Dalton
Episódio 20: Atos Duplos — parte 03
Nota: alerta para garotos sendo garotos e usando vulgaridade.
Surpreendentemente, Logan não esperou que Kurt saísse do ensaio dos Warblers. Ele nem o seguiu nem o acompanhou até a Casa Stuart. Foram os outros Warblers que foram com ele pelo prédio Sul e Principal, e Kurt, enquanto eles se preparavam para partir, encurralou os gêmeos.
— Me digam no momento que descobrirem o que diabos está acontecendo com o David — disse-lhes, assistindo o garoto que parecia estar perdido em pensamentos, caminhando para longe sem nem perceber que suas companhias não estavam fazendo o mesmo. Wes foi atrás dele. — Vocês vão interrogar ele cedo ou tarde.
— Vamos sim — disseram os gêmeos alegremente, agraciados por Kurt finalmente estar pensando como eles. — E isso significa que temos permissão para fazer o que quisermos com o Logan? Estávamos pensando em paintball.
— Não. — Kurt revirou os olhos e os soltou. — Apenas não.
— Você vai ficar bem, Kurt? — perguntou Reed, parecendo estranhamente sem fôlego e selvagemente superanimado, abraçando partituras de música.
— Sim... — respondeu Kurt, confuso.
— Ótimo! A gente se vê em Windsor? — E então Reed saiu correndo em velocidade recorde. Blaine o olhou atordoado.
— Reed! Não corra tão rápido, você vai cair! — Ele suspirou e colocou uma mão nas costas de Kurt para beijá-lo brevemente. — Me avise assim que acabar.
— Hm... — Kurt apenas sorriu. — Você está sendo lamentavelmente superprotetor.
— Gosto de marcar meu território. — Depois de dizer isso, Blaine ergueu a cabeça de repente, fazendo uma careta. — Parece que você tem escoltas para ir até lá, de qualquer jeito.
Derek estava caminhando até eles com suas intenções claras, e Blaine assentiu para ele. Derek apenas retribuir o gesto levemente. Blaine segurou Kurt por mais um pouquinho e disse:
— Te vejo em Windsor.
— Até logo. — Kurt segurou a alça de sua bolsa enquanto Blaine se afastava, olhando para trás apenas levemente como se para garantir que ele fosse ficar bem. Como ele já estava perto de Windsor, Kurt então virou-se para Derek, que o avaliou rapidamente antes de dizer:
— Certo, então. Me siga.
Derek o guiou até a Casa Stuart, e Kurt perguntou:
— Vocês sempre tratam visitantes como se eles estivessem em um quartel de espionagem?
— Se você fosse de Hanover não haveria problemas — comentou Derek. — Mas você sabe do nosso rolo com Windsor. Especialmente depois que um certo rouxinol premiado sumiu do nada.
Kurt puxou o colarinho levemente com uma tosse. Tal rouxinol premiado estava no seu quarto nesse exato momento. Derek ou não percebeu, ou não prestou atenção, ou não ligava. Eles estraram na Casa.
Stuart era muito parecida com Windsor — mas tinha seu próprio charme sofisticado. Windsor parecia com um lugar habitado, afetada pelo tempo e as artimanhas de vários garotos pelos anos, mas a Casa Stuart parecia-se mais como um localização formal onde reuniões aconteciam e tinha um ar de estrita sofisticação. Ao contrário do ar muito Tudoriano da sua casa, Stuart parecia-se mais com uma antiga mansão, com mármore e pedras dominando.
Havia conversas na Casa e nos corredores, mas era pouco. Kurt espiou alguns garotos na sala comunal, olhando por cima de livros ou trabalho, enquanto outros estavam claramente discutindo política na cozinha — que era mobilhada com mais arsenal para café do que Kurt sentia-se confortável em ver fora de uma cafeteria.
Um garoto com cabelo castanho desceu as escadas, música tocando em seus fones de ouvido, e cumprimentou Derek ao tirá-los.
— Oi, Derek. — Ele olhou para Kurt e piscou. — E... Alice?
Kurt bufou. Como todos na escola pareciam conhecê-lo por esse apelido era um testamento da influência dos gêmeos, mas pelo menos esse garoto provavelmente sabia porque ele era dos Warblers.
— O nome dele é Kurt, Bailey — disse Derek com uma careta.
— A gente se conhece – respondeu Kurt, sorrindo para ele.
