N.a.: Twilight não me pertence!
*repostando o capítulo porque ele tinha sumido...*
;)
Mudança de planos...
Edward Cullen
Ouvi uns sons ao longe. Minha visão estava escura e um cheiro horrível chegava a mim...
Percebi, assim que abri os olhos, que a visão escura eram os olhos fechados, mas o lugar – que reconheci ser meu quarto – também estava bastante escuro. Notei que as cortinas tampavam cada espaço das janelas.
O cheiro ruim, bem... era meu hálito.
Foi só quando eu levantei da cama pra escovar os dentes que fui acometido por uma dor de cabeça excruciante. Pensei, por um segundo, que eu tivesse algum tipo de concussão... Mas imagens da noite anterior preencheram minhas lembranças e eu me joguei de volta na cama gemendo baixinho, não sei se foi de dor ou irritação.
Semana estressante.
Tânia. Dia estressante no hospital acompanhado de uma extensão do meu turno que era pra terminar por volta de meio-dia, uma vez que eu já estava de plantão desde o dia anterior. Tânia no hospital. Fuga do hospital. Wiskey em casa. Telefonema do Jasper. Wiskey em casa com Jasper. Karaokê e cervejas. Bella... Músicas. Papel de palhaço que eu paguei na frente da Bella. Amasso no carro. Amasso no elevador. Amasso na porta de casa. Amasso... Cama. Dor de cabeça.
Cama.
Filho da Puta!
Depois que eu fiquei deitado pra me acostumar com essa ressaca levantei cuidadosamente e fui ao banheiro pra tentar suprir algumas das minhas necessidades.
Alguns minutos depois já estava de banho tomado, barba feita e dentes escovados.
Enquanto fui ao armário pegar uma cueca fiquei imaginando como Bella foi embora. Espero que tenha ido com o meu carro. Na verdade preferia que ela tivesse ficado, ela vai ouvir bastante por colocar a vida dela e a do filho dela em perigo. Diabos. Nunca vi alguém tão orgulhosa como ela. Será que ela não sabe que eu detestaria saber que ela foi embora... sozinha... de madrugada?!
Seria melhor, pra ela, que eu fizesse o tipo de pessoa que esquece o que aconteceu depois de um belo porre.
Mas não. Eu sempre fui do tipo que lembra cada merda que cometeu, e hoje não é diferente.
Me lembro das minhas investidas e como ela sempre recuava delas.
Mas me recordo também da maneira que ela me segurava, como ela puxava meu cabelo e gemia meu nome vez atrás da outra quando eu a tinha imprensada na parede do elevador e em casa.
Ok, garotão... Bela hora pra acordar! - pensei enquanto olhava pro volume que crescia dentro da minha boxer verde escura.
Ela mulher é simplesmente fascinante. Queria saber ler mentes pra entender o seu comportamento. Ela me queria? Ela não me queria?
Seja o que fosse que ela quisesse, não existia possibilidade pra eu sair de sua vida. Se ela não quisesse, eu iria lutar até convencê-la do contrário. E se fosse necessário, eu lutaria sujo...
Eu tenho consciência que não é certo forçar uma mulher a fazer algo que ela não queira; meu pai me criou decentemente... O ponto é que não existe força em mim pra eu me permitir ficar longe dela e, honestamente, por mais egoísta que seja, não faço questão de trabalhar essa situação. Eu não iria me afastar dela e ponto.
Peguei dois comprimidos de aspirina de dentro da minha cômoda e fui até a cozinha pra pegar um copo de água e fazer um café pra dar um jeito nessa dor de cabeça.
Quando estava passando pela sala ouvi um barulho esquisito, era uma voz falando alguma coisa incompreensível... Cuidadosamente fui até a fonte do barulho e a visão que eu tive só fez o meu amigão mostrar que estava acordado e pronto pra batalha.
Bella...
Essa deusa em forma de gente estava deitada no meu sofá que era grande demais pro seu corpo pequeno.
Tomei meu tempo apreciando a visão que era tão perfeita que eu podia jurar que era um quadro.
Tinha um cobertor revirado e jogado no chão. Bella estava deitada de barriga pra baixo. Ela estava vestindo uma blusa minha dos Yankees, que estava levantada pouco acima da cintura – imagino que seja porque se mexeu enquanto dormia –, e minha boxer azul que colava em cada curva das suas deliciosas pernas e bunda.
Bella dormindo com roupas minhas... Ou melhor, Bella dormindo com minha blusa dos Yankees e uma boxer.
Deus... o senhor me ama tanto que já me quer junto de ti?
Senti um calafrio percorrer minhas partes baixas enquanto imaginava diferentes maneiras que tomar aquele corpo. Ela ficaria com a blusa, só com ela... Eu a apoiaria no sofá e a tomaria por trás e me enterraria nela até não aguentar mais ficar em pé; então a levaria pra cama e voltaria a me enterrar nela até que ela implorasse pra eu parar. Só aí retiraria a blusa e deitaria com ela até voltar a ter energia pra recomeçar nosso ritual...
É... agora meu "problema" estava muito maior e pulsante.
Fechei os olhos e respirei fundo. Tentei imaginar minha avó com gonorréia, mas a imagem era rapidamente substituída pelo rosto da Bella gritando meu nome ou a lembrança da sua voz gemendo no meu ouvido...
Ok Edward. Outro banho... Frio
Já que eu ia ter que cuidar do meu problema com um banho congelante, decidi apreciar um pouco mais o corpo dela.
Decidi que era hora de ir quando pensamentos de acordá-la e tomá-la ali mesmo, de costas, surpreendendo-a, invadiram as minhas cabeças e só isso passava por elas.
Suspirei profundamente e fui me acalmar.
Dez minutos depois, uma mão tremendo, um lábio roxo e meu amigão descansado – mas não satisfeito – e eu estava novamente saindo do banheiro.
Prometi pra mim mesmo que passaria direto pela sala pra não correr o risco de sofrer uma "quase hipotermia" novamente... mas foi mais forte que eu. Assim que passei pela sala foquei minha atenção no sofá. Vazio.
Por um segundo me perguntei se tinha sido uma alucinação da minha cabeça junto com a ressaca, mas o cobertor dobrado e posicionado acima do travesseiro confirmaram que ela, de fato, dormiu aqui.
Procurei por algum bilhete que diria que ela teve que ir embora, mas não achei nada.
Ainda com as aspirinas na mão decidi ir pra cozinha cuidar da minha dor de cabeça e depois procurar a Bella pra solucionar o problema da minha "outra" cabeça.
Oh porra, Edward! Você já foi melhor do que isso!
Meu pai sentiria vergonha do meu comportamento...
E por que exatamente eu estou pensando nele???
Ri comigo mesmo por algum tempo e fui pra cozinha tomar o meu esperado copo de água.
A visão que eu tive quando cheguei lá foi, no mínimo, intrigante...
Bella estava ainda com minha blusa e a boxer. Estava descalça, o cabelo preso num coque fraco e com uma caneca perto da boca.
Até aí tudo bem, a parte intrigante foi o olhar que ela me lançou.
Lembrou-me de uma criança que acabou de quebrar um vaso muito caro e queria esconder o fato da mãe.
- Bom dia... – eu disse sorrindo.
- Bom. – ela respondeu escondendo, nada furtivamente, a caneca atrás do seu corpo.
Levantei uma sobrancelha e fiquei olhando pra ela.
- Tá escondendo o que mocinha? – perguntei ainda rindo.
- Não to escondendo nada. – ela disse rapidamente enquanto suas bochechas ficavam num tom vermelho bem escuro.
- Não é o que a sua linguagem corporal diz... – falei calmamente enquanto me aproximava dela.
- Eu não estou. – ela bateu o pé exatamente como uma criança.
Enquanto eu me aproximava ela apenas se afastava olhando pelos lados procurando uma saída que eu não daria.
- Ahan... Me explica então o porquê da sua bochecha vermelha. – inquiri e ela olhou pro chão.
- Tá calor.
- Bella, tá fazendo menos de 10 graus lá fora.
- Ah.
- Vou deixar essa passar, mas por que parece que você quer fugir?
- Eu... é... só quero... ar.
- Ahan... – falei enquanto ficava exatamente na frente dela. – Pode me dizer então por que você tá escondendo essa caneca?
- Que caneca?
- Essa aqui. – disse enquanto tirava a caneca da sua mão.
- Naaaão! – ela disse retirando a caneca da minha mão. – não é nada.
E então ela bebeu o líquido num gole só.
Vi seu rosto passar de vermelho a azul. Em instantes ela tinha jogado a caneca na pia e estava com a língua pra fora gritando algo que parecia com: ÁAAAUAAA!
Acho que ela queimou a língua.
Ri baixinho enquanto ia até a pia. Retirei a caneca e vi que tinha um líquido preto ali. Café. Cheirei discretamente, enquanto Bella abria a geladeira pra pegar um copo d'água, e notei que era apenas cheiro de café.
- Parece que você queimou a sua língua. Com café.
- Eu não tomei café! – ela falou enquanto novamente corava.
