Capítulo XXV: O grande encontro
Ao aparatarem Severo a soltou evitando olhar para a menina, mas ela nem notou a presença dele. Ela apenas se virou para Remus com o rosto pálido e chocada com o que tinha acontecido.
- Não é possível que seja ele - Kate falou abismada – Ele não quis me matar. Ele sabia quem eu era e ele simplesmente conversou comigo. Tem alguma coisa errada aqui.
Remus não respondeu o questionamento dela. Ele sabia que tinha alguma coisa errada, mas explicar isso para Kate naquele momento não seria o mais indicado. Snape estava ali, a menina nunca tinha visto o pai e ele não sabia se Severo iria se apresentar ou simplesmente deixar passar.
- Kate você esta bem? – Harry correu até ela – O que aconteceu entre vocês dois?
- Nada Harry – Kate falou de forma bruta.
Severo que itnha acabo de entrar na casa extremamente tenso e nervoso não sabia o que fazer com a sua filha do lado de fora e com a descoberta de Voldemort. Ele suspeitava que ele achava que a menina fosse filha dele, mas não sabia que ele tinha aquela absoluta certeza. Ele não faria mal a ela se acreditasse nisso. Severo tinha estragado tudo novamente.
- Precisamos voltar para a Ordem. Eles precisam saber que estamos bem. – Ron falou
- Sim – Sirius olhou para Kate e para a casa. Ele estava pensando a mesma coisa que Remus
- Ronald é melhor você ir conosco. Sua mãe precisa te ver.
- Tudo bem – Ron falou olhando para Hermione – Vamos?
- Eu vou ficar mais um pouco – Hermione falou olhando para a janela onde ela via Snape observando eles. – Harry se você quiser pode ir
Harry apenas olhava para Kate nervosa observando as arvores e lugar. Ele não respondeu ela, mas Hermione sabia que ele ficaria também.
- Nós logo mais aparecemos lá – Hermione falou sem jeito
Ron iria dizer alguma coisa, mas Sirius fez um sinal para ele se silenciar. Sirius olhou para Snape na porta e balançou a cabeça negativamente. Kate não manifestou a vontade de ir com eles, ela continua em silencio observando as arvores.
- Que lugar é esse? É mais bonito que o outro que a gente estava
Kate não tinha ouvido o que eles falaram sobre a casa de Snape, mas ao olhar para o lado observou a casa e o homem agora na porta, com um olhar apreensivo, se lembrou que foi ele uma das pessoas que não deixou ela ajudar o homem agonizando em sua frente.
Ela ia dizer alguma coisa, mas os olhos daquele homem e o jeito frio dele pareciam algo muito mais familiar do que o normal. Ele não mudou a sua expressão. Harry e Hermione pareciam segurar algo no estomago naquela situação, não sabiam se era melhor ir embora ou ficar ali para evitar um confronto entre os dois.
- Voldemort não te matou ou não te tratou como geralmente ele trata as pessoas porque você é filha da Natalie, uma pessoa extremamente importante para o psicológico dele – Severo falou – É simplesmente por isso. Ele tem um respeito muito profundo por tudo que vem da Natalie, inclusive você.
- Minha mãe não era má, ele não me parecia mal. Meus pais de alguma forma estavam do lado dele em algum momento da vida – Kate falou dando passos para traz – Talvez eu esteja do lado errado.
- Seus pais saíram do lado de Voldemort quando tiveram a oportunidade. Ele pode ser até bonzinho com você, mas veja a sua volta, todas as pessoas de alguma forma sofreram pela fixação que ele tem em limpar o mundo bruxo. – Snape falou com a voz normal, sem irônicas ou grosseria - Se sua mãe te criou sem magia era para você não participar disso e se ela te aproximou de Dumbledore era porque ela queria te colocar em um bom lugar.
- Se ela queria me ver longe não teria me colocado perto de Dumbledore ou de tudo isso – Kate falou com um olhar ferroz para o homem – Alias, quem é você para falar alguma coisa dela, de mim, de Dumbledore?
