Capítulo 26 – Nightmares

Belle se virou na cama, apoiando-se em seu cotovelo e encarando Ruby completamente adormecida a seu lado. Era tarde da noite, mas ela não conseguia mais dormir, de modo preferiu ficara observar sua morena, do que tentar pegar no sono mais uma vez.

Ruby estava completamente nua, deitada de costas sobre o colchão, a boca semiaberta, a respiração lenta e o lençol fino cobrindo apenas metade do seu corpo. Belle desceu o olhar por todo o corpo da morena, desde seus lábios semiabertos, até seu pescoço longo e convidativo, reparou em seus belos seios e sua atenção parou no abdômen da morena, que subia e descia junto com a sua respiração.

Ela mordeu os lábios e abafou uma risada, ao se lembrar da transa das duas sobre o carpete, era loucura o que elas haviam feito, levando em conta que a vovó poderia ter entrado ali a qualquer momento. Mas Ruby tinha esse efeito em Belle, era como se ela excitasse todos os seus instintos mais selvagens.

Belle se aproximou da cama, encostando seu corpo contra o de Ruby, seus dedos tocaram os lábios da morena, ela teve o cuidado de não acorda-la. Com a ponta dos dedos, ela contornou os lábios da morena e em seguida desceu pelo seu queixo e então não conseguiu conter o desejo de se inclinar sobre ela e beija-la e com esse beijo, Ruby então acordou e se virou para Belle.

"Desculpa ter te acordado." Belle disse, não se sentindo verdadeiramente culpada.

"Foi um belo jeito de ser acordada." Ruby respondeu, em um tom de voz sonolento e procurou pela mão de Belle, beijando então a ponta de seus dedos. "Não conseguiu dormir?"

Belle negou com a cabeça e Ruby se ajeitou na cama, olhou ao redor do quarto ainda escuro e se arrastou um pouco na cama a fim de se encostar totalmente a ela. Com uma de suas mãos, ela acariciou os cabelos de Belle, que recebeu esse carinho como um convite para se aninhar junto a Ruby.

Ela se deitou junto ao peito da morena, que ainda acariciava seus cabelos. Por algum motivo, os pensamentos de Belle estavam muito agitados essa noite, era difícil se concentrar em qualquer coisa que fosse e Ruby não parecia acalma-la.

"Se eu soubesse que você estava tendo dificuldades para dormir, eu teria ficado acordada com você." Disse a morena e Belle inclinou a cabeça para trás a fim de encarar os olhos azuis de Ruby, mas não disse nada, apenas sorriu para morena que achou esse sorriso muito enigmático e voltou a perguntar. "Está tudo bem?"

"Está sim." Ela respondeu, voltando a se aninhar junto ao corpo da morena, seu seio quente e convidativo servindo como um travesseiro.

As duas ficaram em silencio e a noite se seguiu silenciosa, aos poucos os pensamentos de Belle se acalmaram, os dedos de Ruby em seus cabelos a ajudaram adormecer. Belle não chegou a ver quando a energia voltou e não sentiu Ruby a virar para o outro lado da cama.

O que a acordou foi a luz do sol entrando pela janela, tudo era silencio, exceto pelo som do chuveiro, ela se espreguiçou na cama, sentou-se e procurou por algo no quarto que indicasse a hora, mas em vão. Então se levantou, caminhou até a janela e pôde ver o movimento da rua, imaginou então que não era tão cedo assim.

O chuveiro se desligou, dando lugar a um completo silencio, Belle caminhou até o banheiro, anunciando antes a sua chegada. Ruby abriu uma brecha na cortina do box e se inclinou para beijar os lábios de Belle, que a deixou terminar o banho, enquanto ela mesma se arrumava diante do espelho.

"Ainda me pergunto o que te manteve acordada ontem à noite." Disse Ruby, o som do barulho da embalagem do shampoo sendo usada tomou o silencio que se fez seguinte.

