Todos os personagens pertencem a Masashi Kishimoto. A história é de autoria de Carina Rissi do seu livro Perdida – um amor que ultrapassa as barreiras do tempo -. Essa Fanfic é uma adaptação.

Boa Leitura!

26

Acordei com uma batida na porta. Demorei em entender onde eu estava.

Olhei em volta e vi Sasuke — com seus braços ainda me envolvendo — dormindo ao meu lado. Eu ainda estava em seu quarto.

A batida se repetiu.

— Senhor Uchiha? Preciso muito de sua ajuda, senhor. Por favor, abra a porta. — a voz

abafada de Jiraiya suplicava.

Ah! Merda!

— Estou ficando preocupado, patrão, se não abrir, eu vou arrombar! — ameaçou.

Droga! Droga! Droga!

Sasuke não se moveu. Dormia profundamente. Toquei seu braço, apavorada.

— Sasuke, acorde! — sussurrei. Ele não se moveu. — Sasuke acorde, por favor! — sacudi com mais vigor.

Se Jiraiya arrombasse a porta e nos visse juntos, não poderia mais fingir como fez quando nos flagrou aos beijos no corredor e a casa toda saberia. Seria um escândalo, bem no dia do baile especial de Hinata. Isso não podia acontecer! Sacudi Sasuke outra vez, com um pouco mais de força.

Ele piscou os olhos algumas vezes, depois focalizou meu rosto e sorriu.

— Bom dia, senhorita. — murmurou com a voz rouca, me puxando para mais perto.

Percebi que ele todo havia despertado.

Tum! Tum! Tum!

Seus olhos se arregalaram e ele rapidamente se sentou na cama.

— Estou avisando, Senhor Uchiha, vou invadir este quarto se não abrir esta porta!

— Errr... Espere um minuto, respondeu aturdido.

Rapidamente Sasuke já estava de pé, colocando as calças apressadamente e me olhando com cara de pânico.

— O que vai fazer? — sussurrei.

—Tentar me livrar dele, — sussurrou de volta, pegando a camisa do chão. — Não se mova.

Eu concordei com a cabeça. Não dava para sair por outro lugar que não fosse pela porta.

A janela era alta demais e a queda certamente deixaria alguma coisa — ou muitas — quebrada em meu corpo.

Sasuke foi em direção à porta, tropeçou em alguma coisa no caminho (meu All Star), recolheu habilmente todas as minhas roupas e as atirou no canto oposto ao da porta, abriu apenas o suficiente para que pudesse passar por ela e voltou a fechá-la. Fiquei imóvel. Tentei ouvir o que diziam.

As coisas estavam ficando cada vez piores!

Jiraiya alertou Sasuke que eu havia desaparecido. Pela manhã, um dos empregados notou que a porta do meu quarto estava aberta e que eu não estava dentro dele, minha cama estava arrumada. Vários empregados estavam me procurando por toda a propriedade, mas ninguém tinha noticias minhas.

Claro que não tinham!

Sasuke fingiu surpresa e eu mordi o lábio para não rir de seu falso assombro. Em seguida, garantiu a Jiraiya que me encontraria ainda antes do almoço, apenas precisava trocar de roupas antes de sair. Sugeriu que Jiraiya desse uma olhada na sala de leitura, já que Hinata lhe contou que eu era fascinada por livros.

Depois de fechar a porta e esperar um momento, correu até a cama e se sentou ao meu lado.

— E agora, Sasuke? — me apoiei em um cotovelo e prendi o lençol branco com os braços. — Como vou sair daqui? Eu te arrumei um problemão!

— Na verdade, isso aconteceu quando a vi pela primeira vez! — brincou tocando meu queixo.

— Não tem graça! — e não tinha mesmo, era a mais pura verdade. — Como vou sair daqui sem que me vejam?

Suas sobrancelhas arquearam e um sorriso muito significativo surgiu em seus lábios.

— Então não saia nunca.

— Tô falando sério! — ralhei. — Que horas são agora?

Ele tirou o relógio do bolso preso à calça por uma corrente dourada.

— São exatamente dez e meia.

