Inverno eterno
A compreensão daquelas palavras atingiu-a lentamente, espantando gradualmente qualquer traço de sono. Então Gina sentou-se direito, plenamente desperta.
- Você, noivo? Do que fala, Harry?
- Sim, noivo. Disse que firmei um compromisso de casamento.
Sua mente estava confusa... O que ele havia dito?
Não entendia mais nada!
Até onde sabia e pelo que escutou das discussões de Lady Potter com Harry, ele não queria uma esposa. Não naquele momento.
Então por que a pressa súbita? Ele precisava tanto assim de um herdeiro que havia arranjado uma noiva em um dia? Na véspera estava livre para cometer a insensatez de pedi-la em casamento e naquela noite estava noivo?! Aquilo era sério?
- Isso é uma piada?
- Não. Não é, Gina.
- Pensei que por enquanto não desejasse casar-se.
- Não desejo.
- Bem, não é o que parece! - Por que ela estava falando tão alto? Não tinha razão para gritar, afinal Harry podia fazer o que bem quisesse...
Harry. Ele olhava-a de um modo! Não parecia feliz.
- Desde quando tem uma noiva?
- De minha parte, desde essa tarde, porém o noivado estará certo apenas depois de minha proposta chegar a seu destino e for aceita. Ela será aceita, tenho certeza. Os termos já haviam sido negociados.
- Negociados por quem?
- Por mim, é claro.
- Quem é a noiva?
- A filha do senhor das Ilhas Chang. Penso que chama-se Cho.
Ele nem sabia o nome da noiva!
Cho Chang.
Ela tinha escutado sobre as Ilhas Chang, é claro, apesar de nunca ter botado os pés no lugar. Diziam que os nativos tinham olhos pequenos, viviam mais do que qualquer outro povo e que dominavam a arte de falar com os deuses. Alguns seriam capazes de passar dias em companhia divina, em transe, sem mover-se, dormir, beber ou comer. Gina não acreditava. Ninguém nos quatro cantos acreditava, pensava ela.
As ilhas não eram nem de longe vastas como o sul, mas, se recordava bem das histórias, eram férteis como nenhuma outra terra. Os Chang eram brancos, mas ela não lembrava de algum ter feito nome da guerra. Sequer havia um Lorde Chang; o governante das ilhas em nome do rei era um velho, vassalo dos Potter, que agora veria a filha ascender a lady.
- Estou francamente surpresa! Não pensei que... – O quê? O quê? – Que estivesse tão desesperado para arranjar uma noiva. Quando fez o pedido a mim, devia ter imaginado que qualquer uma serviria.
- Não é assim, não serve qualquer uma! Não fique chateada – ele tentou alcançar a mão de Gina, mas ela não deixou. Cruzou os braços.
- Não estou. Estou francamente surpresa.
- Já disse isso.
- Sim, eu sei. Apenas estou chocada de tão surpresa.
Então é isso que incomodava Harry, ela pensou, o noivado. Ele esteve procurando um modo de contar? Esteve preocupado que Gina ficasse chateada por ele arranjar uma noiva assim que ela recusou o pedido? Era uma preocupação desnecessária, pois não estava chateada. Não estava mesmo. Sequer tinha direito a ficar chateada, pois Harry havia sido franco sobre a relação deles desde o começo: ficariam juntos por um tempo, então separariam-se. Ela não era nada a não ser uma de suas muitas amantes, e ele não era nada além de seu primeiro amante. Dividiam a cama, onde não havia lugar para chateações. Além do mais, ele era livre para fazer as escolhas que desejasse.
Então por que me sinto assim? Assim...
- Está com ciúmes? – a voz de Harry atingiu seus ouvidos. Ele tinha um tom brincalhão e gentil, mas algo preocupado.
O absurdo da pergunta quase a fez sorrir, e Gina acalmou-se um pouco.
- Claro que não, estúpido – disse, mas com carinho. – Não invejo sua futura esposa, acredite. Apenas não entendo...
Calou-se. Havia muito que desejava saber, mas primeiro precisava acalmar seus pensamentos. Não estava chateada, sequer com ciúmes, mas não compreendia nada. Faria uma pergunta por vez.
- Conhece sua futura esposa?
- Não, mas devo conhecê-la em breve. Pensa que Lílian Potter não celebraria o noivado de seu único filho com uma mulher que aprova? Minha mãe insiste em oferecer um festim. Os Chang aceitarão por bons modos, mas seria prudente negar. Em pleno inverno, serão seis dias de viagem por mar e por terra, se não mais, para chegar aqui. Mesmo com o frio abrandando e a neve derretendo, encontrarão dificuldades.
- O festim não pode esperar até a primavera?
- Na primavera já não estarei aqui e não adiarei a partida do exército por uma festa de noivado. Não seria adequado.
- Quando será o casamento? – se a noiva estava a caminho do castelo e tudo era arranjado com pressa...
- Apenas os deuses sabem. Depois da guerra.
- Depois da guerra?! Pensei que tivesse pressa para ter um herdeiro!
- Minha mãe tem pressa, não eu. Jamais casaria durante a guerra! Nem sei se sobreviverei... Posso morrer em batalha.
- Não irá morrer. Os deuses não permitirão.
Harry respirou fundo, ruidoso, girando o jarro de vinho nas mãos.
- Lady Potter... – Gina começou, sem saber exatamente como elaborar a questão – Sua mãe está por trás deste noivado?
- Sim e não. Ela sugeriu um noivado com a filha do Chang, mas fez outras sugestões também. Eu optei pela mais apropriada.
- Você disse que Lady Potter tinha desistido de casá-lo.
- Ela desistiu de casar-me agora, não de arranjar-me uma noiva. Contudo, a decisão final foi minha, não de minha mãe. Aconteceu de meus planos acertarem-se com os desejos dela.
- Um grande acerto, não?
- De fato. Ela está feliz.
- Ela não aprovaria se eu aceitasse seu pedido.
- Não aprovaria – Harry concordou, erguendo os olhos para Gina. Falou cauteloso: – Eu te perguntei antes, e disse não.
- Eu disse não e diria não novamente! Apenas pergunto-me a razão da pressa em selar um compromisso como esse se não pretende casar agora.
- Não há pressa, o que há é conveniência. O noivado é uma questão de conveniência! O acordo com os Chang combinou com meus interesses.
- Quais interesses, Harry?
- Alimentar meu povo. Boa parte dos estoques de comida irá embora conosco quando formos guerrear e, mesmo com a ajuda dos Granger, o que sobrar não durará até o verão. Minha ala tem mais minas do que terras férteis, e em minas não crescem trigo, cevada ou vegetais. De que me é útil o ouro se não há homens para minerá-lo? É um trabalho duro, mulheres e crianças não aguentam! Nas Ilhas Chang há terras férteis e gente para lidar com elas: as mulheres de lá plantam e colhem tanto quanto os homens.
- Não havia outra solução?
- Eu tentei de tudo, Gina, acredite. Não há outras opções. As que tinha, usei-as no passado.
- Por que não trocou terras pelas provisões que precisa?
- Por que faria isso, se posso manter as fronteiras da ala com um compromisso de casamento?
- Por que não usa o ouro que já tem para comprar grãos?
- Que ouro tenho? Meus cofres esgotaram-se no outono: praticamente todo o ouro foi emprestado à coroa para bancar a guerra. Armas, armaduras, animais e soldados têm custos! Se os brancos perderem, a coroa nunca pagará suas dívidas, e os Potter estarão acabados! Os Potter e outros lordes brancos!
