Jiraya olhou em volta e engoliu em seco. Carlton, a cidade mais rica e bem sucedida de seu reino, fora destruída e estava em ruínas. Os moradores, que sobreviveram ao massacre dos soldados e aos conflitos com os piratas, vagavam pelos escombros sem nada – casa, comida, família... Sem poder sustentar o orgulho de cidade mais poderosa do país.
Orochimaru fazia força para não sorrir. Depois de horas passadas em frente à janela assistindo às chamas e com Kabuto lhe fazendo companhia, ver que seu plano estava indo como o esperado era uma sensação fantástica. Olhou de esguelha para o primo e segurou-se para não soltar uma gargalhada. O Rei demonstrava seu desespero e sua covardia e parecia querer sair correndo para se esconder. Péssima atitude, Jiraya... Assim você vai entregar-me o prêmio mais rapidamente. Pensou satisfeito o nobre.
- Senhor Jiraya?
O Rei quase saltou de susto, sua ansiosidade estava acabando com seus nervos. Um dos generais estava parado atrás de si, esperando as próximas ordens. Jiraya respirou fundo, tentando controlar os nervos, e voltou-se para o outro com seriedade.
- Faça com que os soldados reúnam os corpos e levem-nos para o castelo. Lá, pode fazer o que quiser com eles – ordenou frio. Para ele, aqueles soldados foram peças inúteis em seu jogo e não importavam mais nada, qualquer coisa que pudesse acontecer como seus corpos não lhe importava. – Depois, dê um jeito de descobrir para onde esses piratas foram! Vamos nos livrar deles para sempre... e imediatamente!
Ao ouvir aquilo, o sorriso quase fugiu ao controle de Orochimaru. Ele estava tão satisfeito por estar vendo o descontrole do primo, que quase não conseguiu manter o próprio. Jiraya era fraco. Sua mente era covarde e ele desistiria, ele cederia à pressão e cairia muito em breve... Orochimaru tinha certeza disso.
- Senhor Orochimaru, seu sorriso está enorme – avisou Kabuto preocupado.
- Não se preocupe, Kabuto. Isso é apenas a satisfação em saber que o reino será meu em breve – respondeu ambicioso e extremamente contente.
Tobi olhou para o ex-líder com medo. De todas as pessoas que conhecera, Nagato era o único que conseguia assustá-lo. E vê-lo parado ali, com sua espada em punho e um sorriso macabro era apavorante, mas o traidor não deixou que nada daquilo transparecesse. Nunca aceitaria que eles o vissem com medo.
O sorriso de Nagato aumentou ao vê-lo se esforçar para segurar os espasmos de dor. O líder dos "Anjos" estava satisfeito em vê-lo sofrer, mas aquilo ainda não era suficiente para que pagasse sua traição. Não... Nagato queria mais. Ele queria respostas.
- Então, Tobi... Você sabe que o melhor para sua integridade física é que me responda.
Tobi riu amargo e encarou o outro: - Minha integridade física? Eu vou ficar vivo enquanto você não tiver suas respostas, então acho que, por enquanto, estou muito bem assim.
O sorriso de Nagato aumentou e Tobi sentiu um calafrio descer por sua espinha...
Ele saiu da sala e fechou a porta, deixando o prisioneiro no escuro. A tripulação esperava por ele do lado de fora, todos o observaram guardar sua espada e cruzar os braços.
- Kisame, desça e faça uma visita para nosso companheiro – disse sério. – Mostre a ele a cordialidade do navio.
O pescador concordou e desceu as escadas com passos lentos e silenciosos. O resto continuou encarando-o à espera de novas ordens. O líder lambeu os lábios com o sorriso macabro ainda estampado em seu rosto.
- Deixe que ele fique com Tobi por dez minutos, depois, Itachi, você vai descer e conversar com nosso convidado – falou, seus olhos brilhando com antecipação. – Consiga todas as respostas que puder. Entendido?
- Por que o Uchiha? Por que não eu ou Zetsu? – questionou Deidara com as sobrancelhas arqueadas.
O pirata estava nervoso com o que o traidor poderia contar. Tobi sabia que sua vida seria ceifada de qualquer jeito e ele realmente não tinha nada a perder, contar tudo seria muito fácil para ele... Deidara engoliu em seco. Se fosse descoberto seria um homem morte. E, se ele contasse tudo, nem teria a chance de barganhar. A necessidade de livrar Tobi ou matá-lo com as próprias mãos ficava maior a cada segundo.