— Dez e meia? — levei as mãos a testa. A casa inteira estava acordada há horas! Por que não escapei durante a madrugada enquanto todo mundo ainda dormia? Por que permiti que Sasuke me abraçasse daquele jeito — me prometendo que não dormiria — ao invés de voltar para o meu quarto? Era óbvio que acabaríamos desmaiando de exaustão, depois de fazermos amor durante quase à noite toda.

Sentei-me na cama, prendendo o lençol mais firme, e suspirei frustrada. Nenhuma ideia mirabolante apareceu para me livrar da enrascada.

Percebi que Sasuke me encarava.

— O que foi? — passei a mão pelos cabelos pra ter certeza de que não estava a cara da

Medusa.

— Você está linda! — sua voz suave, os olhos intensos, — Apenas quero me lembrar deste momento. — ele tocou meu cabelo e, delicadamente, colocou uma das minhas ondas atrás da orelha.

Entendi o que ele quis dizer. Queria se lembrar daquele momento quando eu já não estivesse ali. E imediatamente me lembrei do motivo que me levou até seu quarto na noite passada.

— Caramba, Sasuke! Acabei não te contando o que eu vim te contar! — eu disse meio enrolada.

Ele riu.

— Eu também tenho um assunto de máxima importância que preciso discutir com você, senhorita, mas teremos que adiar ou, caso contrário, seremos obrigados a nos explicarmos aos criados e a Hinata. Aposto que se eu não sair daqui logo, Jiraiya voltará e, desta vez, entrará no quarto a força como prometeu!

Franzi a testa.

— Promete que vamos conversar ainda hoje? É importante!

— Prometo. — afirmou solene.

Concordei com a cabeça. Joguei o lençol para o lado e me levantei na intenção de pegar minhas coisas e sair dali sorrateiramente, mas Sasuke foi mais rápido. Seus braços de serpente me puxaram e eu estava, de repente, em seu colo.

— Não sei se gosto da ideia de deixá-la sair deste quarto. — eu já sabia bem o que aquele brilho em seus olhos significava.

— Sasuke, você mesmo disse que Jiraiya... — mas não pude terminar, sua boca me impediu. E, quando uma de suas mãos começou a traçar uma trilha de fogo dos joelhos até minhas coxas, pensei que não teria problema se eu me demorasse só um pouco, só mais um beijo.

— Você precisa se vestir. — ele disse, ao mesmo tempo em que me abraçava mais firmemente.

— Assim que você me soltar. — sussurrei, me agarrando a ele.

— Acho melhor se vestir de uma vez.

— Tudo bem. — murmurei desanimada, tentando me soltar dele, mas sua língua invadiu minha boca, bagunçando minha capacidade de raciocinar.

Ele me beijou até que, de repente, me deitou na cama, sua boca deslizando por meu pescoço até alcançar meu coração já acelerado e querendo sair do peito, como era de se esperar. Perdi o controle da situação.

O que eu tinha que fazer mesmo?

Decidi que, seja lá o que fosse que eu tinha que fazer, poderia esperar só mais um pouquinho...

. . .

Sasuke saiu primeiro para se certificar de que o corredor estava realmente vazio. Saí logo em seguida, indo na direção oposta. Tive que explicar para uma Hinata muito preocupada que me perdi na fazenda tentado encontrar o riacho sozinha e que, depois de andar por horas, consegui encontrar o caminho de volta para a casa. Meu rosto queimou de vergonha por mentir para ela.

Passado o alvoroço do meu suposto desaparecimento um novo recomeçou o dos preparativos para o baile.

Ajudei Hinata com a retirada dos vasos e enfeites da sala de visitas. Os empregados retiraram a maior parte da mobília. Poucos móveis permaneceram ali. Precisaremos de espaço para a dança, ela disse.

Uma grande correria, parecida com a de compras de presentes de natal de ultima hora, dominava todos os habitantes da casa. Mal vi Sasuke durante o almoço. Estava atarefado demais explicando a Jiraiya tudo o que deveria ser feito. Mas no breve instante em que nos vimos ele gentilmente se ofereceu para acompanhar Hinata, Tenten e eu até a sala depois do almoço e estrategicamente, deixou que as duas garotas fossem na frente para ficar ao meu lado e segurar minha mão furtivamente, — o sorriso que não deixava seu rosto me garantiu que eu não tinha cometido o maior erro da minha vida. Na verdade, tinha cometido o maior acerto da minha vida!

