Quando o Amor Espera

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Universo: U.A.

Autora: Johanna Lindsey

Adapitação: Tiva07

Gênero: Romance/Angst/Histórico

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Sinopse

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Konoha era uma velha fortaleza, que não fora projetada nem para ser confortável nem para receber hóspedes. No entanto, passou a ser o lar da delicada e bela Lady Sakura desde que ela fora separada do pai por intrigas da madrasta. Embora rústica, há seis anos Sakura não saía dali nem para visitar Haruno, sua cidade natal. Tampouco para ver o pai, que morava no castelo de Haruno com a nova esposa, Lady Kaory.

Estamos em 1776, na Inglaterra dos senhores feudais. Sakura, isolada do mundo, resolve acabar com sua solidão: aventura-se, sozinha, até Oto para assistir à justa. E o destino a faz conhecer o homem que irá modificar radicalmente sua vida: Sasuke Uchiha, o Lobo Negro.

Confiante nas boas relações com o rei, Sasuke Uchiha, mercenário de Sua Majestade, dirige-se a Haruno para pedir que ele interceda a seu favor: quer a mão de Sakura e as terras vizinhas à fortaleza de Konoha. As terras são confiscadas do jovem Sai Montigny e de seu pai, e Sakura é forçada a se casar.

CAPÍTULO 26

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SAKURA VIU Asuma escapulir do salão no momento em que ela entrou. Há muito tempo que vinha querendo falar com o intendente de Oto, discutir as contas, mas ele estava sempre com pressa para ir a algum lugar ou, então, não era encontrado. Por que a estava evitando?

Seguiu o homem para fora do salão, detendo-o antes que pudesse desaparecer no estábulo.

- Só um momentinho do seu tempo, Mestre Asuma.

Ele parou, virando-se o mais lentamente possível, sem fazer esforço para ocultar a sua relutância em lhe falar.

- Mestre Asuma, o senhor foi o intendente de Sir Danzou, não foi?

- Durante vários anos, minha senhora - respondeu, um tanto surpreso com a pergunta.

- Acha que o novo senhor de Oto é um amo severo, em comparação? - perguntou Sakura amavelmente.

- De forma alguma, minha senhora. É claro que Sir Danzou era muito mais... meu senhor Sasuke raramente pára aqui...

Ele estava ficando muito agitado, e Sakura se aproveitou rapidamente de sua confusão.

- Quero que me entregue as contas de Oto, Mestre Asuma.

Os olhos dele se estreitaram.

- E o que a senhora quer com elas?

- Meu marido quer vê-las - mentiu, serenamente.

- Mas ele também não sabe ler.

O homem não estava mais simplesmente agitado, estava alarmado.

Sakura sorriu encorajadoramente.

- Ele não tem muito que fazer enquanto está se recuperando, Mestre Asuma. Imagino que queira saber exatamente quais os lucros que pode esperar de Oto. - Ela deu de ombros, depois acrescentou deliberadamente: - Mas, como soldado que apenas recentemente passou a senhor feudal, provavelmente não vai entender as contas. Suponho que vai mandar o escrevente ler as contas para ele.

- Eu mesmo posso fazer isso - insistiu o intendente.

- Mas o senhor está sempre tão ocupado.

- Eu arranjo um tempo.

- Não é necessário. O escrevente dele tem tempo de sobra.

- Mas...

Sakura perdeu a paciência.

- Está discutindo as ordens do meu senhor? - interpelou-o.

- Não, não, de forma alguma, minha senhora - ele asseverou rapidamente. - Vou buscá-las para a senhora.

Quando ele entregou-lhe a pilha ridiculamente pequena de pergaminhos, Sakura disfarçou a sua surpresa. As contas de uma casa eram feitas anualmente, em geral no dia de São Miguel, que seria celebrado dali a poucos meses. Os registros deveriam conter quase um ano de anotações de despesas e lucros, mas pareciam apenas ter as anotações de um mês.

