NOVO CAP ON!

As minhas férias estão lentamente a aproximar-se, o que significa que finalmente terei algum tempo para regularizar os updates! Para festejar, aqui está um capítulo ligeiramente maior :)

Agradecimentos: A quem acompanha a fic e principalmente a todas as pessoas que, apesar da demora em atualizar, deixam feedback - espero que continuem a seguir, a gostar e a deixar a vossa opinião, encoraja-me e motiva-me bastante, sobretudo agora nesta parte tão crucial!

RECORDE-SE: Esta fic gira à volta do facto de como teria sido se: 1 - fosse Draco a matar Dumbledore; 2 - Harry, Ron e Hermione estivessem em Hogwarts durante o seu 7º ano.

Bom, acho que é tudo e que não me escapou nenhuma gralha, mas já se sabe como é, apanhá-las a todas é uma grande proeza.

Disclaimer: Harry Potter não me pertence, não lucro com nada disto, a ideia é minha e esta fic também and so on. (Se eu pudesse roubava Malfoy e o vestido de Bellatrix, MAS NÃO VOU ROUBAR, portanto escusam de me acusar disso se acontecer)


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You Shall Overcome

Até Onde és Capaz de Ir?

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Não conseguia deixar de olhar para ele.

Desde que chegara, durante todo aquele tempo, ela não conseguia deixar de olhar para ele.

Para o violinista.

Para o mais nobre de Slytherin.

Para Draco Malfoy.

E pensar que ela tentara esconder toda a sua glória por detrás de um desmaiado azul meia-noite, como se ele alguma vez pudesse ser reduzido à insignificância de um mero corvo... teria piada, não fosse o facto de ela o ter feito propositadamente. Poucas pessoas perceberiam a sua atitude de procurar desesperadamente disfarçar um leão de cordeiro, mas ela repetiria tudo da mesma forma se fosse necessário. Fá-lo-ia porque tinha consciência do impacto que teria em si a simples possibilidade de Malfoy poder ser o violinista. Ninguém era capaz de imaginar o furacão que rebentaria dentro de seu peito ao compreender que quem tocava aquelas cordas, quem arranhava a sua alma, com tamanha profunda tristeza, era ele.

Ele, que através da sua música os aproximava sem sequer suspeitar de tal. Malfoy fizera-a sonhar sem nunca lhe ter tocado. Falara-lhe ao ouvido sem nunca se ter dirigido para junto de si. Ele tornara-se tão, tão cúmplice… e fizera-o matreiramente, num apertado espaço de tempo e sem que qualquer um deles tivesse intenção de tal.

Instalara-se depressa e sem qualquer aviso, só deixando que ela se inteirasse do ato quando já fosse demasiado tarde. Hermione nem tivera tempo de sentir que algo estava a mais, que havia um excesso de nada dentro da sua esfera pessoal. Na verdade, era como se ele sempre lá estivesse estado, escondido, suportando o peso morto da sua existência sem graça. Como se as cinzas de seu olhar iluminassem o negrume da insegurança dela enquanto as suas pálidas mãos faziam um elegante gesto para que seguisse em frente, dizendo-lhe, baixinho e em tom de nevoeiro "Vamos, levanta-te geniozinho".

Levanta-te geniozinho…

Hermione levantou-se. Fê-lo após ter dado um leve pulinho para se erguer e, de seguida, cruzou os braços à frente do tronco. Sentia-os como um suporte, prontos a amparar o corpo caso tal fosse necessário. Seria preciso o seu melhor para controlar o tsunami contra o qual procurava batalhar, todo o apoio era bem-vindo, mesmo que este só partisse de si própria.

Não tinha tempo a perder, o melhor era pôr tudo em pratos limpos e confirmar o que ele já sabia:

- Sim, Malfoy, eu pus três gotas de Veritaserum na poção e uma no copo de água, por isso é que troquei os ingredientes. Seria uma complicação se ela estivesse bem-feita e fosse levada para Madame Pomfrey. Misturei nos dois sítios porque não tinha certeza se irias ou não beber a água. Como os meus vizinhos dizem, "mais vale prevenir que remediar".

