E lá vamos nós a nossa nota prévia de cada dia! Achei a postagem desse capítulo relativamente rápida. Não acho que esse foi o maior que escrevi, mas com certeza é o meu preferido! Acho que vocês vão gostar também.

Gente, reviews estimulam, sabe? Senti falta disso nesse capítulo... masss agradeço de coração a: Cami, não sei se já te vi por aqui, mas muito obrigada!

Ana Scully Rickman, sei que você ainda não deve ter chegado nesse capítulo mas obrigada por ter começado a leitura! Adoro leitoras novas!

Leyla Poth, sempre fico feliz ao ver que está acompanhando, sabe que sou tua fã! (ainda não tive tempo de ler a continuação de os apaixonados, to realmente enrolada aqui, mas vou passar por lá)

2Dobbys, nossa. Eu quase chorei ao ler o seu review. Sério. Tirei print, postei no facebook, mostrei pra todo mundo. Sinceramente eu espero que o capítulo esteja do seu agrado, estou me esforçando ao máximo!

Ju, te adoroooooooo! Agradeço pela sua força amore! Adoro seus reviews!

Erica, sua delicadeza me encanta hahahahahaha. Sério, gosto muito de você, fico feliz por ter a sua amizade. Sinta-se a vontade para dar "pitacos" na fic.

Mandy – coisa mais linda da minha vida – EU TE AMOOOOO! Seu pedido/presente está aqui. Espero que você goste.

Camila... é até covardia falar sobre você aqui. Falo que te amo todos os dias, você é uma das melhores pessoas em minha vida e você sabe disso. Não tenho muito mais o que dizer.

Temos uma novidade: MINHA MÃE COMEÇOU A LER! OI MÃE! Te amo hehehehehe (ela ainda não chegou aqui, mas quero que ela veja essa nota quando chegar) você é a razão do meu viver.

Boa leitura!

OoOoOoOoO

Ano 992

- Corre! – a menina de cabelos pretos se levantou após ter caído ao tropeçar em uma raiz de árvore – Eles vão pegar a gente!

- Esconda-se ali! – a outra menina, um pouco mais velha, apontou para um buraco escondido na terra, enquanto ela mesma se cobriu com folhas.

Um grupo de rapazes, aparentando ter entre treze e dezesseis anos, andavam devagar perscrutando o local com os olhos. O mais velho, de nome Dmitrei, gritou – Achei uma! – Fahrah saiu de seu esconderijo dando risadas enquanto Dmitrei a jogava sobre os ombros.

- Não me deixe cair! Se eu cortar meu rosto em uma dessas pedras mamãe vai me matar. – ele gentilmente a pousou no chão.

- E mesmo assim, você continuaria linda. – passou um polegar pela bochecha da garota a deixando vermelha.

- Parem com isso vocês dois. – um outro rapaz, de cabelos dourados parecendo uma versão menor de Dmitrei, estava fazendo cara de nojo – Onde está Kaehlla?

- Ela está... – Fahrah ia apontando para o monte de folhas quando percebeu que sua irmã mais velha não estava ali – Mas eu jurava...

- Bu! – a moça de cabelos platinados apareceu do nada e pulou, arrancando um grito da mais nova e de mais dois rapazes. – Isso é covardia. Cinco de vocês contra nós duas.

- Bem, se ao menos Melisende tivesse vindo – um outro rapaz, de nome Jurian, passava as mãos pelos cabelos castanhos falando com ar sonhador. – Eu a chamei, mas ela deu umas desculpas.

- Não é desculpa. – embora só tivesse quatorze anos à voz de Fahrah era firme – Hoje é o dia dela ajudar nossa mãe a pegar água e leite. O senhor Auden chegou ao vilarejo hoje cedo. – e olhou o rapaz ao seu lado – Você também deveria estar ajudando o seu pai, Dmitrei. Ele não carrega muito bem baldes sozinho.

Há dois anos atrás a vila aonde moravam havia sofrido um pequeno incêndio. Umas das moças desrespeitou um dos guardas do conde e acabou sendo espancada. Ainda não satisfeito, o então soldado, colocou fogo na pobre cabana a qual a moça vivia. Não demorou muito para que o fogo tivesse se espalhado e, antes que os moradores conseguissem apaga-lo, o mesmo se alastrou.

A casa de Dmitrei era próxima a da moça em questão. Ele perdeu a mãe naquele incêndio e seu pai sofreu uma queimadura séria no braço, desde então os movimentos do lado direito dele ficaram comprometidos. O rapaz havia jurado para si mesmo que mataria o guarda, mas não precisou esperar muito. Dois dias depois três guardas, o causador do incêndio e mais dois que estavam junto com ele, apareceram na entrada da vila empalados. Aquela visão não foi agradável para ninguém, mas os moradores se sentiram vingados. O próprio conde havia ordenado à morte deles.

Não se sabia o porquê, mas a pequena vila era protegida, o conde tinha um interesse especial nela. No ano de 978 a coleta de espólios fora proibida ali, juntamente com a caça na floresta ao redor, de acordo com os decretos somente os moradores do vilarejo teriam direitos a caçar os animais da região. Desde aquele ano a vida melhorara em Padurile. Aquele fora o ano que Fahrah nascera. Ela era a única que havia nascido naquele ano e ainda estava viva, todos os outros foram natimortos ou foram vítimas da febre. As pessoas a veneravam.

Almira Mountgormay era conhecida por sua fibra, o marido morrera há dez anos logo depois que sua filha mais nova Aalis nascera. Ela teve quatro meninas, todas com sua particular beleza. Kaehlla que tinha dezesseis anos, Fahrah de quatorze, Melisende de treze e Aalis de dez. Todas eram queridas, a mais velha tinha uma maravilhosa mão de cura, fazia unguentos e misturas e, diferente de muitos, não os vendia. Gostava de ajudar e não via sentido em cobrar por aquilo. Fahrah por sua vez era, por assim dizer, viva. Estava sempre correndo de um lado para o outro, ajudava os vizinhos, carregava fardos de palha ignorando as pessoas que diziam que aquele tipo de trabalho cabia aos homens, bordava para as senhoras já idosas e, fazia pouco tempo, começara a ajudar Kaehlla em alguns partos. O dom de Melisende era, sem dúvida nenhuma, cozinhar. Ela e mais duas senhoras fazia sempre pratos com as sobras e dividiam, da melhor forma que conseguiam, entre os menos afortunados. Isso sempre a fizera feliz, gostava de ajudar. Aalis ainda era uma criança aos olhos de todos. Era esforçada a fim de aprender as coisas, mas nada nunca dava muito certo. Toda vez que tentava algo e dava errado, ela caía na gargalhada. Contentava-se em contar histórias para algumas crianças, e logo adultos paravam para ouvi-la; o seu dom era a alegria.

Almira orgulhava-se das filhas, sabia que as tinha criado bem, mas também sabia que era alvo de bochichos em toda Padurile, o motivo era a aparência de suas filhas mais velhas. Kaehlla tinha incríveis cabelos e olhos cor de prata, a brancura de sua pele chegava a ser um pouco pálida, os mais velhos diziam que ela parecia-se um pouco com um espírito. Talvez fosse aquilo que a fazia ser tão respeitada em termos de cura. A própria Almira não sabia explicar a aparência de sua filha, aceitou aquilo como um presente dos deuses assim que percebeu que ela era diferente das outras crianças. Sempre fora quieta e um pouco adulta, os olhos da menina passavam sabedoria, como se tivesse vivido mil vidas. A única pessoa que conseguia fazê-la expressar um pouco sua real idade era Fahrah, a companhia da irmã lhe alegrava, todos percebiam isso. Elas eram unidas ao ponto de nem precisarem se falar. Estavam sempre juntas e Kaehlla era a única que conseguia controlar Fahrah em seu terrível espírito aventureiro, como em uma vez que resgatou a irmã quando ela ficou presa em uma gruta na parte menos frequentada da floresta. Ninguém nunca entendeu como Kaehlla sabia exatamente aonde procurá-la, somente ficaram aliviados ao ver que a menina estava bem.

Já sobre a aparência de Fahrah...

Ano 977

Averey Mountgormay era ferreiro, o melhor da região por sinal. A família sempre vivera muito bem por conta disso. Na primeira guerra do condado ele fora convocado para o front, todos no vilarejo ficaram condoídos, muitos homens foram com ele, mas, além de ser muito querido no lugar, era o único que ainda estava deixando a esposa com uma criança de peito. Os dias passaram-se e a agonia cada vez mais tomava conta de Almira, a guerra era uma incerteza, todas as noites olhava para o lugar vazio na cama e se perguntava se voltaria a ter a companhia do marido.

Já havia se passado um mês e nenhuma notícia. As mulheres que haviam se despedido dos maridos no mesmo dia que ela estavam cada vez mais devastadas. Ali ela sentiu na pele o significado da frase "A incerteza é a pior das certezas". Talvez Averey não voltasse, talvez Kaehlla ficasse sem pai.

Em um dia comum caminhou até ao poço da cidade, não havia chovido e a água estava escassa, chegando lá o fundo estava barrento, a água não serviria para beber ou cozinhar, muito mal daria para banhos. Ela poderia tentar se virar com aquela água, mas Kaehlla não, certamente ficaria doente. Decidiu ir ao rio.

Não caminhou com pressa, ainda estava cedo e sua bebê estava com uma vizinha. Aquela trilha através da floresta sempre a confortou, o canto dos pássaros, a calma que as árvores transmitiam, o sopro do vento... Poderia viver ali para sempre. Finalmente chegou a um pequeno regato, o dia estava relativamente quente então tirou a capa para refrescar-se. Começou a jogar água na nuca e nos punhos, apesar de já ter uma filha ainda aparentava vivacidade, havia acabado de completar vinte anos no último outono.

Ouviu um barulho de passos atrás de si, automaticamente seu corpo ficou rígido, ninguém do vilarejo chegaria tão silenciosamente, principalmente agora que o condado estava em guerra. Lentamente foi girando a cabeça com medo do que iria encontrar. Um homem estava parado a observando, era alto e de pele clara, os cabelos negros como a noite, eram da mesma cor de suas vestes, aquele tom de preto era incomum. Possuía uma beleza incomum e porte de nobre mas, apesar do conjunto, uma coisa se destacava: os olhos, eram de um profundo azul.

- O que quer? – ela tinha a intenção de passar firmeza na voz, mas sem querer gaguejou um pouco.

- Estava somente te admirando. – ele a avaliava com o olhar, aparentemente não transpassava nenhuma emoção – Posso saber o seu nome?

- Não. – e começou a levantar e pegar a alça dos baldes – Já vou-me embora, passar bem.

- Só quero saber seu nome. – ele deu dois passos para frente, fazendo Almira recuar e quase cair no rio – Falarei o meu, para você não ficar em desvantagem. – e lhe dispensou um sorriso enviesado.

O homem parecia obstinado e o físico dele aparentava força, ela estava com medo mas queria distraí-lo, sairia correndo assim que pudesse – O meu nome é Almira. – olhava para os lados, procurava alguma rota de fuga.

Ele colocou um dos braços na frente do peito e dobrou ligeiramente o corpo, como se estivesse fazendo uma espécie de reverência. – Prazer, o meu é Salazar.

OoOoOoOoO

Dias atuais

A mulher caiu ajoelhada, detestava estar na presença dele sozinha, tinha medo. Havia se tornado comensal por pressão da família, e também por conta dele. No fundo ela sabia que sua paixão por Severo nunca fora correspondida, mas insistia naquilo, era quase como uma questão de honra, mas agora... Agora ele estava comprometido com a filha do bruxo mais temido do mundo. Ainda sem se levantar e com o olhar fixo no chão, sua voz saiu baixa ao dizer – Milorde.

Voldemort sempre foi indiferente a ela, a havia marcado muito mais por conta do pai dela, o qual morreu em suas fileiras, do que por outra coisa. Chegava a achá-la inútil até que a mesma se ofereceu para espionar, talvez fosse para ficar próxima a Snape. Qualquer que fosse o motivo seria bom ter dois espiões, via Severo com bons olhos, mas não confiar em uma só pessoa era uma atitude sensata.

- Pode se levantar, Alexandra. – a moça assim fez, mas ainda olhava para o chão – Você havia me dito algo sobre uma reunião.

- Sim, Milorde. – a voz da moça era contida, ele achava aquele comportamento muito tedioso.

- Quem estava presente? – esperava que aquela garota lhe desse alguma informação útil.

- Dumbledore, dois Weasley, McGonagall, Potter, Severo e a senhorita Riddle. – ela tentou não sorrir em escárnio, com certeza a garota não devia ter passado aquela informação, afinal, se ele soubesse, não estaria perguntando quem esteve na reunião.

- Lilith estava lá? – aquilo o preocupou, por que sua filha não havia lhe contado aquilo? – Não se preocupe, Prince – disse ele apontando a varinha para a comensal – não vai doer.

Com maestria entrou na mente da moça, as imagens da reunião estavam muito claras, com certeza ela não as tinha alterado. A maior parte foi um diálogo tedioso com Dumbledore e a chegada dos convidados. Sorriu quando viu Potter remendado, ficou até surpreso pelo velho diretor não o ter curado, aquilo claramente era um castigo. O tédio acabou quando ele a viu. A postura, era a mesma que mantinha na frente dos comensais, e o olhar ficou ainda mais duro quando o dirigiu ao Potter. Ficou com receio quando percebeu o tom de voz que usou com Alexandra, mas admirou a parte a qual falou sobre proteger os comensais. Até que ele viu aquilo. Ela havia reforçado a marca da outra, e foi na frente de todos. Chegou até mesmo a sentir a queimação no braço que Prince havia sentido. E, embora a comensal tenha mantido a cabeça baixa, pôde vislumbrar o semblante sério que todos traziam no rosto e o olhar vazio de Dumbledore. Aquilo ficou gravado em sua mente.

- Dê-me seu braço. – a moça prontamente o estendeu, o Lorde das Trevas avaliou o trabalhado de Hermione, estava perfeito - Está dispensada. – o rosto dele estava vazio de expressão e a cabeça cheia de pensamentos.

Ao sair da sala Alexandra sorriu em triunfo, dessa vez ela tinha ferrado a Lady Insuportável.

OoOoOoOoO

- Bom dia. – a voz estava baixinha em seu ouvido, perto o suficiente para sentir o hálito de menta em seu rosto – Hora de acordar.

Ela abriu os olhos devagar e tentou assimilar o ambiente, ainda estava sonolenta quando viu o rosto de Severo lhe sorrindo. – Que horas são? – sua voz ainda estava meio mole.

- Oito horas. – ela sentou-se bruscamente – Calma. – deu uma risada – Relaxe.

- Mas o café... – e foi aí que ela reparou na cama.

- Está aqui. – ao pé da cama estava algo parecido com uma bandeja, só que maior.

Metade da mesa de Hogwarts estava ali. Pães variados, alguns sanduíches, tortas, doces e um surpreendente brownie de chocolate. – Para beber nós temos café preto, chá de menta, suco de laranja e chocolate quente.

Ela olhava pra aquilo admirada, sua boca abriu e fechou duas vezes antes de falar – Como você adivinhou que...

- Eu não adivinhei, simplesmente presto atenção em você. Observei o que você costuma comer no café da manhã. – ela a olhou divertido esperando para ouvir o que ela iria dizer.

- Uau... – ela suspirou – E quem você espera que coma isso tudo?

- Nós dois. – ele serviu um pouco de café para si mesmo – Torrada?

Hermione estava maravilhada com o que via diante de seus olhos – Deixe me pelo menos lavar o rosto e ajeitar o cabelo.

- Não. Eu gosto do jeito que você acorda. – e puxou uma mecha do cabelo dela.

- Bom, Severo, eu não estou reclamando nem nada, mas qual é o motivo disso tudo? – ela havia acabado de pegar um copo de suco.

- Motivo número um: você merece um dia de descanso, tem passado por muita coisa. Motivo número dois: estou de bom humor – ela continuava o olhando em descrença – O quê? – ele deu uma risada com um pedaço de torrada na boca, aquilo fez Hermione rir – Estou falando sério.

