A Guerra Contra o Céu
Capítulo 26: Tempo Final: Generais Marinas
Bian de Cavalo Marinho observava atentamente como o efeito do feitiço de Thot desaparecia lentamente. Este havia sido utilizado pela divindade egípcia no início da batalha para se livrar de Kanon e Sorento, dois dos mais poderosos Generais Marinas; e de Kasa, que possuía a habilidade única de ler corações. Pelo visto os deuses leais a Caelum conheciam muito bem suas habilidades e sabiam quem podiam ou não enfrentar. Porém aquele feitiço também o havia salvado. Nesse momento Bian se encontrava rodeado por uma espécie de corrente de energia controlada por seu oponente, Tritão, o deus mensageiro das profundidades marinhas e antigo padrasto de Atena. Este tinha o aspecto de um homem por volta de 25 anos, com longo e liso cabelo verde, pele branca e olhos azuis. Uma armadura de cor azul-marinho o protegia. Esta era muito parecida com suas escamas, inclusive tinha um par de enormes barbatanas que devido a seu tamanho pareciam asas. Detalhe que sua armadura também possuía.
Bian havia ativado sua barreira, foi a primeira coisa que fez ao perceber o ataque de Tritão. Mas aparentemente sua poderosa defesa havia sido vencida, ao contrário do que esperava de um ataque de energia este não havia sido repelido por sua técnica, apenas a envolvera, momento em que Thot ativara seu feitiço. O tempo começou a se normalizar e Bian usando todo seu Dunamis se elevou pelos ares evitando ser destroçado por aquela estranha técnica. Logo que fez isso viu como Tritão levava seus lábios a sua trombeta que parecia uma concha, nesse momento a corrente que começava a se dispersar voltou a persegui-lo. Desesperado, Bian aumentou sua velocidade para ter um pouco de vantagem sobre o ataque de seu oponente que parecia estar muito concentrado controlando-o. Assim que tomou alguma distância dele o General de Cavalo Marinho estendeu suas mãos e exclamou:
-Sopro Divino!- uma poderosa corrente de ar que se transformou em energia dispersou a técnica de Tritão, que assistira a isso impassível. Bian viu sua oportunidade e se lançou contra o deus buscando um combate corpo a corpo. Tritão, adivinhando suas intenções, levou seus lábios a sua trombeta, em seguida uma corrente de energia azul igual à anterior emergiu de seu corpo. Bian estacou imediatamente ao ver isto, mas decidiu não se deter.
-Ventos de Furacão!- exclamou Bian ao utilizar sua técnica mais poderosa, e tal como pensou esta conseguiu dividir a onda de energia de Tritão, mas não chegou a atingi-lo com seu ataque. O General Marina já esperava por isto e num rápido movimento se colocou atrás da divindade imobilizando-a com uma de suas técnicas paralisantes, mas não foi suficiente. Tritão, num último esforço, conseguiu tocar sua trombeta. Aquela estranha energia tratou de sair de seu corpo, mas Bian conseguiu sujeitá-la com dificuldade, mas não pôde evitar que a energia dispersa no ambiente se reunisse para atacá-lo. O General Marina viu isto desesperado, estava muito perto de Tritão e se desfizesse sua técnica este o atacaria à queima-roupa, nesse momento percebeu que estava encurralado.
...
A uma enorme distância dali, Krishna, General Marina de Krisaor, chocava sua lança contra a clava de um deus egípcio. Este possuía uma armadura branca não muito leve com um capacete em forma de chacal sobre sua cabeça. Seus cabelos também eram brancos, o que contrastava com sua pele morena. Krishna, por sua vez, vestia sua armadura que não tivera grandes alterações, exceto por um aro dourado que trazia em suas costas.