- Se a coroa não pagar, será possível minerar mais ouro, não?
Mesmo se não fosse possível, ser pobre não era tão ruim. Ela havia sido pobre sua vida toda e isso nunca a incomodou; acostumou-se a viver com pouco. Talvez fosse difícil para Harry, que sempre teve muito, mas a tudo era possível acostumar-se.
- Não se perdermos a guerra, pois os negros tomarão a terra de minha família e as minas com ela.
- Não perderemos.
- Espero que não, ou serei conhecido como o primeiro Potter em gerações a perder território em vez de expandi-lo... Francamente, não é meu desejo expandi-lo. Ficarei satisfeito em manter as terras e alimentar o povo. Levarei comigo todo homem e menino capaz na primavera, então é meu dever garantir que seus pais, mulheres e filhos tenham teto, comida e segurança em suas ausências.
Ela compreendia, porém não conseguia deixar de perguntar-se...
- Está feliz com esta escolha?
Harry riu. O riso começou discreto e virou uma gargalhada.
- Ah, Gina, pode ser tão ingênua – ele tocou o rosto dela. – Isso não é sobre felicidade, minha querida. É sobre responsabilidade. Eu tenho deveres.
Ela afastou a mão dele.
Não. Não era ingênua, nem tão estúpida assim. Entedia muito bem que zelar pelo povo era dever de Harry como senhor da Ala Potter, mas não estava feliz com isso, porque ele não parecia feliz.
- O que... – A questão podia soar errada aos ouvidos dele, mas ela precisava fazê-la, porque queria saber a resposta – O que teria feito se eu tivesse aceitado seu pedido de casamento?
Harry estava bem ao seu lado, tão perto que o braço direito dele encostava em seu seio esquerdo. Quando ele moveu-se, por um instante pensou que a beijaria e a tomaria, e desejou isso, mas tudo que Harry fez foi virar-se para vê-la melhor. Gina ficou decepcionada.
- Eu a teria feito minha esposa.
- E deixado seu povo morrer de fome por mim? Eu não valho isso!
- Não, ninguém morreria de fome, Gina, pelos deuses! Eu provavelmente negociaria minas em troca de comida.
- Trocaria sua terra, suas minas de ouro, e diminuiria suas fronteiras? – Ele tinha falado há pouco que não queria isso! - Por que faria algo assim?
- Porque teria dito sim, Gina.
- Graças aos deuses eu disse não!
- Você disse não.
Olharam-se. Olharam-se por muito tempo, e Gina não entendeu a sensação que surgiu dentro dela. Não queria ser esposa dele; isto era certo. Por que sentia-se daquela forma então? Era decepção? Aflição? Ressentimento?
Mágoa.
Sentia-se magoada. Não por ele ter uma noiva ou um acordo de casamento; desejava com todo seu coração que Harry fosse feliz em seu matrimônio. Sentia-se magoada porque ele claramente passou por dias de dúvida, dor, aborrecimento para chegar àquela decisão de casar-se e não disse nada a ela. Não confiou nela para compartilhar seus problemas e medos. Tinha pensado que Harry estava estranho nos últimos dias por algum assunto de guerra, mas não: o que o incomodava era um assunto dele, não do Rei Alvo.
Não se importava quando Harry dormia com Padma, porque não se importava de compartilhá-lo. Todavia, se importava que ele não confiasse nela para discutir sua vida. Por quê? Por que aquilo – aquilo sim! – a magoava? Não havia motivo algum para que Harry confiasse a ela questões da vida dele. Era só a mulher que, naquele momento, compartilhava de sua cama. Sabia disso. Mas sentia-se magoada mesmo assim, porque era estúpida.
- Devia ter dito que, se eu aceitasse o pedido, você teria de abrir mão de suas terras. Teria gostado de saber da situação, Harry.
- Se eu dissesse, aí sim você teria negado.
- Neguei de qualquer modo!
- Arrepende-se?
Gina girou os olhos.
- Certamente não! Ser uma esposa, mesmo sua, não é algo que eu deseje. Repito: esta não sou eu.
Precisava ser quem ela era, mesmo que o preço a pagar fosse perder Harry. E quem ela era não era uma futura esposa.
- Eu sei, mas...
- Nada de "mas" – cortou-o, colocando-se de pé.
Precisava afastar-se de Harry. Precisava de alguma distância entre eles para colocar a cabeça em ordem.
Tinha deixado sua espada recém-ganhada repousando cuidadosamente sobre um baú. Pegou-a e tirou-a da bainha, prendendo os olhos na lâmina. Parecia admirá-la, contudo não enxergava-a realmente. Gina voltou-se a seus pensamentos...
Mais uma vez não sabia como se sentia. Não era como se sentisse coisas demais; antes o contrário. Havia o vazio, o nada.
Nada, nada, nada.
De alguma forma, sabia que era culpa de Harry, aquele homem perturbador e gracioso parado do outro lado do quarto. Não compreendia... Havia algo além que ela não conseguia alcançar, mas que não estava longe. O que era? O que se passava com ela? Não se reconhecia há tempos! Seus pensamentos e sentimentos pareciam voláteis.
Culpa de Harry!
Será que ele seria capaz de abalar suas certezas também? Seus sonhos? Ela sabia quais eram seus sonhos: ir à guerra, vencer, então visitar lugares distantes, viver aventuras, travar batalhas. Mas e se... Se batalhas bastassem as que tinha enfrentado, aventuras bastassem as que havia passado e por lugar distante bastasse o leste? Se assim fosse, talvez precisasse de novos sonhos. Sonhos que nunca imaginou antes...
Durou um instante.
Por um instante, permitiu-se verdadeiramente imaginar como seria viver com Harry naquele castelo. Tê-lo por perto sem o risco de perdê-lo em uma batalha, viver juntos, dormir, acordar, brigar - porque isso aconteceria muito! – então reconciliar-se, compartilhar pensamentos e esperanças, ver a guerra se tornar lembrança, envelhecer... Sempre com ele.
Então o instante passou.
Gina fechou os olhos para afastar as imagens. Respirou fundo.
Ela não queria aquela vida, mas foi impossível não imaginar como ela poderia ser. Contudo, se iria imaginar-se assim, deveria imaginar de modo realista e não como fazia. A realidade era que fariam um ao outro infelizes, ela e Harry, porque precisavam de coisas diferentes na vida. Ele precisava de uma dama para apoia-lo e servi-lo, e ela precisava de liberdade para ser quem realmente era.
Nós nos destruiríamos. Nós nos odiaríamos no fim. E agora é tarde demais, de qualquer forma. Assim é melhor.
Odiava aquelas tramas de casamento! Fazia com que pensasse coisas impossíveis e estúpidas! Não podia ser Gina Potter, não podia dar tanto a Harry, era ilusório pensar que poderia. Não queria isso! Não queria ser outra pessoa, não queria mudar, porque mudar podia levá-la para longe se si mesma e isso era o que menos desejava.
Não posso me perder de mim mesma. Já perdi todos que eu tinha... Não posso esquecer quem eu sou. Não quero esquecer!
Era Gina Weasley! Precisava guardar algo de si para si mesma ou logo seria outra pessoa. Mesmo que uma parte dela imaginasse, em um momento de fraqueza, que tudo poderia dar certo, jamais daria tanto a Harry. Ou a ninguém! Ceder a alguém significava perder-se. Ela pertencia a si mesma e assim sempre seria!