- Se você está dizendo... Não vai subir até o salão? – ela finalmente começou a comer.

- Não, não pretendendo ter o desprazer de olhar para a cara de nenhum aluno hoje, pelo menos não durante uma refeição.

- Mas a nossa ausência não será notada? Nós dois não aparecendo no café... Vai ficar estranho. – parecia um pouco preocupada.

- Para quem sabe sobre nós. Se alguém mais notar, vão deduzir que estamos trabalhando ou algo assim. – e sorriu sarcasticamente – Provavelmente serei o vilão do dia por te manter aqui presa enquanto poderia estar aproveitando o final de semana com seus amigos.

- Você, literalmente, não existe. – e suspirou.

O café da manhã dos dois foi tranquilo, Severo e Hermione conversaram sobre amenidades. Ela finalmente conseguiu levantar-se da cama e tomar um banho e ele pegar o planejamento da semana. Ela ainda não havia tocado no assunto do jantar, então ele teria que perguntar. Ambos estavam com papéis nas mãos, Hermione com uma montanha de deveres e ele com uma montanha também de deveres, só que para corrigir.

- Hermione, - e pigarreou – como foram as coisas ontem à noite?

- Meu Merlin! – ela exclamou e ele tomou um ligeiro susto – Eu me esqueci de contar. – e balançou a cabeça – Sabe aquela casa onde aparatamos? – ele meneou um sim – Voldemort a comprou para mim.

- O quê?! – ele chegou a engasgar – Ele te deu uma casa? Aquela casa?

- Sim. E quando o questionei, disse para eu considerar como dezessete anos de presentes atrasados. – deu uma risada – Dá para acreditar?

- Realmente... Eu nunca esperei por algo assim. – e suspirou – Você acha que ele está se apegando a você?

- Sinceramente? Se fosse só pela casa eu diria que não, mas o que me tocou foi à localização dela. A casa é em Greenwich, ele a comprou lá para que eu pudesse ficar perto dos meus pais. – ela ficou com os olhos distantes – Eu não sei o que pensar sobre ele, Severo. Realmente não sei.

Silêncio pesou no ar, ambos olhavam para frente sem mirar nada em específico. Ele entendia a confusão de Hermione, só não queria perdê-la, mas não sabia de que maneira a traria de volta. Aquele jogo era perigoso, o que Potter fez ajudou o Lorde das Trevas, ambos sabiam disso. A preocupação dele naquele momento era, principalmente, que ela não saísse machucada, nem fisicamente e muito menos sentimentalmente.

- Pode parecer que não, mas eu te entendo. – ambos balançaram as cabeças.

- E eu não quero falar isso para o diretor. – ela o olhou com um pouco de receio.

- Tudo bem. Não irá sair daqui. – aquilo o preocupou um pouco, mas pelo menos não estava escondendo nada dele.

- Bom, assim que você puder sumir por uns dois dias me avise. - e sorriu – Temos mobília para comprar.

- Como? – a mente dele ainda estava um pouco desfocada.

- Mobília, Severo. – Hermione o olhava com obviedade – Casa nova, móveis novos.

- E você quer que eu vá? – pergunta idiota, ele pensou.

- Vamos dividir um quarto, né? Sua opinião seria importante. – ela fechou os olhos em arrependimento – Não era para eu ter falado isso.

Ele custou um pouco a assimilar a frase e pouco a pouco foi sorrindo – Você está falando sério?

- Estou – a voz da moça saiu baixa – mas se você não quiser...

- Se eu não quiser? – deu uma risada sarcástica – Será que meus ouvidos me traíram ou eu realmente ouvi que a intragável sabe-tudo Granger está querendo dividir um quarto comigo?

- Ah Severo, não seja ridículo. – e deu um tapa no braço dele – Eu só falei porque...

- Hermione. – o mestre em poções tomou uma das mãos da moça e a olhou dentro dos olhos – Eu não poderia querer qualquer coisa no mundo além disso. – beijou a mão dela – Sinceramente, não sei o que viu em mim, mas sei que não pretendo te deixar partir, nunca. Sou bem mais velho – "só dezenove anos, pare com isso Severo." Ela falou, ele a ignorou – difícil de lidar – "eu sou pior" – sonserino – nessa parte ambos riram – e minha vida é incerta. Você sabe tão bem quanto eu que posso morrer a qualquer momento.

- Bem, você não pode mais usar esse artifício; minha vida corre tanto risco quanto a sua. – suspirou – Estou na mesma batalha que você, não posso me dar ao luxo de cometer um só erro. Se pisar um pouquinho fora da linha aqui, Harry vai tentar me matar.

- E lá também, o Lorde das Trevas faria o mesmo. – ele a olhou seriamente.

- Será? Eu não acredito muito nisso. – ela falava com tanta convicção que chegou a assustar Snape – Ele, no máximo, me manteria prisioneira ou algo assim, nesse aspecto posso dizer que confio nele. Tom nunca iria me matar.

- Não confie nele. Esse é um risco grande demais. – deu um leve beijo na mão da garota – Um risco que nós dois não podemos correr.

- Você não estava lá, Severo. Não sabe como é, ele realmente me trata com carinho. É esquisito, eu sei, mas comigo ele é diferente. É como se fosse humano outra vez.

- Não vou discutir isso com você. Quero que descanse hoje, tudo bem? – e deu um beijo na testa dela.

Hermione viu que Severo estava se levantando – Onde você vai?

- Esqueci de dizer que tenho uma reunião com Dumbledore. Dados da Ordem para que eu possa repassar ao Lorde das Trevas. – detestava ter que esconder algo dela.

- E eu não posso participar? – ela perguntou com curiosidade no olhar.

- Se quiser ir tudo bem, mas não vai ser nada demais. E, pelo que eu me lembro, alguém aqui disse que tinha que estudar e começar uma pesquisa sobre poções. – e piscou um dos olhos para ela. Snape sabia, a melhor maneira de mentir era induzir a pensarem que estava falando a verdade sem aparentar estar forçando aquilo.

- Ok então, vou ficar estudando. Já que não subi para o café, e não vou ter fome tão cedo, vou ficar por aqui mesmo. Quando te verem vão pensar que estou doente ou algo assim. – ele já estava na porta quando ela falou – Ah! Severo, se você topar com Gina por aí pode pedir para ela vir aqui? Sabe como é, coisa de garotas. – e deu um sorrisinho.

Em horas como aquela que o mestre em poções se lembrava de como Hermione ainda era jovem, por mais que aparentasse uma força e fibra descomunais, ainda era jovem. – Pode deixar. – e bateu a porta atrás de si.

OoOoOoOoO

Severo Snape andou com a mente perdida por entre os corredores, estava assustado com o que tinha ouvido. Dumbledore tinha razão, o vínculo de Hermione com Voldemort estava tornando-se forte. Tinha medo por ela.

Ele obrigou-se a passar por perto do salão principal, deduziu que, por conta do horário, a maioria dos alunos estariam ali. Ao longe avistou os cabelos cor de fogo pertencentes à Weasley, ela estava acompanhada de Longbottom. Aquilo seria divertido.

- Weasley. – disse Severo em seu costumeiro tom mordaz, mas um brilho nos olhos dele indicavam um pouco de divertimento.

- Sim, professor Snape. – Gina sorriu para ele, fato que deixou Neville apavorado, ela estava se divertindo com a situação tanto quanto ele.

- Está ocupada? – nenhum dois pôde deixar de reparar nos pequenos tremores que assolavam o rapaz grifinório, o qual agora estava com o corpo um pouco rígido e de cabeça baixa.

- Não, por que a pergunta? – um sorriso angelical tomava conta do rosto da garota, o professor estava fazendo força para não rir.

- É que Hermione pediu – e deu ênfase ao nome, não pôde deixar de perceber como os olhos de Neville haviam se arregalado – para, se caso eu te encontrasse, dizer que ela quer falar com você. À propósito, a senha dos aposentos dela continua a mesma.

Os olhos da grifinória brilharam, hoje ela saberia de todos os detalhes. – Irei descer agora mesmo. – Snape já estava se afastando quando ela falou – Professor! – ele virou para trás – Temos que marcar um dia para o nosso próximo chá, tenho mais curiosidades sobre aquele assunto para contar.

O corredor estava vazio, aparentemente a presença de Snape dispersava multidões. Aproveitando a suposta privacidade do local ele deu uma risada seca – Ah sim Weasley, nós marcaremos.

Quando Gina olhou para trás, Neville havia caído sentado no chão. O rapaz estava branco – Mas-mas é o Snape!

- Eu sei, pelo que me conste ele não estava disfarçado, deu claramente para ver o rosto dele. – disse ela com deboche enquanto gesticulava.

- Ele riu! – o rapaz falou com uma voz esganiçada.

- Todo mundo ri, Neville. Pare de ser idiota. – e jogou uma mão pra cima – Eu te disse que ele é legal. – o ajudou a se levantar – Bom, vou descer para ver a Hermione. Você poderia vir junto, mas os aposentos dela são do lado dos do professor Snape, acho que você teria um ataque cardíaco se ele aparecesse atrás de você. Enfim, tchau Neville. – e saiu andando em direção as masmorras.

Snape havia ficado parado atrás de uma pilastra a fim de escutar o que Longbottom iria dizer, e divertiu-se com o breve diálogo. Gina Weasley, aquela garota poderia ter sido sonserina. Faltavam dez minutos para o meio dia, rumou direto para o escritório do diretor. Que viesse a bendita reunião, a semana já fora recheada delas, mas essa... Essa era a que mais o preocupava.

OoOoOoOoO

- E você precisava ver a cara do Neville. – Ginevra havia acabado de chegar aos aposentos da atual professora adjunta de poções – O Snape é um sacana – e deu uma risada – Nem eu acreditaria em mim mesma se eu mesma me dissesse que eu iria gostar dele. Essa frase ficou confusa né? – ambas riram – Ah, você entendeu. – a moça tinha o mesmo costume da amiga, e assim que tirou os sapatos, jogou-se no tapete cor de creme – O que tem pra comer aqui?

- Você não almoçou? – nem ela mesma havia comido.

- Não, estava indo para o almoço quando ele me avisou. – avistou a foto a qual ela e Harry estavam presentes, suspirou em nostalgia, mas Hermione não percebeu.

- Você poderia ter almoçado, o lema do seu irmão não é "comida em primeiro lugar"? – e a olhou divertida.

- O dele pode ser esse, mas no momento o meu é "fofoca em primeiro lugar". Pode ir me contando. Como é que ele foi? Doeu? Você sangrou? – ela mal parou para respirar – Sei lá cara, Snape é homem, sabe? Deve ter sido anos luz melhor do que a minha primeira vez com Harry.

Aquela bateria de perguntas foi pegando Hermione de surpresa. A cada pergunta que a moça fazia, o tom de vermelho que o rosto dela havia tomado ia se intensificando – Bom, eu não sei o que falar... É, foi bom, quero dizer, foi mais do que bom – suspirou – foi ótimo.

Ambas sorriram – Tá bom, fico feliz que tenha gostado. Maaaaaas, pode ir contando os de-ta-lhes.

- Ah Gina, desse jeito só falta você querer saber o tamanho do... – a outra sorriu com malícia e balançou a cabeça em um sim – Não! Aí também já é demais.

- Mione, esse tipo de conversa é normal. O que as garotas mais fazem é comparar tamanho de paus alheios. – falou naturalmente.

- Mas eu não quero comparar o tamanho do pau de ninguém! – exclamou em sussurro, como se alguém pudesse surgir a qualquer momento.

- Sabia que você seria dessas. – e deu uma risadinha.

- Dessas o quê? – a moça de cabelos castanhos estava confusa.

- Que fazem de tudo e não falam de nada. – e se aproximou da amiga – Só quero que responda a uma pergunta pelo menos. – o olhar tornara-se sério – Você já...? – e olhou sugestivamente para trás.

- O quê?! – Hermione levantou-se rapidamente e pôs as mãos no bumbum por puro reflexo – É lógico que não! Tá maluca?!

- Calma Hermione, perguntar não ofende. – a ruiva gargalhava ao ver o desespero de sua amiga.

- Então pare de perguntar sobre a minha bunda. – ela finalmente riu. – Você é ridícula.

As duas decidiram pedir um pequeno almoço. Chegaram a um consenso sobre comerem torta de rins e beberem suco de abóbora. Após terem terminado a refeição, Hermione levou a conversa para outro rumo.

- Tenho que te contar uma coisa, mas prometa que não irá falar sobre isso para ninguém. – o semblante dela havia se tornado sério – Somente Severo sabe e quero que continue assim.

- Você não precisava ter me pedido isso, mas tudo bem, não irá sair daqui. – a ruiva estava curiosa.

- Ok. – parou um instante – Voldemort me deu uma casa de presente. – falou rapidamente e deu um sorriso irônico – Dezessete anos de presentes atrasados, nas palavras dele.

- Uau! – e respirou fundo – Eu não sei nem o que dizer. – os olhos da moça estavam excessivamente abertos.

- Pois é, e tem mais. – ela falava animadamente – Ele comprou a casa em Greenwich, fez todo um discurso sobre não aprovar muita proximidade com os meus pais, mas comprou lá por causa deles.

O queixo de Gina caiu – Hermione, Voldemort está começando a gostar de você! Não sei se fico aliviada ou com medo. O ponto positivo nisso tudo é que, com certeza, ele não está pensando em te matar.

- Eu disse isso mais cedo para o Severo, ele não está tão otimista, mas fazer o que, né? – rolou os olhos – E detalhe, Voldemort deixou claro que só escolheu os lustres e o piano, "ele gosta de música clássica", mas que tirando isso, eu posso mobilhar do jeito que quiser.

- Você tem um piano?!

- Sim, tenho um piano! – ambas estavam rindo.

- Isso é tão irreal. Não dá pra acreditar que aquele maníaco consiga ser gentil.

- Eu sei. – Hermione esfregou o rosto com as mãos – Às vezes tenho que me dar tapas para lembrar com quem estou lidando. – quis sair daquela parte do assunto, não se sentia confortável falando sobre Voldemort com outras pessoas – Você entende alguma coisa de decoração?

- É impossível passar duas férias seguidas com a Fleur e não aprender um pouco sobre o assunto. – a ruiva revirou os olhos – Ela é bem irritante.

- Bom, se você puder ser acometida de uma leve doença, acho que poderíamos ver algumas coisas hoje. Ainda está cedo e o centro comercial de Londres só fecha as dez.

- Mas como vamos comprar essas coisas? Você tem dinheiro trouxa?

- Gina, nem só de Beco Diagonal os bruxos vivem. Londres tem uma parte comercial bruxa, podemos ver tudo lá.

- Até aí tudo bem. Mas temos duas questões. A: como vamos sair da escola. B: como vamos pagar tudo isso.

- Questão A, você tecnicamente passará o dia na ala hospitalar com algo supostamente contagioso e não poderá ser visitada. Questão B, eu tenho dois milhões de galeões no banco, deve dar pra comprar alguma coisa. – levantou uma sobrancelha, a cada dia estava ficando mais parecida com Snape.

Gina Weasley ficou com a boca entreaberta, parecia incapaz de falar qualquer coisa. Piscou os olhos uma meia dúzia de vezes e suspirou – Dois milhões? – a voz dela estava saindo baixa – Você tem dois milhões de galeões?

- Sim, eu tenho, e estava querendo mesmo conversar com você sobre isso. – Hermione ajeitou o corpo de modo a ficar de frente para a outra – Gina, eu sei que esse dinheiro não foi ganho de maneira correta e muito menos é limpo. Essa quantia foi repassada a mim por ele, e por mais que eu possa gastar dinheiro, sei que vou ter de onde ganhar dinheiro. É horrível me ouvir falando assim, mas é verdade. Já tenho uma casa, praticamente uma carreira e bem, pretendo investir em alguma coisa, mas nada muito exorbitante. – parou um pouco para tomar ar – Não quero que você se ofenda, mas você é minha melhor amiga. Quero que abra uma conta no Gringotes. Quero repassar um valor para você.

- Mas, Hermione, eu não quero que...

