Disclamer: Saint Seiya não me pertence, o que é uma pena realmente XD
Esta é uma fic yaoi, ou seja contém relacionamento homossexual entre homens, se você não gosta, não leia.
Contém cenas de incesto.
Capítulo 25
Camus POV
Eu estava sentado no meu escritório com os olhos fixos na vidraça das portas francesas que levavam ao jardim. O dia amanhecera surpreendentemente belo aquele Sábado. Com uma brisa que soprava suave e um raro sol hibernal, cujos raios pálidos incidiam obliquamente na superfície branca da neve sobre o gramado, revestindo tudo de uma mágica aura iridescente.
Infelizmente eu não estava em condições de apreciar toda essa beleza naquele momento. Eu não estava em condições de apreciar quase nada, na verdade.
Eu passara cada segundo dos os últimos dias tentando digerir aquela história toda, mas mesmo que cinco dias inteiros houvesse se passado desde aquela noite em que o Hyoga aparecera no jardim, eu ainda não conseguia aceitar muito bem a coisa toda.
Quer dizer: grupos terroristas, atentados de 11 de Setembro, agentes infiltrados, Interpol, e tiaras que explodiam? Pelo amor de Deus!
Era impressão minha ou minha vida havia se transformado em um filme? E daqueles bem fantasiosos ainda por cima?
E a Saori estava metida em tudo isso? Ela e o irmão haviam armado o ataque que o Hyoga sofrera em Boston pra se aproximar de mim? Pra conseguir a tiara? Mon Dieu, isso era um pouco demais pra mim!
Mas, por outro lado, tudo fazia sentido. Eu sempre achara estranho mesmo uma garota como a Saori estar interessada em alguém como eu.
Bem, isso explicava tudo.
E, apesar disso, ou talvez por causa disso, eu não conseguia sentir a raiva que sabia que devia sentir. Talvez eu ainda estivesse entorpecido, não sei. Sim, era isso. Aquilo era efeito retardado do choque, só podia. Mas o fato era que eu só conseguia sentir alívio. Como se um peso enorme me tivesse sido tirado dos ombros.
Inicialmente minha mente lutara contra aquilo, é claro - meu racionalismo patológico simplesmente não me deixava acreditar facilmente naquela história insólita de organização terrorista, e atentados -, mesmo agora era difícil aceitar. Meu coração, por outro lado, se agarrara à isso como a uma tábua de salvação.
Porque se o que a polícia e o Oga estivessem dizendo fosse verdade, e eu não tinha razões pra acreditar que eles estivessem mentido, o Milo era mesmo inocente naquela história e a Saori uma bandida dissimulada. E, sim, por mais vergonhoso que pudesse ser admitir, eu me sentia estranhamente feliz com esse fato.
Era cruel, eu sabia, e mesmo assim, eu não conseguia deixar de sentir que era melhor, muito melhor, que fosse ela, e não ele, o culpado naquele caso. A verdade é que lá no fundo, todo o tempo, meu lado mais mesquinho e egoísta procurara justificativas, maneiras de eu me sentir menos culpado. E, de repente, era como se em um passe de mágica tudo se justificasse: Milo era o homem que eu sempre imaginara, e a Saori era a pessoa vil e ordinária que merecia a forma como eu a tratara. Dieu, eu era um monstro! Um total e completo monstro. Como eu podia sentir essas coisas enquanto o mundo desabava a minha volta?
É claro que a situação toda também me preocupava, pra não dizer apavorava, mas naquele momento todo o pavor era suplantado pela desrealização, afogado naquele limbo emocional em que eu me encontrava.
Meu Deus, era tudo tão confuso!
Então, como sempre acontecia quando eu estava muito perturbado com alguma coisa, eu vi o rosto da minha mãe. Como ela era antes que o câncer a levasse. Na verdade era uma imagem desfocada. Eu não me lembrava muito dela. Mesmo assim, as raras lembranças daqueles poucos anos antes de sua morte eram umas das mais felizes na minha memória. E depois ela se fora...
E eu descobrira que o dinheiro não valia de nada. Talvez por isso fosse tão difícil pra mim entender pessoas como a Saori. Porque muito cedo eu me dera conta de que fortuna não importava. Não importava quanto dinheiro uma pessoa pudesse ter. Nem todo dinheiro do mundo teria salvado minha mãe.
