N/A: na época que eu postei o capítulo 25 originalmente, surgiu uma revolta incrível nas reviews contra o Draco e o que ele tinha feito, então eu tinha resolvido escrever um pré-cap 26 pra explicar o ponto de vista dele sobre os acontecimentos vistos pela Ginny.

Trecho da Nota original:

"O fato de Draco, no último capítulo, ter decepcionado não só a Gina, mas alguns de vocês, me deixou muito abalada. Acho que não consegui explicar direito o que aconteceu entre ele e Camille, assim como os sentimentos do garoto. Então decidi fazer um pré-capítulo 26 com o ponto de vista dele dos acontecimentos."


Pré-Capítulo 26

"Kiddo, I love you."

Draco recostava-se em uma carteira à espera de Ginny. Tinha chegado alguns minutos antes para garantir que a garota não ficasse esperando. Distraído em seus pensamentos, os minutos passaram rapidamente e quando percebeu já eram dez e quinze. Ginny não costumava se atrasar, então ficou tenso. E se ela tivesse sido pega por Filch ou algum professor? Começou a andar de um lado para o outro, no escuro.

- Lumus - disse uma voz feminina. Ele virou-se prontamente para a porta, esperando ver o sorriso da ruiva. Mas viu outra pessoa.

- Camille? - perguntou, incrédulo.

Ela sorriu. Ele não gostou. Era largo demais, dissimulado demais, como se tivesse aprontado alguma coisa.

- O que está fazendo aqui? - perguntou ele, frio.

Mas sua frieza não diminuiu o sorriso da garota. Ela entrou de mãos dadas com outra amiga, uma colega loirinha. Draco respirou fundo, irritado. Precisava inventar alguma coisa para elas saírem logo dali, senão seu encontro com Ginny iria por água abaixo.

- Estávamos à sua procura - disse Camille, expressão travessa no rosto.

- Me perseguindo, por acaso?

- Só um pouquinho - elas se entre olharam e deram risadinhas.

Aproximavam-se a passos lentos do garoto. Draco passou a mão pelos cabelos e bufou, cruzando os braços.

- Camille, você lembra muito bem quantas vezes já mandei você ir pro inferno e não me procurar mais? Ou seu problema mental é forte demais para entender essas simples palavras? - disse, sério, fuzilando ela com os olhos.

- Ah, Draquinho - começou ela, cada vez mais perto. - Estava conversando com Fay hoje - apontou com a cabeça para a amiga, que Draco não tinha nem se dado o trabalho de olhar. - E preferi ignorar esses tristes episódios de rejeição, afinal, penso ter certeza de que gosta de dar saidinhas comigo...

- Não, não gosto - respondeu friamente.

- Me deixe provar o contrário então - disse ela. Nesse exato momento, Fay - a amiga - jogou-se contra ele, puxando seu braço direito.

- Ei! - exclamou, tentando se esquivar, mas Camille agarrou-lhe os cabelos fortemente e colou sua boca na dele, invandindo-a com a língua e fazendo seu couro cabeludo gritar de dor.

Os lábios duros da garota não lhe causaram nada a não ser repugnância. As duas delizaram as mãos pelo seu corpo, mas não sentiu um pingo de tesão. Assim que a garota largou seus cabelos, depois de quase arrancá-los da sua cabeça, esquivou-se. Mas era tarde demais. Viu numa fresta a luz iluminar Ginny, parada com uma cara de espanto e dor, mão na boca. Ela saiu correndo.

- EI - chamou ele. Camille e Fay encararam a porta. O momento de distração foi o suficiente para acotovelar as duas para longe de si. Fez menção de ir em direção à porta.

- Draco! - exclamou Camille, segurando seu pulso.

Afastou a garota e colocou o dedo em sua cara.

- Nunca mais encoste um dedo em mim.

Dizendo isso, lançou-lhe um olhar de desprezo e saiu para o corredor. Ao lembrar do rosto de Ginny, num segundo seu coração começou a bater forte e sua respiração acelerou como se tivesse corrido quilômetros. Ouviu os passos da garota e seguiu seu som.

Enquanto avançava, flashes de memórias vieram à sua mente. Seus olhos castanhos e doces, sua boca na dele, seu gosto, sua pele macia e alva. Desespero espalhou-se pelo seu corpo como um formigamento nervoso.

Ao chegar perto do hall de entrada, viu seus cabelos ruivos sumirem entre as grandes portas. Foi paralisado pelo sentimento de culpa que rasgou seu peito em dois, pensando que não a veria mais sorrir ou até mesmo rir de suas piadas sem graça, que não poderia mais entrelaçar seus dedos entre suas mexas ruivas e sentir calafrios apenas por tocar seus lábios - foi como se uma mão invisível segurasse seu coração e o impedisse de continuar batendo.

Iria perdê-la.

Não.

Não podia.

Não agora que entendia o que sentia por ela.

Correu para fora do castelo.

"Kiddo..."