Oláa amores... Me desculpem por nao ter postado ontem como prometido. Mas é que eu fui viajar e cheguei muito tarde ontem e tava master cansada aí deixei pra postar hoje ^^ E como eu #fail com vcs ontem, hoje tem TRES capítulos novos.

Enjoy!


Vinte e Três

Só que, claro, não consigo.
Não consigo esquecer Edward. Não consigo esquecer nossa briga.
Seu rosto fica surgindo na minha cabeça quando não quero. O modo como ele me olhou à luz do sol, com o rosto franzido. Os trevos da sorte.
Fico deitada na cama, o coração martelando, repassando aquilo de novo e de novo. Sentindo a mesma pontada de mágoa. O mesmo desapontamento.
Eu contei a ele tudo sobre mim. Tudo. E ele nem quis me contar um...
Enfim. Enfim.

Não importa.
Não vou pensar mais nele. Ele pode fazer o que quiser. Pode guardar seus segredos estúpidos.
Boa sorte para ele. É isso. Edward está fora do meu cérebro.

Foi embora de vez.
Olho o teto escuro por alguns instantes.
E o que ele quis dizer com aquilo, afinal? É um desastre tão grande as pessoas saberem a verdade sobre você?
Ele sabe falar. Sabe falar bem demais. O Sr. Mistério. O Sr. Delicado e Complicado.

Eu deveria ter dito isso. Deveria ter dito...
Não. Pára de pensar nisso. Pára de pensar nele. Acabou.

Quando entro na cozinha na manhã seguinte para fazer uma xícara de chá, estou totalmente decidida. Não vou pensar em Edward daqui em diante. Finito. The End. Fim.
- Certo. Eu tenho três teorias. – Alice chega ofegante à porta da cozinha, de pijama, segurando seu bloco.
- O quê? – levanto os olhos remelentos.
- O grande segredo de Edward. Tenho três teorias.
- Só três? – diz Angela, aparecendo atrás dela com seu roupão branco, segurando o caderninho Smythson. – Eu tenho oito!
- Oito? – Alice encara-a, afrontada.
- Não quero saber de teorias – digo. – Olhem, vocês duas, esse negócio tem sido muito doloroso para mim. Vocês não podem respeitar meus sentimentos e deixar isso de lado?
As duas me olham inexpressivas por um segundo, depois se viram uma para a outra.
- Oito? – repete Alice. – Como você conseguiu oito?
- Moleza. Mas tenho certeza de que as suas também são muito boas – diz Angela, afável. – Por que não fala primeiro?
- Certo – concorda Alice com um ar de chateação, e pigarreia. – Número um: Ele vai transferir toda a Corporação Panther para a Escócia. Esteve lá fazendo reconhecimento, e não queria que você espalhasse boatos. Número dois: Ele está envolvido em algum tipo de fraude do colarinho-branco...

- O quê? – Encaro-a. – Por que está dizendo isso?
- Eu verifiquei os contadores que fizeram auditoria nas últimas contas da Corporação Panther, e eles se envolveram em grandes escândalos recentemente. O que não prova nada, mas se ele está agindo sorrateiramente e falando de transferências... – Ela faz uma careta e eu olho de volta, desconcertada.
Edward, um fraudador? Não. Não pode ser. Não poderia.
Não que eu me importe.
- Posso dizer que essas duas opções me parecem tremendamente improváveis? – Angela ergue as sobrancelhas.
- Bem, então qual é a sua teoria? – pergunta Alice, irritada.
- Cirurgia plástica, claro! – exclama ela em triunfo. – Ele fez um lifting facial e não quer que ninguém saiba, por isso se recupera na Escócia. E eu sei o que é o B do Plano B.
- O quê? – pergunto cheia de suspeitas.
- Botox! – responde Angela com um floreio. – Por isso ele saiu correndo do encontro com você. Para alisar as rugas finas. De repente o médico teve uma consulta desmarcada, e o amigo veio dizer a ele...
De que planeta Angela veio?

- Edward nunca faria botox! – digo. – Nem lifting!
- Você não sabe! – Ela me lança um olhar revelador. – Compare uma foto recente de Edward com uma antiga, e aposto que vai ver uma diferença...
- Certo, Miss Marple – Alice revira os olhos. – Então, quais são as suas outras sete teorias?
- Deixe-me ver... – Angela vira a página do caderno. – Certo. Esta é bastante boa. Ele é da Máfia. – Ela pára querendo causar efeito. – O pai dele foi morto, e ele está planejando assassinar os chefes de todas as outras famílias.
- Angela, isso é O Poderoso Chefão – comenta Alice.
- Ah. – Ela fica frustrada. – Eu achei que parecia um pouquinho familiar. – Ela risca a hipótese. – Bem, aqui está a outra. Ele tem um irmão autista...
- Rain Man.
- Ah, droga. – Angela faz uma careta e olha a lista de novo. – Então talvez essa não sirva, afinal de contas... nem essa. – Ela começa a riscar as anotações. – Certo. Mas eu tenho mais uma. – Ela levanta a cabeça. – Ele tem outra mulher.