E nem todo dinheiro do mundo a traria de volta.
– Camus – disse uma voz aguda e muito refinada -, o que está olhando tão fixamente?
Eu estremeci levemente surpreso ao descobrir que não me encontrava no quarto do apartamento em que nascera, em Paris, mas sim no escritório confortável da casa em Long Island em New York, onde vivia. E a mulher que se dirigia a mim não era minha mãe, que sofrera uma prolongada e dolorosa morte vinte anos antes, mas a bem viva Saori Kido. Com quem eu fora obrigado a reatar o noivado a pedido, inicialmente, dos dois detetives da Divisão de Investigação Especial, e, posteriormente, do meu próprio irmão.
Eles haviam me contado sobre o plano – plano este que até então nem o Hyoga tinha conhecimento -, e, sim, eu faria o que fosse preciso pra ajudá-los se isso significasse manter o Milo longe de problemas. Aquilo era o mínimo que eu poderia fazer por ele depois de tudo. O mínimo.
– Estou com ciúme – ela falou, em um tom que provavelmente julgava provocativo, enquanto estendia a mão por cima da mesa para que eu a beijasse. – Quem é ela?
Eu a encarei. Ela estava usando um vestido novo, que eu ainda não conhecia. Rosa claro com uma gola enfeitada com muitas plumas. Eu mal conseguia ver seu rosto com todas aquelas penas envolvendo-a.
– Ela? – eu repeti, tomando sua mão e depositando automaticamente um beijo nela.
– Sim, bobo. Aquela em que você estava pensando, sentado aí. Ou será que não se tratava de uma mulher? – Seus olhos escuros brilharam com malícia enquanto ela se sentava presunçosamente na beira da escrivaninha cruzando as pernas, esquecida do modo como sua saia subia, enviesando-se perigosamente para cima quando ela fazia isso. Se bem que ela devia estar perfeitamente ciente do que estava fazendo, esperando exibir as coxas adornadas pelas meias de seda e pela cinta liga.
– Era uma mulher – eu falei, devagar, sentando-me novamente. Eu me levantara assim que percebi que ela entrara, como fui ensinado que um cavalheiro deve fazer. Embora aquela altura eu já soubessse que ela estava longe de ser uma dama. Pelo nascimento sim, era, mas não por sua natureza.
– Estou com ciúme – ela falou outra vez, com o lábio inferior se projetando pra frente, a fim de afetar um atraente ar de aborrecimento. – Quem é ela? Diga-me agora. Você sabe que criatura possessiva horrível eu sou, querido.
Eu não falei nada. Raramente eu precisava falar quando ela estava por perto. Ela falava o suficiente por nós dois.
– Deixe-me ver – ela disse, encostando um dedo na lateral do queixo. – Com quem eu sei que você costuma ter contato... Bom, com o Afrodite, é claro, mas ele não é uma mulher, e você sempre diz que ele é como seu irmão. Então, ele não. Quem mais poderia ser? Tem aquela sua secretária, mas ela é velha demais. Sei que é completamente encantada por você, mas não é o tipo de mulher com quem um homem se envolveria pra fazer quase nada. Então também não poderia ser. Oh, não seria o Milo Scorpion, seria? – ela piscou sugestivamente, e então começou a rir de forma forçada – Ora, é claro que não, ele também não é uma mulher afinal, né? E, apesar de bonito, é muito vulgar pra um homem de gosto seletivo como o seu. Hummmm... Quem poderia ser, Camus? Desisto.
Vulgar? Ela havia tido o disparate de dizer que o Milo era vulgar?
– Você desiste muito facilmente – eu falei simplesmente tentando manter a voz calma. – Mas vou te dizer mesmo assim. Era minha mãe.
– Oh! – ela exclamou, fazendo cara de desapontamento. – Jamais teria adivinhado isso. Você nunca fala dela.
– Não. Non falo. – Não para ela. Nem agora. Nem nunca.
– É isso, mon dame. – eu continuei, mantendo a fleuma - Suponho que vá me dizer agora o que eu teria feito pra merecer a honra de sua presença tão cedo por aqui? Afinal, tendo passado noites suficientes com você, posso dizer que só uma razão das mais vitais a obrigaria a sair da cama antes do meio dia.