- Porque é o que eu quero, Deidara – respondeu encarando-o com crueldade. Nagato odiava que lhe respondessem e o loiro sabia disso. Com um dar de ombros, Deidara se afastou e manteve-se a uma distância segura. – Eu ficarei no timão até que cheguemos à Ilha da Cobra. Konan, Zetsu e Deidara irão cuidar das velas e cordas e Itachi ficará aqui, esperando Kisame. Vocês me entenderam?
Todos concordaram e foram correndo para realizar suas funções. Ninguém gostaria de ir contra as ordens daquele homem, ninguém em sã consciência, pelo menos. Nagato esperou até que todos saíssem e encarou Itachi com seriedade: - Vamos nos encontrar com seu irmão em breve, espero que consiga tudo que Tobi tenha a oferecer. Quero poder barganhar muito bem com ele, certo?
- Sim, senhor.
Nagato olhou-o por mais alguns segundos e depois virou suas costas para ir embora. Itachi olhou para a escotilha e, por pura crueldade, decidiu que esperaria mais cinco minutos para tirar Kisame de perto de Tobi. O Uchiha sabia que logo chegaria a hora de contar a verdade. Isso vai ser um pouco complicado... Gostaria de poder prever sua reação, Sasuke. Pensou com um pouco de culpa.
Sasuke avistou a ilha ao longe. O Sol se punha e a Ilha da Cobra parecia começar a emanar sua aura impura e sombria. O Capitão estranhou estar voltando para lá depois da morte de um de seus companheiros. Nem gostava tanto assim de Sakura, mesmo assim parecia uma afronta a sua memória.
Ele girou levemente o timão. Estava satisfeito por ter tempo para navegar em paz. Por mais que soubesse que aquilo duraria pouco, era tranquilizante poder descansar daquele jeito.
O Capitão estava mais ocupado com sua posição do que nunca. Ele sabia que sua relação com Hinata, qualquer que ela fosse, estava mudando e isso fazia com que ele ficasse ansioso. Iria perdê-la? Ela iria querer continuar com ele depois de sua última conversa? A perolada andava muito estranha e distante, desde que foram encontrar Hiashi, mas mesmo com todas as dúvidas o Uchiha tinha quase certeza que, entre eles, tudo se ajeitaria. Acho que depois de anos esperando, qualquer coisa pode dar certo. Concluiu lembrando-se da época em que ficaram separados, rezando – da parte dele muito internamente – para que isso acontecesse o mais rápido possível...
- Capitão! – chamou Naruto parando ao seu lado. Sasuke olhou irritado para ele, estava prestes a concluir um pensamento muito importante quando o outro surgiu. – Estamos quase chegando, o que faremos quando encontrá-los?
- Vamos sentar e conversar. Eu não quero brigas desnecessárias, ainda não nos recuperamos de Carlton e eu tenho certeza que eles serão úteis para nós, a partir de agora – explicou virando o timão levemente. Sasuke sabia que estava sendo observado e não ficou surpreso quando viu o cenho de Naruto franzir. – O que foi?
- Você sabe muito bem o que foi... Eles mataram a Sakura e, além disso, tentaram nos matar. Você quer mesmo juntar-se a eles? E acha mesmo seguro ajudar ao Neji? – perguntou irritado. Para Naruto e Shikamaru, Sasuke estava ficando louco. Ajudar Neji no que ele queria já era insano, juntar-se aos "Anjos" seria como vender a alma ao demônio. – O que teremos que dar para que eles nos ajudem?
- Naruto, pare para pensar um momento – pediu sério. Para que tudo desse certo, Sasuke precisava dos dois amigos ao seu lado. Já explicara para Shikamaru, que fora o primeiro a aproximar-se com suas dúvidas; agora precisava mostrar para Naruto que aquela "união" não seria ruim para eles. – O que o Neji quer fazer é perigoso, mas, se ele estiver certo, ganhamos muito se ele conseguir e, para ele conseguir algo, vamos precisar de mais poder de luta. Os "Anjos" são exatamente o que nos falta em poder. E, pode ter certeza, eles precisam de ajuda tanto quanto nós.
- Como você sabe disso? – questionou confuso.
Sasuke olhou para o outro e deu de ombros. Ele tinha certeza que eles precisavam de ajuda, mas ainda não sabia para quê. Vendo que não conseguiria nada, Naruto decidiu ceder. Sabia que, para trabalharem com os "Anjos", o Capitão precisaria de toda a ajuda possível e concordava que ajudar Neji era a melhor forma de melhorarem sua situação.
