E com esse epílogo, me despeço de OLDA e de vocês, queridos. Espero vê-los todos novamente em outras fics, e também na review que vão me deixar ao fima dessa história XD

Enjoy!

Disclaimer: Naruto pertence a Kishimoto Masashi.


O Legado da Akatsuki

Epílogo – Cinco anos depois

Konan observava, entediada, enquanto seu irmão fazia origamis como se mais nada no mundo importasse. A arte da dobradura de papel era a única coisa que interessava ao pequeno Nagato, quando ele estava ocupado com os papéis, não havia nada, nem ninguém que pudesse convencê-lo a parar para fazer qualquer outra coisa. E isso irritava Konan. Ela não era lá muito paciente e se entediava muito facilmente.

- Nagato, vamos fazer alguma outra coisa.

- Não. – o menino respondeu sem nem tirar os olhos dos sapos que modelava nos delicados papéis de seda.

Cinco anos já haviam se passado desde que ele dissera sua primeira palavra naquela casa, mas ele continuava um menino quieto e reservado.

- Por favor, Nagato! Eu preciso fazer alguma coisa.

Ele empurrou uma pilha de papéis vermelhos para ela.

Konan bufou.

- Tá brincando, né? Você sabe que eu não consigo nem dobrar o papel no meio, que dirá fazer alguma coisa com ele!

- Ningyo-san disse que nossa mãe fazia origamis.

- Não significa que a capacidade dela passou para mim também. Aliás, acho que você roubou tudo de mim.

Nagato não se resignou a responder. Ele queria decorar a casa toda com seus origamis, não tinha tempo a perder discutindo com a irmã.

- Nagato, por favor!

- É amanhã, Konan. – ele disse num tom absurdamente calmo. – Não tenho tempo de conversar com você.

Konan grunhiu, irritada. De que adiantava ter um irmão gêmeo se ele não podia nem parar de dobrar papel para passar algum tempo com ela? Derrotada e infeliz, ela se levantou do chão da sala e andou até a cozinha, onde Sakura e Ningyo estavam, preparando várias coisas para o dia seguinte.

- Obaa-chan, posso ajudar? – ela perguntou, esperançosa.

Sakura se virou para ela e sorriu.

- Já estamos quase acabando aqui, querida. Mas você pode ficar conosco, se quiser.

Konan assentiu e se sentou em uma das cadeiras que circundava a mesa da cozinha. Não era a mesma mesa que ela vira quando entrara naquela casa pela primeira vez, não. Era uma mesa bem maior, e tinha uma ainda maior do lado de fora. Foram Deidara e Kai os responsáveis por trabalhar a madeira que virou aquelas duas mesas e suas cadeiras.

Sentada, Konan observou mãe e filha trabalhando na confecção de doces e salgados para a festa que aconteceria no dia seguinte. Sakura fazia tudo com rápida perfeição, mas Ningyo tinha um pouco mais de dificuldade, ainda mais com a enorme barriga que a atrapalhava a chegar aos objetos e à pia.

De repente, ela parou e sorriu, levando uma das mãos à barriga.

- Mexeu? – Sakura perguntou.

Ningyo assentiu, seu sorriso se alargando mais a cada segundo.

- Quer sentira também, Konan-chan? – a Uchiha perguntou, virando-se para sua filha adotiva.

Konan assentiu e pulou da cadeira, correndo até o lado de sua mãe. Ela pôs as duas mãos na barriga de Ningyo e esperou. O bebê voltou a chutar. Ela riu.

- Não machuca, okaa-chan?

Ningyo fez que não com a cabeça.

- Não, é uma sensação maravilhosa.

Konan a abraçou, e pôde sentir os chutes de seu irmão por todo o seu corpo.

Sim, o primeiro bebê de Ningyo e Tsuki seria um menino, como o chakra de Sakura já anunciara. Eles ainda não haviam decidido o nome dele, mas Tsuki já estava muito orgulhoso de seu filho não-nascido.

- Está agitado.

- Descanse um pouco, Nyn-chan. – Sakura disse. – Konan tem razão, você está muito agitada.

Ningyo assentiu e foi se sentar. Konan a acompanhou.

- Quer que eu vá buscar o papai?

Ningyo sorriu.

- Não, não precisa. Ele vai usar isso como desculpa para parar de trabalhar na decoração.

Konan riu e assentiu.

Ningyo passou uma mão pelo cabelo dela, ajeitando os fios arrepiados. Ela adorava que Konan fosse tão ligada a ela e Tsuki. Adorava que ela os chamara de "okaa-chan" e "otou-chan" desde a primeira semana que passara ali. Simplesmente adorava ter podido ter a chance de ser a mãe de uma menina tão especial.

Nagato, por outro lado, não se sentira assim tão confortável com nenhum deles. Era óbvio que ele tinha um apreço a mais por Kai, mas, na maior parte do tempo, tratava a todos os quatro de forma similar. Ele os amava a todos, era possível notar, mas optara por não classificar tal amor com nomes.

