Capítulo 26

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Donzela Guerreira

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Capítulo 26

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Inuyasha franziu o cenho. Ele não tinha intenção de permitir que Kagome entrasse em combate, não importava quanto ela insistisse, não importava quanto ele respeitasse suas habilidades, não importava quanto lhe rogasse. Seria um grande fator de distração para ele ter que se preocupar com a segurança dela enquanto brigava com o inimigo.

Além disso, se era verdade que ela estava grávida...

Inuyasha não a olhou nos olhos.

— Necessito que comande aos arqueiros.

— Mas os arqueiros são inúteis.

— A chuva poderia ceder.

— Então eles saberão como disparar sem que ninguém os guie.

Inuyasha suspirou.

— Quero-te aqui, Kagome.

Ela esteve silenciosa um tempo suficiente para que ele se desse conta que ela sabia a verdade, que ele não a deixaria brigar.

— Oh, sim. — ela disse amargamente — Enquanto você vai lá embaixo arriscar o seu cangote, estarei aqui no parapeito, esperando que o sol apareça. — Sentou-se nas pedras. — Este é meu castelo, e que o destino me amaldiçoe se ouvisse a um Normando...

— Jesus! — um dos arqueiros gritou. — É o lorde!

Inuyasha seguiu o olhar do homem ao longo da muralha oeste para a distante torre. Através de uma nuvem branca de pó, ele viu uma figura engatinhando através do piso gretado. Era Lorde Tourhu.

— Maldição.

Ao lado dele, Kagome conteve a respiração.

— Maldição. — ele repetiu.

O lorde se arrastava para mais perto da borda, onde as rochas cediam pelo impacto recebido. Inuyasha sabia que nunca alcançariam ao lorde a tempo. O caminho dessa muralha estava seriamente prejudicado. O único acesso à torre era através do jardim.

— Olhem! — Nobu gritou.

Outra figure emergiu. Coberto em sua armadura, rengueando através das ruínas, era apenas reconhecível. Mas Inuyasha conhecia seu homem como conhecia suas próprias cicatrizes.

— Mirok.

Os parapeitos em silêncio enquanto todos observavam, com a respiração contida, com esperança. Lentamente, Mirok avançar através das ruínas. Parecia que conversava com o lorde, porque o velho se dava volta e o escutou por um momento. Mas finalmente o lorde retomou o curso, sendo inexoravelmente para o precipício, e Mirok vacilou em segui-lo.

— O que está fazendo Mirok? — Kagome demandou em um sussurro. — Por que se deteve?

— O peso de ambos poderia desmoronar a torre.

— Mas... Não pode... Meu pai...

Inuyasha compartilhava a frustração de Kagome, tanto como a culpa. Deveria haver-se ocupado da segurança do lorde ele mesmo antes de enfrentar ao inimigo. Todos observaram o lorde arrastar-se para a borda. As mãos de Mirok estavam ao redor de sua boca agora e ele gritou, possivelmente tratando de convencer ao lorde de voltar, talvez tentando falar mais forte que a voz fantasmagórica espreitava ao homem.

Por um momento, o lorde se deteve na borda do precipício, InuYasha pensou que finalmente teria entrado em razões, que se retiraria dali. Mas não, o lorde ficou de pés e levantou seus braços, como que pedindo que um relâmpago o atirasse e que os céus o levassem.

Com os ingleses recarregando o trebuchet, Mirok não pôde permanecer sem fazer nada por mais tempo. Deixando de lado toda precaução, lançou-se para frente, agarrando ao lorde pelos tornozelos. Mas em vez de assegurá-lo, o excesso peso provocou que as pedras do piso se afrouxassem e o piso se voltasse instável.

— Não! — Kagome gritou, o som perfurou o coração de InuYasha.

O lorde se escorregou na borda, salvo de cair à terra só pelo firme aperto de Mirok sobre seus tornozelos. Mais Mirok não podia sustentá-lo assim por longo tempo. A borda da rocha estava debilitada pelo impacto e pedaços de pedra se desprendiam sob o peso dos dois homens.

