Capítulo XXV
Era madrugada quando Kamus deixou a mansão Ascott. Shaka tinha-se despedido dele com a certeza que voltariam a ver-se em breve. Do céu ainda escuro a neve caía pontualmente.
Kamus olhava através da janela do coche as poucas luzes da cidade, um ramo de lírios brancos sobre o colo. Aquela seria a última vez... mas precisava dessa ultima vez para se libertar completamente.
Respirou fundo, uma nuvem de fumo saindo dos lábios finos devido ao frio.
Os deveres chamavam-no de volta ao sul da França e a isso não podia escapar por mais tempo. Além do mais tinha vivido muito naquelas ultimas semanas... estava na hora de estabilizar a sua vida de novo. Paz, sossego e monotonia era o que precisava naquele momento.
A viagem não demorou muito até chegarem ao primeiro ponto de paragem. Kamus sentiu o coche parar sobre a ponte, levantou-se calmamente com o ramo de flores sobre o colo.
Estranhou quando não viu a porta ser aberta pelo servo. Desceu do coche sozinho, sentindo o frio intenso da madrugada.
Naquela hora da manhã não havia ninguém na rua, estaria descansado durante o tempo que precisasse para se despedir sem ser alvo de olhares indiscretos.
Avançou lentamente pela neve, deixando um rasto de pegadas no manto branco que cobria o chão. Sentia a brisa no seu rosto, numa deliciosa carícia gelada.
Foi ao chegar ao meio da ponte que Kamus finalmente percebeu a presença de outra pessoa. Alguém, no lado oposto ao seu, avançava vagarosamente na sua direcção. Distinguia os longos cabelos balançando devido ao vento... as mãos dentro dos bolsos do casaco comprido... um andar felino conhecido...
- Mi...lo?
A voz tinha saído num sussurro incrédulo, a mente se recusando a acredita no que os olhos viam. Milo aproximou-se do ruivo, parando à sua frente. As magníficas íris azuis fixavam-no intensamente, as bochechas avermelhadas pelo frio.
Fixaram-se em silêncio durante segundos que pareciam intermináveis, antes de Milo finalmente se manifestar.
- Creio que tem uma promessa pendente...
A voz do loiro era confiante. Olhava fixamente para Kamus, percebendo que tinha conseguido o seu intento de o destabilizar.
Kamus recuperava rapidamente do choque de ter Milo à sua frente. A promessa sabia muito bem qual era e ele tinha pago. Culpa de Milo se este não tinha aceite.
- Lembro-me de você se ter recusado...
- Eu não recusei meu caro... apenas adiei...
Kamus levantou uma sobrancelha incrédulo. Realmente, nunca tinha pensado nessa possibilidade, mas era surreal demais.
Desviou por momentos a atenção do escorpiano, avançando até à berma da ponte. Olhou uma ultima vez para a água que anos antes levara a vida do próprio irmão. Águas passadas não voltam jamais...
- Au revoir mon frère... – sussurrou para ele, jogando o ramo de lírios no rio. Tinha sido a última vez...
Fechou os olhos relembrando o rosto de Isaak, num passado distante em que ele ainda estava presente na sua vida. Uma presença constante que se tornava doentia à medida que o tempo passava...
Mas aquilo tinha acabado.
Voltou a encarar Milo sério, escondendo as mãos cobertas com luvas nos bolsos do casaco preto. Estava na hora de partir e a presença de Milo ali estava atrasando tudo. Além de o desconsertar...
- Bien... acontece que estava justamente de partida. – olhou nos olhos de um azul profundo, percebendo o sorriso do escorpiano. Estava tramando alguma...
- Eu sei...
Aquele joguinho do gato e do rato de novo! Se não fosse tão paciente já estaria no limite a uma hora daquelas. Milo sabia perfeitamente como atordoar, fazendo a pessoa andar às voltas sozinha até cair... de preferência nos seus braços.
- E quer que eu cumpra a minha promessa...
- Isso mesmo.
- E tem alguma sugestão para isso?
A pergunta chave. Kamus por segundos arrependeu-se de a ter feito quando percebeu o sorriso de Milo se alargar, um luor estranho tomar conta dos seus olhos.
Manteve-se estático enquanto o loiro passava por ele, avançando na direcção do coche. O que aquela mente insana estava pensando em fazer, só os deuses sabiam... mas ele não tardaria a descobrir.
Virou-se na direcção de Milo ouvindo a voz deste enquanto subia no seu coche.
- Não vem? Temos uma longa viagem pela frente...
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Afrodite despertou aos poucos do sono profundo ao sentir breves carícias nos seus cabelos. Fechou os olhos com força ao perceber a claridade entrar intensa pela janela do quarto. Sentia o rosto ser deliciosamente aquecido pelos raios do sol... ouvia uma respiração calma bem perto...