Ela sorriu de modo travesso, perguntando:
– Então acha que me conhece bem, senhor meu noivo? É bem possível, sabe, que eu ainda tenha alguns segredos.
– Ah! – eu exclamei. – Sei que tem. E quando nós finalmente conseguirmos apanhá-la num deles, mon cher, vou fazer do promotor público o homem mais prodigiosamente feliz desse Estado.
O sorriso dela desapareceu.
– O... quê? – gaguejou. Sob a leve maquiagem, ela ficou visivelmente pálida. – Do que está falando, bebê?
Lamentando ter falado demais, eu me esforcei pra arquivar a pontada de irritação que sentia ante as constantes insinuações dela a às palavras indelicadas que ela falara sobre o Milo, e disse rapidamente:
– Pardonnez-moi, ma chérie – a última coisa que precisava era que ela aprofundasse suas suspeitas e as levasse até Pandora, tornando-os mais cuidadosos. – Falei de brincadeira, mas agora vejo que talvez non tenha sido de bom gosto. Então, a que devo a honra desta visita logo de manhã?
Ela continuou olhando pra mim um tanto incomodada, mas meu comportamento, que de propósito eu mantinha gentil, parecia tê-la desarmado, e logo a cor voltou a sua face.
Quando se recuperou completamente, ela gritou alegremente:
– Oh, Camus, querido, é a coisa mais estranha, mas Virgínia está com uma daquelas gripes, nós combinamos de ir às compras hoje, mas ela precisou ir ao médico. Bem, você sabe que o meu cartão está bloqueado por causa do... bem, daquele incidente da última vez que estive no banco, sobre o crédito do papai. Mas Virgínia me disse que eu poderia usar o dela, e você sabe, querido, que eu quero muito ter a aparência do tipo de esposa que um homem importante como você merece, mas meu enxoval dificilmente seria apropriado até para a mulher de um negociante de coisas usadas, quanto mais para a de alguém como...
Eu levantei a mão em um gesto calando-a. Deus, aquilo era atordoante.
– De quanto você precisa?
– Oh! – ela fez, parecendo alegre, mas ficando em seguida pensativa. – Bem, preciso simplesmente de tudo: saias, blusas, calças, vestidos, bolsas, sapatos, meias, para não falar de coisas mais íntimas... Creio que isso será mais do que o suficiente – ela fez um gesto com a mão, exibindo entre o dedos indicador e o polegar um espaço de cerca de 2,5 cm. – Em notas altas – acrescentou sorrindo.
Eu destranquei a gaveta da escrivaninha a minha esquerda e entreguei a ela uma pilha de notas de cem dólares, cujo volume se aproximava da medida que ela indicara.
– Mande meus votos de melhoras à Virgínia. – disse.
Seria um dinheiro bem empregado, eu pensei, se servisse pra me livrar dela.
– Oh, obrigada, querido – ela se inclinou por cima da escrivaninha, com os lábios preparados para aceitar um beijo meu e o dinheiro já metido dentro da bolsa. Eu levantei o rosto, com a intenção de roçar de leve os lábios na testa dela, num rápido beijo de despedida. Mas ela evidentemente tinha outras idéias.
Antes que eu pudesse reagir ela estendeu os braços e me agarrou pela lapela do casaco, puxando-me para si. Atrevidamente enfiou a língua entre meus lábios enquanto pressionava os seios contra meu peito sem constrangimento.
E eu, que um dia chegara a apreciar aquele contato, agora só conseguia sentir asco. De um lado, as plumas eram um tanto problemáticas, sempre voando de cá pra lá, fazendo cócegas no meu nariz. E de outro, eu agora sabia muito bem que tipo de pessoa ela era. Mas talvez o pior de tudo fosse a ciência de que não eram aqueles lábios que eu queria sentir sobre os meus.
– Bien – eu falei forçando um sorriso e esforçando-me pra não limpar a boca depois que ela finalmente se afastou de novo, interrompendo o beijo. – Isso foi... legal.
