Cap. 26 - Poison

Jogo da grifinória contra sonserina. O dia não podia ser mais complicado em Hogwarts. O salão estava uma ligeira bagunça. Seria o segundo dia de jogos, mas parecia a final. A maioria dos jogadores já havia tomado seu café mais cedo, evitando tal alvoroço para poderem se concentrar. Entre eles estavam Gina como artilheira, Harry como apanhador e Ron como goleiro e capitão do time da Grifinória; e Eric iria estrear como apanhador do time da sonserina. Na mesa da grifinória, Hermione estava sentada só, quase no final da mesa, de cabeça baixa e quieta. Liane ao ver essa cena se levantou de sua mesa e foi ficar com sua amiga. Quando tocou seu ombro o olhar sofrido de uma noite de lagrimas e pouco sono assustou Liane.

- Desembucha! – Disse Liane já se sentando na frente de Mione. – O que foi?

- Nada... Apenas não dormi bem essa noite. – Desconversou.

- E você pensa que eu sou otária ou coisa parecida?

- Coisa parecida... - disse Mione sem graça.

- Quer sair daqui? Você nem tá comendo!

Hermione apenas acenou com a cabeça. As duas saíram sem chamar muito a atenção. Logo que elas cruzaram a porta, Liane segurou a mão direita de Mione, que logo em seguida respirou fundo, mas não conseguiu prender as lágrimas que agora desciam aos poucos. Alcançaram a parte externa do castelo, na direção do corujal, estavam cruzando a ponte dos Tresálios quando Hermione não conseguiu mais andar caindo no chão cobrindo o rosto. Seu choro doía no coração de Liane que não tinha coragem de tirá-la de lá. Logo os soluços foram passando. Liane dava graças a Merlin por não ter ninguém por ali. Sentou ao lado de Mione.

- Mi, por favor, fala alguma coisa. Eu nunca te vi assim. Eu acho que ninguém na sua vida te viu desse jeito. Eu tô assustada. Deixa eu te ajudar com isso.

Mione respirou fundo, ainda de olhos fechado, mas sem as mãos protegendo. – Eu fui uma das pessoas mais burras que esse colégio já viu. Em mil anos, a mais burra.

- Você nunca foi e nem será burra, isso é impossível pra você.

- Mas eu sou! A mais imbecil.

- Foi ele não foi?

- Não, ele pelo menos foi direto. Não me escondeu mais as coisas, me disse a verdade nua e crua. Eu é que fui trouxa em acreditar que alguém como ele iria gostar de mim e que isso tudo fosse verdade.

- Mi?

- Li, eu acreditei num sonho. Ninguém deve acreditar em sonhos. Eles ofuscam a realidade dos nossos olhos.

- O que ele te disse, o que aquele maldito falou pra você?

- Como ele próprio diz, eu não fiz nada, ele não fez nada, nós é que fizemos.

- Mi...

- Eu... – disse voltando a chorar. – Eu me entreguei a ele...

- Você... – As palavras morreram na boca de Liane. Ela respirou. – Ele te forçou?

- Não. Eu me entreguei a ele. Eu! Ele só fez aceitar meu presente.

- Quando?

- Antes de ontem, à noite.

- Ele agora não quer mais nada. - Não foi uma pergunta.

- Ele disse que era perda de tempo, que ele queria terminar tudo antes de... Ele disse coisas...

- O que ele disse Mi?

- Que não era a mesma pessoa do inicio do ano, que isso era errado.

- Ele tinha que ter pensado antes nisso.

- Eu não sei se vou conseguir olhar pra ele sem me machucar, sem lembrar de tudo o que ele disse.

- Claro que você vai! Se você não fizesse isso não seria a Hermione Granger que eu conheço. Não importa o que ele disse. Ele é o palhaço da história, o bandido, o bad boy, o mala. Você só tem culpa de gostar de um safado, eu filho da....

- Não fala assim, pelo menos não ainda...

- Eu nem consegui pregar o olho... – Disse Liane.

- Nem eu amiga... O que eu faço?

- Seja você mesma. Ignore-o. Fique linda, leve e solta! Homem nenhum merece ver a gente sofrendo por ele. Temos que mostrar que estamos bem melhores sem eles, esse é o segredo.

- Mais ainda eu sinto o cheiro dele. Eu ainda fecho os olhos e sinto a boca dele na minha pele, os beijos... Foi muito rápido Li, mais muito intenso.

- E ele só disse isso?

Mione não podia revelar a verdade completa. Tinha que esconder a identidade de Snape a qualquer custo, por mais que fosse errado. Pelo final da guerra, tinha que mentir.

- Ele disse uma pá de coisa, mas eu não consigo me lembra direito, pois eu já estava em choque. Eu quero tentar esquecer... Tudo.

- Faz bem. E você vai conseguir.

Antes dela se abraçar a Mione, sentiu seu ombro doer, como se algo extremamente frio estivesse ferindo-a.

- O que foi Li?

Na mesma hora ela colocou a mão no ombro. Não havia nada.

- Li! Veja! Lá em cima! – Hermione apontou com os dedos.

As duas olharam no horizonte. Algo vinha voando em direção a Hogwarts.

- Não pode ser. – Disse Mione incrédula.

- Droga, Dragões!

- Temos que avisar os outros. Ative as moedas Liane. Sigam eles. Vou avisar os professores.