Ouve um grande silencio. Hermione e Harry se entreolharam e Kate percebeu os movimentos estranhos dos dois ao ouvir o questionamento dela. Ela olhou para o homem mais de perto e ele simplesmente fugiu do seu olhar. Ela deu uns passos se aproximando dele, mas ele tentava fugir a cabeça dos olhos dela.
Ela parecia irritada e correu até o homem segurando a cabeça dele para ver os seus olhos. Ela fixou nos olhos dele, mas logo ao perceber a expressão vergonhosa do homem se afastou dando passos para traz fazendo seu rosto sair do estado nervoso para o apavorado. Lagrimas caiam sem ela perceber
- Kate – Severo iria falar alguma coisa ao ver as lagrimas caindo no rosto dela sem parar
- Não fala comigo – Kate falou sussurando – Eu, eu – Ela não conseguia dizer nada. apenas o que ela desejava – Não fala comigo.
Kate parecia perdida, olhando para algum lugar que ela pudesse fugir, mas não havia nada além de arvores e aquele homem na sua frente. Aquele homem que ela passou a vida inteira desenhando em sua mente o seu rosto, aquele homem do qual ela desejou conhecer e que pensou nele nas noites que estava sozinha. O homem que ela dizia para a sua mãe que faltava na vida delas, o homem que a colocou no mundo, mas não esteve com ela.
Kate colocou as mãos nos olhos se ajoelhando na terra gelada, sem nenhuma vontade de esconder o que sentia ou forças para isso, ela simplesmente começou a chorar desesperadamente em saber o que.
- Kate – Harry se aproximou dela – O que esta acontecendo com você?
- Me deixa Potter – Ela gritou limpando as lagrimas e se levantando novamente.
Ela apontou o dedo para a cara de Snape e sua expressão pareceu vingativa demais para ele
- Você não merece nenhuma das minhas lagrimas, seu covarde – Kate falou com toda a raiva que estava no seu corpo ao olhar fixamente para aquele homem.
Obvio que Snape de perdido se tornou um homem grosseiro e andou até a garota agarrando ela pelo braço esquerdo. Kate era magra e não tinha força alguma para se defender, Harry ficou sem ação. Não sabia se era para parar aquilo ou se era para deixar a coisa acontecer ele entre eles.
- Olha aqui sua mimadinha – Severo falou encostando praticamente o nariz inteiro na cara dela – Veja lá como você me trata , se não fosse por mim, agora você estaria na mão de Voldemort, ele te usando como usou a sua mãe, então trate de ser um pouco menos rebelde e acabar com essa novelinha trágica da sua cabeça
Kate não se segurou, aproveitou a aproximação entre eles, as palavras ferrozes a machucando cada vez mais e o braço dolorido para descontar toda a sua raiva naquela situação. Ela encarou Snape e cuspiu na sua cara.
- Voldemort ou qualquer outro ser, até mesmo um inseto, daria o carinho que você não você capaz de dar pra mim e pra minha mãe
Severo ficou sem palavra, sem ação e sem forças para ficou intacto no mesmo lugar tirando as mãos do braço dela. Ele sabia que tinha ido longe demais ao não respeitar os sentimentos dela naquele momento. Ele já a conhecia, mas para Kate era a primeira vez que ela via o pai.
Harry ficou assustado com o que Kate fez. Ela tinha se comportado como uma verdaidera sonserina e isso o preocupou, mas ao olhar para Kate ele percebeu que ela estava tão assustada quanto uma garotinha perdida a noite. Ele pegou em sua mão se afastando de Snape, abraçando ela e encostando ela no seu peito. Os dois aparataram.
- A sua maneira bruta de se proteger para controlar as coisas lhe deixará sozinho – Hermione falou sem sair do lugar.
Severo tinha se esquecido que a garota estava ali e se lembrou que poucas horas antes tinha feito praticamente a mesma coisa com a menina. Ele se virou para ela, e ela percebeu que ele estava com os olhos cheios de lagrimas, sua respiração estava fraca e ele parecia extremamente envergonhado do que tinha feito.
- Eu não sei o que fazer – Severo falou chorando passando a mão no rosto se escondendo de tudo aquilo que estava passando. Parecia que as dores de anos atrás estavam lhe ferindo naquele momento tudo de uma só vez.