– Legal? – ela disse afastando-se da mesa e me olhando zangada. – Não teve nada de 'legal' aqui. Foi bem o contrário, pra dizer a verdade. Foi como se eu estivesse beijando uma estátua. Realmente, Camus, mas acho que você mudou mesmo. Eu não te reconheço mais!
– Mudei? – Eu não pude deixar de rir com descaso diante disso. – Eu mudei? E você non me reconhece mais?
– Sim, - ela confirmou, aparentemente sem notar minha ironia - mudou. Sabe que faz mais de dois meses, ou cerca disso, que... bem, não passamos a noite juntos?
– Mas, querida – eu falei, inspirando profundamente pra reunir paciência -, nosso casamento está tão próximo, porque não esperar mais um pouco? E nós também non podemos ser tão impetuosos. Temos uma reputação a zelar.
Ela bufou contrariada, pra depois suspirar resignada olhando pra cima.
– Bem, se acaso mudar de idéia – disse com certa amargura ao se encaminhar para a porta -, sabe onde me encontrar.
E então se foi. Mas deixou para trás vasta evidência de sua presença, na forma de uma nuvem de perfume adocicado e alguns fios de plumas, caídas como folhas de outono sobre a minha escrivaninha.
Como se estivesse esperando ansioso que minha noiva se retirasse - e provavelmente estava -, o Dite entrou no escritório, ainda andando com um pouco de dificuldade.
Ele vestia o pijama xadrez de flanela e as pantufas de pelúcia do Nemo que ele adorava. Os cabelos estavam presos atras da nuca em um coque baixo, e alguma espécie desconhecida de meleca verde besuntava toda sua cara.
Eu não pude evitar sorrir.
– Ora, ora, passeando pela casa em sua 'verdadeira forma'? – eu zombei divertido.
Só o Dite pra me fazer rir em uma situação daquela, eu pensei.
Ele deu de ombros.
– Nem todos podem ser naturalmente adoráveis como você, mon cher. Essa beleza aqui – ele apontou pra si mesmo – exige cuidados.
Eu balancei a cabeça ainda rindo enquanto ele se acomodava em uma das cadeiras a minha frente. Apesar do remorso que sentia pelo que ele havia passado por minha causa, ele era sempre bem vindo, pois me distraía.
Então seus olhos se voltaram para a porta por onde a Saori havia saído.
– Eu acho que isso significa que você pretende mesmo ir em frente com essa história de plano pra ajudar a polícia a prender uma organização terrorista, certo?
Eu assenti. Obviamente que ele já estava sabendo de tudo. Como eu disse, é impossível esconder as coisas do Dite. O que ele não adivinha, ele te força a falar.
– Meu Deus – ele suspirou -, pra mim essa história toda ainda parece uma loucura, sabe?
– Pra mim também. – eu concordei - Mas isso é o mínimo que eu posso fazer pelo Milo depois de tudo.
– Pois, na minha opinião, o mínimo que você poderia fazer pelo Milo era ligar pra ele e esclarecer tudo – ele me encarou -. Acertar de uma vez essa coisa entre vocês.
– Non posso fazer isso. – disse - Preciso me manter longe dele até tudo isso estar terminado, você sabe, e falar com ele agora seria superestimar meu autocontrole.
Eu não estava mentindo. Era horrível, mas era realidade. Depois de tudo o que ficara sabendo eu não me julgava mais forte o bastante pra ouvir sua voz sem sucumbir ao desejo de estar mais uma vez em seus braços. Essa fraqueza que sentia pelo Milo era incômoda, mas eu não conseguia me controlar. Era só olhar naqueles olhos azuis, e todo aquele comedimento sóbrio pelo qual eu era conhecido se perdia.
– Além disso... – eu continuei, e então hesitei, deixando que as palavras morressem em meus lábios.
– Além disso? – ele incentivou.
Eu suspirei
– Além disso, ele ainda non me mostrou que confia em mim.
Era verdade. Eu soubera de tudo, sim, mas não por aquele que eu esperava que me contasse. Ele havia feito coisas maravilhosas, com certeza, mas ainda não mostrara que confiava em mim.
Na verdade, o fato de eu ter sido magoado por ele já não importava em nada. Eu ainda o amava. E o amava mais agora por várias razões. Ele agira errado, sim, mas fora para proteger seus irmãos. Sua maior preocupação era proteger sua família. Como eu poderia não amar alguém que colocava a família antes de si mesmo? Não, era a falta de confiança dele que me abalava.