De repente o deus mudou de estratégia e começou a usar sua clava como uma lança. O General Marina não se alterou por isto e esquivou todos os ataques do deus desviando alguns com sua lança e ocasionalmente atacando com sua Lança Dourada. Mas algo estranho acontecia, a clava parecia ter uma espécie de força de repulsão. Cada vez que atacava sua arma era desviada pela do egípcio, mas esta força também era emanada pela ponta de sua clava, pois os ataques do egípcio que não eram bloqueados abriam buracos no solo atrás de Krishna que aparentemente não tinham fim e atravessavam a massa de matéria onde lutavam.
-Surpreso, General Marina? - perguntou o deus que interrompeu seus ataques sem deixar de se manter em guarda - Esta clava já atravessou as barreiras da vida e da morte em meu mundo inúmeras vezes, se não fosse por suas Escamas Divinas teria atravessado também seu corpo. Não é à toa que sou conhecido como Upuat, "o que abre os caminhos".
-Estou vendo, mas alguém que depende tanto de sua arma jamais poderá me vencer, Ofois. - Upuat se espantou um pouco ao ser chamado por esse nome, mas logo suas feições voltaram ao normal.
- Ofois, não é? - respondeu o egípcio - Pelo visto você é tão arrogante quanto os deuses a quem serve, mas em breve Rá e Caelum purificarão a Criação de seres como vocês.
Dito isto Upuat tornou a atacar em uma única investida contra Krishna com sua clava pela frente, o General de Krisaor tratou de aproveitar a maior extensão de sua lança em seu favor, mas foi inútil, assim como anteriormente sua arma foi desviada pela força de repulsão da arma do deus. Upuat aproveitou que a ponta da arma do semideus fora desviada e agora estava atrás dele não representando mais ameaça e decidiu usar sua clava para esmagá-lo. Krishna percebeu as intenções do egípcio e utilizou um poderoso feitiço apontando para o abdômen de seu oponente.
-Vajra!
Upuat reagiu utilizando sua clava para desviar o feitiço e o semideus aproveitou para tomar distância. Ao longe, o feitiço explodiu levantando uma enorme coluna de energia.
-Um feitiço superior ao nível 90. Não, superior ao nível 99, realmente digno de um semideus. - disse Upuat que agora observava atentamente os movimentos de seu oponente - Nunca pensei que alguém que não nasceu com predisposição ao Mana fosse capaz de criar um feitiço tão poderoso, aparentemente isto será mais interessante do que pensei.
...
Io de Scyla enfrentava junto com todas as suas bestas uma deusa egípcia também com todas as suas bestas. Esta divindade era enorme, tinha mais de dois metros de altura e possuía cabelo longo e liso, sua armadura embora dourada era muito diferente da de seus companheiros e familiares, pois chegava a cobri-la quase por completo. Suas ombreiras tinham a forma de patas de leão, seu peitoral imitava a cabeça de um crocodilo e um par de asas douradas enfeitavam suas costas. A armadura de Io por outro lado não mostrava grandes alterações, exceto que suas asas estavam totalmente abertas. A seu redor era travada uma verdadeira batalha entre as criaturas de Io e as da divindade egípcia. Sua Águia Poderosa enfrentava um Leão que a perseguia para devorá-la; seus Vampiros se chocavam contra os Falcões da deusa; sua Serpente Assassina enfrentava uma Roca, uma enorme ave com plumagem castanha; sua Abelha Rainha confrontava um rápido Crocodilo-camaleão, e finalmente seu Lobo e seu Urso Infernal lutavam com um par de Javalis Dourados, tudo enquanto ele enfrentava sua rival.
-Tornado Violento!- exclamou Io ao lançar seu ataque contra a divindade, mas esta respondeu com outro ataque.
-Mistério do Horizonte! - a egípcia disse isto no momento em que usava seu braço para lançar um ataque de energia que se chocou contra o Tornado Violento do General de Scyla, ambos os ataques se anularam causando uma enorme explosão. Os dois oponentes tomaram distância depois disto para se confrontar depois - Não pense que será tão fácil me vencer, General Marina, não é por acaso que meu nome é Taurt, que significa "A Grande".