As duas seguiram para o castelo. Mione entrou e Liane seguiu para onde eles iam. - O jogo! – Pensou.

Harry estava voando atrás do pomo quando sentiu seu anel esquentar. Algo estava errado. Desviou sua vassoura e voou acima das arquibancadas e olhou o horizonte. Seu estomago congelou. Pegou sua varinha dentro da roupa, apontando para a garganta gritou com a ajuda do feitiço sonorus.

- Saiam daqui! Ataque de dragões vindo da Floresta Proibida! Corram para o castelo! AGORA!

Os outros jogadores pararam imediatamente o jogo ido se unir a Harry. Em alguns minutos eles estariam em Hogwarts. Harry apontou a direção. A AD foi avisada. Gina, Ron e Eric se uniram a Harry.

- Tentem tiram o máximo de pessoas daqui e voltem. Temos uma batalha à frente.

- Como viu eles chegando?

- O anel, depois a moeda da AD. Quem acionou é que não sei. Agora vão.

- Eu vou falar com os professores. Quer que eu procure Liane?

- Não. Sinto que ela já está chegando.

- Você sente ela... Vocês são mesmo estranhos. – disse Eric já descendo ao palanque dos professores.

Em poucos segundo alguns professores já estavam em vassouras.

- Vamos Harry. – Disse Lupin. – É bem possível que seja você que eles vieram pegar. Entre e fique com os outros.

- Você só pode estar brincando comigo. Eu vou ajudar vocês.

- Mas não vai mesmo! – Vociferou Lupin. - Entre já.

Harry olhou pro solo e viu Liane acenando. – Eu vou ajudar, e a AD também. – E desceu.

- Li!

- Eu alertei a AD, Mione foi alertar os professores no castelo.

- Bom. Vem, vamos pra torre oeste. Eric, Gina e Ron vão seguir a gente depois. – Então voaram para a torre. Viram que o ataque desviou, fazendo uma curva para frente do castelo.

Em poucos minutos o som de uma voz bem conhecida soou. – Bom dia Hogwarts! Não vão nos convidar para entrar? – Disse Malfoy em cima de um dos dragões.

- Só viemos fazer uma visitinha e levar uns presentes para o nosso Mestre. – Falou Dolorov. – Viemos festeja a rendição de Hogwarts.

Minerva apareceu no alto da torre do relógio com sua varinha em riste. – Se pensam que Hogwarts vai ser controlada por aquele insano você estão redondamente enganados.

- Só você vai defender esse castelo de dois dragões adultos, 15 comensais da morte e dois mestres de comensais... Vocês estão loucos! – E Malfoy começou a rir. – Deixe-nos entrar e seremos bondosos com todos vocês. Vamos...

- Ande velha caduca! Abra os portões! – Gritou Dolorov.

- Se quiser passa, Malfoy, encare o desafio. – Gritou Harry voando em sua vassoura a poucos metros dali. – Você sabe que já dei um jeito em um dragão uma vez, e sabe que eu posso fazer de novo. – Disse sarcástico.

- Harry Potter! Não é que você gostou de ser o herói dessa escola. Pena que não vai conseguir terminar esse ano. – disse Malfoy.

- Acha mesmo que sozinho vai conseguir se livrar de dois dragões?

- E quem disse que eu estou sozinho. – Neste momento um balaço passou zunindo próximo ao dragão de Dolorov, que se assusta e rosna, jogando uma labareda de fogo nas portas do castelo.

Imediatamente Minerva ergue a varinha, assim como os professores. – Pelo poder dos quatros diretores eu clamo as defesas de Hogwarts. "Draco Dormiens Nunquam Titillandus"!!! – Gritou Minerva. No mesmo momento as terras de Hogwarts tremeram. Uma aura começou a sair da terra, cobrindo todas as paredes do castelo. – Expussem os invasores! – Gritou novamente. Então a aura começou a afastar os dragões, que logo alcançaram vôo.

- Lembrem que foram vocês que pediram por isso. Ataquem o castelo! Destruam Hogwarts!

Então tudo virou uma bagunça. Professores combatiam das torres e muretas do castelo enquanto os comensais tentavam inutilmente azará-los no chão. A aura que protegia o castelo servia como um escudo. Os dragões seguiam Harry, Ron, Gina e Eric, mandando labaredas para cima deles. Eles se defendiam como podiam.

- Harry temos que nos dividir. – Gritou Eric. – Temos chances maiores assim.

- Vá com Gina. – Respondeu Harry. – Vá para o Lago. Eu vou para Hogsmeade. Ativem suas moedas se tiverem problemas...

Eric e Gina saíram em disparado, chamando a atenção dos dragões.

- O loiro azedo! – Chamou Eric. – Vem brincar de pique-pega voador. Mostre quem é a criança da história, seu Lambe-botas!

- Como se você fosse grande coisa! Vá brincar com alguém do seu tamanho pirralho!

- Está com medo de duas "crianças", M A L F O Y!

- Do que me chamou?

- Além de velho já tá surdo! Viu Weasley, Ser sangue-puro não é grande coisa.... – e ambos caíram numa gargalhada de dar gosto.

- Seu atrevido de uma figa, filho de um centauro chifrudo... Vai pagar por ser tão abusado. E saiu voando, dando fortes chicotadas em seu dragão.