— Tá aqui para ensaiar com o Logan ou algo assim? — perguntou Bailey, os olhos amigáveis. Kurt olhou para ele, confuso. Isso também pareceu confundir Bailey. — Para os Warblers? Para a Feira do Dia dos Namorados? Eu passei pela ante-sala e ouvi ele tocando o teclado, imaginei...
— Ele está aqui sob ordens de Murdoch. Para aula de reforço — respondeu Derek friamente.
— Reforço? — zombou Bailey. — Pra que? Ouvi dizer que as suas notas foram as mais altas entre os novatos que fizeram as avaliações. — Isso confundiu Kurt ainda mais, e Derek estava agora encarando o amigável garoto nas escadas.
— Cadê Julian? — exigiu ele.
— Lá com o Logan.
Derek correu escada acima. Kurt olhou para Bailey, que estava com uma cara culpada.
— Ei, eu falei algo de errado?
— Não, não falou — replicou Kurt firmemente.
— Tá — disse Bailey, parecendo surpreso. Ele assistiu Kurt seguir Derek, parecendo um pouco preocupado. Depois de um momento de hesitação, ele foi atrás deles.
Derek guiou Kurt até a ante-sala onde uma vez Pavarotti morara. A única porta aberta na área era a de Logan e Bailey estivera certo — estava vindo música do cômodo. Derek abriu a porta para encontrar Logan ao teclado e Julian sentado perto da janela, partituras de música nas mãos.
O quarto de Logan era do tamanho de um quarto em Windsor, e ele era o único ocupante. A diferente era que o quarto fora claramente feito para apenas uma pessoa. Se algum dia houvera um quarto de Rei, esse era o dele, aninhado no canto do piso. Quando os três garotos de Stuart agora olharam para ele, Kurt nunca tinha se sentido tanto no território deles em sua vida.
Mas Logan sorriu e se levantou.
— Oi, Kurt. Desculpa não ter vindo com você; eu vim direto. Tinha ideias demais para o concurso que o Harvey e a Medel falaram.
— Sim, ele tinha. — Julian parecia desesperado, acenando as partituras. — Nem sou um Warbler e tenho que lidar com isso. Por que você não pediu para Bailey ou Thadeeus ou algum outros Warblers para cantar com você?
— Você disse que já tinha lançado um single — comentou Kurt, caminhando até Logan.
— Não significa que aprecio ficar cantando para coraizinhos de escolas particulares... — respondeu Julian friamente.
— Ignore o Julian, ele tem um pau enfiado no rabo. — Logan o encarou, ao que seu amigo apenas respondeu:
— Só porque você colocou lá, Logan.
— Vocês dois podem parar agora com essa paquera cara de pau antes que vocês me envergonhem ainda mais — disse Derek sarcasticamente enquanto Logan continuava a encarar o ator. Derek olhou para seu melhor amigo e então para Kurt, e disse: — Vamos deixar vocês dois em paz.
Julian pulou do assento na janela e ofereceu as partituras pomposamente para Kurt com um sorriso que Kurt reconheceu dos cartazes de seu seriado de TV. Kurt olhou-o por um instante e então pegou as partituras.
— Boa sorte — disse Julian com outro sorriso ao caminhar para fora do cômodo.
Derek olhou para Logan por um longo tempo. Logan o encarou de volta, e suspirou em resposta, pegando um frasco de remédio. Derek assentiu e saiu do quarto. Assim que eles já tinham partido, Kurt virou-se para Logan.
— Amigos interessante que você tem.
— Eu não tenho bem eles; me surpreendo que eles me aturaram como você faz, na verdade — respondeu Logan, sorrindo para ele. Ele indicou para que ele se sentasse na segunda cadeira à sua mesa. Mesmo ao se acomodar, Kurt continuou olhando para o teclado no quarto, e as partituras em suas mãos.
— Então basicamente, eu vou te ajudar com as aulas de literatura de Murdoch, certo? — perguntou Logan, pegando alguns livros. Ele sentou-se ao lado de Kurt, perto o bastante para que não passasse despercebido, mas não perto o bastante para desafiar a cautela. — Isso quer dizer... — E ele colocou um livro com um baque na mesa. — Que tudo que eu tenho que fazer é tecnicamente te dizer que tipo de coisa ele gosta que os alunos escrevam em avaliações.
Kurt arqueou uma sobrancelha. Logan sorriu torto.
— Você não precisa de ajuda. Sei bem disso. Ele provavelmente só está pegando no seu pé. Mas, para ser franco, o fato de você estar tendo "reforço" comigo já vai te ajudar a ser um aluno exemplar sob os olhos dele. — Ele abriu o livro. — Ele fez a mesma coisa com o Blaine quando ele veio pra cá.
