Disclamer: Saint Seiya não me pertence, nem seus personagens.

Esta é uma fic yaoi, ou seja contém relacionamento homossexual entre homens.

Capítulo 22 - With A Little Help From My Friends

Shun POV

Os piores dias da minha vida continuavam sem tréguas.

Eu pensei que as coisas fossem melhorar com o tempo mas não foi o que aconteceu, e o ano novo chegou pra mim sem maiores perspectivas.

Ikki continuava empenhado em "me deixar crescer", o que me dava certo sossego. Uma coisa tinha que ser dita a respeito do meu irmão: Ele nunca, nunca voltava atrás em uma promessa feita. E era só por isso, eu tinha consciência, que ele ainda não tinha me pego pelo pescoço e me obrigado a contar a história toda. Só pra em seguida pegar o Hyoga pelo pescoço, é claro.

Ikki estava se esforçando.

Eu, no entanto, era um caso perdido.

Ainda não havia tido coragem de encarar meus amigos e passava meus dias em frente a TV, ou rabiscando esboços no meu caderno de desenhos. Mas estava tão consternado que nunca conseguia terminar nada.

Agora era oficial: Minha vida pessoal tinha acabado com a minha inspiração. Não havia mais pelo que viver.

Finalmente, no final da segunda semana sem notícias do Hyoga, toda aquela autocomiseração e sofrimento transbordou em uma fúria borbulhante.

Eu não entendia muito bem a origem disso. Quer dizer, Hyoga não me batera, ele não me traíra, ele não fugira com outra pessoa. Ele simplesmente desaparecera.

Sem uma palavra.

Depois de tudo o que tínhamos passado juntos.

Eu me sentia ferido e frustrado, e, de alguma forma, toda a dor e angústia haviam se transmutado em raiva.

Mas raiva era bom. Raiva me fazia viver.

Pensamentos obscuros me davam força.

Queria acampar em frente a casa do Hyoga até ele aparecer. Queria atirar pedras na vidraça do quarto dele gritando atrocidades sobre a Freya - A mãe da Freya tem um caso com o motorista. Freya cheira mal. O pai da Freya maltrata o cachorro da família.

Por algum motivo insano estava convencido de que ela tinha alguma culpa no desaparecimento dele.

Resolvi sair pra caminhar um pouco.

Lembrei do que a terapeuta da minha mãe sempre dizia quando ela tinha uma crise: "A melhor maneira de afastar a depressão é sair por aí, dar uma andada e espairecer". Na verdade isso sempre me pareceu meio esquisito. Porque quando você está deprimido, a última coisa que quer fazer é sair por aí e dar uma andada. Um pote de sorvete sempre me pareceu muito mais efetivo. Mas estranhamente sorvete andava me dando náuseas.

A tarde estava gelada, mas o céu estava limpo. Diferente da chuva torrencial que caíra nos últimos dias.

Passei em frente a uma locadora na esquina do prédio e resolvi parar para alugar um filme.

Na verdade eu não precisava fazer isso. Tinha Netflix, nenhuma necessidade real de parar em uma locadora. Mas por algum motivo queria provar pra mim mesmo que ainda era capaz de interagir normalmente com as pessoas.

A loja tinha uma variedade enorme de DVDs, e uma garota meio gordinha, de cabelo loiro e moleton se aproximou pra me ajudar.

Kelly, era o nome que estava escrito no crachá dela.

— Penetras Bons de Bico é legal. - Kelly sugeriu.

Eu balancei a cabeça.

— Humm… não, acho que não.

— A propósito, gostei do seu cabelo. - Ela disse.

— Ah… obrigado. - Eu agradeci.

— Você mesmo que pintou?

— Não… - Eu balancei a cabeça outra vez. - Minha mãe.

— Ficou legal. Você não mora por qui, mora? - Ela perguntou outra vez.

— Não, mas meu irmão mora.

Ela assentiu.

— Onde você mora?

Deus, ela não ia parar de fazer perguntas?

— Em Tóquio. - Respondi.

— E é legal lá?

— Cala a boca, Kell! - Um garoto se aproximou por trás dela. Ele era alto, meio magrelo, com cabelos castanhos compridos e um monte de brincos. Brandon, era o que estava escrito no crachá dele.

Eu suspirei aliviado com a interrupção.

Pelo jeito que falavam um com o outro, imaginei que eles fossem um casal.

— Que tal O Senhor do Anéis. - Brandon sugeriu. - A gente tem a versão estendida.

— Não. - Eu falei. - O filme é bom, mas não estou no clima.

