A/N: Dedico a tradução desse capítulo para a leitora Maria Lua, que foi a ÚNICA que comentou que o James falou algo muito importante para a Lily no capítulo anterior. Que vergonha para o resto de vocês… ele fala algo daquele tipo, e ninguém (além dela) nem comenta nada… tsc, tsc, tsc...

Leiam com muita atenção: No meio do capítulo, vocês podem se perguntar… porque diabos esse é um dos capítulos prediletos dela?? Ela é doida?? Só digo uma coisa, continuem a ler… Mesmo que não gostem do que está acontecendo na metade do capítulo (eu também não gosto, só para esclarecer com antecedência), CONTINUEM a ler até o final, que é maravilhoso!! Ok? Certo? Todo mundo promete ler até o final, sem desistir no meio do capítulo? Muito bem… Vamos então para o capítulo 25...


A Cada Outra Meia-Noite

Capítulo 25: Que é Carregado com Frustração

A Lily termina o trabalho dela na mesma hora, e dá desculpas para a Madame Pomfrey, que a deixa ir embora com um pouco de relutância.

Uma vez fora da Ala, a Lily diz, "Espera, isso não vai funcionar. Eu não posso te ver, e eu somente consigo adivinhar aonde você está. A não ser que você me guie pelos ombros, ou algo do gênero..."

Em um segundo, o James reaparece na esquerda dela, onde ela sabia que ele deveria estar, e ele negligentemente joga a capa em cima dela, e continua a andar. Ela leva um momento para ajeitar a capa, antes de seguí-lo. Os alunos estão espalhados pelos corredores, então ela não ousa pedir para ele esperar. Ela simplesmente faz o melhor possível para mantê-lo a vista, enquanto ela desvia dos alunos. Finalmente, ela consegue diminuir a distância entre eles no topo da escada do quarto andar, e ela segura o cotovelo dele. O James olha em volta de repente, aparecendo aterrorizado, mas quando ele vê que não tem ninguém presente, o rosto dele relaxa.


Por um breve momento, o James acha que alguma aluna tivesse segurado o braço dele, enquanto ele estava andando, ele não duvida que algumas das garotas pudessem fazer isso (porque isso já aconteceu antes)… mas quando ele percebe que é somente uma Lily invisível, ele se acalma.

"Sou eu." ele fala baixinho.

"Eu sei."

"Eu tenho que voltar antes da meia-noite..."

"Eu sei."

"Então nós temos apenas poucas horas para..."

"Eu sei!" grita o James. Esse ataque, aparentemente aleatório, atrai vários olhares curiosos, e comentários sussurrados entre os alunos que testemunharam isso. As sobrancelhas do James se curvam em aborrecimento, e ele caminha, enquanto sussurra baixinho, "Você está me fazendo parecer um tolo, gritando com ninguém e falando sozinho..."

A Lily, ainda se sentindo generosa, decide não apontar que não é culpa dela se ele não consegue controlar o temperamento dele, então ela responde com discrição, "Me desculpa, eu não queria te provocar." E então continua, em uma voz mais suave ainda, "Eu não consigo deixar de pensar na hora… e quão pouco pode me restar..."

Para um observador externo, parece que o Professor Potter parou de caminhar e cruzou os braços no peito, para pensar fortemente em alguma coisa. Mas, como a maior parte das coisas no Castelo de Hogwarts, não é o que aparenta ser.

O tecido é frio, e separa as duas mãos de se tocarem pele com pele, mas a Lily ainda consegue sentir o calor dele, enquanto os dedos dele fecham em torno dos dela, de maneira confortante. Eles ficam parados desse jeito por um tempo, ignorando as pessoas que olham para o Professor desconfiadamente, enquanto ele fica parado no corredor, de braços cruzados, como se fosse um monitor severo.

Nada pode ser dito, então eles permanecem em silêncio, mesmo depois de começarem a caminhar novamente. O James mantém a mão dele sobre a da Lily. A Lily sabe que ele não teria feito isso, caso ela não estivesse embaixo da capa. A capa, ou melhor, estar invisível, parece esconder as ações dele, colocando-as nulas e vazias, as apagando. Se acontecesse debaixo da capa, então não conta… Isso parece concordar com as outras vezes também. O James somente parece tocá-la quando ele sabe que ninguém pode vê-lo fazer isso, somente quando ele ou ela, estão embaixo da capa. No outro dia, quando ele estava tentando 'deixar ela aquecida', e naquela vez que ela ficou na frente dele, vestindo nada além da roupa íntima dela… e ele tocou na pele dela tão levemente, que ela poderia ter imaginado o toque, caso não fosse pela prova invisível que a alça do sutiã dela voltou para o ombro dela...

A Lily treme (não desagradavelmente) ao pensamento. Ela não sabe o que o James conclui com esse arrepio, mas ele retira o braço dele do dela, mas segura a mão dela ao invés. O tecido continua separando eles. Eles não estão andando de mãos dadas: eles estão segurando a mesma área do material invisível. Parece seda, não como a palma áspera e os dedos, que ela sabe muito bem a sensação delas. Mesmo assim, o gesto não passa despercebido por ela. Muito pelo contrário…

Uma vez na passagem, o James belisca o material entre os dedos dela, e retira a capa dela, segurando apenas a capa… não a mão dela. Eles não estão mais se tocando. O fantasma de segurar as mãos termina instantaneamente, e é esquecido. Uma parte estranha dela quer colocar aquela capa de volta, e abraçá-lo fortemente. Não. Ela quer que ele a abrace fortemente… tem uma diferença. Ela balança a cabeça. Agora não é hora de ficar sentimental. Isso vai levar a fraqueza, e nesse momento ela só quer ser forte. Ela quer rir e ter coragem… e são duas coisas que ela tem certeza que o James Potter tem de sobra.

"James?" ela pergunta, enquanto ela o segue dentro de uma das mais espaçosas passagens secretas, para fora do castelo. Ele se vira para ela, com a ponta da varinha acesa iluminando a área em volta deles, colocando sombras estranhas no rosto forte dele.

"Sim?" ele pergunta, com uma atenção suave, e os olhos cheios de preocupação… A Lily teria apreciado isso, caso ela não tivesse chegado a uma conclusão. Não tem nada além de fogo determinado dentro dela, agora.

"Nós podemos ter um duelo?" ela pergunta, impulsivamente. Ela poderia rir da expressão no rosto do James. Claramente isso não foi o que ele esperava ouvir.

"Um… um..." ele engole, como se ele estivesse engasgado na tentativa de dizer a palavra, mas ele consegue dizer, eventualmente, "Duelo?"

"Sim… para liberar essa tensão reprimida. Eu somente… me sinto querendo uma boa… luta." Ela mostra os dentes, porém não é um sorriso, está longe de ser um agradável…

"Hum..." Na sombra da luz fraca a Lily Evans parece quase que… diabólica.

"Eu não vou te atacar agora..." ela diz, com a voz dela mudando de guerrilheira para benigna. Isso fica longe de acalmá-lo, pois ainda tem um olhar suspeito e predatório nos olhos dela.

"Nós podemos em Hogsmeade, eu acho..." ele diz incerto, sem realmente querer, mas é incapaz de negar qualquer coisa que ela queira. O James se assusta com essa realização. É uma fraqueza que ele espera que ela e o Sirius… especialmente o Sirius… nunca descubram.