-Tem razão. - respondeu Io - Não será fácil, mas de qualquer maneira vencerei, pela glória do Imperador Poseidon!
Após dizer isso começou um combate corpo a corpo com Taurt, mas ela era ligeiramente mais veloz. Isso se devia ao fato de que Io tinha que distribuir seu Dunamis entre suas bestas, assim como Taurt. O que não se explicava era por que ela tinha mais poder se no começo da batalha seu Dunamis era igual ao de Io. Abaixo deles o Urso Infernal tinha problemas com um dos Javalis Dourados, o poder que Io lhe passava aumentava e diminuía constantemente para poder nivelar com as outras bestas, mas nesse momento ele precisava. O Javali Dourado se movia a uma velocidade ligeiramente superior, mas isso era um problema que logo se agravou, pois o javali acertou um tremendo golpe em seu urso.
-Agh!- Io gemeu de dor, pois sentia o mesmo que seu Urso Infernal, a Deusa aproveitou isto e aplicou um forte chute em sua cabeça que o jogou no solo, mas antes que chegasse lá Taurt o interceptou no ar com um pontapé em seu estômago. Io evitou que a egípcia o surpreendesse novamente reunindo um pouco de Dunamis para si, mas isso teve consequências, uma de suas bestas, seu lobo, foi derrotado sendo terrivelmente golpeado pelas presas do javali que enfrentava. O elmo de Io se partiu em pedaços, o que significava que sua besta havia sido vencida.
-Sentiu isso, General Marina? - perguntou Taurt com sarcasmo - Uma de suas poderosas bestas foi derrotada. Vamos, renda-se de uma vez à vontade de Rá e Caelum.
-Acha mesmo que esta é a vontade de Rá? - Io se incorporou com a confiança renovada, talvez uma de suas bestas tivesse sido derrotada, mas isso significava que tanto ele como suas outras bestas teriam mais Dunamis a sua disposição - Ele só está sendo usado igual a vocês, Caelum os tentou com seu poder e vocês sucumbiram a ele. - o General de Scyla concentrou seu Dunamis preparando seu ataque - Quem deveria se render é você, antes que só possa se arrepender quando chegar ao Tártaro. Tornado Violento!
Taurt saiu do caminho, pois esse ataque havia sido lançado de muito longe, mas ela não era seu alvo, pelo menos não diretamente.
-AH!- Taurt soltou um agudo grito de dor, pois o ataque conseguiu ferir o Crocodilo-camaleão que lutava contra a Abelha Rainha. Não chegou a destruí-lo devido à intervenção de seu leão, por isso suas ombreiras foram destroçadas. A divindade encarou furiosa Io, que se mostrava tão confiante quanto no começo, a batalha havia se igualado.
...
-Askis, ataque relâmpago!
-Relâmpago do Norte!- Ascot e Thot atacavam um ao outro com feitiços similares, os quais se anulavam mutuamente. Thot era um homem de pele morena, mas com um estranho e desgrenhado cabelo verde-escuro. Sua armadura era leve como a maioria dos membros de seu panteão, o mais chamativo nela eram as ombreiras que tinham a forma de cabeças de babuínos e seu capacete com a forma de uma íbis, uma ave de bico curvo e longo. Também carregava um livro dourado como sua armadura preso a seu pescoço por uma corrente.
-Ataque Vigor!
-Ra, me dê seu poder! - a criatura de Ascot laçou uma labareda contra o egípcio, mas este se protegeu com um escudo mágico, aproveitando a situação outra criatura saiu do solo e tentou devorar o egípcio, mas este a esquivou com um salto.
-Marionete Sangrenta! - o semideus atacou com seu sangue solidificado, mas isso foi detido pelo livro de Thot – Capela, agora!
A criatura mais poderosa do General de Zefir desfez o feitiço de invisibilidade que usava e capturou seu oponente com suas enormes mãos. Thot então se viu cercado por Ascot e suas diferentes criaturas as quais o vigiavam ameaçadoramente.
