Disclaimer: Harry Potter não me pertence e tudo que vocês reconhecem pertence a J.K. Rowling. Essa história também é inspirada em "A Shattered Prophecy", do Project Dark Overlord.

Chapter Twenty Six – Playing Games

*Fazendo jogo

A primeira coisa que Harry esperou na manhã seguinte, foi os membros da Ordem o arrastando até o diretor, para que fosse repreendido por machucar um aluno. Ele chegou a pensar que seria rebocado da cama no meio da noite e passara a maior parte do tempo acordado, quase em expectativa. Mas a manhã veio e se foi, e ninguém foi atrás dele.

Quando viu James esperando por ele do lado de fora do retrato, tinha certeza que ouviria as ameaças e advertências de sempre, mas o mais velho apenas sorriu para ele, deu-lhe bom dia e conversou alegremente enquanto caminhavam até o Salão Principal para tomar café.

- Sua primeira semana na escola terminou. – James riu. – Como se sente?

Harry não respondeu, cumprindo firmemente a promessa de ignorá-lo que se fizera. O auror não pareceu se importar. Continuou mesmo assim.

- É uma sensação estranha. Eu me lembro da minha, mesmo que faça muito tempo. Eu me lembro de ficar tão aliviado por ter passado a primeira semana, mas estava com muita saudade de casa... - Ele parou no meio da frase, xingando-se mentalmente pelo deslize.

O jovem ergueu o olhar para ele, os olhos frios e duros. Ele desviou os olhos em desprezo e apressou o passo, afastando-se do pai. James suspirou e correu para alcançá-lo.

- Então, o que planejou para hoje? – perguntou James. – Sábados costumam ser os dias mais agitados em Hogwarts, todo mundo está fazendo alguma coisa.

O rapaz continuou andando, sem sequer olhar na direção do mais velho, que se calou por alguns minutos, antes de se lembrar de algo de repente.

- Harry, espere, eu tenho algo para você. – Ele parou e vasculhou as vestes para retirar a varinha.

O olha frio do jovem passou pela varinha e encontrou o de James.

- Satisfeito? – perguntou ele friamente.

- Tomar sua varinha foi um erro de Kingsley e Moody – apaziguou James. – Eu não deixaria que tomassem de você se eu soubesse. – Ele entregou a varinha de volta ao dono.

Harry a pegou e enfiou-a no bolso.

- Sim, claro! – zombou.

Eles caminharam em silêncio depois disso. Assim que viraram a esquina, o rapaz viu a figura solitária, esperando junto às portas do Salão Principal. Ele vacilou, os passos que estiveram ansiosos para se afastar de James, agora estavam lentos e hesitantes.

Lily sorriu nervosa com a visão de Harry e James se aproximando. Já ensaiara com James o que estava para dizer cerca de dez vezes, mas agora que estava preste a falar com Harry, de repente sentiu-se muito ansiosa.

- Bom dia, Harry – cumprimentou assim que ele estava ao alcance de sua voz.

O rapaz a ignorou. Foi o que ela imaginara, então prosseguiu.

- Bem-vindo ao seu primeiro final de semana em Hogwarts. – Ela sorriu. – Sábados costumam ser os dias mais agitados em Hogwarts, todo mundo está fazendo alguma coisa – continuou. A ruiva viu o olhar no rosto do esposo e em seguida lembrou que aquela devia ser a fala dele. Afastou a confusão da mente e continuou. – Tem alguma coisa planejada?

Harry lançou-lhe um olhar fulminante, mas permaneceu calado.

- Certo, sim, bem, posso imaginar que não há muito que te interesse, não ainda, de qualquer modo – murmurou Lily, sentindo-se um pouco em pânico com quão horrível essa tentativa estava sendo. A ruiva respirou, ia apenas colocar para fora e ver o que aconteceria. – Eu estava me pensando, quero dizer, eu e James estávamos pensando – corrigiu ela com o olhar que o marido lhe lançou – que já que você não tem nenhuma aula hoje e não tem muito que fazer, se talvez quisesse se juntar à gente nos meus aposentos? – Ela então ergueu os olhos para ele, encontrando seu olhar gélido, imediatamente desejando não tê-lo feito. – Achamos que hoje teríamos a oportunidade de apenas sentar e... conversar, só a gente, como uma... família – implorou.

Harry lhe deu um longo olhar, antes de virar-se para olhar para James.

- Vão para o inferno, vocês dois! – sibilou.