"Bom..." ela ruge, aparentando estar satisfeita. Muito satisfeita. O James não gosta do jeito que os olhos dela brilham, mas depois de um momento considerando essas esferas necessitadas, ele percebe que ele gosta. Algo clica no cérebro dele, e ele sorri sozinho. 'Deixe ela fazer toda a magia clandestina que ela quiser...' Ele pensa com maldade, 'porque eu não vou deixá-la escapar com apenas 10 pontos a menos para a Grifinória dessa vez...'

Mesmo a passagem sendo mais espaçosa do que a maioria, o ar parece muito pesado, e o James está ciente de cada centímetro de espaço entre eles. Qualquer espaço é muito, ele não pode deixar de pensar. Ela havia dito que ela não vai fazer nada, até eles chegarem em Hogsmeade, mas ele não vai se importar se ela pular nele agora. Os músculos dele estão tensos, e prontos para um ataque que ele sabe que não vai vir. Ainda assim, sozinhos nessa passagem, aonde ninguém pode vê-los ou descobrí-los… o pensamento é tão atraente, apelador, sedutor… E em pensar que, apenas na noite passada, ela esteve na cama dele e ele não fez nada! Ele perdeu uma oportunidade perfeita… um erro que ele não pretende fazer novamente…

A passagem fica mais e mais quente, e mais apertada, e o James solta a gravata dele, para poder respirar um pouco. 'Fica calmo,' ele diz para si mesmo, 'ela pediu por um duelo, não por… nada mais.'

Ele se sente como um pervertido irresponsável. Ele é um Professor horrível. Se o Dumbledore, ou qualquer outro dos professores, soubesse o que está passando pela mente dele nesse momento, ele seria despedido instantaneamente. Os professores estão lá para ensinar os pupilos deles… não para caçá-los. E para aumentar ainda mais a hipocrisia dele, ele sabe que, caso qualquer um dos outros professores pensassem dela desse jeito rude, ele, e talvez ele deixasse o Hagrid se unir, iria gostar imensamente de azarar essa pessoa tanto, que quando ele tivesse terminado, a pessoa não conseguiria distinguir o nariz do joelho.

E mesmo assim, ele conhece várias alunas que estão fazendo o melhor possível para atraí-lo. Elas são tão deselegantes e óbvias nos avanços delas. Mesmo assim, a Lily não avança nada. Ela nem mesmo tenta conseguir a atenção dele.

'Não é de se estranhar,' ele pensa, 'ela já tem a minha atenção, por completo.' Ele imagina como seria se ela tentasse seduzir ele. Ele imagina a Lily piscando os olhos para ele, como muitas das alunas fazem, e percebe que não é uma imagem tão encantadora como ele imaginava ser. A Lily não é desse tipo. Ela não precisa piscar os olhos, ou colocar maquiagem nos lábios. Ela é atraente, mesmo sem eles. Além do que, o batom sai quando você…

… Se ele estivesse olhando para onde ele está andando, em vez de explorar idéias que ele não deveria estar explorando, ele teria visto os degraus, em vez de tropeçar neles, e ele não teria batido com a cabeça no teto baixo, que indica o final do túnel.

"Merda," ele diz. Ele se sente como um maldito idiota, tendo feito papel de imbecil na frente dela. Tentando escapar, ele diz, "Toda maldita vez!" Na esperança de dar a impressão que ele sempre bate a cabeça nessa passagem, e não porque a cabeça dele estava completamente cheia de pensamentos impróprios (sobre ela), para se preocupar de olhar para onde ele estava indo.

A Lily muda a risada dela para uma tosse, rapidamente depois que ele olha raivosamente para ela, mas não rápido o suficiente. Ele ainda viu. Ela força o sorriso para fora do rosto dela.

"Já chegamos?" ela pergunta.

"Quase..." ele diz irritadamente, enquanto ele começa a virar de volta.

"Espera," ela diz, segurando o braço dele, e virando-o, para ele olhar de volta para ela. Ela fica parada ali, olhando para o rosto dele por um momento, e o James pára de respirar...

'Pula... Pula!' ele pensa furiosamente para ela. Ela o impediu de sair da passagem, o vira para olhar diretamente para ela, e agora está na ponta dos dedos, com o rosto dela se aproximando do dele… Sim, finalmente! Com certeza, agora ela vai…

"A sua testa está sangrando," ela diz calmamente, segurando a cabeça dele com as mãos dela, e trazendo mais para baixo, para que ela possa ver o corte melhor. Ela não usa a varinha dela, mas o James sente o corte se fechar sobre o olhar intenso da Lily. Ela conjura um retalho úmido, e limpa o sangue. Ela fica na ponta dos pés, e beija a testa dele, como ela havia feito no passado com vários outros machucados menores (e as vezes artificiais).

Com outro feitiço silencioso, o retalho some, e ela pergunta, "Vamos continuar?"

O James parece ter perdido a voz dele. Por mais que ele tente falar uma palavra, fica sempre presa na garganta dele, como se houvesse algum objeto grande preso lá, impedindo qualquer fala que possa querer escapar. Ele somente consegue engolir algumas vezes, e acena, antes de virar de costas para ela, e fazer uma saída levemente rápida da passagem. A Lily está bem perto. Muito perto. Há um instante ele estava achando que ela estava muito longe, e agora ela está muito perto, embora a distância real seja a mesma.

Em outras circunstâncias, ele teria gostado do tratamento cuidadoso dela, mas nesse momento, que ele estava esperando por tanto mais, ele não consegue deixar de se sentir frustrado… quase que com raiva da garota por ter provocado ele. 'Ainda assim,' ele pensa, justamente, 'ela não te seduziu, você que fez isso consigo mesmo...'

Ele está mais do que pronto para um duelo agora… A Lily não é a única que pode usar uma boa válvula de escape para a frustração nesse momento…

Tanto a aluna, quanto o professor, estão felizes em sair da passagem. O ar frio faz maravilhas para resfriar a cabeça do James, e outras áreas também…

"Em guarda, então?" Pergunta a Lily, retirando a varinha.

"Não," diz o James firmemente, tirando a varinha da mão dela, e colocando de volta no bolso dela. "Primeiro o mais importante. Eu estou te mostrando todas as passagens secretas, que é a razão pela qual estamos aqui..." ele diz com satisfação. Se ele vai ficar frustrado, ela também deve ficar, embora ele imagina (lamentavelmente) que eles têm tipos muito diferentes de frustração. Mesmo assim, ele está satisfeito com a própria farsa dele. Ele não vai negar o que ela quer; ele só vai fazer com que ela espere.

A Lily poderia começar a tremer com a tensão acumulada. Ela ainda não esqueceu o carinho embaixo da capa… Como ele não vai abraçá-la, ele poderia ao menos ter a decência de azará-la! Isso é tudo que ela quer: somente uma boa briga para drenar tudo dela, para ela ficar vazia de todos os sentimentos e emoções. Ficar completamente exausta e cansada, que ela não tenha energia para fazer mais nada, a não ser dormir, nem mesmo pensar… talvez, especialmente, não pensar.

"Só um pouquinho?" ela implora.

"Trabalho antes da diversão, minha querida..." ele diz de modo enfurecedor. E mesmo assim… ela não pode ficar tão chateada com um homem que está sorrindo desse jeito para ela. Ele sabe muito bem o que está fazendo; o bruto, segurando o biscoito na frente dela, mas não deixando-a comer. Ele está tendo prazer em deixá-la frustrada. Embora, ela tenha que admitir, ele está fazendo um excelente trabalho. Ela poderia ficar com raiva dele, se ela não o admirasse tanto.