- Somente escute, está bem? A guerra não é brincadeira, Gina. Pessoas morrem e eu posso me tornar facilmente uma delas. Você é o que eu tenho mais próxima de uma irmã. – pegou na mão da menina – Nós duas somos uma família. Eu sei que os seus pais não aceitariam isso de jeito nenhum, mas não quero e nem vou deixar você desamparada. Aceite, mesmo que deixe o dinheiro parado no banco, mas aceite.

Aquela frase puxou Gina de volta a realidade que estavam vivendo, a qualquer momento sua melhor amiga poderia sair e não voltar. Ela que sempre fora sua companhia em todas as conversas e confidências, risadas e lágrimas, e Merlin sabia o quanto Hermione já a consolara por causa de Harry. Ela gostava de ignorar a realidade da guerra, muitos a achavam avoada e infantil por conta disso, mas só não queria encarar o fato de que seus amigos e família poderiam morrer por conta de um simples passo em falso.

- Obrigada. – suspirou com os olhos marejados – Eu amo você, Hermione.

- Eu também amo você, Gina.

Ficaram um tempo em silêncio, cada uma com seus próprios pensamentos. Até que Hermione tomou a palavra – Vou esperar Severo voltar. Ele foi fazer alguma coisa no escritório do Dumbledore, quando ele chegar vou falar sobre nossa suposta saída. De acordo com a resposta dele nós vamos.

- Mas será que Dumbledore não vai implicar? Digo, de nós sairmos sem nenhum motivo aparente.

- Dumbledore? Duvido muito. – ela a olhou com ironia – Ele não irá fazer nada para me contrariar, tem medo de me perder.

Gina deu de ombros, mas pensou no que a amiga disse. Realmente Dumbledore tinha que tratar Hermione com cautela, mas será que a amiga se deixaria ser perdida?

OoOoOoOoO

Estranhamente aquela visão havia se tornado um pouco familiar para ele. Fahrah Mountgormay abriu um sorriso quando o viu, estava como sempre radiante. Trajava uma veste simples azul com detalhes em bege, o cabelo estava amarrado em um dos lados do rosto e calçava uma sandália de dedo. Passaria tranquilamente como uma camponesa de umas centenas de anos atrás, e mesmo assim estava linda. Ninguém em sã consciência lhe daria mais do que vinte anos.

- Severo. – se aproximou do homem e, o pegando de surpresa, beijou-lhe ambas as faces – É bom lhe rever.

Dumbledore, ao invés de estar sentado em sua cadeira habitual, havia conjurado poltronas e estava comendo algo que aparentava ser um bolo – Isso é realmente gostoso, Fahrah. Foi muito atencioso de sua parte trazer algo para mim.

A mulher deu um sorriso jovial – Não é nada, Alvo. Sabia que você gostaria.

- Você sempre adivinhou os meus gostos. – ele lambeu os dedos – E como foram as coisas no conselho?

- A mesma chateação de sempre, mas esse ano só sofri duas tentativas de assassinato. No anterior foram cinco. – e olhou para Snape que a encarava com as sobrancelhas levantadas – Questões políticas, meu querido. A maioria dos príncipes e condes não concordam com a lei da medida.

- Lei da medida? – Severo nunca ouvira aquela expressão antes.

- Sim, decretei que todo vampiro tem um número máximo de vítimas por mês ao mesmo tempo em que possuem um limite máximo de crias por ano. – e bufou – A maioria são idiotas o suficiente para discordarem, não enxergam o caos que esse tipo de liberdade traria ao mundo. Se apenas dez por cento da população mundial fosse transformada, a consequência seria algo próximo da extinção humana. Enfim, é algo realmente chato.

Ele somente a olhou em surpresa, nunca imaginara que haviam tantos vampiros no mundo. Dumbledore tomou a palavra. – Bem, você pediu essa reunião Fahrah, não quero interromper essa conversa, a qual eu realmente acho interessante, mas o que está havendo?

A mulher tomou um ar sério - Eu estava na Noruega, o dia foi particularmente ruim, era dia de caçada e senti que já estava sendo seguida há um tempo. – suspirou cansada – Senti um cheiro familiar e fui até um pub que possuía uns quartos. Bellatriz apareceu e me entregou uma carta.

- Ela te seguiu somente para entregar uma carta? – Severo estava confuso – Não parece o estilo dela.

- Em um primeiro momento pensei a mesma coisa. Ela não estava na defensiva e me entregou o papel, antes de eu abrir a carta ela explicou que Tom havia pedido que a entrega fosse em mãos. – o semblante dela ficou um pouco duro e triste ao mesmo tempo – Eu comecei a lê-la. O conteúdo não era dos mais agradáveis. Tom me descreveu um sonho, aliás, um pesadelo que Hermione teve. Fiquei preocupada. – Todos na sala se olharam e como nenhum dos homens se surpreenderam, Fahrah deduziu que eles já sabiam.

- Mas afinal, qual foi o conteúdo desse pesadelo? Ela não quis me dizer. – Severo havia relaxado um pouco a postura.

- Estou surpresa por ela não ter contado. – e o olhou em curiosidade.

- Ela acordou agitada, até chegou a rasgar a roupa de cama. Eu a pressionei, mas ela não abriu a boca, não quis nem conversar com Dumbledore, infelizmente preferiu falar com o Lorde das Trevas.

- E como ela fez contato? – Fahrah queria entender a situação.

- Com um anel. – Snape explicou o mecanismo do anel que Voldemort havia presenteado Hermione, a confiança da moça do Lorde das Trevas também era uma preocupação compartilhada entre todos ali presentes – O fato de ela ter escolhido ele me assustou, não posso negar isso.

- Bom, posso presumir então que estão dormindo juntos. – ela viu que o homem ficou tenso – Isso me alivia ao mesmo tempo em que me preocupa. – e olhou para o diretor – Alvo, você poderia nos dar licença só por um instante?

- É claro. Vou aproveitar e ler umas revistas de crochê, meus pontos andam muito disformes. – ambos olharam o ancião subir um pequeno lance de escadas enquanto tentavam segurar o riso. Após a porta bater, Fahrah retomou a conversa.

- Severo, não estou aqui para te dar um sermão, embora eu queira fazer isso, mas sim para obter uma resposta clara. Você e Hermione tiveram relações sexuais? – ele chegou a corar e automaticamente abaixou os olhos – Pela ausência de resposta eu imagino que sim. – ela conjurou um copo de bebida e esvaziou um frasco nele – Infelizmente não posso passar sem isso. – disse quando viu que o homem observava a bebida em sua mão – Eu perguntei por que é importante. Acredito que nem você e nem ela sabiam o que estavam fazendo. E antes que você proteste, não estou falando em arrependimento, vejo que realmente gosta dela e que a quer bem, mas o fato de terem dormido juntos acarreta consequências.

- Eu não entendo... – ainda estava se sentindo mal por ter tido sua intimidade exposta.

- Você já ouviu falar em casamento vampiro? – ele fez que não com a cabeça – Então eis a minha história: casei-me sem ao menos saber disso. Vladslav concretizou o casamento sem que eu soubesse o que estava fazendo, não posso dizer que fui forçada, aliás, fui forçada a me transformar, mas não em ir para a cama com ele.

Ela levantou e começou a andar ao redor do escritório como se estivesse revivendo a própria história. – O casamento vampiro consiste em três etapas: troca de sangue, queima de alianças e junção de corpos. O casamento bruxo é poderoso, conecta as pessoas, mas pode ser desfeito. E essa é a diferença, o casamento bruxo conecta pessoas, o vampiro conecta almas. – e suspirou – Ao contrário do que muitos pensam nós possuímos alma, uma forma mais bruta dela por assim dizer, mas é a anima que mantêm os nossos corpos vivos. Não é por falta de vida que precisamos de sangue, é por falta de alma. A vitalidade contida no sangue de uma pessoa nos concede uma parte espiritual mínima, a qual equivale a um fio de alma branda, isto é, a parte sutil e fluída da alma. – e finalmente olhou para ele – Uma das coisas que mais incomoda o conselho é o fato de eu estar viva. Fui casada com o famoso conde Drácula, e mesmo após de eu mesma mata-lo, ele continua vivo, dentro de mim. Um resquício de alma bruta.

- Estou acompanhando, mas eu e Hermione somos humanos. – ele a encarava seriamente, não sabia até onde aquilo iria chegar.

- Eu também pensava assim. Até semana passada. O pesadelo dela... ela estava se preparando para um bote, estava se jogando em cima de corpos ensanguentados. – parou na frente do homem – Severo, ela sonhou que estava com sede.

Aquela notícia caiu como uma bomba sobre ele, abaixou a cabeça e a apoiou nas mãos, tentou acalmar a respiração e quando ia falar algo, Fahrah o interrompeu – Vou chamar Dumbledore, está na hora de ele ficar ciente disso.

OoOoOoOoO

- Espero que você não tenha tido muito trabalho para chegar aqui, Williamson.

- Dei um jeito de escapar do ministério, não é qualquer dia que se recebe uma mensagem por patrono de Harry Potter.

Williamson era um auror de baixo escalão, por assim dizer. Tinha muita ambição e Harry quis aproveitar aquilo a seu favor. Ambos estavam escondidos na mesma clareira em que havia atacado Hermione.

- Sorte a nossa que as barreira de Hogwarts permitem a entrada de aurores. Preciso de um favor seu. – o rapaz chegou mais perto do outro – Temos que matar alguém.

- Mas Harry...

- É alguém muito poderoso do lado das trevas. Eu mesmo fui atacado e minha tia quase morreu por conta dela.

- Dela? Não estou entendendo.

- Veja Williamson, ser amigo de Hermione há muitos anos me fez ter um certo tipo de interesse em alguns feitiços. Descobri uma variante do feitiço fidelius e eu mesmo serei o portador dele, por isso somente eu poderei falar em nomes.

- Sim. – o homem estranhou, mas não falou nada – Mas posso saber de quem se trata?

- Ainda não, quero convocar uma reunião com pessoas da minha confiança. – Harry o encarou com determinação – Avise Dawlish, Savage, Proudfoot e Robards. Diga-lhes que os quero aqui amanhã por volta da meia noite, não preciso pedir para não contar o teor da reunião, de qualquer forma você não irá conseguir. Precisaremos de um plano e você, Williamson, é o melhor deles. Posso contar contigo? – e estendeu a mão.

- Hoje e sempre. – o peito do homem estufou e, após despedir-se com outro aperto de mão, o auror foi até os portões para poder desaparatar.

Harry sabia que aqueles aurores não eram, nem de longe, os melhores. Mas todos tinham ambição e vontade de crescer. Teriam que servir, a descarga de raiva de Hermione em Petúnia não passaria impune, ele queria brincar. Matar Hermione deixaria Voldemort louco e era isso que ele faria. O ataque a Petúnia fora um tapa sem mão, e embora não gostasse da tia, aquele gesto mostrava a impotência dele. Agora tinha se tornado pessoal.

OoOoOoOoO

Ano 977

– Prazer, o meu é Salazar. – e a encarou com os olhos. – Sabe, Almira, - posso te chamar de Almira, certo? – estou muito longe de casa, um pouco perdido para falar a verdade. – olhou ao redor como que apreciando as árvores.

- E o que o senhor espera que eu faça? – a mulher, que já havia se recomposto, endureceu a postura. Ele gostou daquilo.

- Um lugar para passar a noite, por exemplo, seria muito bom. – e deu de ombros como se aquilo não fosse nada demais.

- Impossível. Meu marido está na guerra e... – imediatamente arrependeu-se de ter falado aquilo, agora o tal Salazar saberia que estava sozinha.

- Mais um bom motivo, poderei defendê-la na ausência dele. – ele falou com praticidade antes de morder uma maçã.

- Repito, meu senhor, será impossível. Não poderia hospeda-lo na ausência dele, nenhum homem, a menos que fosse um parente. E mesmo assim... as pessoas falariam. – será que aquele homem era incapaz de entender o óbvio?

- Eu tenho ouro. – de repente a voz dele tornou-se fria – E gostaria que a minha estadia na sua casa, porque eu vou ficar lá você querendo ou não, fosse no mínimo, agradável.

Aquela sentença apavorou Almira, a mulher largou os baldes de água e começou a correr. Já havia percorrido uma distância quando ouviu um pequeno estalo, o homem havia acabado de materializar-se do nada em sua frente. Literalmente.

- Feiticeiro! – gritou desesperada.

- É uma descrição que se enquadra, realmente. – ele parecia entediado – O caso é: eu vou ficar na sua casa, ninguém vai saber e você será muito bem paga para isso.

- Mas.. mas por quê? – ela não conseguia mais esconder os tremores que tomavam conta de seu corpo.

- Um passarinho me deu uma preciosa informação. – e lhe dispensou um sorriso frio – Eu preciso conhecer sua filha. Tenho que vê-la com meus próprios olhos.

Sem perceber o que estava fazendo, Almira avançou em direção a ele com o rosto em brasas. O medo havia passado, o instinto maternal estava falando mais alto. – Você nunca encostará em Kaehlla!

- Ah! Então esse é o nome dela? – e balançou a cabeça em concordância – Uma excelente escolha, devo dizer. – a mão da mulher foi em direção a ele com a pretensão de lhe dar um tapa, Salazar segurou o punho dela antes que o encostasse – Almira – ele a olhava com seriedade – você não entende. Pessoas virão atrás de sua filha, não quero o mal daquela criança, muito pelo contrário. Se eu pudesse escolher, com certeza não estaria aqui nesse lugar cheio de trouxas. – ela franziu o cenho ao ouvir aquilo, mas devagar sua respiração foi se acalmando – Estou devendo um favor para uma pessoa, proteger sua Kaehlla até atingir um ano é o que tenho que fazer. – os olhos azuis encaravam os dourados – Eu ficarei em sua casa mesmo contra a sua vontade. Se fosse menos obtusa enxergaria as vantagens de ter Salazar Slytherin hospedado em sua simples choupana. Mas é claro que você não poderia saber quem sou, seu sangue é imundo. – e já ia se virando em direção ao vilarejo puxando a mulher pelo punho.

- Se sou tão imunda como diz, por que quer saber tanto sobre minha filha? – ela, mesmo amedrontada, o perguntou em tom de desafio.

- Tenho uma leve suspeita de que o sangue dela é milésimas vezes melhor do que eu seu, mas isso só poderei dizer quando a vir.

Antes de chegarem à parte descampada próxima a entrada do vilarejo, Almira percebeu que o tal Slytherin puxou um fino bastão do meio de sua vestes. Parecia um graveto de madeira, mas, mesmo assim, a assustou. Ele apontou aquilo para o alto da própria cabeça.

- Você não vai mais me ver, mas ainda estarei aqui. – ele realmente desapareceu, mas ao forçar os olhos na direção onde ele estava antes, Almira conseguia enxergar algo, como se a transparência que o encobrira tivesse um leve contorno e que demorava um pequeno tempo para assimilar o lugar quando se movimentava – Vá direto para casa. Quando chegarmos lá conversaremos.

Ao chegarem à casa dos Mountgormay, a mais bela do povoado, a mesma que Salazar considerava pobre, o bruxo desfez o feitiço da desilusão que havia lançado sobre si. A mulher o olhou com raiva – Por educação eu deveria perguntar se gostaria de se refrescar, não que você mereça, mas graças a sua aparição no riacho, não tenho água nenhuma.

O homem riu com deboche – Pegue todos os baldes e vasilhas que tem e os ponha aqui. – disse apontando para um canto próximo a uma porta que dava para algum lugar atrás da casa. Almira estranhou o pedido, mas mesmo assim o atendeu.

Ele achava trouxas extremamente tediosos, infelizmente aquilo era necessário. – Aguamenti. – todos os baldes se encheram.

- Mas como... – ela estava surpresa.

- Não foi você mesma que me chamou de bruxo? – expressou praticidade na voz – Ande logo e pegue sua filha, quero saber se ela é a criança.

OoOoOoOoO

Dias atuais

- Existe um elixir para conter isso. – todos a olhavam com atenção – Eu mesma já o usei por muito tempo... Não preciso dizer que não é a mesma coisa.

- E o que falta para você conseguir isso? – Severo expressava uma mistura nervosismo e deboche.