Belle deu de ombros, enquanto encarava seu semblante diante do espelho a sua frente, ela molhou o rosto e pegou sua escova de dente, parando antes para se inclinar em frente a pia para tocar em uma mancha roxa resultado da noite anterior. O chuveiro novamente foi ligado, ela olhou para onde Ruby estava, a cortina do box permitia apenas que Belle visse sua silhueta, como uma sombra, ainda assim, isso foi suficiente para instiga-la.

Ela colocou a escova de dentes no lugar e caminhou até o chuveiro, levantando seu pijama e o tirando, antes que chegasse até o local, ao abrir a cortina, ela se separou com Ruby, de costas, completamente molhada, que não conseguiu esconder a surpresa em seu olhar ao ver Belle diante de si.

"Não sei ao certo o que me manteve acordada ontem à noite." Belle respondeu, dando um passo diante do chuveiro e fechando a pequena cortina atrás de si. Ruby permaneceu onde estava, a agua do chuveiro molhando sua cabeça e escorrendo pelo seu rosto e seu corpo inteiro. Belle levou alguns minutos para apreciar a cena e assim que seus olhos voltaram a encarar Ruby, ela então continuou. "Sei que eu tive um pesadelo estranho, não foi nada, mas agora acordada eu vejo o quanto era assustador."

Ruby elevou a sobrancelha ao ouvir isso e estava prestes a perguntar sobre o que fora o sonho, quando então Belle deu um passo à frente, quebrando qualquer distância entre as duas. Elas estavam agora juntas debaixo do chuveiro, lábios colados um no outro, corpos grudados como se fossem um só. Ruby a beijou nos lábios, descendo em seguida pelo seu pescoço e parando exatamente onde ela a havia mordido na noite anterior, seus olhares se cruzaram brevemente e Belle entendeu o que se passava na cabeça de Ruby.

"Não doí." Ela respondeu, antes que Ruby tivesse a chance de perguntar algo.

A morena então a virou contra o seu corpo, a agua ainda escorrendo sobre as duas. Belle se inclinava para trás, sua bunda em contato com o sexo de Ruby a excitava e a convidada para lhe tomar para si. Os dedos de Ruby eram ágeis e rápidos, assim como seus lábios e não demoraram para fazer com que Belle se derretesse de prazer em suas mãos. Houve gemidos por vezes alto e algumas vezes como breves sussurros, mas em nenhum deles era possível identificar alguma palavra que fizesse sentido. Por fim, as duas se entregaram ao êxtase, satisfeitas uma com a outra, embora pudessem permanecer unidas por uma eternidade.

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As noites de Selene se tornaram turbulentas e difíceis. A gravidez adiantada e a preocupação tornavam o sono difícil. De modo que na noite anterior, ela não conseguiu pregar os olhos e se viu a noite inteira sentada no sofá da sala da mansão de Regina, assistindo um filme aleatório na televisão, até que o cansaço se tornou maior que o incomodo e ela acabou pegando no sono.

Ela havia passado a tarde anterior com Rumple, os dois foram até o píer, onde se sentaram e conversaram, sobre qualquer coisa e aquela tarde se seguiu tranquila, sem nenhuma preocupação. Rumple a fazia esquecer dos seus medos e de certa forma trazia para ela uma segurança que Regina não conseguia trazer.

Quando chegou a noite, Rumple a levou para mansão, nessa altura a energia já havia sido restabelecida e alguns minutos depois Regina chegou em casa, com um grande sorriso nos lábios. Selene ouviu atentamente seus relatos, as duas jantaram juntas e Selene teria pulado a refeição se Regina não a tivesse forçado a comer. Depois do jantar, cada uma foi para o seu quarto e assim que Selene percebeu que o sono não viria, ela então desistiu de tentar.