Tinha ponderado e feito a escolha. Jamais olharia para trás.
Aproveitarei enquanto durar.
Havia um tempo contado para aqueles momentos que vivia. Pensou que a primavera a afastaria de Harry, mas pelo que tinha acabado de descobrir, aquela devia ser uma das últimas noites dela com ele. Harry não a manteria por perto quando sua noiva chegasse ao castelo. Ele era um lorde e teria de agir conforme o título. Ter uma amante no quarto ao lado ofenderia a noiva, certo? Não conhecia as normas de um noivado, mas parecia evidente que a convivência da mulher prometida e da amante era inadequada. Era o fim das noites com Harry. O fim das brigas e das risadas. O fim do cheiro, do corpo e do calor dele...
Aproveitarei enquanto durar!
Sabia que aquele dia chegaria, afinal. Não iria entristecer-se. Estava certa desta decisão.
Colocou a espada no lugar e voltou para onde estava antes. Harry parecia dormir, mas descobriu-o acordado quando aproximou-se e os olhos esmeralda abriram-se. Sentou aos pés dele, de costas para a lareira.
- Quando, exatamente, sua noiva chega? – perguntou.
- Não sei. Minha coruja foi enviada essa tarde e deve chegar às ilhas em dois dias, se o vento estiver favorável. Aguardo uma resposta com a data que os Chang chegam, se realmente vierem.
Gina assentiu, bebendo um gole do vinho dele. Tinha ao menos alguns pares de dias.
- Fale-me sobre ela – pediu com real curiosidade, imaginado uma mulher sem rosto, porém bonita, espirituosa e educada. O tipo de mulher que chegava em um salão e dominava os olhares, provocava admiração e comentários invejosos. Tudo que Gina não era. - Como é essa Cho Chang?
- Cho Diggory. Ela é viúva. Foi devolvida ao pai depois do marido morrer sem que tivessem herdeiros. O casamento foi curto.
- Devolvida ao pai? Isso não parece certo. Pessoas não são coisas, que podem ser emprestadas e devolvidas.
- Mas foi o que aconteceu a esta Cho Chang Diggory.
- Diggory... – Gina tentou lembrar por que o nome lhe era familiar - Quem foi o marido dela?
- Cedrico.
- Cedrico Diggory... – esforçou-se para pensar - Diggory... Cedrico... Sim, Cedrico, O Honrado! O Lorde-cavaleiro de Primeira Ordem!
Harry assentiu, para surpresa de Gina.
Cedrico Diggory era famoso, talvez mais do que seu falecido irmão Gui Weasley! Quase derrotou o exército do Negro uma vez, colocando fim à guerra pouco depois dela ter começado, mas acabou capturado. Precisou decidir entre mudar de lado ou morrer e preferiu a morte.
- Fique feliz, Harry! Irá deitar-se com uma mulher que abriu as pernas para Cedrico Diggory! Será uma honra estar em um lugar desbravado por ele, não? – gracejou.
Harry riu, o que era mesmo a intenção dela.
- Honra? Não diria tanto, mas ficarei feliz se ela for tudo o que foi-me dito.
- O que foi dito?
- Que ela é bela e refinada. Sabe costurar, dançar, cantar e vestir-se. – Harry falava e bebia. – Escreve e lê. Pinta. Tem 22 primaveras, uma a mais do que eu.
- Ela parece adequada – e entediante.
- Eu sei. Eu deveria estar feliz, certo?
Gina não respondeu. Deixou-o falar, agora que ele enfim estava disposto a isso. Talvez fosse efeito do vinho, cujo segundo jarro já estava acabando.
- Porém não consigo estar feliz – Harry continuou. – Eu não tive escolha, Gina. Não realmente... Ou aceitava o noivado e ganhava provisões como dote ou perderia terras que meus ancestrais lutaram para ver prosperar. Escolhi o noivado.
Tirou o jarro de vinho de Harry, tomando as mãos dele nas suas.
- Sua noiva parece adorável. Os deuses te darão uma união abençoada, já que este noivado é resultado de um gesto nobre. Cumpre seu dever para com seu povo, Harry! Essa Cho das Ilhas Chang irá ver isso e notará o quanto você é honrado, bravo e divertido. Vocês se amarão e terão uma dúzia de filhos. Ela irá adorá-lo! Você pode ser estúpido, mas é fácil de gostar.
Harry sorriu.
- Você não acredita realmente nisso, Gina. Despreza casamentos!
- Eu não sirvo para casamentos, mas há quem sirva, como meus pais, que tiveram uma união feliz. Quando penso nos dois juntos, lembro das risadas, dos abraços e da alegria em partilharem uma simples refeição. Eles eram realmente felizes.
O que tinha acontecido porque Molly gostava de viver para sua casa, marido e filhos, algo que Gina nunca entendeu. Desprezava essa passividade da mãe; o contentamento dela em servir à família era incompreensível a Gina. Molly dizia que a filha compreenderia o prazer de fazer alguém que ama feliz quando tivesse marido e filhos, porém ela nunca acreditou. Ainda não acreditava, mas desejava ter sido mais tolerante com as escolhas da mãe.
Sempre foi o oposto de Molly, que brigava com Gina dia e noite, porém sentia falta até dos gritos dela. Sentia tantas saudades do pai também! Pela perna ruim dele, os meninos da aldeia zombavam, mas o coração de Arthur era tão bom que ele não se importava. Ela sim. Gina batia nos meninos e também apanhava. Sua mãe enlouquecia, lhe dava palmadas até que chorasse e seu pai consolava-a com o mais gentil dos sorrisos e com histórias. Na infância, pensava que ele a amava e que sua mãe não, mas estava enganada. Molly a amava, mas era um amor cego. Não via que palmadas não podiam mudar quem Gina era.
Lembrar dói. Quero esquecer!
Prestou atenção no que Harry falava:
- Os meus também, ao menos por algum tempo. Meu pai era um lorde e minha mãe, além de prometida a outro, era de uma família vassala. Casaram-se contra a vontade de meus avós, a quem minha mãe acabou por conquistar. Ela era outra pessoa: alegre, não amargurada como hoje. Os abortos e natimortos levaram sua vida.
Harry já havia contado aquilo antes, assim como Gina havia contado sobre o pai e a mãe dela, mas não interrompeu-o.
- Os netos podem voltar a alegrá-la - sugeriu.
- Pelos deuses, parece minha mãe, Gina! Não se chega ao castelo sem dar o primeiro passo na estrada. Lutarei na guerra, depois casarei e pensarei em filhos.
- Por que adiar o casamento? Há uma razão ou é um capricho?
- Quer que eu case para ficar livre de mim logo? Deseja trocar-me por outro, minha fênix? – ele tocou de modo possessivo o rosto de Gina, que resolveu não repreender Harry daquela vez por chamá-la daquele nome. Não era a fênix da profecia, já tinha dito vezes e vezes!
- Solte, não me toque assim! Apenas fiquei curiosa, pois parece contraditório: o noivado foi armado com pressa, e o casamento irá demorar. Você irá sobreviver à guerra, eu sei disso, mas... É apenas uma hipótese estúpida, mas se algo acontecer a você, não haverá casamento.
- Se eu morrer ou desistir do matrimônio, os Potter perderão uma boa parte do território para os Chang. Tudo foi pensado quando os termos do noivado foram negociados.