O rapaz se virou e entrou no Salão, deixando James e Lily do lado de fora, com mais do que uma dolorosa decepção.

xxx

Harry passou pela mesa da Grifinória, ignorando os inúmeros acenos de cabeça, sorrisos e cumprimentos. Viu os gêmeos Weasley com Lee Jordan, trocando o que pareciam ser doces coloridos por um punhado de moedas com os alunos ao redor. Já tinha visto o trio fazer 'negócio' com outros estudantes ao longo da semana anterior. Parecia que Damien tinha razão, os gêmeos e Lee estavam repetindo o sétimo ano, mas tudo que os interessava eram suas mercadorias de 'truques e brincadeiras'.

Enquanto caminhava ao longo da mesa, procurando um lugar calmo para sentar, viu Ron Weasley sentado entre a irmã e Hermione. Damien estava à sua frente. Todos ergueram os olhos para o rapaz quando passou por eles, e Ron desviou o olhar depressa. Harry passou pelo grupo, dirigindo-se à parte mais tranquila da mesa. Ele se sentou, puxando um prato para si.

Ainda não tinha dado nem uma mordida em sua torrada, quando Damien apareceu de repente e sentou-se diante dele.

- Preciso falar com você – disse o menino, sério.

- Quando é que você não precisa falar comigo?

- O que houve ontem – começou o mais novo, a voz calma e tensa. – Harry, você... você não pode sair por aí... tratando as pessoas daquela forma! – Ele lutou com as palavras, frustrado. – Não pode chamar os outros de nomes tão repugnantes, e não pode machucá-los como machucou Ron!

- E você acha que só porque você está me dizendo isso eu vou escutar? – perguntou o rapaz, irritado. Ele inclinou-se para o mais novo. – Só porque você é pirralho mimado que consegue o que quiser de seus péssimos pais, não significa que pode me dizer o que fazer!

Damien ficou surpreso. Ele se aprumou na cadeira e respirou fundo para se acalmar, antes de falar com o irmão mais velho.

- Primeiramente, não sou um garoto mimado que consegue tudo que quer. Em segundo lugar, se chamar nossos pais assim mais uma vez, vou te mostrar o quanto de estrago eu posso causar.

Harry riu.

- Você está me ameaçando? – perguntou, achando graça. – Escute aqui, garoto, já machuquei mais pessoas do que você conheceu na sua vida. Não sei o que te disseram sobre mim, mas obviamente não foi a verdade, já que parece não perceber quanta dor posso te causar.

- Não tenho medo de você – disse Damien. – Sei que provavelmente deveria ter, especialmente depois de ontem à noite, mas não tenho. Não tenho nem um pouco de medo de você.

- Não se preocupe. – Harry sorriu debochado para ele. – Você terá.

Damien deu de ombros.

- Eu jamais poderia ter medo de você. Quer goste ou não, você é meu irmão, e eu não posso temer ou odiar meu próprio sangue. Não importa o que você diga ou faça.

Harry descobriu, para seu horror, que sequer tinha uma resposta para aquilo. Ele observou o menino se levantar.

- Por falar nisso, não mencionamos o incidente de ontem à noite a ninguém, então você também não deveria mencionar.

- Por quê? – perguntou Harry.

- Só causaria problemas – disse Damien, infeliz. – Não só para você, mas para Ron também. Ele te atacou quando você estava sem varinha.

Harry não respondeu e observou o mais novo caminhar de volta para os amigos, novamente sentindo-se profundamente confuso quanto ao Potter mais jovem.

xxx

Os dias se tornaram semanas e, antes do que Harry pensou ser possível, estava há um mês em Hogwarts. Tinha continuado tentando se isolar do restante dos alunos. Conseguira, com exceção de Damien. O Potter mais novo continuara a segui-lo como um cãozinho fiel. Continuou sentando com o irmão na hora das refeições, com conversa fiada, ou juntando-se a ele à noite na sala comunal. Não importava quão terrível fosse com o garoto ou o quanto o insultasse, Damien recusava-se a deixá-lo sozinho.

Desde o 'incidente' Ron fez um esforço extra para evitar Harry, chegando ao ponto de esperar o fim do dia para ir para a cama, para não ter que vê-lo no dormitório. O ruivo, junto com Hermione e Ginny, periodicamente tentava convencer Damien a desistir do Príncipe Negro e sentar-se com eles nas refeições, mas o menino balançava a cabeça e insistia em manter a companhia do irmão.

As tentativas do garoto não foram infrutíferas. Após ignorá-lo, insultá-lo e até ameaçá-lo, vendo que era inútil, Harry começou a responder às conversas de Damien. Ainda não passavam de respostas monossilábicas, ou apenas um dar de ombros não verbal, mas parecia o suficiente para o mais jovem, que alegremente contava uma história prolixa, só para não sentar em silêncio com o irmão.