— E em que clima você está? - Ele perguntou.

— Precisando me animar um pouco.

— Por quê? - Kelly perguntou outra vez.

Sério. Que intrometida!

Eu suspirei, mas respondi mesmo assim.

— Estou meio mal… A pessoa que eu gosto desapareceu.

Ela arregalou os olhos verdes.

— Desapareceu, tipo, foi sequestrado?

Eu soltei o ar frustrado.

— Não. Desapareceu, tipo, não quer mais saber de mim.

— Ah… - Ela fez. - E ele não te disse o porquê.

Ele? Eu pisquei.

Por que todos sempre presumiam que eu fosse gay?

Mas, tudo bem, não tinha importância. E ela estava certa naquele caso de qualquer forma.

— Hum-hum. - Eu balancei a cabeça em negativa outra vez.

Ela bufou indignada.

— Ai, que raiva! Eu teria matado o imbecil. Sério.

— Bastava você sentar em cima dele. - Brandon se meteu de repente. - Só isso. Pouquíssimos homens sobreviveriam ao seu traseiro.

Ela respondeu com a boca cheia.

— E você bastaria respirar no cangote de alguém!

Revisei minha primeira impressão de que Brandon e Kelly fossem namorados. Irmão e irmã era mais provável.

— Bem… - Brandon olhou significativamente pra ela - Antes isso a esfaquear um cara com uma faca de pão.

— O quê? - Ela se virou e gritou na cara dele - Aquilo foi um acidente. Acidente!

Depois se voltou para mim outra vez.

— Que tal Sintonia de Amor, então? Bem água com açúcar. Ou então Um Dia Especial. Também dá pra chorar bastante.

Mas eu não queria mais chorar.

— Não! - Brandon interrompeu outra vez. - Leva um filme de vingança. Perseguidor Implacável.

Eu quase sorri.

Perseguido Implacável era perfeito!

oOo

Perseguidor Implacável era um filme maravilhoso. Era exatamente o que eu queria ver. Tinha uma parte enorme de vingança nele.

O engraçado é que eu nunca me considerara uma pessoa vingativa.

Mas eu nunca havia me considerado agressivo nem passional também, e olha como eu andava agindo. Realmente, Hyoga despertara toda uma gama de sentimentos novos em mim… Eu mal me reconhecia.

Queria ainda ser o garoto feliz e inocente que era no começo do ano passado. Queria ainda poder pensar em mim mesmo como uma pessoa boa.

Mas não podia mais mudar as coisas.

Depois de Perseguidor implacável aluguei O Poderoso Chefão. Filme extraordinário, cheio de horrores e vingança, não acreditava que nunca tinha assistido. Em seguida, Kill Bill, excelente vingança também.

Estava pensando no que veria a seguir, quando meu celular tocou.

Eu pulei do sofá em alerta como sempre, mas, mais uma vez, era apenas a Shunrei.

Depois do interrogatório de costume ela lançou.

— Você vai sair hoje. Estou preparando um jantar aqui em casa.

Eu gemi. Não queria sair. Tinha uma lista enorme de filmes de vingança pra assistir ainda.

— Eu estou de castigo, está lembrada? - Eu falei. Pela primeira vez aquele castigo estava vindo bem a calhar.

— Estou sim. E ja falei com o seu irmão. Ele autorizou.

Não! Ikki, por quê? Que traição!

Gemi outra vez.

— Acho que não estou com muita vontade de sair hoje.

— Está sim. - Ela disse - Vamos, cabeça erguida!

Eu suspirei. Shunrei podia ser bem mandona quando queria.

— Sério, - eu falei - acho mesmo que prefiro ficar aqui.

— É pro seu bem. - Ela insistiu.

— Não podemos deixar pra outro dia? - Eu tentei mais uma vez.

— Não. - Ela foi firme.

Uma longa, longa pausa se seguiu.

Era inútil tentar lutar contra a Shunrei, afinal. Ela era a garota mais determinada que eu já conhecera depois da Misuki.

Tudo bem, estava na hora de parar de me esconder mesmo.

Suspirei novamente, dessa vez com resignação, antes de perguntar:

— Quem vai?

oOo

Acabei indo, claro. Uma noite de Sábado com a Shunrei e o Shiryu na casa imensa do pai dela.

Pensei que seria terrível, mas não foi tão ruim assim. Os pais dela não estavam em casa e nós ficamos jogando War e falando bobagens.