-Acabou Thot, renda-se e será perdoado. - mas o deus não mostrou outra reação além de um sorriso, como se esperasse que Ascot fizesse isso.
-Bravo jovem General, mostrou ser um adversário digno, mas isso não mudará nada. - um círculo mágico surgiu sob Ascot e suas criaturas - Selo Divino! - o círculo assumiu uma cor esverdeada e começou a brilhar antes que uma coluna de luz se elevasse até o céu.
-Bakudo N° 81, Danku. - sussurrou o General evitando que o feitiço o afetasse, mas suas criaturas não tinham esta proteção e desapareceram no ar.
-Selei essas criaturas dentro de sua armadura. - disse o egípcio – Com seu poder sei que poderá invocá-las novamente, mas isso levará algum tempo.
...
Voltando com Bian, este continuava preso na encruzilhada criada por Tritão, mas algo estranho aconteceu. O deus não o atacou com sua onda de energia, mas sim reuniu aquela energia dentro de seu corpo, o General Marina não pôde aguentar mais e desfez sua técnica libertando Tritão, o qual não o perseguiu nem o atacou, apenas falou com ele.
-Meu pai escolheu bem seus guerreiros. - disse o filho de Poseidon – Também me alegra que ele e Atena finalmente fizeram as pazes.
-O que pretende, Tritão? - perguntou o General de Cavalo Marinho estranhando a atitude de seu oponente.
-Estive sendo controlado por Caelum. - respondeu rapidamente - Toda a energia que reuni me permitiu escapar de seu controle, mas não sei por quanto tempo. - Tritão tirou sua armadura e abriu os braços deixando seu peito exposto – Apresse-se e acabe comigo General Marina, mas tome cuidado porque há um traidor em suas fileiras.
Bian o fitou com desconfiança, aparentemente estava dizendo a verdade, mas não sabia se era algum estratagema para poder atacá-lo com uma técnica ainda desconhecida para ele. E a parte sobre um traidor não foi levada a sério, pois imaginava que o deus pretendia semear a discórdia entre eles.
-Escute-me Tritão, se me disser o nome do traidor que diz estar entre nossas tropas acreditarei em você.
-Está bem, o nome dele é... - mas não conseguiu dizer, uma estranha energia começou a cobrir o deus enquanto este tentava resistir a ela - Argh! Não, ainda não! - exclamava ao mesmo tempo em que agarrava a cabeça tentando resistir – Apresse-se e acabe comigo!
Mas Bian ainda desconfiava de Tritão e pensando que aquilo era apenas uma encenação ele não fez nada, apenas se colocou em guarda esperando o ataque da divindade. Em menos de um minuto o estranho ataque sobre Tritão cessou e ele investiu contra o General de Cavalo Marinho, mas nem mesmo voltou a vestir sua armadura, por isso Bian aproveitou a oportunidade e atacou com sua técnica mais poderosa.
-Ventos de Furacão! - um enorme redemoinho de energia golpeou violentamente o corpo de Tritão que não fez nada para se defender, mas ainda sobreviveu, foi quando recebeu um terrível golpe de Bian, golpe que estava esperando.
-Não pode ser. – murmurou Bian após sentir como toda a energia que Tritão havia reunido era liberada bruscamente numa grande velocidade. O General Marina não pôde se defender, recebendo todo o poder daquele ataque. Seu corpo caiu após terminar o ataque, a seu lado estava o moribundo Tritão que apenas sussurrou:
-Lamento. - Bian então percebeu que ele dissera a verdade.
-Idiota.- disse Bian a si mesmo esboçando um sorriso, se na luta contra Seiya ele havia sido derrotado por subestimar seu inimigo dessa vez havia sido por tê-lo superestimado. Mas ao ver como seu oponente se desfazia em várias partículas de luz se deu conta de que pelo menos cumprira com seu objetivo, o objetivo de seu senhor, e apenas por isso se sentiu feliz antes de partir assim como seu inimigo.
...