James e Lily não tiveram tanto sucesso quanto o filho. Continuaram em suas tentativas de se aproximar de Harry, mas eram sempre afastados brutalmente. O pai continuou a acompanhá-lo até as aulas, mas suas conversas eram sempre unilaterais. Harry decidira ficar em silêncio quando em sua companhia, o que machucava o auror mais do que suas respostas afiadas. Lily frequentemente tentava encurralá-lo depois das aulas de Poções, mas não recebia nada mais do que olhares fulminantes e rejeição em troca.

A única pessoa que Harry procurava para conversar era Draco Malfoy. Eles tinham se encontrado em duas ocasiões ao longo do último mês. Desde que Damien o questionara sobre falar com o sonserino, o rapaz tomara precauções, optando por diminuir seus encontros com o amigo. Eles ainda não tinham estabelecido um sistema para se encontrar sem levantar suspeitas, e o moreno não queria ser pego. Havia uma eterna escala rotativa de membros da Ordem, que se apresentavam como aurores, que o vigiavam, e não queria que percebessem o loiro. Olho-Tonto Moody foi o único auror que se recusou a deixar a escola. Ficou a postos, seu olho mágico fixo em Harry durante o dia, todos os dias.

Ficar preso em Hogwarts, sem conseguir se comunicar com a única pessoa que era seu amigo, o deixou extremamente frustrado. Sua única saída era, é claro, o Professor Snape. Suas aulas de DCAT rapidamente estavam se tornando sessões de tortura para o Professor de cabelos gordurosos. O rapaz ridicularizava e menosprezava qualquer coisa que Snape estivesse ensinando. As ameaças de tirar pontos eram alvo de risadas, e tirar pontos da Grifinória só deixava Harry mais feliz, e se Snape ficasse agressivo, o jovem dava dicas sutis sobre o temperamento do pai, o que sempre fazia o Comensal recuar depressa.

No momento, o citado Professor estava com o diretor, reclamando do incômodo: Harry Potter.

- Eu não aguento mais! Ele realmente riu de mim enquanto eu ensinava a azaração de bloqueio. Ele riu, Albus! – disse Snape. – É claro que não posso fazer nada para intimidá-lo e ele sabe disso! Na última reunião dos Comensais da Morte, o Lorde das Trevas perguntou como ele estava e quando mencionei suas encantadoras maneiras em sala-de-aula, ele me alertou que se Harry alguma vez fosse punido por qualquer professor, ele acabaria comigo! Não posso mais suportar esse estresse.

Dumbledore afastou as mãos do queixo e encontrou o olhar frustrado do outro.

- Eu sei que é difícil – começou –, mas se mantiver a calma, a situação vai melhorar. Harry só está testando seus limites, provocando os que acha que pode controlar. É compreensível, ele está frustrado...

- Ele não é o único! – rosnou Snape em resposta.

- Severus, – Dumbledore falou mansamente – vai passar. Harry aceitará sua situação mais cedo ou mais tarde. Um pouco de paciência é tudo que é preciso.

- Você realmente acredita nisso? – perguntou Snape, examinando o bruxo idoso. – Já faz um mês que ele foi trazido a Hogwarts, e além de testar minha paciência e determinação em não matá-lo, o que foi que ele fez?

- Não é o que ele vai fazer, mas o que ele vai se recusar a fazer que é a questão – respondeu o diretor, os olhos brilhando.

Snape fez uma pausa, os olhos negros estudando o bruxo de cabelos grisalhos.

- O que quer dizer?

- Harry mostrou grande empatia no passado, um traço que muitos pensariam impossível devido à sua relação com Voldemort – explicou Dumbledore. – Essa empatia foi o que o fez ajudar os filhos de Poppy. Ele se recusou a ficar parado e deixá-los morrer. Essa é a chave, Severus, a chave que nos ajudará a trazê-lo de volta, de volta ao lado certo, e o que nos ajudará a destruir Voldemort.

- Como? – perguntou Snape, irritado. – Como é que vamos explorar sua natureza empática, se ele sequer tem uma – acrescentou com desprezo.

Dumbledore sorriu.

- Não vamos – respondeu o diretor. – Onde há empatia, o remorso geralmente acompanha. – Ele sorriu e recostou-se na cadeira. – E todos sabem, remorso é o caminho para a redenção.

xxx

O correio coruja era sempre a parte mais barulhenta do café-da-manhã. O som de asas batendo, os pios de inúmeras corujas e os gritos entusiasmados dos alunos recebendo presentes e cartas de casa era o suficiente para abafar todos os outros ruídos no vasto salão.