— Fez? — Kurt sentiu-se um pouco intrigado.
— Ele faz isso com todo novato que tenta desafiar ele — informou-lhe Logan. — Mas depois de mantar Blaine para ter reforço comigo, o que basicamente envolve eu escrevendo um relatório medíocre para ele, ficou tudo bem.
Kurt lembrou-se da conversa que ouvira os dois terem no corredor.
— … foi assim que você e o Blaine se aproximaram?
— Hm? Mais ou menos, eu acho. — Logan deu de ombros, escrevendo números de páginas em papel. Ele nem o olhou. — Ajudava que nós dois éramos Warblers. — Depois de uma pausa, ele acrescentou: — … então você sabe que a gente já namorou?
— O jeito como vocês discutem deixa óbvio — disse Kurt francamente.
— Ah... bem... — Logan sorriu fracamente. — Isso foi... antes. Aqui. — Ele lhe deu os números de páginas. — Posso quase garantir que vai cair só o que tem nessas páginas na próxima páginas. — Ele sorriu.
Kurt pegou o papel e o encarou incredulamente.
— É isso?
— É isso. — Logan deu de ombros. Ele inclinou-se um pouco na direção ele, sorrindo. — Isso é basicamente todo o reforço que você precisa por hoje. Não há de quê.
— Essa escola é ridícula — disse Kurt em desgosto. — Como ainda está de pé é um milagre.
— Eu sei, mas ainda está de pé pelos menos motivos que é ridícula: doações demais em troca da viagem de poder aqui e ali. Eu sou prova viva disso.
— Como você conseguiu voltar...? — perguntou Kurt, olhando-o. — Você foi... expulso, certo?
— Bom, teve o meu pai... e então dinheiro... e então o meu pai — respondeu Logan calmamente, bem próximo dele agora. — Isso e Murdoch gosta de pensar que sou um dos melhores alunos dele. Ele gostaria de me manter em Stuart, então me ajudou a conseguir permissão para voltar.
A burocracia da escola continuava a maravilhá-lo. Murdoch deveria ter o mesmo poder que Sue Sylvester, mas terrivelmente menos audacioso e esperto se seus próprios alunos conseguiam pisar ele tão facilmente.
— Eu deveria ficar aqui pela próxima... — Kurt olhou para o relógio perto da cama — … uma hora de meia.
Logan considerou, assentindo.
— Hm. Você tem razão aí. — Ele pensou um pouco, e então indicou as partituras. — Que tal você me ajudar, então?
— Te ajudar como? — Kurt cruzou as penas e arqueou uma sobrancelha. Logan indicou as músicas nas partituras ainda nas mãos de Kurt.
— Preciso de mais alguém para cantar um dueto.
Kurt olhou para os papéis enquanto Logan, sem dificuldade devido a suas longas pernas, puxou o teclado de onde estava. Kurt agora olhou para ele, tenso.
— Você quer que eu... cante com você? Para os duelos?
Logan o olhou, aproximando-se um pouco enquanto trazia o teclado para perto deles. Com a questão, ele virou-se lentamente para ele.
— Está oferecendo? — perguntou quietamente, olhando-o intensamente.
O peito de Kurt enrijeceu.
— Foi só uma pergunta.
Um silêncio incômodo se seguiu.
— Seria legal... — disse Logan distantemente, sem olhá-lo. — … sabe, considerando como Medel pareceu gostar do nosso último dueto... mas, se você não estiver confortável com isso, posso fazer outra pessoa cantar comigo no dia da apresentação.
Kurt sabia que Medel gostava dos dois cantando juntos. A oferta automática para as Regionais era um sinal. Se isso não garantia que os dois ganhariam um dos quatro lugares oferecidos, nada garanti, mas Kurt não estava preparado para cantar uma canção de amor com Logan no lugar de Blaine.
— Então... você estaria disposto a, talvez... cantar comigo, só um pouquinho, por enquanto? — murmurou Logan, começando a tocar a música um pouco. Ele o olhou intensamente, hesitante em pedir demais. — Nós soamos bem juntos, sabe.
Isso era verdade. Desde aquela primeira vez. Depois de uma longa pausa, Kurt suspirou.