- Então adiará o casamento apesar do risco de perder terras?
- Só há risco se eu morrer. Acabou de dizer que eu sobreviverei sem dúvida à guerra, não é?
- Sim, é claro – ela era estúpida! – Se alguém sobreviverá é você.
Afinal, Harry é O Escolhido.
- Ótimo! Agora, por favor, pare de falar como minha mãe, Gina. Há tantas lutas para vencer e mulheres para foder – a mão dele voltou ao rosto dela, dessa vez em um gesto carinhoso. - Se posso ser livre por mais tempo, por que negar-me isso? Assim aproveito para acostumar-me à ideia de casar com alguém que não amo ou conheço.
Harry estava menos animado do que no começo da noite, quando ao menos se esforçava para parecer bem. O esmorecimento pode ser pelo vinho, Gina ponderou, porém é mais provável que seja por pensar demais.
- Que você seja feliz. Que sua esposa seja sempre bela e fértil, e que os deuses abençoe-os com crianças robustas – disse, porque era o que desejava e o que encontrou para dizer frente ao desalento de Harry. Era aquilo que se dizia nos quatro cantos para homens recém-casados; não sabia o que diziam para noivos, mas esperava que servisse também.
- Esqueceu "obediente".
- Não esqueci. - Na verdade, diziam: "Que sua esposa seja sempre bela, obediente e fértil, e que os deuses abençoe-os com crianças robustas", mas Gina preferiu eliminar o "obediente". – Deixei de fora intencionalmente, porque teria um casamento muito monótono com uma esposa obediente. Precisam discutir vez ou outra para entenderem-se apaixonadamente depois. É o que acontece conosco, e penso que pode funcionar em casamentos também – ela gracejou, mas Harry não acompanhou seu sorriso. Ele bebeu vinho.
- Se esposas desobedientes são essenciais a uniões apaixonadas, invejo seu futuro marido.
- Jamais...
- Nada de "jamais"! – Harry interrompeu-a um tanto rude, surpreendendo-a. Depois de beber um bom gole de vinho e acalmar-se, prosseguiu: - Um dia entenderá que é preciso fazer sacrifícios pessoais para conservar o que é caro para você e para aqueles que ama. Aprenderá, como eu aprendi com meu pai: ele ensinou-me a colocar o dever acima da vontade. Não aprendo fácil, porém. Errei muito, os deuses sabem! Quando errei, ele consertou em meu nome, até que não estava mais aqui e eu tive de lidar com as consequências de meus erros. Isto que é cumprir o dever: fazer o que deve ser feito. O primeiro dever é para com a família e, sem cumpri-lo, perde sua honra. Sem honra, perde o respeito e a confiança. Sem respeito e confiança, ganha desprezo e isolamento, torna-se alvo de zombarias. Torna-se impossível governar! O amor da família ou do povo não derrete a indiferença de pessoas das quais necessita para fazer acordos e negócios. Quando a colheita for fraca, os animais forem devorados, a lã e a madeira acabarem e os saques começarem, a quem pedir auxílio? O que é amor e liberdade frente a barrigas vazias e um frio de congelar os ossos?
- Isto é uma forma de dizer que está infeliz com a escolha que fez?
- Fiz a escolha certa – Harry desviou os olhos do nada diante dele e fitou Gina. – E quanto a você?
- Eu? Eu não me importo com desonra, disse e repito – declarou, tentando manter o tom brando. - Um pouco de desprezo e isolamento fortalecem o espírito.
Harry abriu um sorriso triste antes de lhe fazer um carinho. Disse então:
- Os Weasley foram uma das sete famílias fundadoras. O clã perdeu prestígio, poder, vassalos, todas as terras. Os herdeiros minguaram, restaram apenas um galho ou outro. Tal coisa aconteceu porque alguns de seus antepassados colocaram amor e liberdade acima do dever, acima do sangue e do suor dos homens e mulheres que vieram antes deles e que trabalharam para construir o que um dia foi um dos nomes mais importantes do reino.
- Eu conheço a história, Harry – seu pai havia contado-a tanto que Gina repetiria facilmente palavra por palavra. - É minha família.
- É a sua família e outras também. O tempo é velho, e as quedas causadas por desonras são várias. Não acontece de uma geração para outra: é uma rachadura, que destrói lentamente se não for consertada. Entende, Gina?
- Entendo que honra é ser fiel a quem você é e ao que acredita. De que servem castelos, terras, alianças, família e um povo se a infelicidade o consome a cada dia? Se trai a si mesmo? Admiro que esteja disposto a fazer um sacrifício tão grande, Harry, mas eu não sou assim. De nada me adianta ser! Os Weasley já caíram, você mesmo disse. Perdemos essa sua honra que mantém o povo de barriga cheia e com agasalhos no inverno, mas também que mantém o castelo com riqueza e luxo. Esta conversa é inútil: não tenho e não quero um castelo nem um povo pelo qual olhar!
Era responsabilidade demais; não desejava algo assim e ficava feliz de não tê-lo.
- Sim, é uma honra que mantém os nobres onde estão, mas também que evita intrigas, mortes e guerras. Se conhece a história de sua família bem, sabe que muitos morreram pelas escolhas que seus antepassados fizeram. Demorou gerações, mas por fim os Weasley perderam todos os amigos, seus vassalos sofreram e lutaram enfraquecidos contra a família Slytherin, perderam. Tantas mortes, milhares!, que podiam ter sido evitadas se algumas pessoas tivessem optado por fazer o que deviam em vez de fazer o que queriam. Isso é dever!
- Não, Harry! – Gina balançou a cabeça, descrente - As morte teriam sido evitadas se os homens que pegaram nas espadas e aqueles Slytherin, que deram a ordem, tivessem aceitado quem os Weasley são! Somos uma família que escolhe amor e liberdade, não que faz o que é esperado que façamos! Orgulho-me disso!
- É bonito, de fato. Amor e liberdade em vez de dever soa bem aos ouvidos, as canções e as lendas são prova. Penso, todavia, que não serviu bem àqueles cujo sangue foi derramado na guerra que seus antepassados armaram. Concordo que a responsabilidade pelas mortes foi também dos Slytherin, que igualmente armaram guerreiros. Se tivessem decidido ignorar o que consideravam uma afronta ao modo que viviam, vidas teriam sido poupadas.
- Exatamente!
- Por que então não fizeram tal coisa, Gina?
- Bem, porque eram estúpidos!
- Eram estúpidos. Deviam ter entregado as espadas e optado pela paz, assim como nós devemos entregar nossas espadas e optar pela paz com os negros. Estou certo que os Slytherin aceitarem o que pensavam ser uma fraqueza dos Weasley que manchava a tradição dos fundadores teria sido tão fácil quanto será fácil fazer O Negro entender que não é o verdadeiro herdeiro do trono. Está decidido: iremos conversar e por um fim à guerra! Devo escrever a Alvo Dumbledore agora com a sugestão ou espero até a manhã?
A cada palavra do discurso de Harry, Gina afastava-se. No fim, estava de pé em um canto, os braços cruzados, encarando Harry com algo de raiva e desconforto. Certo, havia sido uma ideia estúpida. As diferenças do passado não podiam ter sido resolvidas com tolerância; não era assim que era. Ele não precisava zombar por isso!
- A ironia não o serve bem – resmungou a jovem.