"Muito bem, Potter." Ela diz simplesmente. Ela somente disse três palavras, mas de algum jeito, ela disse de uma forma que não deixa dúvidas para o James que isso é um aviso. Como se ela tivesse dito 'Muito bem, tenha do seu jeito agora, porque eu certamente vou ter do meu, mais tarde… e então você vai se arrepender, com certeza.'

O James sorri, mas não responde. "Como você pode ver, nós saímos por um alçapão escondido aqui na encosta da colina. A vila fica depois daquelas árvores," ele diz (sem necessidade, pois é óbvio, devido às luzes e sons), e começa a caminhar naquela direção. A Lily o segue, e pensa o que aconteceria se ela o atacasse agora. Mas não, isso é jogar sujo; você nunca deve atacar quando o seu oponente está de costas para você…

Surpreendentemente, as passagens para entrar no castelo, de Hogsmeade, não são tão complicadas como as para entrar na vila de Hogwarts. Não existem senhas, e nem é necessário bater com a varinha em nenhuma delas. Isso dá a impressão para a Lily que eles estão mais preocupados de manter os alunos dentro, do que manter os outros do lado de fora. Uma pessoa pode facilmente entrar em Hogwarts, sem ser detectado, se eles tiverem conhecimento da entrada de uma dessas passagens… Um pensamento preocupante, se um Comensal da Morte entrasse na DedosdeMel. Ela compartilha esse medo com o James.

"Acredite em mim, eu já pensei nisso, e não tem como saber quantas pessoas sabem sobre essas passagens. As únicas pessoas, que eu sei que têm conhecimento delas, são os marotos. E agora você, é claro..." ele diz, gesticulando para ela. "Infelizmente não há muito que possa ser feito sobre isso. Nada que eu possa pensar agora… você não pode colocar uma senha nelas, a não ser que você que tenha criado a passagem, então nós não podemos bloquear do outro lado. A minha teoria é, que como Hogsmeade não existia quando Hogwarts e as suas passagens (excluindo a do Salgueiro Lutador e a Casa dos Gritos) foram construídas, ou, não como é hoje em dia. As passagens só tinham objetivo como meios de escape, como a maior parte dos castelos daquela época. Oh, olha aonde pisa. Tudo certo? Bom. Como eu estava dizendo, Hogsmeade, como conhecemos agora, foi construído centenas de anos depois, e eles colocaram casas em cima, ou perto, de várias passagens. Eu tenho certeza que na época, eles sabiam da existência dessas passagens, mas eu acho que hoje em dia eles já esqueceram. Eu sei de fato que os donos da Dedosdemel são ignorantes; senão eles teriam fechado a saída deles… Aonde estamos agora costumava ser um estábulo a muito tempo. Como você pode ver, são apenas pedras e algumas velhas barras… Esse aqui leva para a entrada no primeiro andar, e é o mais evidente de todos. É difícil entrar e sair sem ser visto. Por último, é claro..."

"A Casa dos Gritos." termina a Lily para ele.

"Sim. Essa, eu aprendi, foi construída muito mais tarde… 650 anos, mais ou menos uma década, a pedido da família que construiu a Casa dos Gritos. Bom, é claro que não época não era chamada assim, era que nem qualquer outra casa. O motivo pelo qual eles queriam uma passagem é desconhecido… para mim, pelo menos. A casa foi abandonada há séculos. O Salgueiro Lutador foi plantado somente na outra entrada, no meu primeiro ano..."

"Por quê?"

"Era para o Remus. O Dumbledore tem conhecimento daquela passagem, talvez de todas, porque foi a idéia dele de usar a passagem para ajudar o Aluado. Todo mês, ele entrava pelo Salgueiro Lutador, e se trancava na Casa dos Gritos durante a Lua Cheia… Já achavam que a casa era mal assombrada, mas o barulho horripilante que ele costumava fazer, enquanto ele quase que a destruía em pedaços, antes de nos tornarmos animagos, e sermos capazes de salvá-lo de si mesmo, somente alimentou o 'boato'."

Eles caminham por uma das pequenas ruas da vila, enquanto ele fala, e alguns flocos de neve caem até o chão. A Lily gosta de ouví-lo falar. Focalizar no som da voz dele, de alguma forma, libera um pouco da tensão que vem acumulando nela. Quanto mais ele conversa sobre história, melhor ela se sente no mundo. Ele soa tão casual, uma mistura de uma conversa amigável e uma aula. Ela não se importa que somente ele esteja falando. É agradável. Talvez ela não precise de um duelo, afinal das contas. Talvez ela possa persuadí-lo a falar pelas próximas 36 horas...

Os flocos solitários que estavam caindo, agora estão se unindo, enquanto começa a nevar mais fortemente. Hogsmeade foi feito para neve, e na opinião da Lily, nunca aparenta tão lindo, quanto quando os telhados estão brancos, e as janelas estão congeladas, e fumaça sai das chaminés. Eles se viram de costas para a agradável cena, para encarar uma menos agradável.

Eles se encostam na cerca que marca a área da Casa dos Gritos. Eles ficam lado a lado por um longo tempo, com os braços tocando, em consideração silenciosa. A casa têm uma aparência sombria, completamente contrária a suavidade da neve, em volta dela. A Lily imagina aqueles 4 anos atormentadores que o Remus teve que passar ali, sem a companhia dos amigos dele. Quanta dor ele deve ter experimentado ali…

Ela é retirada desses pensamentos tristes, quando o James começa a falar de novo.

"Sabe, a lua cheia costumava ser a melhor época da minha vida. Nós todos esperávamos ansiosamente por ela. Era tão divertido, que eu nunca tinha percebido..."

"Percebido o quê?"

"Não foi até você ser atacada que eu considerei como deve ter sido terrível para o Remus, quando ele era uma criança. Eu estava muito ocupado me divertindo, para odiar o lobisomem que fez aquilo com ele."

"Mas… isso não é justo. E se ele fosse tão inconsciente das ações dele, como o Remus? Mesmo que eu não fosse uma animaga, eu jamais poderia odiar o Remus. Ele não é responsável por ele mesmo, quando ele está naquele estado. Talvez seja o mesmo para o lobisomem que o mordeu..."

"Não foi." o James murmura. "Nós sabemos quem foi."

"Quem?"

"Fenrir Greyback"... Diz o James com os dentes travados. A Lily pode ver o quanto o James se importa com o Remus pelo jeito que ele odeia o Greyback. "Ele caça as crianças por diversão, mesmo quando não é lua cheia. Ele realmente é um animal, e dá uma má reputação para os bons, como o Remus Lupin. É injusto. O Remus é o melhor homem que eu conheço, e ele nem mesmo consegue arranjar um emprego, por causa de escórias como o Greyback."

A Lily põe a mão dela no topo da dele, gentilmente tocando os dedos brancos dobrados fortemente na cerca, que começou a rachar e se estilhaçar. O James olha para ela, e então para a mão dele, e solta a cerca.

"Droga," ele diz suavemente. "Uma farpa."

A Lily pega a mão dele e inspeciona, com o poste mais próximo dando a luz necessária. Usando as unhas dela, ela gentilmente retira o pequeno pedaço de madeira da ponta do dedo dele, de tal forma que apenas uma pequena área vermelha irritada permaneça.

"O que..." diz o James, com a voz baixa e suave, "você não vai dar um beijo, para melhorar?"

