TEPT - Capítulo 23
"Sessão de Terapia I"
-PDV EDWARD-
- Hey! - Heidi me saudou animadamente, quando saiu de sua sala e me encontrou na recepção.
- Hey! - Eu sorri de volta e a abracei. Embora Heidi fosse minha terapeuta há um bom tempo, e nós mantivéssemos as coisas em seu devido lugar, ainda conservávamos um pouco de nossa amizade.
- Você andou bem sumido. Como vão as coisas?
- Tudo bem. Esta é apenas uma consulta de rotina.
- Sei. - Heidi riu e me convidou para entrar em sua sala. - Sente-se. - Heidi se assentou em sua poltrona e me indicou o lugar à sua frente.
- Obrigado.
- E então, como anda a sua tese?
- Bem. - Eu suspirei, me ajeitando no sofá de couro escuro. - Estou quase conseguindo concluir.
- Jura? Você estava tão animado na última vez em que nos vimos... Fico feliz em saber que está tudo indo bem. Acho tão engraçado...
- O que?
- A forma como você exerce a psiquiatria. É tão diferente da minha linha.
- Você é uma psiquiatra clássica, Heidi. Eu não quero ser nada clássico.
- Você quer mudar o mundo. - Ela afirmou sorrindo.
- E isso é ruim? - Eu perguntei.
- Eu não disse isso...
- Sem respostas evasivas, Dra. Heidi.
- O paciente aqui é você, Sr. Masen! - Heidi bronqueou e nós dois rimos. - E falando nisso, sobre o que o meu paciente veio falar?
- Ah... - Eu suspirei, soltando o ar devagar. - Fazia tanto tempo que eu não vinha, não é? Já estava planejando fazia algum tempo, mas a correria... Bom, eu vinha só para desabafar um pouco, mas acredita que essa semana aconteceu tanta coisa? Eu estou precisando colocar minha cabeça no lugar.
- E o que foi que aconteceu?
- Para começar, eu e Tânia terminamos.
- Vocês terminaram, ou um de vocês terminou?
- Ela me pediu um tempo, eu não queria aceitar. Isso caracteriza que ela terminou comigo?
- O que você acha? - Heidi questionou, me obrigando a analisar a questão por mim mesmo. Esse era seu estilo de terapia.
- Tanto faz. - Eu dei de ombros. - Ela terminou comigo. Ela estava certa de qualquer forma.
- Sobre o que Tânia estava certa?
- Sobre nós não sermos mais um casal. Já estávamos bem desgastados, mas eu não queria aceitar.
- E por que você não queria aceitar?
- Porque estar com Tânia era seguro. - Eu afirmei. - Era simplesmente calmo e seguro. Se bem, que já fazia algum tempo que as coisas não estavam tão calmas assim...
- Por quê? O que estava acontecendo?
- Tânia vinha me fazendo muitas cobranças. Ela dizia que eu estava a deixando de lado, por causa do trabalho.
- E você acha que estava?
- Eu acho que sou egoísta demais para pensar nisso. - Eu sorri.
- Por que você acha que é egoísta?
- Filho único. - Eu dei de ombros.
- Nem todo filho único é egoísta. - Heidi riu um pouco e eu suspirei.
- Eu já sofri demais, Heidi. Não acho que sou capaz de me entregar a qualquer tipo de sofrimento se eu tiver uma opção.
- O que isto significa?
- Eu venho pensando... Será que eu tenho condições de me entregar totalmente em um relacionamento amoroso?
- E porque você não teria?
- Eu não posso me casar com minha mãe.
- Não. Ela está morta, Edward. - Heidi me corrigiu calmamente.
- Você entendeu o que eu quis dizer, Heidi. - Eu a encarei, falando sério.
- Você sempre me disse que Tânia era o completo oposto de sua mãe, então não consigo compreender do que estamos falando.
- Eu achava que Tânia era minha Esme. Mas ela não é. Então... Quem será minha Esme?
- Sua Esme? - Heidi estranhou.
- Carlisle Cullen e sua esposa Esme são o casal mais perfeito que eu conheço. Então eles são minha referência daquilo que é conhecido como "almas gêmeas".
- Almas gêmeas não existem, Edward. Há tantas variantes que podem alterar todo o encontro entre dois indivíduos. Pessoas são quase que a consequência de um "efeito borboleta". Então, todas as histórias que vivemos se acumulam e qualquer variável nos muda de tal forma, que não podemos esperar alguém que foi "feito" para estar conosco.