Já havia passado da hora de Regina acordar, mas Selene resolveu não acorda-la, pois imaginou que ela estaria muito cansada. Ela mesma preparou o café da manhã das duas e embora os enjoos matinais a impedisse de sentir qualquer desejo que fosse de comer, ela se forçou a comer, pois sabia que se Regina acordasse, ela mesmo faria isso, então ela resolveu poupar o trabalho da prefeita. Selene havia acabado de comer quando enfim Regina apareceu, aparentemente sonolenta, usando um robe sobre o pijama de seda.

"Bom dia, Selene." Regina disse, com a voz cansada e sentou no balcão da cozinha, ao lado da garota.

"Bom dia." Selene respondeu, forçando um sorriso.

"Você não parece muito feliz, algum problema?" Regina quis saber.

"Eu não dormi muito bem na noite passada." Ela respondeu. "Dores nas costas, essa barriga não é nada agradável de se ter e além do mais eu realmente estou muito preocupada."

Regina pareceu pensativa, enquanto mordia uma torrada e se servia de café. Ela se questionou como poderia ajuda-la, embora não soubesse praticamente nada sobre como amenizar os problemas de uma gravida e sabia também que suas preocupações não seriam resolvidas com magia.

"Eu realmente queria te ajudar mais." Respondeu Regina. "Me diga o que eu posso fazer."

"Nada." Respondeu Selene, um pouco chateada. "Você já está fazendo muito, mas é que eu não consigo parar de pensar na próxima lua cheia."

"Não vai acontecer nada durante a lua cheia." Respondeu Regina. "Se acalme, Selene. Ou pelo menos tente se acalmar. Rumple e eu faremos de tudo para te manter a salvo, você sabe disso."

"Saber não é o suficiente, Regina." Ela respondeu. "Eu preciso de uma garantia. Eu preciso que essa criança esteja segura. Eu preciso que nós adiantemos esse parto e então eu posso entregar meu coração a Rumple e talvez as Estrelas possam me ajudar novamente." Ela completou e seu olhar procurou por algum canto qualquer na cozinha, ela levou as mãos a testa, ela estava exausta de procurar uma alternativa para o seu dilema.

Regina se levantou, caminhou até ela e a tocou em suas costas, acariciando-a gentilmente. Ela sabia que esse plano de Selene não era viável, além disso, seria arriscado para criança. Selene se virou para Regina, seus olhos tomados por lagrimas e seu semblante deixava clara a frustração e o medo.

"O que eu faço, Regina?" Ela perguntou, controlando o choro.

"Eu só posso insistir que você tente se acalmar, Selene." Ela respondeu.

"Como?" Ela perguntou, aflita demais para pensar em outra alternativa sequer.

"Eu não sei, talvez conversando com alguém, fazendo alguma atividade, eu não sei. Talvez eu possa marcar uma consulta pra você com o Archie, quem sabe ele não possa te ajudar. Sei que seus problemas são muito mais complexos, mas você tem que entender que você está segura conosco."

Selene ouviu a sugestão da prefeita e ponderou por alguns segundos, Regina explicou a ela o trabalho de Archie, embora não fosse muito difícil deduzir o que ele era e como ele poderia ajuda-la, no fim, Selene acabou aceitando o plano de Regina, que rapidamente ligou para o homem e marcou para ela uma sessão naquela tarde.

As duas terminaram seu café da manhã e Regina subiu para o seu quarto para se arrumar, sugerindo a Selene que fizesse o mesmo, pois ela iria com ela para conhecer o consultório de Archie.

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Belle estava diante do espelho, tentando em vão subir o zíper de seu vestido, quando Ruby se aproximou por trás para ajudá-la, ela elevou seus cabelos e permitiu que a morena a ajuda-se. Ela então se virou, assim que Ruby terminou e encarou os olhos da morena que sorria para ela.

"Você deve estar faminta." Ruby observou, pegando a mão da garota e caminhando com ela para fora do quarto.

As duas foram em direção ao Granny's que estava bem vazio, já que havia passado a hora do café da manhã, Ruby levou um olhar de reprovação da vovó, que mesmo não aprovando os atrasos da neta, entendia seus motivos e gostava muito de Belle para falar algo na frente dela.