- Claro que não, Bella. Claro que não.
Fui até ela, peguei-a pela cintura e a coloquei sentada na bancada da pia. Bella me olhou surpresa, mas não falou nada.
- Deixa eu checar essa queimadura.
- Eu to bem.
- Bella. – falei sério.
- Ok... – ela respondeu baixinho.
Sua boca estava levemente vermelha, mas nada muito danoso.
- Parece que tá tudo bem. Quer um copo de água?
- Não... – ela disse e eu notei um sorriso. – Mas eu não me sinto bem.
- Não? – perguntei preocupado e voltei a olhar, agora mais de perto, a sua boca.
- Nope!
- O que foi?
- Oh, Doutor Cullen... Eu sinto uma dor tão grande.
Ok. Eu fui definitivamente pego de surpresa.
Bella me cutucou com seu pé e um sorriso brincava em seus lábios.
Ah... Maravilha! Dois podem brincar.
- Onde é a dor, Senhorita Swan? Acha que pode me mostrar?
- Uhum... – ela miou como um gato – Bem aqui. – ela disse posicionando seu dedo nos seus lábios.
- Uhm... Entendo... Espere um minuto que eu vou pegar o remédio. – falei sério e vi um bico formar em seus lábios.
A carinha que ela fez foi tão fofa que tive que rir.
Fui até o freezer e retirei um cubinho de gelo da forma e voltei até ela.
Bella abriu as pernas pra me acomodar entre elas e eu fui.
Passei o cubo de gelo levemente pelos seus lábios, quase sem encostar, enquanto ela soltava um longo suspiro e fechava os olhos.
Um sorriso ameaçou aparecer quando eu joguei o gelo na pia e soprei pelo caminho que ele tinha feito.
Quase não me contive quando ela separou os lábios. Respirei fundo tentando me controlar. Ela ditaria o nosso ritmo.
Bella abriu os olhos e fui surpreendido por ver mais do que desejo ali. Percebi carinho, confiança, compreensão...
Só notei que tinha sorrido quando ela sorriu de volta pra mim.
Bella se aproximou do meu rosto e eu tinha certeza que ela me beijaria, mas ela apenas encostou nossas testas. Abracei sua cintura, trazendo-a mais perto, e fiquei de olhos fechados, apenas sentindo sua respiração bater no meu rosto.
Depois do que pareceu uma eternidade Bella quebrou o silêncio.
- Você dormiu com a Tânia naquele dia que eu fui pra sua casa? Naquele dia que você me mandou a mensagem de texto dizendo que teve uma emergência no hospital?
Seu tom não era acusatório, mas a maneira que ela me perguntou causou-me calafrios. Bella sabia o tempo todo que Tânia esteve na minha casa e pior, que eu havia mentido.
Isso não devia ser uma surpresa tão grande porque ela falou algo assim quando eu estive na sua casa, mas descobrir que ela de fato foi na minha casa e que ela falou com a Tânia...
Tá certo que Tânia não era uma mulher cruel, mas a idéia do que ela pode ter falado fazia meu sangue ferver.
Tânia estava obcecada por mim. Os últimos dias mostraram isso...
Eu estava com medo do que poderia vir a seguir.
Respirei fundo e afastei meu rosto do dela pra eu poder olhar em seus olhos.
Ela olhou pra mim e eu levei minha mão ao seu rosto, acariciando-a, tentando mostrar através do meu toque o quanto eu me importava com ela, como a minha vida passou a girar em torno dela. Como ela me tinha por completo.
Bella inclinou sua cabeça na direção do meu toque e fechou com mais força os seus olhos. Levou uma de suas mãos ao meu cabelo e ficou acariciando-os.
Eu devia isso a ela... Não dava mais pra me esconder na mentira quando tudo o que ela me pedia era a verdade...
Suspirei profundamente e a senti rígida, tensa.
- Bella... – sussurrei – Olha pra mim, amor. – pedi e ela, hesitantemente me olhou.
Seus olhos estavam cheios de dúvida. Segurei seu olhar no meu e notei que eles se encheram de lágrimas.
Bella respirou fundo e fechou os olhos, fazendo uma lágrima solitária rolar e consequentemente meu coração se apertar...
- Amor... Olha pra mim. – mais uma vez pedi. Ela olhou, mas sua expressão triste derrubou qualquer barreira.
- Por favor, só me diz se vocês dormiram juntos ou não. – ela pediu com a voz tão fraca que prometi pra mim mesmo nunca deixá-la passar por nenhum tipo de dor.
Se Bella estava triste, eu ficava triste. Se ela estava com dor, eu sentia dor.
Não tinha mais volta, meu coração e alma eram dela e eles sentiriam todas as emoções que ela sentisse.
- Não, Bella. Eu não dormi com Tânia.
O tom hesitante da minha voz deve ter sido notado porque ela voltou a me olhar, pesquisando no meu rosto, as respostas para as suas perguntas silenciosas.
Bella Swan
- Não, Bella. Eu não dormi com Tânia. – ele disse com a voz baixa.
Pode ser insegurança minha, mas eu não consegui sentir tanta certeza na sua afirmativa...
Ele hesitou.
O que isso quer dizer?
Ele mentiu? Ele omitiu?
Olhei pra ele mais uma vez e ele já estava me olhando. Segurei seu olhar no meu e perguntei, silenciosamente, tudo isso que eu me perguntava mentalmente.
- Por favor... – ele pediu me abraçando forte e enterrando seu rosto no meu pescoço – não me deixa. – ele sussurrou.
Isso sim foi suficiente pra atiçar todas as minhas dúvidas, mas vê-lo vulnerável desse jeito trazia um lado de mim que eu não queria expor. Me vi acariciando seu cabelo enquanto voltava a falar...
- Você dormiu com a Tânia depois que nos conhecemos?
Ele negou com a cabeça.
- Você tá com medo de que?
- Ela... eu... a gente... – ele balbuciou, mas não falou mais nada.
- Vocês?
- Quase.
- O que?
- Transamos. – ele murmurou tão baixo que eu só ouvi porque estava esperando uma resposta.
Imediatamente minhas mãos pararam o carinho e eu senti vontade de vomitar.
Tentei me afastar, mas ele apenas me segurou mais forte impedindo-me de me mexer. Ele suplicava uma vez atrás da outra pra eu não deixá-lo.
- Eu preciso... – respirei fundo tentando conter o enjôo. – Sair.
- Não! – ele falou alto me apertando mais contra si. – Por favor, não!
- Estou enjoada, Edward. Me deixa sair. Eu volto.
- Não! – ele pediu.
- Eu vou vomitar!
- Não... – ele murmurou.
- Por favor. – pedi e ele apenas negou com a cabeça. – eu volto... – murmurei no seu ouvido.
Ele se afastou de mim e seus olhos estavam vermelhos, fazendo um trabalho árduo pra não permitirem que as lágrimas saíssem.
Assim que ele me deu passagem eu corri pro banheiro e me tranquei lá até que meu estômago liberasse tudo que o incomodava.
Estava passando tão mal que nem pensei no que tinha acabado de ouvir, mas independentemente do que fosse, eu daria a Edward a chance de se explicar. Na verdade eu estou cheia de tomar decisões erradas porque me precipitei em determinado assunto. Com ele não seria assim. É claro que dói saber que ele pode ter "quase" transado com alguém.
O que é uma "quase transa"? Um beijo na boca? Preliminares?
Aaarg! O suspense está me matando!
Como eu senti a falta dele. Por mais bobo que possa parecer, o que mais me fez falta não foram seus beijos ou suas carícias, foi o seu olhar. Aquele olhar que me perfura a alma e que se deixa ser perfurado. E é só por isso, por ele ter me deixado perfurar sua alma através dos seus olhos, que estava disposta a conversar.
Eu enxerguei arrependimento e medo.
A maneira desesperada com a qual ele segurou em mim quando eu disse que iria sair disse-me muito sobre ele. Edward me queria com ele. Seja por pena ou porque ele realmente me quer tanto quanto eu o quero.
Levantei do chão, dei descarga e fui lavar meu rosto e boca. Depois que eu comecei a me sentir relativamente melhor, abri a porta do banheiro bem lentamente pra evitar chamar a atenção dele. Pra ser sincera, não fazia idéia se conseguiria encará-lo...
Edward estava sentado apoiando suas costas na parede em frente a porta do banheiro; suas pernas estavam flexionadas - apontadas com os joelhos pra cima - e os braços cruzados e apoiados nos mesmos. Sua cabeça estava baixa e os ombros completamente curvados. Sei que é errado, mas me derreti ao ver aquela cena. Edward Cullen não nasceu pra ficar daquele jeito.
Fechei a porta atrás de mim e com o barulho ele me olhou.
Suas feições tiveram o efeito de um soco tirando todo o ar dos meus pulmões. Não tinha brilho no olhar, os cantos da sua boca estavam curvados pra baixo e seu lábio inferior estava levemente pra fora, formando um beicinho infantil. Ele começou a se levantar, mas eu me sentei ao seu lado encostando também na parede. Edward me ofereceu um copo com água que estava ao seu lado e eu o bebi.