- Será?
- Qualquer borboleta pode causar um tufão. - Heidi afirmou.
- Mas parece que existem pessoas, como Esme, por exemplo, que estão dispostas a passar por cima de qualquer tufão para ficar com a pessoa amada. Você entende o que eu digo? Será que existe alguém que passaria por cima de tudo para ficar comigo?
- Será que você passaria por cima de tudo para ficar com alguém? - Heidi devolveu a pergunta.
- Não. - Eu afirmei.
- E mesmo assim você seria capaz de exigir tal sacrifício de alguém a quem supostamente ama com sua alma?
- Como disse, eu sou egoísta demais. - Eu voltei a dar de ombros, afundando no sofá.
- Você nunca foi egoísta, Edward. Você transformou sua dor em uma tese, com a qual pretende mudar a forma como a psiquiatria enxerga seus pacientes.
- Eu só quero aplacar minha culpa.
- Você não matou sua mãe, Edward. - Heidi não precisou perguntar sobre o que eu estava falando, pois já havíamos entrado neste assunto muitas e muitas vezes.
- Mas também não a salvei.
- Você sabe que um médico não é Deus. Não podemos salvar o mundo.
- Mas podemos salvar alguns.
- Alguns. Não todos. Você não pode viver se culpando pela morte de sua mãe. Ela fez uma escolha. E você era apenas um menino.
- Ela escolheu me deixar. - Eu suspirei.
- Edward... Nessas horas sinto vontade de esquecer meu profissionalismo e tratá-lo apenas como meu amigo! Você sabe muito bem que sua mãe não devia estar com a mínima condição discernir sobre o que estava fazendo no momento em que se matou! A escolha a que me refiro é de sua fuga do tratamento e não das consequências de tudo isso.
- Ela era egoísta. Como eu.
- Ela estava doente, Edward. O egoísmo é só um sintoma. E você não é egoísta. - Heidi reafirmou.
- Quando Tânia me pediu um tempo, eu me senti estranho. Eu quis convencê-la a voltar atrás, mas... Depois, foi um alívio. Foi só isso que eu senti: um alívio. Ela não faz mais parte da minha vida e eu me sinto aliviado. Há algo de errado comigo?
- Com certeza havia algo de errado com esse namoro.
- Heidi, você acha que se apaixonar pode ser um tipo de cura, ou sempre será um tipo de dor?
- Que pergunta filosófica é essa, Dr. Masen? Você sabe muito bem que cada caso é um caso. "Pathos" fala de algo sobre dor, mas em muitos casos, o surgimento de uma paixão passa por estágios da cura. Depende do que estamos falando.
- Quando minha mãe estava nos estágios de euforia, ela costumava se apaixonar por qualquer idiota que cruzasse seu caminho.
- Estamos falando de você? - Heidi questionou. - Você está apaixonado?
- Não. Estava apenas pensando em uma paciente... Minha paciente na tese. Há indícios de que ela esteja se apaixonando por um garoto. A prima me ligou, cheia de dúvidas, querendo saber se ela deve apoiar esse relacionamento.
- E ela deve?
- Eu ainda não sei. A paciente em si nunca me questionou nada sobre este tema. E ela tem um histórico difícil com a figura masculina. Eu não sei como ela trabalhará com uma paixão e eu confesso que tenho um apreço especial por esta paciente. Ela é o melhor caso da minha tese.
- Esta é garota que teve problemas com o pai?
- Sim. - Eu assenti. - E eu acho que é cedo demais para que ela se envolva com alguém.
- Por quê?
- Porque ela tem problemas em ter qualquer um a tocando, e eu nem sei quem é esse cara, quais são suas intenções... Ela é uma garota linda, e eu entendo que os caras da faculdade estejam de olho nela, mas... Como será que eles reagiriam se soubessem tudo que ela já viveu?
- Você acha que ela está se arriscando demais?
- Eu não sei... Eu prometi à prima dela que vamos conversar sobre o assunto. Eu ainda não sei o que ela pensa sobre isso tudo, eu ainda não sei se ela quer mesmo se arriscar.
- E se ela quiser?
- Confesso que não sei se gostaria de vê-la se arriscando.
- E por quê?