Os eventos da noite de Natal e o nome de Hyoga não foram mencionados, exceto por uma única vez, quando Shunrei comentou alguma coisa sobre estar se sentindo abandonada porque Shiryu estava sempre ocupado, eu estava de castigo, e Seiya também havia voltado para o Japão logo depois de Hyoga ter ido embora.

Meu rosto deve ter transparecido alguma coisa nesse momento porque Shunrei mordeu os lábios constrangida, e Shiryu se voltou pra mim com uma confiança peculiar.

— Ele sente sua falta também. - Ele disse - Vai dar tudo certo. Vocês vão ficar bem.

Eu pisquei surpreso.

— V-você acha?

Ele sorriu de uma maneira estranha.

— Eu tenho certeza.

Eu queria poder acreditar nele. Queria muito. Mas como ele poderia saber?

Eu tive vontade de chorar. Depois quis enchê-lo de perguntas, mas o assunto já tinha mudado outra vez. Shunrei queria conquistar a Europa e desafiou meus exércitos pra dominar Moscou. Eu não podia deixar.

Depois do jogo nós fomos jantar. A comida estava deliciosa. Shunrei mesma que havia preparado. Eu não sabia que ela tinha feito um curso de culinária clássica. Consegui comer duas garfadas, depois meu estômago se contraiu numa pequena noz e me senti enjoado.

Ela fez mini-tortas de chocolate com damasco como sobremesa também. Eu era louco por torta de chocolate com damasco. Poderia comer dez, uma atrás da outra. Mas, por algum motivo, daquela vez o creme de chocolate me pareceu meio estranho, e o damasco estava me olhando com cara de mau. Dei apenas uma garfada e fui obrigado a afastar o doce.

Meus amigos me olhavam preocupados e resolvi pelo menos aceitar o vinho.

Depois de duas taças já me sentia muito mais feliz.

Resolvi que não faria mal estar feliz um pouco.

Então tomei outra. E mais uma.

No fim, Shunrei achou que eu deveria dormir ali.

Conversou alguma coisa com o Ikki pelo telefone sobre ser uma boa idéia pra mim passar uma noite com os amigos e então eu me vi empacotado na cama do quarto de hóspedes, com a cabeça afundada no travesseiro mais macio em que já tinha deitado.

Era uma cama magnífica, toda entalhada. E haviam cadeiras com brocado e pés de quartzo também. Espelhos de Murano, cortinas pesadas de tecido luxuoso, e o tipo de papel de parede que a gente só vê em hotel.

— Olha só… - Eu falei rindo - O tapete é da cor da sua blusa! É tão lindo… - Eu solucei - É tudo muito lindo…

Tudo bem, eu estava bem bêbado.

Shunrei riu.

— Dorme bem - Ela disse - E não deixe as minhocas da sua cabeça te perturbarem.

E por incrível que pudesse parecer, depois de duas semanas, eu realmente dormi.

oOo

Acordei no dia seguinte com uma fresta de sol entrando pelas cortinas. Tentei puxar a coberta pra cima da cabeça mas não foi suficiente. Minha cabeça estava me matando. Minha boca estava seca e com um gosto nojento.

Fechei os olhos pra mandar a luz dolorosa embora, e vagarosamente, vagarosamente, tentei abri-los outra vez. Me arrependi imediatamente. Minha cabeça latejou.

Estranho… eu não tinha me sentido desse jeito depois da bebedeira na boate na noite de Natal.

Talvez estivesse ficando gripado.

Tentei me arrastar até o banheiro, mas no momento em que me levantei da cama, tive vontade de voltar pra lá outra vez. Estava enjoado, e parecia que alguém tinha batido na minha cabeça com um taco de beisebol. Os meus poros rescindiam a álcool, e cheiravam azedo. E as minhas roupas… Argh! Nojento.

Meu estômago revirou. Corri para o banheiro e levantei a tampa da privada, despejando tudo nela. Minha boca agora parecia o fundo da gaiola do Yuu-chan. Precisava de um banho ou ia enlouquecer.

Por sorte, Shunrei havia deixado escova de dente, toalhas, e uma troca de roupa dela preparadas pra mim - sim, podem rir, eu cabia nas roupas de uma garota magra.

No chuveiro, escovei os dentes várias vezes, lavei compulsivamente o cabelo e repeti o processo no resto do corpo. Depois, me encolhi contra a parede azulejada e deixei a água quente correr... E correr... E correr. Só esperava não estar muito atrasado para o café. Almoço. Sei lá.

