Renesmee
Quando o Jacob foi embora, subi direto pro meu quarto e meus pais me deixaram em paz. Não perguntei sobre o piano que ficou em pedaços ou a janela quebrada que vi quando subia as escadas. Isso foi a causa dos barulhos que ouvi lá fora. Apesar que nunca vi meus pais bravos comigo, ou bravos um com o outro...ou com ninguém, lembrei de uma história quando meu pai quebrou a TV quando minha mãe estava perguntando à família se ela devia ou não se transformar em vampira. Com certeza a raiva não foi o motivo da destruição.
Enquanto dirigia a caminho da escola na manhã seguinte, minha cabeça estava longe de ansiedade. Estava animada em passar um tempo com Jacob.
Só faltava uma semana pro Spring Break. As aulas iam até a sexta, então, tecnicamente eu teria nove dias até que as aulas voltassem. Dez noites com Jacob. Fazia um tempo que a gente não dormia juntos. Dormir juntos. Corei, imaginando Jacob e eu abraçados na cama.
Imediatamente, olhei de relance pro meu pai me perguntando se ele estava lendo meus pensamentos. Ele estava com uma cara que eu não conseguia identificar. Minha mãe está sentada na parte de trás, lendo um livro, aparentemente tentando se distrair um pouco. Não dá pra dizer se ela o está bloqueando ou não.
Jacob brincou ontem, dizendo que a gente tinha que pedir permissão pros meus mais sobre o Spring Break. Mas não acho que a gente tenha mesmo que pedir. Sei que meus pais confiam em Jacob. Quanto ao fato da gente dormir no mesmo quarto acho que foi impressão minha achar que meu pai se sentiu desconfortável com isso, não que ele desaprove. E não é como se a gente fosse fazer alguma coisa errada. Bem, não muito errada. Com certeza quero beijar o Jacob de novo. E de novo. E de novo.
Na escola, o dia pareceu maior que o normal. Jacob mandou uma mensagem de texto que dizia, "Estou com saudade" e fez meu coração tremer. Estava ansiosa para encontrar com ele logo. Talvez ele nos visite no fim da tarde e a gente saia pra caçar.
Quando voltamos pra casa, meus avós estavam na porta. No início achei que algo de errado tinha acontecido, mas eles estavam sorrindo e seguravam envelopes nas suas mãos.
"Chegou carta pra você," meu avô falou, entregando os envelopes pra mim.
Virei pra olhar os remetentes das cartas e ver de onde vinham.
Universidade de Harvard, Brown, Dartmouth, e Yale.
Cartas de aceitação das Universidades. Ou de rejeição. Tinha que abrir pra descobrir.
Meus pais e avós me apressaram pra dentro da casa, e logo nos juntamos com meus tios e tias na sala. Eles me cercaram com olhares ansiosos.
Educação é algo fundamental pra minha família. Todos eles tinham vários títulos acadêmicos e não é porque são vampiros imortais com todo o tempo do mundo. É porque eles valorizam o aprendizado e o intelecto. Nunca foi questionado se eu iria fazer faculdade ou não. Era apenas uma questão de quando e onde. E já que o ensino médio já estava me entediando, eu vou entrar pra faculdade em setembro. Eu já tinha preenchido uma dúzia de inscrições nas Universidades enquanto estava na Europa, que foram lidas e revisadas por cada um da minha família. Sem pressão, né?
O nervosismo bateu. Não quero decepcionar todo mundo e ser rejeitada, depois de todo o envolvimento deles e treinamento.
Abri as cartas, uma por uma. Aceita, aceita, aceita, aceita.
Respirei aliviada enquanto minha família comemorava, e me atacava com abraços e beijos.
"Mais cartas chegarão esta semana," Alice anunciou. "Mas, você ainda não decidiu, não foi? Algum favorito?"
Dei uma olhada pro meu pai e sorri. "Dartmouth, é claro." É a escolha dele pra mim, ele sorriu de volta. No entanto, seu sorriso foi sumindo quando continuei. "E a Universidade de Washington ou a Faculdade Whitman."
"Você pra uma das faculdades da Ivy league," meu pai firmou.
Virei os olhos e meu tio Emmett jogou seu braço por cima dos meus ombros. "Não seja esnobe Edward, a faculdade Whitman tem um excelente programa de ciências."
"Renesmee pode ir pra uma universidade da Ivy pra cursar medicina," meu tio Jasper acrescentou, sempre tentando mediar as coisas quando a tensão começa a subir.
Eu amo minha família, mas já estou começando a ficar irritada e me sentir pressionada. Sinto que eles já escolheram a minha faculdade, assim como a minha profissão. Esta é a minha vida, e não a deles.
Saí fora do círculo que eles formavam e subi as escadas indo pro meu quarto. "Vou dar uma ligada pro Jacob," murmurei.
"Espere," minha mãe chamou. "Vamos terminar de discutir sobre isso."
Foi a gota d'água. "Discutir?! Isso não é uma discussão, vocês já estão me dizendo o que vou fazer. Não estamos discutindo nada aqui. Vocês estão decidindo tudo por mim."
Jacob não faria isso. Ele não me forçaria a fazer nada que eu não quisesse. Ele sempre deixa eu tomar minhas próprias decisões.
"Sobre o Jacob." Meu pai interrompeu meus pensamentos, obviamente tendo escutado eles. "Você não vai passar o Spring Break sozinha com ele, já pode tirar isso da sua cabeça."
Não consegui conter minha resposta. "Não pode me controlar, Edward. Sou adulta agora."
Vi o vulto dos meus tios e avós saíndo da sala na velocidade vampiresca deles, me deixando sozinha com meus pais. Isso não é um bom sinal.
Minha mãe fechou a cara desapontada, obviamente zangada. "Não fale com seu pai desse jeito, Renesmee."
Sabia que o chamar pelo nome ia doer; ele prefere que o chame de pai.
"Mãe, você sabe como ele pode ser controlador. Ele não gosta de dar escolha pra ninguém. Ele acha que é o único que sabe o que é melhor pra os outros."
"Ele te ama," ela firmou imediatamente, defendendo ele como sempre. "Quer o melhor pra você."
"Não se refira a mim como se eu não estivesse aqui!"
Meu queixo caiu, paralisada. Meu pai já pegou pesado comigo às vezes, mas nunca falou com minha mãe daquele jeito. Eu vi a dor nos olhos dela e deu uma vontade terrível de chorar. Eu causei isso. Meus pais nunca, nunca brigaram e agora eles estavam e a culpa foi toda minha.
Frustração e culpa subiram pra minha cabeça, corri porta a fora. E então, continuei correndo e correndo. Sem perceber inconscientemente que estava correndo pra Jacob.