- Eu fui até a Dinamarca, Severo. Acha que não estou fazendo nada? Antes de ela ser sua namorada, é minha filha. – ela desconsiderou o tom de voz do homem, sabia que ele estava nervoso.

- E então... – o outro a olhava em esperança.

- O preparador está morto, Alvo. – respirou fundo enquanto segurava a ponte do nariz com as mãos.

- Mas e se ela não beber nada? Será que ela está mesmo necessitando disso? – o cenho de Severo estava franzido.

- Levante as mãos aos céus e agradeça por nunca ter presenciado um vampiro com sede. – o olhar dela escureceu – Não estou dizendo que ela esteja com sede, mas sim que o subconsciente dela está começando a manifestar esse desejo. Aquele dia no ataque também não ajudou. Você presenciou o estado dela. – mordeu levemente os lábios – Aquilo foi ódio. A adrenalina a instigou a querer beber. Achei que seria um fato isolado, não é como se ela fosse atacar alguém se visse um corte ou algo assim. Mas... As coisas estão se complicando. – respirou profundamente e falou em um tom mais baixo – Se a sede se fizer presente, aí sim teremos problemas. Não creio que Hermione atacaria alguém que amasse. – uma sombra de sorriso passou pelo seu rosto. – Ela é muito forte. Mas temos um porém.

Dumbledore que havia ficado calado até então, resolveu falar – E qual seria esse porém?

- Pelo que me conste, alguém como ela não existe ou existiu. Não estou dizendo que fui a única a produzir um mestiço, mas nenhum deles chegou à idade dela sem assumir a forma vampira. Vejam, se um mestiço passar a viver como um vampiro e se alimentar com regularidade, poderá viver por um longo tempo. Não sei se morrerão ou se viverão como nós, mas a única diferença é que não podem transformar ninguém. – serviu-se de um copo de whisky, Severo não havia reparado a garrafa ali. Provavelmente Dumbledore a teria posto para agradar Fahrah – Já os que não quiseram se alimentar... Morreram cedo, não passaram da infância. Parece que o corpo não lida bem com isso.

- Você está nos dizendo, que se Hermione não beber sangue vai morrer? – um brilho estranho se apossou dos olhos do mestre em poções, pareciam lágrimas.

- Eu não sei, Severo. – ela baixou o olhar – Existem teorias sobre poções, mas são muito vagas.

- Onde eu consigo isso? – ele levantou-se de um súbito assustando os outros – Quem tem essas informações?

- Eu tenho. – Fahrah também levantou e colocou a mão desocupada no ombro dele – Trouxe todas as referências que pude achar. A pergunta é: você é tão bom quanto dizem? – ela falava sério, não trazia nenhuma referência de deboche.

Snape já ia abrir a boca para responder, mas Dumbledore se fez ouvir – Ele é o melhor, Fahrah.

O ambiente ainda estava tenso, mas parecia que todos estiveram segurando uma imensa quantidade de ar dentro de si. Todos expiraram ao mesmo tempo.

- Vocês devem ter imaginado o porquê de eu não ter contado isso para Tom. Embora ele não a tenha deixado matar no dia do ataque, não sei como reagiria a essa notícia. Ambos sabemos como ele é fissurado na ideia de vida eterna. – a mulher deu um sorriso irônico – Implorou para eu o transformar quando era jovem, mas eu não quis. Depois tentou tornar-se eterno por magia e, bem, todos sabemos o que houve.

- Eu acho que você deveria contar. – Snape e Fahrah voltaram o olhar para Dumbledore – Ontem à noite eu presenciei algo que nunca pensei que viria. Tom expressou carinho. Eu vi, deu até para sentir.

- Eu não acredito, Alvo. Com todo o respeito, conheço o modo do Lorde das Trevas trabalhar, ele engana as pessoas. – os olhos de Severo ficaram vazios, ele mesmo fora enganado para entrar nas fileiras de Voldemort.

- Então me respondam uma pergunta, por que Voldemort não entrou em Hogwarts? – os olhos sob os oclinhos de meia lua iam de um para o outro – Ele sabe que Hermione consegue aparatar aqui dentro, então por quê? – ninguém falou – Eu digo o porquê, ele não quis estragar a noite dela. Esse é o único motivo plausível.

O silêncio caiu na sala como uma pedra, dava para ver a mente de cada um trabalhando em alta velocidade, ninguém conseguiu algo para contestar Dumbledore.

- Eu prometo que pensarei no assunto. – Fahrah disse cansada – Mas se eu decidir contar, direi que vim aqui primeiro. Se for para contar, que seja a história completa.

- Estou de acordo. – Dumbledore assentiu ao mesmo tempo que Snape.

- Mas, caso ela passe mal, há algo que se possa fazer? – a voz grave foi ouvida.

- Não sei, Severo. – o semblante dela estava triste – Ela é metade bruxa, algum tipo de poção ou feitiço deve funcionar. De qualquer forma, não tenho a mínima ideia do que ela pode vir a sentir. Só podemos rezar para nada acontecer até termos o elixir em mãos.

Aquela frase deu o assunto como encerrado, nenhum dos presentes tinha algo a mais para falar. Infelizmente aquilo estava fora das mãos deles. Todos traziam semblantes cansados e cada um mantinham suas próprias preocupações. Severo pensava na manhã tranquila e feliz que tivera com Hermione, era como se tivesse pressentido que algo ruim iria acontecer. Logo ele que não acreditava em predições. Logo ele que pensava que sua maior luta era a guerra bruxa. Logo ele que tinha como preocupação a derrota de Voldemort. Em um piscar de olhos tudo aquilo desaparecera, sua vida mudara ao ouvir aquelas palavras. Tinha que salvar Hermione. Pior, tinha que salvá-la dela mesma.

- Fahrah, preparei um aposento nas masmorras para você. Bem distante do de Hermione e do de Severo. Não acho que ela deva saber que você está aqui, isso iria preocupa-la e a fazer deduzir que algo está errado. – Dumbledore deu um ligeiro sorriso – Fez uma longa viagem e é mais do que justo que tenha uma boa noite de descanso. Leve minha capa de invisibilidade. – disse após mexer em uma porta de armário – Severo, ela nunca esteve aqui, se puder conduzi-la... O aposentos são na ala sul, ao lado da estátua de Shimpling. – e se dirigiu a Fahrah – Você vai gostar, além do mais, essa estátua sempre me faz dar boas risadas.

Eles entenderam aquilo como a deixa para saírem. Fahrah andou com curiosidade pelos corredores de Hogwarts, sempre quisera estudar na escola, não tinha a menor dúvida de que iria para a Sonserina, sendo filha de quem era não poderia esperar outra coisa. Mas o destino à fez ser privada de tudo aquilo. Ao invés de estudar e fazer amigos, teve que fugir e matar inocentes para sobreviver.

- Severo. – a mulher andava apressada em direção a eles, Fahrah gelou, mas então lembrou-se de que não poderia ser vista devido a capa que estava usando.

- Minerva. – ele a cumprimentou, tinha a esperança de que não o chamasse para conversar, mas sabia que não seria o caso.

- Está tudo bem com Hermione? – a vice-diretora o olhou com preocupação – Ela não apareceu no café e nem no almoço, fiquei preocupada.

Fahrah observava a mulher com atenção, pelo jeito que falava deveria saber do relacionamento dos dois. Automaticamente simpatizou com ela, aparentava gostar de sua filha.

- Que me conste ela está bem. Passou a manhã estudando e, antes de eu sair, pediu-me para avisar a senhorita Weasley de que queria falar com ela. As duas devem estar lá embaixo agora. – ele detestava ter que dar satisfações, mas aquilo era a melhor maneira de se livrar de McGonagall.

- Menos mal. – a mulher respirou em alívio – Diga a ela que temos que conversar, já decidi o que farei em relação ao cargo dela de monitora chefe.

- Ela vai perdê-lo? – a pergunta foi tão automática que Minerva riu.

- Ora, Severo, não irei te falar. Você iria correndo contar para ela. – e levantou uma sobrancelha – Somente peça para Hermione me enviar um bilhete. Se ela estiver desocupada no fim de semana, melhor. Tenha um bom dia.

Snape resmungou alguma coisa e saiu andando – Quem é aquela?

A voz saiu tão baixa e tão próxima de seu ouvido que quase deu um pulo, havia se esquecido de que estava acompanhado. – Minerva McGonagall – seus lábios mal se mexiam e sua voz era extremamente sussurrada, não havia porque falar alto, Fahrah escutaria com perfeição – ela é a diretora da Grifinória.

- Gostei dela. – a voz da mulher saiu um pouco alta demais, Severo olhou desesperado para o corredor, mas por sorte, não havia ninguém passando – Pareceu-me uma pessoa extremamente gentil.

- Há gosto para tudo. – e revirou os olhos.

Estavam chegando a seu destino quando Fahrah a viu. Hermione havia acabado de sair de seus aposentos e estava na frente deles, abriu um enorme sorriso ao avistar Severo e então parou. – Que cheiro é esse? – sussurrou curiosa para si.

- E o que você está fazendo aqui fora? – ele não perguntava com grosseria, mas sim para desconversar.

- Vou à Sonserina. – ela ainda estava distraída.

- No salão comunal? Você sabe a senha? Por que vai lá? – Severo estava confuso, qual seria o objetivo naquilo tudo?

- Aparentemente Payler ficou com um livro meu. – percebeu que o mestre em poções a olhou em descrença – Deixei meu material de runas com ele... Depois eu explico direito. – e deu as costas, andou uns dois passos e parou – Severo, você esteve com Fahrah?

Ele gelou, ela percebeu – Não, porque eu estaria?

Ela deu uma risadinha debochada – Você mente muito mal. – e o olhou atravessado – Assim que eu voltar conversaremos.

OoOoOoOoO

A ida de Hermione ao salão comunal da Sonserina fora rápida. Severo havia se esquecido que agora ela era professora, bastava encostar sua varinha e pedir para a porta abrir que a passagem se revelava. A entrada dela causou uma ligeira confusão, alguns alunos correram de medo, outros correram para vê-la. Meninos a encarando com desejo – ela estava de calça jeans e blusa de algodão, nada extraordinário, mas todos concordavam que ficava muito mais bonita sem uniforme – e meninas a encarando com raiva contida, toda atenção masculina voltou-se para ela desde o momento em que entrou.

- Payler. – ela falou um pouco alto. Draco, que estava sentado em uma poltrona, acenou para ela e riu do desespero dos outros, continuou a ler sua revista como se nada estivesse acontecendo.

O rapaz alto e musculoso, veio correndo em sua direção, perto dela ele se encolhia ligeiramente. Era engraçado – Sim, senhorita Granger.

- Meu livro de runas. Pedi para você deixar com Severo. Não está com ele então deduzo... – e olhou para ele com uma sobrancelha erguida.

- Si-sim, só um momento. – saiu em disparada até o dormitório masculino, mal Hermione havia se encostado em uma pilastra, o rapaz já voltara com o livro na mão.

Ela o pegou e começou a analisa-lo, olhou a capa, contracapa, a lombada e folheou algumas páginas. Estava em perfeito estado. – Muito bem, obrigada. – dirigiu um sorriso frio – Boa tarde a todos. – já estava de costas quando falou isso e simplesmente saiu.

O salão comunal da Sonserina não era distante de seus aposentos, cinco minutos apenas. Queria ver o que Severo iria lhe dizer. Ele esteve com Fahrah sim, o cheiro da mulher estava sobrepondo-se ao dele, mas o que ela teria feito para seu cheiro ficar tão impregnado daquela maneira? Mesmo se os dois tivessem se agarrado – coisa que ela sabia ser impossível – o cheiro não teria ficado tão... limpo. Não estavam misturados, mas sim isolados. Isso significava uma coisa. Fahrah estava em Hogwarts. E estava nas masmorras.

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- Isso agora é um problema seu, Dumbledore. Qual vai ser a explicação para isso? – Severo o contatou pela rede de flú do aposento que fora destinado para Fahrah.

- Fahrah. – a mulher virou o olhar em direção a cabeça do diretor que apareceu entre as chamas – Você pode não ter convivido com Hermione, mas mesmo assim, é mãe dela – aquela frase a encheu de orgulho – Deduza, o que ela gostaria de ouvir?

A mulher apoiou a cabeça nas mãos e pensou algumas vezes antes de falar – Bom, eu acabei de voltar do conselho, e, apesar de vê-la após o incidente com Potter, não pude passar nem ao menos cinco minutos em sua companhia. Estava com saudades e escrevi a você pedindo um quarto em Hogwarts por uma noite. Como é final de semana, achei que poderíamos passar um tempo juntas. Trouxe umas coisas para ela, tanto da Noruega quanto da Dinamarca. Quero passar um tempo com ela fora das vistas de Voldemort. O fato de eu não ter escrito ou avisado, é porque quis fazer uma surpresa. Severo não sabia e só foi avisado do momento em que me viu em seu escritório, você precisou requisitar a presença dele para me guiar até aqui, visto que eu nunca estive em Hogwarts. Também com o auxílio dele, pude mandar preparar algo como um chá para nós duas, pura e simplesmente pelo fato de ele conviver mais com ela do que eu. Quero saber da rotina dela aqui, e se possível, conhecer pelo menos a menina Gina, a qual ela perguntou se estava bem depois de tudo que aconteceu. – e levantou a cabeça – Está bom?

Snape olhou para ela apavorado – Deuses, esse raciocínio rápido é de família. Não tem nenhuma falha.

- O fato de você ter ficado nervoso quando ela perguntou por mim também vai ajudar, significa que não queria estragar a surpresa, pois a alegria dela é extremamente importante para você.

Até mesmo Dumbledore estava admirado, ela bolou aquilo com muita rapidez – Perfeito, agora é esperar. Severo, mantenha-me informado.

- Sim, Alvo.

Após um breve cumprimento, Snape se despediu de Fahrah e foi até os aposentos de Hermione. Ele rezava para que ela já não chegasse brigando. Ultimamente seu humor estava incontrolável, coisa vampira, talvez? Ele duvidava muito.

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Só deu tempo de ele fechar a porta que ligava os seus respectivos aposentos. Mal sentou-se em uma cadeira, Hermione abriu a porta carregando um livro nos braços. Ao contrário do que ele esperava o olhar dela não trazia raiva. Um traço de expectativa era visto.

- Ela está aqui, não está? – apesar de tudo aparentava confusão.

- Não era para você saber agora... – disse como se tivesse sido pego no flagra.

- É alguma coisa comigo? – ele aproximou-se do homem – Qual é problema?

Ele encarou os olhos castanhos... tão cheios de vida. Lhe doía saber que poderia perdê-la, mas não poderia expressar a mínima preocupação, não na frente dela – O problema, senhorita Granger – e a pegou em um abraço de maneira que seus rostos ficassem próximos – é que você sempre estraga surpresas. – e lhe deu um breve beijo – Deixe esse livro aí e vamos ver Fahrah.

OoOoOoOoO

- E eu aposto que ela vai se ferrar. – e sorriu com escárnio – Você precisava ver a surpresa nos olhos dele.

- Quantas vezes eu vou ter que te alertar para não se meter nisso? – a voz do homem aparentava tédio – Fui seu mentor, te conheço mais do que qualquer um aqui, e aposto a minha varinha que inventou isso de espionar para ganhar a atenção de Severo. – e levantou um dos cantos da boca em uma imitação de sorriso – E adivinhe só, Alexandra: não vai funcionar.

- Você não tem como saber isso. – ela tinha um brilho no olhar – Ele vai me admirar, Richard. Vai ver que estou disposta a arriscar minha vida em prol da causa.

- Severo sempre foi um homem solitário, nunca o vi reivindicando uma mulher para si. Ele está apaixonado pela senhorita Riddle. Qualquer um pode ver isso. – suspirou cansadamente – E mais uma coisa, ele nunca iria querer uma mulher burra como você.

- Está me chamando de burra? – a garota converteu-se em fúria, já estava indo em direção ao outro.

- Estou. Você está falando sobre isso dentro dessa casa pela segunda vez. – eles estavam escorados em uma parede da cozinha, próximos a porta dos fundos – Não é seguro, essa casa tem ouvidos.