Droga, eu teria lhe dado aquela maldita tiara há muito tempo se ele tivesse sido honesto comigo! Se tivesse me procurado para contar porque precisava dela, eu a teria dado sem perguntas. Mas não, ele preferira esconder tudo. Ele não confiara em mim. Nem antes, nem agora.
É claro que se eu me esforçasse poderia entender a lógica dele, e até o motivo por que não confiara em mim. Mas pensar nisso não poria fim a minha dor. Assim como também não acabaria com aquela terrível sensação de que tudo havia se perdido.
– Camus, - o Dite disse em tom seco - você quer mesmo perdoá-lo?
– Diabos, quero! Claro que quero. – Eu me exasperei.
– Então esqueça esse orgulho.
– Non se trata só de orgulho! – eu fechei o rosto. Odiava quando ele dizia que o obstáculo era meu orgulho. Isso não era verdade! Bem, não totalmente - É uma questão de necessidade! - eu insisti - Ele devia ter me contado. Mon Dieu, eu teria lhe dado a tiara e tudo isso poderia ter sido evitado! Você non teria sido ferido, e ele também não.
O Dite revirou os olhos claros.
– Meu amor, o Milo pode até ser bissexual, mas ainda é um homem, não se pode esperar que faça a coisa certa. Vocês nunca fazem!
Eu olhei pra ele com uma sobrancelha levantada. Será que o meu amigo não percebia que também pertencia a esse gênero?
– Pois eu vou fazer a coisa certa agora – eu falei -, e vou ajudar a polícia a colocar a Saori atrás das grades.
Ele assentiu, e me olhou por um tempo, soltando o ar com força, antes de afirmar determinado:
– Nesse caso, eu vou ajudar.
– Vai? – Eu falei surpreso.
– Claro! - ele ajeitou atrás da orelha uma mecha loira que tinha se desprendido do coque – Você, como noivo, não vai poder ficar perambulando por toda parte, mas eu posso– ele tinha os olhos brilhando agora e um sorriso conspiratório no rosto -. Vou me oferecer pra ajudar a vaca sonsa com o vestido e dou um jeito de pegar a tiara sem que ela perceba. Então a levo até você pra que a entregue ao bonitão. Quando a ariranha perceber o sumiço da jóia pensará que foi o Milo, digo, o Fantasma. Depois disso posso atrasar o padre com uma das minhas conversas até vocês acertarem as coisas. Tenho certeza que consigo arranjar alguma história pra entreter o reverendo até que tudo esteja terminado.
Eu segurei um sorriso. Quanto a isso, eu não tinha a menor dúvida.
– E quando o patinho voltar da colônia de férias forçadas com os cunhados gostosões – ele continuou empolgado -, ele também pode criar algum contratempo pra segurar nossos pais em casa por um tempinho extra. Se tem uma coisa em que aquele menino é bom é em arranjar problemas.
Patinho, claro, era o apelido do Dite para o Hyoga. Isso porque, quando criança, o Oga costumava andar atrás de mim pela casa, seguindo-me por todo lado. O que fazia o Dite rir dizendo que eu parecia uma mamãe ganso com seu patinho. Claro, que o certo seria uma mamãe ganso com seu gansinho, mas era melhor nem questionar.
Depois da visita dos gêmeos naquela noite, todos havíamos concordado que seria mais seguro para o Hyoga permanecer sob proteção policial até a data do casamento, e assim foi feito. Era a isso que o Afrodite estava se referindo ao falar sobre a 'colônia de férias forçadas com os cunhados gostosões'.
Dessa vez eu não consegui conter o sorriso. Pelo jeito o Dite havia pensado bastante naquilo... E em detalhes.
– Merci, Di. – Eu falei sincero, tomando suas mãos nas minhas. – Você non sabe como é importante pra mim poder retribuir pelo menos um pouco do que o Milo tem feito por mim até agora.
A idéia de que eu pudesse fazer algo pelo Milo que ninguém além de mim poderia fazer por ele me deixava mais contente do que devia. Era ridículo, eu sabia, mas não conseguia evitar.