Krishna sentiu de longe como as duas presenças desapareciam. Não lhe deu muita importância. Bian, seu camarada, morrera com honra, e ele não podia fazer menos. Até o momento pôde evitar, embora com dificuldade, os ataques de Upuat. Mesmo assim o egípcio conseguiu evitar os seus, o que os deixava empatados por enquanto. Krishna, porém, não estava feliz com isto então decidiu desfazer esse empate.
-Maha Roshini. - sussurrou o General de Krisaor ao lançar sua técnica máxima, mas com apenas uma pequena porcentagem de seu verdadeiro poder. Upuat, tal como fazia com qualquer ataque de energia o desviou com sua poderosa clava.
-Vajra. - o deus usou o ataque de antes enquanto Krishna se elevava rapidamente até o vazio do espaço sendo perseguido por Upuat, isto se repetiu algumas vezes até que o semideus freou de repente e se lançou contra seu oponente apontando sua lança para ele.
-É o seu fim! - gritou o egípcio que pretendia desviar a Lança Dourada e depois aplicar um golpe derrotando assim o hindu. O choque de forças foi titânico, Krishna não apontou para o corpo de Upuat, mas sim para o centro de sua clava. O poder de repulsão do egípcio não funcionou como ele queria, a enorme pressão exercida sobre a lança do semideus ameaçava arrancar a arma de suas mãos. Krishna, porém, estava na mesma situação. Como se fossem dois gigantescos ímãs de polos opostos os dois oponentes mantiveram distância, mas por muito pouco tempo. A força exercida foi demais para ambos e suas armas saíram disparadas até os confins do espaço exterior. Upuat, sem pensar duas vezes, se lançou em busca de sua clava, mas foi parado por um poderoso ataque que quase o fulminou. Ao ver de onde veio esse ataque viu Krishna na posição de flor de lótus concentrando uma enorme quantidade de energia em seu corpo.
-Agora que perdeu sua arma também perdeu a batalha, Ofois. - disse Krishna preparado para acabar com a divindade – Foi um oponente feroz e por isso morrerá com honra. - a energia de Krishna se concentrou rapidamente e ele a expulsou exclamando - Maha Roshini!
-Você é que vai morrer. – murmurou Upuat antes de voar contra o Maha Roshini- Caminho do Duat!
Com suas mãos estendidas o egípcio conseguiu não só dividir o Maha Roshini frente a ele, mas fazendo um tremendo esforço também conseguiu atravessar a armadura e o corpo de Krishna que cuspiu um pouco de sangue ainda surpreso pela façanha de Upuat.
- Não achou que meu poder vinha apenas de minha arma, não é? Ela só servia para projetá-lo.
-Ainda não estou vencido, Ofois. - respondeu fracamente Krishna.
-Então me permita aplicar o golpe de misericórdia. - o egípcio tentou se mover, mas não conseguiu - O quê...?
-A barreira que você atravessou pode ser utilizada de várias formas, tanto para me proteger quanto para paralisar meus inimigos. - Upuat soube imediatamente do que ele estava falando, seu corpo não podia retroceder e atrás dele estava Krishna, seus braços e pernas estavam paralisados e não era capaz de projetar seu poder – Mesmo no Tártaro nossa honra estará intacta e ambos teremos realizado nossos objetivos. - Krishna elevou seu Dunamis até o limite - Nos veremos Upuat, Maha Roshini!
Sem ter como escapar, Upuat recebeu o ataque à queima-roupa, embora sua armadura tenha evitado que seu corpo fosse vaporizado não foi suficiente para salvar sua vida. Desintegrou-se lentamente enquanto via como seu oponente sumia da mesma maneira. Ambos impassíveis em seu caminho a um mundo do qual não retornariam.
...