Hermione não resistiu o momento, ela não queria ser dura com ele e apenas o abraçou e deixou ele chorar o que ele tinha para chorar naquele momento, naquelas horas, naqueles dias, seja lá o tempo que duraria aquilo, ela estaria ali.
Harry fez a mesma coisa, sentou Kate que não parava de chorar no sofá
- Vocês estão me usando – Kate falava entre os soluços – Era tudo combinado. Dumbledore, minha mãe, você, Snape.
-Kate, nada era combinado. Ninguém sabia da sua existência.
- Vocês me seqüestraram, me maltrataram, os amigos de Voldemort a mesma coisa – Kate continuou falando – Fizeram tudo isso para eu entender que eu estava em uma guerra, que eu precisava ajudar para provar quem eu era, mas ele, ele não precisou disso, ele sabia quem eu era.
- Kate – Harry segurou a menina – Voldemort não é uma boa pessoa. Não é, ele só fez aquilo para sim, ele sim, te usar depois, te fragilizar, ele tinha uma cela dentro da proprica as, ele mata pessoas a todo o tempo. Ele sim queria isso, se eu quisesse que você fizesse algo por mim eu deixaria você na minha frente, te treinaria para usar seus poderes
- Eu nem sei quais são esses meus poderes – Kate gritou - Vocês falam deles, mas eu só sei quebrar vidro Potter, apenas isso, e isso vocês podem fazer com uma varinha
- Kate, se você quer se convencer de que ele é o seu verdadeiro lado eu não posso fazer nada para mudar isso, mas não tente fugir da realidade. Enquanto aos seus poderes, quando a gente te tirou do jardim, você olhou para mim e disse que sabia que eu precisava ir para outro lugar e não para a sua casa, isso quer dizer que você sim pode ler mentes quando quer.
Kate não dise nada, apenas limpou os olhos e tentou se acalmar, mas seria impossível, os olhos de Snape e suas palavras não saiam da sua memória e ela voltou a chorar
- Ele não devia ter me tratado daquele jeito. Ele não entende
- Kate, ninguém entende a dor de ninguém. Essa é a verdade – Harry puxou ela para o seu abraço –Eu estou aqui com você.
Ele não desgrudou dela até ela se acalmar e adormecer no sofá. Quando Sirius chegou na casa viu que Harry estava dormindo sentado no sofá com Kate encostada em seu peito. Ele percebeu os olhos inchados dela, e a camiseta molhada de Harry pelas lagrimas da menina.
Sirius não quis atrapalhar, assim como Remus quando chegou com Tonks também não quis fazer nada além de deixar os dois ali, naquela mesma situação. A Ordem decidiu colocar mais proteções na casa de Gui e Fleur para amparar Kate, Harry, Remus, Tonks e Sirius, aquela casa no meio dos trouxas depois deles verem o interesse de Voldemort pela menina não era mais seguro. Mas ele deixaria isso para o próximo dia. Ninguém sabia o que tinha acontecido, mas já imaginavam que seria um grande problema.
Hermione também não saiu do lado de Snape. E se eles já tinham dividido a cama uma vez sem aqueles problemas, Hermione não se sentiu pressionada a fazer isso novamente, ela deitou ao lado dele e continuava a acariciar os cabelos do professor. Naquele tempo eles não falaram nada, Severo apenas chorava, e as vezes ficava em silencio.
Ela acabou dormindo primeiro que ele, e ao vê-la do seu lado percebeu algo inédito. Havia alguém do seu lado, alguém que não estava ali por interesses e sim por querer estar ali. Ele tirou a mecha do cabelo de Hermione que estava sob seu rosto, viu a pele pálida e percebeu que ela estava com frio. Tratou de se levantar e pegar uma coberta no armário.
Severo ao se levantar percebeu o quanto era bom ficar ao lado de alguém, mesmo naquela situação, descobriu talvez, que Hermione estava realmente lá por ele, seja lá o que ela tinha na cabeça, isso valeria a pena, mas para ele, ele não estava valendo absolutamente nada.
