechou os olhos e, quando menos esperava, estrava fora da redoma, atrás da mulher. Sem hesitar e com uma raiva tremenda, Sakura golpeou seguidas vezes a cabeça da mulher com o báculo, até perceber que havia estourado a cabeça dela. Sakura suspirou alivada. Havia liquidado com todos os homens da organização que saíram dos pedaços do corpo de Dian Ying.
BCS!
Sakura andou um pouco mais naquela paisagem completamente marrom envolta de si quando quatro robôs gigantes apareceram. Subaru convocou uma série de pássaros de papel que perfuraram a lataria daquelas coisas. Hikaru convocou a sua magia e uma flecha de fogo saiu de suas mãos. Desferindo inúmeros disparos. Kero usou suas patas e garras para destroçar aquelas coisas e Sakura lançou um jato mágico que tinha aprendido com Kero, usando o báculo contra eles. Os quatro robôs caíram, mas os quatro agentes ficaram bem cansados. Sem mais forças para combater, um relâmpago caiu sobre Kero, Subaru e Hikaru. Ficaram desacordados. Uma mulher com roupas vermelhas e um símbolo do ying yang no peito apareceu com uma espada em mãos.
– Eu sou Shufei e essa é a Hien! É uma relíquia da minha família, a família Li, e símbolo da sua derrota. Entregue as cartas ou pereça com eles!
– Família Li?
Quando Sakura chocou-se com a revelação, a mulher preparou o seu ataque:
– Raitei Shourai!
O mesmo raio que atingiu os três atingiu Sakura, fazendo-a desmaiar. A mulher apareceu instantaneamente sobre seu peito com os dois dedos em riste prontos para atravessar o peito de Sakura, com um misterioso pó brilhante saindo daqueles dedos. Sakura instantaneamente agarrou o braço dela, imaginou-o congelando e ele começou a congelar:
– Quem está por trás de tudo isso? Ou me fala ou eu te congelo! – Berrou Sakura.
– Nunca vai saber… – Sorrindo, Shufei atravessou seu peito com aqueles dois dedos em riste. Estava morta. Caiu de olhos vidrados e um homem com as mesmas roupas que ela usava apareceu instantaneamente ao seu lado e agarrou seu corpo antes que caísse. O corpo de Shufei desapareceu como poeira nos braços do homem e ele olhou furioso para Sakura:
– Você e Syaoran Li mataram a Shufei! Morra e me entregue as malditas cartas Clow! – O homem sacou uma esfera das suas vestes que logo se tornou em uma espada. Era a mesma espada que Syaoran tinha, para o choque de Sakura. – Raitei Shourai!
Um choque atravessou o corpo de Sakura com tudo, mas assim como o ataque mental de Shun, ela usou seu poder mágico para resistir ao ataque, criando uma redoma mágica envolta de si.
– Kashin Shourai! – O homem continuou e um ataque de chamas atingiu o escudo de Sakura.
– Ainda resistindo? Suiryuu Shourai! – Um jato de água atingiu Sakura, mas ela ainda se manteve no lugar.
– Desse você não vai passar! – Fuuka Shourai! – O homem concentrou-se, deixando os dois dedos do meio em riste e apontando a espada para Sakura, que se defendia. Uma rajada de vento forte acertou a redoma da cardcaptor, quebrando-o.
O homem correu e, do nada, apareceu do lado da cardcaptor dando um soco nela numa velocidade incrível. O homem se teleportava para todos os lados e enchia Sakura de socos e chutes. Sakura estava acabada, sangrando, com a cara inchada e os ossos doendo. Ajoelhou-se.
O homem fez uma coreografia e o círculo mágico de Syaoran, dois quadrados sobrepostos dando oito pontas no final com o símbolo do ying yang no meio apareceu. As mãos do homem brilhavam.
– Sakura, só com o mesmo poder que o meu você pode me vencer! O poder das estrelas!
Foi então que Sakura, com muita dor, cansaço e dificuldade, com o braço esquerdo quebrado, levantou-se e ergueu a palma da mão para o céu. O círculo mágico da estrela apareceu sobre seus pés e uma rajada de luz caiu em suas mãos. O mesmo pó brilhante que estava nas mãos de Shufei e do homem estava agora nas suas:
– Estrelas, me deem seu poder! Oh, pó das estrelas!
– Jamais! Ondas do inferno!
Sakura lançou seu poder contra o homem e as duas forças colidiram em um brilho amarelado. Era uma batalha de vida ou de morte e quem parasse primeiro pereceria. Tudo ao redor tremia. Foi então que Sakura, com um poder mágico maior que o homem e uma vontade enorme no coração de voltar para sua família e acabar com tudo aquilo, acertou a rajada mágica nele. Era como se o homem tivesse recebido uma saraivada de socos. Sorrindo, voando no ar, com todos os ossos triturados, o homem disse sua palavra final:
– Eu sou Li Heng He. Sakura, essa história não acaba aqui. Lembre-se, quem está por trás de tudo isso é o homem com o mesmo poder que o meu! O mesmo poder da palma das minhas mãos! O mesmo poder das estrelas!