A batalha entre Io e suas bestas contra Taurt e suas criaturas parecia estar equilibrada, mas não era bem assim. Io logo sentiu como a deusa e suas criaturas ganhavam terreno. A Abelha Rainha foi triturada pelas mandíbulas do Crocodilo-camaleão de Taurt e com isso a proteção de seu braço direito se quebrou em mil pedaços. Como vingança seus Morcegos Vampiros drenaram o sangue da maioria dos Falcões da egípcia, fazendo com que as asas de Taurt rachassem sendo depois destruídas. Mas os poucos morcegos sobreviventes de Io foram derrotados pelo Crocodilo-camaleão da deusa que os caçou e esmagou entre seus dentes, e as asas de Io também foram destroçadas. Mas as criaturas de Taurt logo demonstraram sua superioridade quando a Roca despedaçou a Águia Poderosa, embora morresse estrangulada pela Serpente de Io. Esta última morreu quando sua cabeça foi esmagada pelos javalis da egípcia. As armaduras de Taurt e Io agora só conservavam o peitoral e no caso da egípcia também o saiote.
-Detenha esta loucura, General Marina. - disse Taurt – Você mostrou uma incrível força e seria um desperdício que um semideus como você morresse nesta batalha...
-Não importa o que me diga, eu não me renderei. - interrompeu o General Marina que tentava recuperar suas forças – Também não perderei, não enquanto o Imperador Poseidon confiar em mim para cumprir minha missão.
-Leal até o fim, é uma verdadeira lástima, mas terá que ser destruído. - os Javalis Dourados se colocaram em posição de ataque frente ao Urso Infernal de Io - Gullinbursti, Slidrugtanni! Acabem com sua última besta.
Io reconheceu então um desses nomes, Thor havia lhe contado em Zefir que Gullinbursti era uma besta mecânica que servia Frey, um deus nórdico. Isso significava que estas duas bestas não dependiam de Taurt, então mesmo que ela fosse vencida não desapareceriam. A egípcia estava frente a ele sem fazer nada além de observá-lo, disposta a interceptá-lo caso tentasse ajudar seu Urso Infernal esperando que os javalis fizessem o trabalho sujo por ela. Io aproveitou isto para se concentrar, apesar de serem criaturas mecânicas os dois javalis podiam dominar o Dunamis e isso só era possível se fossem criaturas divinas ou tivessem algum tipo de poder divino guardado. Então projetou seu Dunamis até a batalha e aí percebeu, dentro daquelas criaturas havia algo não mecânico que lhes dava vida e poder, era uma fina linha de Ikhor, sangue divino que neste caso pôde reconhecer como sendo de Taurt.
-Argh! - Io não pôde evitar um gemido quando seu Urso foi atravessado pelos afiados dentes de Gullinbursti e seu gêmeo. Taurt ficou surpresa com isto, pois a besta não fizera nada para evitar esse ataque. O General Marina então entregou todo seu Dunamis a sua última besta por uma fração de segundo – Agora, Urso Infernal! - a besta mencionada soltou um rugido que ninguém podia escutar e com suas poderosas garras e o Dunamis de Io conseguiu partir os dois javalis ao meio. Seus restos voaram pelos ares enquanto gotas de sangue pingavam de sua destroçada maquinaria.
-Meus parabéns, General Marina. - disse Taurt enquanto aplaudia a façanha de Io – Conseguiu descobrir o segredo de Gullinbursti e Slidrugtanni, mas foi um esforço inútil...
-Tornado Violento! - o General de Scyla interrompeu novamente a egípcia lançando seu ataque, mas este foi realizado usando simplesmente seu Oitavo Sentido, por isso em vez de um tornado de energia lançou um potente vento que nem sequer moveu um milímetro a Deusa.
-Me interrompeu pra isso? Morra de uma vez! - Taurt reuniu um pouco de seu Dunamis e atacou: - Mistério do Horizonte!
O ataque atingiu em cheio o fustigado corpo de Io, mas ao mesmo tempo Taurt era arrastada por um potente tornado de energia que a lançou pelos ares em grande velocidade. No solo abaixo dela se encontrava o Urso Infernal de Io que lançara o ataque.