— Fique aí! — InuYasha gritou a Kagome. Agarrou a Sir Nobu pelo frente de seu plaid e o arrastou a um lado. Fuzilou-o com um olhar de aço e disse às palavras que ele não queria que Kagome ouvisse. — Não importa o que acontecer, não renda esta fortaleza. Não negocie reféns. Nem a mim. Nem ao Mirok. Nem a Lorde Tourhu. Sua lealdade é para com o rei.

Satisfeito pelo assentimento sério de Nobu, Inuyasha soltou as lapelas do plaid. Então correu para a escada descendo três degraus de uma vez, golpeando seus cotovelos contra as estreitas paredes. Deslizou-se pelo pasto úmido do jardim. Quando passou pela armería, tomou uma corda e a pôs no ombro.

O acesso à torre oeste estava cheio de escombros e pós. Seus pulmões se esforçavam por respirar, chutou e tirou pedras do caminho até que pôde passar através das ruínas e subir ao piso seguinte, seguro de que o trebuchet dispararia em qualquer momento. Com seus dedos sangrando, subiu pelas pedras alto e mais alto e mais alto até que sentiu o bem-vindo beijo da chuva sobre sua cabeça. Tropeçando avançou uns passos mais, emergindo entre os escombros.

Graças a Deus, Mirok estava quieto, ainda ali, aferrando-se ao lorde com um aperto rígido.

— Continua aí! — ele gritou.

Mas no instante seguinte, um ruído como um trovão golpeou a terra, desprendendo pedras da torre como se o chão debaixo dele tremesse. Kagome gritou. Embora o impacto ocorresse em um instante, a tragédia se desenvolveu com tortuosa lentidão aos olhos dos homens.

O trebuchet lentamente disparou para frente, lançando sua pesada carga. O pedaço de rocha fez sua trajetória através o ar, apontando com escuros propósitos para a muralha de Higurashi. Depois de um interminável momento, encontrou seu alvo, beijando a pedra cinza da parede, e abriu outra ferida mortal na torre, no segundo piso. Então a já danificada torre lentamente paralisou em uma pilha gigante de rochas e ruína.

Tudo aconteceu rápido, depois disso, da perspectiva de Kagome. Os homens pareciam peças de xadrez voando depois do golpe de um menino zangado. Inuyasha, derrubado pelo impacto, deslizou-se pelas ruínas, seus dedos procurando um sustento. Se salvou por agarrar-se fortuitamente a uma viga que emergia como uma protuberância em meio das ruínas.

Mirok foi laçando pelo ar e caiu sobre suas costas, golpeando-a cabeça com uma rocha antes que ele também se deslizasse através do piso. Quando finalmente deteve sua queda, jazia silencioso, seu corpo esparramado em um ângulo antinatural. Qualquer um teria jurado que estava morto.

O velho lorde jazia desamparado sobre uma pilha de escombros na base da torre destruída, mas ainda com uma chama de vida. Mais estava do lado da muralha do inimigo agora. Era só uma questão de minutos antes que os ingleses o interceptassem. E descobririam o refém valioso que tinham.

Não podia deixar que isso ocorresse.

Chamando a atenção, ela gritou:

— Arqueiros! Cuidem minhas costas! Nobu está a cargo!

Com essas ordens, baixou voando a escada e atravessou o jardim para os restos da torre. Sango tendo deixado seu posto na muralha foi surpreendida pelo som ensurdecedor do ataque quando estava a metade de caminho para a torre oeste.

— Que diabos estão usando esses bastardos? — ela perguntou, enquanto trotava para Kagome. — Por Thor! — Quando ela olhou, viu o pouco que ficava da torre oeste. — Merda. — ela disse atônita.

— Vamos! — Kagome urgiu. — Temos que salvar ao papai.

— Papai? O que?

— Te apure! — Kagome apanhou o braço de Sango e a arrastou com ela.

Embora o segundo impacto tinha demolido o piso da torre e tinha derrubado uma boa porção da muralha exterior, e por pura sorte, havia também exposto o que ficava das escadas, lhes permitindo o acesso à parte alta. Subiram sobre as ruínas, raspando-as mãos com as rochas e tossindo pelo pó dos escombros.

Sango olhou às ruínas, incrédula.

— Santo Deus... É papai? É ele...

— Não está ferido. — Kagome avisou sobre seu ombro enquanto subiam. — Mirok o tinha agarrado...

— Mirok? Mirok estava ali?

— Sim, mas...

— Maldição!