Entre-abriu os olhos verificando se não estava a sonhar. A abraço no qual se encontrava não era um sonho; o calor do corpo perto do seu, as carícias suaves na sua nuca... tudo aquilo era real.
Suspirou com um sorriso no rosto, sentindo o tecido fino da camisa de Carlo amarrotada.
Sentia-se bem... apenas a presença do italiano era reconfortante... revitalizante. Afrodite ganhava uma nova razão para continuar em frente, uma razão para ultrapassar o sofrimento que a sua doença lhe causava.
Não tinha passado de uma simples noite juntos, fazendo companhia um ao outro sem ir mais longe... mas para o pisciano era um começo.
- Good morning... – sussurrou dando um beijo terno no queixo do italiano.
Carlo suspirou pesadamente, deixando escapar um bocejo de cansaço. Soltou por momentos os cachos macios de Afrodite, levando a mão aos próprios cabelos, afagando-os manhosamente. Mantinha os olhos fechados enquanto se ajeitava melhor na cama.
- Parece que há alguém que precisa dormir mais...
Sorrindo, Afrodite passou os dedos finos pelo rosto do italiano, ouvindo-o suspirar novamente.
- Se bem conheço Alexis, o desjejum deve estar pronto não tarda. É melhor pensar em acordar.
- Alexis precisa aprender a dormir até tarde…
O barão riu.
- Ele não pode Carlo, é a pessoa que controla tudo aqui em casa. Aposto que dormiu menos que você e está mais que pronto para um dia de trabalho…
- Va bene… para a próxima chama Alexis para zelar pelo seu sono boa parte da noite, a ver se ele estará assim tão pronto para trabalhar no dia seguinte.
Acabando de falar, o italiano virou-se na cama ficando de costas para Afrodite. Acomodou-se sobre o colchão, puxando as cobertas sobre o seu corpo, grunhindo algumas palavras em italiano sempre mantendo os olhos cerrados.
Afrodite sorriu sozinho. Então era essa a razão pela qual o italiano estava tão cansado. Ele tinha passado boa parte da noite zelando pelo seu sono…
Aproximou-se do corpo quase adormecido de Carlo abraçando-o, encostando a sua testa nas costas fortes. Fazia leves carícias no torso definido do italiano sobre a roupa.
Sim, não perderia aquilo por nada naquele mundo… Alexis podia esperar.
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O coche avançava veloz pelas ruas Londrinas. A neve tinha parado de cair naquela manhã dando lugar ao sol radiante. Finalmente a Primavera parecia dar sinais de vida, apesar de antes do tempo.
No banco dentro da viatura, uma jovem de longos cabelos verdes mantinha o olhar vago, imersa em pensamentos enquanto agarrava firmemente num pedaço de papel.
Tudo o que tinha imaginado, tudo o que tinha planeado para o futuro acabava de se esmoronar em poucas horas. A vida parecia abrir-lhe os braços quando de um momento para o outro tudo lhe tinha sido retirado.
A manhã toda tinha pensado numa escapatória, numa forma de levar a melhor... mas nada parecia dar resultado. A cada ideia havia um senão que a impedia de a colocar em prática. Era tudo demasiado recente, demasiado rápido para conseguir lidar correctamente com a situação.
A verdade tinha-a atingido bruscamente, conseguindo abalar as suas defesas.
Ela estava sozinha.
As mãos pálidas crisparam-se sobre o colo, amachucado ligeiramente a única coisa que a poderia salvar.
A ultima coisa deixada pelo primo; uma carta onde explicava o porque dos seus actos e lhe indicava o lugar onde ir.
"...Quando acabar de ler isto, procure Shaka..."
Esses eram os últimos conselhos que tinha recebido antes de Milo a deixar sozinha.
Shina apenas saiu do seu torpor quando o guincho dos cavalos foi ouvido e o coche parado. Sem esperar que a porta lhe fosse aberta, apressou-se para o exterior, avançando rapidamente até à entrada da mansão Ascott.
Foi Mu que abriu a porta, vendo-a naquele estado perdido. Não havia vestígios de choro ou histeria. Shina era uma lady, conseguia manter a postura nas piores circunstâncias e em casos extremos como aquele. Apenas o olhar a denunciava. Perdido, amedrontado.
Mu sabia de tudo. Desde o relacionamento de Milo com Kamus, a fuga do loiro com o francês e da próxima chegada de Shina às portas da mansão Ascott. Ele sabia o que estava por vir... não poderiam ficar assim eternamente. Tinha escolhido o seu caminho e não se arrependia nem um segundo da sua escolha.
Suspirou complacente, abrindo um sorriso amigável.
- Lady Shina, seja bem-vinda. Entre, my lord espera-a.
A jovem avançou alguns passos no interior da casa, mais perdida que nunca. Deixou que o mordomo lhe retirasse o casaco, sem se mexer.