De novo com a imposição intencional de frustração. A Lily acha que ele deve saber o efeito que ele tem nela, senão ele não iria tormentá-la dessa forma. É cruel da parte dele, ficar brincando desse jeito. Ela sabe que, assim como o melhor amigo dele, o homem na frente dela está acostumado a atenção e adoração constante das mulheres. Ela não quer ser que nem as outras mulheres, e simplesmente se render a ele, mas ela também não consegue negá-lo… não quando o que ele pede dela é algo que ela gostaria de fazer… Ela pensa se ele encoraja as outras alunas desse jeito. Bem, não exatamente desse jeito, mas ela tem certeza que já o viu sorrindo charmosamente ou sedutivamente para um grupo de garotas, em mais de uma ocasião. Ela sabe que ela é especial. Ele mesmo admitiu que ele a considera uma amiga, mas isso não a impede de sentir ciúmes. Não é um sentimento habitual para ela, e ela não gosta disso. Ela não consegue deixar de pensar se todas aquelas outras pequenas atenções, as observações paqueradoras, ou os olhares, é simplesmente a forma que ele trata todas as mulheres. A Lily não quer ser jogada naquela enorme categoria, e paquerar do mesmo jeito que ele faria com todas as outras. Ela quer ser mais especial para ele do que isso.

Ainda assim, ela não pode ceder para ele, e ela não pode negá-lo, então ela faz os dois. Gentilmente, ela se abaixa e beija suavemente a ponta do dedo dele, cedendo.

"Pobre garoto..." ela diz, cheia de sentimentos.

"Eu vou ficar bem."

"Eu estava pensando no Remus," ela diz baixinho, caminhando para longe do James, na direção da Casa dos Gritos, negando ele.


'Mulher confusa!' o James pensa furiosamente. 'Toda vez que eu acho que eu a tenho aonde eu quero, ela escorrega!' ele considera. O Remus de novo. Ele deveria saber que aquela pequena voz, doce e discreta, não era para ele. É claro que é para o Remus… Remus J. Lupin, o único homem, no passado ou presente (que o James tenha conhecimento) que a Lily Evans jamais gostou. Ele estava tão ocupado se preocupando com o Almofadinhas, que ele esqueceu completamente como a Evans se sente com o Remus.

Ele odeia sentir ciúmes de um amigo tão querido, mas ele não consegue parar. O Aluado nem está mais por perto! Ela não o vê (na forma humana, pelo menos) há mais de 6 anos, como que ela ainda pode ter um ponto fraco por ele?

Bom, a resposta para isso é óbvia. O Aluado realmente é o melhor homem que ele conhece. É somente natural que alguém que o conheça, o ame. Com a natureza carinhosa da Evans, ela somente se sentiria mais atraída por ele, agora que ela sabe que ele é um lobisomem sofredor. O James suspira, e então corre atrás dela. Ela já entrou na casa. Brilhante, isso é bem o que ele precisa, que ela olhe em volta da casa, e veja a mobília destruída, e as manchas de sangue, para dar ao coração simpático dela, outra pontada pelo lobisomem amado dela.

"Nós não vamos ficar," ele diz rispidamente, pegando ela pelo cotovelo, e a liderando firmemente pela passagem no próximo aposento. Ele abre o alçapão e desce. "Entra." Ele comanda imediatamente. Ela obedece, fechando o alçapão atrás dela.

Ele não acende a varinha dele dessa vez. Ele usou essa passagem tantas vezes que ele conhece cada centímetro dela, mesmo que ele não consiga deixar de bater a cabeça dele no teto de vez em quando, ele sabe quando a passagem sobe e vira.

O túnel está completamente escuro, ela não consegue ver nada. Talvez o James tenha algum motivo para não acender a luz, mas ela não pergunta. Ele parece estar de mau humor de novo. Talvez seja a Casa dos Gritos e o Fenrir Greyback. De qualquer forma, ela permanece quieta, e segue o Potter pelo som dos passos dele.

Quando a passagem se curva, o Potter se curva com ela. A Lily não vira, e bate com o ombro dela na lateral da passagem. Ela não se permite fazer qualquer som de dor. Ela não vai mostrar nenhum sinal de fraqueza, ela daria motivos para ele afagar ela.

"James?"

"Hmm?"

"Eu… ai." Aparentemente ele parou de andar quando ela chamou o nome dele. Ela, como um leitor inteligente já pode ter adivinhado, não parou, e subseqüentemente colide diretamente nele. O James dá um tipo de risada condescendente.

"Precisa segurar uma mão na passagem escura e assustadora, Evans?" O tom de voz dele é irritadamente arrogante, cheio de arrogância masculina. Se ele simplesmente tivesse segurado a mão dela, ela teria deixado ele, mas segurar a mão dele na desculpa de estar com medo, não é algo que ela pretende fazer. Ela não quer que ele a conforte, ela somente quer ele.

"Que oferta gentil e cavalheira sua, Potter, mas não. Eu acho que vou me contentar com isso..." ela diz, colocando a mão dela na frente dela, e agarrando o que parece ser a cintura dele.

"Pronta?"

"Sempre, e para qualquer coisa," ela responde.

"Vamos continuar então," ele diz, continuando a percorrer a passagem, com a Lily segurando nele. Eles caminham silenciosamente por um longo tempo. Ela espera até ter a certeza que eles estão quase chegando, antes que ela diga o que está pensando.

"Você mentiu para mim, sabia."

"Sobre o quê?"

"Você me prometeu um duelo em Hogsmeade, depois que tivesse terminado de me mostrar todas as entradas… E você quebrou aquela promessa." ela diz. O James permanece em silêncio, enquanto ele continua a caminhar pela passagem. Se ele quer ignorá-la, então tudo bem. Vamos ver se ele consegue ignorar isso…

"Você me deve um duelo, Sr. Potter," ela ruge, "e pode acreditar em mim, eu pretendo ter um." Ela enfia as unhas dela na área que ela estava segurando nele. Através da roupa dele, não pode ter machucado, mas a Lily tem certeza que ele entendeu a mensagem.

Merlin, ela consegue irritá-lo em um piscar de olhos. Ela é tão enganosa. O que ela quer? 'Bem,' a parte responsável dele diz, 'não importa o que ela quer, ou que você quer, para começar, o que importa é o seu dever.' Mesmo assim, essa pequena bruxa está fazendo isso de propósito, usando essa voz ardente, e agarrando ele desse jeito. Ela sabe que ele é o professor dela, e ela somente quer vê-lo se contorcer. Segurando um biscoito na frente dele, que ele sabe que não pode ter… 'Garota diabólica,' ele pensa. 'Bem, se é um duelo que ela quer, um duelo ela deve ter.'

Ele remove as mãos dela da cintura dele com força, e segura o punho dela, não a mão dela, mas o punho, e a carrega rudemente pela passagem. Ele sabe que eles devem estar chegando logo, então ele acelera o passo, nem mesmo diminuindo quando ele a ouve tropeçando. Ele simplesmente a puxa mais incessantemente.

Ele aperta o botão, e deixa a passagem, a levantando com ele, e então a jogando para o lado. Ela cai no chão com um gemido de satisfação. Ele não pára para ajudá-la, ou para perguntar se ela está bem. Ele continua a caminhar, na direção da borda da Floresta Proibida. Ela o segue, uma visão gloriosa de alguma coisa, o James pensa que é mais provavelmente fúria.

Ele sente um feitiço esbofeteante na direção dela. Ele sabe que acertou ela, porque ela leva a mão dela até a bochecha, em descrença.

"Bom, Srta. Evans, você queria um duelo, não queria?" ele ridiculariza ela.