Encaro-a, sentindo uma pontada. Outra mulher. Eu nem cheguei a pensar nisso.
- Essa também era minha última teoria. – conta Alice, como se pedisse desculpas. – Outra mulher.
- Vocês duas acham que é outra mulher? – Olho de um rosto para o outro. – Mas... mas por quê?
De repente me sinto muito pequena. E idiota. Será que Edward estava me enganando o tempo todo? Será que eu fui mais ingênua do que pensei originalmente?
- Parece uma explicação provável – Angela dá de ombros. – Ele está tendo um caso clandestino com uma mulher na Escócia. Estava fazendo uma visita a ela quando conheceu você. Ela ficava telefonando, e talvez eles tenham tido uma briga, e aí veio a Londres inesperadamente, por isso ele teve de sair correndo do encontro com você.
Alice olha meu rosto ferido.
- Mas talvez ele esteja mudando a empresa – diz ela, encorajando. – Ou seja fraudador.
- Bem, não me importa o que ele está fazendo – meu rosto está em chamas. – O negócio é dele. Que faça bom proveito.

Pego uma garrafa de leite na geladeira e fecho-a com força, as mãos tremendo ligeiramente. Delicado e complicado. Será esse o código para "eu tenho um caso com outra"?
Bem, ótimo. Que ele tenha outra mulher. Não me importo.
- O negócio é seu também! – opina Angela. Você vai se vingar...
Ah, pelo amor de Deus.
- Eu não quero me vingar, certo? – Eu me viro para encará-la. – Não é saudável. Eu quero... curar minhas feridas e ir em frente.
- É, e posso lhe dizer um sinônimo para vingança? – retruca ela, como se tirasse um coelho de uma cartola. – Encerramento!
- Angela, encerramento e vingança não são a mesma coisa – discorda Alice.
- No meu manual, são. – Ela me dá um olhar impressionante. – Bella, você é minha amiga, e eu não vou deixar você ficar aí sentada sendo maltratada por um sacana. Ele merece pagar. Ele merece ser punido!
Encaro Angela, sentindo algumas dúvidas minúsculas.

- Angela, você não vai fazer nada com relação a isso.
- Claro que vou – responde ela. – Não vou ficar parada vendo você sofrer. Isso se chama irmandade das mulheres, Bella!
Ah meu Deus. Tenho visões de Angela remexendo as lixeiras de Edward com seu conjunto Gucci cor-de-rosa. Ou arranhando o carro dele com uma lixa de unha.
- Angela... não faça nada – peço, alarmada. – Por favor. Eu não quero.
- Você acha que não. Mas depois vai me agradecer.
- Não, não vou! Angela, você tem de prometer que não vai fazer nenhuma besteira.

Ela retesa o queixo, amotinada.

- Prometa!
- Certo – cede Angela, revirando os olhos. – Prometo.
- Ela está cruzando os dedos às costas – observa Alice.
- O quê? – Encaro Angela, incrédula. – Prometa direito! Jure por uma coisa que você ama de verdade.
- Ah meu Deus – exclama Angela mal-humorada. – Certo, você venceu. Juro por minha bolsa Miu Miu de couro de pônei que não vou fazer nada. Mas você está cometendo um erro enorme e sabe disso.
Ela sai emburrada, e fico olhando meio inquieta.

- Essa garota é uma psicopata absoluta – fala Alice, deixando-se afundar numa cadeira. – Por que a gente deixou que ela viesse morar aqui? – Alice toma um gole de chá. – Na verdade eu me lembro por quê. Foi porque o pai dela pagou um ano de aluguel à gente, adiantado... – Ela capta minha expressão. – Você está legal?
- Você não acha que ela vai fazer alguma coisa com Edward, acha?
- Claro que não – o tom de Alice é tranqüilizador. – Ela só fala. Provavelmente vai esbarrar com uma de suas amigas desmioladas e esquecer disso.
- Está certa. – Tenho um pequeno tremor. – Você está certa. – Pego minha xícara e olho-a em silêncio por alguns instantes. – Alice, você realmente acha que o segredo de Edward é outra mulher?
Alice abre a boca.
- De qualquer modo, não tem importância – acrescento em desafio antes que ela possa responder. – O que for.
- Claro – Alice dá um sorriso simpático.