Harry não estava prestando atenção ao correio, nunca prestava, exceto, é claro, a primeira vez que testemunhara a massa de pássaros entrar voando no salão, deixando pacotes e envelopes ao longo do caminho para os alunos abaixo. Olhara fixamente para a visão, impressionado contra sua própria vontade, mas quando sentiu os olhos de Dumbledore sobre si, desviara o olhar imediatamente e fingira-se entediado, brincando com seu café da manhã. Desde então, fez questão de nunca olhar quando as corujas chegavam.

Damien estava à sua frente, contando-lhe em irritantes detalhes sobre a brincadeira que fizera e dera espetacularmente errado no dia anterior, quando uma coruja marrom e magricela pousou diante dele. O mais velho olhou para ele, levemente curioso sobre quem o enviara uma carta, já que seus pais estavam com ele na escola. O menino estendeu a mão entusiasmado para a coruja, desamarrando o rolo da pequena perna e desenrolando-o depressa. Leu as primeiras linhas e sorriu.

- É do tio Siri! – anunciou.

Harry desviou o olhar.

- Ele está dizendo que virá a Hogwarts em breve! – gritou Damien com claro entusiasmo. – Está perguntando se preciso de alguma coisa. Posso pedir que traga um novo pacote de bombas de bosta. Estou ficando sem elas. – Pensou o garoto em voz alta. – Ele está perguntando por você – disse ao irmão, olhando para ele.

Harry não disse nada, fingindo não ouvir.

- Mal posso esperar ele chegar – disse o menino, enrolando o pergaminho de novo. – Ele vai me ajudar a planejar a brincadeira suprema!

Harry lançou-lhe um olhar irritado, mas absteve-se de dizer alguma coisa. Concentrou-se em terminar sua tigela de mingau. Talvez um ou dois minutos depois foi que o rapaz percebeu quão calmo o salão de repente ficara. Ergueu os olhos e viu que quase todos os alunos estavam debruçados sobre uma cópia do jornal, O Profeta Diário. Aqueles que não tinham um exemplar, tinham se levantado e se reunido em torno de outros estudantes para ler. Todos os alunos tinham uma expressão de surpresa e de horror nos rostos. Lentamente, um murmúrio estourou, espalhando-se por todo salão. De repente, todos os olhos se voltaram para a mesa da Grifinória.

Harry viu que os olharam eram direcionados a um garoto de cabelos castanhos sentado entre os sextanistas grifinórios. Neville não parecia ciente de que era o centro das atenções de todo mundo. Sua atenção estava no jornal à sua frente. Ele empalidecera, os olhos castanhos se estreitaram e o queixo apertara com força.

- O que está acontecendo? – perguntou Damien, olhando à volta.

Harry virou-se para o outro lado e viu um terceiranista com uma cópia do jornal. Estendeu a mão e o agarrou, recebendo um surpreso e indignado, 'ei!' em resposta, mas ignorou. Leu a manchete e sentiu o coração dar um salto desagradável no peito. Escrito em grandes letras em negrito, na primeira página do Profeta Diário, estavam as palavras, 'O Príncipe Negro Assassinou a Família do Escolhido!'

"Um novo comunicado divulgado recentemente afirma ter uma confissão do infame Príncipe Negro, atualmente detido em uma prisão de alta segurança, cumprindo uma sentença de prisão perpétua por crimes contra o mundo mágico. De acordo com este comunicado, uma atualização foi acrescentada à já crescente lista de crimes horrendos cometidos pelo filho de Você-Sabe-Quem. Afirma-se que o Príncipe Negro admitiu ter torturado e assassinado brutalmente Frank e Alice Longbottom. Seus restos mortais terrivelmente mutilados foram encontrados em sua casa há pouco mais de dois anos. Frank e Alice Longbottom eram aurores, mas muitos especulam que a razão pela qual se tornaram alvos de Você-Sabe-Quem foi por conta de seu filho único, Neville Longbottom. Para alguns, ele é conhecido como 'O Escolhido'. Tem sido assunto de muitos debates nos últimos dezesseis anos, se há, de fato, uma Profecia que liga Neville Longbottom ao Lorde das Trevas. Independentemente de o Sr. Neville Longbottom estar destinado a enfrentar Você-Sabe-Quem ou não, parece que agora tem razões para enfrentar o Príncipe Negro, em resposta ao assassinato a sangue frio de seus pais."