Frustração, ele percebe, tem um efeito deletério nas maneiras de uma pessoa… Ele está sendo o maior e absoluto bundão. Ele até mesmo atacou antes mesmo deles começarem. Mal educado...

"Seu canalha!" ela diz, jogando a melhor azaração bowling ball nele. Ele conjura um escudo a tempo, que impede a maior parte do feitiço de atingí-lo. Embora, ele ainda caia, com a mão dele arranhando em uma pedra afiada. Ele resmunga, enquanto se levanta.

"Maldita garota!" ele diz, enquanto ele joga um feitiço de volta nela. Ela o bloqueia facilmente, e manda outro, dando um passo para a frente, e dizendo, "Imbecil arrogante!"

O James bloqueia esse com a mesma facilidade. "Ingrata complacente!" Ele atira outro, que ela bloqueia.

"Imbecil condescendente!"

"Garota arrogante!" ele grita de volta.

"Você não serve para nada!" ela diz, atirando outro. "Imprestável!" ela diz, atirando outro, "Sabe-tudo!" Dessa vez, ela acerta o alvo.

"Puta," ele diz, limpando o sangue da boca dele. Ele não queria chamá-la assim, somente saiu… como o sangue. Eles realmente estão aqui um para machucar o outro agora. Eles jogam azarações e insultos um para o outro, até que eles dois estão ofegantes do esforço de lutar e gritar.

"Vamos, me vença!" ela grita violentamente para ele, jogando outra azaração bowling ball nele. "ME VENÇA!"

"Sua puta frustrante!" ele diz, enquanto se levanta de novo. Ele está tão exausto e tão furioso com ela! O jeito que ela olha fixamente para ele, zombando dele por desafiá-lo para vencê-la. Se ele pudesse, ele venceria, merda. Porque ela ficou tão maligna? A Lily Evans, que ele achou que conhecia, não seria tão cruel ou malvada. O que aconteceu com ela?


"Me vença!" ela diz para ele. "POR FAVOR!" ela grita. Ela precisa saber que ele é melhor… mas ele não é. Eles seriam iguais, se não fosse a vantagem injusta da magia acidental dela. Nas artes de duelo, eles estão no mesmo nível, mas ela quer que ele vença. Se ele puder vencê-la, ele seria melhor do que ela, e se ele fosse melhor do que ela, ele poderia protegê-la…

É isso mesmo o motivo disso tudo? Proteção? Segurança? Se você souber que tem alguém lá fora, mais forte que você, para te proteger, é menos aterrorizador. Se você está no topo, ninguém vai te proteger. Você está sozinho. Você tem que se proteger.

É isso… Ela não quer ficar sozinha. Ela quer saber que o James está acima dela.

Ele não consegue ver que ela quer que ele a vença? Ela quer ser derrotada, ela precisa que alguém seja mais forte do que ela. Ela quer ficar abaixo de alguém, simplesmente para ter alguém para venerar. Ela não está sendo metida; ela sabe que ela é uma bruxa poderosa. Mesmo os Professores dela, que sabem mais sobre as matérias deles do que ela, não podem se comparar as habilidades dela, e esse pensamento a assusta. É claro que tem o Dumbledore, mas ele está tão longe dela, tão distante, tão inalcançável. Ele é o Dumbledore. Mesmo assim, ele jamais usaria o poder superior dele para empurrá-la para baixo… mas é isso que ela quer. Ela não quer ficar no topo da escada, é uma posição solitária e instável. Ela está instável, e não sabe o quão alto ela pode continuar a subir, mais, mais, e mais, fora de controle. Se somente alguém estiver acima dela, eles podem controlar ela. Ela pode encontrar equilíbrio e paz de espírito. Ela não quer ser a mais forte. Ela quer que alguém a vença, taticamente, mentalmente… ou até mesmo fisicamente.

"Vamos, você pode me vencer! Vamos!" ela atira vários feitiços nele, um depois do outro, e a única coisa que ele pode fazer é colocar um rápido escudo, e correr para fora do caminho, na direção da floresta. "Não, não foge! Não desista! Você tem que vencer! Vamos! SEJA UM HOMEM!" ela grita para ele, enquanto ela joga um feitiço violento na direção da árvore ao lado dele, que cai com um barulho ensurdecedor, enquanto grandes galhos se quebram debaixo do peso tronco pesado. Ele teve que mergulhar para frente, para sair do caminho da árvore a tempo.

O James vê o brilho maníaco desesperado no olho dela. Ela não está tentando insultá-lo dizendo para ele vencê-la, ele percebe. Ela não está se mostrando. Ela realmente quer que ele a vença. Precisa que ele a vença. Ele pode ver isso. Ela vai ficar fora de controle, caso alguém não a traga de volta para a terra.

Ela corre na direção dele. Na verdade, ela corre nele, batendo com os punhos pequenos dela no peito dele, enquanto uma lágrima rebelde escorre pela bochecha dela. Ele deixa ela bater nele, e os socos dela não doem nada. "Seja um homem..." ela diz de novo, enquanto os socos diminuem, e as lágrimas aumentam. Ela funga, e o joga para longe dela, o mais forte que ela consegue.

Seja um homem… As palavras ecoam no cérebro dele.

Ela corre até ele, mas ele sai do caminho. Ela agride ele de novo, e dessa vez ele segura o braço dela, e usando o próprio momento dela, ele a joga em um tronco de árvore. A respiração dela está errática, e inconsistente. Ele avança nela, e ela bate os pés dela, chutando-o forte na perna. Ele resmunga, chegando um pouco para trás, antes de tentar novamente. Ela mira outro chute, mas ele desvia para fora do caminho dessa vez, fechando o espaço, chegando perto demais para ela conseguir levantar as pernas. Ela grita, e ataca ele com as unhas. Ele as retira dele, e com um ataque, atinge as pernas dela, fazendo-a desmoronar no chão.

Quando ela tenta se levantar de novo, o James agarra os braços dela, e a força de volta para o chão, prendendo os braços dela com as mãos dele, e o resto do corpo dela, com o corpo dele mesmo. Então, ele não faz nada, somente fica desse jeito, esperando que ela admita a derrota. 'Não terminou ainda,' ela diz para si mesma. Ela pode quebrar o nariz dele com um único pensamento… ou deixá-lo inconsciente… inúmeras coisas. Ela não tem uma varinha, mas isso não importa, ela não precisa de uma.

Então, ela sente o hálito quente dele no rosto dela, e a mente dela se esvazia. Ela não pode. Ela simplesmente… não pode. Não pode pensar, não pode se mover, não pode agir, e certamente não pode fazer magia sem a varinha. Ela parece ter perdido essa habilidade, somente agora, só agora. Com ele em cima dela, ela não consegue pensar em mais nada. A mente dela, a alma dela, tudo dela, está vazio, e, ao mesmo tempo, cheio. Cheio de… alguma coisa. Ela quer tirar ele de cima dela, mas ela não pode. É uma realização assustadora quando finalmente acontece. O James Potter é a fraqueza dela. Ela sabia disso antes, mas ela não sabia que ele poderia tê-la tão impotente desse jeito.

A mente dela zune, o corpo dela formiga, o coração dela acelera. Ele venceu. Ela está completamente vulnerável nessa proximidade extrema. Ela está impotente, e não tem nada que ela possa fazer, para impedí-lo de fazer o que ele queira. Ela se esquiva embaixo dele, tentando se libertar, e empurrando ele, mas o aperto dele somente fica mais forte, e o peso do corpo dela empurra mais forte encima dela. Ela pára de combater. Ela está mais fraca agora, paralisada pelos olhos dele… como os de uma cobra, hipnotizando a presa antes de consumí-la...

