Chris estava se recuperando rapidamente o que deixou a todos felizes. Misha e Giselle não conseguiam explicar como o diagnóstico havia mudado de um dia para o outro, o que era uma pneumonia se transformou em uma gripe leve. A verdade era que a doença de Chris era espiritual, quando ele imaginou que não conseguiria juntar Jensen e Jared seu corpo transformou em doença sua dor. Mas agora tudo estava bem, eles estavam juntos novamente.

-Papai, quero voltar para a escola... – disse Chris, que ainda repousava em sua cama.

-Eu sei filho, mas você ainda precisa se recuperar totalmente!

-Mas papai eu já me sarei totalmente!

Jensen sorriu. Como ele amava aquele garotinho, ele tinha a sensação de que não era ele quem cuidava de Chris e sim o contrário.

-Eu sei que você já "se sarou" totalmente, mas mesmo assim, você ouviu a Dr. Giselle e o tio Misha, precisa ficar em casa mais alguns dias para não ficar doente novamente.

-Tá bom mas... faz dois dias que o Professor Jay não vem aqui...você convidou ele né? Vocês são amigos, certo?

-Sim Chris, nós somos amigos, eu prometo. O Jay não veio aqui porque ele tinha algumas coisas para resolver na casa dele, na escola, mas hoje ele ligou e disse que vai vir te visitar, está bem?

-Eba! Papai, eu queria te perguntar uma coisa...

-Sim, pode perguntar.

-Existem crianças como dois papais? Porque se o Steve tem duas mamães, então dá pra ter dois papais, não é?

Jensen sentiu arrepio, alegria, medo, orgulho, mais medo e um pouco de falta de ar.

-S-sim...sim...claro, pode-se ter dois pais, ou duas mães, ou um pai e uma mãe... ou um outro parente que seja pai ou mãe...

-hum... que bom então.

-Por quê? – Jensen não tinha certeza se queria ouvir a resposta de Chris.

-Porque sim ué! Papai, canta uma música pra mim?

Jensen pegou o violão de bom grado. Ele estava ficando nervoso com aquela conversa. De onde Chris tirou a ideia de ter dois pais? Era exatamente disso que Jensen tinha medo, do menino se apegar demais a Jared e nada dar certo. Na verdade ele tinha medo de se apegar demais a Jared e não dar certo.

Jared não conseguia parar de pensar no abraço que havia dado em Jensen. Ele pôde sentir as batidas do coração do outro, sentir seu cheiro, sua respiração quente. Ele pôde protegê-lo e isso não saía de sua cabeça, o fato de que Jensen precisava de sua proteção.

-Jay, está tudo bem? – perguntou Zach, após observar Jared por um longo tempo.

-Sim...sim, está tudo bem, mas... sabe a sensação de que algo maravilhoso está pra acontecer mas...não sei, parece bom demais pra ser verdade...

-Jay, eu entendo que você esteja assustado. A verdade é que toda esta história realmente é assustadora mesmo, mas também é muito bonita e mágica! Cara, você reencontrou sua alma gêmea! Você deve ter uns poderes mágicos ou sei lá o que, porque entrou em coma e viajou no tempo! E voltou, e achou o cara! Isso é muito importante, cara! Se vocês se reencontraram e continuam se amando, porque pelo que você me contou, este cara também te ama, então vocês tem mais é que ficar juntos! É o destino acontecendo!

-Eu sei! Mas... você viu como acabou da última vez...

-Da última vez você estava no lugar certo na hora errada! Imagina se você ficava lá pra sempre? E este Jensen que vive aqui, como ele ficaria? E o Chris?

-Você tem razão...eu... não tinha pensando nisso! O que teria acontecido com eles?

-Eles seriam menos felizes, com certeza!

-Zach, às vezes você me assusta com as coisas que diz!

-Jay, quando é que você vai aprender que eu sou um sábio!

-Não exagera!