"Desculpa meu atraso." Ruby disse, assim que as duas se sentaram à mesa, tudo o que vovó fez foi soltar uma breve reclamação, fazendo Belle sorrir e em seguida serviu as duas garotas com uma xicara de café, avisando em seguida que o café da manhã das duas seria servido.

"Então." Começou Ruby a dizer. "Sobre o que foi o seu pesadelo?" Ela continuou, tomando um gole de seu café.

"Bem, pode parecer estranho e nada assustador, mas eu sonhei que tinha esse homem, quer dizer, ele parecia um homem, mas eu realmente não acho que tenha alguma humanidade nele." Belle respondeu e Ruby prestou muita atenção no que ela falava. "Em resumo, esse alguém, seja lá quem for, controlava meus pensamentos e ações."

Ruby apenas franziu o cenho, de fato, não parecia tão assustador, mas Ruby resolveu não fazer esse comentário em voz alta.

"No sonho eu sabia quem eu era e o que eu queria fazer, mas ele simplesmente me controlava por completo. Eu não tinha mais controle sobre mim." Belle continuou e se encostou contra o banco e respirou fundo, relembrar do sonho trazia certa inquietude.

Ela levou a mão ao pescoço, ao lugar exato onde Ruby a havia mordido na noite anterior. Foi como um reflexo, como se ela não quisesse tocar no lugar, mas de alguma forma ela havia feito-o.

"Você tem certeza que não está doendo?" Ruby perguntou em um tom preocupado e Belle rapidamente negou e sorriu, a fim de acalma-la. "Eu prometo que nunca mais farei nada do tipo." Ela continuou a dizer, buscando pelas mãos de Belle agora e as apertando gentilmente.

"Não está doendo, Ruby." Ela respondeu novamente. "Mas eu estou feliz por ter escolhido um vestido com essa gola. Eu não iria querer o olhar de reprovação da sua avó." As duas riram com esse comentário e instantes depois uma garçonete se aproximou com a comida das duas.

Elas comeram em silencio, pois estavam famintas, depois do café, Belle foi até a biblioteca, sendo acompanhada por Ruby que a deixou na porta e voltou para a lanchonete, não sem antes se despedir de Belle com um beijo.

"Vejo você no almoço?" Perguntou Ruby e a garota assentiu e se despediu com um aceno.

Belle passou boa parte daquele resto da manhã com seus livros, não havia muito o que fazer, alguns livros para botar em ordem, outros para catalogar e alguns orçamentos de livros que ela deveria solicitar e em seguida encaminhar para a prefeitura. Ela rapidamente fez tudo o que pôde e um pouco antes da hora do almoço, ela se viu apenas com um item da sua lista para fazer que era ir até a prefeitura levar o orçamento dos livros.

Ela pegou os papeis que precisava e se encaminhou até lá, a secretaria de Regina logo avisou Belle que Regina não poderia atende-la, mas que ela poderia deixar os documentos com ela. Belle aceitou, embora quisesse conversar pessoalmente com Regina sobre os livros, mas não queria perder seu tempo, tendo em vista que a secretaria havia avisado que ela não sabia que horas ela voltaria.

Assim que Belle saiu da prefeitura e seguiu o seu caminho de volta para a biblioteca ela avistou Regina, do outro lado da rua, vindo em direção a prefeitura acompanhada de uma garota que Belle não conhecia, mas que não demorou para reconhece-la.

"A estrela." Belle disse para si mesma, em um tom baixo e sorriu satisfeita, sentindo-se corar e sua mão suar, com a ideia de estar diante de uma estrela.

Uma estrela, ela lembrou a si mesma, que havia caído graças ao pedido que Ruby havia feito. Ela não conseguiu conter sua felicidade diante de tal surpresa e esperou que Regina chegasse até ela, mas assim que Regina cruzou seu olhar com Belle, a morena hesitou e tocou gentilmente no braço da estrela e lhe disse algo que Belle não pôde ouvir. Regina e a garota olharam para Belle e trocaram olhares significativos, Belle viu a garota assentir e se perguntou sobre o que as duas haviam conversado, mas sua imaginação falhou em criar teorias e tudo o que ela fez foi esperar pela aproximação das duas.