- Tenho que concordar com você, Brown. – disse Bellatriz vindo das sombras – Além de ouvidos, essa casa tem olhos, varinha e punhos. – sorriu com sarcasmo em direção à mulher, que agora aparentava surpresa.

- Você tem que parar de se meter na vida dos outros, Lestrange. – raiva fervilhava dentro de Alex, simplesmente não suportava a mulher – Isso é feio.

- "Feio" vai ficar é a sua cara. – Bellatriz já se aproximava a passos lentos. Richard já havia recuado um pouco, o que menos queria era ficar no caminho dela.

Alexandra sabia que aquela mulher não tinha escrúpulos, estava entre a guarda e era uma das melhores comensais. Já não suportava a outra e a suposta amizade dela com a Riddle a enojava ainda mais – Vai perder tempo discutindo comigo, Bellatriz? – a tirou de cima a baixo – Não tem que lamber o chão por onde Milady passou?

Bellatriz Lestrange gargalhou. Richard a olhou assustado, sabia o que aquilo significava. Ainda com lágrimas de riso nos olhos, Bella olhou para outra e disse – Diga suas últimas palavras, Alexandra.

- Vai pro inferno. – cuspiu no chão.

Com um sorriso maníaco, a morena de cabelo revoltos respondeu – Depois de você.

OoOoOoOoO

- Eu pararei por aqui. – disse ele enquanto indicava uma porta de pedra.

- Por que não vai entrar comigo? – a moça levantou uma sobrancelha.

- É um momento de vocês duas. Sabe-se lá o que Fahrah fez para conseguir que Dumbledore a hospedasse. – e riu – Não quero pensar muito sobre isso.

E conseguiu arrancar uma risada de Hermione – Severo – ela fez uma carinha pidona um tanto infantil – Posso te pedir um favor?

O homem revirou os olhos, detestava quando ela fazia aquilo – Diga.

- Mande um bilhete a Gina dizendo que nossos planos foram cancelados – ele a olhou com desconfiança – Depois te conto.

Nunca Severo Snape havia pensado que serviria de garoto de recados para uma jovem, mas lá estava ele, concordando com a cabeça e prometendo fazer isso assim que entrasse em seu escritório.

Hermione suspirou, queria abrir a porta mas algo a incomodava. Era a saudade que havia sentido de Fahrah. Aquilo não a agradava, havia se apegado demais a mulher e isso lhe parecia uma traição, sentia como se estivesse traindo Elena Granger. Estar com Fahrah a alegrava ao mesmo tempo em que a entristecia. Não poderia ficar parada ali no meio do corredor, o qual por sinal, nunca tinha visto, era por demais afastado, gelado e escuro. Tinha tochas nas paredes e tudo ali indicava riqueza, era apavorantemente belo. Bateu na porta do aposento, tinha que entrar.

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Ano 977

Almira estava com medo, já fazia cerca de meia hora que aquele homem estranho estava segurando Kahella. Tinha a colocado sentada em seu colo e, com ambas as mãos apoiadas nas costas da menina, a olhava sem dizer nenhuma palavra. A criança não emitia um som sequer, Almira poderia jurar que ela o estava encarando de volta.

- Bem, senhora Mountgormay. – a voz de Salazar a trouxe de volta à realidade – Infelizmente, terá que aturar a minha presença em sua casa. – devagar, levantou-se e acomodou a menininha em algo parecido com um berço, expressou uma surpreendente delicadeza ao fazer aquilo – É ela.

- O que o senhor quer dizer com "é ela"? – e bateu o pé – Na realidade não explicou a situação.

- E nem irei explicar. – a olhou com divertimento – Foi me pedido o favor de vigiar sua filha até ela completar um ano de idade e farei isso. Digamos que... essa é a idade a qual está mais vulnerável. Assim que o primeiro ciclo se fechar, vai poder se defender sozinha. O meu papel aqui é manter ambas vivas até lá.

- Vivas? – a voz dela se manteve baixa – Quem nos atacaria?

- Acho que será ela – apontou para Kaehlla – que terá a capacidade de explicar-lhe isso um dia.

- Aos meus olhos você parece um lunático com um graveto nas mãos. – disse enquanto o olhava em descrença;

- Sabe, ouvi algo semelhante vindo de um colega semana passada. – e divagou – Acho que você seria uma dos tipos que Godric protege.

- Quem?

Salazar voltou ao tom prático de antes – Diga me, seu marido é normal?

- Ora, meu senhor! Está ofendendo minha família!

Ele rolou os olhos – Digo normal no sentido comum. Ele já fez algo inexplicável? Controlou coisas sem saber como? – ela balançava a cabeça negativamente, estava um pouco assustada. Slytherin ponderou – E vozes, ele ouve vozes?

- Não, e não entendo o porquê de perguntas tão estranhas. – ela o encarava de esguelha.

Salazar sorriu, como se acabasse de ter lhe ocorrido uma ideia – E a mãe dele? Fale-me sobre ela.

Foi como se instantaneamente um véu houvesse passado pelos olhos de Almira, as feições da mulher ficaram duras e respirou profundamente antes de falar. – Ela era, no mínimo, peculiar. Durante a infância de meu marido, pouco ficava em casa. Por vezes ele teve que ser alimentado e acalentado por vizinhos. Ele sofreu muito na infância por conta disso, todos o apontavam como o filho da mulher louca. Um dia ela entrou na floresta e nunca mais saiu. Procuraram por ela, mas nunca a acharam, chegam a dizer que ela foi de encontro aos espíritos. Mas é claro que não acredito em nada disso.

- Qual era o nome dela? – Salazar havia estreitado os olhos, aparentava estar interessado.

- Fionnuala. – estava esperando para saber até que ponto aquela conversa iria chegar.

- Fionnuala de Lir? – disse ele surpreso.

- Você a conhecia? – ela franziu o cenho.

Ele pensou antes de responder a pergunta, estava avaliando o que poderia dizer – Não pessoalmente, mas seu nome... Ela é um pouco conhecida no meu mundo. Isso é extraordinário! – e deu uma breve risada – Realmente...

- O que é tão extraordinário? Ela só é uma criança.

- Como já lhe disse, Almira, essa informação só caberá a sua filha e não a você. – e levantou-se a fim de examinar o local – Não se preocupe em me arrumar acomodações. Eu mesmo irei me virar.

Quanto mais ela o ouvia, menos entendia. O que estava acontecendo?

OoOoOoOoO

Dias atuais

Se Fahrah a abraçasse com um pouco mais de força, iria parti-la ao meio. Mesmo assim, Hermione não conseguia parar de sorrir.

- Eu senti tanto não ter podido ficar com você naquele dia. – ela afrouxou um pouco o abraço – Pelo menos fico aliviada ao ver que está bem.

- Como você chegou tão rápido naquele dia? Não tinha possibilidade de ter ficado sabendo do ataque, a história não vazou. Até a guarda dos comensais só souberam ontem. – Hermione a olhava curiosa.

- Bellatriz. Antes de eu viajar combinei um meio de contato com ela. – a jovem a encarou com espanto – Eu sei que você deve estar pensando "mas vocês duas se odeiam". Bem, é verdade – e riu – mas ela é a única pessoa naquele lugar que tenho certeza que se preocupa com você. – levantou uma sobrancelha – Ela é louca e tudo mais, mas de alguma forma, isso é bom. Significa que vai procurar te defender, mesmo que isso lhe custe à vida.

- É... Acho que podemos esperar isso dela, mas espero que nunca aconteça.

- Você realmente gosta dela, não é? Ela é uma comensal, Hermione... Não sei de que maneira isso pode te afetar.

- Eu sei. – disse ela em tom de culpa – Mas eu não consigo evitar, ela é tão legal comigo.

- Entendo. – a mulher lhe dirigiu um pequeno sorriso – Gostou da pulseira? – viu que a garota não ficava a vontade com o assunto, então desviou o rumo da conversa.

- Sim! Achei linda. – e lhe sorriu – Agradeço por ter colocado as iniciais de meus pais, significou muito para mim.

- Hermione, essa pulseira é especial. Um duende tinha uma dívida para comigo, a maneira de me pagar foi fazer essa joia.

- Você desperdiçou um favor de um duende pra fazer essa pulseira? – a moça estava abismada.

- Como eu disse, essa joia é especial. Ela permite que você ache qualquer um que esteja gravado nela. – e a olhou bondosamente – Tem muita magia intrincada aí. Basta somente pensar e você nos achará.

- Obrigada. – e voltou a olhar para a pulseira – Não sei como lhe agradecer.

- Agradeça cuidando de si. – Fahrah a olhou seriamente – Não me agrada saber que estou sob o mesmo teto que o tal Potter, mas infelizmente a vida tem dessas coisas. Sei que você tem Severo para lhe proteger, e em momento nenhum duvido da eficácia dele, mas...

Hermione deu uma risada – Você acha que seria melhor se eu tivesse Bellatriz, não é?

- Apesar dos pesares, tenho que concordar.

OoOoOoOoO

- Expelliarmus! – a varinha de Alex voou para o outro lado da cozinha, ela já ia correndo para pega-la de volta quando percebeu que Bellatriz havia jogado a dela mesma no chão – Eu sou a melhor duelista da casa, Prince. Quero te dar uma chance de sobrevivência.

- O quê?! – à medida que ela estava assimilando a informação, o medo ia crescendo dentro de si.

- Bella, por favor... – a voz do homem saiu trêmula.

- Cala a boca, Richard! – e voltou o olhar para a outra – Pode dar o primeiro golpe, eu deixo. – piscou um dos olhos.

Juntando o resto de auto confiança que tinha, Alexandra foi para cima da outra e lhe desferiu um tapa. Bellatriz sorriu e passou a língua nos lábios – Minha vez.

O soco foi desferido com tanta força, que Alexandra cambaleou. Bella aproveitou para chutar-lhe na altura do joelho, a mulher caiu e a comensal utilizou a comodidade da posição para atingi-la nas costelas. Em um deslize de concentração, Bellatriz foi puxada pelo tornozelo. Alex, já gemendo de dor, mirou um soco no rosto da outra. Conseguiu arrancar um pequeno filete de sangue do lábio inferior de Bellatriz, aquilo a cegou de ódio.

Prendeu as pernas com força ao redor do corpo da outra e conseguiu virar o jogo, agora era ela que estava por cima da situação. O medo de Alexandra foi o que deu tempo para Bella conseguir apoiar os joelhos nos ombros da outra e segurar-lhe os cabelos com a mão esquerda, havia prendido a cabeça dela naquela posição, os socos começaram. – NUN – um soco – CA – outro soco – MAIS – puxou e empurrou a cabeça de Alexandra duas vezes de maneira que batesse no chão – FALE – cuspiu no rosto da outra – DELA – e começou a socá-la repetidamente – NA MINHA PRESENÇA.

Richard percebeu que Alexandra estava a ponto de perder consciência. Por mais que tivesse medo de Bellatriz, mesmo em seu estado normal, teria que intervir. Colocou as mãos por baixo das axilas da mulher enlouquecida e tentou puxá-la. Conseguiu puxar Bellatriz o suficiente para que Alex pudesse se arrastar um pouco pelo chão. Como resultado ele levou uma forte cotovelada no queixo, um crack foi ouvido, Bellatriz havia quebrado a mandíbula dele.

A mulher cabelos loiros começou a correr, estava desesperada atrás de sua varinha, Bellatriz bufou como um touro e tirou os sapatos, saiu em disparada atrás da outra. Alex percebeu que a outra vinha em seu encontro, sabia que estava debilitada e que não teria tempo de alcançar sua varinha, foi na direção oposta.

- Eu disse para você dizer suas últimas palavras! – Bellatriz sorria loucamente, o filete de sangue em seus lábios a fazia ficar ainda mais assustadora – Você vai morrer hoje, Prince! – e cuspiu um pouco de sangue no chão.

- Você vai me pagar, Lestrange! Guarde minhas palavras! – mesmo assustada, queria ganhar algum tempo para respirar.

Tentou correr para a sala, mas antes que conseguisse a outra gritou – Ei, Prince! – por puro reflexo ela olhou. Bellatriz havia acabado de lançar uma frigideira em sua direção, o ponto escolhido foi bem no meio de sua cabeça, acertou. Ela cambaleou, mas não foi ao chão. Alcançou um vidro em cima da mesa e jogou em direção a Bellatriz, a acertou no braço e um ou dois cacos de vidros ficaram fincados na carne. – Desgraçada!

Finalmente chegaram à sala. Bellatriz assumiu o mesmo estado que ficava em todos os ataques: ignorava a dor, tinha prazer em ver a dor no rosto do oponente e sentia sede de morte. Alexandra correu um pouco mais pra frente e Bellatriz gargalhou. Aquela gargalhada. Aquilo gelou os nervos de Richard – Eu vou chamar o Lorde das Trevas!

- Chame Merlin! Ela morre hoje! – a loira se desesperou. Bella pulou por cima de uma cadeira, apoiou ambos os braços no balcão do bar e jogou os pés no peito da moça com uma incrível força. Alexandra caiu no chão e isso foi a deixa para a sessão de chutes começar. Uns pegaram no rosto, outros na altura do estômago, com certeza uma costela fora quebrada. A força dos golpes era tão grande que a mulher foi sendo jogada para frente. Cada chute era um grito e uma risada por parte de Bellatriz.

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Ele havia ouvido os gritos mas resolveu não se meter, quase sempre os comensais brigavam entre si e sempre havia alguns deles na casa. Ali era como um refúgio, desde que não o incomodassem, não se manifestava. Continuou lendo seu livro com tranquilidade, seus seguidores sempre brigavam entre si, era uma coisa relativamente normal. Então ouviu a gargalhada. Era Bellatriz. Suspirou fundo e esfregou as têmporas, teria que descer, ela estava matando alguém.

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Quando Alexandra já estava longe o suficiente, Bellatriz resolveu dar um descanso para seus pés e abriu uma garrafa de conhaque, por pura sorte não havia quebrado o bar. A sala estava um pouco destruída, mas não ligava, poderia pagar facilmente por tudo aquilo. Bebeu diretamente do gargalo, esvaziou cerca de um terço da garrafa de uma vez. Em sua opinião, Prince estava muito mole, resolveu dar um tempo para que ela recobrasse bem a consciência, não gostava de torturar ninguém que não tivesse a verdadeira noção do que estava acontecendo.

Lentamente a garota estava se sentando. Avistou Bella encostada no bar bebendo alguma coisa. Ao perceber que tinha acordado a outra lhe sorriu. Foi andando vagarosamente em sua direção, cada passo era uma lágrima que caía dos olhos de Alexandra, tentava recuar, mas seu corpo explodia em dor, com certeza tinha quebrado alguma coisa.

- Demorou pra acordar, bebê. – disse Bellatriz em uma apavorante imitação de voz infantil – Vamos brincar de novo?

Rodou a garrafa nas mãos enquanto examinava qual era o lugar menos machucado que a outra tinha no corpo. Andou ao redor da garota, que tremia, e acertou-lhe o ombro. Um grito pavoroso foi ouvido. Bellatriz a levantou pelos cabelos e com uma extrema rapidez, usou um pedaço da garrafa quebrada para produzir um corte imenso nas costas da outra. Deu lhe mais um chute e quando ia dizer mais alguma coisa, foi interrompida.

- O que, diabos, está acontecendo aqui? – Voldemort não esperava por aquela cena. A sala de estar da casa estava parcialmente destruída, claramente a luta havia se arrastado da cozinha para lá, visto que havia um rastro de gotas de sangue vindo daquele trajeto.

Richard estava sentado em um canto, segurava o rosto com uma expressão de dor. Alexandra estava jogada aos pés de Bella, seu rosto estava quase que desfigurado, o cabelo estava uma massa grudada em sangue e em algum tipo de bebida, gemia ao respirar. Já Bellatriz... ela estava de pé, descalça, com um pequeno filete de sangue no canto dos lábios e um pequeno corte no braço. Seus cabelos estavam mais emaranhados do que de costume e tinha uma garrafa quebrada na mão. Estava em perfeito estado e o mais incrível, estava sorrindo.