Quando chego ao trabalho Jessica levanta a cabeça com os olhos brilhantes.
- Bom dia, Bella! – E dá um sorrisinho para Catherine. – Andou lendo algum livro intelectual ultimamente?
Ah, rá, rá, rá. Tão, tão engraçado! Todas as outras pessoas se cansaram de me provocar. Só Jessica ainda acha isso completamente hilário.
- Na verdade, Jessica, eu li – respondi, alegre, tirando o casaco. – Li um livro muito bom, chamado "O que fazer se sua colega é uma vaca antipática que tira meleca do nariz quando acha que ninguém está olhando".
Há um riso abafado por toda a sala, e o rosto de Jessica fica vermelho-escuro.
- Não tiro! – nega ela rispidamente.
- Eu não disse que você tira – respondo, cheia de inocência, e ligo o computador com um floreio.
- Pronta para ir à reunião, Jessica? – pergunta Paul, saindo de sua sala com uma pasta e uma revista na mão. – E, a propósito, Nick – acrescenta em tom agourento. - Antes de ir, poderia me dizer que diabos lhe deu para colocar um cupom das Barras Panther na... – Ele consulta a capa. – Revista do Boliche? Presumo que tenha sido você, já que o produto era seu.

Meu coração dá uma ligeira cambalhota e eu levanto a cabeça. Merda. Merda dupla. Eu achei que Paul nem iria descobrir.
Nick me lança um olhar maligno e eu faço um rosto agoniado.
- Bem – começa ele cheio de truculência. – Sim, Paul. A Barra Panther é meu produto. Mas por acaso...
Ah meu Deus. Não posso deixar que ele assuma a culpa.
- Paul – digo com uma voz trêmula, meio levantando a mão. – Na verdade foi...
- Porque eu quero dizer. – Paul ri para Nick. – Foi muito inspirado! Acabei de receber os números, e tendo em mente a circulação ridícula da revista... eles são extraordinários!
Encaro-o perplexa. O anúncio funcionou?
- Verdade? – exclama Nick, obviamente tentando não parecer espantado demais. – Quero dizer... excelente!
- Como é que você tem essa idéia da porra, de anunciar uma barra energética de adolescentes para um monte de velhos malucos?
- Pois é! – Nick ajeita os punhos da camisa, sem olhar para qualquer lugar próximo de mim. – Claro, foi um certo risco. Mas eu senti que estava na hora de... de dar uns tiros no escuro... experimentar uma nova população...
Espera aí. O que ele está dizendo?

- Bem, sua experiência deu certo. – Paul dá um olhar aprovador a Nick. – E o interessante é que isso combina com uma pesquisa da Escandinávia que recebemos. Se quiser falar comigo depois para discutir...
- Claro! – Nick sorri, satisfeito. – A que horas?
Não! Como é que ele...? Ele é um tremendo sacana.
- Espera! – Para minha própria perplexidade, eu salto de pé, ultrajada. – Espera aí. Essa idéia foi minha!
- O quê? – Paul franze a testa.
- O anúncio na Revista do Boliche. Foi minha idéia. Não foi, Nick? – Olho-o diretamente.
- A gente deve ter discutido isso – solta ele, sem me encarar. – Não lembro. Mas sabe, uma coisa que você tem de aprender, Bella, é que o marketing tem a ver com trabalho de equipe...
- Não me venha com paternalismos! Isso não foi trabalho de equipe. Foi totalmente minha idéia. Eu coloquei o anúncio por causa do meu avô!
Droga. Eu não queria que isso escapasse.
- Primeiro seus pais. Agora seu avô – comenta Paul, virando-se para me olhar. – Bella, será que, esta é a semana do "Traga toda a sua família para o trabalho"?

- Não! É só... – Começo, meio quente sob o olhar dele. – Vocês disseram que iam acabar com as Barras Panther, por isso eu... pensei em dar algum desconto a ele e aos amigos dele, e que todos poderiam fazer um estoque. Tentei dizer a vocês, naquela reunião grande, que meu avô adora as Barras Panther! E todos os amigos dele também. Se vocês me perguntarem, digo que deveriam vender as Barras Panther a eles, e não aos adolescentes.
Há um silêncio. Paul está perplexo.
- Sabe, na Escandinávia estão chegando à mesma conclusão – conta ele. – É o que a nova pesquisa mostra.
- Ah – respondo. – Bom... pois é.
- Então, por que essa geração mais idosa gosta tanto das Barras Panther, Bella? Você sabe? – Ele parece interessado.
- Claro que sei.
- É o "percentual grisalho" – intervém Nick com erudição. – As mudanças demográficas na população de pensionistas estão respondendo por...
- Não é não! – digo impaciente. – É porque... porque... – Ah meu Deus, vovô vai me matar por estar dizendo isso. – É porque... porque não desgruda as dentaduras.

