~ Aproximadamente um ano e meio depois ~
Sakura arrumava seu vestido verde para a formatura da escola com um grande sorriso estampado em seu rosto. Fazia tempos que essa expressão ficava com ela. A menina sentia orgulho em dizer que depois um ano já quase não se lembrava de ter conhecido Sasori e ele ter feito o que fez... Sem pesadelos, sem tremores e como sua mãe dizia: sem crises de agressão. Isso tudo graças ao fato da psicóloga, Sasuke, Naruto e até mesmo Naruko e Karin ter ajudado ela.
— Mãe, você pode me ajudar a fechar o vestido? — indagou alto para que sua mãe a escutasse do andar debaixo.
— Claro querida!
Não demorou a escutar o barulho de pés com chinelo subindo a escada de sua casa. Mebuki entrou no quarto da sua filha sem cerimônias e não demorou a fechar o vestido tomara que caia esverdeado de sua filha que lhe caia tão bem.
— Que horas o Sasuke vai te buscar? — perguntou a mãe com um sorriso genuíno em seu rosto.
Sakura trincou os dentes com a pergunta. Estava atrasada, afinal, já eram quase nove e meia.
— Daqui a dez minutos. — suplicou mentalmente para que sua mãe não desse algum tipo de sermão nela pela demora.
E parece que funcionou, porque Mebuki começou a rir. Pousou uma de suas mãos no ombro da filha com um sorriso divertido estampado no rosto.
— Eu também vivia atrasando Kizashi. — confidenciou com um sorriso sonhador. — Sasuke também reclama?
Sakura suspirou ao ouvir o que Mebuki havia dito. Ela não vivia atrasando seu pai apenas antigamente... De qualquer forma, decidiu que não falaria isso para a matriarca, afinal, queria a ajuda dela para terminar de arrumar suas madeixas róseas.
— Não realmente... Mas ele faz uma carranca as vezes. — contou para a sua mãe que deu uma risadinha. — Mudando de assunto, você pode me ajudar com o cabelo?
— Mas é claro.
Quando entrou no carro de Sasuke, Sakura viu sua mãe aproximar-se da janela do lado em que ela estava. Sua mãe sorria de um modo estranho e sentiu-se deveras incomodada.
— Juízo, garota. — piscou para a filha.
Sakura colocou suas mãos em seu peito esquerdo, dramatizando teatralmente. Olhou para a sua progenitora com os olhos arregalados e sorriu.
— Eu sempre tenho.
Fora a vez da mãe sorrir mais. Olhou para a filha desdenhando de todos os esconderijos daqueles comprimidos.
— Sabe Sakura... — começou a falar aumentando o sorriso. — Os anticoncepcionais escondidos no seu guarda roupa diz o contrário. — confidenciou no ouvido da rosada. — Até mais queridos! Divirtam-se!
Dito isso, a loira entrou em sua casa e deixou os dois a sós dentro do carro. Sakura mantinha os olhos arregalados e até mesmo ficara um pouco pálida.
— O que a sua mãe disse? — Sasuke olhou preocupado para a sua namorada, que mantinha-se em choque enquanto ele dirigia até o local da formatura.
A menina olhou para o moreno que parecia preocupado - e estava - com a sua atitude e deu um sorriso amarelo. Colocou uma de suas mãos no próprio colo, pensando se falaria ou não.
— Você não iria querer saber. — disse para o moreno.
— SAKURA-CHAN, TEME! — era óbvio que Naruto iria estar histérico no dia de sua formatura.
O loiro sorria de orelha a orelha perto de sua quase namorada Hinata. Finalmente o loiro estaria livre das suas obrigações escolares e isso era como um presente dos deuses para ele. Sakura e Sasuke cumprimentaram o amigo com um leve aceno.
— Usuratonkachi. — o moreno abriu um sorriso debochado e a rosada já imaginou que viria provocação. — Você realmente passou da recuperação? Isso, com certeza, é algo maior que um milagre.