- Tudo bem. Faltam três horas para chegarmos à Ilha – avisou encostando-se nas paredes do navio. – Quais as ordens, Capitão?
- Mande todos se prepararem. Chouji ficará aqui, junto de Kiba, Sai e as outras duas, para ficar de olho no navio. Os primos Hyuuga vão conosco e iremos direto para a taverna favorita dos "Anjos" – respondeu retirando os olhos da Ilha.
- Vai querer levar a Hinata para lá? – perguntou chocado.
- Naruto, apenas faça o que eu mandei – comentou sério.
Com um aceno positivo da cabeça, o segundo no comando saiu para avisar aos outros. Sasuke voltou a olhar para frente, um objetivo formado em sua cabeça. Está na hora de acabarmos com isso de uma vez por todas.
A taberna estava cheia. Piratas de todos os tipos andavam de um lado para o outro e mulheres da vida faziam-lhes companhia. As garçonetes entregavam bebidas e eram apalpadas pelos bêbados; os donos também corriam de um lado para o outro para atender aos pedidos de comida. Aquele lugar estava uma zona, mas era algo normal para uma sociedade onde apenas piratas conviviam entre si. Sem regras, sem preocupações.
Irritado com o barulho, Sasuke envolveu a cintura de Hinata e prendeu-a a si. Qualquer um que tentasse alguma gracinha perderia a mão ou a vida, dependendo da gravidade do que fizesse. Acho melhor eu matar de uma vez, vai que tentem de novo? Pensou lançando um olhar irado para todos que estavam a sua volta. Ela ainda estava chateada com ele, por seu comentário, mas agradeceu por tê-lo por perto, conseguia deixar de amá-lo. Não seria nada agradável ser apalpada. Pensou com asco e tentando afastar-se dos sentimentos bons que possuía por ele. Hanabi e Isabella ficaram no navio com Kiba e Chouji, que preferiram não descer e chegar perto dos "Anjos" e Temari e Tenten pareciam perigosas demais para qualquer um querer tentar qualquer coisa. Neji estava entre Naruto e Shikamaru, ele parecia incomodado com aquele lugar e queria sair o mais rápido possível, mas percebeu que não seria aquilo que aconteceria.
- Eles ainda não chegaram – comentou Naruto aos sussurros.
Shikamaru concordou com a cabeça e aproximou-se de Sasuke, para decidirem o que fariam. Neji olhou ao redor mais uma vez antes de parar em frente à mesa em que Sasuke se jogara.
- Vamos esperar aqui? – perguntou surpreso.
- Achou que ficaríamos onde? – devolveu Temari jogando-se em uma outra cadeira.
Neji olhou em volta da mesa redonda. Todos pareciam relaxados, menos Hinata e ele mesmo. A prima estava presa ao Capitão e mantinha-se calada, apenas observando os piratas que gritavam e cantavam; Naruto sentava-se do outro lado do Capitão e parecia estar muito interessado em algumas garotas que rondavam por ali; Temari estava ao lado de Hinata e Shikamaru e, do outro lado do loiro, estava Tenten, que segurava uma cadeira e olhava para Neji com as sobrancelhas arqueadas.
- Vai continuar em pé, moça? – perguntou provocativa.
Resignado, Neji jogou-se na cadeira livre e limitou-se a olhar para baixo. Não estava nem um pouco a vontade naquele lugar. Uma garçonete aproximou-se e Naruto, Temari e Tenten fizeram seus pedidos. Depois, várias mulheres aproximaram-se da mesa e tentaram oferecer-se para os homens dali. Sasuke estava pronto para mandar as garotas embora quando viu a expressão fria e irritada no rosto de Hinata, escondeu seu sorriso satisfeito e deixou que ela mesma afastasse-as dali. Temari fez a mesma coisa quando chegaram perto de Shikamaru, apenas Neji e Naruto estavam livres para dar atenção a elas e o primeiro não achou muito seguro ao ver o sorriso inocente de Tenten direcionado para si.
- Enfim, já que vamos esperar, vou dar uma volta – avisou Naruto levantando-se e encarando uma loira.
Hinata lançou-lhe um olhar irritado. Ino estava esperando por ele e ele ousava fazer aquile tipo de coisa? Ela estava pronta para responder para ele quando sentiu a boca de Sasuke em seu ouvido.