Sango passou a seu lado, como se os demônios a perseguissem, subindo a escada a uma perigosa velocidade. Encontrou-se com uma pilha de rochas bloqueando o passo. Antes que Kagome pudesse gritar uma advertência sobre o piso frágil, Sango lançou um chiado, e se foi para frente caindo de joelhos ao lado do corpo imóvel de Mirok.

Mais Mirok não era a preocupação mais urgente de Kagome. Franziu o cenho, olhando a viga, a mesma tinha salvado a vida de Inuyasha. Ainda emergia entre os escombros, mas nenhuma mão se aferrava a ela. Seu coração golpeava em suas costelas, avançou para frente sem pensar em sua própria segurança, de um modo tão impulsivo como o de sua irmã.

Deslizou-se, seguindo o curso que teria tomado seu pai para chegar à base da torre. De algum jeito conseguiu fazer o trajeto até a borda, e uma vez aí, sem respiração pelo esforço físico, ela espiou pela borda, protegendo seu braço ferido.

O sol se estava afundando sob o horizonte, detrás de grossas nuvens, fazendo difícil divisar algo. Mas ela conseguiu ver o que havia abaixo, presa ao redor de uma pedra, uma corda pendurava com seu peso.

Inuyasha.

Deus bendisse ao valente coração de Inuyasha, ele estava resgatando a seu pai. Não muito longe, ela podia ver as escuras figuras do inimigo aproximando-se a passo precavido. As paredes de Higurashi estavam quietas mais ainda não eram facilmente escaláveis, portanto não era sua intenção fazer um ataque total sobre o castelo ainda. Mais os Ingleses certamente reconheceram a Inuyasha por suas ações heróicas e sabiam que o homem que havia caído da torre seria um refém valioso.

— Eles estão vindo! — lhe gritou.

InuYasha olhou para ela e assentiu. Então, levantando o lorde apressadamente, prendeu a corda ao redor da cintura do velho.

— Pode-o puxar para cima?

Ela não estava segura. Estirou-se para onde estava a corda presa. Ela era forte, sim, mas seu pai não era um homem pequeno, e o ombro lhe pulsava de dor.

— Sango! Ajuda!

Sango veio até a borda quase imediatamente. Parecia perturbada, e suas bochechas estava úmidas com algo mais que chuva. Mas Sango imediatamente avaliou a situação, olhando Inuyasha, o exército que avançava, e a distância entre eles. Pôs mãos à tarefa. Juntas içaram a seu pai.

Enquanto isso, as flechas de Higurashi voavam através da chuva, aproximando-se do inimigo, mas uns poucos caíram. Para o momento em que Kagome e Sango depositaram ao lorde sobre uma parede e afrouxaram a corda ao redor dele, uma dúzia de cavalheiros ingleses haviam alcançado a base da torre exterior.

Kagome olhou com desespero. A corda que ela tinha planejado lançar a Inuyasha jazia a seus pés. Era muito tarde. O inimigo já tinha sido capturado.

— Parem o fogo! — ela gritou aos arqueiros, rezando para que pudessem ouvi-la. — Parem o fogo!

InuYasha não resistiu a seus captores. Ele era uma alma valente, mas era o suficientemente sábio para dar-se conta que eles o superavam em números. Kagome sentiu lágrimas de frustração em seus olhos, observando com desamparado horror como Inuyasha era capturado.

Não era justo, ela pensou. Era uma brincadeira do destino. Com irritação se desmanchou em lágrimas. Maldito Lúcifer! Ela não o permitiria. Não quando Inuyasha tinha feito um nobre sacrifício salvando a seu pai deixando a si mesmo em perigo.

— Não! — ela gritou. — Deixem-no bastardos!

Ele deu volta então, para lhe responder:

— Não renda a fortaleza, não importa o que passe! Um homem é um pequeno sacrifício. Não deixe cair Higurashi.

Suas palavras foram cortadas quando um cavalheiro o obrigou a silenciar-se com um soco no queixo e o empurrou para frente. Ela piscou, como sentindo o golpe em seu próprio corpo. Então o arrastaram para longe de Higurashi, dentro do campo inimigo.

— InuYasha!

Seu grito se perdeu no vento, enterrado sob o trovão que se ouviu no céu. Desejou gritar aos céus, vis insultos para o inimigo, amaldiçoar aos ingleses e ao diabo e Deus mesmo por permitir essa injustiça.