Ele encarava-a, neutralmente incrédulo. É claro que ela tinha feito de propósito, que outra explicação poderia haver para a sua poção não estar correta? Foi engenhoso da sua parte, mas, mesmo assim, facilmente previsível. Se assim era, então porque é que caíra na armadilha? Porque era um Slytherin, e todo o Slytherin ficaria inchado de orgulho por ultrapassar e superar a melhor aluna de Hogwarts. Fora presa fácil, Hermione tirara partido de um dos seus pontos fracos e ele nem equacionara que tal pudesse acontecer no momento, tão cego estava por ter sido elogiado e aprovado.

Como é que pudera ser tão imbecil? Não ficara sequer desconfiado ao vê-la estender o copo de água após ter errado a sua poção. Deveria, mas mesmo nessa altura, os seus olhos castanhos transmitiam tão séria preocupação que se deixara render e encara a atitude como um disfarçado pedido de desculpa envolto em remorso e recriminação. Imbecil, ele deveria ter percebido e ter visto através da farsa, porque ele simplesmente nunca se engana. Mas, mesmo assim, sempre – sempre – caíra como um menino ingénuo e indefeso nas suas teias.

Patético.

As contrações enojadas de seu estomago obrigaram-no a pensar noutra coisa, forçando a procurar outas pontas soltas do plano da jovem.

- Como é que arranjaste aquilo?

Hermione não estava certa se deveria ou não entregar-se completamente, mas sentia que ao menos devia isso ao encarar os traços do rosto traído de Malfoy. Deu de ombros, seria apenas a palavra dele contra a sua, de qualquer das formas.

- Roubei-o ao Snape – anunciou banalmente e sem floreados.

A estranheza de Draco foi substituída sem pressas por um sorriso torto e matreiro.

- Oh, parece-me que alguém deveria trocar o vermelho pelo verde…

Hermione sorriu. A ideia não desagradava de todo, estaria mais próxima dele.

- Talvez o pondere, mas não estamos aqui para discutir isso. Vamos ao que realmente interessa?

- Não.

Ela torceu o nariz com desapreço e aproximou-se perigosamente dele, parando a nove centímetros de distância. Encarava-o sem qualquer rodeios ou inibição, de um modo demasiado familiar mas esquecido.

- Não vais colaborar, Draco? – "Draco", não "Malfoy".

Engoliu em seco.

- Não…

Suspirou. Porque é que tinha que ser tão teimoso? Não lhe estava a pedir que se ridicularizasse ou sacrificasse, as suas intenções era límpidas e honestas, não havia porque recear ou recusar. Sim, só o simples facto de ele ser um puro-sangue pertencente à Casa mais sombria de Hogwarts demonstrava que obter compreensão e cooperação da parte dele seria tarefa difícil, mas não era isso que ela lhe estava a pedir. Na verdade, ela não tencionava pedir porque iria exigir, obtendo o que queria de uma forma ou de outra. A única diferença é que seria muito menos cansativo e constrangedor se sua alteza se dignasse a colaborar.

Isto sem referir que ambos tinham a noção do quão difícil era resistir à Poção.

- Não tens muitas hipóteses.

- Experimenta – sabia a batalha que estava prestes a travar, mas morderia o lábio até sangrar se fosse necessário. E gozava de uma vantagem que Hermione felizmente não se recordava: fora treinado por Devoradores da Morte para resistir ao Veritaserum pois não poderiam ser corridos riscos na sua missão de assassinato.

Ela fez um ligeiro beicinho, como se lhe tivesse sido negada a Barbie mais bonita. Contudo, Malfoy nunca saberia o que isso significava e era inútil explicar-lhe a satisfação que uma boneca muggle pode trazer a uma criança. Poderia converter a Barbie num doce, partilhando assim a graça da situação. Contudo, por mais coisas que estivesse disposta a partilhar, esta não era uma delas.

- Vou ter que te lançar uma maldição?

Draco analisou a sua expressão sem responder. Não estava com vontade de testar os limites da flexibilidade da Gryffindor, sabia quão obstinada ela conseguia ser e esta era uma das situações em que ela já provara que esquecer e simplesmente deixar ir não eram opções viáveis para si.