-Oh, para com isso, e se arruma logo pra ir visitar o Jensen!

-Eu vou visitar o Chris...

-Sei...sei... anda logo, Sunshine!

Jared sorriu, levantou-se e deu um abraço em seu amigo. Zach estava certo, o destino estava dando mais uma chance para ele e Jensen, e ele não iria desperdiça-la.

Alice abriu a porta para Jared, que havia chegado segurando uma cesta que ele havia comprado no Café du Monde. O coração dela bateu acelerado novamente, lá estava Sunshine.

-Olá Alice!

-Olá Sunshine! Por favor, entre.

Jared entrou e acompanhou Alice até a sala. Ambos se sentaram e ficaram um tempo se comtemplando, até que Jared notou o caderno que estava sobre a mesa.

-Este é...?

-Sim, este é meu primeiro caderno que meu irmão Jacob comprou para que eu o usasse nas aulas com meu lindo professor Jay.

Jared não conseguiu segurar a emoção, seus olhos encheram-se de lágrimas, seu coração se encheu de ternura e tristeza.

-Alice...o que...o que aconteceu depois que eu...que eu fui embora?

-Jay...

-Por favor, eu preciso saber! Eu preciso entender!

-Depois que aquele homem louco atirou em você, todos perderam os sentidos, isto foi o que Jacob contou para mim, anos depois, e você desapareceu. Jen tinha certeza de que você estava morto, ele...ele havia visto você levar o tiro e também ele sentia...

-Oh meu Deus! Jensen...ele...ele sofreu demais! Ele não merecia isso Alice, eu havia prometido a ele que não o abandonaria!

-Você não teve culpa, querido. Você não tinha como saber o que aconteceria.

-Mas eu deveria ter imaginado! Não era natural a maneira como eu cheguei...e... e Jensen sofreu por minha culpa!

-Jared, me escute, nada disso foi culpa sua. Mama me explicou que o destino havia falhado com vocês. Que provavelmente você havia voltado para sua alma gêmea porque um não pode passar pela vida sem o outro. Algo deve ter acontecido que lhe impediu de viver com Jensen naquela vida, mas agora tudo está certo. Vocês dois estão aqui, estão juntos novamente.

-Eu sei, mas... Alice, como Jensen morreu?

-Ele ficou doente, ele sempre teve saúde frágil... mas ele foi em paz, ele sabia que iria te encontrar novamente.

-Alice...eu... oh meu Deus! – Jared começou a chorar compulsivamente.

Alice sentou-se a seu lado no sofá e o abraçou. Eles ficaram assim, abraçados por um tempo, até que Jensen apareceu na sala e com um olhar interrogativo, interrompeu a cena.

-Jay... o que...o que foi?

-Jared estava me contado sobre seu acidente e se emocionou.

-Oh...

-Venha até aqui ficar com ele, vou levar esta linda cesta até a cozinha e preparar algo para vocês comerem.

Alice saiu da sala e Jensen sentou-se em seu lugar, perto de Jared que estava com a cabeça baixa e com o rosto molhado pelas lágrimas.

-Me abraça. – disse Jared.

E Jensen o fez. Abraçou Jared e o consolou. A atmosfera da casa ficou mais leve, eles emanavam carinho, amor e paixão.

Após alguns minutos, Jared se acalmou e Chris apareceu correndo na sala.

-O que foi professor Jay? O senhor está triste?

-Não...não...só estou emocionado. E você, como está?

-Já sarei, mas vou ficar uns dias sem ir pra escola, por causa da neumoia...

-Pneumonia, filho. – disse Jensen, sorrindo.

-Sim, por causa da neumoia. Escute papai, por que você não canta uma música para alegrar o professor Jay?

-Eu...

-Vou lá pegar o violão!

-Chris!

-Jen, canta... por favor? – os olhos de cachorrinho que caiu da mudança eram infalíveis.

Chris chegou com o violão e Jensen cantou a música de Billie Holiday, The very thought of you. Tudo estava acontecendo da maneira certa.