- Shaka... espera-me? – perguntou reticente olhando para Mu incrédula.
- Sim my lady, no salão.
Mu manteve o sorriso cândido e o olhar de compaixão, assentindo, incentivando a jovem a seguir caminho pelos corredores. Não precisava acompanhá-la, muito menos devia estar presente na conversa que esta teria com Shaka.
Sim, doía... mas ao mesmo tempo sentia-se reconfortado. As conversas que tinha tido com Shaka eram difíceis, nem sempre tinha reagido bem às conclusões que chegavam em conjunto. Mas Shaka sempre o acalmava. No final era a melhor solução...
Vendo a jovem afastar-se calmamente na direcção do salão, não conseguia deixar de sentir pena dela. Era mais uma vítima da sociedade fechada sobre si e cruel.
Pelo menos ele sabia que amava e tinha a certeza de ser amado da mesma forma.
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Marin olhou mais uma vez para o rosto de Aioros. Porque estaria ele sorrindo daquela forma? Durante aquele tempo de convívio com os irmãos Gabriel eram raros os momentos em que estava a sós com o mais velho. Observando melhor, Aioros e Aioria eram parecidos... claro, algumas parecenças físicas, mas sobretudo feições e gestos. Apesar de vir das ruas, nunca tinha sido desrespeitada por Aioros, mesmo depois do irmão a ter imposto ali em casa.
Com o tempo e o convívio começava a afeiçoar-se a Aioria. Além disso, depois de ter provado de uma vida abastada seria horroroso ter de voltar para onde veio. Sozinha... tomar conta de si sem ninguém se preocupar.
Por momentos lembrou-se de Nelly, a mão gelada que tinha segurado pela última vez no seu leito de morte. Sim, Nelly tinha tido alguém que se preocupasse com ela, ficando ao seu lado antes de partir.
E ela? Apesar de ter a presença dos irmãos vivia na constante incerteza que um dia Aioria não viesse a fartar-se da sua presença.
A porta da sala foi aberta repentinamente, fazendo Aioros e Marin sobressaltarem.
- Desculpem a demora. – um enérgico noreno acabava de entrar, voltando a fechar a porta atrás de si.
- Boa educação Aioria... boa educação...
O mais novo sorriu para o irmão aproximando-se do sofá onde a ruiva estava sentada. Aioros tinha chamado ambos ali porque precisava ter uma conversa séria... apesar de conversa "séria" não combinar muito com o irmão.
- O que tem assim de tão importante para dizer que não pode esperar umas horas?
Aioros sentou-se finalmente numa poltrona de frente para o casal, abrindo o seu maior sorriso.
- Vou abdicar do título de herdeiro para você.
Marin olhou espantada do mais velho para o mais novo dos irmãos. Aioros ia abdicar? Isso significava que quem passava a gerir o dinheiro da família era Aioria. Quem passava a dar a cara por eles era Aioria. Mas porque?
Aioria do seu lado piscou algumas vezes recusando-se a assimilar o que o irmão tinha acabado de dizer.
- Você vai fazer o quê?
Aioros recostou-se na poltrona fechando os olhos.
- Veja bem, faz muito tempo que mantenho o relacionamento com Saga e temos sempre o mesmo problema… sendo o mais velho e herdeiro, todas as atenções estão viradas para quem?
- Você… - Aioria respondeu, levantando uma sobrancelha.
- Eu mesmo. Ninguém sabe o que acontece dentro de casa, apenas especulações; mas fora dela…
- Adiante… - completou Aioria pouco à vontade com a conversa. Aceitava a relação de Saga e o irmão, não queria dizer que gostava de falar sobre isso.
- Bem, visto que vai ser um homem comprometido e pedir Marin em casamento…
Aioria arregalou os olhos fazendo gestos incessantes com as mãos, esperando calar o mais velho. Marin olhava boquiaberta para Aioros, recusando-se a acreditar no que tinha acabado de ouvir.
Aioros percebendo os gestos do irmão, parou instintivamente de falar, criando um silêncio pesante durante poucos segundos.
- Você não…
- Não…
O mais velho levou uma mão ao cabelo afagando-os e vendo a borrada que tinha feito. Aparentemente depois da conversa onde Aioria lhe tinha anunciado que ia pedir a ruiva em casamento, tinha andado a ganhar coragem para isso.
- Nem um indicio?
Aioria suspirou, negando com a cabeça.
- Sempre soube que era lerdo Aioria… mas medroso?
Marin no meio dos dois não entendia nada do que se estava a passar. Falavam em casamento, sim, não, talvez… estava seriamente a ficar farta de ser a única fora do assunto.
- Desculpem interromper mas… alguém me explica o que esta acontecendo?
Aioria lançou um olhar reprovador ao irmão antes de finalmente se virar para a ruiva. Respirou fundo, tomando as mãos pálidas entre as suas e olhando-a nos olhos.