Sakura e até mesmo Hinata desataram a rir do comentário ácido sobre loiro, que abriu uma carranca para os três que ousaram zoar com os seus esforços. Ele apontou seu dedo indicador para o Uchiha acusadoramente.
— Seu bastardo! Eu estudei para caramba, sabia? — disse indignado para seu amigo. — E vocês duas me ajudaram, não deveriam estar rindo! — reclamou. — Sakura-chan, Hinata... Vocês viram o quanto eu esforcei!
Sakura riu com gosto e decidiu irritar o loiro um pouquinho mais. Ele realmente havia esforçado - do jeito dele - mas como o Uzumaki vivia a irritando, porque não poderia fazer isso também?
— Eu vi esforço... Se isso significar dormir noventa e nove por cento do tempo em que eu e Hinata te ajudava. — Sasuke soltou uma curta risada, aprovando a provocação para com o loiro.
O rosto do garoto começou a ficar vermelho de raiva e todos sabiam que em questão de segundos ele iria gritar com a amiga, por causa da brincadeira. Hinata já começava a pensar em algo que poderia acalmar o seu amado, enquanto o casal apenas achava graça da situação.
— SAKURA-CHAN! — repreendeu Naruto indignado.
Sasuke indicou com a cabeça uma parte mais reservada do salão de festas da formatura deles. Era uma parte ao ar livre, sem músicas e com quase ninguém.
— Vamos, antes que ele nos deixe com dor de cabeça. — puxou delicadamente Sakura entrelaçando a sua mão na dela e foram em direção ao lugar, deixando Naruro a sós com a já formada Hinata.
Sentaram-se em um banco esbranquiçado que havia no local entre algumas árvores de porte médio. O silêncio era confortável para Sasuke, mas ele sabia que isso não demoraria a acabar. Sakura gostava de falar muito, não que ele se incomodasse realmente com isso.
— Nós não vamos dançar? — indagou a rosada para o moreno que olhava com tranquilidade para as estrelas.
Sasuke franziu o cenho sentindo o incômodo de apenas pensar em dançar. Suspirou olhando para a namorada, que o observava com esperança.
— Sakura, eu não danço.
A menina bufou. Sabia muito bem que essa seria a resposta dele, mas não custava nada tentar... Ela também não era muito fã de danças e não era muito boa nisso, mas gostaria de ter vários momentos guardados de sua formatura com Sasuke. Algo que poderia contar aos seus futuros netos.
— Chato. — reclamou, mamas agora já sorria. — Queria ter bons momentos com você na nossa formatura...
A menina sentiu os braços do Uchiha envolverem em si. Sorriu mentalmente, sentindo-se vitoriosa, afinal, isso era prova de que sua frase havia o afetado. Olhou de esguelha para ele, e viu que Sasuke sorria de canto.
— Não seja irritante. — disse ainda com um pequeno sorriso nos lábios. — Dançar não é a única coisa que podemos fazer...
Sakura enganara-se achando que havia conseguido o que queria, porque a frase de Sasuke havia a dobrado. Ela deu um sorriso para ele, porque o que ele tinha dito era verdade. Não era necessário dançar para divertir-se.
— Você tem razão. — concordou. — Mas o que podemos fazer, exatamente?
O moreno ponderou sobre o que fariam nessa festa. Verdade seja dita, ele não gostava desse tipo de evento, apenas estava nele porque Sakura havia pedido. De qualquer forma, não era como se ele fosse fazer a noite dela ruim só porque isso não era a sua praia.
— Já zoamos com o Naruto. — disse e ela concordou, divertida. — Isso é algo que vale a pena.
Sakura pensou em algo que poderiam fazer, também. Afinal, não era apenas Sasuke que escolheria... Sabia que as opções dele eram limitadas.
— Também podemos, mais tarde, entrar no salão e rir da cara de quem está ficando bêbado e vai fazer vexame. Inclusive eu tenho certeza de que o Naruto vai ser um deles. — sabia que ficaria com pena da Hinata, mas seria mesmo engraçado.