Uma semana se passou, Jared ligava todos os dias na casa de Jensen e sentia que aos poucos este se abria mais, ficava mais seguro. Depois da conversa com Alice, Jared passou a entender o porquê de Jensen ser tão inseguro, tão triste. Ele morreu de forma muito trágica e sua alma ainda sofria por isso. Jared achou melhor não contar nada para Jensen porque ele acredita que isso só trará mais sofrimento e confusão para o outro. Viver esta vida, o agora era a meta de Jared, e ele iria fazer de tudo para que Jensen não sofresse mais.

Jensen resolveu voltar ao trabalho. Ele precisava voltar a viver sua vida e sua profissão era algo que ele amava. Ajudar as pessoas a saírem de seu sofrimento, este havia sido o motivo que impulsionou Jensen a exercer a medicina. Ele não queria que as pessoas sofressem igual a ele. Mas agora ele estava esperançoso, ele estava feliz, apesar de ainda sentir medo.

-Pensando na vida, Ackles?

-Olá Pellegrino, como vai?

-Estou bem, e vejo que você também, já que voltou depois de tirar férias fora de época.

-Sim...é que eu... eu estive doente e...

-Sim, me lembro, certo dia entrei no seu quarto com meus alunos e não pude continuar porque...

-Por que você não tinha autorização– disse Misha, visivelmente irritado.

-Pois é, me esqueci que alguns pacientes são mais especiais do que outros.

-Pellegrino...

-O quê? Por acaso eu estou mentindo?

-Escuta aqui, por que você não pega esta sua inveja e enfia no...

-Mish, calma, deixa. Pellegrino, com licença, vamos nos retirar pois tenho alguns pacientes novos. Foi bom vê-lo novamente.

Jensen puxou Misha pelo braço e eles saíram de perto do Dr. Pellegrino.

-Eu detesto este idiota invejoso! Quer saber? Acho que ele gosta de você.

-O quê? Eu acho que ele não gosta de mim!

-Eu acho que é amor reprimido...

-Mish...

-É sério! Só pode ser isso!

-Você é doido!

-Isto é elementar, meu caro. Mas falando em loucura, como anda nosso amigo Jay?

-Por que falando em loucura você lembra do Jay? Ele não é louco ele é...

-Ele é...?

-Ah Misha, como você é idiota!

-Você está apaixonado! Jenny, isto é lindo, é perfeito! Finalmente!

-Eu não estou...apai...apaixonado...eu só...eu ...

-Jenny, você está gaguejando, e quando isto acontece, significa que você foi pego. E quer saber? Eu aprovo!

-Você aprova?

-Sim, eu gosto deste garoto, o Padalecki, ele é sincero e inteligente, um pouco doidinho, mas vocês dois juntos me agrada, portanto, pode ficar com ele, eu aprovo.

-E desde quando eu preciso da sua aprovação pra ficar com quem quer que seja?

-Desde sempre, oras! E por favor, me diga que vocês já se beijaram.

-Sim...quer dizer... sim.

-E mais do que isso, me diga que você não afastou o cara da sua vida por conta da sua insegurança.

-Não...quer dizer...sim e não mais.

-Ótimo! Jenny, eu fico feliz. Não deixe os seus medos atrapalharem o destino.

-Destino? Misha, eu não acredito em destino.

-Não precisa acreditar, querido. Só deixe ele seguir seu curso e não perca o bonitão com cara de criança.

-Eu não sei se devo te agradecer ou te xingar.

-Então não faça nada. Anda, vamos trabalhar, o dever nos chama, Jenny.

-Quando você vai aprender que eu odeio que me chamem assim?

Chris estava de volta à escola e não poderia estar mais feliz. Ele amava a escola, Nana estava certa, a escola é um lugar muito especial. E tinha o professor Jay, que ele torcia para um dia se tornar seu segundo papai.