- Desvie o máximo que puder e vá na frente. – disse já pegando velocidade. – Não tente ser a heroína.

- E você?

- Eu me viro. VAI!

A guerra se organizava em solo. O castelo estava protegido, mas quase todos os professores tentavam afastar os comensais ou prende-los. A AD ajudava como podia, Luna e Neville se dividem entre dois comensais, Mione estava na frente do castelo junto com Liane e a professora Sproot. Dolorov voava atrás de Ron e Harry. Os feitiços não funcionavam no dragão, mas o Comensal parecia estar perdendo o controle sobre o animal. Numa guinada rápida o dragão voou para o lado contrario de Harry. Ele voava de encontro a Malfoy, estava atrás de Gina e Eric.

- Droga onde ele pensa que vai? – Perguntou Ron.

- Vamos, Eric e Gina estão em perigo!

- Merda!

O dragão parecia saber o que aconteceria. Numa guinada em giro, passou a frente de Eric, fazendo desviar bruscamente para baixo. E em outro giro em loop, acertou a vassoura de Gina fazendo-a voar, em queda livre em direção a floresta. Eric vendo isso se jogou totalmente desequilibrado em direção a Gina. Ele a pegou no ar, mas não conseguia controlar a vassoura, a queda era eminente.

- Droga! – Gritou Eric. – Se segura em mim e não se solte!

Gina só o abraçou. Tentou pegar sua varinha, mas estava perdendo o equilíbrio.

- Não me solte! - Gritou Eric.

As ultimas coisas que Gina viu foram o galhos que bateram em seu corpo e uma estranha luz amarela.

- Harry eles caíram. – Foram as palavras amedrontadas de Ron.

- Eu vi. – Respondeu. – Espere! – Harry usava o anel. – Estão vivos. Eric é esperto. Vai tentar voltar. Precisamos ajudar os outros.

- Mas... Minha irmã.

- Ela está bem. Confio nele.

- Vamos voltar pra pega-los.

- Vamos...

Os dragões voltaram depois de assistir a queda de Eric e Gina. Tinham que atacar Hogwarts, tinham sua missão. No castelo, comensais duelavam com afinco. Os estudante e professores não deixavam a desejam pros melhores aurores. Enquanto a diretora mantinha a mágica de proteção ativa a AD de dividia como podiam. Duelavam em duplas, em trios, e assim, com a ajuda dos professores, os comensais caiam ou eram presos.

Norton apareceu na porta principal. Com uma facilidade de mestre desarmou três comensais que estavam a sua frente, sem que eles soubessem o que havia acontecido.

- Incarcerous – disse prendendo os comensais.

- Professor! Cuidado! – Gritou Neville.

Imediatamente Norton se protegeu, numa espécie de redoma invisível. A bola de fogo o atingiu em cheio, mas não o feriu. – Iniciantes... – falou.

Quando o dragão de Dolorov se aproximou novamente, Norton esquivou-se e pelas contas do animal que passou próximo a ele gritou Finite Incantatem, deixando o dragão transloucado, derrubando Dolorov e saindo em disparada pelos céus.

Hermione tentava ajudar Tonks contra três comensais, mas foi surpreendida pela presença de Norton. Ele não a olhou em nenhum momento, ficando na retaguarda, observando e ajudando ambos dos lados, protegendo Harry (às vezes) e estuporando alguns alunos e professores. Quando percebeu que o tempo estava acabando e viu uma sombra saindo do castelo, fez um sinal. O dragão de Malfoy apareceu do nada assustando Hermione e Tonks. Quatro comensais as atacaram estuporando Hermione e lançando Tonks para longe. Em seguida Malfoy lançou quatro chaves de portais que abriu assim que tocaram no solo. Dois comensais carregaram Hermione para um deles sumindo em seguida.

O grito de Liane foi a única coisa que Harry e Norton ouviram. No desespero de algo pior, Harry correu em direção ao grito, não restavam mais comensais para duelar, tudo tinha acabado. Norton apenas olhou e deu meia volta, para dentro do castelo.

Ele estava desacordado há quase uma hora. Isso a estava preocupando. Tentou animá-lo com enervate, com algumas ervas curativas que estavam próximo do local onde caíram, mas nada surgira efeito. Ficou olhando o rosto de Eric. Ele realmente ficava bonito dormindo, pensava ela. Deixou novamente seus impulsos seguirem em frente. Passou levemente seus dedos sobre as bochechas de Eric, contornando seu queixo, subindo pelas orelhas e afastando algumas mechas de cabelo de sua testa. Ela se viu sorrindo. Gostava do que estava fazendo. Gostava de estar do lado dele. Gostava de seus beijos, que mesmo sendo roubados por ele toda às vezes ela, no final, gostava. Ela então segurou a mão esquerda dele entre a sua e a beijou. As mãos dele estavam um pouco frias, e ela a trouxe para próximo de seu peito, esfregando como para esquentá-las. Gina voltou-se novamente para o rosto de Eric, mas qual não foi sua surpresa quando como por mágica o rosto e todo o resto do corpo de Eric começou a mudar e a se transformar... Em Draco Malfoy!

Gina se afastou andando de costa pelo chão como se tivesse visto o próprio Voldemort. Ele não se mexia. Continuava desmaiado no chão.