Nenhum de nós falou nada por um longo período.
Edward Cullen
Já tinha adiado isso demais. Aquele dia corroia meu corpo desde o minuto que Tanya saiu do meu apartamento. A culpa me consumia. Não porque eu fiz algo errado. Não acho que tenha feito, mas por eu ter pensado em fazer. O meu problema não era com a Bella, não estava preocupado em ter traído ela, mas sim a mim mesmo. Eu me traí ao cogitar transar com Tanya. Ao cogitar a existência de algum sentimento por ela.
Naquele dia, quando ela apareceu na minha casa com uma garrafa de vinho eu percebi que algo muito estranho estava acontecendo ou iria acontecer. O fato é que eu estava enganado. Tanya e eu sempre bebíamos vinho em noites chuvosas, e naquela não era diferente; mas ela tinha mesmo um assunto pra tratar comigo. Algo que poderia ser discutido no dia seguinte, num lugar com bastante gente e não no meu apartamento, a noite, quando esperava a minha namorada... Se é que Bella aceitaria que eu a chamasse assim.
Minha mãe diz que eu deveria saber me impor mais, que eu jamais conseguiria educar uma criança porque não sabia dizer "não" nas horas certas. E foi isso que manteve Tanya na minha casa. A minha falta de pulso firme. E foi também por isso que mandei a mensagem pra Bella dizendo que teria que sair de casa. Eu não estava preparado pra explicá-la que minha "ex-mulher" (sim, não gostava de considerá-la minha namorada porque já morávamos juntos, já exercíamos uma vida de casados) estava na minha casa pra resolver pendências do "nosso" apartamento - o inquilino não queria renovar o contrato porque não estava no nome dela. Porque foi exatamente isso que Tanya foi fazer; recorreu a minha ajuda pra que eu fosse falar com o inquilino uma vez que o aluguel do apartamento que morávamos e que ela hoje em dia mora, está em meu nome. Eu prometi ajudá-la, mas deixei claro que passaria a papelada pro seu nome já que o contrato tinha se encerrado.
Ela aceitou minhas condições, mas no meio da nossa conversa derrubou a garrafa de vinho sujando-nos. Deixei-a usar o banheiro pra tomar banho e emprestei uma roupa minha pra ela usar enquanto colocava seu vestido pra lavar e depois secar. O processo demoraria cerca de meia hora, quarenta minutos. E depois que ela tomou banho eu fui tomar o meu. Pra ser sincero estava utilizando-me de qualquer desculpa pra sair de perto dela.
Por mais que eu só sentisse pena daquela mulher eu estaria mentindo se dissesse que ela não me assusta; porque o faz. Muito.
Tanya foi a única mulher que já amei até então. Esse fato vai sendo gradativamente contestado com a chegada da Bella na minha vida. Não me entenda mal, eu amo a Bella, muito, mas o que tive com a Tanya durou muito mais do que Bella e eu já tivemos. Foi mais do que amor, foi um relacionamento. Foi compreensão, respeito – até o incidente -, amizade, amor, apoio; coisas que estou construindo com Bella agora. E espero poder continuar essa obra porque Isabella foi a melhor coisa que me aconteceu em muito tempo.
O fato é que quando terminei de tomar banho a roupa da Tanya ainda não estava completamente seca; então sentamos na sala pra conversar, mas ela pediu pra eu tocar piano, e sendo o idiota que só eu sei ser, toquei. E foi aí que a situação ficou borrada.
Tanya sentou ao meu lado no banco do piano - como sempre fazíamos - e esse simples gesto me trouxe memórias suficientemente fortes pra me nocautear. Curiosamente só memórias boas... Lembrei da primeira vez que nos beijamos, da primeira vez que toquei piano pra ela, quando ela foi apresentada como minha namorada pra minha família, do sexo... Quando dei por mim Tanya tinha sua cabeça encostada no meu ombro. Eu deitei a minha na sua. Nem Freud explicaria, mas eu precisava saber que não tinha mais nojo dela. Não que eu quisesse algo, mas eu não me sentiria bem comigo mesmo enquanto não esquecesse. Mal ou bem, ficar se remoendo por uma mulher que te traiu é sinal de que alguma importância na sua vida ela ainda tem.
Não sei quem deu início ao beijo, se foi ela ou eu, mas estávamos nos beijando, um de frente pro outro no banco do piano. Eu não queria parar, e é por isso que acho que traí a confiança da Bella, queria ver até onde eu seria capaz de ir com Tanya. Percebi que iria até o final quando ela já estava ajoelhada no chão prestes a tomar meu membro em sua boca.
E foi nessa hora que percebi o quão babaca eu sou. O quão imbecil eu fui em sacanear a Bella, em me deixar levar pelo momento com a Tanya e por ficar me remoendo com essa história por tanto tempo.
O ódio que eu sentia pela Tanya nada mais era do que respeito e orgulho feridos. E foi aí, prestes a receber um boquete dela que percebi como a sua opinião não valia pra mim. Como o respeito que ela poderia me oferecer já não era mais suficiente. Como a sua presença já não me trazia nada.
Mas eu quase transei com ela. Ela quase me chupou. Eu quase a chupei.
Eu usei Tanya pra pesquisas, pra me entender. Ela foi meu rato de laboratório. Isso não me alegrava, usar qualquer ser humano pra pesquisas, por interesse próprio, é a pior das crueldades. Eu me tornei o que eu mais condeno: um explorador.
Terminei aquilo empurrando-a delicadamente do meu corpo, me voltando a vestir, indo até a área pra pegar sua roupa e entregá-la. Tanya não tentou falar comigo depois que se vestiu, de fato ela mal me olhou. Eu diria que estava envergonhada consigo mesma. E foi bom; porque por mais que eu estivesse pronto pra assumir pra mim mesmo que já havia superado-a, não sei se teria estômago pra dizer pra ela.
O que me dá mais nojo em toda essa história é que eu provavelmente não contaria pra Bella o que aconteceu como estava contando agora se ela não tivesse descoberto, ao vir no meu apartamento e conversado com Tanya...
Bella Swan
Escutei atentamente cada palavra que saída de sua boca. Era como se ele tivesse revivendo aquela situação. Ao mesmo tempo que sentia nojo dele, sentia pena. Não no sentido ruim da palavra; Edward segurou aquilo tudo pra ele por tempo demais. Ele estava destruído por dentro por causa daquela mulher e ninguém nunca soube, nem ele sabia.
Eu queria odiá-lo por ter feito o que fez, por ter usado aquela mulher pra acabar com suas dúvidas, por precisar de reafirmação que não a amava mais, por não confiar no nosso amor o suficiente pra deixá-la sair, efetivamente, da sua vida. Eu queria sentir tudo isso, mas não conseguia.
Tudo o que fiz foi deitar minha cabeça em seu ombro e segurar sua mão gelada entre as minhas.
Só percebi que eu estava chorando quando fui colocada em seu colo e ele ficou me aninhando.
- Shh... não chora. Por favor. Não chora. Eu não consigo me suportar sabendo o que fiz com você e ela, que dirá sabendo que estou te fazendo sofrer. Não chora, Bella. Por favor, não chora.
E isso era repetido como um mantra. Era como se ele quisesse deixar claro pra si mesmo que estava me machucando; ele estava tentando se punir, mas eu não tinha forças pra parar meu choro. Choro este que era derramado por ele, por compreensão, por vergonha por eu ter duvidado dele por tanto tempo, por ódio de mim mesma. Era por ele que eu chorava, e não por causa dele.
De três coisas eu estava convicta:
Primeira, Edward era a pessoa mais altruísta que já conheci.
Segunda, havia uma parte dele – e eu não sabia que poder essa parte teria – que me queria.
Terceira, eu estava incondicional e irrevogavelmente apaixonada por ele.
~*~
O tempo, quando estávamos juntos, parecia querer pregar peças constantes em nós. Há pouco era de manhã e agora o sol já estava no topo do céu tentando brilhar por entre as nuvens cinzentas.
E Edward estava deitado no sofá dormindo profundamente.
Depois dele ter falado tudo aquilo e ter me aninhado em seu colo enquanto eu chorava, ficamos naquela posição até ele começar as reclamar que suas pernas estavam dormentes. Mudamos pro sofá da sua sala onde continuamos na mesma posição. A única diferença agora eram que os olhos que derramavam as lágrimas eram os deles. Aquelas duas orbes esmeraldas ficando cada vez mais vermelhas por conta de um pranto contido. Minhas mãos subiam em direção ao seu rosto constantemente buscando limpá-las até que percebi que ele precisava desse momento tanto quanto eu precisei.
Então ele chorou sozinho, contido e baixinho enquanto eu lançava no ar palavras de conforto, de amor... Pouco tempo depois as lágrimas foram substituídas por soluços sôfregos e Edward me apertava cada vez mais contra o seu corpo. Ele já estava com a cabeça deitada no meu ombro com a respiração batendo no meu pescoço quando percebi que ela estava bastante uniforme, sinal de que estava dormindo.