O dia correu normalmente, Jared estava alegre e as crianças sentiam a vibração, ficando igualmente alegres. A hora de ir embora estava chegando, e Chris estava empolgado pois pela primeira vez ele iria embora de perua escolar juntamente com seus amiguinhos. Mas antes de sair ele resolveu conversar com seu professor.

-Professor Jay, posso fazer uma pergunta?

-Claro Chris, o que quer saber?

-Um menino pode ter dois pais?

-O quê?

-Ter dois pais, meu pai disse que sim, que eu posso ter dois pais...

-Oh...sim, claro que sim! Algumas crianças tem dois pais, ou duas mães como o Steve. – O coração de Jared batia acelerado.

-Ah... que bom então!

-Por quê?

-Porque sim...eu...ficaria feliz em ter dois pais.

-Hum...

-Mas só se fosse você...o outro papai...

Jared ficou sem palavras e seu coração bateu mais forte ainda. A aprovação de Chris era muito importante, era o que faria Jensen se sentir mais seguro e tranquilo para tentar ficar com ele.

-Ih, tenho que ir senão o ônibus vai embora!

-Hã?

-Meu ônibus! Ele vai embora!

Chris saiu correndo, sem dar tempo de Jared responder. Ao chegar na saída, o ônibus já havia ido embora. O menino ficou sem reação. Jenny, a garota que vistoriava a saída das crianças estava prestando atenção nas crianças do 4º ano e não viu Chris sair sozinho atrás do ônibus. O segurança da escola estava distraído paquerando uma mãe solteira e também não prestou atenção. Mas Alec, que estava do outro lado da rua, viu claramente quando o menino saiu correndo sozinho atrás do ônibus.

Jared teve um pressentimento ruim, e após sair de seu torpor, foi até a porta da escola.

-Jenny, você viu se o Chris, meu aluno, entrou no ônibus?

-Ele não entrou, o ônibus saiu e eu fui levar as crianças do 4º ano...como ele veio com o pai eu pensei que ele viesse busca-lo...

-John, você viu o Chris, meu aluno?

-Não...eu...não o vi.

O coração de Jared disparou e ele saiu correndo. Jenny e John ficaram igualmente nervosos e entraram na escola para ver se Chris ainda estava lá.

Alec abordou Chris à dois quarteirões da escola. O segurou pelo braço e disse:

-Seu pirralho maldito, finalmente te peguei!

Chris começou a tremer violentamente. Ele tinha pavor de Alec, e não teve voz para gritar.

-Se você abrir a boca eu juro que te encho de porrada. Venha comigo e...

-CHRIS! Ei, Chris! – Jared gritou ao ver Chris perto daquele homem desconhecido.

Alec olhou para trás e viu Jared vir correndo em direção a eles. Aquele maldito rapaz com quem Jensen havia conversado na porta da escola. Ódio. Alec tinha ódio dele.

-Eu vou voltar pra te pegar, se você abrir a boca eu juro que mato ele. Ouviu? – Alec sussurrou no ouvido de Chris o soltou e saiu correndo. O menino ficou parado, estático, tremendo e molhado, novamente ele havia urinado nas roupas.

Jared correu e chegou perto de Chris que chorava copiosamente.

-Ei amigão, está tudo bem, estou aqui. Calma, está tudo bem.

Jensen, que estava no hospital, sentiu um aperto no peito e teve um pressentimento horrível.

-Chris... – ele sussurrou, e sentou-se para não cair, por conta da tontura que sentiu.

Nota das autoras: Publicamos dois capítulos seguidos para que fique igual no Livejournal, onde começamos a postar a fic primeiro!

Cami Ackles, obrigada pelos comentários, ficamos felizes que esta seja uma de suas histórias preferidas!

Sugerimos que busquem ouvir as músicas de Billie Holiday fazem parte da trilha da fic, principalmente a The Man I love e The Very Thought of you, são lindas e compõe mais a história!

Bjus