— Eu... acho que posso oferecer meus talentos para ajudar, mas só por enquanto — disse ele finalmente, com um tom arejado para esconder o fato que seus lábios estavam repentinamente secos e ele sentia um nó estranho no estômago. Ele tocou algumas notas com sua mão. Ele não conseguia esquecer como Logan soava quando eles cantavam juntos. Ele sempre parecia como se estivesse realmente, verdadeiramente com controle de si. — Não vou cantar com você para o duelo. Só ensaio. Pra que fique claro.
Logan apenas sorriu fracamente para ele por um longo momento.
— … obrigado, Kurt.
Soou genuíno. Kurt o olhou pelo canto tos olhos enquanto Logan virou-se para as partituras, as mãos sobre o teclado, muito muito próximo novamente. Logan fechou os olhos e respirou fundo.
Let me hold you for the last time (Deixe-me segurá-lo uma última vez)
It's the last chance to feel again (É a última chance de sentir de novo)
But you broke me, now I can't feel anything (Mas você me quebrou, agora não sinto mais nada)
Kurt ergueu a cabeça com as palavras. Logan não estava olhando. Ele estava apenas cantando, naquela voz que era tão familiar agora, com seu próprio toque na letra.
When I love you and so untrue (Quando eu amo e é tão sem verdade)
I can't even convince myself (Mal consigo convencer a mim mesmo)
When I'm speaking it's the voice of someone else (Quando falo é a voz de outra pessoa)
Oh, it tears me up (Ah, me entristece)
I tried to hold on but it hurts too much (Tento me segurar mas dói demais)
I tried to forgive but it's not enough (Tento perdoar mas não é o bastante)
To make it all okay (Para ajeitar as coisas)
Ele começou a tocar, e a música preencheu o ar. Kurt o encarou, admirado com o fato de ele conseguir cantar assim. Havia apenas uma vez em que ele era capaz de lutar com a escura névoa e falar. Quando ele cantava — Logan era outra pessoa.
You can't play our broken strings (Você não consegue tocar com cordas quebradas)
You can't feel anything (Você não consegue sentir nada)
That your heart don't want to feel (Que seu coração não quer sentir)
I can't tell you something that ain't real (Não posso te dizer algo que não é real)
Oh, the truth hurts and lies worse (Ah, a veradde dói e as mentiras são piores)
How can I give anymore? (Como posso dar mais?)
When I love you a little less than before? (Quando amo um pouco menos que antes?
As palavras tinham significado, sem dúvida. Kurt fechou os olhos, e Logan virou-se para ele, assistindo intensamente enquanto o contratenor agora tomava a letra.
Oh, what are we doing? (Ah, o que estamos fazendo?)
We are turning into dust (Estamos virando poeira)
Playing house in the ruins of us (Brincando de casinha na nossa própria ruína)
Logan, assistindo-o, sentiu seu coração bater com força, e juntou-se a ele, os dois olhando-se.
Running back through the fire (Correndo de volta ao fogo)
When there's nothing left to say (Quando não há mais o que dizer)
It's like chasing the very last train (É como perseguir o último trem)
When it's too late, too late (Quando é tarde demais, tarde demais)
Oh, it tears me up (Ah, me entristece)
I tried to hold on but it hurts too much (Tento me segurar mas dói demais)
I tried to forgive but it's not enough (Tento perdoar mas não é o bastante)
To make it all okay (Para ajeitar as coisas)
Suas vozes caminharam pelo quarto, a música saindo pela casa. Bailey, no corredor, ergueu os olhos com a música, aturdido. Os Stuarts por perto também se surpreenderam. Com o som da música, Derek parou de andar, e Julian ergueu a cabeça com um sorriso estranho.
You can't play our broken strings (Você não consegue tocar com cordas quebradas)
You can't feel anything (Você não consegue sentir nada)
That your heart don't want to feel (Que seu coração não quer sentir)
I can't tell you something that ain't real (Não posso te dizer algo que não é real)
Os dois se entreolharam enquanto continuaram a cantar, cantando sem nenhum impedimento, envolvidos na música e na letra. Todos na Casa Stuart, sem ter ouvido esse tipo de cantoria em um longo tempo, pararam para ouvir.
Oh, the truth hurts and lies worse (Ah, a veradde dói e as mentiras são piores)
How can I give anymore? (Como posso dar mais?)
When I love you a little less than before? (Quando amo um pouco menos que antes?
Suas vozes continuaram a fundir e se entrelaçarem, palavras ondulando uma dos as outras. E finalmente, quando o final da música aproximou-se, um tom lendo, os dois ergueram os olhos para se olhar.
Let me hold you for the last time… (Deixe-me segurá-lo uma última vez...)