- Queres mesmo que eu quebre todas as regras, ahn…

- Não tinhas coragem… - balbuciou, tentando ocultar o desconforto. Tinha plena consciência que provocar a fera apenas pioraria a situação, mas as coisas estavam a ficar ligeiramente descontroladas e Hermione parecia ter perdido a noção do razoável. Uma coisa eram três gotas de uma poção incolor, roubada furtiva e clandestinamente, sabe-se lá como, do escritório/armazém de Snape, e outra (completamente diferente) era lançar uma maldição. E podia ler nos seus olhos que ela não faria a coisa por menos, não escolheria uma simples e comum maldição. Não, a jovem estava a planear algo em grande, algo com a dimensão única de uma Maldição Imperdoável.

Sofrera várias Cruciatus durante o seu treino, recordava com toda a limpidez a insuportável dor que se alojara em todos os seus ossos e o ensurdecedor latejar que lhe martelara impiedosamente o cérebro. Era uma sensação de desespero e agonia à qual ninguém se deveria habituar – à qual ele fora obrigado a habituar-se.

O peso de uma Maldição Imperdoável, fosse ela qual fosse, não era leve para nenhuma das partes nela envolvidas. A última coisa que queria era que o destemido ser à sua frente tomasse conhecimento disso, mesmo que a maldição que ele lhe planeava lançar era, das três, a mais inofensiva e perigosa.

Era aquela para a qual ele não fora treinado, uma vez que nenhum professor a usaria para o interrogar.

Imperius era terrivelmente contraditória. Um misto de inocência e maldade misturadas com decadência e sede de poder. Era a hipócrita maldição que sussurrava nos ouvidos do encantado que não estava a fazer nada de errado em seguir a doce voz que o guiava. Aproximava-se de mansinho das suas vítimas, mostrava-lhes utopias e, enquanto elas cegamente mordiam veneno, deambulavam pelas ruas de um paraíso que nunca existira, banhadas na ignorância dos atos hediondos que poderiam estar prestes a praticar.

Imperius era, sem dívida, a mais cruel de todas.

- Tenta outra vez – desafiou erguendo uma sobrancelha. Como é que um Gryffindor não tinha coragem? Malfoy chegava a ser divertido.

Ele reformulou num tom de voz mais baixo:

- Não… não te atrevas…

- "Não te atrevas"… a sério? – perguntou, sarcasticamente. Quem é que aquele insuportável mimado julgava que era? Ele não fazia ideia o que custava deambular durante meses por aquele castelo carregando uma sensação de vazio, incompletude e perda. Um pedaço de si havia sido roubado e ela só se apercebera disso devido a pequenas situações que se proporcionaram por meros acasos. Ele não compreendia de todo a sua necessidade em descobrir a verdade que lhe pertencia. – Tens, por ventura, alguma noção do desespero que é não te lembrares de grande parte do que te aconteceu ao longo de um ano?

Draco engoliu em seco. Não, não tinha. Mas sabia outras coisas. Sabia que o fizera para a salvar, para a manter em segurança e para a resgatar de um outro tipo de inferno em que ela se encontrava submersa. Um em que carregava o peso da verdade e o escondia de todos, um peso de tal ordem corrosivo que a começara a devorar lentamente, apagando-lhe a alegria e sugando-lhe a energia. Ele sabia que o beijo de um Dementor era letal e devastador, mas o que lhes acontecera conseguia claramente superá-lo.

- Hermione, eu… - primeiro erro. "Hermione", não "Granger". Imbecil.

Ela esticou os braços, pretendendo tocar-lhe. Os seus olhos imploravam silenciosamente. Sempre que estavam juntos, a sucessão de momentos decorria de forma alucinante e tanto transbordava de raiva num segundo como no seguinte se queria render. Será que também fora assim, no Passado do qual não se lembrava? Não era preciso ser-se brilhante para perceber que existia algo entre eles, tal era percetível devido à irritação de Malfoy e ao seu encoberto desespero, mas não conseguia imaginar que tipo de Passado era esse ou o que continha acerca do que existira entre eles. Pela mágoa do glaciar, talvez se tratasse de um tenebroso onde por ventura fora sequestrada e…

Os pensamentos fugiram-lhe quando ele a deteve. Notou o cuidado que teve em não lhe tocar na pele, mas não deixou de agarrar com força os pulsos, protegidos pelas vestes. Draco procurava no seu rosto qualquer vestígio da dor que lhe causara, e via-o. Via-o nos seus olhos, nos recantos de sua boca, nas já desaparecidas cicatrizes… Ele ainda os via, e via-os bem demais…

- Já não dói… - respondeu-lhe, compreendendo o que ele procurava – elas desapareceram. Eu não me lembro do que aconteceu mas, o que quer que tenha sido, não foi culpa tua.

