Epílogo I
Pobre capitão recém eleito
- A torcida sonserina está indo ao delírio! – berrou o comentarista que ocupava o posto desde que Lino Jordan havia se formado. Ele alongou a última palavra ao máximo que seus pulmões permitiram, muito empolgado com aquela partida.
Minerva somente se ajeitou melhor na sua cadeira ao lado dele, esquecendo até mesmo de reclamar de tanta euforia.
Esse é só o oitavo balaço que tentam te acertar Draquinho-do-meu-coração!! Vai ter muito tempo para admirar a sua ruivinha depois...Se ainda estiver vivo após tanta falta de atenção neste jogo.
Draco sabia que devia começar a prestar mais atenção nos balaços, mas não conseguia. Não naquele jogo. Já estava dividindo a sua dedicação com a goles e Gina. A admirava furtivamente, ás vezes ela lançava olhares maliciosos para ele.
Dá para acreditar? Meu menininho está todo meloso...isso merece um da minha vasta coletânea de boleros, benzinho!
- HEI!! Hei! – berrou o comentarista se levantando do seu lugar – Parece que os batedores grifinórios estão mesmo interessados em derrubar o novo artilheiro da Sonserina! E não é para menos, minha gente! O ataque verde e prata está arrasando a defesa dos leões!
Será que ele poderia parar de falar em metáforas?!
Um balaço passou raspando por ele, sentiu a rajada de vendo que balançou os seus cabelos. Olhou rapidamente para os lados, vendo que os artilheiros adversários faziam uma formação, passando a goles rapidamente. Infelizmente, teria que estragar aquela bela performance.
O ataque sonserino era poderoso, mas a defesa da Grifinória estava realmente difícil de se passar. Não queria nem pensar no que poderia acontecer se não conseguissem manter a goles no campo adversário...Sinceramente, não confiava muito no goleiro do seu time.
Ohhh! Feio,feio, feio! Não confiando no seu próprio goleiro?Muuuito feio, Draquito...Nós sabemos que ele é um incompetente, mas não precisa revelar isso para todo o mundo... É,é, então mantenha a goles no campo deles.
Ele acelerou a vassoura, alcançando os outros dois artilheiros sonserinos,que já cercavam a formação que era liderada por Gina. A ruiva deu uma olhada de esguelha para Draco, que se aproximava perigosamente. Ele concedeu a ela um sorriso maroto.
No segundo em que a goles voou da mão do artilheiro grifinório da esquerda,que estava mais atrás de Gina, o sonserino que o marcava agarrou a bola, a arremessando para o outro.
- Droga! – murmurou Gina, ao mesmo tempo em que Draco dava uma volta inteira na vassoura, mergulhando.
As posições se invertiam, e agora eram os grifinórios que tentavam recuperar a goles. Draco recebeu, e encarou Rony, o goleiro.
Ter que encarar família em jogo é mesmo lastimável, ein? Ron vai ter que te agüentar quando vocês contarem, huhh...Eu quero estar lá para ver a cara dele quando souber que Gina não fez algo como exatamente...Te espancar no vestiário.
Talvez fosse só impressão sua, mas cada vez que ele avançava com a goles, a defesa parecia mais fraca. O Weasley ainda devia estar um pouco traumatizado com aquele episodio no Salão Comunal em que havia sido atingido por uma laranja atirada por Malfoy.
Fazer o que, não? Quando se tem o talento...é melhor não duvidar.
Os gritos da torcida por um momento pareceram cessar em sua cabeça, Rony estava mais vermelho que o normal, ele era um bom goleiro. Bem, pelo menos com os outros artilheiros. Teve a impressão de ouvir Potter gritar um "vai Ron!" de algum lugar vindo mais de cima. Mas era como se os aros aumentassem de tamanho especialmente para ele, abrindo grandes brechas.
Brechas que nenhum goleiro parecia poder tapar...Tão fácil, tão fácil...
- Pooooooooooooonto da Sonserina!! – berrou o comentarista, ao que Minerva se encolheu um pouco na sua cadeira, e Alvo deu algumas batidinhas suaves no ombro dela.- O jogo começa a pegar fogo mesmo! Sessenta pontos da Grifinória contra os noventa da Sonserina, que começa a abrir uma vantagem!
Mais um balaço! Parece que esses batedores têm mesmo consciência de que o Draco aqui é uma ameaça iminente.
Deu uma guinada na vassoura, a impulsionando com toda a sua força para cima. Lançou um olhar mortal ao batedor da Grifinória que havia mandado aquele negócio para cima dele. Já se preparava para descer novamente quando deu de cara com Potter, a alguns metros de distância, procurando pelo pomo.
Zabini, o novo apanhador, fazia o mesmo. Porém, ao contrário de Harry,estava se movimentando. Potter o encarou, ele devolveu a provocação com um olhar divertido, acompanhado de um sorriso que quase virava uma risada de escárnio.
- Acho que vou fazer mais alguns pontinhos... – comentou ele dando os ombros,ainda sorrindo.