Cuidadosamente levantei meu corpo do seu e o incentivei a deitar. Edward mal abriu os olhos, mas assim que deitou no sofá, seus braços procuraram um vazio que eu gostei de presumir que era meu corpo.
Dei um beijo cálido em sua testa e fui abrir a janela. O ar gelado que bateu de encontro ao meu rosto foi suficiente pra me dar uma injeção de energia.
Se ele estiver realmente arrependido, se ele se importar com meu bebê e comigo, se ele se comprometer a ter algo mais maduro eu farei um esforço por nós dois. Por mim.
Depois do que pareceu mais uma era, ouvi Edward se mexer. Quando virei pra olhar – certa que ele não estava acordado –deparei-me com os olhos mais pidões já encontrados. O beicinho formado pelo seu lábio inferior que estava pra fora foi de esmagar o coração.
Seu rosto estava inchado e vermelho, os olhos levemente fechados e o cabelo na sua bagunça costumeira.
Andei até ele a passos pequenos e assim que cheguei no sofá me ajoelhei na sua frente, ficando numa altura pouco abaixo do seu rosto. Levei minha mão às suas bochechas e o notei fechando os olhos. Ele levou sua mão acima da minha e a manteve ali, com ele. Edward se virou, deitando agora de lado pra me encarar de frente.
- Você vai ficar? – ele perguntou num sussurro.
- Até quando você me quiser por perto.
- Isso vai ser pra sempre... – ele disse com uma tentativa de sorriso e eu me lembrei de ter dito uma frase parecida pra ele há algum tempo.
- Desculpa. – eu disse enquanto aproximava meu corpo mais do sofá.
Deitei minha cabeça na curva do seu braço e ele me deu um beijo demorado na testa.
- Me desculpa você. – ele disse.
- Vamos esquecer o que aconteceu?
- Ela não significa mais nada pra mim, Bella. Só você... – ele falou com uma voz tão certa que eu me dei ao luxo de acreditar.
- Só nós dois... – eu sussurrei de volta.
Edward desceu do sofá e se ajoelhou na minha frente.
Segurou meu rosto entre suas mãos e sorriu o sorriso mais bonito que já vi em dias.
- Só nós três. – ele sussurrou e aproximou seu rosto do meu. – Você, o bebê e eu. Pra sempre.
Sorri involuntariamente e me inclinei em sua direção.
- Tanta saudade... – sussurrei contra seus lábios que estavam tão perto dos meus que sentia sua respiração bater no meu rosto.
-Muita... – ele sussurrou e encerrou a distancia entre nossas bocas.
No momento em que senti seus lábios roçarem nos meus soltei um suspiro carregado de saudade. Instantaneamente senti seu aperto em meu rosto se intensificar e a pressão dos seus lábios no meu aumentar.
Levei meus braços ao redor do seu pescoço enquanto ele deixava suas mãos caírem pelo meu ombro, braços e mão. E por lá ficaram.
Era um beijo casto. Um suave mexer de lábios contra lábios, mas que estava tão carregado de sentimentos que me deixou ofegante assim que se encerrou com os pequenos e rápidos beijinhos que Edward dava em minha boca.
Suas mãos, que seguravam as minhas, passaram a circundar minha cintura e trouxeram meu corpo pra ele. O abracei com força, tentando deixar claro que não o deixaria sair. Ele correspondeu.
- Uh. Edward...
- Uhn?
- Eu ainda preciso de oxigênio no meu organismo.
- Uh?
- Respirar. Eu preciso respirar.
- Ah! – ele disse afrouxando o aperto, mas mantendo o abraço. – Desculpa. – ele disse enquanto ria.
Eu o abracei forte, incapaz de seguir meus próprios conselhos.
- O que tá acontecendo comigo que eu simplesmente me vejo incapaz de te soltar?
- É porque eu sou irresistível.
- Claro. Mas além disso.
- Você me ama... – ele cantou provocativamente.
- Cala a boca! – reclamei dando um tapinha em seu ombro e indo sentar no sofá.
Edward continuou ajoelhado no chão olhando pra mim com tanta adoração que um arrepio correu pelo meu corpo. Ao notar isso ele sorriu.
- O que é? – perguntei num tom acusatório.
- É só que essa visão que estou tendo de você é tão privilegiada...
- Awn... – eu tentei conter o grunhidinho, mas acho que não fui suficiente porque ele riu.
- Vem. Deixa eu te fazer alguma coisa pra comer.
- Não...
Ele ficou em pé, ainda rindo, e estendeu sua mão pra mim. Eu o abracei pelo quadril trazendo-o pra mim. Minha cabeça encostada em sua barriga e os braços por trás do seu quadril.
Edward deu um beijo no topo na minha cabeça e me puxou do sofá.
- Vem maria preguiça. Preciso te alimentar.
- Não to com fome.
- É por isso que tá magrelinha desse jeito. Vem logo, Bella.
- Não. – bati o pé, mas dessa vez só pra implicar.
- Chiiiiz. – ele comandou num tom acusatório e eu tive que me render, gargalhando, por causa da utilização do apelido.
Assim que levantei ele deu um beijo na ponta do meu nariz.
- Posso tomar um banho rapidinho antes? –perguntei por estar consciente do meu estado lastimável. Acabei de acordar, to vomitada... nada agradável.
- Posso ir com você? – ele perguntou descendo seus lábios pro meu pescoço. Sem beijar, só roçando-os.
Assim que notou que não obteria resposta passou seus braços pra minha cintura e prosseguiu seu roçar de lábios até chegar ao meu ouvido.
- Deixa eu ir com você?
- Mmmmhm Edward... – gemi fechando os olhos.
O que exatamente ele estava pedindo?
Senti a língua quente dele contornar meu lóbulo e depois seus lábios tomarem-no para si. Sugando-o de uma maneira tão sensual que minhas pernas fraquejaram. As mãos de Edward me seguraram no lugar e assim que ele percebeu que eu já estava estável, passou-as por dentro da blusa que eu usava, acariciando minha cintura e as costas fazendo meu corpo inteiro queimar de ansiedade.
- Você falou alguma coisa de chuveiro? – ele perguntou com a voz rouca no meu ouvido. – Imagine você e eu, naquele chuveiro... Huuum Bella... – ele disse sugando o meu ponto fraco que ficava na junção do meu pescoço com a orelha.
- Uhh... Agora não. – bufei por lembrar do meu estado. Edward soltou um som que parecia um rosnado e eu gargalhei alto por ter virado a mesa contra ele. – Não queime a casa, baby. – disse piscando um olho pra ele e indo pro seu quarto.
- Bella?
- Uhm?
- Você pode continuar com essa camisa? – ele disse com um pingo de ansiedade na voz.
- Por quê?
- Por favor... Eu gosto de você nela.
- Ok. – homens e seus fetiches em ver mulheres em camisetas largas. Vai entender.
Então eu fui pro banheiro, não antes de levar uma 'palmada' na bunda.
Saí do banho depois de ter tomado o banho, coloquei uma outra boxer do Edward – azul dessa vez pra combinar com a blusa – e a camisa dos Yankees ou Red Sox... Vesti também uma meia, um chinelo (tudo dele) porque estava morrendo de frio nos pés e fui pra cozinha. Bom, ele disse que ia fazer café e eu nem demorei tanto no banho.
Logo que me aproximei fui acometida por um cheiro delicioso de canela.
- Huuum... – "gritei" murmurando assim que entrei na cozinha. – O cheiro tá delicioso!
Edward se virou pra mim e eu tenho certeza que meu queixo bateu no umbigo quando vi que ele só estava com uma calça jeans e um avental. Segurava uma escumadeira numa mão e uma tigela na outra. Assim que me viu abriu um sorriso enorme e eu me vi incapaz de fazer outra coisa se não sorrir de volta.
Ele foi até o fogão, tirou o que eu notei ser uma panqueca da frigideira, depositou a tigela e a espátula na bancada e veio até mim.
- Heey!
- Eu não sabia que você cozinhava. Tão bem.
- Eu não cozinho... – ele disse rindo e nessa hora chegou até mim.
Colocou uma mecha do meu cabelo atrás da orelha e abaixou um pouco o rosto na minha direção. Eu fiquei na pontinha do pé e encontrei seus lábios no meio do caminho.
- Mmm... – ele murmurou conta meus lábios e eu ri.
Dei um estalinho em sua boca e nos afastei. Edward soltou um muxoxo que me fez rir alto.
- Você me prometeu comida. E eu sou uma mulher faminta!
- Sim senhorita! – ele disse piscando e voltando ao fogão. – Fiz panquecas e waffle, tem torradas, três tipos de pães, croissant, geléia, manteiga, cream cheese, piquei algumas frutas e fiz um suco de laranja, mas também tem leite se você quiser. Há, tem um bolo na geladeira aí... Se quiser eu pego também.
- Edward. Eu só sou uma e meu estômago não é infinito!
- É porque eu não sabia o que você ia querer. – ele falou baixinho ainda olhando pra frigideira.