-Bom trabalho. – agradeceu Io a sua última besta antes de desaparecer, mas não foi o único, pois o Crocodilo-camaleão que havia se escondido com sua camuflagem saiu de seu esconderijo e começou a se retorcer antes de desaparecer, Taurt havia sido derrotada.
...
Thot e Ascot detiveram sua batalha ao se dar conta de que agora eram os últimos seres que se enfrentavam nesse pré-universo.
-Todos os seus companheiros caíram e agora chegou sua hora também. - disse Thot e antes que Ascot pudesse reagir, a divindade realizou seu feitiço - Corre, corre tempo, leve-me ao fim, leve-me Atum-Rá!
Dito isto a imagem de uma infinidade de relógios de areia se materializou ao redor do General de Zefir e ao mesmo tempo, todos eles terminaram de passar o último grão de areia. O universo recém-nascido então sofreu uma enorme mudança, já não existia a enorme massa de matéria na qual pereceram quase todos os Generais Marinas, nem tampouco os sóis que a iluminavam. Por outro lado o espaço estava cheio de buracos negros e a fraca luz de estrelas moribundas que pela distância provavelmente já haviam desaparecido.
-O que... é... isto?
-Isto meu caro General Marina, é o fim deste universo, uma vez que este universo não dispõe de deuses protetores como nós. - explicou Thot com toda a calma do mundo como se não estivesse no meio de uma luta até a morte. Ascot demorou um pouco para sair de seu assombro, mas assim que o fez se prontificou a atacar o deus, mas descobriu que não podia se aproximar dele nem atacá-lo com nenhum de seus feitiços, nem mesmo sua Marionete Sangrenta funcionava! – Está preso dentro da Maat, General Marina, a perfeita harmonia que nada, exceto o poder de um Protógenos, filho do Caos, pode destruir. Por outro lado eu também não posso te atacar.
-Então pretende me segurar aqui até que a batalha termine, não é isso? - perguntou Ascot que planejava alguma maneira de escapar do feitiço de Thot.
-Mostre-me o apogeu, recue o contador do tempo, Rá!- os relógios tornaram a se materializar, mas desta vez os dois lados tinham a mesma quantidade de areia. O agonizante universo mudou outra vez agora repleto da luz de centenas de milhares de estrelas e algumas galáxias cuja luz iluminava os dois oponentes - Contemple semideus, o momento de glória deste universo, que neste mesmo instante transborda de vida e prosperidade. Agora só lhe resta o longo caminho até a decadência.
-Já entendi, você quer mesmo me atrasar...
-Não, essa não é minha intenção, jovem semideus. - Thot se virou para ele - Como já viu, presenciamos o fim e o auge deste universo. Se o comparamos com um dia acabamos de presenciar o anoitecer e o meio-dia deste universo e dos seres que o habitam, incluindo a nós. - Ascot finalmente entendeu o verdadeiro plano da divindade – Por sermos seres divinos nossa existência é eterna e por isso o fim não nos afetou em nada, assim como ambos temos o máximo poder da Criação em nossas mãos o apogeu não fez nada conosco. Se retrocedermos até o início, por outro lado... - Thot fitou diretamente o semideus que o encarava com fúria apertando os punhos - Eu nasci como um deus enquanto você nasceu como um mortal.
Entretanto, Ascot não prestava atenção em suas palavras, não era necessário pois compreendia as consequências daquele feitiço e já sabia como combatê-lo. Fazendo um supremo esforço elevou seu Dunamis até o limite.
-Não importa quanto poder tenha, dentro da Maat não tem chance a menos que seja um Protógenos. - mas o semideus já não o escutava - Se não quer ouvir então terminarei isto de uma vez por todas. - os relógios de areia voltaram a aparecer, só que desta vez sua parte superior estava cheia – Retorne ao princípio! - Ascot continuava reunindo seu poder e recitando um complicado encantamento – Devolva-nos a nossas origens!
-Silêncio Universal!