Ela levou as contas ao quartinho em que estava dormindo e examinou-as atentamente. Era pior do que imaginara. O intendente deveria conversar com os criados da cozinha e do estábulo, ao fim de cada dia, e anotar todos os suprimentos comprados e as quantias exatas pagas. Ele também deveria anotar os suprimentos retirados do estoque e todos os artigos entregues pelos aldeões como pagamento de aluguel. Qualquer excedente vendido teria que ser registrado como lucro. Também eram registradas as quantias pagas por serviços, tais como transporte das mercadorias para venda, ou trabalho feito pelo ferreiro ou outro artesão que ultrapassasse o que deviam de aluguel. Toda transação tinha que ser anotada.

Em Konoha, um registro diário enumeraria a quantidade de pão, cereal, vinho e cerveja já computados anteriormente. As quantidades corretas retiradas do estoque eram anotadas. Mercadorias compradas dos mercadores da cidade de Rethel, tais como panelas, tecidos e especiarias, além de todos os serviços prestados, eram registrados escrupulosamente. Para a cozinha comprava-se queijos especiais, peixes que não eram estocados... pouca coisa, pois Konoha era bem abastecida, e quase toda a carne e aves provinham dela mesma. Para o estábulo registravam-se feno, aveia, capim colhido, a maioria também estocada, uma das principais despesas sendo a compra de um ou dois cavalos para substituir os que ficavam velhos demais para o serviço. Os cavalos velhos eram dados aos pobres.

Mestre Asuma tinha listas para a cozinha e o estábulo, mas somente por semana. Pior ainda, não havia registro dos itens, apenas anotações das quantias pagas cada semana. Registrava-se o pagamento dos aldeões feito em suprimentos, mas as quantidades eram insignificantes. Não havia registro de vendas de excedentes. Mas Sakura vira cereais, ovelhas, bois e gado entregues, depois transportados para a venda na cidade de Suna. Por que jamais foram registrados?

Isso já era bastante ruim. Pior ainda eram os totais das despesas semanais, quantias ridículas, o triplo do que ela gastaria em um mês. Esses totais não incluíam suprimentos para o exército de Sasuke, disto tinha certeza. Sir Suigetsu lhe contara que Sasuke estava pagando para que o exército fosse abastecido diretamente na cidade mais próxima a cada fortaleza.

Sakura inspecionara as despensas. Sabia que, contanto não estivessem abarrotadas, seriam reabastecidas com o início da colheita, dali a semanas, e não estavam tão vazias que justificassem as despesas alegadas.

Mestre Asuma não estava cumprindo o seu dever. Isto era óbvio.

A raiva a fez descer para procurar o culpado. Chamou dois soldados da guarnição para a acompanharem, caso houvesse necessidade, mas não explicou qual seria. Descobriu o intendente nas cozinhas. Antes de entrar, mandou que os guardas esperassem do lado de fora.

Mestre Asuma pareceu surpreso ao ver Sakura entrar no barracão comprido e estreito, com os pergaminhos na mão.

- Está me devolvendo as contas tão depressa, minha senhora?

Estendeu a mão para elas, mas Sakura não as entregou.

- Mestre Asuma - indagou com firmeza -, onde estão anotadas as compras de cavalos que o senhor fez?

- Cavalos? - O homem franziu o cenho. - Que cavalos?

- Os cavalos. - Ela alteou a voz. - Seguramente comprou dúzias de cavalos.

- Não ordenei a compra de um único cavalo, minha senhora. O que a fez pensar que...

- Não comprou cavalos? Então estou enganada. Comprou bugigangas para meu senhor dar a Lady Karin?

- Minha senhora, por favor. - Asuma se empertigou, indignado. - Jamais comprei agrados para as damas, nem Sir Sasuke mandou que eu o fizesse. O que ele disse sobre as contas para fazê-la questionar...

- O que ele poderia dizer?

- Minha senhora?

- Onde é guardado o dinheiro que usa para as despesas da casa, Mestre Asuma?

Ele franziu a testa.

- Há uma arca trancada num dos depósitos.

- E meu marido reabastece o estoque de moedas sempre que é preciso?