Ao vê-lo, largou a garrafa, andou uns passos para frente e, de cabeça baixa, ajoelhou-se em seus pés. Voldemort percebeu que ela não tinha a menor dificuldade em locomover-se, em poucos momentos incapacitou dois comensais e ainda estava de pé. Realmente, ela era a melhor. Com ela e Severo poderia dar-se ao luxo de dizer que possuía os melhores guardas costas, pelo menos, de toda Grã-Bretanha. – Levante-se e explique. – a voz dele saiu fria, mas estava mais curioso do que irado, aquilo não era do feitio dela.

- Estava indo até a cozinha beber água – Brown bufou, ela o fuzilou com o olhar e isso o calou – e ouvi uma conversa dos dois. – A Prince – o Lorde das Trevas percebeu o ódio na voz que ela usou ao se referir a mulher – estava dizendo da vontade que tem de, como foi que ela disse... – e tamborilou os dedos no lábio inferior – ferrar Lady Riddle. Tudo isso por conta de alguma paixão doentia que tem por Snape. Imploro o seu perdão, Milorde, mas não pude me conter ao ouvi-la falando tal coisa.

Voldemort trincou os dentes, debaixo de seu próprio teto? Ninguém no mundo deveria tramar contra sua filha, muito menos um de seus comensais. – E Brown? – a pergunta fora direcionada a Bella.

- Estava a aconselhando a esquecer o assunto e, caso não conseguisse, falar sobre ele fora da casa. – a voz de Bellatriz estava calma e submissa, como se nada tivesse acontecido.

Ele estava errado, mas mesmo assim talvez só quisesse ter evitado uma situação como aquela – Todos aqui sabem que não admito tal comportamento. – e correu o ambiente com os olhos – Brown! – esbravejou – Você primeiro.

O homem se levantou e se aproximou de Voldemort, fechou os olhos, já sabia o que viria em seguida. E veio. A sensação de dor era insuportável, não pôde conter os gritos. A cruciatus vinda do Lorde das Trevas era extremamente poderosa. Vagarosamente a dor foi aliviando, quando deu por si estava jogado ao chão, seus nervos ainda estavam se contraindo e a visão ainda estava um pouco enevoada.

- Prince! – a dela teria que ser especial, Voldemort ainda estava considerando a possibilidade de mantê-la viva ou não. Com extrema dificuldade, a moça se encaminhou para a sua sessão de tortura. Ele a fez encara-lo. – Crucio!

Imediatamente ela tombou, gritos e mais gritos preencheram o ambiente. Parecia que cada nervo, cada célula de seu corpo estava em conflito. Sentia seu sangue ferver e congelar. Por vezes sua garganta ficava lacrada e não conseguia puxar o ar. Pontos multicoloridos formaram-se por trás de suas pálpebras, o globo ocular estava virando-se perigosamente. No fundo de sua mente, com o pouco da lucidez que restava em si, nutria o medo de ficar cega. Sentiu uma dor lancinante em sua perna, um osso havia sido quebrado. Tão bruscamente quanto começou, a tortura parou.

O Lorde das Trevas deu uns dois minutos para ela recobrar um pouco da consciência. Devagar a moça foi se arrastando para o canto o qual Richard estava. – Bellatriz. – automaticamente ela virou em direção a ele, mas percebeu que o Lorde das Trevas não falava com raiva – Olhe para mim. – ela levantou o olhar – Crucio.

Em um primeiro momento ela não compreendeu, mas Voldemort lhe deu um olhar significativo e, levemente, apontou o chão com a cabeça. Ela entendeu a deixa e se jogou no chão. A única coisa que realmente doeu foi a pancada que deu com a cabeça ao se jogar. Não sabia se estava sendo convincente nos gritos e ao se contorcer, mas estava tentando. O tempo todo teve que ficar olhando para ele, não sabia quando o Lorde fingiria cessar o feitiço. O momento chegou e ela ficou arfando no chão, essa parte não era fingimento, ficar debatendo o corpo realmente cansava.

- Brown, leve Prince para o quarto de Rabicho. Ele vive trancado lá, aparentemente tem medo de que Lilith apareça a qualquer momento. – o homem já estava apoiando a moça quando Voldemort falou – Você também deveria ter esse medo, Alexandra. Tanto aqui quanto em Hogwarts.

Após os dois terem sumido de suas vistas, Voldemort virou-se para Bellatriz – Ajoelhe-se.

Ela o fez com prazer, prostrou-se aos pés do homem e beijou a barra de suas vestes. Imediatamente ele a puxou para cima. Encostou a ponta de sua varinha no braço esquerdo da mulher enquanto disse – Osculum Anima Vestra Morsmordre. – e a beijou.

Fazia muito tempo desde que o Lorde das Trevas não tocava-lhe o corpo. O coração da comensal acelerou, naquele momento não tinha a tal Fahrah para competir, permitiu-se desfrutar daqueles poucos minutos.

Ele embrenhou as mãos nos cabelos dela, aquela aparência de assassina era o que mais lhe chamava atenção na mulher. A obediência, a confiança cega e a devoção. Ele sabia que Bellatriz nunca o trairia. O gosto do sangue também o agradou. Ainda com os lábios levemente encostados nos dela, perguntou – Ainda quer matar alguém hoje? – ela sorriu e ele interpretou como um sim. Separou-se dela e novamente tomou lhe o braço esquerdo. Encostou a ponta de sua varinha ali e pensou em alguns nomes.

Rockwood, ambos os Carrow, Mulciber, Travers e Nott, aparataram em sua sala. Caíram de joelhos e, somente após Voldemort mandar-lhes levantar, que puderam reparar na bagunça. Parecia que alguma guerra tinha ocorrido ali.

- Bellatriz está com vontade de matar algumas pessoas. A acompanhem. – simplesmente isso. E virou as costas.

Todos ali sabiam que o Lorde tinha um interesse particular na comensal, mas tinham amor as próprias vidas. Não comentavam e nem perguntavam. Dessa vez ela tinha acertado, deveria ter feito algo para que o Lorde das Trevas a agradasse de tal maneira. O grupo se dirigiu ao que tinha sobrado do armário da sala e pegaram suas máscaras. Só estavam aguardando as ordens da outra. Por mais que detestassem receber ordens de ninguém menos do que o próprio Voldemort tinham que admitir, Bellatriz e Severo eram os melhores.

A comensal foi até a cozinha buscar por sua varinha. A sede de sangue que a possuiu foi tão grande que não quis utilizar feitiços. A achou debaixo de uma banqueta encostada na parede perto dos fogões. Abaixou-se para pega-la e se julgou preparada para sair, não fez questão de ajeitar sua aparência. De repente, seu olhar bateu em algo, levantou as sobrancelhas e deu uma pequena risada. Guardou no bolso, Hermione iria adorar ver aquilo.

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"Falei com Alvo e você não precisa se preocupar, ele já avisou a Minerva que você não irá subir para jantar. Ela me fez um verdadeiro interrogatório mais cedo sobre não ter te visto no café e nem no almoço.

Não irei até aí, acho que você deve ter muito o que conversar com a Srta. Mountgormay e estou aproveitando para ter terminar o planejamento das aulas da semana. Inclusive os seus, você já estuda demais e não quero te sobrecarregar com isso (espero um agradecimento apropriado mais tarde).

Se precisar de alguma coisa me mande um bilhete.

Severo."

Ele leu e releu o pedaço de papel. Aquilo lhe daria um pouco mais tempo sem Hermione. Ao invés do planejamento de aula, as anotações sobre o elixir de suprimento estavam espalhadas ao seu redor. Estava sentado chão como se Hermione estivesse ao seu lado, via a garota em todos os cantos. O medo de perdê-la era tão grande que queria fazer tudo que a aproximasse dele, queria agir como se ela estivesse ao lado dele vinte e quatro horas por dia. Ele abriria mão das noites de sono, das refeições e até de algumas convocações. Aquele era o seu objetivo. Ele não iria descansar até conseguir.

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- E sua amiga Gina? – Fahrah a olhou em expectativa – Ela sabe que eu existo?

- Lógico que sabe. Ela é minha melhor amiga, sabe de quase tudo da minha vida. – e a olhou em curiosidade.

- Será que eu poderia conhecê-la? Gosto de saber quem são as pessoas presentes em sua vida.

Aquilo surpreendeu Hermione, ficou feliz em saber tal coisa. – Vou tentar achá-la então.

Quando havia acabado de se levantar alguém bateu a porta. Era um elfo doméstico, trazia um bilhete em uma bandeja. Assim que Hermione pegou o papel o elfo desapareceu em um estalo, não teve nem tempo para agradecer.

Fahrah, que estava sentada próxima a lareira, perguntou – Aconteceu alguma coisa?

- Não – Hermione levantou os olhos tranquilamente, estava um pouco corada e tinha um leve sorriso – é um bilhete de Severo. Nada demais. – deu de ombros – Eu poderia mandar um bilhete para Gina, mas ela não saberia chegar aqui.

- Você vai demorar?

- Não. Está com medo que eu fuja? – e deu uma risada.

- Talvez... – e estreitou os olhos com um sorriso no rosto – é que hoje eu estou com vontade de comer algo. Achei que pudéssemos jantar.

- E você pode comer normalmente? – sempre a sabe-tudo.

- Poder, eu posso, mas passo mal. Nada insuportável, mas depois conversamos. – e deu um leve sorriso – Vá buscar sua amiga.

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Hermione percorreu aquele longo caminho das masmorras. Alguns alunos do sétimo ano a reverenciaram, ela os cumprimentou, mas aquilo realmente a enchia. Ao chegar ao patamar do salão se concentrou. Focalizou a imagem de Gina em sua mente com a maior riqueza de detalhes possível, aquilo já havia funcionado com Severo uma vez, esperava que funcionasse de novo.

Biblioteca, era lá que ela estava. Isso a surpreendeu, algum professor deveria ter sido extremamente cruel para ter chegado a esse ponto. Gina não era uma aluna relaxada, mas também não vivia para estudar. Ao entrar na biblioteca, Madame Pince a cumprimentou animadamente, ela acenou em resposta e rumou até mesa a qual sua amiga estava. Sentou-se ao lado dela e esperou a outra perceber a sua presença.

Ao mover a mão para a direita a fim de pegar outro livro, Gina sentiu uma mão sob a sua, tomou um susto mas relaxou quando viu que era Hermione. – Quer me matar do coração?

- Longe disso. – e gargalhou, a bibliotecária a olhou, mas não disse nada apenas por se tratar dela – Ainda tem muita coisa para fazer?

- Não, só estou adiantando essa redação de feitiços. A temporada de quadribol está chegando, ainda sou artilheira naquele time. – e lhe sorriu – Mas por que a pergunta?

Ambas perceberam que Harry sentou-se uma mesa atrás de onde estavam. Claramente estava ali para ouvir a conversa. A raiva que tinha de Hermione e o amor que ainda nutria por Gina o moveu a fazer aquilo. Querendo ou não, preocupava-se com a ruiva, tinha medo da influência de Hermione sobre ela.

- Perguntei por que quero que conheça alguém. Aliás, esse alguém também tem interesse em lhe conhecer.

- E quem seria esse alguém? – Gina levantou uma sobrancelha inquisidora.

- Minha mãe. – aquela frase ainda lhe era estranha, falou aquilo somente por conta de Harry.

- Mas eu conheço sua mãe, nos vimos no Beco Diagonal. – ela aparentava confusão. – O que ela está fazendo no castelo?

- Estou me referindo a biológica. – e lhe sorriu – Fahrah está aqui e pediu para te conhecer. Ela me ouviu falar muitas vezes em seu nome.

Escutaram um barulho de livros caindo. Claramente isso o afetara, mas ficou calado, ainda não era hora de confrontar Hermione.

- Ela está aqui? – Gina sussurrou com assombro.

- Sim, e só não levo Rony porque ele vai ficar muito abismado. Ela é realmente bonita. Você sabe como ele é um idiota. – ambas riram.

- Então chega de estudos por hoje. – Gina fez uma cara de excitação – Preciso conhecer a senhora Drácula.

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Ano 977

Kaehlla já estava conseguindo sentar-se, balbuciava algumas coisas e se arrastava pelo chão. Almira percebeu que a garota não era muito dada a risadas, a única coisa que a entretinha era o pedaço de madeira que o tal Salazar sempre carregava consigo. Ele era extremamente apegado aquilo, mas nunca demonstrou receio ao deixar a garotinha brincar com ele.

O homem realmente cumprira sua promessa, após o primeiro mês deixou uma grande sacola com moedas de ouro em cima da mesa da cozinha. Ao fim de cada mês fazia a mesma coisa. A promessa de manter-se praticamente invisível também estava sendo cumprida; quase não falava e nem circulava pela casa. Nas raras vezes que ia para o quintal (sempre da maneira que ficava quase invisível) era para ir atrás de Kaehlla. Claramente a criança o fascinava.

Aos poucos, Salazar e Almira começaram a tolerar a presença um do outro. Todas as vezes que tentavam iniciar uma conversa o final era sempre o mesmo, ele lhe dizendo que trouxas eram inúteis e ela o chamando de lunático. Não tinha mais medo dele, de uma estranha maneira haviam estabelecido uma rotina.

Uma vez na semana Almira se dirigia ao poço, fingia encher baldes e, ao chegar em casa, ele os enchia de água. Ele providenciava um fogo sem lenha e ela cozinhava. Ela lavava as roupas de todos e, mesmo que ele tentasse não fazê-la perceber, sempre arrumava a bagunça que Kaehlla fazia. Ambos ainda estavam naquele processo de adaptação quando, finalmente, os efeitos da guerra se alastraram.

Padurile estava com uma excessiva quantidade de soldados ao redor a patrulhando. Não é preciso dizer que o medo consumia os moradores, aquilo significava uma coisa, a batalha estava chegando ao condado. Salazar quase não deixava Almira sair de casa, ninguém reparara na ausência da mulher nas ruas, deduziam que era efeito do medo ou da depressão pela possível perda do marido.

Não demorou muito para que boatos sobre a destruição de uma cidade vizinha começasse a percorrer o vilarejo. Aquilo só aumentou a preocupação do homem. Uma dia Almira o pegou no fogão. – Você está cozinhando? – haviam deixado de lado os pronomes de tratamento formais há algum tempo.

- Não comida, estou fazendo uma poção. – e gesticulou para que ela fosse ver o líquido – Não posso mais me dar ao luxo de dormir, não agora.

- É por conta da guerra, não é? – ela já não se referia a ele com raiva ou suspeita na voz, decidira ignorar as esquisitices da tal magia que Salazar praticava.

- Sim. Além do mais, acho que isso pode ser um artifício. Podem tentar pegar Kaehlla nesse meio tempo.

- Eu não entendo o que ela tem de tão especial. – suspirou em cansaço. Achava bonito a preocupação dele para com a filha, mas mesmo assim aquilo lhe era estranho.

- Mesmo se eu quisesse não poderia falar, faz parte do trato. – aquela informação era nova.

- Então era isso. Você não falou porque não podia. – e deu um sorriso enviesado.

Ele a olhou como se cubos de gelo estivessem saindo de seus olhos, aquilo calou a mulher. – Leve a criança para o quarto dela. O encantei para que ninguém possa entrar, além de nós três é claro. Eu passarei a cuidar das coisas por aqui.

Aquela frase não deixou brechas para argumentos. Almira balançou a cabeça, pegou Kaehlla e a levou para o quarto. Slytherin bufou, maldita hora em que Fionnuala de Lir salvara sua vida.

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Dias atuais

Gina estava ligeiramente sem graça, por mais que quisesse, não conseguia parar de encarar a mulher em sua frente. Fahrah havia soltado os cabelos e trocados suas vestes, agora trajava um conjunto azul marinho, aparentemente não tinha nem um mísero traço de maquiagem em seu rosto, mas mesmo assim sua pele estava perfeita.

A mulher lhe sorriu, e aos olhos dela, o sorriso coroou aquela beleza – Eu sou Fahrah Mountgormay – disse ao estender a mão – estava ansiosa para lhe conhecer.

- O prazer é meu – aceitou a mão da outra – Gina Weasley.

Hermione sentou-se em uma das cadeiras da mesa no centro da sala. – Eu nunca tinha ouvido falar da existência desse lugar. – disse enquanto olhava ao redor – Essa parte das masmorras é quase inabitada.