- Que brincadeira é essa! – Falou. Mas não obteve resposta. Tinha sua respiração descompassada. Não acreditava que tinha sido enganada, e ainda por cima por Malfoy, Draco Malfoy! – Fala pra mim que é mentira, não pode ser ele, não pode.

Então o corpo de Draco começou a movimentar-se. Levou suas mãos a cabeça e foi tentando se levantar lentamente, como que sentisse dor nas costas. Lembrou-se do que acontecera e buscou por Gina. Olhando para os lados a viu a poucos metros de onde ele estava. – Gina! Gina! – A chamou, mas não viu nenhuma reação dela, que continuava sentada e olhando para ele. Levantou-se muito a contra gosto e foi em sua direção.

Gina se assustou. O viu vindo em sua direção e por medo levantou-se também, mas tentou fugir dele, correndo na direção oposta a dele. Sua mente estava uma bagunça. Seus olhos mostravam uma realidade que não batia com o que ela sentia. Corria, não por medo, mas por que não queria acreditar no que seus olhos mostravam, a figura de Draco Malfoy.

- Gina, espere! Ginevra volte aqui sua sonsa, eu não consigo correr direito! – disse gritando. Então percebeu que sua voz estava diferente. Olhou no relógio, já fazia mais de três horas que tomará a porção. – Merda! – Foi a única coisa que falou. Não tinha muito que fazer. Tinha que conseguir pegar a garota e tentar convencê-la de toda a verdade. Isso não podia vazar. Ela não podia encontrar ninguém antes de conversar com ele. E como se tivesse tirado forças da mente, correu na direção da garota. Tirou sua varinha e a deixou pronta. Se tivesse que usar magia para fazê-la ouvir tudo o que ele tinha pra falar, ele o faria.

Gina corria. Tentaria se esconder dele. Era inimigo de sua família, de seus amigos, tinha tentado matar Dumbledore, e agora estava infiltrado em Hogwarts e estava tendo basicamente um caso com ela. Droga! - Pensou. - Com ELA! Resolveu esconder-se atrás de uma grande árvore. Tentou recobrar o fôlego, para não ser pega. Estava numa clareira em meio à floresta proibida, não havia pior lugar para estar naquele momento. Tirou sua varinha do cós da calça e a deixou pronta, se ele a atacasse tentaria se defender com o que podia. Não iria ser fácil.

- Venha, Malfoy, pode tentar me matar. Foi pra isso que você voltou. Pra exterminar todos os que não estão do seu lado e do lado do seu maldito mestre. Mas pode ter certeza que eu vou ter dar muito trabalho, a se vou!

- Você não sabe o que diz.

- Há, não! Quer dizer que o grande sangue-puro dos Malfoy não é um dos líderes e um fiel seguidor do senhor das trevas. Poupe-me das tuas mentiras, Malfoy. Você me enganou como Eric, mas não me engana quando eu posso olhar frente a frente pra você, seu assassino!

- Eu não sou assassino. Eu nunca matei ninguém!

- Há, matou sim! Talvez não com a sua varinha, mas com a sua ajuda Dumbledore está morto!

- Eu estava fazendo o que fui treinado à vida inteira pra fazer, Weasley.

- Exatamente. Você nasceu pra ser um assassino e não negou o sangue!

- Eu me arrependi do que eu fiz e ajudei a fazer. Dumbledore me mostrou isso. Mas não tinha muita escolha naquele momento.

- Não, coitadinho.

- Não, sua tola! Eu estava acompanhado de comensais e Dumbledore estava desarmado. Que escolha eu tinha a não ser fugir. Se a minha quase vitima me perdoou, você ainda vai me condenar? Isso é bem a sua cara mesmo, Weasley!

- Agora você me acusa! Não fui eu que estava espionando as pessoas. Não fui eu que estava enganando meio mundo, não fui eu que...

- Cala a boca, Gina!

- Eu não suporto você, Malfoy. Eu não quero que você chegue perto de mim! Eu tenho nojo de você! Eu te odeio!

- E eu te amo, sua ruiva burra!

- Você? Você não ama. Não sabe o que é amor. Você não saber amar nada nem ninguém a não ser que seja você mesmo!

-Então é isso que você acha de mim? E o que você pensa? Não conta o tempo em que você me viu como Eric?

- Não. Não conta. Porque eu vivi isso tudo com o Eric, e não com você.

- Eu sou o Eric, Gina.

- Primeiro: Você não tem intimidade nenhuma pra me chamar de Gina. Segundo: O Eric nunca existiu.

- Gina, desculpe, Weasley. Olha aqui, você não pode falar isso para ninguém. Não pode espalhar quem eu sou realmente. Você iria atrapalhar tudo.

- Atrapalhar?

- As vidas de várias pessoas estão em perigo. As vidas delas dependem do seu segredo.

- Interessante. Um Malfoy preocupado com outras pessoas? Será que esses outros não são comensais disfarçados, iguais a você?

- Eu não sou mais um comensal! – Vociferou Draco.

- Mas você tem a marca, Malfoy!

- Mas eu não quero ser, e é isso que importa.

- Não. Você aceitou ser um comensal quando ajudou Voldemort a matar o diretor.

- Por favor, não fale o nome dele, isso machuca. – Disse com a mão segurando o antebraço. - Então você vai me delatar mesmo?