Heng He caiu no meio do espaço vazio e nunca mais foi visto. Sakura ajoelhou-se cansada e um batalhão de homens encapuzados a cercara:
– Sakura Kinomoto. Somos agentes do FBI. Vamos levá-la para averiguação porque sentimos uma forte rajada de energia mágica na região vinda do topo deste prédio. Essa força pode ser uma ameaça grave a todos os moradores da região! Venha conosco!
Sem forças para resistir, na frente de Sakura apareciam uma sucessão de acontecimentos. A detenção feita pelo FBI, a visita de Meiling que recebera e o seu julgamento feito pela juíza Hinoto. A imagem daquela mulher de longuíssimos cabelos brancos e olhos cegos, além do seu veredicto final, era uma lembrança constante:
– Senhora Kinomoto, a senhora usou níveis alarmantes de energia mágica que representam uma ameaça a todos em volta da senhora. A senhora não tem consciência disso não? A natureza e o alcance deles é um mistério para nós, a autoridade mágica do Japão, e é uma surpresa que tenha passado desapercebida por nós durante esse tempo todo. Por isso, eu condenaria a ré a uma vigilância constante por parte do nosso pessoal na ilha de Iwo Jima, mas como a ré tem uma vida no mundo das pessoas comuns e para evitar que sua vida seja atrapalhada e que seja uma ameaça para si e para os demais à sua volta, condeno a um monitoramento constante da senhora e dos seus guardiões!
– NÃO!
Sakura ajoelhou-se. Dois pares de pulseiras rosas com nódulos em cada uma foram presos nos tornozelos e pulsos de Sakura, Kero e Yue. Dos cabelos de Hinoto que se arrastavam no chão, saíram as figuras de Meiling, Syaoran com Sholong no colo e do Superintendente Albert, um nipo-americano que se tornaria no próximo chefe de Sakura:
– Meiling! Syaoran! O que vocês tem a ver com isso? – Disse a cardcaptor, Furiosa.
Meiling correu até Sakura e se ajoelhou nos seus pés:
– Sakura! Tem muita coisa que você não entende ainda, mas… mas… eu juro que, algum dia, você vai entender tudo!
Sakura agachou-se para Meiling e agarrou os ombros da cunhada:
– Compreender o escambau! Porque eu não posso compreender agora?
Meiling não respondeu e desapareceu da frente de Sakura como se explodisse. A cardcaptor voltou-se com raiva para o marido:
– Syaoran! Esse tal de Heng He Li é seu primo, não é? Seu e da Meiling! Como é que vocês puderam fazer isso comigo! Você nem quis me ajudar, Syaoran! Nem um dedo!
Hesitante, ele respondeu:
– Sakura! Sei que esse ano foi difícil pra mim e pra você… e acho mais absurda ainda essa sua desconfiança em mim, na sua família! Como você pode!
– Da mesma forma que eles arruinaram a minha vida esse ano!
Syaoran se enfureceu de uma vez:
– Já chega, Sakura! A minha vida também se tornou um inferno com tudo isso e você não sabe como! Você não entende não? Ou você confia em mim ou a gente se afasta de uma vez pra que você pense! E então?
Sakura viu o pequeno Sholong se dissolver dos braços de Syaoran e parar nos seus braços. Sakura quera chorar com a difícil escolha que tinha. A mão que o Superintendente Albert pôs no seu ombro definiu o futuro do casal:
– Eu vejo que você tomou a sua decisão… então… adeus… Sakura! Vamos dar um tempo pra nós dois…
Syaoran se dissolveu lentamente da frente dela como se fosse feito de areia. Sakura ficou desesperada e correu rapidamente para a figura do marido que se afastava cada vez mais de si, à medida que se aproximava:
– Não Syaoran! Não é assim! Me dá um tempo, vai? ME entende, poxa! Eu preciso de você pra criar meu filho… Syaoran… não faz isso comigo… Syaoran! SYAORAN!
Sakura levantou-se com tudo da cama que estava deitada, ofegante. Ao seu lado, o celular tocava insistentemente e, no lugar onde deveria se deitar Syaoran naquela cama, estava sentado, sorridente, Eriol, o rapaz de cabelos azuis e olhos de mesma cor que ajudou a cardcaptor a dominar o poder das cartas Clow, acariciando os cabelos dela. O peito de Sakura arfava e Eriol lhe deu o celular. Sakura atendeu e era o Superintendente Albert:
– Sakura, você está bem?
– Super-kun, eu tou atrasada!
– São cinco e meia da manhã, Sakura. Você entra às nove hoje. Recebemos aqui na central os seus dados vitais. Seus batimentos chegaram a 160! Estou ouvindo você arfar daqui!