Mas Ningyo sabia que a relação dela com Konan era diferente. Fora ela quem achara a menina e a ajudara a tirar seu irmão daquele detestável tubo de vidro. Fora como se alguma entidade superior as tivesse trazido, as duas, para aquele lugar, naquela hora. Como se o Destino tivesse tido a intenção de fazê-las mãe e filha.

Ningyo foi tirada de seus pensamentos por duas canecas de chocolate quente fumegante, postas a sua frente por uma sorridente Sakura.

- Bebam, vocês duas.

Ningyo e Konan agradeceram e beberam o chocolate com grande satisfação.

- Okaa-chan, quem vem amanhã? – Konan perguntou, entre goladas de chocolate.

Ningyo riu dos bigodes de leite que se formaram na parte superior dos lábios da menina.

- Minato, Abi e Suika; Hideki e Haruka; Daisuke e Sayuri; Kakashi-sensei e seu avô Naruto e Hinata.

- Ele vem também!

Ningyo riu da animação da menina.

- Sim, ele também vem. Umi tinha me dito algo sobre convidar Juugo, mas não me lembro se ela me confirmou se ele vinha ou não.

- Seria bom se ele viesse. – Sakura disse distraidamente.

A Haruno tinha vagas lembranças do terceiro companheiro de time de Sasuke na sua "Hebi". Umi havia contado toda a história para ela cinco anos atrás, quando Ningyo estava desacordada por conta da queimadura de chakra em suas mãos.

- Comoção desnecessária, un. – a voz de Deidara invadiu a audição das três kunoichi.

Ningyo sorriu. Achava incrivelmente divertido observar Deidara quando ele tinha suas crises de ciúmes de Naruto.

- Nós amamos você, pai. – Ningyo riu, encarando Deidara.

Ele sorriu e se aproximou dela, dando-lhe um beijo na testa.

- Eu sei.

Ele também deu um beijo em Konan e se sentou ao lado delas, olhando para a barriga de Ningyo.

- Sabe, sou muito jovem para ser avô de duas crianças. Nem fiz quarenta e cinco ainda, un.

Sakura riu.

- Depois de todas as vezes que você deveria ter morrido e não morreu, eu agradeceria por ter a oportunidade de ver meus netos.

Deidara sorriu.

- Não disse que não agradeço, só disse que sou jovem demais, un.

Konan riu e se levantou, indo sentar no colo dele. Deidara a abraçou.

- Ainda não consigo acreditar que já faz cinco anos. – ele disse, distraidamente passando uma mão pelo cabelo de Konan.

- Nem eu. – Sakura concordou.

Ningyo se recostou em sua cadeira, as mãos na barriga, os olhos desfocados, concentrados em algum lugar do passado.

- Parece que foi ontem. – ela sussurrou.

- O que parece que foi ontem? – Tsuki perguntou assim que pôs os pés na cozinha.

Ningyo olhou para ele. Sua camisa havia sido esquecida em algum lugar, transbordava suor de todos os poros, e continuava tão lindo nos olhos dela como sempre fora, desde o dia em que se conheceram.

- Que Konan e Nagato se juntaram a nós.

Ele se aproximou e deu um beijo nela antes de responder:

- Hm... Discordo. Lembro de tudo como se tivesse acabado de acontecer.

Ningyo riu.

- Pare de querer sempre discordar de todo mundo.

Ele deu de ombros e puxou uma cadeira para o lado dela.

- Está no sangue.

- Nisso ele tem razão. – Sakura disse, rindo. Ela já tinha convivido com Uchihas em demasia. Agora sua filha também fazia parte do clã. E todos os seus netos.

- Parece até maldição. – Deidara resmungou, como se tivesse lido os pensamentos de Sakura.

- Parece mesmo. – Sakura foi obrigada a concordar.

- Culpa sua, mãe. – Ningyo riu. – Primeiro, apaixonada por um Uchiha, depois teve uma filha com um Akatsuki que odiava Uchihas. Depois escolheu para meu pai adotivo, Naruto. De todas as pessoas, você escolheu Naruto! Sério, vocês pediram para eu conhecer o Tsuki e casar com ele.

Deidara não conseguiu segurar o riso. Logo ele, que odiava os Uchiha com todas as forças, foi ter uma filha que se apaixonara e casara com um.

- Não ia ser engraçado se o bebê de vocês desenvolvesse as bocas, mas não o sharingan? – ele alfinetou.

Tsuki olhou para ele, incrédulo.

- Podemos parar com as brincadeiras agora?

Ningyo riu e estalou um beijo na bochecha de seu marido.

- Isso porque ele nem foi criado com outros Uchiha.

- Ele é filho de Itachi, já é o suficiente, un. – Deidara disse, rindo.

Tsuki se levantou.

- Vou tomar banho. E, Ningyo, eu nunca mais faço decorações de nada.

Ningyo o deixou sair para começar a rir.

- Ele fala isso todo o ano.


Os ninjas de Konoha não demoraram a chegar no dia seguinte. Naruto e Hinata foram os primeiros, e o Uzumaki não demorou nem um minuto para esmagar sua filha e sua neta em abraços de urso. Hinata cumprimentou a todos gentilmente – sua personalidade doce sempre fora uma constante em sua vida.