It's the last chance to feel again… (É a última chance de sentir de novo...)
A música terminou, os dois sem fôlego. Logan continuou a encarar Kurt com uma expressão estranha, e Kurt encarou em retorno por um momento, até que lambeu os lábios secos e virou-se, olhando para o teclado. O silêncio durou por um longo tempo enquanto os dois tentavam recuperar o fôlego.
Logan virou-se para o teclado.
— … fui longe demais, não é?
— A gente só estava cantando — sussurrou Kurt.
— … você sabe que não é verdade. — Logan olhou para o teclado por um momento. — … não consigo evitar... não com você por perto.
— É melhor que deixar você preso dentro de você até que exploda. O que acontece depois, então?
Logan o olhou, contemplando seu perfil silencioso por um longo momento.
— … não conte pro Blaine.
Isso surpreendeu Kurt. Ele ergueu a cabeça para encontrar os olhos de Logan. Logan balançou a cabeça, desviando os olhos, os dedos tamborilando a superfície do teclado.
— Não conte pra ele. Se isso for atrapalhar vocês dois... não conte pra ele.
Kurt balançou a cabeça.
— Se você acha que uma música vai separar nós dois, você está tristemente errado.
— Bom, contanto que fique claro... — murmurou Logan, passando uma mão pelo cabelo. Ele parecia afastado novamente, como se lembrando de algo distante. — … ele definitivamente não vai desistir de você por causa de uma música.
— O que você quer dizer com isso?
— O mesmo que você falou. Que Blaine... pode ser extremamente leal... até demais. — Ele encarou a janela. — Perigoso... até.
Kurt assistiu Logan e sentiu-se sorriu levemente. Então aqueles dois gostavam de se odiar... mas enquanto isso pudesse ser verdade, memórias ficavam e os dois continuariam, de certas formas, respeitosos um pelo outro.
Talvez Logan sentiu isso, porque ele disse:
— O que aconteceu com Blaine foi há um bom tempo, Kurt. E acabou ruim. — Ele virou-se para ele. — … não posso cometer o mesmo erro com você. Você... Me importo demais para te perder. Talvez você não sinta o mesmo... mas se você percebeu,, eu não consigo sentir muito. Então tem muita dor também. Então o que quer que a gente tenha gora... se você quiser chamar de alguma forma retorcida de amizade... eu aceito. Melhor do que não ter você. — Ele parou e o olhou intensamente. — … podemos pelo menos ter isso?
Levou um momento, mas não havia muito sobre o que pensar. Kurt ergueu os olhos para ele.
— David!
— Eu te falei...
— David. — Wes o encurralou na parede do quarto deles. O resto dos conspiradores estava atrás dele, todos encarando David. — Se você não contar para eles, eu conto.
— Contar o quê? — exigiu Blaine. — David, o que está acontecendo? Você mal falou o dia todo, e isso simplesmente não é normal. A gente deduziu que deve ter alguma coisa de errada com a Katherine. Mas você precisa nos dizer o que é para que a gente possa ajudar de alguma forma!
Os gêmeos agora estavam um de cada lado de David, que basicamente estava preso no espaço em que as duas paredes se encontram.
— David... — Wes moveu-se para a frente e colocou uma mão no sue ombro. — Não gosto de te ver assim, cara. Se você não pode dizer pra todos nós, pelo menos me diga! Eu estava lá, vi a sua cara...
— Tá bom! — David pulou para ele raivosamente. Ele olhou para as expressões deles e desistiu. Tá bom. — Ele olhou apreensivamente para eles, que o olharam com preocupação. Ele inspirou fracamente e passou por eles, sentando-se no sofá na sala de estar com um sorriso. — … ela... os médios disseram que... a cirurgia só pode ajudar até certo ponto, que ela muito provavelmente vai precisar de um transplante, mas a coisa é que se isso continuar, ela pode piorar e... — Ele suspirou, colocando a cabeça entre as mãos. — Não consigo parar de pensar que em qualquer minuto...
— Você tem que parar com isso. — Blaine caminhou até ele e se sentou ao seu lado. Ele o olhou com preocupação. — Você tem que parar de fazer isso com você mesmo.
— Eu só... Não posso... — David tentou encontrar as palavras. Ele inspirou tremulamente, olhando ao seu redor e em algo em que se encostar. Quando ele esticou a mão em um gesto desamparado, alguém automaticamente a pegou. Ele ergueu os olhos. Wes apenas o encarava intensamente, esperando.