– Só foi um sonho ruim, Super-kun, só um sonho ruim…
– Espero que tenha sido apenas um sonho ruim. Sakura… precisamos conversar… quando chegar me dá um toque…
– Tá Super-kun, nove horas tou aí.
– Tá certo então. Bom dia, Sakura. Mande meus cumprimentos ao Eriol.
– Okay.
Sakura desligou o telefone e pegou o copo com água das mãos do amigo. Engoliu de uma vez:
– É o pesadelo de novo com o Syaoran? – Eriol acariciava os cabelos de Sakura e a respiração dela tranquilizou um pouco…
– Não foi só o Syaoran-kun… foi a organização inteira… todos mortos na minha frente… o julgamento da Hinoto-sama… todo mundo que eu matei… todo mundo…
Sakura tapou o rosto com as mãos, chorando e Eriol deu um abraço na cardcaptor, afagando as costas dela.
– Cadê o Kero-chan?
– No quarto do Chitatsu…
– É Sholong o nome dele…
– Todo mundo chama ele de Chitatsu… a professora da creche, a Rika, até o Kero gosta do nome… – Eriol deu um sorriso debochado que Sakura não gostou.
– O Syaoran-kun não gosta…
– Se acalma, tá? Não vamos brigar por conta de nome… O importante é você… Sholong, Chitatsu, é tudo uma questão de leitura…
– Se o Syaoran-kun fosse uma questão de leitura…
– Sakura… você ama o seu marido?
– Só quando a gente perde a gente sente falta… você viu a capa da revista? Você viu a cara daquela mulher? O olhar dela? Ela parecia que era dona dele, a esposa dele!
Eriol sorriu, abraçou Sakura com mais força e deu um profundo beijo na têmpora dela:
– Tem muita gente que te ama, Sakura… quem a gente ama não fica longe da gente… não importa a distância…
Sakura esfregou o rosto e desabafou com Eriol:
– Eu tou com muita raiva do Syaoran… muita raiva… muita mesmo…
– Você gosta dele, sente raiva dele, ciúmes dele… isso é mágico, sabia? Da próxima vez que você pensar no Syaoran, pensa em tudo de bom que ele já te fez e não nas coisas ruins; lembra que não adianta sentir raiva por aquilo que a gente não viu, a gente nem viu mesmo, sentir raiva não ajuda em nada, sabia? A gente cria problemas que nem sequer existiam antes… já basta os problemas que a gente tem….
Sentindo que Sakura estava mais relaxada, Eriol abraçou Sakura com força, beijou Sakura na têmpora com força e ela sorriu corando com a bondade dele:
– Tem muita gente que eu amo… não quero ficar longe delas… nem pro um segundo… eu já perdi a Tomoyo, não quero perder o Syaoran também…
– Sakura, cada pessoa tem sua história de vida, como eu te disse, você tem que deixar livre cada pessoa que te ama; assim dá uma saudade danada que faz a gente voltar, faz eles voltarem; agora chega de papo! – Eriol levantou Sakura da cama e levou-a até a porta do banheiro. – Entra aí, relaxa um pouco na banheira; eu e a Rika cuidamos de tudo aqui, tá?
Sakura corou as bochechas:
– Você é tão gentil, Eriol, um cavalheiro; o que eu faço pra te recompensar…
– Bem… posso tomar banho com você?
Sakura ficou da cor de um pimentão vermelho.
– Deixa de ser besta!
– Sabia que você fica linda com esse sorriso? Continua sempre com ele…
– Eu sou linda, tá? Agora sai daqui! Te adoro, seu cafajeste!
Sakura fechou com tudo a porta do banheiro e Eriol olhou para a porta maciça de madeira, desejando ver o conteúdo que se escondia por trás daquele vapor e água que ouvia escorrer do outro lado:
– E eu te amo, Sakura! Simplesmente te amo!
Continua…
Notas finais: Acho que consegui colocar a minha fic "Better call Sakura" numa casca de noz e deixei tudo compreensível para quem leu o outro capítulo. Foi difícil começar a escrever, porque eu pensava em começar com o Syaoran (ainda penso em fazer o "depois da organização"), mas vi que mal falava da Sakura e resolvi começar com ela, com um sonho, sobre tudo o que aconteceu. Como sonhos são feitos de trechos de fatos cotidianos, aproveitei o formato para colocar os "trechos" do sofrimento de Sakura. Acho que faltou detalhar o diálogo com a Meiling e o Syaoran, mas ao longo do texto vou dar mais detalhes dessa organização… no próximo capítulo mesmo já prometo uma coisa mais organizada… e mais uma coisa: lembrem-se de Li Heng He… ele vai voltar mais pra frente! Hehehe! É isso de spolier por agora… desculpem a demora, o próximo não vai ser demorado assim (estava finalizando "Better call Sakura" e tentando dar forma pra esse cap!)