- Eu não estou preocupada se tá doendo ou se essa coisa vai te machucar. Mas você pode esperar por isso. Eu só não vou falar nada só se eu estiver morta.

- Se é isso que você quer... Então, me desculpe Gina! – E apontou sua varinha para a ruiva. O duelo começou.

Gina se defendia dos feitiços não verbais de Draco como podia. Draco manteve-se em ataque. Seu rosto não exprimia qualquer sentimento. Até que percebeu a distração de Gina com vozes que gritavam por Gina e Eric, e lançou um feitiço que a deixou desacordada. Ele a pegou no colo, e como as vozes estavam próximas, entrou pela floresta adentro.

Cansado por ter andando muito tempo, deitou Gina novamente no chão, fazendo-a levitar. Mais alguns metros à frente, achou uma nascente com uma relva bem próxima margem, onde deitou Gina e saiu, procurando por um local onde pudessem passar a noite. Sabia que também teria que achar uma maneira de convencê-la, de qualquer jeito, a qualquer custo.

Achou então uma velha cabana. Observou se havia alguém dentro, mas parecia que estava abandonada. Voltou para onde tinha deixado Gina. Ao vê-la deitada, tranqüila, contemplou a garota que repousava. Ele realmente estava se apaixonando por aquela cabeça-dura. A valentia, a coragem, a determinação e a braveza daquela ruiva havia revirado os seus sentimentos. Um Malfoy não poderia se deixar levar, mas seu nome, seu sangue não tinham mais tanta importância quanto ser aceito, quanto ser reconhecido como não sendo mais servo do Lorde das trevas, em ser aceito por Gina.

Ao entrar na pequena cabana, percebeu que ela não estava tão abandonada assim, pois a cabana estava relativamente arrumada. Com Gina nos braços, atravessou a pequena sala, levando-a para o quanto, que possuía apenas uma cama, um armário e um sofá. Draco começou a ficar preocupado. Tinha lançado apenas um feitiço esturporante leve, com pouca força, apenas para tirá-la de combate, e isso já tinha sido há algumas horas. Ao deixar Gina na cama percebeu sua blusa suja de sangue, olhando para Gina, viu que havia uma ferida no ombro esquerdo que sangrava um pouco. Começou a recitar um feitiço de cura quando Gina começou a se mexer. Resolveu sair e deixá-la mais tranqüila, esperando fora do quarto.

Estava um pouco zonza quando abriu os olhos. Sentiu que já era noite e que não estava mais na floresta. Deviam tê-la achado e a levado para Hogwarts. Tentou se levantar, mas sentiu uma dor latejante no ombro. Passou a mão, mas não viu ferida e apenas a blusa estava suja. Foi então que reparou no local onde estava. Não parecia com qualquer um dos quartos de Hogwarts, então, onde estava? Procurou por sua varinha e não a encontrou. Levantou e andou pelo quarto, mas nada.

Resolveu conhecer o local. Talvez encontrasse a pessoa que a havia ajudado. Esperava também não encontrar Draco. Tudo aquilo, a transformação, a descoberta, o jogo e a cena que ele havia feito antes de atacá-la, ela não esperava. Ela estava realmente gostando de Eric, mas não podia suportar a realidade dele ser Draco Malfoy. Sua mente estava muito confusa. Ao abrir a porta do quarto avistou uma pessoa sentada de costas para ela, parecendo contemplar a fogueira acessa a sua frente. Com passos leves, foi aproximando-se do sofá.

- Com licença. Eu queria agradecer por cuidar de mim. E me desculpe por ter lhe incomodado. – A pessoa não se virou ou fez qualquer movimento. Gina ficou apreensiva. – Será que você poderia-me dizer onde estou?

Silêncio. Gina aguardou a resposta. Ficando impaciente andou lentamente até ficar de frente ao sofá, presenciando a figura de Draco Malfoy adormecido, com a cabeça no próprio ombro.

Gina não acreditava. Malfoy havia cuidado dela. Tinham lutado, ele havia a desarmado e a estuporado. Ela havia perdido a concentração pelas vozes que escutou de pessoas os procurando, mas pelo que dava pra ver, ele tinha escapado e estavam agora escondidos em algum lugar. Agora, ele estava desprotegido, aparentemente desarmado. Era a oportunidade perfeita para que ela pudesse escapar dali.

- É uma pena, Malfoy. Tudo poderia ter sido diferente. Se você não fosse um Malfoy, se não fosse um comensal, fosse somente o Eric... – Deu as costas, indo em direção a porta de saída.

- Se eu fosse você, Weasley, não ia tentar sair daqui. - Disse Malfoy ainda sentado. – Já é noite e estamos embrenhados na floresta proibida. Não acho uma boa idéia você andar por ai, sozinha e sem sua varinha. – Disse balançando a varinha no ar.

- Então quer dizer que eu sou sua refém agora, Malfoy? – Disse ainda de costas com a mão na maçaneta da porta.

- Você não é minha refém. Você estava ferida, já estava anoitecendo e eu não poderia te deixar lá sozinha.

- Há não? – E virando se para ele disse. – Mas você podia lançar quantos feitiços conseguisse pra me acertar, não é? Se não fosse por eu ter me distraído com as vozes daquelas pessoas que estavam chamando pela gente, com certeza eu não estaria aqui com você e você não estaria se gabando. Possivelmente já estaria sendo preso e julgado!