Não o vi pelo resto do dia. E desisti de vez de ter a tal conversa com ele antes do baile, já que Hinata disse que era hora de nos vestirmos.

Tomei um longo banho. Aquela noite seria importante. Sasuke saberia de tudo. Eu não esconderia nada dele. E então, por acaso, me lembrei da existência de Killer B. Ele saberia a forma de voltar? Eu teria que voltar logo também? Agora que sabia qual era a minha jornada, ele teria alguma informação que serviria para alguma coisa?

Sequei meu cabelo o melhor que pude, deixei a toalha embrulhada na cabeça para terminar o serviço. Peguei minha maquiagem e caprichei no visual: olhos esfumados — em um degrade suave de cinza claro ao cinza escuro — blush, camadas e mais camadas de máscara nos cílios e batom cor de boca. Não era bem o estilo da época, eu sabia disso, mas queria me sentir bonita, estar bonita para Sasuke, e aquela maquiagem deixava qualquer mulher maravilhosa, não importava a roupa que ela usasse. Que era o meu caso.

Na bagunça dos últimos dias, acabei me esquecendo de olhar o vestido. Não tinha a menor ideia do que esperar. Peguei a grande caixa, soltei a fira e retirei a tampa. Levantei cuidadosamente o vestido de cetim branco. Minha boca se abriu de surpresa. O vestido era fantástico: sem alças, com a saia menos ampla que os vestidos que eu tinha. No fundo da caixa, encontrei um tipo de saia longa com varias camadas de babados. Aquilo dava para usar! Encontrei também um par de luvas brancas.

Apressei-me em vesti-lo — como qualquer outra garota normal faria —, ansiosa para ver o resultado. O espelho de meio corpo não mostrava toda a silhueta, recorri ao vidro da janela, que era grande o bastante para poder me ver de corpo inteiro, já que a noite escura o transformara num espelho perfeito.

Gostei muito do vestido. Ele aderiu perfeitamente ao busto e à cintura, abrindo levemente na saia, mas não uma saia rodada, apenas não era colada ao corpo. Não tinha todo aquele franzido na cintura. Seis pequenas pregas desciam do decote transversalmente até a lateral da cintura — onde uma delicada flor de pedras prateadas dava o acabamento — e continuavam ininterruptas, alargando-se gradualmente até alcançarem a barra do vestido. Na verdade, lembrava muito um vestido de noiva moderno. Era maravilhoso!

Calcei as luvas longas e rodopiei em frente à janela para me ver de todos os ângulos. Fiquei feliz com o que vi ali, se desconsiderasse o pano enrolado na minha cabeça, claro.

Usei os grampos que Hinata me emprestou — muito maiores que os que eu estava acostumada a ver nas perfumarias, ela os chamou de forquilhas. — e fiz o único penteado que sabia, um coque baixo, com a franja lisa caindo lateralmente na testa, terminando atrás da orelha. Usei um pouco de espuma de sabonete para fixar os fios rebeldes da franja. Deixou o cabelo um pouco duro e meio opaco, mas eu não tinha gel ou pomada ou qualquer outra coisa para dar acabamento.

Olhei-me na janela mais uma vez e gostei muito do resultado final. Estava pronta e extremamente ansiosa para ver Sasuke outra vez. Entretanto, não precisei ir muito longe para isso.

Assim que abri a porta, dei de cara com ele esperando por mim no corredor.

Perdi o fôlego assim que o vi. Vestia um smoking preto com o da noite da ópera, mas o colete branco substituía o preto e a gravata também branca. O cabelo penteado para trás brilhava intensamente. Talvez ele usasse alguma coisa nos cabelos, afinal teria que me lembrar de perguntar a ele sobre isso.

Sasuke arregalou os olhos e sua boca se abriu enquanto me analisava, observando cada detalhe do vestido, do meu rosto, do cabelo, atentamente. Um sorriso enorme brincou em seus lábios. Sorri também um pouco constrangida, mas muito satisfeita.