- Realmente. Antes de você chegar eu rodei um pouco por aqui, esses cômodos são realmente grandes. Essa é somente uma ante sala, você precisa ver a biblioteca. – viu o sorriso que iluminou-se no rosto de sua filha – Existe um cômodo, algo semelhante a uma sala de pesquisas acho eu, que é repleto de artefatos estranhos. Lá achei a seguinte inscrição talhada em um quadro na parede: "Pertencente ao Senhor da astúcia dos Brejais." Você sabe o que isso significa?

Hermione arregalou os olhos em espanto – Por Merlin! Será que é verdade?

- Acho que estou perdendo alguma coisa aqui... – disse Gina contendo uma risada, achava a amiga muito engraçada quando ficava espantada com algo.

- Sim, encontrei uma pintura com o suposto rosto dele também. – Fahrah deu um sorriso cansado – Tudo indica que esses eram os aposentos que Slytherin usava.

A ruiva manifestou-se mais uma vez – Bem, eu sei que você não gosta muito do fato de ser filha dele. – repreendeu-se por ter falado aquilo – Hermione quem me contou. – Fahrah pareceu não ligar ao ouvir aquilo – Mas tem algo te incomodando. – a mulher assentiu – Quer falar sobre isso?

- Você escolhe muito bem as suas amizades, Hermione. – e deu um sorriso triste para as duas – Gostei de você, Gina. É extremamente perspicaz para sua idade. – andou até um dos muitos armários ali presentes e abriu uma gaveta. Trazia um pedaço de papel na mão.

- O que é isso? – a voz de Hermione saiu baixa e cautelosa, conseguiu sentir a tristeza que emanava de Fahrah.

- Tudo que eu tive de minha mãe já se desfez, o tempo corrói roupas, cheiros e até os pequenos traços do rosto. Todos os dias, me fecho por uns momentos e me concentro na imagem dela e de minhas irmãs, o meu maior medo é esquecê-las. – e engoliu como para que conter o choro – Mas, aparentemente, Salazar Slytherin desenhava muito bem.

Gina chegou mais para perto de sua amiga enquanto ela desenrolava o papel com as mãos. Era uma tela extremamente detalhada. As cores dançavam e pareciam ter vida. A cena tinha três ocupantes: uma jovem mulher, aparentava ter no máximo uns vinte e dois a vinte e três anos. Os cabelos eram castanhos, porém sob a luz do sol, assumiam um tom de mel. Eram cheios e ondulados, passavam da linha dos cotovelos e davam a impressão de estarem sendo balançados pelo vento. As maçãs do rosto eram redondas e os lábios cheios. Os olhos eram de um castanho claro lindo, reluzentes como ouro, os mais lindos que Hermione havia visto. Ela estava sorrindo e a ponta de seu nariz estava um pouco vermelha devido ao calor. Também tinha uma garotinha, parecia estar próxima de seus três anos. Os cabelos eram quase brancos, no reflexo do sol pareciam uma cascata de prata líquida. A pele era branca e o rosto era somente um pouco mais fino do que o da mulher, os olhinhos, também cinzas, estavam voltados em direção a uma outra garota.

A menininha, que era somente um pouco mais nova que a outra, aparentava estar gargalhando no chão. O rosto era extremamente simétrico e o sorriso, perfeitamente branco. Estava descalça com uma pequena flor amarela enfiada no meio dos cabelos. Estava usando um vestidinho branco, parecia querer puxar a outra para ir ao seu encontro. Hermione nunca tinha visto uma criança tão alegre. Aqueles cabelos, negros como a noite, e olhos, de um azul profundo, não deixavam dúvidas. Aquela era Fahrah.

Hermione escolheu bem as palavras antes de falar – Quem são essas, além de você?

- Minha mãe e minha irmã mais velha. – o olhar dela ainda estava perdido – Ela estava tão bonita... Eu nunca achei que ele gostasse dela... Nunca pensei que a veria em uma pintura... Nunca imaginei que ele já tivesse me visto. Achei... – e a voz dela morreu.

Gina voltou para seu canto, sabia que não seria apropriado falar alguma coisa. Aquele momento cabia somente as duas.

- Sua mãe era linda... – Hermione percebeu a dificuldade que Fahrah tinha em falar sobre o pai, somente enrolou a pintura com cuidado, não quis fazer muitas perguntas – Você tem muito dela.

Fahrah sorriu – Muito obrigada, ela foi a mulher mais bonita que conheci, para mim é um grande elogio. Pena que não tenha minhas outras irmãs aí, elas todas se pareciam muito mais com ela do que eu. Quer dizer, muito mais do que eu e essa aí.

- Essa sua irmã mais velha... A aparência dela é tão diferente. Sua mãe teve um outro casamento? – perguntou em curiosidade.

- Não, Kaehlla puxou a avó. – e deu o assunto por encerrado, às duas jovens perceberam que o assunto a incomodava.

- Você vai levar a pintura quando for embora? – Gina que fez aquela pergunta, que era bastante idiota em sua opinião, mas a fez somente para poder incluir-se na conversa.

- Sim. Acabei me estabelecendo na casa de Tom, então emoldurarei e porei naquela parede próxima à mesa. – voltou o olhar para a filha e expressou um pequeno sorriso.

- Vai combinar com o papel de parede, a cortina também vai ajudar no destaque. – disse Hermione – Vai ficar bem bonito.

- Bom, como não quero ficar perdida no assunto, tenho que perguntar. Mione, você já contou para Fahrah sobre a casa?

- Que casa? – a mulher de cabelos negros a olhou curiosa.

- Tom me deu uma casa. – a olhou como se estivesse falando de algo simples.

- Jura?! – e levantou uma sobrancelha – Ele está incorporando realmente o papel de pai. Fiquei surpreendida com aquele abraço, mas até então achei que poderia algo como uma encenação.

- Voldemort anda te abraçando por aí? – Gina franziu a testa divertida – Seria cômico se não fosse trágico.

Fahrah gostou de observar que a menina Weasley não tinha receio em falar o nome que aterrorizava muitas pessoas no mundo mágico. – É... Essa história está ficando interessante.

- Então, Hermione está querendo ajuda para mobiliar a casa, você poderia ajudar, Fahrah. Está na cara que tem bom gosto. – a maneira informal que a moça se referia a ela a encantara.

- Certamente. – e olhou para a filha – Severo vai conosco? Vocês vão morar juntos, não?

Gina teve um acesso de risadinhas e Hermione ficou vermelha – E-eu...

- Hermione, pare com isso. – Fahrah também riu – Vocês praticamente moram juntos mesmo. Não adianta dizer que isso não irá acontecer depois que acabarem as aulas.

- Isso ainda não foi discutido. – disse vermelha – E não vou falar nada antes de ele falar, fica estranho não é? Acho que esse tipo de atitude deve partir dele e não ao contrário. Pode parecer machismo mas...

- Pare para respirar, Hermione! – Gina gargalhava – Vamos mudar de assunto então.

- Trouxe algumas coisas de presente para você. – Fahrah lhe sorriu – Vou buscá-las.

OoOoOoOoO

Como de praxe, estava em seu escritório, de pé e com as mão cruzadas na frente do corpo. Olhava para a janela e observava o nada. Em sua cabeça ainda se passava a imagem da reunião a qual tinha visto da mente de Alexandra, o fato de Lilith não ter lhe contado sobre aquilo o estava incomodando.

Talvez a moça só tenha esquecido de mencionar o fato. O comportamento de Prince também era algo que o preocupava. Não iria fazer nada em relação a ela, pelo menos não por enquanto. Talvez deixasse aquilo nas mãos de Lilith. A reação de Bellatriz o deixara cheio de orgulho, aquela mulher lhe era fiel, e pelo jeito também nutria a mesma devoção por sua filha, aquilo era fundamental.

Falando nela... Queria tirar a história da reunião a limpo. Pegou sua varinha e, após um movimento ascendente brusco, disse: Invocaveris Lilith. Aguardou.

OoOoOoOoO

Gina já havia subido para jantar, a moça saíra do aposento feliz, Fahrah a havia presenteado com uma das vestes que comprara na Dinamarca. Era vermelha e dourada, bem Grifinória. Ela riu-se daquilo, estava imaginando como explicar aquelas vestes para seus pais, só de olhar dava para perceber o quão caras elas eram.

Hermione estava tendo uma animada conversa sobre suas aulas e se surpreendeu em saber o quanto Fahrah era versada no assunto, de acordo com a mulher, já havia tido relacionamentos com cinco mestres em poções.

- Quantos namorados você já teve? – a garota riu.

- Alguns... – e a mulher levantou a sobrancelha sugestivamente – E você?

- Bem... Antes de Severo, tive um namorico com Vítor Krum. – e deu de ombros – Não gostava muito dele, mas...

Quando Fahrah ia responder, viu Hermione levar a mão ao pescoço. O rosto da moça contraiu em um pouco de dor.

- O que houve? – preocupou-se.

- Tom. Está me chamando. – e pressionou a pedra do colar, aquilo fez a queimação parar – O que eu faço? Digo para ele que você está aqui?

A mulher ponderou por um instante – Pode dizer, aliás, seria bom se todos pudéssemos conversar. Isso é possível?

- Posso tentar. – pegou o anel e o encostou em sua boca, aquele era o gatilho para a conversa dar início.

- Lilith – a voz veio em sua cabeça – está ocupada?

- Boa noite – disse ela em voz alta e rindo – Não, não estou. Permita-me tirar uma dúvida: é possível fazer com que você fale em voz alta através disso? Projetar uma imagem, talvez?

- Por que a pergunta? Tem alguém com você? – ele estranhou.

- Na realidade sim, podemos tentar fazer isso juntos?

Ambos focaram-se naquele trabalho, Hermione colocou o anel em cima de uma mesa e apontou a varinha para ele. Voldemort fazia quase a mesma coisa. Segurava sua varinha e focalizava a imagem da filha. Vagarosamente uma sombra foi se formando, na parede de seu escritório, Voldemort pôde ver o contorno de duas pessoas, a mesma coisa estava acontecendo nos aposentos destinados a Fahrah.

Conseguiram cumprir o objetivo, as imagens entraram em foco.

- Fahrah? – ele a olhou em assombro – O que faz aí? Afinal, que lugar é esse?

- Boa noite para você também, Tom. – ela dizia mais divertindo-se do que para irrita-lo.

- Onde vocês estão? – o tom de voz objetivo, tão característico de Lorde Voldemort, havia voltado.

- Em Hogwarts – Hermione tomou à dianteira – Fahrah chegou de viajem hoje e veio me ver.

- E como você fez isso? Nem deu-se ao trabalho de falar comigo primeiro. – por um instante a moça jurou que, se Voldemort pudesse, ele avançaria em Fahrah – Como convenceu o velho?

- Não fale de Dumbledore assim, não na minha frente. – e revirou os olhos – Você sabe que o conheço desde que ainda era um menino.

- Oras, se conhecê-lo dá direito a hospedar-se em Hogwarts, também irei. – e sorriu sarcasticamente – Afinal, ele me conhece desde que eu era um menino.

- Eu precisava vê-lo. Ponto final. – cruzou os braços e estreitou os olhos.

- Não use esse tom comigo, Fahrah. – a voz dele ficou perigosamente baixa.

- E você não me questione, Riddle. – o olhou com intensidade – Nós, certamente, conversaremos mais tarde. – ambos se calaram, mas pelo jeito a discussão ainda não havia sido encerrada.

- Agora, que acho que ninguém vai mais se matar aqui, gostaria de saber qual o motivo da convocação. – Hermione estava confortavelmente sentada em uma poltrona com as pernas cruzadas – Isso é, se alguém quiser considerar a minha presença.

Voldemort bufou, olhou para moça e forçou um tom brando – Prince reportou algo sobre uma reunião.

Hermione deu uma risada fria, aquilo assustou Fahrah – Está querendo saber por que eu não te contei, não é? – ele continuou calado, a moça entendeu que aquele gesto era um incentivo a continuar falando – Eu quis que ela falasse, na realidade, deduzo que tenha usado legilimência nela.

- E eu posso saber o porquê? – ele a olhava em ironia.

- Pura e simplesmente porque não sei se já confia em mim. – Voldemort assustou-se ao ouvir aquilo – Nós quase não convivemos, tive Hogwarts como lar por quase sete anos, fui criada no mundo trouxa, nutri uma forte amizade por Harry Potter. Não diga que essas coisas não passam pela sua cabeça.

Ele ficou paralisado, o calculismo... Não podia negar aquilo, ele realmente tinha suas dúvidas. Gostava da garota, até mais do que deveria, mas não confiava, ainda não. – Sempre objetiva. – e lhe direcionou algo parecido com um sorriso – Já era assim quando te conheci, mas me parece que a convivência com Snape está te fazendo mais mal ainda.

Dessa vez ela deu uma risada verdadeira, a tensão no ambiente aliviou-se – Eu queria que visse com seus próprios olhos. Apesar de eu não saber se você ainda acha que aquilo foi uma armação, quis passar uma mensagem através daquela cena. – tomou ar – Dumbledore. Ele não fez nada. Mesmo depois que a Prince foi embora, eu simplesmente me sentei e comecei a discutir com o Potter. A única exigência foi de entregarmos as nossas varinhas e ficarmos atados as nossa respectivas cadeiras. Não tenho necessidade de mentir para você.

De lado, Fahrah observava o rumo da conversa. Os dois se entendiam muito bem. Não que Voldemort não fosse um bom ludibriador, mas dessa vez era sincero. Ele não forçou um olhar sequer, as emoções – as quais ela desconhecia até então – eram vistas nos pequenos traços em seu rosto. Não fora o corpo novo que o mudara, fora a presença dela. A jovem a sua frente o estava quebrando. Cada sorriso que direcionava a ele, cada gesto... Inconscientemente, Hermione Granger estava abrindo rachaduras na tão temida armadura de rocha que Lorde Voldemort construíra para si. Muita coisa estava mudando, ela mesma não sabia até que ponto essa mudança poderia chegar.

- Eu só gostaria que tivesse me contado primeiro. – falava ele com calma – Confiança à parte, tem certos tipos de coisas que espero ouvir de você antes que outro me diga.

- Então peço que me desculpe, não vai se repetir. – os dois deram breves sorrisos.

- A Srta. tem algo para fazer amanhã? Você me levou para jantar na sexta, nada mais justo que retribuir.

Fahrah levantou uma sobrancelha e deu uma risada seca – Desde quando você é gentil com alguém?

- Desde quando esse alguém é minha filha. – ele a olhou com ironia, mas o impacto da palavra filha pesou no ar.

Um baque foi ouvido. A moça havia caído da poltrona, estava apoiando os braços no chão a fim de se levantar. Aparentemente não ia conseguir suportar o peso do corpo, o fraco apoio que havia encontrado nos braços estava desabando – Hermione! – Fahrah foi correndo amparar a próxima queda, em uma velocidade anormal conseguiu evitar que a cabeça da menina fosse de encontro ao chão.

- Fahrah. – Voldemort estava assustado – O que está havendo?

Com dificuldade, Hermione conseguiu virar um pouco a cabeça em direção a projeção do homem, ele pôde ver que ela estava sangrando pelo nariz. Aparentava uma palidez estranha.

- Hermione, olhe para mim. – a vampira dava leves tapas em seu rosto – Onde você está?

- Hogwarts. – a voz dela saiu rouca, a quantidade de sangue estava aumentando.

Fahrah estalou os dedos e um elfo apareceu – Traga Severo Snape e Alvo Dumbledore aqui, agora! Diga-lhes que é de extrema urgência!

- O que raios está acontecendo?! Fahrah, diga alguma coisa! – se ele pudesse, atravessaria aquele véu que os separava, percebeu que a moça estava com um pouco de dificuldade para respirar.

- Eu não sei! – ela conjurou almofadas e apoiou a cabeça da jovem de modo que ficasse inclinada, caso ficasse com a cabeça reta poderia sufocar-se com o sangramento nasal. Fahrah arrumou um pano e uma jarra de água, estava tentando limpar o sangue. – Diga seu nome completo. – tinha que mantê-la acordada.