- Vamos para um quarto – sussurrou deixando uma leve mordida. Sentia falta do sorriso dela, do carinho meigo que só ela era autorizada a ter por si e sabia que precisava desculpar-se.
Revirando os olhos, Hinata voltou sua atenção para ele: - Eu ainda estou chateada com você...
- Eu sei. E quero compensar isso – continuou. – O que eu falei não era para te deixar irritada, mas para que você percebesse que preciso de ti... Vamos, deixe que eu me explique a sós.
Ainda irritada, mas consigo mesma, Hinata deixou-se ser puxada para cima e guiada para o segundo andar da taberna. Nunca conseguiria resistir a ele, mas conseguia perceber de longe que ele estava mais que arrependido. Neji estava pronto para ir atrás deles quando sentiu uma mão em seu colarinho.
- Vamos, moça. Temos coisas inacabadas para resolver – sussurrou Tenten arrastando-o para fora. Ele tentou, inutilmente, se debater.
- Sobramos apenas nós – comentou Temari.
- Isso é problemático... E se os "Anjos" já estiverem chegando? – perguntou-se Shikamaru suspirando.
- Eles vão ter que esperar, oras. Vamos, vamos aproveitar para jogar e nos divertir! Já faz algum tempo que não fazemos nada disso – sugeriu a loira com um sorriso animado.
Shikamaru encarou-a e deu de ombros: - Já que não tem jeito... Vamos logo.
Itachi abaixou-se para ficar na altura de Tobi. Estavam perto de atracar na Ilha da Cobra e ainda não conseguira informações suficientes para seu líder. O traidor estava coberto de sangue e seu rosto estava quase todo inchado e irreconhecível.
- Belo, trabalho – comentou para Kisame, que abriu um sorriso e deu de ombros. – E então, Tobi, vai facilitar ou quer mais tempo com o pescador?
Em todo o tempo que fazia parte daquela tripulação, aquela era a primeira vez que sentia medo de verdade. Perto do Uchiha, Orochimaru parecia uma mocinha e ele não estava preparado para aquela constatação. Nagato ainda era o pior de todos, mas Itachi estava chegando tão perto do sadismo do Capitão, que Tobi não sabia como reagir.
Um sorriso cruel surgiu no rosto do Uchiha. Ele sabia o quão apavorado o outro estava e aquilo, por mais que fosse errado, o divertia. Ele também sabia que logo conseguiria as respostas que queria. Vendo que Tobi precisaria de, apenas, um pouco mais de incentivo, olhou para Kisame e fez um gesto para que ele se aproximasse. Quando estava começando a se levantar, sentiu a agitação do traidor aumentar quase que instantaneamente.
- Pare! Eu falo! Falo qualquer coisa que quiser! – gritou apavorado.
Itachi parou no meio do caminho e voltou a abaixar-se até ficar na altura do outro: - Essa foi uma ótima escolha. Que tal começar a contar sobre sua relação com o crápula do Orochimaru?
Orochimaru olhou para o Conselho com extrema satisfação. Todos estavam irritados com as atuais atitudes de Jiraya e pareciam prontos para mandá-lo embora.
Seu primo vinha tomando as atitudes mais drásticas e cruéis que podia. Ninguém da população estava seguro contra as novas leis que ele criara. Ele não poderia estar fazendo melhor seu papel de covarde. Pensou sem fazer o mínimo esforço para conter sua satisfação. Mifune encarou o nobre com seriedade e com uma raiva mal disfarçada. Ele sabia que Orochimaru armara tudo aquilo; sabia que ele conseguira mexer com a mente fraca do outro e que, agora, apenas esperava o momento de dar o bote.Sai, onde será que você está? Perguntou-se irritado. Por que está demorando tanto?
- Por que ainda está aqui, Orochimaru? Não veio, apenas, para dar as más notícias? – questionou Tsunade séria.
Ninguém naquele lugar gostava dele. Para Orochimaru, eles não gostavam de ninguém, mas aquilo não importava já que muito em breve eles teriam que engoli-lo, querendo ou não.
- Ah, estou só admirando suas belas expressões – respondeu sarcástico. – E imaginando quando irão terminar com essa política de terror que meu querido primo implantou...
- Isso, Orochimaru, não é da sua conta – respondeu Onoki em um grunhido.
- Quanta grosseria, Onoki, mas tudo bem. Mais cedo ou mais tarde vocês terão que tomar uma atitude – comentou com um leve dar de ombros. E quando isso acontecer, vocês não escapam de mim.