A mente dela e as habilidades dela podem ter sido mais forte, mas o corpo dela é fraco… E o corpo dela é dele… Dele para consumir, caso ele o queira...


Ele está encima dela. Ele fica ali, imóvel, até que o brilho horrível desbote dos olhos dela, e ela volte a ser a Lily dele de novo. Não a Lily dele, ele se corrige. Mas a Lily que ele conhece… Ela parece estar mais calma agora. A respiração dela está mais profunda, mais regular, mas ainda está acelerada. Ela vai ficar bem.

'Ela poderia ter me tirado de cima dela em um segundo,' ele pensa. Essa não é uma vitória verdadeira. A Evans pode vencer em uma luta. Ela não precisa de uma varinha para fazer mágica, e poderia tê-lo sangrando e surrado, se ela quisesse. E, embora não seja um pensamento muito atraente, é um conforto saber que, caso fosse qualquer outro homem que tivesse forçado ela para o chão, e prendido ela no chão, ele certamente iria receber o que merecesse.

E então o James sorri quando a realização bate nele. 'Ela poderia me tirar de cima dela, mas ela não está...'

Um rugido furioso vem das árvores do lado deles. O Hagrid está lívido, correndo na direção deles, em uma raiva furiosa. Em um segundo, ele segura o James por um ombro e uma perna, e o joga o mais longe o possível da Lily que ele consegue, (o que, considerando a força extraordinária do Hagrid, é bem longe). O James voa graciosamente pelo ar. Tem um barulho nauseante enquanto ele colide com um pinheiro, e então vêm os sons de galhos de árvore se quebrando (e os gemidos dolorosos do corpo que os está quebrando), e outro barulho nauseante enquanto ele finalmente atinge o chão.

A Lily não pode fazer nada a não ser olhar em uma fascinação horrorizada, enquanto ela observa o progresso do corpo do James, descendo a árvore. Depois de ficar deitado estático por um momento, ele começa, lentamente, a se levantar do chão. A Lily desperta do transe, e corre na direção dele.

"James! James, você está bem?"

Ele rosna. Pelo menos ela acha que ele rosna. Aquele barulho nervoso e baixo poderia ter vindo de um grande dragão, ou de qualquer fera infeliz na floresta. A longa fileira de injúrias que seguem, entretanto, definitivamente são de um homem. Um homem muito nervoso. A Lily nunca o ouviu falar tanto palavrão antes, e alguns deles, ela nunca havia ouvido antes. Ela decide que ele deve tê-los criados no momento, no ápice da raiva dele. Ela também estaria com raiva, se ela tivesse sido jogada para uma árvore.

"Bom, se você consegue xingar tão criativamente, você não pode estar tão machucado assim..." ela diz para ele.

"Certo..." ele murmura sarcasticamente.

"James?" repete o Hagrid, confuso, somente agora parecendo sair do seu transe.

"Sim, James," ela diz, virando ele, e segurando o rosto dele nas mãos dela.

"Mas não pode ser. Eu te ouvi gritar! E então eu vi que alguém estava tentando te… te… é… Eu achei que alguém estava atacando você…"

"Eu não gritei. Eu… é… bem, não foi um grito, e ele não estava me atacando."

"Mas então porque… ah..." diz o Hagrid, com os olhos arregalados com compreensão. A Lily fica vermelha de vergonha, e tenta esclarecer ao Hagrid, algo que ela não consegue nem mesmo explicar propriamente para si mesma…

"O que aconteceu foi… foi… foi..."

"Uma árvore estava caindo, e eu tirei a Lily do caminho." Diz o James.

"Ah..." diz o Hagrid, com essa explicação sendo muito mais razoável, e muito menos interessante.

"Você apareceu logo depois..."

"Eu entendo. Desculpa, Potter," diz o Hagrid, levantando o James pelo braço, e tentando limpar ele, mas como ele faz isso com tanta exuberância, ele somente consegue derrubar o James no chão mais uma vez, deixando-o mais sujo do que estava antes.

"Está tudo bem, Hagrid..." Ofega o James, se levantando e se limpando ele mesmo, dessa vez.

"Bom, já passa da meia-noite. O Mercúrio deve estar querendo almoçar." Diz a Lily, passando pelo James.

"É claro. Eu fui buscar você no castelo, quando eu ouvi..."

… O Hagrid aceitou a desculpa do James muito rapidamente, e se ela não conhecesse o Hagrid como ela conhece, ela teria pensado que ele realmente acreditou. A evidência que ele não acreditou (e só está fingindo, para tentar evitar qualquer situação embaraçosa e constrangimento) está na falta de curiosidade visível, no porque ela e o James estavam na floresta no meio da noite, quando não é o turno do James para levá-la. Além do que, ela não tem noção do quanto que o Hagrid viu. Se ele viu a árvore cair, ele sabe que ela caiu muito antes do James derrubá-la no chão...

O Hagrid olha para a Lily, e ela olha de volta para ele, tendo certeza que os olhos dela não mostram nada, embora ela não pode dizer o mesmo pelas bochechas dela, enquanto o James fica atrás dela, com uma mão pesada no ombro dela.

"Não se preocupe. Nós vamos terminar isso mais tarde," ele promete, murmurando no ouvido dela.

Enquanto ele passa por ela, para se juntar ao Hagrid, ela tem uma visão de relance do perfil dele, e fica feliz em ver que ele está sorrindo impossivelmente, como se ele nunca tivesse sido jogado tão informalmente à uma árvore, na vida dele.

De volta na cabana do Hagrid, o James percebe que a Lily está mais quieta que o normal. Ela ainda cantarola suavemente, enquanto alimenta o Mercúrio, mas ela deixa a conversa toda entre ele e o Hagrid. Ela nem mesmo olha nenhuma vez, não faz nenhum comentário. O Hagrid dá whisky para ele, como uma mistura de remédio e uma desculpa, por tê-lo jogado na árvore.

Ele não vai perguntar para ela o que aconteceu na floresta. Ele aprendeu que conversar sobre as coisas, somente destroem elas, e a deixa nervosa com ele. A briga deles na floresta foi estranha, certamente, mas sem dúvida foi especial… e o único jeito de mantê-la desse jeito, é fingir que isso nunca aconteceu. Nada de conversar sobre isso… somente deixar ali, borbulhando embaixo da superfície.

'Como todas aquelas outras vezes...' pensa o James… Quando ela foi atacada pelo Remus, e depois de novo, no Nôitibus Andante. Exceto que dessa vez foi diferente. No passado, foi quando ela havia tido um ataque de nervos. Dessa vez, ela teve um ataque, mas também se incendiou ao mesmo tempo. O James não faz idéia o que está passando pela mente da garota, nem mesmo ele gostaria de contemplar o efeito que saber que têm pessoas querendo te matar, possa fazer com os nervos de uma pessoa… Não é um bom efeito, ele pode apostar. A maior parte das pessoas, o James tem certeza, iriam se esconder. Outros ainda podem ter um colapso nervoso. A Lily Evans aparentou, inicialmente, abordar o assunto calmamente, com a varinha em mãos, pronta para lutar, e então, quando na privacidade, ela não necessariamente teve um ataque de nervos, mas escapou. Atacando com nada além do sentimento cru que ela manteve preso, pela maior parte do tempo.