- Hermione Jane Granger. – falou quase em um sussurro.

- Desfaça essa ligação, Tom. Eles chegarão a qualquer momento. – ela olhava rapidamente do Lorde das Trevas para Hermione – Dumbledore irá vê-lo.

- Eu não me importo! – o olhar do Lorde das Trevas estava fixo em Hermione. O homem nem ao menos piscava.

- Diga, a qual casa pertence? – Fahrah deslumbrou um filete de sangue vindo dos ouvidos da moça, sentiu os próprios olhos sangrarem, tinha começado a chorar.

- Gri-grifinória.

- Qual matéria está lecionando? – mal conseguia respirar. Ouviu um barulho de vidro estilhaçando, olhou para o lado e percebeu que Tom tinha quebrado alguma coisa em seu escritório.

- Po...

- Hermione, fale comigo. Continue falando! – a voz da mulher saiu fina.

- ções. – a voz da garota estava fraca demais.

Foram interrompidos por um barulho brusco, Snape e Dumbledore haviam acabado de invadir os aposentos os quais a mulher estava hospedada. Em um primeiro momento encararam Voldemort. Surpreendentemente ele estava ali, presente em uma forma de holograma, mas não se portava da forma que esperavam. A expressão dele era de pânico. Automaticamente, os olhares voltaram-se para o chão.

Severo, sem nem mesmo sair do lugar, caiu ajoelhado. Ela estava morrendo. Dumbledore correu e amparou a cabeça de Hermione, Fahrah estava em lágrimas e não sabia mais o que fazer.

- Diga-me, Hermione – a voz dela saía tremida – onde você cresceu?

- Green... – e teve um acesso de tosse, sangue explodiu em sua boca.

Todos ouviram um barulho brusco, como se algo grande tivesse ido ao chão. Olharam na direção de Voldemort, ele os encarou de volta e, um segundo depois, já não estava mais lá. Por fim, Severo recuperou os sentidos, aproximou-se da moça e pôde avaliar o estrago. Hermione tinha parte dos cabelos e a gola da blusa empapadas, facilmente já deveria ter perdido meio litro de sangue.

- Eu tenho algumas poções. – fez um gesto de varinha e vários frascos materializaram-se – Reanimar, cicatrizar, repor sangue, recompor tecido... Me diga, Fahrah, o que eu uso?!

- Eu não sei! – e voltou o olhar para o homem de barba prateada – Alvo... por favor...

Algo como uma sirene foi ouvida, as masmorras, por serem um nível abaixo do chão, sofreram um abalo. Aquilo significava uma coisa: Voldemort estava tentando invadir a escola.

- O Lorde das Trevas... – Severo estava branco de desespero.

- Eu sei, meu filho. – e voltou-se para Fahrah – A decisão é sua.

A respiração dela estava acelerada, a cabeça estava a mil – Vamos. Ele pode ajudar. – ela já não sabia mais o que fazer, queria se agarrar a qualquer chance.

Dumbledore pegou a mão de Hermione e fez sinal para que Fahrah e Severo o tocassem. Juntos, desaparataram.

Aparataram do lado de fora dos portões de Hogwarts. Tom Riddle correu em direção ao grupo, empurrou Snape e segurou o rosto de Hermione. O semblante dele estava duro. Olhou em direção a Dumbledore por um segundo e assentiu com a cabeça, aquilo era uma forma de agradecimento. O diretor de Hogwarts, com as mãos e vestes ensanguentadas, se afastou. O grupo se foi.

OoOoOoOoO

Bellatriz estava reparando a bagunça da casa. Tinha ficado satisfeita por hoje, havia torturado duas trouxas, por sorte uma delas era extremamente parecida com Alexandra, não é preciso dizer que essa morrera de forma violenta.

Havia escutado o barulho de um vidro sendo quebrado e de uma estante sendo jogada ao chão. O Lorde das Trevas deveria estar com muita raiva. Não subiria até lá nem se lhe pagassem. Por fim escutou um crack relativamente alto, ele havia saído de casa.

Nem bem havia terminado de consertar a estatueta preferida de Narcisa, ouviu uma correria no quintal da frente. Saiu e avistou o Lorde das Trevas, Fahrah e Snape. Pareciam estar carregando alguém. Seu coração acelerou, era Lady Lilith.

Voldemort passou direto por ela e gritou – Toalhas! Todas que puder encontrar!

Ela correu, correu como se sua vida dependesse disso. Caiu por duas vezes, mas saiu com duas dúzias de toalhas brancas em seu encalço, ela as estava levitando com a varinha. Não precisou bater, a porta do quarto da jovem estava escancarada.

Voldemort estava em uma posição estranha, com o corpo meio inclinado, segurava a mão, já fria, da garota. Fahrah soluçava em um canto, não parecia capaz de fazer muita coisa além de, ocasionalmente, limpar o rosto da filha.

Bellatriz tomou a frente, pôs uma mão, que estava trêmula por sinal, no ombro da mulher. Fahrah afastou-se e deixou a morena ocupar o seu lugar. Embora muitos não acreditassem, Bellatriz Lestrange sempre fora muito boa em encantos de cura. Sempre arrumava brigas e praticamente, não havia uma parte de seu corpo que já não tivesse sido remendada.

Obrigou-se a ser firme, vagarosamente, foi puxando o sangue que se acumulava nos ouvidos da garota com leves movimentos de varinha. As toalhas, uma vez brancas, ficaram uma a uma vermelhas. Limpava o sangramento ao mesmo tempo em que Snape forçava algumas poções na garganta da jovem. Nenhum dos quatros pareciam serem capazes de falar. Os segundos arrastavam-se com crueldade. Nenhuma das poções faziam efeito. Em uma atitude extrema, Bella começou a dar tapas no rosto da moça. Severo arrumou uma adaga de ponta fina e furou os pés e as mãos dela. Nenhuma reação.

Voldemort levantou-se e socou uma parede. Fahrah continuava parada como uma estátua, o rastro das lágrimas sangrentas dava um aspecto bizarro em seu rosto. A respiração de Hermione estava cada vez mais fraca, seu peito subia e descia lentamente. Então ela parou.

Por um segundo o silêncio... Logo depois o desespero. Bella gritou em agonia e Severo desabou. Voldemort manteve os olhos abertos em choque e, só então, Fahrah correu em direção à filha.

- Alguém tente dar sangue para ela! – puxava as roupas com força, aquela ideia acabara de ter lhe ocorrido, só esperava que não fosse tarde demais. Severo foi correndo em direção a moça. A adaga estava ao lado dela na cama – Não você! Ela tem que concordar! Tem que ser alguém que a ame, não faria efeito se não fosse. Eu não posso, mas você também não!

- Ela está quase MORTA! Você ainda quer discutir isso?

- Eu não posso, meu sangue... – lágrimas vermelhas recomeçaram a cair.

Ambos estavam em desespero, no fundo de si mesmos não queriam nutrir uma falsa esperança. Bellatriz estava em um canto tremendo, não conseguia aceitar a ideia da jovem ter morrido.

- Por que vocês estão gritando? – a voz de Hermione ainda estava fraca assim como sua respiração – O que houve?

O homem ainda estava em choque, ninguém percebera o momento em que se aproximou da moça, simplesmente não podia aceitar a perda dela. Tomou a decisão, pelo menos tinha que tentar. Com a respiração irregular e com as mãos tremendo, fechou os olhos, a imagem do sorriso dela veio em sua mente. Por um momento achou que não tinha funcionado, então ele viu. Ela tinha voltado a respirar. Uma lágrima solitária correu pelos olhos de Tom Riddle, ele estava com a adaga na mão. Seu braço esquerdo tinha um corte profundo. Ele havia dado o próprio sangue para Hermione.

"Tem que ser alguém que a ame, não faria efeito se não fosse." essa era a frase que ecoava na mente de Severo e Fahrah.

OoOoOoOoO

N/A: Não precisam me agradecer por essa obra de arte, sei que esse foi O capítulo hahahaha

Viram só? Estou começando a explicar a história da Fahrah e da Kaehlla, não há personagem sem passado nessa fic hehehe

Só pra justificar: o Crouford (comensal) e o Bertrand (prof de DCAT) não desapareceram. Ainda vou chegar "lá" com eles.

Severo e Hermione fofinhos? SIM! Há quem não goste, mas achei legal colocar para quebrar um pouco a agressividade do capítulo. Sei lá, sempre quis fazer uma cena assim.

A conversa da Gina com a Hermione... Cara, juro que escrevi aquilo pensando em mim conversando com a minha prima hehehehe só sai besteira quando estamos juntas.

Pra quem achou que o Harry iria ficar passivo a tudo que aconteceu, bem, tá aí a resposta.

Agora, quem tá achando o Salazar legal? To amando escrever sobre ele! Não vou me aprofundar porque a Mandy (pokefilha) deu a ideia de escrever a história da Fahrah. Os detalhes nós veremos por lá.

Fahrah perguntando a Snape se ele já tinha "pegado" a Hermione foi ótimo né hahahahaha

Agora, vamos falar da LINDEZA QUE FOI ESSA BRIGA DA BELLA COM A ALEX! Fiz de presente pra você Mandy! Espero que tu tenha gostado.

Sobre a última parte do capítulo... Bem, eu quase chorei. Amo meu Voldemort!

É isso gente linda, até o próximo!

N/B: Só pra saber, mais alguém soltou um PQP no final do capítulo? Kkkk Eu soltei um enorme aqui em casa. Kkk

Vamos lá.

Mandy filhota sua mamy arrasou na briga não foi?! Caraleo, adorooo uma boa surra. A Alex mereceu!

Saber mais sobre a história da Fahrah e da Kaehlla é td de bom! Eu to amando o Salazar. (alias tenho uma tara por sonserinos) kkkk

Eu quase chorei quando o Voldemort ficou desesperado, alias eu fiquei desesperada.

E o que dizer do Harry? O que ele vai aprontar? O que se passará na reunião dele?

E gente como faço para adquirir um Sev assim tão fofo. Da uma vontade de invadir a fic, ir lá, apertar as bochechas dele e dizer "PARA DE SER TÃO FOFO!" KKK repara não que a beta surtou agora. Kkk

Enfim amores é isso estou curiosíssima para o próximo capitulo. Pq esse foi foda! E eu quero saber o que acontecerá.

E para que isso ocorra mais rápido, por favor, deixem seus comentários e reviews para nossa autora (gostosa, delicia, maravilhosa... E MINHA tirem o olho gordo pq já tem dona) kkkk que assim que ela ver os comentários fica mais inspirada e escreve mais rapidinho. FUI!

OoOoOoOoO

Curiosidades sobre o capítulo:

Padurile significa floresta em romeno. Sem criatividade eu? Magina colega.

Vamos lá, Jhon Dawlish, Williamson, Savage, Proudfoot e Robards, são aurores de verdade. Eles estão nos livros e se eu não me engano, nos filmes também. Não revi todos até pq... haja trabalho hehehehe

Sobre Derwent Shimpling: os melhores pontos de referência em Hogwarts sempre foram as estátuas, certo? Não gosto de tirar coisas de cabeça, poxa, já é uma fanfic, já estamos pegando os personagens emprestados e os virando de cabeça para baixo. Custa caçar algo que seja relacionado ao mundo de HP? E foi com esse pensamento que achei as 101 figurinhas colecionáveis dos sapos de chocolate! (quem quiser eu mando o link por mensagem).

Voltando ao assunto, a história desse cara é o seguinte, ele era um comediante famoso no mundo da magia, todos gostavam dele por seu bom humor e bondade de coração. Um dia ele perdeu uma aposta e teve que beber algo relacionado a um tentáculo de polvo. A substância era venenosa, mas ele sobreviveu. Só ficou com uma sequela: sua pele ficou roxa para sempre.

Sobre a plaquinha entalhada que Fahrah acha nos aposentos do "pai": A primeiríssima canção do chapéu seletor no livro, que fala sobre os fundadores, se refere ao tio Salazar assim "o astuto Slytherin dos Brejais". Como a tia Bella aqui também é cultura, fiz uma pesquisa e descobri que é quase certo que esse termo – brejais – se refira a Norfolk.

Acredito eu, que pelo menos alguém tenha tido a curiosidade de saber como Voldemort convocava Hermione pelo colar. Mistério resolvido! Invocaveris significa "chamar" em latim, fácil, né?

Agora vamos a aula de biologia. Quando eu me referi à perda de meio litro de sangue, não exagerei. Perder essa quantidade é muito grave, mas não causa uma morte automática. Geralmente, os homens têm mais sangue no corpo do que as mulheres. Para um adulto ser considerado saudável – visto que ele não possua nenhuma doença sanguínea – tem que ter, no mínimo 3,8 litros de sangue no corpo. Maaaasssss isso também varia. Por exemplo, umas das maneiras de calcular a quantidade de sangue presente no corpo humano é pelo peso. Isso não é regra mas a média de mililitros de sangue nas mulheres por quilo é de 65. Enfim, isso me leva a pensar: será que essas super modelos só tem o equivalente a um copo d'água de sangue no corpo?

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Glossário dos nomes:

Oi, você aí que achou que eu saí chutando nomes para os personagens mais antigos do que a Dercy Gonçalves: errou feio. Pesquisei – sim eu pesquiso tudo – nomes de acordo com significados e personalidades (lembram que eu vou fazer a história da Fahrah?)

Fazer uma fic não te dá lá muita opção de trabalho, os personagens já vem prontos e você tem que se desdobrar pra moldá-los de acordo com o seu propósito, não que eu não curta fazer isso, mas é legal inovar. Então, se você já chegou até aqui, leia o trabalho que eu tive pra nomear essa galera.

Dmitrei: é a forma eslava de Dimitre – aquele que pertence a deusa Deméter, essa é uma das representações da mãe terra, deu pra entender né?

Fahrah: é de origem árabe, significa – a alegre, traz vivacidade e irradia luz. Me apaixonei pelo nome e quis moldar a personagem assim.

Kaehlla: há divergências sobre a origem desse nome, é raro, porém tem um significado bonito. Pura, a que gosta de viver e guardiã. Traz características de sabedoria. (amo a Kaehlla)

Melisende: bom, esse nome tem uma história enoooorme! Pra resumir, é uma forma de francês antigo que remete ao nome Millicent. O significado está entre trabalho e força. (inclusive uma rainha já teve esse nome)

Jurian: esse já é mais comum, é como se fosse Jorge, só que em baixo alemão. Nada que um outro idioma faça ficar mais chique.

Auden: (o tio que foi entregar leite lá) significa velho amigo. Viram só? Até ele tem um significado apropriado.

Almira: bem pessoal, ela é a mãe da Fahrah Diva né? Seu nome não poderia significar nada menos do que beleza.

Aalis: a caçula dos Mountgormay, tem esse nome que é uma variante de Alice, só que em francês antigo.

Averey: pai da Fahrah (corno manso), seu nome significa algo como ser um elfo, ter origem da floresta, sabedoria e poder mágico, a origem é alemã.

Agora... A mãe do Averey... hehehehehehe esse nome tem história.

Na realidade Fionnuala é um nome masculino, e vamos lá na origem dele. Alguém aqui já se interessou por mitologia celta? Se sim, podem pular essa parte, talvez até mesmo tenham reconhecido o nome, enfim.

Deusa Brígida, a relacionada ao fogo, popular na Irlanda, sabem? Sempre tive um interesse nela, é uma forma muito peculiar de retratar a Mãe Tríplice. Nesse meio todo existem os Tuatha Dé Danann. Desses aí vocês já ouviram falar mesmo sem saber, lembram da história dos irmãos que ficaram aprisionados em forma de cisnes até quebrarem o encanto e coisa e tal? Então, Fionnuala era um deles, diz a lenda que ficou preso a essa forma por 900 anos e depois disso foi agraciado se tornando um espírito da floresta. (por 900 anos eu queria ter me tornado deus né querido, com licença) Na internet (bendita seja) deve ter a história completinha com árvore genealógica e tudo mais. Quem se interessar é só olhar lá.

E não menos importante: todos os comensais citados nesse capítulo são realmente comensais, vocês vão encontrar os nomes deles nos livros.