Desceu a vassoura vagarosamente, observando o olhar irritado de Harry. O Malfoy estava assoviando uma musiqueta particularmente irritante, num visível sinal de desrespeito.
Foi quando, de repente, um balaço veio a toda na direção de Potter, que magicamente o rebateu com a parte de trás da sua própria vassoura. O balaço mudou de direção, batendo numa das balisas grifinórias, e partindo para cima do batedor da Sonserina,que o acertou com força.
- Não! – grunhiu Draco quase caindo da vassoura.
Ahhh! Aquele goleiro era incompetente, mas ele defendeu muitas bolas!!
O balaço batera em cheio no goleiro da Sonserina, que ainda chocou a cabeça contra as balisas antes de começar a sua inevitável queda de muitos metros.
Acertar o goleiro do próprio time é demais para mim.
Madame Hooch decretou tempo, e fez com que o garoto pousasse delicadamente no chão. Todo o time da Sonserina mergulhou rapidamente, indo em direção à juíza.O batedor responsável, Crabbe, estava desesperado. Ele tentava desesperadamente acordar o goleiro, que estava desmaiado.
- Pare de sacudi-lo agora mesmo! – berrou Madame Hooch afastando Crabbe, e se ajoelhando junto ao goleiro, começando a chegar o pulso.
- Eu acho que nós não temos reservas... – murmurou Goyle balançando, preocupado, o seu grande bastão.
-Não. – disse Draco exasperado, olhando rapidamente para todos. – Não deu tempo de escolher os reservas.
- Não deu tempo pra você! – resmungou um dos artilheiros. – Por que estava seguindo aquela traidora do próprio sangue!
- Ei! – Draco empurrou o garoto, o fazendo cambalear. – Não fale assim dela!
Os jogadores se entreolharam confusos, ao que Draco notou o que havia feito. Agradeceu internamente por Madame Hooch ter interrompido os pensamentos dos jogadores.
- Ele não volta para este jogo. – disse ela.- Está bem machucado.
A juíza fez o goleiro flutuar com um simples feitiço. Ele pairava a um metro e meio do chão enquanto era levado diretamente para a Ala Hospitalar. Draco olhou para a vassoura do ferido, que continuava jogada no chão, voltou-se para o time.
- Ah, eu não acredito! – berrou Zabini. – O que nós vamos fazer, UH? O que diabos nós vamos fazer?!
- Três minutos para o final do tempo, pessoal! – disse o comentarista. – Parece que o goleiro da Sonserina não está muito bem! Será esta a chance da Grifinória se recuperar?
- Ah! – gritou Crabbe. – Alguém faz esse idiota calar a boca!
Goyle já estava se movendo para atender ao pedido do outro guarda-costas, mas Draco o impediu educadamente de piorar a situação. O grandalhão bufou, mexendo violentamente o bastão.
- Primeiro: Zabini, pare com esta gritaria. – disse o Malfoy exasperado. – Você está somente atrapalhando à calma do time, que já não é muita.
Isso mesmo docinho, alguém tem que pôr regra nisso aqui!
Blás pareceu muito ofendido com aquilo, mas ficou quieto, enfim. Pois ele,como qualquer outro, sabia que a situação não estava nada boa para o time.
- Conhecemos as regras: o jogo tem que continuar, mesmo que tenhamos um jogador a menos. – Draco estreitou os olhos, tentando achar algum tipo de solução.
- Eu não tenho problema de jogar com uma menos. – começou Zabini num tom insuportavelmente sarcástico. – Se esse não fosse o goleiro! É impossível jogar sem um goleiro! O ataque da Grifinória vai fazer "A festa" no nosso campo.
- Ah, isso é verdade. – admitiu Goyle.
- Deveríamos chamar alguém da torcida. – resmungou Crabbe olhando para os próprios sapatos.
-Você sabe que somente pessoas oficialmente inscritas na lista da Madame Hooch podem entrar no jogo. – disse Blás, como se já tivesse pensado nisso e descartado imediatamente a idéia.
Se entreolharam. Eram sonserinos ou não? Bem que poderiam atropelar algumas regrinhas e escalar um goleiro entre os torcedores. Mas Madame Hooch saberia imediatamente, e bem, seriam expulsos todos dali.
Não,não, o time não pode ser expulso da competição...
- Eu vou no lugar dele. – disse Crabbe.
- Não. – Draco protestou. – Os balaços estão terríveis hoje, Goyle não vai conseguir proteger todos os artilheiros.
Faltam trinta segundos. Eu estou te pressionando demais?
- Você! – o loiro apontou para o artilheiro que era o menos habilidoso. – Fica no gol durante o ataque adversário. Quando for a nossa vez, você sai, mais fica perto de lá. Batedores: matem aqueles grifinórios. Eu quero que eles percam esta vantagem.
Ginny é uma grifinória, seu garotinho mau. Você não estava mesmo brincando quando disse que não daria moleza para eles?