-Jepri! - ambos os feitiços foram finalizados quase ao mesmo tempo, o universo no qual lutavam havia voltado a sua forma primitiva e tanto Ascot como Thot pareciam ter sobrevivido, pois estavam frente a frente. Repentinamente o General Marina começou a desaparecer lentamente, o egípcio assistiu a isto sem mostrar emoção alguma em seu rosto, só no último momento fez uma careta de dor.
-Um feitiço tão poderoso merece ser preservado, mesmo que para realizá-lo precise de tanto poder e que até alguém com o nível de um deus tenha que sacrificar a própria vida. - dito isto Thot abriu seu livro e começou a escrever, depois jogou seu livro no chão, suas correntes sumiram e a seu redor apareceram várias urnas de materiais diferentes. Quando a última urna (que era de ferro) apareceu, surgiram vários escorpiões e também uma enorme e ameaçadora serpente guardando o livro. Thot começou a desaparecer também, no último momento Ascot havia conseguido atravessar seu corpo com sua Marionete Sangrenta, inclusive parte de seu sangue solidificado saía das costas do moribundo deus egípcio - Talvez jamais volte, mas meu conhecimento nunca desaparecerá.
Algum tempo depois, surgiu um portal muito afastado da massa de matéria que foi cenário do fim dos Generais Marinas, uma figura masculina saiu de dentro dele.
-Parece que não precisam de mim aqui. - disse a misteriosa divindade disposta a se retirar, mas então algo chamou sua atenção. Uma presença ainda sobrevivia naquela terra inóspita, e não se tratava de uma presença divina. Tratava-se da cobra que guardava o livro de Thot.
-Mas vejam o que temos aqui. - a misteriosa presença se encontrava frente à serpente. Esta tratou de atacá-lo movendo-se na velocidade da luz, mas o deus não se assustou e agarrou a cobra pelo pescoço - Não me atrapalhe. - usando seu Dunamis destroçou a serpente, depois carbonizou os escorpiões e quebrou as urnas deixando sair o livro - Argh! - a divindade deu um grito, pois o livro queimou sua mão e as urnas voltaram a se materializar ao redor dele. O misterioso deus irritado com o que aconteceu decidiu ir embora, algumas batalhas ainda aconteciam e seu dever era que ninguém saísse com vida.
Ufa, este foi um dos capítulos mais difíceis de escrever (graças a Io), mas enfim o terminei. Não há muito que dizer, exceto a informação dos deuses que usei neste capítulo:
Tritão: filho de Poseidon, deus mensageiro das profundezas marinhas, padrasto de Atena e pai de Palas, a quem esta matou por acidente. Tinha uma trombeta que criava grandes tempestades ou acalmava as águas, sua forma era a de um homem com cauda de peixe.
Upuat: deus funerário do Antigo Egito, seu dever era realizar o ritual de "abertura da boca" e guiar os mortos ao Duat (o mundo da morte egípcio), tinha o título de "o que abre os caminhos". Em sua forma de guerreiro estava armado com uma clava e um arco. Os gregos o conheciam como Ofois.
Taurt: antiga Deusa da Fertilidade, também era uma deusa celeste e por isso chamada "a misteriosa do horizonte", tinha uma forma um tanto estranha, com uma cabeça de hipopótamo, patas de leão e cauda de crocodilo, ajudou Hórus em sua luta contra Seth.
Thot: deus da escritura, da sabedoria e símbolo da Lua, escriba sagrado, inventor de todas as palavras e do calendário, também era o contador do tempo, assistia à "pesagem das almas" realizada por Osíris. Na verdade não era um deus da magia, mas decidi deixá-lo assim porque era um oponente mais apropriado para Ascot, além disso, planejo aproveitar seu livro.
Finalmente temos Gullinbursti e Slidrugtanni, um par de javalis mecânicos feitos pelos anões Brokk e Eitri como uma aposta (feita por Loki) sobre quem era capaz de fazer o melhor presente para os deuses. Finalmente terminaram puxando a carruagem de Frey.
Creio que isso é tudo, a seguir veremos o final da história lateral dos Generais Marinas.