— Com certeza, isso é a cara daquele dobe.
Riram imaginando o escândalo que o loiro poderia fazer por alguns instantes e depois voltaram a pensar. O que mais tinha para fazer em uma festa assim?
— Mas por agora vamos ficar sozinhos. — virou-se para Sasuke, que agora tirara os braços sobre ela.
— Hn, parece bom. — dito isso, ele mesmo deu a iniciativa e puxou a namorada para um beijo intenso.
E que ninguém os perturbe agora.
— Sakura, chegou uma carta para você! — ouviu sua mãe informar em um grito.
A Haruno acordou assustada e desorientada, afinal, havia chegado da festa de formatura cerca de quatro horas da manhã. Levantou-se e pegou o celular para ver as horas. Uma e treze. Suspirou e desceu as escadas do jeito que estava.
— Nossa, você está parecendo um zumbi. — disse para a filha que tinha uma enorme olheira debaixo dos olhos.
— Eu acabei de acordar, né. — resmungou mal humorada.
— Olha o jeito que você fala com a sua mãe! — repreendeu a loira com as mãos na cintura. — Toma a carta. — entregou para uma rosada sonolenta.
Ela pegou a carta e imediatamente sentiu seu estômago revirar de ansiedade. Era a carta da faculdade de medicina da capital. A melhor do país. Teria ela sido aceita? Respirou fundo, rezou mentalmente e depois abriu sem cerimônias.
" Srta. Sakura Haruno,
Em nome da Faculdade Federal de Tokyo, com prazer informamos de que você fora admitida no curso de Medicina (...) "
A menina não sabia como reagir direito sem parecer uma louca, então decidiu agir pelo menos uma vez como o seu amigo loiro. Deu um grito de satisfação.
— MÃE, EU PASSEI! EU PASSEI! — gritou e depois começara a dar pulinhos de felicidade, com os olhos cheios de água.
Escutou os passos apressados de sua mãe voltando até si e sentira ser abraçada com força por ela. Abriu os olhos e não conseguiu segurar mais o choro quando vira a própria mãe emocionada.
— Isso é ótimo, filha! O Sasuke e o Naruto ficarão muito orgulhosos de você, também. KIZASHI VENHA AQUI!
Mas o sorriso de Sakura murchou ao escutar sua mãe. Sabia que Naruto continuaria na cidade e quanto a Sasuke... Bem, ele já estava ajudando o irmão na empresa dos pais... E provavelmente ficaria por aqui também. Ela não poderia deixar de lado o seu sonho, mas não sabia como sobreviver mais sem Sasuke ao seu lado. E sabia que isso era recíproco.
— O que aconteceu? — sentiu o rosto cheio de preocupação de Sasuke a observar detalhadamente, imaginando o que poderia estar acontecendo. — Você passou mal por causa de ontem?
Sakura não havia bebido nada alcoólico o suficiente para que estivesse de ressaca, então jamais poderia dar essa desculpa, mesmo que Sasuke não parecesse se lembrar desse detalhe. Ela não sabia o que fazer. Queria contar, mas tinha receio de como ele ficaria. Jamais terminaria com o garoto, e se ele não quisesse um relacionamento a distância desistiria do seu sonho.
— Eu... Passei na faculdade de Tokyo. — despejou de uma vez, antes que enlouquecesse.
O garoto olhara confuso para a rosada, que parecia não estar feliz como deveria sentir-se depois de realizar o seu sonho. Ele decidiu inclinar gentilmente a cabeça da namorada com a mão para que ela olhasse para ele.
— E como isso não seria bom?
— Sasuke-kun... O que vai ser da gente? — perguntou desesperada. — Tokyo é bem longe de Konoha...
O Uchiha sentiu vontade de rir. Não tinham conversado muito sobre isso - a menina não parecia muito a vontade, afinal - então ela talvez não soubesse de nada.
— Sakura, eu vou com você.
Sakura ficou dois exatos segundos sem reação, tentando assimilar o que ele havia dito. Não conseguiu segurar um belo sorriso e abraçou o namorado apertado.