"Belle." Regina disse, forçando um sorriso e fazendo Belle se perguntar se estava tudo bem.

A estrela havia parado próxima a Regina e seu olhar era uma mistura de fascinação e medo. Belle a olhou por alguns instantes e de repente toda ansiedade que ela tinha de ver pela primeira vez uma estrela sumiu.

"Olá, Regina." Belle disse. "Eu vim entregar os documentos para os pedidos dos livros, estão tudo lá, quantidade, valores e todos os outros dados que você precisará. Eu espero que você aprove."

"Eu olharei com bastante cuidado. Eu prometo." Respondeu Regina e em seguida ela olhou para a estrela a seu lado e Belle sentiu como se a qualquer momento as duas fossem se despedir, de modo que ela então deu um passo à frente e estendeu sua mão em direção a estrela.

"Eu sou Belle." Ela disse, sua mão estendida, esperando que a estrela a pegasse, um sorriso no rosto deixava claro o quão satisfeita ela estava de estar diante dela. A estrela hesitou, abaixou o olhar e estendeu sua mão também, que tremia em resposta a esse toque e a esse encontro.

"Eu sou Selene." Ela respondeu enfim e Belle teve uma sensação de que a qualquer momento ela fosse chorar, ela se virou para Regina, buscando uma resposta.

"Acredito que Ruby tenha lhe contado sobre Selene." Regina disse.

"Bem, só o que você contou a ela, que acredito ter sido apenas o que ela deveria saber e não a verdade toda, não é mesmo?" Perguntou Belle e Regina a respondeu com um meio sorriso. "Mas tudo bem, eu entendo que pessoas precisam ter seus segredos, caso contrário qual seria a graça, não é mesmo?" Ela continuou. "Eu trabalho na biblioteca local, se você se sentir entediada de ficar na mansão ou quiser a companhia de um bom livro, não hesite de ir até lá, temos muitos exemplares e em breve teremos muito mais, assim que a prefeita aceitar o orçamento dos livros." Ela completou, sorrindo para Selene, que parecia bem afetada por estar ali.

"Eu pensarei a respeito." Respondeu Selene. "Mas no momento eu realmente prefiro voltar para casa, eu estou bem cansada." Ela respondeu e Belle a viu caminhar a passos ligeiros, embora sua gravidez avançada não permitisse que sua marcha fosse assim tão acelerada.

Belle e Regina permaneceram onde estavam, observando a garota caminhar em direção ao carro, em seguida Belle encarou Regina, como se buscasse uma explicação para o comportamento bizarro de Selene, mas Regina nada disse, apenas se despediu de Belle e caminhou em direção ao carro, onde Selene a esperava.

Ela observou o carro se afastar, até perde-lo de visto, havia algo em Selene que a intrigava, ou talvez de fato a garota estivesse muito cansada, de qualquer forma, Belle tinha seus próprios compromissos e não perdeu muito tempo pensando a respeito da garota.

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O almoço com Ruby no Granny's fora calmo e as duas conversaram sobre o dia delas, mas não havia nada digno de nota, então Belle contou a ela sobre ter conhecido a estrela e sobre o fato dela parecer bem estranha e de não ter dado muita atenção para ela. Naquele momento isso não teve muita importância, mas pensando a respeito agora, ela não conseguia deixar de não se sentir triste a respeito.

"Bem, ela está gravida, então é normal que ela se sinta cansada." Disse Ruby e Belle foi obrigada a concordar. O assunto mudou novamente e minutos depois Belle não tinha mais Selene em sua mente.