- Eu sei. E acho muito fofo você ter feito isso.
Levantei do banquinho que estava sentada e fui até ele. Abracei sua cintura por trás e encostei minha cabeça em suas costas enquanto ele continuava fazendo as panquecas.
- Pronto. Tudo pronto. – ele disse pouco tempo depois e assim que repousou seus utensílios culinários na bancada, tomou minha mão na sua e a beijou. Eu beijei suas costas em resposta.
Edward tremeu e eu ri.
Soltei seu corpo e comecei a colocar a mesa. Eu estava um pouco familiar à localização dos objetos em sua cozinha por eu ter passado uns dias aqui logo que saí do hospital, então não tive dificuldade por ter que procurar tudo.
- Então mocinho, não vai me dizer como aprendeu a cozinhar?
- Eu não sei, Bella. Mesmo. – ele disse rindo.
Eu olhei pra mesa e pra cada comida que ele fez e depois o encarei levantando as sobrancelhas.
- Ok. Talvez só café da manhã.
- Uhum...
- É porque meu pai meio que me forçava a fazer café da manhã pra minha mãe e pra Alice. Ele dizia que um verdadeiro cavalheiro deveria saber agradar uma mulher. – ele disse ficando sem graça.
- Então você fazia café da manhã pra elas?
- Não era sempre, mas pelo menos nos feriados e aniversários. – ele disse levemente ruborizado e eu ri baixinho, achando graça do constrangimento.
- Eu acho que é fofo.
- Bella... – ele reclamou – não é a melhor qualidade pra se atribuir a um homem! Você sabe né? – ele falou rindo e eu gargalhei.
Conversamos mais um pouco sobre tudo e nada. Pouco tempo depois me vi parando de comer.
Aparentemente fome em grávidas vem e vão na velocidade da luz.
- Você não vai comer?
- Perdi a fome. – respondi e notei que sua expressão se fechou.
- Não gostou?
- Nada... tava maravilhoso! Só perdi a fome mesmo.
- Bella... você já emagreceu tanto. Precisa comer, meu amor...
- Eu sei... – murmurei mexendo a panqueca com o garfo.
- Vem cá, eu tive uma idéia. – ele disse enquanto se levantava e vinha na minha direção.
Fiquei em pé e ele me colocou sentada na mesa depois de afastar alguns pratos.
- O que você vai fazer?
- Te alimentar... – ele disse com a voz baixa enquanto acariciava minhas coxas expostas. Eu engoli em seco por conta da antecipação e senti minha pele em brasa nos lugares que ele tocou.
Edward se inclinou e pegou um morango em suas mãos.
- Morangos, Edward? Quão previsível. – disse rindo enquanto ele revirava os olhos.
- A sua sorte é estar deliciosa demais nas minhas roupas... – disse e depois mordeu o morango me encarando fixamente nos olhos. Senti meu rosto esquentar consideravelmente e minha respiração ficou pesada, arrastada. – Então me diga, Senhorita Espontaneidade... – disse enquanto passava o morango mordido na minha coxa deixando um rastro do seu suco – O que você pode comer pra me deixar surpreso?
Ok. Eu estava falhando. Mas não iria deixar tão barato. Não mesmo.
Olhei em volta da mesa e achei meu alvo.
Bananas.
Previsível?
Yeah!
Virei meu corpo lentamente até o cesto de frutas e alcancei uma banana do cacho, tentando fazer a menor movimentação possível ouvi uma risadinha e imagino que Edward tenha testemunhado a minha 'espontaneidade'.
Entretanto, como eu sou Bella Swan e o mundo inteiro conspira contra mim quando tento ser sexy, derrubei o cesto no chão assim que senti algo suave e molhado na minha perna. Olhei rapidamente e vi que era Edward com um sorriso torto no rosto, acariciando minha outra perna com o morango.
Ainda segurando meu olhar, ele levou o morango a boca, comendo-o; fechou os olhos, jogou a cabeça levemente pra trás e deixou um gemido baixo e abafado sair do seu peito.
Minhas mãos não tinham mais força pra segurar o cacho da banana que sobreviveu à queda do cesto de frutas. E eu também não me importava muito com isso agora.
Minha visão ficou manchada assim que senti a língua de Edward fazendo o caminho que pertenceu, anteriormente, ao morango.
Joguei minha cabeça pra trás e fechei os olhos, aproveitando a sensação. Apoiei meu corpo no cotovelo, ficando semi-deitada na mesa.
Senti seus lábios descendo para meu joelho, canela e depois fazerem o mesmo caminho na outra perna.
Eu não estava mais consciente dos sons que estava fazendo ou quão patética era a cena de eu estar jogada naquela mesa.
O ponto é que cada centímetro do meu corpo estava sensível e ansioso aos toques dele. Cada célula urgia e urrava para que ele parasse com as provocações.
Eu estava queimando de saudades, necessidade, tesão... e ele parecia estar na maior calma já vista.
Que se exploda o seu auto-controle, Edward!
Edward Cullen
Eu estava dolorido, excitado e quase perdendo o meu controle com a visão da Bella tão rendida... na minha mesa, com as minhas roupas, sob o meu toque.
Mas não. Dessa vez eu não apressaria o momento.
Eu faria por merecer.
Eu a cultuaria e adoraria como se fazem com deuses.
Lentamente desci e subi minhas mãos pela sua coxa enquanto me embriagava tomando cada centímetro do seu corpo com meu olhar.
Eu estava cheio de sentimentos dentro de mim, mas o que me chamava mais atenção era o fato de que eu colocaria tudo de lado se ela quisesse, eu traria a lua, compraria a China, faria os EUA ficarem aliados da Coréia do Norte, desistiria da minha viagem pra África... Só bastava ela pedir.
Foi sob essa perspectiva que toquei seu corpo. Foi com esse pensamento - de que ela me valia mais do que qualquer outra coisa na vida - que retirei delicadamente os chinelos e depois as meias que ela estava vestindo. Foi sabendo que eu a amava verdadeiramente que beijei cada canto do seu pé, mais uma vez, adorando-a.
Minhas mãos acariciavam suas coxas lentamente enquanto eu beijava seus tornozelos, canelas e joelho.
Assim que voltei a alinhar minha coluna Bella me olhou e vi refletido em seus olhos tudo aquilo que estava tentando passar pra ela: amor. Tenho certeza que era uma simples vontade que ela me amasse; mulher igual a ela não poderia amar alguém como eu, principalmente depois de tudo aquilo que a fiz passar desde o dia que nos conhecemos.
Eu baguncei a sua vida, como ela mesma já declarou; e tenho pra mim que foi pra pior.
Notando minha hesitação, Bella pegou minhas mãos nas suas e, sentando-se reta na mesa trouxe-as pra sua cintura, abraçando-a.
Bella me queria.
Eu a abracei.
Eu queria Bella.
Depois disso senti seu nariz tocar o meu e eu exalei o ar que não fazia idéia que estava preso em meus pulmões.
Fechei meus olhos e com um sorriso sincero no rosto acariciei seu nariz de volta enquanto trazia seu corpo mais pra perto do meu.
Bella cruzou seus tornozelos nas minhas costas e abraçou meu pescoço. Eu a levantei da mesa – carregando-a no colo - e comecei a andar até meu quarto.
Eu não faria amor com ela na mesa da cozinha.
Ela estava beijando – de maneira casta – meu pescoço ao mesmo tempo em que acariciava os cabelos da minha nunca enquanto um só pensamento passava pela minha cabeça: não consigo e nem quero deixá-la ir.
Meu quarto estava pouco iluminado, uma vez que as nuvens tampavam o sol e eu não me incomodei em acender a luz ou colocar uma música. Aquele momento era nosso e a única canção que eu queria ouvir era a sua voz chamando meu nome.
A depositei na cama, mas como ela não se soltou de mim meu corpo caiu por cima do dela. Apoiei meu peso no meu antebraço esquerdo enquanto usava minha mão direita pra acariciar os seus traços faciais.
- Linda... – sussurrei e então a beijei.
Beijei porque não agüentei mais a distância de nossos lábios, a beijei porque não aguentava mais de saudade do seu corpo, do seu toque, dos sons que ela fazia.
O roçar de lábios evoluiu pra um beijo mais aprofundado assim que trouxe seu lábio inferior pra dentro dos meus e o acariciei com a ponta da minha língua. Bella enterrou seus dedos no meu cabelo e colou mais nossos corpos ao apertar suas pernas – que ainda circulavam meu quadril – e eu soltei um gemido rouco ao sentir intimidade contra intimidade.
Perdi meu controle quando senti a língua dela acariciando, timidamente meus lábios, pedindo uma entrada que já era dela desde o dia que a vi pela primeira vez.
Exploramos nossas bocas enquanto minhas mãos exploravam seu corpo. A música que embalava nossa dança era cantada pela nossa voz e saía pelos nossos lábios como consequência das carícias.
Senti as mãos dela descerem pelas minhas costas até pararem na minha bunda, então ela apertou meu corpo mais contra o seu fazendo-me soltar o ar pelos dentes por causa da fricção que ainda não era suficiente.