- Marin…
Silencio. Aioros olhava a cena com um sorriso nos lábios, divertido com o nervosismo do mais novo.
- Marin, quer casar com ele?
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Shaka mantinha-se sereno perante a situação. Tomando as mãos da Shina entre as suas, esperava pacientemente que esta assimilasse os últimos acontecimentos.
Só seu lado, Shina começava a ver uma luz no fundo do poço no qual a tinham colocado. Ela não podia ficar eternamente sozinha... não era visto com bons olhos perante a sociedade uma jovem como ela ser deixada sem protecção de um marido, ainda mais na condição de nobre. Quando a notícia do desaparecimento de Milo fizesse a primeira página dos jornais do país, não aguentaria muito tempo recebendo rios de propostas de casamento. A pressão seria demasiada.
Sim, era a melhor solução. Shaka era uma boa pessoa, sempre a tinha ajudado. Um excelente amigo que cuidaria bem dela. Ainda mais tinha as condições impostas que lhe facilitavam a aceitação da proposta.
Respirou fundo, fechando os olhos, falando numa voz confiante.
- Obrigada por tudo Shaka... eu aceito.
O loiro levou uma das mãos da jovem aos lábios brindando-a com um beijo terno. Anuiu com a resposta, percebendo Shina um tanto mais calma.
Dali em diante, algumas mudanças seriam feitas naquela casa.
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O dia tinha passado rapidamente. Tinha sido complicado manter a pequena Noëlla em casa, sobretudo considerando o sol que tinha estado ao longo do dia. O frio tinha mantido a neve que caíra naquela madrugada, criando uma oportunidade perfeita para crianças e adultos cederem a brincadeiras no meio dela.
Finalmente Lina conseguira convencer a irmã que estava fora de questão ela sair, considerando que estava adoentada.
- Quando estiver melhor Noëlla...
A pequena bufava no colo de Aldebaran ao ouvir a voz da irmã. Como para todas as crianças, a espera era um drama. Aninhou-se nos braços fortes do moreno sentindo os seus cabelos serem acariciados por ele.
- Mas eu não estou doente!
- Teve febre. Pode ter sido apenas um resfriado mas se for para a rua com este frio pode piorar e tornar-se sério!
- Ta bommmm... – a pequena murmurou pouco convencida. – Mas é tão chato ficar em casa sem nada para fazer... Carlo não estava em casa, Shura também não...
Lina parou de cozinhar olhando para trás onde estava o amado com Noëlla ao colo.
- Ah? Ficar comigo em casa é chato?
Aldebaran riu com as feições de Lina e o desconforto da criança. Era tudo uma questão de segundos para que a pequena cedesse e finalmente deixasse de se lamentar.
Era verdade que nenhum dos dois tinha aparecido durante aquele dia. Carlo tinha saído na tarde anterior para avisar Afrodite que a pequena estava doente e não tinha voltado para dormir em casa. Quanto a Shura... tudo indicava que tinha saído como sempre para completar o famoso retrato de lady Shina. Talvez tivesse ficado por lá também... era surrealista, mas vindo do espanhol já não estranhavam quase nada.
- O jantar está pronto!
Aldebaran levantou-se carregando a pequena nos braços e andando até à mesa.
- Ui! Está a ficar pesada! – disse o moreno sorrindo, sentando-a numa cadeira. – E continua pequenina como sempre!
- Pequenina... – comendou Noëlla olhando séria para o moreno – Carlo disse que é por causa do cérebro.
Lina parou instantaneamente de servir, olhando a pequena interrogativa.
- Como assim por causa do cérebro?
- Sim! Eu sou pequenina porque o meu cérebro é pesado... então não consigo crescer!
A gargalhada de Aldebaran ecoou na sala sendo seguido por um riso contido de Lina. O tipo de coisa que o italiano ensinava à criança era completamente ridículo, mas esta acreditava em tudo o que lhe diziam.
Vendo as feições desconsoladas da pequena, Lina aproximou-se dela e deu-lhe um beijo terno na testa.
- Você vai crescer Noëlla. Um dia vai se tornar numa linda mulher...
Continua...
Cantinho ariano:
Mais uma vez por aqui
Apenas passando para marcar presença, acho que a esta altura do campeonato não vale a pena estar com muitas explicações. Sem preocupação, nos próximos dias posto o ultimo capitulo e o epilogo juntos. Desta vez não terão muito que esperar.
Estou meia adoentada, então venho apenas marcar presença no cantinho (A.s. quase capotando de sono…)
Mais uma vez agradecimentos especiais as reviews anteriores: Dark Wolf 03, Bruna, Virgo no Aries, Athenas de Aries e Haina Aquarius-sama.
Beijo enorme a todos os que lêem e acompanharam a fic ate agora
A.s.