Depois de me secar, vesti o conjunto de moleton que a Shunrei me emprestara e desci as escadas tentando adivinhar meu caminho até a sala. As cortinas estavam abertas no andar de baixo, e eu percebi que nevara durante a noite. New York estava coberta por diversos centímetros de neve novamente. O brilho branco me fez cobrir os olhos, e minha cabeça latejou outra vez.

— Bom dia, Raio de Sol. - Eu ouvi a voz da Shunrei cumprimentar divertida.

Olhei na direção da voz e agradeci mentalmente por ela estar sentada sozinha na mesa imensa. Não estava em condições de ser sociável no momento.

— Uau, você parece péssimo. - Ela riu dos meus cabelos molhados e dos olhos inchados.

— Acho que eu estou ficando com gripe. - Resmunguei enquanto me arrastava até lá e me ajeitava na cadeira mais próxima.

— Pra mim parece mais uma ressaca. - Ela riu outra vez.

Eu bufei.

— O que não entendo é como as pessoas realmente acham que beber é divertido.

— Bem, você parecia estar se divertindo bastante aquela noite na boate. - Ela disse sem pensar. E então se desculpou em seguida, ante minha careta de desânimo.

Depois, deslizou um prato de torrada seca na minha direção.

— Vamos, coma isso. E beba um pouco de água também. Mas não muito, ou você pode vomitar.

— Eu já vomitei. - Eu falei mau humorado.

— Bem. Você está começando bem. - Ela riu.

Eu suspirei, encarando a torrada no prato a minha frente.

— Anda, - ela acenou para o meu prato - você vai se sentir melhor se comer.

Eu dei uma pequena mordida na torrada e fiz uma careta. Eca. Não estava com fome.

Acabei deixando a torrada de lado e pegando um copo de água. Dei um pequeno gole. Ah, sim! Água era bem melhor. E um café talvez.

— Então… onde está o Shiryu? - Eu perguntei.

O sorriso de Shunrei murchou imediatamente e suas sobrancelhas finas se contraíram.

— Ele foi embora ontem à noite. - Ela disse. - Nós não passamos o tempo todo juntos, sabe?

Eu bufei com ironia.

— Ah, sim, claro. Por isso que você e eu saímos a beça na faculdade.

Ela me olhou espantada, e eu levei a mão a boca horrorizado. Ah, meu Deus, por que tinha dito aquilo?

Agora era definitivo. Meu mau humor estava totalmente fora de controle.

Suas sobrancelhas se contraíram mais, e sua pele clara ficou avermelhada.

— Eu sei que isso vai ser chocante para você, Shun, mas você não é o único com problemas aqui. Shiryu e eu não estamos exatamente nos melhores termos nesse momento.

Eu me encolhi na cadeira, sem saber onde me enfiar.

— Me desculpe. - Disse. - Eu…não sabia. Ontem à noite não pareceu que vocês… Sinto muito.

Ela deu de ombros, remexendo na borda de seu copo de suco.

— Tudo bem.

Mas não estava tudo bem. Shunrei estava com problemas, e eu nem havia percebido isso. Porque estava preso demais aos meus próprios dramas.

E ela e Shiryu haviam me ajudado aquela noite na boate. Ela havia se preocupado em me ligar várias vezes depois disso também, e até fizera um jantar pra me tirar de casa.

E eu a ignorara.

O que havia de errado comigo? Eu não fazia nada direito? Por que não conseguia ser o Shun gentil de sempre outra vez? Será que agora também era incapaz de manter um amigo?

— Sinto muito - Eu falei outra vez, sentindo meu coração afundar. - Não tenho feito nada certo.

Mas ela apenas sorriu, puxando uma de suas longas tranças. Estava desconfortável, uma emoção incomum nela.

Eu respirei fundo, retribuindo o sorriso. Tudo bem, estava na hora de dar um jeito naquilo.

— Então... - Eu perguntei. - O que está acontecendo entre vocês?

Ela torceu os lábios, hesitante.

Eu esperei. Levou um minuto pra que ela começasse a falar, mas quando começou, foi como se uma represa tivesse explodido.

Aparentemente ela e Shiryu estavam discutindo mais vezes do que eu pensara. Sobre a falta de comprometimento dele com a faculdade. Sobre suas faltas. Sobre ela estar pressionando ele. Sobre ele estar tomando as dores do Hyoga.

Nesse ponto eu a interrompi.

— Como assim?

Ela inclinou a cabeça, como se estivesse ponderando se deveria ou não continuar. Por fim suspirou e disse.