Claro que não queria que a acertassem, mesmo que ela fosse a melhor artilheira do outro time. Mas bem que poderiam derrubar Potter e o Weasley...
- E o jogo voltou! – berrou o comentarista, enquanto os jogadores voltavam apressadamente para suas posições. – As balisas sonserinas estão livres, parece que a vitória da Grifinória é quase iminente!
Ele está simplesmente pedindo por um balaço no meio da cara...
Aquele artilheiro no gol podia não ser o melhor do time mas decididamente fazia muita falta nas jogadas. Por isso, não demorou mais do que três minutos para que a Girfinória tomasse a goles,e partisse para o ataque.
Draco olhou desesperado para a novo goleiro,que parecia prestes a desmaiar. Tentou alcançar a goles, que agora era passada para Gina. A ruiva estava muito a sua frente, ela disparou em direção ao gol.
Parou a vassoura, sabendo que não poderia fazer mais nada. Fechou os olhos, fazendo uma cara feia, não queria nem ver o inicio do declínio do seu time.
Pobre capitão recém eleito...É o primeiro jogo sob a sua administração e olha só o desastre que isso vai ficar...
Ouviu a torcida gritando, podia até imaginar os grifinórios se levantando dos seus lugares, balançando freneticamente as bandeirinhas vermelhas e douradas.
- EU PEGUEI!!
Hein?!
Abriu os olhos um pouco assustado, avistando a goles na mão do artilheiro-goleiro.
Tudo bem, isso é praticamente impossível.
Ele estava tão empolgado que até esquecera que tinha que passar a bola para o seu time novamente. Quase pulava na vassoura, agitando a bola entre as mãos. Gina olhou de esguelha para Draco,como se ele fosse culpado por aquilo.
- Hei?! – gritou o Malfoy, abanando para o goleiro. – A goles?!
O garoto despertou de seu transe de vitória. Quase.
Sentindo-se capaz de qualquer coisa, ele disparou através do campo, deixando as balisas solitárias para trás. Ultrapassou os perplexos artilheiros da Grifinória em alta velocidade, deixando todos para trás.
Draco abriu a boca, numa tentativa de exclamar alguma coisa, mas a única coisa que conseguiu foi gaguejar metade de um palavrão, enquanto constatava que as balisas estavam simplesmente largadas ao ataque adversário.
Olhou o outro se distanciando, depois as balisas, Ginny paralisada, Goyle, as balisas, o artilheiro, as balisas. Dois segundos depois todos voltavam as vassouras violentamente para o campo da Grifinória, perseguindo a goles.
Os únicos que ficaram para trás foram os batedores e apanhadores, que admiravam a cena,preocupados.
Quem esse idiota acha que é para descumprir ordens desta maneira?! Quem é o capitão por aqui?! Você foi muito claro quando ordenou que ele não se distanciasse das balisas!
Rony se arrumou melhor em sua vassoura, concentrando-se. Era possível ver que ele estava tentando ficar calmo, embora se mexesse nervosamente com os olhos pregados na bola.
aaaAAHHhhh...!
- E ele pegou minha gente, ele pegou a goles!! – berrou o comentarista
Draco grunhiu ao observar Rony passar a bola rapidamente para Gina, que havia ficado um pouco para trás, esperando. Agora ele teria que correr muito para alcançá-la, e contar com a vantagem que tinha sobre ela por causa da qualidade de sua vassoura.
Balisas vazias, era ponto na certa, ainda mais por que era ela quem ia atirar.
Enquanto a ruiva avançava velozmente, perseguida de perto por Draco, Goyle agitava o bastão indeciso. Talvez o capitão a alcançasse. Sim, e daí? Seria praticamente impossível tirar a goles dela. Estava longe demais para alcançar as balisas e fazer alguma defesa, avançou um pouco para a direita, tentando chamar atenção do balaço mais próximo.
O Malfoy desviou os olhos da garota por um segundo, observando Goyle. Um balaço vinha na direção do grandalhão. Novamente voltou a sua atenção para Gina,encontrando um mar de cabelos cor de fogo agitando-se na sua frente.
Estava quase emparelhando com ela, quando lhe ocorreu uma possibilidade. Olhou assustado para Goyle, a tempo de ouvir um grito de " CUIDADO!" vindo do mesmo. Não consegui falar nada em resposta, nada além de murmurar um lamento incompreensível.
Ele mandou o balaço nela. Ele mandou a droga do balaço nela!
Podia desviar, sim podia. Não, simplesmente não conseguia deixá-la ali para ser acertada por um balaço furioso.
Isso vai ser tão heróico, que você vai subir a um nível mais alto que o dos grifinórios. O que diabos o amor faz com as pessoas?!
Acelerou, fechando os olhos. Sentiu o perfume dela bem de perto antes de ser atingido. Era uma dor quase insuportável, sentiu-se leve e depois tudo ficou escuro.
N/A: Ah! Depois de séculos eu escrevi um epílogo para contar como ficou o jogo! Não, não vai acabar assim, tem uma segunda parte que virá muito em breve! Obrigada pelos comentários!