Mas não alcançaria. Nenhuma palavra podia expressar essa dolorosa fúria. Então deixou que sua cabeça ficasse pendurada inconsolável. Lágrimas rolaram irrefreadamente por suas bochechas, caindo sobre as ruínas debaixo. Kagome apertou suas mãos com tanta força para que o anel de Inuyasha deixasse uma marca sobre a palma.

Nunca tinha experimentado tanta impotência. Nunca tinha conhecido semelhante desespero. Nunca tinha imaginado que ela poderia cair em uma dor tão profunda pelo Normando.

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Inuyasha foi despertado por uma patada nas costelas. Saltou por reflexo, mas podia mover muito pouco, porque seus braços e suas pernas estavam amarrados. Piscando, tratou de orientar-se. Jazia sobre um tapete úmido dentro de uma tenda. Sombras de velas. A noite tinha caído. Era bom. Os ingleses não tentariam ataques a Higurashi de noite, o que daria a seus homens tempo para melhorar a defesa. Estava rodeado de homens, se assim se podia chamar a essas bestas.

— InuYasha. — alguém grunhiu.

InuYasha levantou seus olhos. Devia ser um dos lordes Ingleses. Um homem de barba negra o olhou.

— Assim é como a Donzela Guerreira te chamou. — o homem disse. — Não é um nome muito comum. Acredito que é um Taysho.

O resto dos selvagens o cercaram com entusiasmo, todos esperando sua resposta.

— Nunca ouvi falar dele. — InuYasha disse.

— É mesmo? — o segundo homem perguntou, arranhando o queixo. — Então suponho que só é um simples idiota que se jogou para salvar ao velho louco que caiu da torre?

— Correto.

Os olhos do primeiro se estreitaram, e chutou Inuyasha outra vez, desta vez no ventre. Fazendo o gemer de dor. Se inclinou e se aproximou o suficiente para que Inuyasha sentisse o fedor que saia de seu corpo e seus dentes podres.

— Foste muito descortês pondo uma trava a nossos planos deste modo.

Sem dúvidas lhe tinha arruinado os planos, Inuyasha pensou. Os ingleses provavelmente assumiam que o castelo estava defendido por três donzelas escocesas e um punhado de débeis cavalheiros.

— Mas te aviso... — um terceiro homem falou. — Isto é só uma pequena trava. Iremos pedir resgate por você.

— Perdem o tempo. — Inuyasha murmurou. — Meus homens não negociam com Ingleses.

O primeiro homem tomou a Inuyasha pela garganta.

— Seus homens talvez não... — ele disse picaramente — Mais sua amante sim. Do modo luxurioso que a puta escocesa gritou...

Uma fúria violenta estalou em InuYasha fazendo o cuspir na cara do homem. A vingança foi rápida quando os guardas ingleses saíram em defesa de seus lordes. Punhos e patadas por todos lados. Uma e outra vez os soldados o golpearam até que o sangue cobria suas mãos e seu corpo.

— Suficiente! — o homem finalmente gritou.

Inuyasha já tinha decidido sacrificar sua vida, se fosse necessário, pela segurança de Higurashi. Não só era seu dever como soldado do rei, mais também seu desejo como marido de Kagome. Tinha arriscado sua vida para salvar a de seu pai, devido que não poderia tolerar vê-la ferida. Se deu conta no momento em que descia da torre pendurado em uma corda que não tinha muitas possibilidades de sair vivo dessa.

Mas sabendo quanto Kagome queria ao lorde, sabendo que ela renderia Higurashi antes de permitir que os ingleses torturassem a seu pai, Inuyasha fez o que considerou um sacrifício razoável. Seria muito mais fácil para Kagome tolerar as torturas a seu novo marido que a de seu amado pai. E parecia que as ações seriam retomadas ao dia seguinte.

Os ingleses não eram idiotas. Enquanto eram capazes de demolir o castelo com o trebuchet, uma vez que conquistassem Higurashi, precisariam usar a seus homens para controlar a fortaleza. Além disso, se fizessem muito dano às muralhas do castelo, isso só debilitaria sua capacidade de defesa quando estivessem dentro. O trebuchet, apesar de ser muito efetivo, era essencialmente uma arma de duplo fio.