David exalou, encarando seu amigo.
— Eu não posso perder ela. Isso não é justo! Eu tentei... eu tentei de tudo. E ela ainda... — Um suspiro profundo, resignado. — É como se estivesse desmoronando a minha volta. Eu sei que vocês ficam me dizendo que não é culpa minhas, mas é.
— Nem ela acha isso — disse Wes, sentando-se na mesa, inclinando-se na sua direção.
David apenas balançou a cabeça e evitou os olhos deles.
— Você faz tudo que pode por ela — disse Wes pacientemente. — Se você realmente acha que tem tão pouco tempo, então não passe ele assim, David. Quer dizer... conhecendo ela como conheço, ela ficaria tão puta da vida que você está sentado aqui se culpando por tudo. Ela ficaria uma fera, com certeza. Você sabe disso, né? — David abriu um sorrisinho amargo. Wes continuou: — O que aconteceu antes... foi um acidente que nenhum de vocês queria. E você fez tudo que podia para consertar as coisas, pra fazê-la feliz; tudo. Eu sei porque eu estava lá para assistir. E me corrija se eu estiver errado, mas nem todo mundo pode dizer que tentou tanto quanto você.
— Vai dar tudo verto — disse Dwight, aproximando-se. Ele parecia incomodado e inquieto como sempre, mas sentou-se no círculo com eles. — Ainda não acabou. Você não pode desistir agora; já foi longe demais. Não desista de si mesmo e dela.
David olhou para eles, e para os outros Windsor ao seu redor. Todos estavam olhando-o, e segurando-se a ele com uma mão no sue braço ou em suas costas. Não parecia que eles iriam a nenhum lugar também. Eles estavam ali, seu sistema de apoio.
Blaine empurrou ele levemente com o ombro.
— Sei que você acha que tem que fazer tudo sozinho. E estamos realmente orgulhosos de você, que você cuidou dela assim por tanto tempo. Mas eu acho... acho que é hora de deixar a gente te ajudar um pouco também. Você fez o mesmo com a gente. E queremos ajudar. Mesmo que seja apenas como um ombro-amigo ou apenas estando lá. Você não tem que passar por isso sozinho.
Wes colocou uma mão no seu ombro e sorriu.
— Então, o que você diz? Deixa a gente ajudar um pouco? Só um tiquinho. Deixe a gente te ouvir ou algo assim.
Houve uma pausa, e então David olhou para os garotos de Windsor ao seu redor, todos simplesmente esperando por uma resposta, ansiosos para ajudá-lo da forma como sempre tinham ajudado um ao outro. Ele sentiu sua garganta se fechar muito sutilmente.
— ... um pouquinho... um tantão... — David riu amargamente com olhos marejados. — Tá, tudo bem. Preciso de ajuda. Eu realmente... realmente preciso de ajuda. Eu...
Os gêmeos riram e pularam no sofá, puxando-o para um braço. Blaine sorriu enquanto Wes bateu no ombro de seu amigo levemente. David deixou os gêmeos o afogaram por um intantes — aqueles dois que ainda agiam como se tivessem cinco anos — e até retribuiu o abraço, mas sorriu para Wes.
Houve uma batida gentil na porta, fazendo todos olharem. Reed estava bisbilhotando, sorrindo, com Kurt ao seu lado. os dois se entreolharam e então para os garotos dentro do quarto.
— David — disse Kurt calmamente —, eu estava vindo pra cá quando vi alguém passeando lá por fora... e considerando que garotas não têm permissão para estar no campus, eu ofereci pra colocar ela pra dentro.
— Ela...? — David encarou.
Reed deu um passo para o lado e uma garoto bonita em roupas comuns confortável apareceu na porta. David, os olhos arregalando-se, pulou de pé.
— Katherine...?
— Ei, você. — Ela sorriu, acenando um pouco, ainda magra e pálida.
— Katherine... — David se afastou dos outros e correu até ela. — O que você está fazendo aqui? Você não deveria estar aqui; devia estar descansando ou...
— Eu falei pra minha mãe que... queria descarregar um pouco. Foi meio difícil mas quando dei meus motivos, acho que ela entendeu. — Katherine deu de ombros levemente. Ela olhou para ele com aqueles belos olhos dela que sempre faziam David sorrir. — Não vai mudar, a situação. E enquanto a guilhotina pode estar na minha cabeça, a verdade é... se eu vou mesmo morrer... não quero passar os dias dentro de um quarto de hospital cinza. Quero ficar ao ar livre, com pessoas... minha mãe, meu pai, meu irmão e irmã, meus amigos... e a primeira pessoa que eu pensei que realmente em ir ver nesse instante... foi você.