Há uma pausa perplexa. Então Paul vira a cabeça para trás e solta uma gargalhada estrondosa.
- Dentaduras – murmura ele, enxugando os olhos. – Isso é genial, Bella. Dentaduras!
Ele ri de novo e o encara de volta, sentindo o sangue pulsar na cabeça. Estou com uma sensação estranhíssima. Como se alguma coisa estivesse crescendo por dentro, como se eu estivesse para...
- Então, posso ter uma promoção?
- O quê? – Paul ergue os olhos.
Eu realmente falei isso? Em voz alta?
- Eu posso ter uma promoção? – Minha voz está tremendo ligeiramente, mas fico firme. – Você disse que, se eu criasse minhas próprias oportunidades, poderia ter uma promoção. Foi o que você disse. Isso não é criar minhas próprias oportunidades?
Paul me olha por alguns instantes, piscando, sem dizer nada.
- Sabe, Bella Swan – diz ele finalmente. – Você é uma das pessoas mais... surpreendentes que eu já conheci.

- Isso é um sim? – insisto.
Há silêncio em todo o escritório. Todo mundo está esperando para ver o que ele vai responder.
- Ah, pelo amor de Deus – exclama ele, revirando os olhos. – Certo! Você pode ter uma promoção. É só isso?
- Não – ouço-me dizendo, com o coração batendo ainda mais furiosamente. – Tem mais. Paul, eu quebrei sua caneca da Copa do Mundo.
- O quê? – Ele está aparvalhado.
- Eu sinto muitíssimo. Vou lhe comprar outra. – Olho o escritório silencioso e boquiaberto em volta. – E fui eu que estraguei a copiadora daquela vez. Na verdade... todas as vezes. E aquela bunda... – Em meio aos rostos aparvalhados vou até o quadro de avisos e arranco a fotocópia do traseiro com um fio-dental. – É minha, e eu não quero que ela fique mais aqui. E, Jessica, quanto à sua planta...
- O quê? – quer saber ela, cheia de suspeitas.
Encaro-a, com sua capa de chuva Burberry e seus óculos de grife e seu rosto presunçoso tipo "sou melhor do que você".

Certo, não vamos nos empolgar demais.
- Eu... não consigo imaginar o que há de errado com ela. – Sorrio para Jessica. – Tenha uma boa reunião.

Pelo resto do dia estou totalmente empolgada. Meio chocada e empolgada, tudo ao mesmo tempo. Não acredito que vou ter uma promoção. Vou ser executiva de marketing!
Mas não é só isso. Não sei direito o que aconteceu comigo. Estou me sentindo uma pessoa totalmente nova. E se eu quebrei a caneca de Paul? Quem se importa? E se todo mundo sabe quanto eu peso? Quem se importa? Tchau, velha Bella de merda, que esconde suas sacolas da Oxfam debaixo da mesa. Olá, Bella nova e confiante, que as pendura orgulhosamente na cadeira.
Liguei para meus pais dizendo que vou ser promovida, e eles ficaram tremendamente impressionados! Disseram que vêm a Londres sair comigo para comemorar. E então tive uma conversa longa e boa com mamãe sobre Edward. Ela disse que alguns relacionamentos duram para sempre, e que outros só duram alguns dias, e que a vida é assim. Depois contou sobre um cara em Paris com quem ela teve uma incrível transa de 48 horas. Disse que nunca tinha experimentado um prazer físico igual, e que sabia que aquilo não poderia durar, mas que isso tornou a coisa muito mais pungente.
Depois acrescentou que eu não precisava mencionar a história ao papai.

Nossa. Na verdade estou bem chocada. Sempre pensei que mamãe e papai... pelo menos nunca...

Bem. Isso é para a gente ver.

Mas ela está certa. Alguns relacionamentos têm vida curta. Edward e eu obviamente nunca iríamos a lugar nenhum. E na verdade estou bem resolvida com relação a isso. De fato superei bastante. Meu coração só entrou em espasmo uma vez hoje, quando pensei tê-lo visto no corredor, e me recuperei bem depressa.
Toda a minha vida nova começa hoje. Na verdade espero conhecer alguém hoje no show de dança de Alice. Algum advogado alto e fulgurante. É. E ele vai me pegar no trabalho em seu fabuloso carro esporte. E eu vou descer toda feliz a escada, jogando o cabelo para trás, sem nem olhar para Edward, que vai estar parado na janela de sua sala, furioso...
Não. Não. Edward não vai estar em lugar nenhum. Eu superei Edward. Tenho de lembrar isso.
Talvez eu escreva na mão.