- A estupidez a serve muito bem, porém. Sabe que diplomacia não soluciona todos os conflitos, Gina! Sem dúvida acordos serviram como solução a afrontas mais do que espadas, mas cada homem que optou pela espada causou dano suficiente para que seus erros fossem condenados e servissem como exemplo. Quem escreve a história não se importa com os acertos dos inimigos derrotados; são os erros deles que chamam a atenção.
- Certo, Harry. Certo. Belo discurso. Fala bem, mas é surdo e cego! Eu disse, e isto é mais do que evidente: não tenho um povo que depende de minhas boas relações com lordes e senhores fúteis! Mesmo se os Weasley tivessem um castelo e um povo, sou uma mulher. Homens decidem o destino do reino, não mulheres, por mais estúpido que seja!
- Eu sou surdo e cego? – ele não parecia bravo pelos gritos dela; parecia com pena – Ah, Gina! O mais cego é aquele que não deseja ver, é dito nos quatro cantos. Você não é estúpida, surda ou cega. Conheço-a o suficiente para perceber que se nega a enxergar o que tem diante dos olhos. O que sabe, mas prefere ignorar.
- Se quer dizer algo, diga! Não elabore enigmas!
Harry esvaziou seu jarro de vinho e recostou na cadeira. Observou longamente Gina, parada contra a parede. Ela sentiu o olhar dele afastar sua fúria, arrastá-la para um mar verde no qual era fácil afogar-se, e notou que ele estava cansado como ela, se não mais. O corpo dela tinha sono, mas sua cabeça estava agitada demais para dormir.
Esperou, mas Harry nada disse.
Gina sabia, é claro.
Ela não tinha um castelo ou um povo, nem precisava manter aparências e boas relações com alas vizinhas. Ela não tinha. Os Granger tinham, e Rony teria um dia. Hermione era a herdeira Granger, e, sendo casada, caberia ao marido dela administrar o castelo e a ala. Eis que o marido era Rony Weasley, o irmão de Gina.
Augustus Granger morreria e, com ele, o nome da família. O Castelo Granger se tornaria Castelo Weasley, tal como a ala tornaria-se Ala Weasley.
- Rony constrói uma vida que caminha muito longe da minha – ela falou quando não suportou mais o silêncio. - Ninguém irá se importar que ele tenha uma irmã que prefere guerrear a bordar, ou que prefere ter amantes a um marido. Nenhuma batalha ou guerra será armada por isso!
- As tramas que os deuses armam podem ser maravilhosas ou terríveis! A guerra que lutamos é mantida por nós, negros e brancos, mas foi armada por um bastardo real e pela irmã de um rei. O bastardo não teria existido se o Rei Grindelwald tivesse honrado sua esposa, e Arianna Dumbledore não teria tornado-se Ariana Riddle se tivesse honrado Dumbledore como seu irmão e seu rei.
- Rony não é rei, e eu sou uma mulher comum. As prostitutas d'O Retrato da Mulher Gorda colocaram o reino em guerra porque viraram prostitutas em vez arrumarem um casamento? Tenho certeza que não!
Harry riu frente aos argumentos dela.
- De fato Rony não é rei, mas será lorde, o que fará de você uma senhora. Ou espera-se que seja uma e que aja de acordo com tal posição. Se não, penso que não haverá futuras guerras ou batalhas...
- Exato, Harry!
- ... É mais provável que a desonra resulte apenas em fofocas maldosas e inimizades.
- Eu posso lidar com fofocas e inimizades, e Rony também. Se ele pode lidar com os negros, os sulistas e com aquela esposa mandona dele, fofocas e inimizades nada serão. Assunto encerrado!
Gina irritou-se. Pretendia pegar suas roupas e ir para seu quarto, deixando Harry e aquela noite para trás, mas ele segurou-a quando passou ao lado de sua cadeira, puxando-a para seu colo. Os braços dele fecharam-se com força ao redor do corpo dela, que não conseguia soltar-se e por fim desistiu, porém não encarou-o. Aqueles olhos acabavam com ela.
- Gina – ela sentiu a mão quente dele em seu pescoço, mas não cedeu -, inimizades podem separar e gerar rancor, e fofocas podem destruir tanto quanto espadas.
- Não é verdade! – Ela nunca havia visto uma fofoca matar alguém; no máximo destruíam reputações, algo ao qual não se prendia.
- Certamente é! O fato de viver comigo aqui na torre, de participar dos treinamentos entre os homens, de ter servido a mim como escudeiro, ter vivido entre os branco, disfarçado-se de menino para juntar-se ao Exército...
- Disfarcei-me para viajar de forma mais segura para procurar Rony! – ela encarou-o, enfim - A princípio meu plano não era juntar-me a vocês!
- Que seja. Tudo isso já gera comentários desaprovadores nas reuniões de meu Conselho, e escuto com frequência o quanto trabalho e desgosto dará a Rony. A voz dos meus homens é um sopro, porém. Seu comportamento provocará uma ventania. Haverá boatos e difamação.
- Harry, se não importa-me a desaprovação, acha que importam-me boatos? Que seu Conselho e quaisquer outras pessoas falem o que quiserem! A indiferença será meu escudo. Há um preço para ser livre e estou disposta a pagá-lo. Sempre paguei! Não tema por mim. Eu sei me cuidar e agora tenho uma espada. Se alguém me importunar, irei espetá-lo com a ponta afiada.
Gina queria silenciá-lo, não suportava mais ouvir sobre casamentos e desonra! Pensava que podia ser manhã pelo tanto que conversaram e brigaram. Beijou-o, sentindo dor pelo lábio ferido e o gosto forte de vinho na boca dele, pois beijá-lo era melhor forma de calá-lo. Foi um beijo que começou com um pressionar de lábios, então os lábios dançaram, depois as línguas, e as mãos resolveram participar... Mãos que Harry usou para afastá-la.
- Não irá calar-me com seus beijos. Ouça... Suas escolhas dizem respeito a você e a Rony, pois são do mesmo sangue, mas também a mim! Eu a acolhi entre meus homens, coloquei-a para servir-me e desonrei-a, logo desonrei também sua família. Podia ter consertado tudo, mas agora é tarde. Uma parte de mim sente-se aliviada por isso. Quanto mais conheço-a, mais assusta-me, Gina.
Pensou em perguntar o que ele queria dizer com aquelas palavras, mas uma parte dela temeu a resposta. Deviam ser palavras sem sentido... Harry podia até estar bêbado àquela altura, com sua fala mais lenta e menos articulada. Ele e ela respiravam o mesmo ar de tão perto que estavam. Enquanto aspirava Harry, Gina deu voz a um pensamento:
- Tudo que diz sobre honra e casamentos diz para convencer a si mesmo, não a mim. Não misture as situações. Minhas ações e as de Rony diferem muito das suas, Harry. Só porque você precisa casar para cumprir seu dever, não significa que eu precise fazer o mesmo. Seja infeliz sozinho.
Falou, porém arrependeu-se no instante seguinte. O que estava dizendo? Ele claramente estava insatisfeito com aquela história de casamento, e lá estava ela, amaldiçoando-o para ser infeliz.
- Não que será infeliz – tentou remediar. – É apenas infeliz com suas palavras. Bebeu demais e diz asneiras!