Logo depois deles, foi a vez de Kakashi, Minato, Abi e Suika. Nagato simplesmente amava a grande pastora alemã da Inuzuka, e parou sua dobradura de origamis para brincar com ela pelos jardins. Minato e Abi tinham acabado de ficar noivos e planejavam se casar em breve.

Em seguida, chegaram os Hyuuga, Hideki e Haruka, e Daisuke e Sayuri. Hideki e Haruka estavam começando, lentamente, um namoro que prometia dar bastante certo. Daisuke e Sayuri, no entanto, continuavam na mesma de cinco anos, terminando e reatando como se não fosse nada demais. Naquela manhã, Ningyo suspeitava que eles ainda estivessem juntos.

Por fim, foi Juugo quem chegou, para a felicidade de Umi e Kai.

A festa de aniversário dos gêmeos foi preenchida por risos e uma falação sem fim, que transformou a grande mesa do jardim virar um verdadeiro pandemônio das conversas paralelas. Deidara e Naruto discutiam vigorosamente sobre alguma coisa completamente sem sentido enquanto Hinata e Sakura conversavam tranquilamente, ignorando completamente seus maridos desvairados. Hideki, Tsuki, Daisuke e Sayuri conversavam sobre jutsus, estratégias e afins, ignorando completamente a loucura de sons que os circulava. Nagato e Konan terminaram de comer rapidamente e se juntaram a Suika, soltando gargalhadas felizes ao correrem atrás da pastora alemã. Umi e Kai conversavam sobre aleatoriedades quaisquer com Juugo e Kakashi. Ningyo dividia sua atenção a Minato e Abi.

- Nyn-chan, já sabe se é menino ou menina? – Abi perguntou, animada. Minato lhe dissera que os Uchiha pediram para Sakura não lhes contar o sexo do bebê, mas a Inuzuka simplesmente não podia resistir. Ningyo era a primeira de suas amigas a ter um bebê, e ela estava muito feliz com a perspectiva de ser tia.

- Sim. Acabei ouvindo minha conversando com meu pai e descobri que é um menino. – Ningyo respondeu, com um orgulhoso sorriso em seu rosto. – Tsuki também está muito feliz

- Que fofura! – Abi se desmanchou. – Posso vir te visitar depois que ele nasceu.

Ningyo riu.

- Que pergunta boba, é claro que pode! Vamos adorar ter sua visita. Konan e Nagato também vão adorar. Eles amam Suika de todo o coração.

Abi sorriu e olhou para os gêmeos correndo atrás de sua Suika. Era tão bom vê-la comportando-se como um cachorro normal de vez em quando.

- E vocês, já marcaram a data do casamento?

- Já. – Minato respondeu enquanto Abi corava ligeiramente. Ela ainda não conseguia acreditar que ia mesmo se casar com ele. Transbordava de felicidade todas as vezes que o assunto vinha à tona. – Vai ser daqui a três meses.

- Ah, gostaria muito de ir, mas até lá... – ela suspirou. – Não vou conseguir viajar com um recém-nascido.

Minato e Abi se entreolharam com sorrisos arteiros nos rostos.

- Na verdade, Ningyo, nós gostaríamos de pedir sua casa emprestada para o nosso casamento.

Os olhos esmeralda de Ningyo brilharam de excitação.

- Mesmo?

Eles assentiram.

- Vai ser ótimo! Estão autorizados! Fiquem à vontade. Mamãe vai adorar ajudar vocês com o que quer que precisem. Eu adoraria ajudar também, mas não vou conseguir e-

Minato caiu na gargalhava. Era por isso que ele amava tanto Ningyo. Sua personalidade era inigualável.

- Não se preocupe conosco, Nyn-chan. Não vamos lhe dar trabalho nenhum. – Abi garantiu.

- Planejamos uma cerimônia bem pequena. Só a família imediata. – Minato acrescentou.

Ningyo sorriu.

- Quer dizer que também faço parte da família imediata.

Minato sorriu.

- Você e todos aqui, e também Hideki e Daisuke. Essa é a nossa família imediata.

E Ningyo simplesmente não podia concordar mais. Ali, naquele dia, naquela festa, estava toda a sua família. Seus pais, seus amigos queridos, seus filhos, seu amor. Ela não precisava de mais nada, nem ninguém, para ser feliz.

- Vamos tirar uma foto? – a voz de Sakura soou nos ouvidos dos três e eles assentiram.

Todos se levantaram e se juntaram. Deidara e Sakura, Naruto e Hinata, Kakashi e Juugo ficaram na fileira de trás. Logo a frente, Umi e Kai, Tsuki e Ningyo, Haruka e Hideki, Minato e Abi e Daisuke e Sayuri. Sentados na grama, Nagato e Konan, abraçados com Suika. Em todos os rostos havia um lindo sorriso estampado.

Quando revelou a foto, Ningyo não podia estar mais feliz. Toda a sua família ali, reunida harmoniosamente, deixando de lado o passado sombrio que uma vez lhes assombrara para dar lugar ao lindo futuro que os esperava.

Para o resto de seus dias, aquela seria a foto na cabeceira de Ningyo.