Eu tentei não me esfregar nela, mas era impossível recuar quando ela serpenteava seu corpo abaixo do meu.
Parecia que ela estava empenhada a acabar com meu controle.
Desci meus beijos para o seu pescoço e depois subi para o ponto onde sabia que mexia com ela. Atrás do seu ouvido. Bella gemeu alto, arqueando as costas e eu aproveitei a oportunidade para passar meu braço por baixo de suas costas, trazendo-a pra mim.
Ajoelhei na cama, sentando em meu tornozelo e Bella circundou – mais uma vez – minha cintura com suas pernas.
- Edward... – ela gemeu baixinho enquanto eu continuava a minha exploração pelo seu pescoço.
Lentamente retirei a sua blusa e soltei um gemido rouco quando senti seus mamilos excitados e quentes chocando-se contra meu peito que já estava nú porque eu tirei o avental assim que sentamos à mesa. Bella começou a beijar meu pescoço e a roçar nossos quadris.
- Edwaard... – ela gemeu pouco mais alto quando eu apertei forte seu quadril contra o meu. – Mmmm...
Joguei minha cabeça pra trás só aproveitando a sensação dos seus lábios na minha pele. Fui surpreendido quando ela saiu de cima do meu colo, mas o olhar cheio de luxúria que ela me lançou quando nos encaramos foi suficiente pra me tranqüilizar que ela não queria ir embora.
- Roupa demais. – ela disse olhando fixamente pra minha ereção.
Levei minha mão pra lá assim que vi uma língua discreta passear pelos seus lábios.
Me ajoelhei na cama e desabotoei a calça, abaixei o zíper e a retirei ficando completamente nú, já que não estava de cueca.
Bella ainda estava com a minha cueca. Ou melhor, só com ela.
Inclinei meu corpo na sua direção e sorri satisfeito quando a ouvi arfar.
Trouxe-a pela nuca e voltei a beijá-la, lentamente, recuperando nosso ritmo anterior. Assim que a senti amolecer a deitei na cama de costas, com a barriga pra baixo.
- Agora relaxa, amor... – disse enquanto beijava o seu ombro. – Deixa eu cuidar de você.
Coloquei seus cabelos pro lado e beijei sua nuca, depois segui, suavemente, pela linha da sua coluna até chegar na curvatura do seu quadril. Espalhei beijos molhados ali enquanto durante todo o meu trajeto Bella suspirava e lamuriava baixinho.
Parecia que ela estava gostando tanto quanto eu.
Minhas mãos agora subiam pelas suas costas, massageando-a, enquanto meus beijos subiam em direção ao seu pescoço.
- Eu amo você. – sussurrei no seu ouvido e a senti tremer.
Voltei a beijar seu corpo, seguindo meu caminho pra baixo. Os beijos seguiram pela bunda, pernas, pé... e depois o caminho inverso até chegarem na parte traseira das coxas; onde sofreram um desvio, pra dentro.
Separei suas pernas delicadamente e me ajoelhei entre elas.
Com mais um beijo em cada coxa, trouxe seu quadril pra cima, empinando-o. Bella estava agora de joelhos, mas a parte superior do seu corpo permanecia deitada na cama. Ao perceber esse meu movimento ela ficou ainda mais ofegante.
Sorri aproximando meu rosto do seu centro, mas antes de prosseguir com minhas ações arrisquei um olhar pra ela e me surpreendi quando vi seu olhar cravado em mim. Saber que ela estava me observando me deu ainda mais vontade de fazer isso. Se é que era possível.
Por deus, eu conseguia sentir seu cheiro daqui.
Abaixei mais uma vez meu rosto, alinhando-o à parte rosada, molhada e pulsante dela. Inspirei profundamente e meu pau imediatamente recebeu o recado. Bella estava encharcada e fui eu quem a fez ficar desse jeito.
Só reparei que tinha exalado o ar respirado quando ouvi um gemido longo e sôfrego saindo de sua boca. Bella segurava com força os lençóis. Choramingava enquanto empurrava seu quadril involuntariamente para o meu rosto. Sorri e decidi cortar a tortura.
Comecei recolhendo os seus "sucos". Aqui em casa não é permitido o desperdício.
Senti Bella tentar se afastar de mim, mas a segurei pelo quadril como forma de impedir. Não agora Bella.
Dei uma longa lambida desde sua entrada ao seu nervo. Ela agora empurrou seu centro para meu rosto e gemeu baixinho.
Apertei sua bunda e pernas enquanto circulava seu clitóris forte e rápido com minha língua. Depois espalhei beijos molhados pelos lábios, virilha e voltei pro centro. Circulei a entrada com a ponta da minha língua buscando torturá-la um pouco mais, mas Bella foi mais rápida que eu ao empurrar seu quadril, fazendo minha língua entrar nela.
Gemi ao sentir como ela é apertada, quente e úmida. Muito úmida.
Parece que meu gemido causou um efeito catalisador já que ela gemeu ainda mais alto, rebolando no meu rosto.
Continuei fazendo suas vontades – seguindo as ordens dos seus gemidos – hora a penetrando com a língua, ora chupando seu clitóris, hora estimulando-a com meus dedos.
Como tinha previsto, Bella liberou quando ouviu eu pedindo pra ela o fazer.
- Goza pra mim, amor.
- Mmmm... Edww-aaard! - ela gritou arqueando as costas, puxando o lençol, enfiando seu rosto no colchão, rebolando mais ainda seu centro em mim e então parou depois de sofrer alguns espasmos. Eu a senti trêmula e pulsante, mas só tirei minha língua dela no momento em que ela começou a baixar seu próprio quadril e depois se jogar na cama.
Espalhei mais alguns beijos ao longo do seu corpo e inclinei o meu em cima do dela pra beijar seu pescoço, mas assim que o fiz acabei roçando minha ereção na sua perna. Joguei a cabeça pra trás com a sensação e soltei um gemido rouco.
Bella empinou sua bunda fazendo seu centro entrar em contato com o meu membro.
E essa foi a decisão mais difícil de tomar: Recuar.
Quando eu fizer amor com ela, farei olhando em seus olhos. Não a tomarei pra mim como uma qualquer.
Afastei nossos quadris e virei lentamente seu corpo. Bella me olhou e notei que seu rosto estava levemente rosado, os lábios inchados formando um sorriso, cabelos completamente bagunçados - a la Sexo - e mais uma vez com aquele olhar que carregava sentimentos demais. Era difícil até pra mim ler.
Bella ajoelhou-se, ficando na minha frente e beijou minha boca. Foi um beijo calmo, sensual, apaixonado. Envolvi sua cintura, trazendo mais pra perto de mim e novamente gemi ao sentir sua barriga roçando na minha glande que estava completamente sensível. Ainda de olhos fechados senti a mão dela segurar meu membro e acariciá-lo. Começou delicadamente mais o ritmo foi acelerando cada vez mais. Algum tempo depois parei suas carícias e trouxe suas mãos pros meus lábios, as beijei e delicadamente a deitei na cama.
Ela apenas sorriu pra mim enquanto abria as pernas pra me acomodar. E eu me acomodei.
Apoiei meu peso num braço enquanto usava a minha mão pra traçar o contorno do seu corpo até alcançar o seu rosto. Me perdi observando cada detalhe, cada centímetro dela. Acariciei com adoração e espalhei castos beijos pelo seu rosto parando na sua boca.
- Bella... - sussurrei como que pra pedir permissão pra amá-la.
Ela trouxe sua mão - que estava acariciando minhas costas - ao meu rosto e o trouxe pra perto quebrando a distância, beijando-me.
E então eu me entreguei.
E pra mim ela se entregou.
E nós nos entrelaçamos numa dança de entrega, de perdão, de paixão, luxúria, amor.
Era um vai e vem calmo. Eu no começo me preocupei pra não gozar rápido demais por isso tive que ficar parado, mas depois de acostumado com a sensação comecei a me movimentar, lentamente. Eu colocava tudo, até sentir minhas bolas encostando em seu corpo, e retirava deixando só a cabeça dentro.
As sensações que eu experimentava eram únicas, envolventes, asfixiantes, viciantes. Eu não queria nada na minha vida além de me enterrar nela, pra sempre.
Aos poucos Bella foi encontrando meus movimentos, transformando nosso ritmo em algo mais rápido. Uma linha de suor escorria pela sua testa. Meus lábios não conseguiam largar sua pele e eu não tinha força de evitar que me corpo se chocasse contra ela. Com medo de machucá-la achei melhor inverter as posições.
Foi nessa hora que ela ficou por cima.
Bella apoiou suas mãos no meu peitoral e movimentava seu quadril pra frente e pra trás enquanto eu a movimentava pra cima e pra baixo.
Com o tempo ela foi perdendo a força nos braços e seu corpo foi caindo em direção ao meu, mudando a angulação e aumentando a fricção.
Gemíamos em conjunto, em coro, em uníssono.
- Bella...
- Mmmm.