- Não. Minha mente está lúcida! Digo com sinceridade que preocupo-me com você e em como seu comportamento afetará Rony. Admiro sua determinação de viver do modo que deseja, mas temo o quão caro tal determinação custará, e o preço não terá de ser pago apenas por você. Já é difícil o suficiente para Rony, tendo de provar que é digno de casar com uma Granger e ser um lorde. Quando vejo seu irmão, vejo um amigo bravo e honrado, porém muitos outros, mesmo brancos, ao vê-lo, veem um plebeu que teve sorte de virar cavaleiro e de fazer um bom casamento. É um pensamento insensato, porque sendo Weasley, uma família fundadora, vocês têm sangue nobre. Pode ser que os Weasley sejam vistos como traidores do sangue nobre, mas isto não faz de vocês plebe.
Se era difícil para Rony provar-se, também era para ela. Era até mais difícil, porque era mulher e seu irmão, homem. Harry preocupava-se demais com Rony, então deviam ser amigos realmente queridos... Contudo, ele sequer pensava nela com aquelas conversas, no que ela desejava.
Idiota!
Gina pensou que se não fosse irmã de Rony Weasley, um futuro lorde, Harry se deitaria com ela e não derramaria em seus ouvidos conversas estúpidas e sem sentido. Aquilo era tudo pelas escolhas de Rony! Que ele se danasse!
- Não vejo problemas em ser plebe. Espera-se menos dos pobres do que de senhores e senhoras.
Harry colocou uma mexa do cabelo dela atrás da orelha.
- Se fôssemos plebe, ainda estaria arruinada – Harry apertou o toque nos ombros dela, como se enfatizasse suas palavras. - Se não casássemos, eu teria de fugir ou morreria, e você levaria uma boa surra e seria motivo de vergonha para sua família, se não fosse expulsa de casa. Como você acha que as cozinhas do castelo e os bordéis encheram-se? O povo não tem posses, por isso o nome da família vale muito mais, não se engane. Há uma vantagem, porém: as escolhas deles afetam menos gente, por isso o peso que têm sobre os ombros é menor.
- Só levaria uma surra se minha mãe estivesse viva. Meu pai não importaria-se. Ele sabia que eu era igual a meus irmãos e sempre dizia que eu podia fazer o que quisesse e ser quem quisesse.
- Engana-se. Talvez seu pai não a espancasse ou a expulsasse de casa por ter entregado sua virgindade, mas ele importaria-se. Todos iriam fofocar e caluniá-la; as palavras magoariam-no, mesmo que ele não dissesse nada.
- Você não conheceu meu pai.
Mas Gina pensou que Molly choraria dia e noite se ela se deitasse com os homens da aldeia sem casar-se com nenhum, e o pai dela sofreria por isso. Não tinha dúvidas que a mãe manteve esperanças não apenas de casá-la, mas de casá-la com a virgindade intacta. Molly sabia que enganava-se com tais esperanças.
- Vê-la ser desprezada doeria nele, Gina. Doeria em mim também.
- Já disse que não me importo com desprezo.
- Importa-se. Pode ser que tenha acostumado-se a ele, o que não significa que não doa de vez em quando. É como uma ferida que teima em abrir. Você é uma das criaturas mais adoráveis que já conheci, acredite, mas tem pensamentos contrários ao mundo. É o que mais admiro em você: a força para ser quem você é, não quem esperam que você seja. Admiro tal força profundamente, mas realmente temo que sofrerá por sua escolha. Temo que já sofra - uma mão dele subiu para o rosto dela, o polegar tocando o lábio ferido de Gina.
- Não há nada a temer. Toda minha vida houve gente que tentou me mudar, porque eu não queria fazer o que era esperado de uma mulher. Apenas é mais fácil ser quem sou, mesmo que custe repreensão e desprezo, do que fingir ser quem não sou, Harry. Eu sofro? Às vezes, não sempre, porque aprendi a endurecer-me.
Decidiu que aquela conversa estava encerrada. Não perderia o pouco tempo que tinha com ele, até a chegada de sua noiva, com palavras estúpidas. Gina abraçou-o e assim ficou por algum tempo. Estava cansada. Não... Estava exausta.
- Vamos dormir – pediu, sem sair do lugar.
Em resposta, Harry resmungou e levantou-se. Saiu do quarto dizendo que precisava esvaziar a bexiga. Gina teve dúvidas se ele realmente precisava urinar ou se usou a bexiga cheia como desculpa para ficar sozinho...
Contudo, antes que ela pudesse decidir-se em ir ou não para seu quarto e dar a Harry o espaço que ele poderia quer, ele estava de volta. Sentou diante da mesa de selise, onde observou as pedras do jogo.
- Gosto deste jogo – alcançou uma pedra longa e azulada, que passou a analisar de perto. – Há muitas peças, cada uma com um peso e significado. Um movimento pode afetar outro, então é essencial criar uma estratégia de acordo com as ações do adversário e com as leis do jogo. Se quebrar as regras, você é punido e pode até perder. Neste aspecto, a vida é como um tabuleiro de selise: tem regras que precisamos seguir. – Harry encarou Gina – Pode ser que um dia tenha de escolher entre ter um irmão ou ter sua liberdade. Qual peça irá mover então? Se optar por apoiar seu irmão, a única família que te resta neste mundo, penso que deve ir para o sul. - Harry suspirou, como se falar aquilo custasse a ele – Lá pensam mais como você. Diremos que eu a seduzi. Refleti muito sobre o assunto: assumirei minha responsabilidade e pagarei um bom dote a seu noivo, se ainda tiver minhas terras e ouro. Assim se tornará uma mulher decente aos olhos de todos e vocês, Wesley, não ficarão com a reputação manchada. Rony não será malvisto por não conseguir governar sua família. Ele não perderá nada, mas você irá. Irá perder a liberdade que clama desejar.
- Não irei, Harry. Você não escuta e não entende! Não sabe de nada! Pensa que age bem, mas me ofende! Gente não vale menos por ter fodido por aí! Se assim fosse, tenho certeza que você e todos os homens do reino valeriam muito pouco! Eu não valho menos por isso!
- Nunca disse...
- Disse sim! Disse quando ofereceu um dote para que eu me tornasse aceitável para um homem. Não preciso de um dote para ser tolerada! Nem de um marido para ser considerada decente! Se pensa isso, não devíamos estar aqui. Eu não devia estar aqui. Entendo que há mulheres que desejam um marido, mas isso acontece porque elas cresceram ouvindo que precisavam de um homem. Eu não cresci assim: meu pai me amava e me disse a verdade! – ela sentiu a voz embargar e os olhos encherem de lágrimas, fosse por raiva ou pela recordação de seu pai ou pela mágoa por sempre ter sido desprezada por suas ideias. Mas não deixou as lágrimas caírem; preferiria morrer – Posso viver como bem entender, se é isso que me faz feliz. Não me importo com o preço!
Houve um longo silêncio, quebrado enfim por Harry:
- Por vezes invejo sua determinação. Você não se importa com o mundo: tenta jogar seu próprio jogo. Já eu participo de um jogo que existia antes de mim e que continuará a existir depois, e nele faço o que é esperado: liderar meus homens, matar O Negro, garantir a linhagem dos Potter, ampliar o domínio e o poder de minha família. Não posso escolher, Gina, porque a vida que devo levar foi traçada quando nasci. Você tem todas as escolhas. Pode ser egoísta, mas vive segundo suas regras.
Você está errado.