Os ingleses claramente tinham pensado que Higurashi seria uma conquista fácil, um castelo remoto, com poucas defesas e governado por um lorde doente. Por isso não tinham planejado muito mais além de assustar aos escoceses para que se submetessem rapidamente. Mais agora tinham visto que não seria tão fácil, seria mais prudente tomar o castelo usando a astúcia ou as negociações.

Os ingleses imaginavam que tinham um refém valioso em Inuyasha. Estavam equivocados, é obvio. Os homens de Inuyasha tinham sido treinados para cumprir as suas ordens de modo estrito. Tinha ordenado a Nobu para não render Higurashi, sem importar o que acontecesse. Inuyasha tinha fé de que faria isso.

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— Mas deve haver algo que possamos fazer! — Kagome disse secamente a Sir Nobu, quem grunhiu dentro de sua jarra de cerveja.

O resto dos cavalheiros reunidos no grande salão se silenciaram ante a calorosa troca de palavras. Lorde Tourhu, só vagamente consciente do que tinha acontecido, estava sentado ao lado do fogo com Kikyo e uma taça de vinho quente.

Rin confortava a um par de meninos que choravam em um rincão da fortaleza. Sango mordia as unhas por Mirok, que jazia inconsciente perto da lareira em uma improvisada cama de palha. E Kagome ardia com uma fúria mal contida.

— Ele é seu capitão. Não pode deixar que o... — Sua garganta se fechou.

Mais para seu assombro, enquanto percorria as faces dos homens de Inuyasha no recinto, viu o mesmo obcecado rechaço em todos seus olhos. Com um grito de fúria, ela arrebatou a jarra da mão de Nobu, esparramando o vinho no piso. O escuro líquido parecia sangue derramado.

Sem uma palavra, ele se endireitou e ficou de pé. O resto dos Cavalheiros de Taysho seguia sentado. A tensão se apalpava no ar. Sango subitamente saltou e disse:

— O que acontece com vocês Normandos? São um punhado de covardes, temerosos da escuridão?

O músculo da bochecha de Nobu se esticou, e Kagome viu sua mão sobre o punho de sua espada.

— Ora! Os escoceses não são covardes. — ela afirmou, acotovelando-se entre as pessoas. — encarregar-nos-emos dos ingleses, sem a ajuda desta turma de covardes.

— Não deixará esta fortaleza. — A voz de Nobu era tão séria como sua cara.

A mandíbula de Sango caiu. Kagome empurrou ao insolente cavalheiro no peito.

—E você não dará ordens em meu castelo.

Embora seu olhar se obscureceu, ele não fez nenhum movimento para brigar.

— Estas não são minhas ordens, minha lady. São as de Inuyasha.

— O que?

— O que? — Sango repetiu.

— Ordenou-me cuidar de Higurashi e não entregá-lo por nada.

Kagome estreitou seus olhos.

— É por isso que o tomaram como refém?

— Sabia que tentariam negociar. Por isso me deu ordens muitas claras.

— Que ordens?

— Ordens de não negociar.

— Quem disse algo sobre negociar? — Sango meteu. — Eu digo que vamos lá fora e que briguemos com esses malditos bastardos.

Ela levantou seus braços, e os cavaleiros de Higurashi gritaram apoiando sua idéia.

— Não! — Nobu replicou. — O primeiro homem que sair pelo portão será alvo dos arqueiros de Taysho por traição.

Os olhos de Sango se alargaram. O cavalheiro normando se afastou cuidadosamente dos homens de Higurashi então, criando uma clara separação, suas mãos sempre tocando suas armas. Os escoceses se congelaram, seus olhos olhavam com preocupação. O ar se foi pondo tenso.

— Não pode falar a sério. — Kagome sussurrou.

Os lábios de Nobu se afinaram, e Kagome viu que o homem de Inuyasha estava tão aborrecido com as ordens tanto como ela estava. Mas ele era um soldado leal, e tinha dado seu juramento de fidelidade a Inuyasha.

— É por ordem do rei que não renderemos Higurashi. Essa diretiva ultrapassa a todos.