Ao cobrir ela se lembrou de uma situação do seu passado. Quando Remus virou lobisomem na frente do trio e ele teve que protege-los. Snape nunca foi agradecido por aquilo, mas ela fez questão de agradecê-lo depois na sua sala, mas depois que descobriu que ele tinha dedurado Remus para metade da escola, ela tinha voltado a ficar irritado com ele.
Ele se deitou novamente na cama ainda observando a expressão daquela menina que era apenas uma menina, mas que tinha atitudes e um corpo de mulher. Ele estava extremamente agradecido por ela estar ali.
- Obrigado – Ele sussurrou para si mesmo dando um beijo na testa dela.
Severo se afastou dela na cama e fechou os olhos tentando dormir. Hermione não abriu os olhos e nem se movimentou, mas ao sentir que ele tinha voltado ao seu lugar na cama abriu um leve sorriso pelo gesto do professor e no meio daquela confusão, ela foi a única a dormir feliz naquela noite fria.
Kate acordou no meio da madrugada com a cabeça doendo de tanto chorar, ela não quis fazer grandes movimentos ao ver Harry dormindo. Ele estava todo desajeitado no sofá e pela primeira vez ela pensou que ele também tinha tido um dia corrido. Talvez aquele homem estava certo em chama-la de egoísta.
Kate estava indo em direção a cozinha, viu que Sirius dormia profundamente no outro sofá, mas um barulho no banheiro a assustou. Kate olhou para os lados imaginando o que poderia ser e pegou a varinha de Harry que estava em cima da mesa.
Ao se aproximar do banheiro, que estava com a porta encostada, percebeu que não era nada além de uma grávida vomitando e pálida sentada próxima ao vaso sanitário. Kate abriu lentamente a porta e acendeu a luz. Tonks tomou um susto ao vê-la, mas elafez sinal para ela ficar em silencio. Kate fechou a porta do banheiro lentamente.
- Você precisa de alguma coisa? – Kate se abaixou ao lado de Tonks – Tem algo que te faça parar de vomitar?
- Acho que não. Sempre que estamos próximo da lua cheia eu fico assim. Acredito que seja algum tipo de relação entre ele e o pai – Tonks falou cansada – Remus me deixou dormindo e foi se excluir do mundo por uma semana. Eu fico brava com isso.
- Tonks, será que a criança que você esta esperando é também um lobinho? – Kate falou delicadamente – Talvez essa seja a verdadeira relação
- Não Kate, acredito que não, acho que eu me sentiria muito pior.
- E também se fosse, não haveria nenhum problema – Kate completou a frase dela – Eu sei que no mundo de vocês existe muito preconceito, mas todos nós somos diferentes, ele seria apenas mais um diferente.
- Queria que boa parte das pessoas, inclusive meus pais pensassem assim – Tonks falou
- Eles não gostaram da idéia de você estar grávida? – Kate perguntou
- Ninguém gosta de saber que a filha esta grávida de um lobisomem no meio de uma guerra.
- Os outros são os outros – Kate falou puxando Tonks para seus braços – O importante é você. E tenho certeza que essa criança será muito amada por pessoas que não se importam com as circunstâncias e sim com o sentimento e isso é o que importa, as boas companhias.
- Você esta bem? – Tonks perguntou para a garota – Remus me contou o que aconteceu, na verdade, ele não sabe exatamente, nem ele e nem Sirius.
- Foi um desastre – Kate a cortou – Mas eu sobrevivi. Isso que importa.
- Seu pai foi meu professor – Tonks falou para ela se levantando – Ele nunca foi o professor mais amado de Hogwarts, não se culpe, a culpa é inteiramente dele.
- Eu sei – Kate falou meio sem jeito – Pelo menos você aparenta uma expressão melhor.
- Acho que eu posso considerar você a minha amiga né?
- Eu já te considero - Kate deu uma risada sem jeito ainda,um pouco envergonhada
Este primeiro encontro foi estranho né? Mas vamos pensar que ver o seu pai pela primeira vez não deve ser tão bacana!
E o beijo vem no próximo capítulo! EU PROMETO
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