Ela não era livre para viver segundo as regras dela. Se fosse, não seria constantemente repreendida pelo modo como agia, falava, pensava, vestia-se. Havia um preço para abraçar a liberdade, um que Harry jamais pagaria. Ele tinha senso de dever demais; não apenas para com seu povo e sua família, mas para com os brancos. Ela amava isso nele: o quão honrado ele era. Harry fazia sacrifícios pelo que e por quem amava, diferente dela, que nunca seria altruísta assim. Ela preferia ser egoísta e feliz.
Eu sou uma desgraça, mas é assim que sou. Não sei viver de outro modo. Harry é diferente e é tão melhor do que eu! Admiro-o mais a cada dia.
- Você ama sua vida, seu povo, suas terras. Fala com orgulho de sua ala e de sua família. Certamente lutar por tudo isso dá alguma satisfação.
- Não sei... Satisfação? Se eu falhar, ninguém ficará satisfeito. Sinto que todos têm expectativas e temo não ser capaz de atender todas.
O Harry diante dela era um que nunca tinha visto. Pela primeira vez Gina sentiu que ele era completamente sincero em relação ao que pensava e sentia. Harry, que geralmente guardava tudo para si, revelava o que perturbava-o... Era efeito do vinho? Ou ele estava cansado de carregar tudo sozinho?
Já tinha visto-o desalentado mais de uma vez, mas quem mais conhecia esse lado dele? Alguém imaginava que não era apenas a guerra que o importunava? Imaginar... Era apenas isso que ela podia fazer. Não sabia como era estar no lugar de Harry, com o rei e todos os brancos dos quatro cantos esperando que ele colocasse fim aos anos de batalha. Gina conhecia as responsabilidades de Harry, mas nunca havia pensado seriamente nelas. Devia ser realmente difícil... Para ela era fácil sacrificar tudo, já que nada tinha, mas Harry tinha muito. Ele estava certo em dizer que cumpria o que era esperado dele. Se não o fizesse, ninguém mais o faria, afinal, além de um nobre com obrigações, ele era O Escolhido para matar O Negro.
Considerava uma honra ser O Escolhido, não um peso, mas era assim que podia parecer a Harry: um fardo que ele não desejava. A guerra pesava sobre os ombros dele por causa da profecia, e talvez fosse um peso muito grande para apenas um homem. Conviver com Harry por vezes a fazia esquecer quem ele era: o líder de um exército, um lorde, senhor de um povo e de uma ala, O Escolhido. Harry era aquele sobre o qual magos e bruxas tinham falado, sobre o qual os deuses tinham tecido orações, sobre o qual pássaros cantavam.
Ele faz a vida que leva parecer fácil. Esforça-se para esconder que está cansado dos fardos que carrega e que ninguém mais pode levar por ele. Por vezes cai, mas sempre se ergue e continua a carregar tudo sozinho.
Gina deixou seu lugar perto do fogo e caminhou determinada em direção a Harry.
- Ouça – tomou o outro assento na mesa de selise, esticando as mãos para alcançar as de Harry, que ainda brincavam com as pedras do jogo -, não posso ajudá-lo. Talvez ninguém possa, afinal há coisas que apenas você pode fazer, Harry, mas posso ficar ao seu lado tanto quanto desejar. Não apenas eu: seus amigos, sua família, seus homens, seu povo. Você não está sozinho. Você é um homem, não um deus, não precisa guardar tudo para si. Eu estou aqui.
- Todos... – a voz dele soou embargada por um instante, no qual pânico tomou conta de Gina. Harry nunca chorava, algo tão raro! Mas ele recuperou-se e quando falou, sua voz soava apenas cansada - Todos esperam que eu cumpra meu dever, principalmente eu, então é o que faço. Se o preço é sacrificar minhas vontades, que seja.
- Se o noivado o fez tão infeliz, por que o propôs? - mas não era apenas o noivado, ela sabia - Que perdesse as minas! Seus antepassados não retornariam das cinzas para assombrá-lo, você sabe.
- O noivado não é o problema, apenas faz parte dele.
No silêncio que seguiu, Gina pensou no quanto o rumo daquela conversa havia mudado. Que noite estranha! Parecia absurda demais para ser real... Absurda e confusa. Subitamente também teve vontade de embriagar-se e esquecer, mas o vinho havia acabado...
- Sabe – Harry falou -, começo a desejar um inverno que se estenda para a eternidade, de modo que nada mude. Não que eu tema o futuro que me espera, apenas não anseio por ele.
As mãos deles continuavam unidas, e Gina apertou as de Harry.
- No futuro não haverá guerra, nem dor, nem sangue. Eu anseio por esse futuro. Quero lutar por ele com você, Harry.
- Por quê? Por que arriscar sua vida nessa guerra, se você é livre para viver bem longe dela?
- Por que não arriscar? Não tenho nada nem ninguém à espera em lugar algum, nenhum ideal de vida. Lutar me dá um sentido e eu ainda posso ajudar os brancos e talvez salvar alguns inocentes, além de...
... ficar ao seu lado. Eu...
Eu...
Eu...
O quê?
Eu amo você, Harry?
Eu estou apaixonada por você?
Tenho sentimentos por você, mas não os entendo. Você pode compreendê-los melhor do que eu? Sabe o quanto eu o admiro e o quanto desejo tê-lo por perto?
Gina soltou as mãos de Harry e secou as lágrimas que escorreram por seu rosto. Apesar delas, não estava triste ou magoada. Naquele momento sentia-se mais próxima de Harry do que nunca. Talvez por isso as lágrimas ganharam vida em seus olhos.
- Não quero que a guerra seja tudo o que tenha – o homem disse -, isso é muito triste. Eu estou aqui também. Venha cá.
Ele puxou-a, e ela deixou-se ser conduzida até Harry. Por muito, muito, muito tempo, ele apenas olhou-a, e Gina, de pé diante dele, só conseguiu retribuir o olhar sem entender o que aquele mar verde escondia. Então Harry descansou a cabeça contra sua barriga e abraçou-a.
- Está tudo bem – ele falou.
Gina acariciou os cabelos dele, sem saber o que ou quem Harry consolava, se ele ou ela. Lembrou do dia em que beijaram-se pela primeira vez; na ocasião, ela disse aquelas mesmas palavras a Harry...
- Se eu fosse livre como você – ele continuou -, poderíamos viajar para o sul, esquecer a guerra e as obrigações, viver aventuras como as que deseja. Sem batalhas, sem brancos, sem negros, sem responsabilidades. Sinto muito, mas tal coisa é impossível, Gina. Tenho uma guerra para vencer e preciso de sua ajuda – ele encarou-a. - Você é a minha Fênix. Veio a mim em meio a esta guerra, na mais improvável das situações, e me traz alegria. Não é absurdo ser feliz em guerra? Será que é isto que a Fênix traz, alegria e esperança? - Ele depositou um beijo entre seus seios - Sua força me fortalece. Quando estamos juntos, penso que podemos vencer os negros e encontrar felicidade depois.
- É claro que podemos! Não falharemos. Você não falhará, Harry. Sobreviverá à guerra, amará sua esposa, terá filhos e irá rir de suas dúvidas da juventude. Será admirado por derrotar O Negro! É um fardo pesado, mas se você não é capaz de lidar com ele, ninguém será. Você irá derrotá-lo porque luta com o coração, pelo que ama e acredita, não por reis. Você não tem tais qualidades porque é O Escolhido; você é O Escolhido porque tem tais qualidades. É estúpido de tão honrado e essa, Harry, é sua maior beleza.