- Vá embora – dispensou-o Mei com um acenar de sua mão. Com um sorriso educado e extramente falso, Orochimaru fez uma leve reverência e saiu com muita pompa.
Danzou e Mifune se encararam. Eles sabiam o que aconteceria. Não podiam permitir que, por medo, Jiraya acabasse com sua população e com os poucos tratados de paz que restavam e para que isso não acontecesse teriam que tirá-lo do poder. E tirar Jiraya do poder só queria dizer uma coisa... É melhor que Sai volte logo. Clamou Mifune ansioso.
- Orochimaru contratou-os para que ficassem de olho em você e, se houvesse qualquer abertura, era para eles matarem-no. Na verdade, eles deveriam matar a todos, se pudessem. Mantinham contato constante com seu contratante e davam informações importantes e, graças a isso, nosso plano em Carlton não deu certo – explicou Itachi encarando o Capitão.
Itachi estava parado em frente ao líder. Nagato estava sentado em uma cadeira com Konan e Kisame parados a sua volta. Ele estava com os dois braços apoiados na cadeira e suas mãos estavam cruzadas em frente a seu rosto. Irritação fluía de seus poros e por sua aura.
Tobi contara tudo que sabia. Tudo. E Nagato não ficou nada surpreso com a maior parte de seu relato, mas uma parte tinha chamado sua atenção. Estava começando a rosnar baixinho quando ouviu uma batida insistente na porta. Deidara entrou, sem esperar o comando para que pudesse fazer isto.
- Acabamos de atracar – avisou e saiu.
- Itachi, Tobi está morto? – perguntou depois de um tempo que o loiro saiu. O pirata acenou positivamente, confuso. – Mantenha essa informação em segredo. Vamos ver como as coisas vão se desenrolar enquanto conversamos com seu irmão...
Os olhos de Itachi arregalaram-se levemente com entendimento e ele concordou. Konan e Kisame sabiam que aquela regra serviria para eles, também, e continuaram calados. Vendo que todos haviam compreendido, Nagato levantou-se e puxou seu casaco do encosto da cadeira.
- Então vamos, o "Pérola" nos espera.
Sasuke puxou Naruto pela gola da camisa e arrastou-o para fora da taverna. O loiro conseguira se meter com uma mulher comprometida e arranjara uma briga séria com outro pirata, Sasuke apenas separou-os porque não queria ser responsabilizado por qualquer problema que o idiota arranjasse. Hinata esperava-os do lado de fora.
- Perdeu a cabeça, imbecil? – questionou largando-o. – Por acaso se esqueceu do por que de estarmos aqui?
- Não me esqueci, apenas estava me divertindo – respondeu com um dar de ombros.
Hinata olhou de um para o outro e decidiu que era melhor ignorá-los. Desde que ela e Sasuke foram tirados de seu quarto por causa da encrenca de Naruto e das constantes brigas entre Shikamaru e Temari, a garota decidira manter-se desligada daqueles problemas. Estava ansiosa demais com a ideia de seu primo para resolver as coisas com os Conselheiros. Neji e Tenten surgiram do meio do mato, o jovem nobre estava com as bochechas coradas e a pirata sorria satisfeita.
- Onde vocês estavam? – perguntou Sasuke começando a perder a paciência. Ele recordou porque não gostava de dar folga para sua tripulação... além de serem extremamente irresponsáveis, gostavam de aterrorizar qualquer um que cruzasse seu caminho. – Por acaso, Hyuuga, esqueceu que a ideia de vir para cá foi sua?
Neji grunhiu algo e sentou-se ao lado da prima. Tenten caminhou de forma languida até o lado de Naruto e sorriu divertida para o Capitão. Sasuke revirou os olhos e estava pronto para estrangular aqueles dois piratas enlouquecidos quando Temari apareceu sendo seguida por Shikamaru.
- Capitão, acabamos de ouvir pela cidade. Os "Anjos" resolveram aparecer – comentou a loira séria. – E, pelo jeito, as coisas não estão muito boas para eles também.
Nagato e Sasuke encararam-se pela segunda vez em menos de uma semana. Era muito raro encontrarem-se mais de uma vez a cada dois meses e aquela situação era mais complicada ainda. O Capitão do "Pérola" estava sentado quase no meio da taverna, que ficara vazia desde que os "Anjos" chegaram, e possuía os braços cruzados em frente ao seu peito.
- Finalmente, Nagato. Não sabia que o "Anjo da Morte" era tão lento assim.