Levantei meu tronco e gemi alto com a nova posição. Fiquei sentado na cama e a trouxe pra mim. Abraçando-a forte e apertado. Uma mão em sua nuca e a outra acima da bunda.
Já sentia as paredes da Bella se apertarem esporadicamente em mim. Mas tanto ela quanto eu buscavam evitar o alívio pra prolongar a sensação.
- Ainda n-n-ãao... - ela suplicou e eu só fui capaz de diminuir o ritmo.
As pernas dela estavam cruzadas nas minhas costas. Estávamos abraçados, completamente unidos; mas parecíamos ainda muito distantes.
As estocadas agora eram curtas e rápidas. Eu gemia em seu ouvido e ela no meu.
Bella pedia vez atrás de outra pra não acabar.
Ela estava com medo.
Afastei nossos rostos e segurei o dela entre minhas duas mãos enquanto a deixava ditar o ritmo.
- Abre os olhos, amor.
- N-nãa... Edwaard!
- Bella! - chamei novamente e ela abriu os olhos. Fiquei preso naquele olhar, tentando passar a ela as minhas intenções, até que senti suas parede se fecharem em meu membro com mais intensidade.
Abracei-a novamente, tirei os cabelos do seu ombro e colei meus lábios no seu ouvido.
- Não é... despe-dida. - falei por entre os dentes. - Sem-pre, Be-lla. Pra sem-pre!
E então senti suas paredes apertarem forte meu membro enquanto os espasmos invadiam seu corpo. Bella me beijava forte no queixo, maxilar, pescoço e boca. E foi só ai, quando nossas bocas se encontraram que eu não consegui mais achar forças pra segurar o meu próprio orgasmo. Senti um frio na barriga se transformar numa explosão de sensações que invadiam meu corpo inteiro. Agarrei sua nuca e a beijei com igual intensidade.
Eu estava com falta de ar, mas não podia me dar ao luxo de respirar.
Nossos quadris se movimentaram mais algumas vezes até que eu derramei todo o meu gozo dentro dela. Choques percorreram meu corpo por vários segundos, deixando-me temporariamente "fora de órbita".
Permanecemos assim, unidos, abraçados, nos beijando...
Deitamos no colchão da mesma forma.
Nos olhamos profundamente e eu notei que seus olhos se encheram de lágrimas, mas não eram de tristeza. Quando fui limpar as suas lágrimas notei a mãozinha dela vindo ao meu rosto pra limpar a umidade dele, e foi aí que eu notei que também havia chorado.
E foi aí que entendo que nós enfim nos tornamos um. Apesar dos contratempos, barreiras, conflitos e mal entendidos.
Só me separei dela depois que ela tinha dormido, e ainda assim senti a imediata falta do seu calor.
Não fui capaz de dormir, estava hipnotizado demais com a mulher ao meu lado pra me dar ao luxo de dormir. Pra que buscar um sonho se já tinha a perfeição comigo?
Perfeição porque, apesar de todos os defeitos eu ainda a amava, e cada dia mais.
Bella Swan
- Não... – falou uma voz rouca que eu podia identificar como sendo a do Edward do outro lado da porta do quarto. Aparentemente ele já tinha acordado. – Desculpa pai... Eu esqueci... Eu sei, eu sei... Desculpa... Muita coisa tá acontecendo... Ah, a faculdade, o hospital, Tanya e Bella... É, Voltou... Mhmm – eu sei que é feio ouvir conversa alheira, mas eu simplesmente não conseguia parar de ouvir o que acho que seja um telefonema com Carlise – Não posso adiar?... Eu sei, pai. Desculpa... É que tudo está começando a se encaminhar e eu não queria ir embora agora. Pelo menos não pra ficar sei lá quantos meses fora... Com você? - Ahn? Meses fora? Só a idéia de ficar "sei lá quantos meses" afastada de Edward apertava meu coração – Mas vão ser só duas semanas?... Eu sei que não tenho, mas eu quero. Sempre quis... Eu sei, pai.
A voz foi se afastando e, ainda que estivesse no telefone, não mais podia ouvi-lo.
Suspirei e rolei na cama até ficar de lado e trouxe o travesseiro dele pra perto de mim. Fiquei abraçada a ele, sentindo o cheiro do Edward enquanto me recordava dos eventos anteriores.
Se eu fosse alguém de fora que estivesse assistindo a minha vida certamente teria crucificado minhas atitudes de ontem. Céus, há semanas eu sequer suportava a idéia de traição. A simples imagem do Jacob ou do próprio Edward com outra mulher trazia uma inquietação enorme em mim. No entanto, aqui estou eu... nua, exalando sexo, deitada na mesma cama que Edward e eu transamos. É. Eu transei com ele mesmo depois de descobrir que ele quase transou com Tanya.
Muitos diriam que o "quase" não é o ato efetivo, mas não pra mim; só em cogitar a hipótese de trair é uma traição por si só.
Suspirei pesado ao perceber o quanto o meu monologo interno não estava evoluindo.
A verdade, e era horrível admitir isso até mesmo pra mim, é que eu estou completamente rendida a ele. Me sinto seu cachorrinho que ele leva pra passear quando e como quiser; e o que me envergonha é que eu não me arrependo disso. Edward me faz tão bem que sou capaz de esquecer os problemas e viver através das coisas boas.
Eu já tinha me decidido a dar uma chance a ele, a nós; Edward realmente se mostrou arrependido e eu não vejo isso como uma encenação. Todos cometemos erros ao longo da vida e eu fico feliz que ele tenha ao menos sido honesto comigo. Eu fico aliviada que ele tenha pedido desculpas e que elas tenham sido tão sinceras que suas palavras foram sentidas dentro do meu peito. Eu fico extasiada ao saber que há algumas horas ele não transou comigo, fez amor. E deixou isso claro com cara palavra sussurrada ao pé do meu ouvido, com cada toque, com cada carícia... Com cada olhar.
Sexo nunca tinha sido tão intenso antes. Certo que minha experiência no ramo não é vasta, só estive com o Jacob nesse nível de intimidade antes... E era bom, pelo menos até os últimos meses, mas nunca teve essa química, essa força gravitacional que rondava nossos corpos mantendo-nos juntos, essa explosão de sensações que eu sentia quando era Edward que me tocava. Por deus, ontem quando nos entregamos por completo achei que fosse desmaiar de tanto prazer; minha respiração não vinha pra suprir as necessidades do meu corpo e eu cheguei a ficar com a minha visão borrada. Nunca fora tão intenso.
E eu só podia explicar isso com palavras: amor, necessidade, paixão, rendição...Ambos sabíamos do amor que tínhamos pelo outro e embora eu não tenha falado diretamente tenho certeza que ele percebia como eu me sentia em relação a ele.
É difícil mensurar o quanto o amo, mas o fato de que chega a doer dentro no meu peito quanto cogito me afastar dele é suficiente pra provar - pra mim mesma - que é muito, talvez seja demais.
Abri meus olhos quando ouvi o barulho da porta abrindo e me deparei com Edward vindo na minha direção, usando apenas uma boxer preta e carregando uma bandeja.
- Aaah. Você devia estar dormindo!
- Desculpa. – sorri pra ele – posso voltar a dormir se quiser...
- Boba. – ele disse rindo e sentando-se ao meu lado na cama. – Fiz café da manhã de novo já que você quase não comeu mais cedo... – ele disse todo orgulhoso de si e eu tive que rir.
- Notei. – disse piscando e me sentando na cama também.
Corei quando senti os olhos de Edward me queimarem com seu olhar. Eles estava mais escuros, sua boca levemente aberta e a respiração forte. Foi só aí que percebi que estava nua e que quando sentei na cama o lençol escorregou.
- Oops! – comentei rindo e puxando o lençol pra cima do meu corpo.
- O dano já foi feito, Chiz. Agora se você não se incomoda – ele disse puxando meu lençol pra baixo novamente – prefiro você assim.
- Edward! – repreendi puxando o lençol de volta.
- Na na ni na não!
- Ok. Se é pra eu ficar nua você também precisa seguir suas regras. – disse olhando sua boxer.
- Ok. – ele disse piscando – Sem problemas. – e então retirou sua boxer jogando-a no chão.
Imediatamente me arrependi já que agora vai ser praticamente impossível me concentrar na comida.
Fechei os olhos e respirei fundo algumas vezes. "Você consegue, Bella", "Você já o viu nu antes", "Você não é mais uma adolescente".
Merda. Não estava dando certo.
Edward gargalhou baixinho e me deu um copo de suco de laranja.
Bom, nós tomamos café e depois de darmos um amasso na cama tomamos um banho junto e mais uma vez transamos.
Incrível como a cada vez que eu ficava dessa maneira tão intima com ele a necessidade só fazia aumentar.
Edward estava penteando meus cabelos e espalhando pequenos beijinhos ao longo do meu ombro.
- Eu adoro o cheiro do meu sabonete em você... – ele disse e eu sorrindo apoiei minhas costas em seu peitoral.
Eu estava vestindo a camisa de baseball dele e Edward uma bermuda beje que tinha o corte bem baixo...