A moça esperava risadas ou ao menos um sorriso, mas nem um, nem outro vieram. Harry parecia travar uma batalha em seus pensamentos, que terminou com uma respiração pesada e as palavras:
- Você me dá esperanças de conquistar tudo o que desejo. Por que você? Por que é a Fênix da profecia ou por que é a mulher por quem estou apaixonado?
- O quê? - Gina não sabia se seu coração havia disparado ou parado no peito.
- Eu quero derrotá-lo para viver momentos como este – Harry continuou, sem prestar atenção à pergunta dela. – Quero ir à guerra, inspirar meus homens e vencer todas as batalhas. Quero a glória da vitória, a vingança por meu pai, as recompensas reais, o reino em festa: bebida, música, você na minha cama. Quero minha terra rica novamente, um povo alegre, um castelo com vida, uma boa esposa e filhos. Quero tudo!
Ele beijou-a e, apesar do corte dolorido no lábio inferior, foi inevitável retribuir. E quando as bocas se afastaram, ela achou impossível desviar os olhos dos dele.
Gina abriu um sorriso triste, mas o de Harry foi estranhamente feliz. Ela não poderia dizer quanto tempo ficaram ali, abraçados, olhando-se e sorrindo, e tentou memorizar todas as sensações daquele momento para depois, quando já não estivessem juntos. Os deuses colocariam um fim ao inverno, e assim que a primavera chegasse e Harry saísse do castelo, iria esquecê-la, se é que não se esqueceria dela antes, com a chegada de sua noiva. Mesmo se nutrisse sentimentos por Gina – ele havia afirmado que estava apaixonado por ela ou ponderava a possibilidade? –, a distância os dissiparia, não é? Quando voltasse da guerra, Harry seria outro.
Talvez um inverno eterno não seja tão ruim.
Gina sentou no colo de Harry e beijou-o demoradamente.
- Eu quero você – confessou.
Irei querê-lo para sempre. Seja inverno, primavera, verão ou outono.
Nota da autora:
Ufa! Acabei o capítulo mais difícil até agora. Uau!
Fiz umas 20 versões desse diálogo, sem brincadeira!, e demorou meses – literalmente! – até chegar a essa versão final. Ainda não sei se está bom, mas é o melhor que posso fazer no momento. Havia tanto a ser dito entre os dois (e ainda há, né?), tanto que eu precisava relevar e explicar... Deu um trabalhão!
Prometo que os capítulos com longos diálogos estão acabando. Daqui a pouco teremos mais ação e acontecimentos para dar uma animada nas coisas. Surpresas vêm por aí! Até lá, não se esqueçam de dizer o que estão achando da fic! Estou ansiosa para saber a opinião de todos, então, por favor, deixem reviews, que são um grande estímulo para escrever!
Beijos e abraços!
Lanni
Respostas as reviews:
=o=o= monica. cecilia. 52: Bem, eu dei dicas, não é? Rs. Na verdade, planejava o noivado do Harry com a Cho desde o começo e estava/estou ansiosa para introduzi-la. Espero que o motivo do casamento tenha ficado claro, mas qualquer coisa é só esperar um pouquinho pra ler o desenrolar dessa trama!
Michael... Veremos ele em breve. Rs. Até o próximo capítulo! Beijos!
=o=o= Priscilla Florencio: Exatamente! Rsrsrs. Quem mais seria a noiva, não é? O noivado é real, mas se haverá ou não casamento, não posso dizer. Seria spoiler! Mas lembre-se do que a Gina disse: ela prefere ser amante. Rs
Até o próximo capítulo! Beijos!
=o=o= Mary Weasley Malfoy: Boas observações sobre o noivado! Em relação ao Harry, acho que ele está apaixonado sim, mas ele não a ama. É paixão, não amor, e penso que isso ficará mais evidente em breve. Além do mais, ele é possessivo, diferente da Gina. Ela sabia desde o começo que Harry não seria dela e ela não seria dele, então sabe lidar melhor com a ideia de Harry com outras mulheres. O ciúme... Isso será um sério problema em breve! Rs
"Ela não estrá treinando muito assiduamente e está se iludindo sobre o perigo, sem (aparentemente) tomar precauções". Gina se acha muito boa com armas e acha que não precisa de ninguém, mas vai começar mudar um pouco, devagarzinho. Ela é arrogante quando se fala em lutas, para ser sincera.
Obrigada pela review e até o próximo capítulo! Beijos!
=o=o= Nayane: Postei, enfim! Espero que tenha gostado desse cap tanto quanto do outro. As coisas estão confusas e difíceis entre H e G, não é? Não acredito que ela mudará de ideia quanto ao pedido, nem que ele possa fazer muito por isso agora, mas quem sabe? Leia e descobrirá! Rs. Até o próximo capítulo! Beijos!
=o=o= Mariane219: Bingo! Ele está comprometido com a Cho (Diggory)! E não se preocupe, eu entendo essa coisa de "sumiço", rs. Boa sorte na escola (inveja! bons e velhos tempos!). Obrigada pela review e até o próximo capítulo! Beijos!
=o=o= Gi Giudicelli: Oie! Rsrsrs... Muita coisa acontecendo ultimamente, não? Longas conversas, muito o que esclarecer. Gina precisa amadurecer, e Harry começa a mostrar como realmente se sente. Ele pode parecer incompreensível às vezes porque não revela o que realmente pensa, mas acredito que aos poucas as peças se encaixarão. Qualquer coisa, se tiver alguma dúvidas, é só perguntar!
Quanto a Cho... Ela vai atrapalhar um pouco as coisas, é claro, mas não por intenção. Ela acabou jogada no meio desse romance, então espere um pouquinho para descobrir como ela será nessa fic. Rsrs.
Brockwar e Carice reaparecerão em algum momento no universo de Garwosth, mas ainda vai demorar um tantinho. Espero que continue lendo até lá! Obrigada pela review e até o próximo capítulo! Beijos!
=o=o= Guest: Sim! É a Cho! Mas, realmente, não sei se ela está feliz com esse casamento... Acho que ela é um pouco infeliz, com tudo que passou, mas vou deixar para revelar mais sobre ela durante a fic.
Obrigada pelos votos para 2018! Tudo de bom para você tanto neste ano também! Obrigada pela review e até o próximo capítulo! Beijos!
=o=o= mariana. rfr: Vamos combinar: a Gina é imatura, não é? Ela precisa crescer, e pretendo trabalhar esse lado dela agora. Ela é egoísta, arrogante e mimada, para ser franca, apesar de ter qualidades também. Harry e outros personagens vão começar a dizer umas coisas que a fará refletir. Ela vai melhorar (*dedos cruzados*). No mais, obrigada pela review e até o próximo capítulo! Beijos!
=o=o= Gabriele barqueta: Ah, também fico feliz quando consigo atualizar! Espero realmente atualizar bastante este ano e acabar a fic - sim, o fim está chegando! Não sei exatamente mais quantos capítulos teremos, mas já estamos no começo-indo-pro-meio do fim.
"ela [Gina] nao vai abdicar de quem ela é e de o que ela acredita por ele". Não vai mesmo, mas pergunto-me sinceramente se isso não pode ser um defeito. Gina é tão inflexível e imatura! Acha que tem todas as certezas do mundo, como a jovem que é. Mas essa garota irá viver e aprender algumas coisas, então espere para descobrir mais!
Obrigada pela review e até o próximo capítulo! Beijos!
