A porta da lanchonete é aberta com violência e a figura escura do Sr. Gold apresenta-se de maneira furiosa e imponente. Aproxima-se da mesa onde estavam Killian e Emma, estacando-se diante deles. Bate a bengala no chão.

- Pirata peçonhento, cão sarnento, pestilento e maldito!

- Boa tarde para você também, crocodilo. – Killian sorri irônico.

- Dependendo de sua responsabilidade, Andreas sequer teria nascido, sua criatura pútrida!

O pirata levanta-se e corajoso como sempre, encara o advogado. Rebate:

- Controle suas palavras ou no futuro elas controlarão você, língua bifurcada!

- Por que fez questão de registrar o menino, se não tem a capacidade de saber onde ele se encontra e com quem se relaciona? Eu deveria transformar você num sapo barbudo e maneta!

Emma levanta-se e usa sua autoridade de xerife para controlar os dois homens. Apenas afasta-os usando as mãos.

- As pessoas estão alimentando-se e não têm a obrigação de presenciar essa discussão de vocês dois, senhores. Ou conversam civilizadamente ou serei obrigada a prendê-los por desordem. Do que adianta o menino ter dois pais, se nenhum deles consegue manter o mínimo de diálogo urbano para um entendimento?

Gold rosna e encara Killian. Ambos furiosos.

- Você exigiu na justiça o direito para dar seu sobrenome podre ao meu filho. Sabe agora onde ele está? Sabe o que tentaram fazer a ele ontem pela noite? Sequer se importa com o que acontece com ele!

- Andreas é um homem emancipado e não precisa de um pai babando atrás dele. Ele não carrega o sobrenome Jones por acaso! É um pirata! E piratas são corajosos, hábeis e independentes!

- Sabe onde ele está agora? – o advogado grita e atrai a atenção para eles. – Você o repudiou, depois decidiu invadir nossa privacidade e exigir o direito de batizá-lo com seu sobrenome sujo e sequer consegue ajudar na orientação dele!

Killian dá um passo para frente.

- Orientação? Estamos falando de um homem com trinta e um anos que já enfrentou trolls, ogros, nereidas, foi vendido como escravo, viveu num navio fantasma e é conhecido como o ladrão Colombo no reino dele. Acha mesmo que um simples pirata maneta ou um advogado manco conseguiriam manter o rapaz sob custódia? Não sei onde ele está agora! E também não sei o que tentaram fazer contra ele esta noite!

Gold quase encosta seu nariz no narigão do pirata. Consegue sentir o calor da respiração do seu inimigo.

- Meu filho Andreas quase foi violado ontem por uma bruxa e neste momento está em alto mar com aquele mercenário monstruoso e gigantesco! Você, como o pirata sujo que é, sabe exatamente como aquele rinoceronte costuma agir quando se depara com crianças inocentes!

Killian empurra de leve o peito do advogado, usando seu gancho.

- Andreas não é uma criança inocente e ele não precisa de um pai pirata vigiando todos os atos do dia dele. Fico imensamente feliz pela escolha dele em embarcar num navio pirata e lutar por um objetivo. Queria que meu filho ficasse escondido atrás de um balcão como o papai crocodilo, fica? Ele não é covarde!

- Meu filho foi enviado para este reino para receber orientação e proteção! Para viver sob constante ameaça, poderia ter ficado junto com a mãe! – Gold aponta para o pirata. – Olhe para você! Ensimesmado demais com sua nova vida de empresário e noivo da salvadora, para conseguir auxiliar nos cuidados sobre Andreas! Vim apenas avisar que vou entrar naquele navio monstruoso e retirar meu filho de lá! Mas saiba que não tornará a ver o meu menino!

Gold gesticula de forma veemente e uma nuvem de fumaça roxa começa a surgir em torno dele. Sem hesitar, Killian o agarra e imediatamente os dois desaparecem diante dos olhos de todos na lanchonete.

Nos dias que se seguem, a total escuridão de notícias sobre o poderoso navio Spartacus incomoda alguns moradores da cidade. Mesmo usando seus contatos, Emma não consegue obter informação sobre o paradeiro do navio e de seus tripulantes. A completa falta de conhecimento sobre a real situação era desesperadora.

No noticiário daquela manhã, informações sobre um violento confronto entre o navio Spartacus e um baleeiro chegam à cidade. Imagens feitas por outro navio mostram o perigoso embate acontecido nas águas revoltosas do oceano imenso e poderoso.

Nenhum rosto é possível ser filmado, pois todos os piratas do Spartacus sempre iam à luta protegidos por tocas balaclavas. Mas os habitantes de Storybrooke sabiam que entre eles estavam Andreas e seus dois pais. Nenhum fugiria a um bom combate. Como dizia Killian: "Iremos por este caminho e com sorte, encontraremos perigo!".

Era tarde da noite, quando Emma dirige-se para a seu repouso. Antes, passa pelas docas com a esperança de ver a silhueta do poderoso Spartacus vindo ao longe. Observa e acaba por encontrar Regina, encostada em seu carro, com o olhar perdido no horizonte. Certamente nutria o mesmo desejo.

- Eles vão retornar com segurança. – Emma diz e vê um resquício de sorriso na prefeita. – Gold e Killian não permitirão que Andreas saia ferido.

- Pensei que meu coração estava bloqueado para a paixão, mas o desgraçado daquele menino surgiu em minha vida como um furacão e foi impiedoso.

Emma também se encosta-se no carro da prefeita. Ainda sentia temor em se aproximar.

- Quando ele retornar não perca tempo e declare-se para ele. Andreas vai entender.

- Eu já me declarei e o tive em minha cama. Porém, o que eu sinto por ele não foi forte o bastante para tirar a proteção que algum infeliz pôs sobre o corpo dele. Foi a noite mais frustrante de minha vida e Andreas não fez nada para evitar. Foi cruel, mas mesmo assim, sou apaixonada por ele.