- Você pensa que sabe de muita coisa, que é a rainha da verdade e tudo mais, não é? – Disse se levantando e andando até ficar de frente para Gina – Você não tem idéia, ruiva, do que está acontecendo.

- E você sabe de tudo, não é? Por que não fala logo?

- Por que você não me deixa!

- Eu? Muito engraçado Malfoy!

- Eu não acho! A situação é complicada. Você corre risco, eu corro risco. Seus amigos podem morrer, muita gente vai morrer, e você pensa que isso é tudo uma brincadeira, um joguinho de gato e rato. Sinto te informar, pequena, mas não é!

- E você pensa que eu não sei disso! Meu pai quase foi morto, Ron, os gêmeos, meus amigos...

- Eu não quero que te machuquem.

- Você não deveria se importar.

- Mas eu me importo! Não posso?

- Não. Os Malfoy não se preocupam com ninguém!

- Eu continuo sendo um Malfoy, Weasley, mas eu me importo com você!

- Essa é boa! Você já perdeu o seu disfarce. Pode voltar ao normal. O Eric que eu conheci não existe, não mais!

- Eu existo sim Gina! O Eric que você conheceu é um pouco do que eu sou hoje. Será que você não entendeu que eu mudei!

- Não. Não Malfoy!

- Sim Gina.

- Não me chame mais de Gina!

Malfoy perdeu a paciência. - Cala a boca! – E num solavanco, puxou Gina e segurando com firmeza, roubou seus lábios. Era um beijo forte, duro, mesclado de ódio, rancor e medo, mas ainda com desejo. Gina tentava sair, conseguindo algumas vezes descolar seus lábios dos de Draco, mas ele voltava e a beijava com mais intensidade. Repentinamente Draco parou o beijo e, segurando-a pelo rosto disse quase num sussurro:

- Gina eu te amo!

- Então por que você mentiu pra mim! Por que você foi tão cretino, por que se fez de uma outra pessoa, que eu nem sei se existe mais, pra entrar em Hogwarts novamente? Por que eu? Por que você me escolheu, se aproximou de mim? Eu até que poderia acreditar Malfoy, mas seu passado te condena, sua família te condena, não há razões pra eu confiar em você!

- Há sim.

- Não. Não há. Eu vivi uma fantasia com um garoto chamado Eric, que me salvou daquele ataque, mas que morreu quando caímos naquela clareira. Você surgiu do nada. Eu conheço você desde sempre, e sempre você e seus pais ridicularizam minha família, meus amigos, nossa pobreza... Nunca você teve a menor compaixão por nenhum ser vivo. Por que eu deveria ter com você logo agora?

- Gina...

- Já disse pra não me chamar assim.

- Tudo bem... – Disse dando as costas e andando em direção ao centro da sala. No inicio era tudo por diversão. Eu era criança demais pra saber o que deveria ser feito ou não. Poxa, eu fui criado pra ser assim: autoritário, inescrupuloso, vingativo, ambicioso, mau. Ser um Malfoy leva tempo e dinheiro. E era isso que meus pais queriam e esperavam de mim. Era isso que eu tinha que ser. Mas depois do que eu fiz ano passado, do que aconteceu comigo e com Dumbledore, tudo que veio depois disso, me fez ver outra realidade com a qual eu me choquei, aquilo me ajudou a mudar, a querer mudar. Eu fui caçado, tive que me esconder. O Lorde não perdoa assim, tão facilmente. Graças a Dumbledore, mesmo depois de morto, eu fui, como eu posso dizer, resgatado e treinado pra não ser mais um boneco nas mãos do Lorde e de minha família. O meu protetor me ajudou a entrar em Hogwarts, ele vê em mim uma forma de ajuda contra as trevas.

- Que história mais sem pé e sem cabeça. Ninguém em sã consciência ia te ajudar.

- E quem disse que ele tem consciência?

- Que isso! Esse cara deve ser um monstro.

- Só nas horas que o convêm, pra ser sincero.

- Por Merlin, quem é esse maluco?

- Isso eu não posso falar. Não é um segredo só meu. E ia atrapalhar o plano.

- Muito conveniente não acha.

- Quer parar de ser tão turrona. Será que não deu pra perceber que eu não vou fazer nada que possa te machucar, e infelizmente, isso também inclui os seus amigos e sua família.

- Não disse que você é patético. Até minha família você acha que infeliz...

- Não foi isso que e quis dizer.

- Mas foi o que disse.

- Tá bom. Eu não gosto de todos eles. Mas tem salvação. Não todos.

- E eu que pensei que você poderia até está falando a verdade...

- Mas eu estou.

- Tá nada. Essa sua história poderia convencer a McGonagall, mas não sou tão otária assim.

- Gina, desculpe, Weasley, eu precisei fazer tudo isso. Tinha que ganhar a sua confiança e a de seus amigos para o plano dar certo. E eu tinha que te proteger.

- Proteger? Do que você tinha que me proteger? Eu não preciso da sua proteção!

- Francamente, você é muito cabeça-dura mesmo. O Lorde das trevas ia me matar, eu falhei com ele na missão do Dumbledore. Ele não me perdoaria. Mas eu tive a ajuda do Professor Snape, ele me salvou quando matou Dumbledore no meu lugar.

- Como assim ele te salvou? Severo Snape? Ele não salvaria a própria alma de fosse pra atrapalhar Você-sabe-quem.