Harry tirou o olhar do jornal, seus olhos imediatamente tornando a procurar por Neville. Viu o rapaz empurrar o jornal para longe e levantar-se de repente. Sem olhar para ninguém, Neville virou-se e saiu do salão, as portas se fechando atrás dele.

Murmúrios já tinham começado no Salão Principal e com a saída abrupta de Neville, eles aumentaram dez vezes mais. Harry tirou os olhos das portas e imediatamente encontrou os olhos de Ginny. Ela segurava uma cópia do jornal, mas os olhos estavam fixos nele. Até Ron e Hermione olhavam para ele, horror e nojo claramente em suas expressões. A ruiva balançou a cabeça para ele em desdém, antes de desviar o olhar. Ela ergueu a mochila, jogou-a sobre o ombro e levantou-se para sair.

O rapaz desviou os olhos e encontrou o olhar interrogativo de Damien. Ele também tinha uma cópia do jornal à sua frente. Parecia chocado mais do que qualquer outra coisa.

Harry viu-se girando a cabeça para o lado ao erguer os olhos para a mesa dos professores. Os olhos azuis estavam à espera dos seus. Algo naqueles calmos olhos azuis lhe disse que aquilo era coisa de Dumbledore. O jovem jamais sentira tanta raiva antes. Olhou com ódio para o bruxo, incrivelmente furioso. Suas mãos embaixo da mesa estavam fechadas em punho, com tanta força que doía. Viu o pequeno e quase imperceptível sorriso se espalhar no rosto do diretor, e aquele foi o instante em que perdeu o controle. Não se importava mais por estar preso em Hogwarts. Não se importava que membros da Ordem o estivessem vigiando. Não se importava nem com os dementadores girando em torno do céu acima dele. Levantou-se, os olhos ainda em Dumbledore, observando os professores à volta ficarem claramente nervosos com suas ações. O diretor continuou sentado calmamente, observando o rapaz com seus gélidos olhos azuis. Harry se virou, quebrando o contato visual e saiu do salão.

xxx

Harry mal podia esperar para Poções acabar. Não prestara absolutamente nenhuma atenção à aula, resultando na preparação medíocre da "Poção do Morto-Vivo". Mas não se importava. Sabia como fazer a poção, não precisava provar aquilo em Hogwarts.

Assim que deu a hora de arrumar as coisas, o jovem derrubou o bilhete ao lado da cadeira de Draco. O loiro pegou discretamente e colocou na mochila.

Harry embalou as coisas e saiu, sendo o primeiro a deixar a sala.

xxx

Draco mal tinha esperado meio minuto quando Harry chegou. Ficou surpreso pelo amigo ter mandado encontrá-lo no banheiro masculino, já que se queixara de quase ser pego por Damien da última vez que se encontraram ali. Mas antes que pudesse fazer mais do que abrir a boca para falar, o moreno o alcançara e o olhar em seu rosto calou o outro imediatamente.

- Prepare os sonserinos! – sibilou Harry antes mesmo de parar diante de Draco. – É hora de ensinarmos uma lição a Dumbledore!

- O que está acontecendo? – perguntou o loiro, confuso. – O que ele fez?

- Ele passou do limite – rosnou Harry.

- Você está falando da coisa nos jornais hoje? – perguntou Draco. – Aquilo foi coisa de Dumbledore?

Os olhos cheios de raiva do moreno responderam ao loiro. Ele ficou calado por um instante, antes de tornar a encarar o melhor amigo.

- O que você precisa que eu faça?

- Preciso de um pouco de dinheiro e preciso saber exatamente onde fica a entrada de sua sala comunal e a senha – disse Harry.

- Está bem – respondeu Draco, já enfiando a mão no bolso das vestes para tirar a bolsa de dinheiro. – O que é que você precisa que eu faça?

- Vou te contar assim que eu tiver tudo que preciso.

- Tenha cuidado – alertou o loiro, entregando a bolsa de dinheiro para o amigo. – Não esqueça que há olhos te vigiando. Não deixe que te peguem fazendo nada idiota.

Harry sacudiu a cabeça, a raiva fazendo suas mãos tremerem.

- Ele acha que pode mexer comigo – disse calmamente. – Ele acha que pode se safar de brincar comigo. – O moreno encarou o outro. – Mas ele não sabe quem está enfrentando. Se ele quer brincar, – ele sorriu de lado – então vamos brincar.

N/T: Demorei, eu sei. Porém esse ano eu estou tendo muuuitas provas de concurso, o que é ótimo rsrs Mas prometo que vou dar especial atenção a TDW pelo fato de ela ser a primeira parte da trilogia, das minhas traduções, ela será prioridade. Beijos e comentem, façam minha felicidade ^^ Beijão!