Quando a noite caiu, Belle e Ruby se encontravam no quarto. A morena diante do espelho, escovando seus cabelos negros, enquanto Belle estava na cama, terminando um capitulo de algum livro. Ela usava uma camisola de alças finas, de modo que seu pescoço estava completamente a amostra e ela não percebeu quando sua mão caminhou involuntariamente em direção a marca onde Ruby a havia mordido.

"Você tem certeza que não está doendo?" Ruby perguntou, fazendo Belle se despertar de seu transe e voltar sua atenção a Ruby.

"O que?" Ela perguntou, sem entender a interrupção.

"Você sabe..." Ruby respondeu, apontando para o próprio pescoço, afim de elucidar sua pergunta. Belle riu em resposta e afirmou que não doía. "É que você não para de tocar, imagino se de fato não esteja doendo e você tenha preferido ocultar a verdade para não me magoar."

"É sério, Ruby, não está doendo. Eu sinceramente não chego a perceber que estou tocando. É algo involuntário, não se preocupe." Ela respondeu, abaixando o livro e o colocando sobre o criado mudo ao seu lado.

Ruby aceitou suas palavras, colocou sua escova sobre a penteadeira e caminhou até a cama. Ela se deitou ao lado de Belle, que se virou para encara-la, as duas se beijaram, se acariciaram e teriam ido além de beijos e caricias se não estivessem muito cansadas, de modo que apenas se aninharam uma ao lado da outra e não demoraram a adormecer.

Naquela noite, Belle teve outro pesado, o mesmo da noite anterior, mas muito mais intenso. A angustia que ela sentia no sonho, transpassava para o plano físico e ela tentou acordar, mas em vão, o pesadelo a impedia de acordar. Foram horas de agonia e medo, até que enfim o dia amanheceu e seu pesadelo a libertou. Ela acordou angustiada, cansada, seu corpo estava todo quente em sinal de uma febre que ela não conseguia explicar. Ruby ainda estava dormindo e ela não ousou acorda-la, apenas se levantou da sua cama, em silencio e caminhou até o banheiro.

Belle olhou para o seu reflexo, seu rosto completamente suado, sua respiração cansada e a ferida da mordida de Ruby se encontrava vermelha como se estivesse queimando e de fato era assim que ela a sentia.

Ela tirou rapidamente suas roupas, se colocou debaixo do chuveiro e o abriu na temperatura mais gelada possível, a fim de amenizar a febre. Ela ficou assim por alguns instantes, sentindo seu corpo esfriar na medida em que a agua a molhava, mas ainda havia algo errado, ela pensou consigo mesma, enquanto a agua molhava sua ferida e acalmava seus pensamentos.

Sua mão foi em direção novamente ao pescoço, dessa vez o toque fora completamente voluntario, sua pele queimava e ardia, ela sabia que não poderia contar a Ruby o que havia acontecido, não podia contar a ela que a dor agora era real, ela ficaria muito preocupada.

Ela esperou que seu corpo estivesse melhor e com o passar dos minutos, já não sentia mais nada, então ela saiu do chuveiro, se enrolou em uma toalha, caminhou em direção ao espelho e ao olhar para seu próprio reflexo, ela viu algo atrás de si e se virou rapidamente encontrando nada. Sua respiração se descompassou, ela tentou se acalmar, olhou ao redor do pequeno banheiro, enquanto se perguntava se alguém poderia ter se escondido ali, mas sabia que era impossível, provavelmente fora fruto da sua imaginação.

Será mesmo? Ela se perguntou, as duas mãos apoiadas contra a pia, olhando seu próprio reflexo, sua cabeça latejava, sua memória do pesado era ainda era fresca e ela não podia parar de pensar que o homem – ou o que quer que ele fosse - de seu sonho que a controlava e a aprisionava, parecia muito com o vulto que ela havia visto há poucos segundos atrás.

Talvez fosse apenas vestígios do pesadelo que ela havia tido, ela explicou para si mesma ou talvez o pesadelo tivesse de fato encontrado uma forma de finalmente cruzar as fronteiras de Storybrooke.