- O que posso fazer, Uchiha? Pelo menos meu navio tem um tamanho que impõe respeito.
Provocações era a forma mais normal de cumprimento entre Capitães piratas e aqueles comentários ácidos não surpreenderam a ninguém. Nagato sentou-se em frente ao outro e apoiu-se no encosto da cadeira. Todos os piratas que faziam parte das tripulações das duas embarcações estavam ali. Até mesmo Kiba, Chouji e Sai saíram do "Pérola" para juntarem-se àquela reunião.
- Vamos direto ao assunto, Uchiha – comentou Nagato sério. – Quero sua ajuda para destruir o crápula do Orochimaru, mas só quero isso porque metade da minha tripulação morreu. O que acha?
Sasuke sabia o que sua tripulação queria que fizesse. Sabia que eles esperavam que desse voltas e voltas em Nagato e irritasse-o até o ponto que conseguisse, mas seu humor estava bom demais e ele queria apenas resolver tudo de uma vez.
- Só vamos ajudá-los se vocês concordarem em nos ajudar – retrucou com o mesmo tom do outro. – Nós precisamos acertar algumas contas com o Conselho.
Os olhos de Nagato brilharam levemente. Ele tivera a sensação de que os outros piratas também precisariam de ajuda, mas não conseguia imaginar como o Conselho estaria ligado àquilo tudo.
- E no que vocês querem ajuda?
- Precisamos entrar no Castelo, para conversar com eles – explicou ajeitando-se melhor na cadeira. – Mas existem os Generais no caminho... O problema é que, como vocês, somos minoria para lidar com eles.
- No Castelo, hã? Bem, podemos fazer um acordo, já que Orochimaru está hospedado lá há dias – concordou lógico. – Proponho paz até o final do plano, depois cada um segue seu caminho. Temos um acordo, Uchiha?
Sasuke encarou-o por alguns segundos. Ele, na verdade, estava prestando atenção na linguagem corporal de sua tripulação. Todos haviam ficado relaxados durante a conversa e Neji parecia extremamente satisfeito com a proposta de Nagato. O Capitão do "Pérola" relaxou na própria cadeira.
- Claro, Nagato. Nós temos um acordo – respondeu esticando sua mão.
Nagato apertou a mão oferecida com firmeza. Um acordo entre piratas era um acordo que não poderia ser quebrado ou, se fosse, acabaria em morte. Quando se afastaram, os dois pareciam muito satisfeitos. Os segundos no comando, Naruto e Konan, deram passos para frente, esperando novas ordens. E foi quando Itachi se pronunciou:
- Agora que tudo foi acertado, vamos conversar Sasuke.
O mais novo Uchiha olhou para o irmão com certa raiva, odiava receber ordens, mas alguma coisa lhe dizia que seria interessante ouvir o que ele tinha para dizer. Levantou-se lentamente e olhou para Naruto:
- Mantenha todos em ordem, logo estarei de volta.
O outro concordou e voltou-se para o resto da tripulação para dar as próximas ordens. Antes de sair, Sasuke ainda murmurou algumas palavras para Hinata, que apenas concordou e observou-o saindo.
Nagato levantou-se devagar e voltou-se para seus piratas: - Alojem-se e evitem arranjar encrencas. Konan ficará no comando até que eu volte.
- Aonde vai? – questionou Konan curiosa.
Ele olhou para ela e depois se virou para Hinata, surpreendendo a todos: - Soube que queria conversar comigo, da última vez em que nos encontramos. Podemos? – perguntou esticando sua mão para que ela segurasse.
Hinata encarou-o chocada. Não esperava por aquilo de jeito nenhum, mas viu a oportunidade perfeita para tirar todas as dúvidas que restavam sobre o passado de seu pai e sua mãe. Por favor, fique perto de Naruto ou das garotas e não se afastasse. Esta Ilha é muito perigosa e eu quero encontrar-te bem quando voltar, querida. Falara Sasuke antes de sair. Ela hesitou por ter prometido que seria mais responsável, mas saber sobre sua família era uma coisa da qual não poderia e nem gostaria de fugir. Ela segurou a mão dele com delicadeza e olhou para seu primo, que a observava com terror:
- Irei conversar com o senhor Nagato, volterei em breve – avisou com a postura ereta e o nariz levantado. Estava na hora de começar a agir como seu pai lhe ensinara. É como Sasuke disse, eu não sou mais uma criança. Pensou séria.