— Sasuke-kun! — exclamou feliz. — Isso é sério? E a sua empresa?
— Pensei que você soubesse... — comentou ainda com a menina em seus braços. — Eu até combinei com seu pai que iríamos morar juntos. E além do mais, é claro que a empresa também está em Tokyo.
Sakura arregalou os olhos com o que acabara de escutar. Esse dia estava sendo uma caixinha de surpresas.
— Meu pai deixou?! — indagou incrédula.
— É. — concordou com a pergunta. — Porque eu disse para ele que ia te pedir em casamento, você sabe.
Sentiu as bochechas queimarem intensamente com a outra revelação. Que dia era esse, por Deus? Sentiu os olhos marejarem.
— Você disse isso para o meu pai. — ele concordou. — E ele aceitou. — acenou positivamente para ela de novo. — Espera... Você tá me pedindo em casamento?!
Sakura saiu do abraço e olhou para os olhos negros de Sasuke. O garoto não sustentou o olhar e abaixou os olhos para o chão.
— O que você acha? — resmungou envergonhado.
— SIM! — exclamou feliz. — Aí a gente fica noivo até os vinte anos e casamos na igreja perto de casa, aquela com a escadaria enorme! Depois teremos uma festa de arromba naquele mesmo salão da nossa formatura, porque ele é o melhor de Konoha e voltamos para Tokyo... Aí a gente forma e fazemos uma linda filha!
Sasuke sentiu um baque enorme quando escutara Sakura tagarelando. Ele não se importava de casar cedo, na verdade queria que ela fosse só dela o mais rápido possível. Mas a quantidade de coisas que a rosada havia dito deixou o menino tonto. Uma filha, uma família... Sim, ele queria isso.
— Claro, como você quiser. — disse por fim, afinal, ele não se importava muito com detalhes de como seria. — E Sakura... Você está saindo demais com o Naruto. Isso deve explicar a histeria.
A menina riu do comentário do namorado e o abraçou novamente, sem ficar incomodada com o que ele havia dito. Porque era verdade.
— Finalmente vamos até Tokyo para conhecer o nosso apartamento! — exclamou Sakura feliz, depois de um mês que havia sido aprovada na faculdade.
Eles haviam acabado de entregar a bagagem e já estavam quase entrando no avião em direção a Tokyo. Sakura estava muito animada e agitada, diferente de um certo moreno.
— Hn.
— Você não parece muito animado. — constatou o óbvio, ficando confusa com o comportamento dele.
Sasuke não era do tipo animado, é claro. Mas ele estava deveras entediado para quem ia para a capital conhecer a nova casa...
— Já fui a Tokyo várias vezes. — explicou para a rosada.
Depois disso, os dois entraram no avião. Sakura com um sorriso no rosto e o Uchiha entediado. A menina estava em um estado avançado de euforia, porque também nunca tinha andado de avião. Ela sentou ao lado se Sasuke no avião e segurou a mão dele.
— Nem acredito que você vai comigo. — alargou ainda mais o sorriso, se é que era possível.
O moreno suspirou com a constatação dela. Ele já não conseguia mais sem ficar sem Sakura, e ele sabia muito bem que ela tinha plena consciência disto.
— Sakura, eu não vou a nenhum lugar sem você. — sussurrou esperando que ninguém mais além de Sakura estivesse ouvindo isso, porque era algo embaraçoso para ele.
A rosada sabia que isso era um tipo de declaração nas entrelinhas, porque era isso que Sasuke fazia. Ele quase nunca dizia nas palavras literalmente, não que ela ligasse. Deu um selinho nele e afastou-se antes que o avião decolasse e ela ficasse assustada.
— Sasuke-kun, eu te amo! — disse diante a declaração peculiar do Uchiha.
— Humpf, eu sei... — virou o rosto para a janela do avião, mas Sakura sabia que era apenas vergonha.
E decolaram em direção a Tokyo, seguindo suas vidas de adulto. Mas isso já é outra história.