David estava ficando com os olhos marejados de novo. Kurt e Reed se entreolharam, sorrindo enquanto assistiam David abraçar Katherine com força, passando uma mão pelo seu cabelo. Os outros Windsors apenas sorriram.
Katherine viu todos eles e gesticulou para que eles se juntassem ao abraço com uma risada curta. Os gêmeos não precisavam ser mandados duas vezes; eles pularam nos dois com tanta força que todos poderiam ter ido parar no chão. Ele tomaram a iniciativa de arrastar os outros para o abraço grupal, ignorando o resmungo de desconforto de Dwight em ser obrigado a participar apesar de seus protestos.
Ao começar a se aproximar deles. Reed viu Charlie do outro lado da prota, olhando para a cena com olhos molhados.
— Chaz... você está... chorando? — Reed o encarou.
— Cala... a boca! É claro que não. — Charlie ficou vermelho, secando os olhos com força e encarando Reed com sua grande altura. O outro garoto caiu na risada e Charlie virou-se de costas e marchou corredor abaixo, ainda fungando levemente.
Os gêmeos soltaram-se do abraço grupal para ir coletar Charlie, que estava protestando veementemente. Reed apenas riu ainda mais. Wes, que era quem estava mais próximo dos dois, olhou para Katherine e David e sorriu para ambos.
— Posso estar segurando vela aqui, mas vocês não têm ideia de como estou feliz.
— Não seja ridículo, Wes — disse Katherine sensivelmente. — Não sei o que David faria sem você.
— É a triste verdade. — David sorriu para o amigo. — ... obrigado, Wes.
Wes apenas deu de ombros, internamente grato, mas apenas sorriu e então começou a afastar os outros garotos.
— Tudo bem, vamos dar eles um tempo, galera! Movendo-se! Saiam do meu quarto! — Ele puxou os gêmeos do casal.
Os Tweedles começaram a choramingar, mas Charlie recuperou-se e arrastou os dois para longe. Ele era da mesma altura que eles, mas era mais forte e os puxou pelas costas dos blazers. Ele olhou para David e disse:
— David, você tem quinze minuto com a sua garota antes que tenham que ir para outro lugar. Ainda é contra as regras ter garotas no dormitório, sabe.
— Claro. — David sorriu, segurando as mãos de Katherine. — Valeu, Chaz.
Wes foi o último a sair. Ele lançou um sorriso para David da porta. David ergueu a cabeça de onde estava inclinada contra a de Katherine.
— Até depois — sussurrou ele. — Obrigado.
Wes sorriu para ele e assentiu. Ele estava feliz em ver David agindo mais como si mesmo. Ele saiu do quarto, fechando a porta às suas costas.
David ficou com Katherine no meio do quarto por um tempinho, segurando-a gentilmente. Katherine simplesmente pousou a cabeça contra seu ombro forte, encarando o lugar vazio. David segurou a mão dela entre a sua, e notou tristemente como ela estava pequena. Ele suspirou, acariciando as costas de suas mãos.
Katherine suspirou em resposta, segurando-se a ele.
— ... estou feliz de estar fora daquele quarto. Não aguentava mais... era tão... sem vida lá. Só fica me lembrando porque estou lá. Estou feliz por estar fora e... e ser normal...
David sorriu brevemente, colocando uma mão no cabelo castanho dela e beijando-a sutilmente. E foi então que ele teve uma ideia.
— ... quer dançar?
Sua namorada, uma jovem dançarina talentosa, agora arqueou as sobrancelhas para ele. Ele sorriu como costumava fazer antes.
— Só aqui... só nós dois. Nada complexo. Eu só... estava imaginando se você gostaria. Tem essa canção que eu... queria cantar para você.
Katherine corou um pouco, encarando enquanto ele momentariamente separava-se dela e corria até o som no seu quarto. Ele clicou em alguns botões, e música começou a tocar. Depois de algumas notas, ela corou ainda mais, reconhecendo uma música lenta de um de seus filmes favoritos.
— O quê...
— Ei. — David sorriu, indo até ela e pegando suas mãos de novo. — Você gosta de dançar... eu gosto de cantar... Me deixe fazer isso para você. Você disse que sente falta de dançar, certo?