Meu amigo me olhou com um misto de compreensão e piedade nos olhos claros, e deixou escapar um suspiro.
–Oh, meu amor, você está mesmo apaixonado por aquele grego, não está?
Eu sorri resignado.
– Receio que sim. – Disse, e então inspirei fundo baixando os olhos antes de continuar:
– Tenho medo, Di. Medo de confiar nele. E, ao mesmo tempo, medo de que ele nunca confie em mim. Medo de ouvir meu coração, que me diz pra esquecer meu orgulho, e acabar implorando que ele retribua meu amor.
– Implorar amor nunca é uma boa idéia – ele replicou dando tapinhas na mão que segurava. – Não fica bem pra pessoa que suplica e a deixa em desvantagem.
– Fala isso por experiência própria? – eu brinquei, levantando os olhos e ensaiando um sorriso.
– Claro! – ele confirmou, às gargalhadas.
Eu ri também, pra depois voltar a ficar sério. Suspirando, recostei a cabeça na estante de livros atrás da cadeira pensativo.
– Veja, Camus – ele chamou minha atenção, fazendo-me olhar pra ele outra vez -, normalmente eu te diria que se você o ama tanto, deveria ir logo atrás dele, mas isso não seria a melhor coisa a fazer. Não em se tratando de você, e não com toda essa história absurda de roubo de tiara e conspirações entre vocês. – Ele fixou os olhos firmemente nos meus – Você precisa de um tempo pra pôr os pensamentos em ordem. Pra assimilar tudo isso. E ele, de um tempo pra organizar a própria vida. Daqui a dois dias será o casamento, faça o que tem que fazer, e quando tudo estiver terminado tenha uma longa conversa com ele. Abra seu coração.
Sim, mais uma vez ele estava certo. Talvez esse fosse o problema, afinal. Eu havia passado tanto tempo procurando me proteger que havia esquecido como era abrir o coração e deixar que outras pessoas se aproximassem.
– E o que faço enquanto isso? – eu perguntei, massageando as têmporas com os dedos. – Parece que vou enlouquecer.
– Se prepare para o seu casamento frustrado – ele riu -. Leia um daqueles livros chatos que você adora. E, claro, almoce comigo. – ele se levantou da cadeira - Vou subir, tomar um banho, me tornar aquela criatura maravilhosa que você está acostumado, e então você pode me levar a um restaurante. Que tal? Aquele que faz o parfait com morangos e trufas de chocolate belga que eu adoro!
Eu assenti sorrindo.
– O que seria de mim sem você?
Realmente, a amizade do Dite a cada vez mais vinha se provando de um valor inestimável. Ele vinha sendo quase como uma espécie de pseudo consciência pra mim ultimamente. Ajudando-me a pensar mais racionalmente, já que aparentemente eu havia perdido toda a capacidade que tinha de fazer isso por mim mesmo. Sem seu apoio eu provavelmente já teria perdido o rumo há tempos
Ele fez um gesto afetado.
– Um ruivo chato, certinho e completamente desorientado, é claro. – falou com enfado, pra depois sorrir completando – Mas sua desorientação sem mim não seria nem a metade da minha sem a sua amizade – E então se inclinou pra depositar um beijo no meu rosto antes de sair.
Eu sorri balançando a cabeça enquanto o observava deixar o escritório.
O Dite sempre achava um jeito de fazer com que eu me sentisse melhor.
oOOoOOo
Saga POV
– Você só pode estar louco se está achando que eu vou transar com você aqui dentro. – eu falei enquanto me sentia ser deliciosamente pressionado entre o corpo do meu gêmeo e a parede da sala vazia pra onde ele havia me arrastado.
Ele apenas sorriu, mordendo meu lábio e chupando minha língua.
Eu ofeguei.
– Isso aqui ainda é uma delegacia, Kanon. Você tem noção de quantas leis estamos infringindo? – eu protestei enquanto ele descia em pequenas mordidas pelo meu queixo e suas mãos encontravam uma brecha sob minha camisa pra alcançar os mamilos sensíveis sob minha roupa.
Foi impossível conter o gemido que me escapou da garganta. Ele gemeu comigo, formando um som único e ao mesmo tempo torturante.