— Eu... Eu... Você... Nossa!

— Obrigada. — deixá-lo sem fala era melhor que qualquer outro elogio. — Você está lindo!

— Você está... Como foi que disse outro dia? Ah, sim! Você está um arraso! — e tocou a lateral do meu rosto delicadamente. — Mas acho que falta alguma coisa? — sua testa se enrugou e ele colocou a mão no queixo, fazendo uma expressão divertida.

— Ah! — ergueu o dedo indicador como se tivesse tido uma grande ideia. Lentamente, Sasuke levantou a mão que escondia atrás das costas e me mostrou uma flor. Um lírio branco perfeito. Quebrou o talo da flor, deixando apenas um cabinho curto, e a prendeu em meu coque com muita delicadeza. Depois voltou a me observar.

— Agora está perfeita! Eu ri de sua cara de bobo.

— Pare de me olhar desse jeito. Ainda sou a mesma garota de sempre, só que com o cabelo menos desgrenhado. — ele sacudiu a cabeça negando, então levantei o vestido mostrando meus tênis vermelhos como prova.

Sasuke não conseguiu conter o riso, depois fingiu estar irritado, mas os cantos de seus lábios teimavam em subir.

— Posso perguntar por que não comprou um sapato para combinar com este lindo vestido, senhorita Sakura?

— Sabe que nem pensei nisso? — dei de ombros. — Além do mais, eu gosto destes. Quando o baile terminar, meus pés ainda estarão inteiros, não estarão doloridos e cheios de bolhas.

Ele assentiu. Um sorriso malicioso apareceu.

— Realmente, prefiro que seus pés estejam bem está noite. Ainda teremos que conversar quando o baile acabar. — aquele brilho prateado se espreitou em seus olhos. Sua expressão divertida me dizia que ele tinha outro tipo de conversa em mente.

— Mas conversar de verdade! É importante, Sasuke. Muito importante.

Ele ficou sério, a diversão esquecida.

— Eu também preciso conversar com você sobre uma coisa importante!

— Importante? — perguntei apreensiva. Seu rosto estava sério, os olhos ansiosos. — Que tipo de coisa importante?

— Do tipo muito importante. — e sorriu um pouco.

Fiquei mais aliviada, fosse o que fosse, não deveria ser nem um problema.

— Beleza! Mas eu quero te contar minha história antes de mais nada! Você precisa saber de onde eu vim de uma vez por todas. Já tô ficando maluca com esse segredo todo!

—Quero muito que me conte toda sua história, Sakura. Talvez... talvez eu possa... ajudá-la ou conheça alguém... que possa... — ele começou irrequieto.

— Não, Sasuke. — interrompi. Pelo esforço com que ele proferiu as palavras, ficou claro que não tinha a menor intenção em descobrir como me mandar de volta para casa. Eu sorri. — Ninguém aqui pode. Talvez o tal Killer B saiba alguma coisa, mas isso, eu vou descobrir hoje.

Seu rosto ficou infeliz.

— Alguns convidados já chegaram, então... — me ofereceu o braço. — Será que posso conduzi-la até a sala ou vai me mandar para a parede outra vez? — disse ele, mudando de assunto, mas sua expressão ainda era triste.

— Se comporte. — respondi, aceitando seu braço.

Ele tentou sorrir um pouco enquanto me conduzia. Beijou minha testa carinhosamente pouco antes de entrarmos na grande sala de baile e suspirou. Não disse nada até chegarmos ali, apenas me olhava nos olhos. Eu podia ouvir o zumbido de vozes.

— Sabe que não sei me comportar seguindo esses costumes. — eu avisei, para o caso de cometer alguma gafe e arruinar o baile de Hinata.

— Agradeço aos Céus por isso. — seu sorriso era mais feliz agora. — Não se preocupe se sairá muito bem.

Eu assenti, mais por hábito que por confirmação. Tinha uma intuição ruim sobre o baile.

Só não sabia bem o porquê.

CONTINUA

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Boa Noite amores!

Capítulo fresquinho p vcs, espero que gostem.

Obrigado a todos que acompanham a adp.

E um agradecimento especial a TheKelly-Chan, Lappstift e Nega Uchiha pelos comentários.