Eles não conversam sobre o que eles disseram um para o outro também… ou melhor, gritaram. Os dois disseram algumas coisas horríveis, que provavelmente é melhor esquecer delas. É melhor desse jeito. Além do que, ele reflete, se ambos ignorassem o que aconteceu, eles não precisam fazer aquela pergunta incômoda se aquilo foi apropriado, ou não…

Caminhando de volta para o castelo, a Lily comenta na elasticidade dele, sendo capaz de caminhar tão facilmente, depois de bater, e então cair, de uma árvore.

"Eu já caí de uma vassoura de alturas muito maiores," ele explica orgulhosamente, como se isso fosse um grande feito a ser admirado.

Eles sobem um lance de escadas, e a Lily estava virando na direção da sala comunal dela, quando ele segura o cotovelo dela.

"O meu quarto é nessa direção, minha querida."

"Que bom, mas o meu é naquela direção, querido." ela cospe a última palavra com um veneno excessivo, para ter a certeza que ele entende que ela está sendo sarcástica.

"Sim, mas a sua amável sala comunal não é exatamente propícia para um duelo. Você não ia querer que nenhum dos seus adoráveis livros, ou o seu adorável jogo de xadrez, fiquem arruinados, não é?" ele diz, sem diminuir a pressão dele no cotovelo dela. Ele sobe o próximo lance de escadas, e a Lily, forçosamente, sobe com ele.

Ele não pode pegar a capa dele sem soltar ela, então eles caminham para o escritório dele completamente visíveis. Felizmente, ninguém parece tê-los visto, salvo por alguns fantasmas…

Enquanto eles caminham, a Lily pensa sobre o que está exatamente ele está fazendo. Ele havia prometido terminar o duelo mais tarde, mas ele já não tinha terminado? Ele ganhou...

'Não...' diz uma voz na mente dela. 'Ele não disse que eles iriam terminar o duelo, ele disse que eles iam terminar 'isso'...' Ela se contorce levemente às implicações do que quer que isso possa significar.

'Não, não, não,' diz uma voz completamente diferente, 'Ele disse que o seu quarto não era propício para um duelo.' Portanto, é sobre isso que ele deve estar se referindo.

'Não!' diz a própria voz da Lily. A voz da razão, ela espera. Não importa o que ele quer dizer, a única coisa que importa é o que vai acontecer. Não importa o que ela possa querer fazer, ou querer que ele faça, ela não pode deixar. Ela não vai mais mentir para si mesma. Sim, ela definitivamente têm sentimentos muito confusos e alarmantes pelo Professor dela, mas como ela se sente não deve ter absolutamente nenhum efeito no comportamento dela. Ela não deve tentar nada para encorajá-lo. Não somente seria sem esperança, mas seria escandalosamente desapropriado. Ela sabe muito bem que é muito mais fácil obter a… é… atenção de um homem, do que a afeição verdadeira dele. Ela mesmo inventou um feitiço que 'obtém a atenção dele,' e realmente utilizou nele uma vez. E terminou de uma maneira terrível.

'Ah, isso é simplesmente tolo!' ela pensa. Ela somente precisa de uma boa dose de sensualidade antiquada para retirar isso do sistema dela, mas não com ele, é claro que não. Com outra pessoa. Qualquer outra pessoa. Ela somente está frustrada, e o pobre Potter está sentindo os efeitos disso. Ou é isso que ela diz para si mesma.

A Lily está decidida no momento que ela entra na sala de aula. Ela tem um plano a prova de falhas. Uma tática que ela sabe que vai funcionar. No momento que ele fecha a porta da sala de aula, ela está com a varinha na mão dela, e a postos. No momento que o Potter vê isso, ele retira a dele rapidamente, assustado, e parecendo achar que ele estava sendo atacado.

"Não precisa se preocupar," ela diz, "Só estou com a minha varinha a postos por propósitos defensivos. Eu achei que poderíamos praticar para o sábado..."

"Ah..." ele diz, visivelmente se relaxando levemente.

"Você que é o especialista com bruxos das trevas. Se você quisesse me matar, como você faria?"

A idéia é absurda. 'Eu? Querer matar ela?' ele pensa. 'Antes disso acontecer, o Sirius iria se tornar celibatário...'

"Se eu fosse te treinar para se defender contra as pessoas que estão tentando te matar..." ele diz cuidadosamente, sem querer sugerir de nenhum jeito, hipoteticamente, ou de qualquer outro jeito, que ele gostaria de fazer com que ela parasse de respirar, "então eu começaria com esses."

Ele caminha até o quadro negro, e começa a escrever várias azarações e feitiços, alguns a Lily conhece, a maior parte ela não conhece. A Lily suspira de uma forma que é quase um alívio. Não tem muito alívio, quando se está treinando para encarar o seu próprio assassinato, mas ver o James de volta no modo de Professor é um peso liberado da mente dela. O plano dela funcionou, e ela distraiu ele de qualquer pensamento que poderiam estar percorrendo a mente dele. Ela nem quer saber o que ele pensa dela agora. Ele provavelmente acha que ela é uma maluca, uma louca desvairada que ataca aleatoriamente as pessoas.

Mas ele não mencionou aquilo, e ela não vai mencionar, e além do que, agora eles estão ocupados com coisas muito mais importantes.

Ela lê e relê o quadro negro, estudando os feitiços, e os seus respectivos contra-feitiços. Eles praticam várias vezes, primeiro sem atacar, depois atacando. Lentamente, em ordem, como ela havia feito antes, quando ela estava treinando para o exame. Exceto que, agora, os feitiços são muito mais perigosos, e os resultados mais finais…

Eles continuam praticando silenciosamente por horas. De novo, e de novo, e de novo, mais uma vez. A Lily não pode agüentar muito mais disso. Ela vai continuar para sempre, até que alguém a pare…

Talvez ela esteja ficando viciada na dor. Talvez ela queira uma desculpa para finalmente parar. Ou talvez ela somente queira sofrer nas mãos do James, em reparação para o jeito que ela sabe que ele sofreu por culpa dela. Ela realmente é o pior tipo de encargo para ele, ela sabe disso. O pior tipo, na verdade, porque ela é um encargo que ele não pode descarregar, não agora…

Em todo caso, depois de quase 2 horas praticando sem parar, ela tem a vontade insana de simplesmente abaixar a varinha dela, e deixar o feitiço atingí-la. O James percebe muito tarde o que ela fez, e olha horrorizado, sabendo que ele está completamente incapaz de parar o feitiço dele agora.

A Lily sabe que feitiço é esse, o feitiço da constrição… como se uma cobra gigante estivesse te apertando até a morte. A Lily escolhe esse em particular, porque ela sabe que não vai matá-la instantaneamente. Ela, ou o James, tem tempo para removê-lo, antes que possa.

O feitiço a atinge com uma força que ela não estava esperando. De algum jeito, ela imaginou que ia atingí-la lentamente, como uma serpente verdadeira faria, mas ele a derruba imediatamente, comprimindo o ar dolorosamente dos pulmões dela, em uma compressão aguda. Ela deixa ficar, somente por um instante, somente por tempo suficiente para ela realmente sentir a dor que ela merece, antes de retirar o feitiço, deixando os pulmões dela livres para se expandir, e se encherem de ar de novo.

"Garota imbecil! Você deixou esse te atingir de propósito!" Diz o James.

"Eu sei que sim..."

"Por que, no nome de Merlin?" ele pergunta freneticamente, enquanto ele a ajuda a se sentar.

"Eu queria saber como era a sensação," ela diz, dizendo a verdade, parcialmente.