– Depois que acabarmos, prendemos um ao outro.
– Kan, isso é loucura. – Eu ainda consegui dizer quando seus dentes se fecharam com força em meu pescoço, mas acabei desistindo enquanto fisgadas de prazer me atingiam, e coloquei uma mão em volta da sua cabeça pra mantê-la em posição.
– Eu sei. – ele se afastou um pouco pra arrancar seu próprio casaco com força, atirando-o longe.
– Gosto disso. – eu sorri.
– Sabia que você ia gostar. – Ele sorriu também tornando a me agarrar.
Nossas bocas se fundiram antes que eu pudesse pensar em reclamar. Ele me beijava como se pudesse me devorar inteiro. Como se todo o universo estivesse centrado naquele sabor. De algum modo os botões da minha camisa se abriram e os dedos dele acariciavam minha pele nua. Minha cabeça parecia girar tão depressa que não dava pra acompanhar os próprios pensamentos.
– Kanon... – eu arfei - o comandante... a reunião... Não podemos continuar! – Enquanto dizia isso, eu arranhava sua garganta com os dentes.
– Eu sei. Vamos parar. Só mais um pouquinho. – O aroma dele de loção pós barba e sabonete me deixava louco. Ele estava desafivelando meu cinto quando o celular no seu bolso tocou, provocando um grito abafado de nós dois.
– Porra! – ele exclamou - Eu não aguento mais isso! Se eu não transar com você logo acho que vou ter um treco.
– Eu também. – Eu ri, tirando o telefone do bolso dele para atirá-lo sobre uma mesa, antes de voltar a beijá-lo.
– Meu Deus do céu! – A voz do Shiryu explodiu na porta da sala – O que diabos vocês estão fazendo?
Eu empurrei o Kanon com tanta força que ele quase foi ao chão.
– Nada. Nós não estamos fazendo nada. – eu me apressei em dizer com a voz ofegante, para em seguida tossir e piscar duas vezes pra clarear a visão. – Nada mesmo. – repeti.
Comecei a fechar minha blusa rápido, rezando pra que o rubor que sentia queimando meu rosto desaparecesse antes do final da década. Acabei abotoando errado. Praguejei, e tornei a desabotoá-la pra começar tudo de novo.
O telefone continuava tocando.
– Meu Deus! – O rapaz passou as duas mãos pelo rosto e as manteve lá. Então inspirou fundo, soltando o ar – Certo... Vamos fingir que eu não vi o que vi. Não vi nada, nadinha mesmo! Acabei de entrar aqui nesta sala, ok?
Eu assenti. O telefone finalmente havia parado de tocar.
Ele baixou as mãos e nos olhou por um tempo, antes de suspirar outra vez.
– O comandante me mandou encontrá-los. – disse - Procurei vocês por toda parte. É pra vocês se apresentarem na sala de conferência em cinco minutos.
– Obrigado, oficial. Nós logo estaremos lá. – Eu falei tentando parecer firme, enquanto o Kanon se abaixava pra pegar seu casaco do chão e guardava o celular no bolso outra vez. Ele não parecia nem um pouco preocupado.
Shiryu assentiu.
– Eu vou comunicar a oficial June que já os localizei. – disse. E então deixou a sala ainda constrangido.
Eu respirei fundo.
– Coloque a camisa para dentro das calças, Kan. – falei assim que ele saiu.
– Acho que não é uma boa idéia – meu irmão sorriu – Nossos colegas poderiam se perguntar por que será que eu estou com uma ereção monstruosa no meio das pernas.
oOOoOOo
Kanon POV
– Que bom que vocês aceitaram o convite pra vir até aqui – Shion disse em um tom seco quando entramos na sala de conferência. O que provocou uma notável fisgada de culpa no meu irmão.
Shiryu e June já estavam lá. Três quadros haviam sido pregados na parede e o comandante estava ocupado, prendendo no último deles alguns dados impressos sobre o caso.
– Quer que eu o ajude a prender isso? – Saga ofereceu.
– Não precisa, já acabei. – ele falou sem se voltar - Prepare o telão e o retroprojetor. E, June, pegue um café.
– Pode deixar que eu preparo o telão – eu ofereci – E vou querer café também.
Nós trabalhamos em silêncio.