- Existe outro? Eu não conheço.

- Ele matou Dumbledore no seu lugar pra te ajudar?

- Sim e não. Minha mãe o fez jurar que nada de mal ia me acontecer.

- Jurar? Não, ele fez...

- Sim, um voto perpétuo. Ele morreria se algo me acontecesse.

- Agora sim faz sentido. Se a pele dele tava em risco ele ia te ajudar até debaixo d'água.

- Ele teria que matá-lo, senão ele próprio morreria, Dumbledore morreria do mesmo jeito e ia ser tudo em vão.

- Você tá querendo dizer que Snape é inocente? Essa é boa!

- Eu não quero dizer nada. Essa é a verdade. Eu não poderia te contar isso, mas se eu não fizesse você, possivelmente, iria me delatar e iria atrapalhar todo o plano que Dumbledore e Snape fizeram.

- Malfoy eu estou impressionada como você tem a cara-de-pau de mentir assim, desse jeito. Sai com tanta facilidade que até o próprio Harry ficaria em dúvida.

- Por Merlin, eu não acredito que você não vai confiar em mim. Vocês Grifinórios e seu orgulho besta vão botar tudo a perder mesmo. Você acha que depois de tudo isso eu ia mentir pra você?

- Deixa-me ver... Sim eu acho!

- Droga, Ginevra. ... Acredita em mim, pelo menos desta vez.

- Eu não posso. Eu não devo.

- Olha pra mim. Eu não preciso que você goste de mim. Eu só preciso que você confie em mim. Eu não posso deixar você atrapalhar tudo. Isso não pode vazar.

- Agora me escute você. Eu não posso confiar em uma pessoa que passou a maior parte do tempo nesta escola tentando fazer mal a quem eu amo e quero bem. Você não fala nomes. Não diz quem está te protegendo e tudo mais. Não diz que plano é esse de Dumbledore e Snape. Além disso, fala que o maldito do Snape é inocente da morte do diretor. Você deve imaginar que eu deva ser uma idiota completa não é! Malfoy, ninguém muda assim, repentinamente, do nada, só por que se arrependeu. Você nunca foi assim. E ainda diz que me ama. Essa é uma das maiores mentiras que você poderia contar.

- Mas...

- Mas nada. Eu não posso levar isso com tranqüilidade. Fazer cara de que nada aconteceu, que você não é você, e deixar todos sem saber a verdade. Isso seria traição contra todos com quem eu me importo, contra Dumbledore.

- Eu não estou pedindo pra você mentir. Eu só preciso de tempo. O Lorde precisa de algo que não sabemos bem o que é. Ele está tramando muita coisa. Mas o segredo de quem eu protejo é precioso demais pra deixar ser destruído simplesmente por você não gostar de mim.

- Então você vai me manter prisioneira.

- Eu não quero. Mas não posso te deixar sair assim. Eu preciso que você acredite em mim. E que prometa que não falará nada pra ninguém.

- Só se eu pudesse ver e saber tudo o que está na sua mente, talvez eu até pudesse acreditar.

- Então você que usar legilimens em mim?

- Ou a veritaserum.

- Você sabe executar o feitiço?

- Não muito.

- Sabe fazer a porção?

- Não sem meus livros.

- Ótimo.

- Então?

- Então nada. Não vou deixar a minha mente aberta pra você fazer um estrago. Muito menos beber uma porção que você não tem idéia de como fazer.

- Você não teria uma porção reserva...

- Ninguém fica andando por ai com uma veritaserum no bolso.

- Muito engraçadinho.

- Obrigado. Mas então você acredita em mim?

- Vai deixar usar magia?

- Não sei, você vai me fritar o cérebro?

- Bem que eu queria sim, mas antes, tenho que descobrir a verdade.

- Então. Pode vir. Tome sua varinha. – Disse jogando a varinha na direção de Gina. - Faça o seu melhor. Não vou revidar, mas vou bloquear aquilo que é segredo.

Sem esperar mais, Gina usou o feitiço. Era uma viajem extremamente confusa. Muitas imagens de Draco com os pais, cena de Hogwarts, Dumbledore na Torre, as conversas com Snape, o treinamento, os beijos de Eric, ele observando o grupo na biblioteca, conversas com Liane. Só que Gina começou a se sentir mal, ela sentia muitos sentimentos estranhos que pareciam que vinham de Draco. Era medo, fúria, dor, ódio, ternura. Tudo começava a se misturar com as imagens de Draco e Gina não conseguia mais se segurar. Caiu ao chão, ainda com a varinha em punho. Sua cabeça rodava. Tudo aquilo parecia que agora fazia parte dela, que era ela que sentia tudo aquilo. A dor em seu corpo já a estava deixando inconsciente quando Draco sentiu que ela não estava mais em sua mente e escutou os gritos de Gina que já se debatia no chão. Ele não sabia o que tinha acontecido. Gina se abraçava como se todo o seu corpo estivesse com feridas extremamente dolorosas. Ela gritava e gemia, como se fosse atingida pela maldição cruciatus.

Draco não sabia o que fazer para ajudar. Pegou sua varinha e bradou: "finite encantatem". Uma luz prata surgiu do peito de Gina que jogou Draco longe. Quando Draco deu-se por si, Gina continuava no chão, mas parecia que estava desmaiada. Aproximou-se e pode ver que não havia marcas de nenhuma ferida ou qualquer trauma em seu corpo.