Katheinre riu suavemente, abaixando os olhos enquanto David a olhava, lentamente puxando-a para o meio do quarto para dançar. Ela a trouxe para perto. Ele mal estava "dançando", mas com os corpos próximos, trocando calor e expressões trêmulas, isso fez ela sentir-se mais consigo mesma, e ele mais consigo mesmo, mais uma vez. A música continuou a tocar.
David pousou a bochecha no cabelo dela, apertando suas mãos ao cantar suavemente:
You're in my arms (Você está nos meus braços)
And all the world is calm (E todo o mundo está calmo)
The music playing on for only two (A música tocando apenas para dois)
So close together (Tão próximos)
And when I'm with you (E quanto estou com você)
So close to feeling alive (Tão próximo de me sentir vivo)
Katheinre sentiu as lágrimas se acumularem, mas apenas piscou até que elas desaparecessem e mordeu os lábios, não olhando para ele enquanto dançava. Ela segurou-se forte a David, e ele a abraçou calorosamente contra seu corpo enquanto cantava:
A life goes by (A vida continua)
Romantic dreams will stop (Sonhos românticos param)
So I bid mine goodbye and never knew (Então dei adeus para os meus e nunca soube)
So close was waiting, waiting here with you (Tão perto de querer, querer você aqui comigo)
And now forever I know (E agora para sempre eu sei)
All that I wanted to hold you (Que tudo que quero é te abraçar)
So close… (Tão perto...)
David não tinha um plano, e por experiência, planos eram arruinados cedo ou tarde. Mas tudo que ele sabia era que enquanto ele a tivesse, enquanto ele estivesse com ela... Wes e seus amigos estavam certos. Ele não podia desistir. Não importasse como a história terminasse, cada momento que eles tivessem era o que importava.
So close to reaching that famous happy end (Tão perto de chegar ao famoso final feliz)
Almost believing this was not pretend (Quase acreditando que não era invenção)
And now you're beside me and look how far we've come (E agora você está ao meu lado e olha até onde chegamos)
So far we are so close… (Tâo longe que estamos tão perto...)
Eles moveram-se pelo meio do cômodo, David capaz de sentir cada movimento do corpo contra o seu — quente, maravilhosamente vivo —, e, nesse momento, completamente dele. Ele sorriu para ela, cantando e assistindo-a sorrir.
How could I face the faceless days (Como posso enfrentar os dias sem face)
If I should lose you now…? (Se eu posso perdê-la agora...?
We're so close (Estamos tão próximos)
To reaching that famous happy end (De chegar ao famoso final feliz)
And almost believing this was not pretend (E quase acreditando que não era invenção)
Let's go on dreaming for we know we are… (Vamos continuar sonhando como sabemos estar...)
Ele inclinou-se para a frente, movendo uma mão por sua bochecha, os dois olhando-se intensamente.
So close (Tão perto)
So close (Tão perto)
And still so far… (E ainda assim tão longe...)
Ele inclinou-se e deu-lhe um longo, suave beijo. Ela o beijou de volta, uma lágrima escorrendo por sua bochecha. Isso era o que ela queria. Somente tempo, com David. Todo o tempo do mundo. Além dessa pequena bolha em que eles estavam, a realidade avançava, mas enquanto eles tivessem esse tempo, os pensamentos sombrios ficavam na beirada. Pensamentos que ela não podia mais se permitir ter — pensamento que ele tinha que parar te ter também.
Ela sentiu sua garganta se aprtar ao sorrir tremulamente para ele, lágrimas acumuland-se tão rápido que seus olhos ardiam.
— Eu te amo, David. Não sei por que estou chorando. Como se estivesse com medo. Mas não posso estar... não quero mais ter medo. É tão cansativo...
David, os olhos marejados, apenas balançou a cabeça.
— Acha que quero uma explicação...? — Ele a abraçou com força. — ... eu te amo, Katherine.
Katheinre escondeu o rosto no ombro dele e ele a apertou com força, e só enquanto ele deixou as lágrimas escorrerem por seu rosto, onde ela não poderia ver.
Tempo. Eles estavam lutando contra o tempo. David sentiu-se respirar junfo, e o corpo de Katherine moveu-se enquanto ela fazia o mesmo. Não era realmente uma luta quando eles sabiam que, no final, o tempo ganharia.
Mas cada respiração... fazia-os se sentirem vitoriosos.
Músicas do capítulo
Broken Strings, de James Morrison feat. Nelly Furtado.
So Close, de Jon Mclaughlin
N/T.: a próxima parte é - finalmente - a última deste capítulo.
Feliz Dia dos Pais :)