"Evans, Lily, querida, você não pode fazer isso comigo. E se eu… isso tivesse te matado?" A voz dele está trêmula.

"Eu sabia que não ia me matar, se eu não deixasse. Eu não me deixaria morrer antes de sábado, senão você não teria uma prisão. Eu somente precisava aprender a encarar a dor, do jeito que alguém encara a morte..."

O James está tremendo levemente. Na verdade, no momento que ele a viu abaixar a varinha, a mente dele se esvaziou completamente, e ele não conseguia se lembrar qual feitiço ele havia utilizado… Realmente, o feitiço da constrição era provavelmente o único que poderia ter atingido ela, sem machucá-la seriamente no contato.

"Você está bem?" ele pergunta, com preocupação. Ela não aparenta estar bem, mas ele também tem certeza que ele também não aparenta.

"Olha para o outro lado, por favor… Eu acho que eu vou vomitar," ela diz calmamente.

Depois de um tempo, ela permite que ele retorne, quando ele a pega no colo, e insiste em levá-la para a Ala Hospitalar.

"Eu não vou. Não tem nada a ver com o seu feitiço, Potter, me coloca no chão. Eu não tenho energia para levar uma bronca da Madame Pomfrey hoje a noite. Eu só preciso descansar…" Desmaiar, mais provavelmente…

"Por que você não pode ser como as outras mulheres, em vez de insistir em ser tão extremamente contrária o tempo todo?" ele reclama, sem muito entusiasmo. Ele disse. As palavras mágicas que ela queria secretamente ouvir. Ele não pensa nela como qualquer outra mulher. Além de ser a pupila dele, além de ser a amiga dele, ela também é diferente. Contrária, mas diferente.

"James..." ela diz suavemente, "me solta." O James suspira, e a coloca na cadeira dela, no canto do escritório dele.

"Eu não sei o que fazer com você," ele confessa.

"Você não tem que fazer nada."

"Sim, eu tenho, eu não posso somente ficar olhando você..." ele diz, embora ele não consiga atestar a verdade daquele relato. A Evans com certeza é… observável. Ela ancorou os olhos dele…

Ele pode ter ficado encarando ela pelos próximos 15 minutos, ele não se lembra. Tudo que ele se lembra, é de acordar do transe dele quando a voz suave e determinada dela quebra o silêncio.

"Sabe… Eu não vou te culpar se eles tiverem sucesso no sábado."

"Lily..."

"Eu não estou sendo mórbida, James, eu estou sendo realística. Nós dois sabemos o risco que está envolvido. Eu só quero que você saiba que, caso algo aconteça, e eles tiverem sucesso, eu não te culparia. Eu sei que você teria feito o melhor possível, então eu não quero que você se sinta culpado, ou responsável, ou se culpe. Me prometa que você não vai se culpar."

"Lily..." ele diz de novo, implorando.

"Me prometa."

"Eu prometo." ele diz. Finalmente percebendo que a Lily pode realmente morrer no dia seguinte. Ele sabe que os garotos querem matá-la, mas não foi até esse momento que o James parece entender que ela pode não estar aqui depois de amanhã. Ela não existiria mais, o Dumbledore teria que escolher uma Monitora Chefe nova, o Mercúrio ficaria sozinho, o Rupert iria chorar, e o Hagrid também… além disso, anda iria mudar muito… Exceto que ele perderia o incentivo para ensinar. Ele iria deixar Hogwarts, ele sabe disso. E ele jamais gostaria de ver outra ruiva de novo, ou ver olhos verdes de novo, ou falar com qualquer pessoa de novo, mas, além disso, a vida continuaria normalmente…

"Você sabe de uma coisa?" A voz dela interrompe os pensamentos dele…

"O quê?"

"Eu estou… assustada."

"Eu também estou."

"Não é só isso… mas eu tenho medo que se eu… você sabe… morra… não vá importar," ela diz. Como se ela estivesse lendo os pensamentos dele, ela continua, "a não ser pelo Hagrid, o Rupert, e o Mercúrio, todo mundo vai continuar normalmente. Bem, é claro que vai ser um bom tópico para conversas por algumas semanas, entre os alunos, e eu tenho certeza que vai fazer uma notícia interessante para o Profeta, mas sério, eu não vou estar deixando muitas pessoas chateadas. Um pouco patético, quando uma pessoa pára para pensar sobre isso..." Ela pára, e percebe o que ela estava falando. Ela está quebrando a nova regra 'não mostre nenhuma fraqueza para ele'. "Desculpa, esquece isso tudo. Eu estava… divagando. Somente… esquece."

"O seu colar."

"O quê?"

"Me dá ele."

"Um… certo..." ela diz, tirando ele, e o entregando para ele. Ele coloca um feitiço de escudo, e um outro tipo de feitiço protetor nele, o transformando em um tipo de talismã. Bem, se o escudo dela falhar, talvez isso ajude um pouco…

"Pronto," ele diz, indo até ela, e colocando o colar de volta no pescoço dela. Ele solta o cabelo dela cuidadosamente, para que caia sobre os ombros dela, como normalmente faz.

Voltando para poder olhar para o rosto dela, ele segura os ombros dela com as mãos dele, e olha nos olhos dela. A tristeza ainda está presente neles, assim como a solidão, e os medos que não se importem com ela.

Ele não diz nada, ele somente a puxa para ele, tentando espremer todas as dúvidas dela.


Então agora ela conhece dois abraços dele, ela pensa. O primeiro foi o abraço 'eu estou feliz que você não morreu', e o segundo sendo o abraço 'eu espero que você não morra'… abraços tão mórbidos. Ela sente como se eles quase não contassem. Mesmo assim, ela está grata… essa realmente pode ser uma das últimas noites dela aqui, e pelo menos ela não está sozinha. Pelo menos alguém está aqui.

Ele é somente tão bom e determinado, ele faz que seja tão fácil ela fingir que ele a ama. Talvez ele esteja fazendo isso de propósito, talvez ele faça isso com todas as mulheres, ela não se importa. A bondade dele deixa ser mais fácil ela mentir para si mesma. Deixa mais fácil ela se enganar, que alguém se importa com ela. Bem, não necessariamente se enganar, mas deixa mais fácil ignorar o fato que ninguém se importa...

Ela adormece na cadeira, alguns minutos depois que ele a solta. Os abraços dele têm um efeito soporífero nela, aparentemente.

Ele a pega no colo cuidadosamente. Ela acorda o suficiente para murmurar curiosamente, "Humm?" mas ela está muito exausta para dizer qualquer coisa, ou protestar. Ele caminha com ela nos braços dele, até a cama dele. Ele a coloca gentilmente na cama, antes dele mesmo se deitar, cuidadosamente relaxando, com seus músculos doloridos, e seus machucados reclamando aos berros. Os dois somente ficam deitados, com muita dor, e muito exaustos para fazer qualquer outra coisa. Ele faz um último comentário, antes de apagar a luz, incerto se ela o ouviu ou não.

"Você vai ser a minha condenação, Lily Evans."


Agora eu definitivamente não sei se vou postar o próximo capítulo amanhã. Novamente vou fazer de tudo.. Vocês já sabem bem como é.. Com os incentivos, e tudo mais… estou cansada… preciso de incentivos…

Esse foi o capítulo com o maior número de palavras até hoje! Nossa, estou impressionada comigo mesmo, tendo conseguido traduzir ele de um dia para o outro. Talvez seja por isso que eu esteja me sentindo cansada...