O jovem tentou curvar os lábios num sorriso falhado. Estava ciente de que, apesar de umas das cicatrizes não estarem mais presentes, algumas ficariam permanentemente escondidas sob a sua pele de seda. Não queria que tal acontecesse, a última coisa que ela merecia era ter que aprender a viver como ele.

- Tu tens que deixar ir, tens que ultrapassar isto...

Ela não tentou livrar-se do seu quase toque. Era o mais próximo que tinha estado dele, não queria que terminasse. Contudo, ainda não esquecera que o tempo urgia contra si.

- Eu preciso de saber Draco... Preciso mesmo, não há outra forma de contornar a situação, muito menos de a superar...

- Mas ainda vais a tempo de-

- Tu lançaste-me um feitiço de memória, não lançaste? - questionou fracamente, sem o deixar terminar a frase. Não podia deixar embalar-se por aquela voz hipnótica.

Draco mordeu o lábio, lutando contra a imperativa vontade de falar. Custava-lhe engolir cada palavra automaticamente formada no seu cérebro, mas aprendera com mestria a fazê-lo. Ao aperceber-se de que perguntar apenas uma vez não era o suficiente, ela repetiu de forma pausada:

- Tu lançaste-me um feitiço de memória, não foi?

Sentiu a sua pele rasgar. A pergunta podia ser repetida uma, duas, três, cinco vezes, era indiferente, ele não iria desistir assim tão facilmente. Seria necessário muito mais para que deixasse de se ferir. Hermione compreendeu isso quando o vermelho sangue em seus lábios se tornou ligeiramente visível. Suspirou, soltando os seus pulsos. Não queria que Malfoy se magoasse por um capricho que para ela era vital, não era justo.

Podia procurar outras formas de solucionar o problema, mas o tempo escasseava. Esperava que as coisas não tivessem chegado tão desajeitadamente àquele ponto, mas parecia que não havia como evitar o inevitável. Estar com o jovem implicava sempre o mesmo – uma sequência desorganizada e incompreensível de eventos que os testavam sem descanso e nos quais as suas emoções eram levadas ao limite.

Retirou a varinha do manto tão rápido que Draco não teve qualquer hipótese de reagir. Notara sem escapatória que deixara a sua varinha pousada no parapeito do quadro de lousa antigo e, uma vez que todas as mesas e cadeiras se encontravam empilhado ao fundo da sala, não tinha onde se proteger. Iria, sem dúvida, ser atingido.

Hermione queria ter gritado outra coisa antes de o amaldiçoar. Gostava de lhe ter pedido desculpa por o usar depois de o ter manipulado durante a manhã. Desejava que ele soubesse que não era aquela a sua vontade, que o que mais ansiava era que resolvessem os seus problemas e mistérios pacificamente, como duas pessoas que, embora sem partilharem laços, estavam aptas a ter uma cordial conversa civilizada.

Hermione queria ter gritado outra coisa, mas não o fez.

- Imperio! – proferiu, num tom invencível.

E Draco foi implacavelmente atingido.


Continua...


Notas da Autora:

Pois é, Draco resistiu ao Veritaserum... mas o que acontecerá agora, que está sob o feitiço da Maldição Imperius?

O que acharam? Gostaram? Sugestões? Já sabem, deixem a vossa opinião, já sabem como reviews são importantes para os autores!

PS: De futuro procurarei render-me a 100% ao Novo Acordo Ortográfico, que tem em vista estreitar e facilitar as relações entre os PALOP, mas toda a gente sabe que velhos hábitos... portanto levarei o meu tempo a ambientar-me.