Tremeu quando disse estas palavras, e Kagome subitamente se deu conta que tinha julgado Nobu com muita dureza. Ele também, provavelmente desejava sair do castelo, e cortar a cabeça a uma dúzia de ingleses, e resgatar ao capitão vivo, e esquecer-se da maldita lealdade ao rei.

— Se os agarramos dormidos... — Kagome insistiu com desespero — Em um ataque surpresa.

Nobu sacudiu a cabeça.

— Puseram guardas ao redor da muralha do castelo.

— Poderíamos distrai-los. — Sango murmurou — Sei que poderíamos.

A fanfarronice de Sango é obvio, estava desconjurado. Estavam superados em números, em uma relação de três a um, se cada lutador disponível deixava a fortaleza sem custódia e atacassem com toda as forças, e isso seria um ato irresponsável. Além disso, os ingleses tinham o trebuchet.

Kagome resistiu o impulso de gritar de frustração. Mais agora que nunca, Inuyasha necessitava que ela mantivesse a cabeça fria. E pelo bem de todos, seus homens necessitavam manter-se aliados com os normandos antes que uma briga estalasse aí no grande salão.

— E o que InuYasha espera que façamos?

Nobu respondeu:

— Ao amanhecer, demandarão seu resgate.

A garganta de Kagome se fechou com dor. Seus olhos tinham lágrimas de desespero, mas ela se negou às soltar.

— E?

— E nos negaremos.

— Esplêndido! — Sango cruzou seus braços impacientemente sobre seu peito. — Então usarão essa máquina do demônio e destruirão Higurashi.

— Eles possivelmente estabelecerão um sítio ao redor do castelo. — Nobu disse. — Tentarão nos matar de fome. — Então adicionou amargamente. — Não querem destruir um castelo que será seu prêmio.

Os pensamentos de Kagome se aceleraram em sua cabeça. Se os ingleses tinha intenção de estabelecer um sítio, não duvidariam em usar a Inuyasha como objeto da extorsão, esperando apressar a rendição de Higurashi. Poderiam lhe quebrar cada osso do corpo, lhe cortar os dedos, atá-lo a um poste como alimento para os corvos. Uma nauseia a invadiu.

Através de uma neblina, ela ouviu Sango protestar.

— Ainda sustento que deveríamos atacar seu acampamento.

Então Nobu respondeu:

— Ninguém abandonará este castelo. Desafiar as ordens de Sir Inuyasha e as ordens do rei implicará que eu deva tomar ações contra vocês.

Com o grunhido de protesto de Sango, os cavalheiros começaram a dispersar-se, preparando-se para uma noite em claro. Mas Kagome, perdida em seus pensamentos, permaneceu onde estava parada. Rin se aproximou dela, inclinando-se para recolher a jarra de Nobu. Ela murmurou timidamente:

— Parece-te que não há outro caminho?

Kagome suspirou. Rin é obvio, desaprovava algo que implicasse combater. Ela provavelmente esperava que pudessem de algum jeito chegar a um acordo com os ingleses e viver alegremente para sempre, compartilhando o castelo com eles.

— As mulheres e os meninos estão seguros? — ela perguntou, percorrendo com o olhar o grande salão, onde as tábuas das mesas estavam sendo retirados a um lado para preparar as improvisadas camas e barricas nas portas em caso que o inimigo entrasse na fortaleza.

Rin pegou insistentemente de sua manga.

— Escuta, Kagome.

Kagome estava talvez menos tolerante do que era usualmente.

— Rin, não me importa e não tenho tempo para isto. Já conheço sua opinião a respeito das guerras, e...

— Não! Não entende.

— Às vezes. — ela se afogou — temos que fazer sacrifícios que...

— Sim! Mas às vezes não é necessário fazê-lo. Se você...

— O que? — Kagome disse secamente, perdendo a paciência. — O que acontece, maldição?

Em um ato estranho para ela, à diminutiva Rin apanhou a mandíbula de Kagome, e a olhou diretamente aos olhos sem pestanejar. Kagome estava em choque e em silêncio.

— Olhe irmã tirana. — Rin disse com bravura. Kagome nunca havia ouvido a falar assim antes. — Tenho algo há lhe dizer.

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Continua...

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Notinha da não-autora

Nada se menciona na história, mais eu tenho pra mim que a Rin e o famoso ladrão do bosque "A sombra". Como sempre dizem as quietinhas são as piores...