— O Hyoga é meu amigo, você sabe. Mas ele vem se comportando de um modo horrível. O que ele fez com a Freya foi muito errado, ainda que naquela ocasião eu pudesse entender seus motivos. Mas agora, isso? Sumir assim, sem dar notícia? - Ela estalou a língua, indignada. - Só que toda vez que eu falo sobre isso com o Shiryu ele apenas diz que isso não é meu assunto, e que eu não deveria falar do que eu não sei. Mas o que é que ele sabe?

— Você acha que ele sabe de alguma coisa? - Eu perguntei subitamente ansioso.

Ela balançou a cabeça.

— Não… Quer dizer, não sei. É só que às vezes… - Ela mordeu os lábios - Às vezes, eu sinto que ele está me escondendo alguma coisa, sabe. Alguma coisa grande.

Ela fez uma pausa outra vez. Tão longa que eu achei que não voltaria mais a falar, até que ela disse:

— Eu ouvi sem querer uma conversa dele no telefone esses dias. Ele estava falando com alguém sobre uma garota, e parecia bem sério. Pandora. Foi o nome que ele falou. Mas quando eu perguntei, ele desconversou, disse que estava falando com o tio dele e que eu tinha ouvido errado. Mas eu ouvi muito bem. Pandora, ele disse. Você acha que ele…? - Ela deixou que as palavras morressem sem coragem pra concluir a frase, e piscou pra afastar as lágrimas.

— Não! - Eu falei depressa, afastando o prato pra segurar a mão dela sobre a mesa, tentando passar conforto. - É claro que não! Deve existir uma boa explicação pra isso, você vai ver.

Mas eu não tinha tanta certeza. Shunrei era perceptiva, e não costumava formar conclusões precipitadas.

Mesmo assim, o Shiryu? Não, não era possível. Quer dizer, se um cara como o Shiryu cabulava aulas sem motivos e traía a namorada, então não havia mais esperanças para o resto da humanidade.

Ela assentiu, respirando fundo antes de voltar a falar.

Ela também estava chateada porque seus pais estavam se divorciando. E ela perdera a melhor amiga. Freya não falara mais com ela depois do incidente da boate. O que me fez sentir ainda mais culpado.

Na verdade, durante todo o tempo em que ela estivera desabafando eu me senti tão envergonhado. Eu não havia percebido que ela não tinha ninguém para falar. Quer dizer, eu sabia que a Freya era a melhor amiga dela, e que ela não estava muito presente, mas de alguma forma eu esqueci que isso significava que a Shunrei não tinha mais ninguém pra conversar. Ou talvez eu presumira que o Shiryu fosse o bastante.

— Mas nós vamos nos entender. - Ela disse sobre ele outra vez. - Nós sempre nos entendemos. Só é difícil.

Eu entreguei um guardanapo de papel para ela, e ela assoou o nariz.

— Obrigada.

Ela estava tentando não chorar de novo, e novamente eu me senti a criatura mais egoísta e insensível do planeta.

"Shun, o pior amigo de todos."

Eu não era diferente da Freya, afinal. Eu também tinha abandonado uma amiga.

Estranhamente perceber que havia outros problemas além do meu, outras pessoas que precisavam de mim, me fez sentir melhor.

Percebi que ter tentado evitar meus amigos fora um erro. Não era melhor passar pelos problemas sozinho.

Voltei pra casa algum tempo depois me sentindo entristecido, e estranhamente consolado.


Bem, e este é o ch da vez, espero que tenham gostado ˆˆ.

E aqui temos Shun entrando na segunda fase da fossa. Muita raiva e sentimentos irracionais de vingança. Pensamentos obscuros. Bad Shun voltando com tudo kkkkkkk

Sim, eu sei que é triste, e injusto, e que o Shu-Shu está sofrendo, mas eu ri muito nesse ch XD.

Kelly intrometida deve ser discípula do Dite kkkkk (zoeira)

E Shiryu e Shurei com problemas no paraíso tb por causa de Pandora. Shunrei entendendo tudo errado, mas fazer o quê XDD.

Então, é isso aí. ;) Ch que vem será um extra inédito do Shiryu com muita participação dos gêmeos, e depois teremos um inédito do Oga ˆˆ. Como são extras inéditos, eles serão postados semanalmente entrando no lugar dos POVs do Suhn. O que significa que vcs ficarão um tempinho sem ver o Shunny, ok? Mas calma que logo, logo ele volta ˆˆ.

Enfim, espero que curtam as postagens da noite, muito obrigada mais uma vez a todos que acompanham e em especial à Dark. ookami e Tharys por conseguir um tempinho na correria do dia à dia pra me fazer muito feliz com um lindo review ˆˆ.

Bjões