- Porque eu gosto muito dela. Ela é uma paciente adorável.
- Edward... - Heidi suspirou. - Eu sei que esta era exatamente a sua intenção, mas você não acha que está se envolvendo demais com uma paciente? Você não pode projetar nela, problemas que são seus.
- Que problemas? - Eu franzi o cenho ao perguntar. - Você acha que eu tenho problemas para me envolver?
- Foi você mesmo quem disse, Edward. Você está colocando uma barreira na questão, simplesmente por que te assusta a ideia de conhecer alguém como a sua mãe.
- Não é isso. - Eu suspirei.
- Não é isso? E então, o que é?
- Eu sinto que preciso protegê-la. - Eu confessei algo que já havia notado, mas não queria aceitar. - Porque, de alguma forma, Isabella lembra muito a minha mãe. Não é a mim que estou projetando. Talvez seja a ela...
- Como essa menina lembra a sua mãe?
- A fragilidade dela sempre me lembrou de minha mãe... Desde quando eu a vi pela primeira vez, encolhida na cama, sem poder nem ao menos falar... Aquela imagem, aquela cena, me lembrou das inúmeras vezes em que eu entrei no quarto da minha mãe e, mesmo que, um dia antes ela estivesse tão bem, quando eu a via assim, eu sabia: ela estava caindo.
- E o que você fazia?
- Nada. Eu não sabia o que fazer...
- Mas agora você sabe. - Heidi afirmou e eu a olhei. - O que você fez com a paciente?
- Eu a ajudei.
- Você a ajudou. - Heidi sorriu, assentindo. - Ela não está mais em uma cama.
- Sim...
- Mas agora ela está te lembrando da outra face da sua mãe, não é? Você a ergueu da cama e agora ela está querendo se apaixonar. Exatamente como a sua mãe fazia quando estava eufórica.
- Eu não havia pensado nisso...
- Você sabe que não precisamos pensar para sentir. - Heidi sorriu, condescendente.
- Você acha que estou mesmo projetando minha mãe na Isabella?
- Foi você mesmo quem disse que ela te lembra de sua mãe, Edward. Sua mãe fazia bobagem quando se apaixonava, e você pode estar preocupado que a sua paciente faça igual.
- Sim, eu posso... - Eu suspirei, sabendo que ela estava certa.
- Edward, talvez eu não devesse levantar essa questão, mas, como sua amiga, eu vou levantar.
- O que? - Eu me senti apreensivo com a seriedade de Heidi.
- Você deve tomar cuidado com sua relação com essa paciente.
- Eu vou tomar. Eu apenas me sinto mais protetor com ela, mas eu não vou impedir seu progresso.
- Não é só isso. Você está projetando sua mãe nessa garota... E você me disse no começo da sessão que não pode "se casar com sua mãe".
- O que? - Eu simplesmente ri da suposição de Heidi, compreendendo rapidamente aonde ela queria chegar. - Ah, Heidi! Você só pode estar brincando! Olha, você sabe que eu levo muito a sério sua linha de pensamento, mas agora você indo longe demais. Eu não tenho qualquer interesse amoroso na paciente!
- Eu não disse que você tem. - Ela respondeu calmamente. - Eu só disse que você deve tomar cuidado. Nós, como psiquiatras, não estamos livres de nada. Nossa mente funciona exatamente como a de qualquer outra pessoa.
- Meu interesse em Isabella é meramente profissional. Eu me preocupo com ela, pois sei o quanto ela é sensível. Mas eu jamais abusaria da minha posição dessa forma.
- Eu tenho certeza que você jamais abusaria de sua posição, Edward. Inclusive, não é disso que estou falando. Estou falando de paixão, Dr. Masen. E a paixão, como qualquer doença, não é uma escolha.
- Este assunto está fora de propósito. - Eu me senti irritado. - Nós devíamos falar sobre outras coisas.
- Tudo bem. - Heidi sorriu. - E sobre o que mais meu paciente quer falar?
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Meninas, mais uma vez peço desculpas pela demora nas postagens.
Para compensá-las por toda essa demora, vou postar o próximo capítulo na sexta-feira (esse é certeza - Já está até pronto).
Não vou responder reviews hoje, mas acho que agora vou conseguir colocar as postagens em ordem.
Nos vemos na sexta.
Mais uma vez... Obrigada por toda a paciência.