- Até agora não foi preciso. Ele deixou amplos...

- Quanto?

- Minha senhora?

- Quanto ele lhe deu para dirigir esta casa? - perguntou ela vivamente.

- Várias... centenas de marcos - replicou ele, inquieto.

- Quantas centenas? - ela indagou suavemente.

- Não...

- Quantas?

Ele se remexeu, lançando olhares sobre o ombro ao cozinheiro e seus ajudantes, que a tudo assistiam com curiosidade. Aquelas perguntas estavam começando a parecer cada vez mais um interrogatório.

- Acho que chegaram a 1.1OO ou 1.2OO marcos - disse Asuma evasivamente. - Não sei ao certo. Mas, minha senhora, não entendo por que isso lhe diz respeito... a não ser que queira comprar alguma coisa. Se for o caso, terei o maior prazer...

- Tenho certeza que sim - ela replicou secamente. - Portanto, devo presumir que o que não gastou dos fundos que meu marido lhe deu ainda estão na arca trancada.

- Naturalmente, minha senhora.

- E prestou contas do resto aqui?

Ergueu os papéis lentamente e segurou-os diante do rosto dele.

- Claro que sim.

- Então não fará objeção a que seus alojamentos sejam revistados antes de ser expulso de Oto, não é?

Asuma empalideceu.

- Minha senhora? Eu... acho que entendi mal o que disse.

- Acho que não - ela respondeu secamente. - Conseguiu mentir para o meu marido sobre as contas, porque ele é um guerreiro e não está acostumado a dirigir uma propriedade, portanto não é de se esperar que esteja a par das despesas que isso acarreta. Mas foi um tolo achando que poderia me tapear. Não sou uma mulher ociosa. Há anos que sou a minha própria intendente. Sei exatamente quanto custa para se dirigir uma casa deste tamanho, até a última moeda. - Os olhos dele se arregalaram, e ela sorriu. - Vejo que está começando a entender, Mestre Asuma.

Ele comprimiu os lábios.

- Não tem prova, minha senhora, de que fiz alguma coisa errada. Oto não é Konoha. Era tudo um caos quando Sir Sasuke chegou. Os suprimentos eram poucos e os custos muitos.

- Se meu marido não estivesse ferido, eu deixaria que ele mesmo cuidasse disto, pois a minha paciência está se esgotando - disse Sakura, furiosa. - Diz que não tenho prova. - Virou-se para o cozinheiro e interpelou-o. - Está anotado aqui que, na semana passada, você precisou de suprimentos que custaram 35 marcos, Mestre Teuchi. Está correto?

- Minha senhora, não! - arquejou o homem. - Não foram gastos nem dez marcos.

Os olhos de Sakura voltaram-se para o intendente, cujo rosto pálido estava manchado de raiva.

- Bem, Mestre Asuma?

- Não tem o direito de me questionar sobre as contas, Lady Uchiha. Vou falar com o seu marido...

- Não, não vai! - ela exclamou, voltando para a entrada e fazendo sinal aos guardas, que tinham ouvido tudo, espantados. - Levem Mestre Asuma aos seus alojamentos e revistem os seus pertences. Se acharem o dinheiro que ele roubou, ele poderá deixar Oto com a roupa do corpo... e nada mais. Se não acharem o dinheiro - ela voltou novamente o olhar para o intendente - você terá a oportunidade de falar com meu marido. E duvido que ele seja misericordioso.

Sakura voltara ao salão para esperar, fervendo de raiva, perguntando-se se, talvez, não devesse ter cuidado daquilo sozinha. Deveria ter contado a Sir Suigetsu, ou a Juugo de la Mare, e deixado que eles cuidassem do intendente?

Dali a bem pouco tempo ficou sabendo que o episódio estava encerrado, por bem ou por mal. Os guardas se aproximaram, encabulados, para contar que o intendente fugira enquanto eles lhe revistavam os pertences. Somente 5O marcos foram encontrados. De centenas, somente 5O? Como contaria para Sasuke?