- Eu prefiro o seu cheiro em mim. – comentei e gargalhei quando vi Edward arfar.
- Adora provocar, né?
- Só seria provocação se eu não pretendesse cumprir...
- E você pretende? – ele perguntou mordendo a minha orelha espalhando calafrios pelo meu corpo.
- Mhmm... Mas antes queria conversar com você.
- Não pode ser depois.
- Nope. Eu posso esquecer. Para de me destrair, Edward! – reclamei quando suas mãos começaram a acariciar minha barriga por dentro da blusa.
Ele riu baixinho e se afastou de mim pra continuar penteando meu cabelo. Depois de devidamente desembaraçado, me levou pra seu "escritório" enquanto se sentava no piano e me puxava pra sentar no seu colo – de lado.
- Então, amor... Você queria conversar. – ele disse enquanto começou a tocar uma melodia levemente reconhecida.
Gargalhei alto quando percebi de onde era.
- Muppets, amor?
Ele apenas encolheu os ombros, me deu um beijo no rosto e sorriu.
Assim que percebi que estava atrapalhando-o a tocar tentei sair do seu colo, mas ele me segurou contra ele e parou de tocar.
- Desculpa. Tenho a sua atenção agora.
- Quando você ia me dizer que toca gaita? – perguntei porque queria evitar o assunto mais importante e porque lembrei dele tocando ontem.
- Ah... Sei lá, você nunca perguntou. Não é nada demais.
- O que mais você toca?
- Um pouco de violão e percussão.
- Uhm... Eu quero ver...
- Claro. Mas era isso que você queria conversar?
- Não exatamente...
- Fala...
- Eu é... desculpa Edward, eu não pretendia, mas ouvi seu telefonema com seu pai mais cedo. Você devia estar perto demais da porta, ou algo assim... – falei deixando meu cabelo cair pra frente, escondendo o rosto, por vergonha.
- Sem problemas, amor. Eu ia conversar sobre isso com você. – ele disse dando um beijo no topo da minha cabeça e levantando meu rosto pra olhá-lo. - Sem mais segredos, lembra? - ele disse pisando o olho.
- Então... – falei meio apreensiva.
- Lembra do dia que a gente se conheceu?
- Claramente... – disse sorrindo enquanto me lembrava de nós dois juntos no estúdio do Pedro.
- Então, lembra quando eu falei que iria pra África em dezembro?
- Oh... – murmurei sentindo meus olhos marejados porque já era dezembro.
- É... o tempo voou né?
- Mhm...
- Eu realmente preciso ir, Chiz. Meu pai precisa de mim pra fazer umas negociações com os caras...
- Que caras?
- Bom, lá em Burundi existem muitos problemas...
- Burundi?
- O país onde está a ONG.
- Ah. O que tem lá?
- Refugiados.
- Jura?
- Uhum... A África é cheia de problemas internos, Bella.
- Ninguém mandou ficar incentivando crianças a pegarem em armas e o tráfico de pessoas e diamantes...
- Bella. Não fala isso. – Edward disse sério me repreendendo – A África vai muito além do que Hollywood mostra. Eu detesto destruir sua ilusão, mas se a África é o que é hoje, é simplesmente por nossa causa. Nossa e dos Europeus.
- Por quê?
- A gente incentiva os governos a fazerem guerras. A gente incentiva grupos rebeldes a derrubarem governos pra podermos vender nossas armas pra eles, emprestar dinheiro.
- Não é assim... – respondi porque não é isso que leio em jornais.
- É Bella. É exatamente assim. E é por isso que meu pai precisa de mim. O grupo rebelde de lá não quer deixar a ONG fazer seu trabalho com os refugiados simplesmente porque nós não apoiamos suas rebeliões. Não interferimos e eles estão acostumados com homens que ou vão dar apoio pra eles ou vão ser assassinados por tentar interferir no meio de vida deles e a gente não interfere de jeito nenhum...
Arfei com a declaração e olhei pra ele com olhos arregalado.
- Não vai...
- Eu preciso, amor... – ele disse acariciando a minha bochecha com as costas da sua mão.
- Por favor... – murmurei já sentindo as lágrimas caírem.
- Shhh... não chora. – ele disse me abraçando contra ele. – Vai ficar tudo bem. Vão ser só duas semanas.
- Não...
- Amor, eu preciso ir...
- Não... – disse apertando-me mais ainda contra ele. – É perigoso...
- Eles não vão me matar, Bella. – disse rindo baixinho. - Meu pai tem bastante visibilidade no mundo humanitário e uma tentativa de assassinato contra ele ou eu seria mal recebida fazendo o governo dos EUA ou até a ONU interferirem no conflito.
Eu não falei nada. Apenas o segurei forte.
- Bom... Pensa pelo lado positivo, vão ser só duas semanas. Antes de eu te conhecer não tinha nem vontade de voltar pros Estados Unidos. Agora eu estou indo arrastado porque não consigo suportar o peso da minha consciência.
- Deixa eu ir?
- De jeito nenhum.
- Por favor. Deixa eu ir!
- Bella, Não. – ele disse com autoritarismo na voz.
- Você disse que não é perigoso.
- E não é, mas a África tem várias complicações, Bella... Como doenças. Eu já tomei todas as vacinas que preciso, mas você... nem sei se pode tomá-las.
- Eu faço isso rápido.
- Eu já disse que não Bella.
- Por favor.
Edward suspirou pesado, fechou os olhos e apertou o nariz com o indicador e o polegar.
- Esses homens com os quais vou me encontrar são nojentos e eu detesto imaginar o que eles poderiam fazer com você.
Um arrepio subiu pelo meu corpo e me agarrei mais a Edward.
- Pensa no seu filho... – ele sussurrou no meu cabelo e eu imediatamente me arrependi por pensar em me colocar em risco.
Acenei com a cabeça e olhei pra ele.
- Quando você vai?
Ele fechou os olhos e suspirou profundamente.
- Era dia dois, mas meu pai só conseguiu passagem pro dia três.
- Mas já?
- Mhm...
Fiquei em silencio porque não confiava na minha voz pra falar.
Deus, Edward estava indo pro meio de um tiro cruzado e eu não podia fazer nada. Minha vontade era prendê-lo e não deixá-lo sair de minhas vistas, nunca mais.
Edward me embalou no seu colo e ficou murmurando a minha canção enquanto esperávamos que eu me acalmasse.
- Eu te amo... – sussurrei contra seu peito porque não existia razão pra eu prender aquilo pra mim. Edward me apertou contra seu corpo e beijou o topo da minha cabeça.
- Eu também... Mais do que a minha própria vida.
Edward nos levou de volta pro seu quarto e passamos o dia assistindo filmes antigos, fazendo comentários da cena ou até citando trechos dos filmes juntos. Nosso gosto para música e filmes era tão parecido...
O assunto da sua viagem não foi mais tocado por nenhum de nós dois; aparentemente negar a existência do assunto transformava-o em algo mais irreal.
- Bella.
- Uhm?
- Você quer mudar pra cá?
Sua pergunta assim, de sopetão, me pegou tão desprevenida que eu engasguei com o próprio ar.
- Oi? – perguntei depois de me recuperar.
- Desculpa... deixa pra lá... – ele disse desviando meu olhar e corando.
- Não. Você pediu pra eu vir morar com você?
- Uhum...- ele disse enquanto virava seu corpo de lado pra me encarar. – Você quer morar comigo?
Que a nossa relação corria ao invés de andar não era segredo, mas daí a morarmos juntos... Deus. Como eu queria!
Decidi, pela primeira vez na minha vida, viver o momento e não ficar horas racionalizando em cima de um fato.
- Não tem nada que eu queira mais... – respondi sorrindo. "Exceto que você não vá pra África" – completei mentalmente.
Ele sorriu o sorriso mais genuíno que já vi em seus lábios e se jogou pra cima de mim beijando todo o meu corpo que estava ao alcance dos seus lábios enquanto falava – por entre os beijos – que me amava.
Naquele hora fizemos amor mais uma vez, e tomamos mais um banho – fazendo amor – e depois, no meio da madrugada – depois de eu ter tido um sonho bastante explícito – também.
Não tinha como a minha vida ficar melhor...
N.a.: Oooi amores!
=)
Camisa dos Yankees que Bella tava usando: http://lh4*ggpht*com/_-RGPQ_lykiI/SjVloZsVwjI/AAAAAAAAAIU/6JNuQ4X2vTk/s400/yank*jpg
Música que Edward toca no piano: http://www*youtube*com/watch?v=JwJq9OoSqcA
Não esqueçam de trocar os asteriscos por pontos finais! ;)
E aí? Gostaram do capítulo??
Qual foi a parte que vocês mais gostaram? Concordam ou discordam da decisão da Bella em esquecer tudo e perdoar o Edward só porque ela o ama. Contem-me tudo e não escondam-me nada! ;)
Botãozinho da review tá aqui embaixo. Uma delas me deixaria tãaao feliz! Vocês nem imaginam como eu adoro lê-las... Por mais que não as tenho respondido!
Beijos mil!
Lou.
:)