- Gina, por favor, acorda. Fala comigo. – Disse fazendo carinho no rosto da menina, e pondo-a em seus braços. – Por favor. Vamos, acorda! Gina!

Gina começou a reagir. Mexeu seu corpo e abriu lentamente os olhos. – O que foi? O que aconteceu comigo? – E já meio agoniada questionou ainda nos braços de Draco. – O que foi aquilo?

- Eu não sei, eu juro que não sei. Você estava na minha mente depois eu só vi você no chão gritando.

- Eu senti tudo, Draco, tudo. Todo o seu desespero, sua dor, o cansaço dos treinamentos, os seus sentimentos por mim, tudo! Mas era como se eu fosse você, era como eu estivesse dentro de você.

- Mas e agora, você está melhor? Continua sentindo alguma coisa?

- Surpreendentemente não. Mas, me ajuda a levantar. Estou confusa.

Draco se levantou e estendeu as mãos para que Gina se apoiasse e levantasse. Pouco tonta Gina se manteve apoiada nos braços de Draco, que continuava preocupado.

- Venha sentar aqui no sofá, você ainda não está bem.

Deixou-se sentar por Draco.

- Por que isso aconteceu. Eu já tinha visto o que queria, já iria acabar o feitiço quando senti que eu estava drenando os seus sentimentos ou algo parecido. Eu não consegui parar.

- Eu nunca vi uma coisa dessas. Você tá bem? Quer um pouco de água?

- Não. Eu não quero. Mas.... Eu quero que... Quero, quero que você me desculpe. Agora eu posso confiar em você. Mas entenda, antes eu não poderia... Só depois...

- Eu entendo e fico feliz. Obrigado pela confiança.

- Eu senti tudo Draco. Como você podia viver daquele jeito?

- Eu não sei. Estava acostumado, eu acho.

- Mas e o Snape? Por que o protege tanto?

- Eu preciso. Ele já me protegeu, devo isso a ele. Tanto eu quanto ele corremos perigo por esta ao lado de Dumbledore, mas trabalhando para aquele traste. E, pelo que vi você também corre. Voldemort queria você ou a Hermione de qualquer jeito. Eu não entendi bem, mas isso ficou bem claro.

- Mas porque? O que ele iria querer comigo?

- Talvez tentar negociar com o Potter.

- Não há o que negociar com ele. Ele próprio é a negociação. Voldemort o quer.

- Ei, eu já pedi pra não falar o nome dele assim.

- Me desculpe, esqueci.

- Tudo bem. Você está melhor?

- Acho que sim. Posso te fazer uma pergunta?

- Se eu puder responder.

- Por que você não conseguiu matar Dumbledore?

- Por que ele fez a mesma coisa que você fez em mim agora a pouco, sem varinha, e me falou que eu era diferente dos meus pais. Que eu podia ter bons sentimentos. Que eu podia amar. Não tinha entendido direito, mas naquele momento foi como se ele mexesse tudo na minha cabeça, como se estivesse dentro dela.

- Ele sempre falou isso. Ele acreditava que o Amor fosse o melhor das pessoas. E quem amasse poderia ser salvo de tudo.

- Então eu ainda tenho salvação.

- Não sei. Eu não te conheço.

- Mas quer conhecer?

- Talvez.

- Por que talvez?

- Eu não gosto de não saber o que posso esperar de você.

- Mas isso é o que é interessante. Não criar expectativas...

- Mas me dá medo.

- Enquanto eu estiver perto de você, você não vai precisar ter muito medo, só um pouco.

- Por que só um pouco?

- O medo nos deixa atentos. É um modo de defesa...

- Eu preciso então me defender de você?

- Não, não precisa. Apenas quero que você se mantenha viva.

- Pra que?

- Pra mim, oras bolas. – Então ele tomou o queixo de Gina e a beijou.

O sol já nascia no leste, e os pássaros começavam a cantar enquanto dois jovens ainda dormiam um nos braços do outros no pequeno sofá daquela pequena cabana. Vozes começaram a serem ouvidas próximo dali. Draco acordou assustado. Mas sentiu um corpo quente em cima do seu. Olhou para a jovem que começava a querer acordar.

- Vamos Gina. Acho que tem gente por aqui. Minhas proteções dizem que estão perto.

- Hum... Quem chegou?

- Eu não sei bem, mas me parece que uma das forças é do Olho-Tonto Moody. Devem estar muito perto. – Disse já se levantando do sofá. – Onde eu deixei a porção?

- Que porção?

- Aquela que eu tenho que beber pra não ser levado pra Azkaban. A polissuco do Eric.

- Você a trouxe? – Disse Gina se arrumando.

- Eu não saio sem duas doses, no mínimo. Ah, achei! – disse já virando o frasco na boca. Rapidamente Eric aparecia a sua frente.

- Eu odeio essa porção. Disse olhando feio pra Eric.

- Não se esqueça de me chamar de Eric. Por favor, não dê bandeira. – Disse chegando perto de Gina e a abraçando. – Eu preciso muito de você, ruiva. Principalmente agora... Confie em mim, sim?

- Sim. Eu confio. – Disse dando um leve beijo nos lábios de Eric. – Vamos.