Um silêncio tão profundo, na verdade, que chegava a ser incômodo.
– O que diabos está acontecendo aqui, afinal? – Shion finalmente se voltou, franzindo o cenho, provavelmente notando o clima de constrangimento no ar, mas balançou a cabeça quando Hilda e Julian entraram na sala. – Deixa pra lá...
– Boa tarde, comandante – ela cumprimentou.
– Boa tarde, Hilda, Julian, sentem-se. – ele disse
Julian fez um aceno de cabeça em cumprimento e lançou um olhar malicioso na minha direção, ao notar meu estado meio amarrotado, antes de se sentar. O que causou uma óbvia pontada de irritação no meu irmão.
Ele não ia muito com a cara do Julian desde que descobrira que eu tivera um lance com ele no tempo em que estivemos separados porque Saga se recusava a aceitar o tipo de amor que sentimos um pelo outro. Não que eu não pudesse entendê-lo, é claro. Afinal, almas gêmeas em corpos gêmeos? Era no mínimo uma ironia filha da puta do Criador. Mas havia sido difícil pra mim também lidar com a rejeição dele. No final, foram quase seis meses que eu passara trabalhando sob o comando de Julian na Divisão de Inteligência, e meu irmão ainda se ressentia disso.
– Como estão as buscas, Hilda? – Shion quis saber assim que ela se acomodou.
– Nada ainda. – ela disse - Nós estamos com cinco equipes espalhadas pela cidade. Siegfried está acompanhando as coisas pelo meu computador pessoal. À medida que as equipes vão fazendo seus relatórios, ele vai ajustando a lista. De acordo com as últimas informações, faltam agora cerca de vinte, dos lugares prováveis, pra serem examinados.
– Nós estamos ficando sem tempo... – Meu irmão murmurou, agora sentado ao meu lado na grande mesa da sala. June, Shiryu, e o comandante também já haviam se instalado por ali.
Shion assentiu.
– Amanhã é o dia da troca, do casamento do Sr. Chevalier, e esgota-se o prazo estipulado por Pandora. – ele se voltou pra mim e para o Saga – Como está a situação com o irmão de vocês, rapazes?
– Tudo certo. O Milo está no esquema, capitão – eu falei.
– O casamento está marcado para as 16:00 – Saga explicou -, o Kan estará esperando no nosso apartamento, e o Milo vai correr pra lá assim que conseguir colocar as mãos na peça e sair do salão.
– Ótimo – ele disse.
– A Van de monitoramento e o micro rastreador também já estão prontos – Julian disse, informando a respeito dos progressos da sua divisão. – Não deve levar mais de quinze minutos pra implantarmos o dispositivo na tiara. Depois eu e o Sorento seguimos com a Van pra dar cobertura ao Senhor.
– Deixe o Sorento encarregado da Van – Shion falou – e espere pela tiara no apartamento com Kanon. Depois os três seguem juntos pra fazer a cobertura.
– Sim, senhor. – Julian concordou e se permitiu um olhar malicioso, meio de lado, pra mim outra vez. Eu podia ouvir as mandíbulas do meu irmão estralando. Mas o pior foi que o Julian ainda sorriu pra ele. Bom, não foi exatamente um sorriso, mas chegou perto.
– Saga – o Shion desviou providencialmente sua atenção -, você pode escalar alguns dos seus homens e ajudar a equipe da Hilda para agilizar as buscas.
Ele assentiu.
– O Shiryu vai continuar encarregado da segurança do Milo e do Hyoga – Shion continuou -, e, June, você fica na central e acompanha tudo pelo sistema.
– Acho que eu poderia ser mais útil no trabalho de campo junto com o senhor – ela disse.
Ele balançou a cabeça.
– Preciso de você aqui.
– Sim, senhor – ela concordou a contragosto.
O comandante olhou para mim e para o Saga outra vez.
– E quanto ao Zelos? O que vocês conseguiram?
– Eu andei fuçando por aí – eu falei – e acabamos descobrindo o envolvimento dele em um assassinato em Utah. Com isso conseguimos revogar o pedido de Hábeas Corpus.
– Pelo que soubemos a polícia de lá andava atrás dele há meses – Saga falou – Parece que ele e um outro sujeito deram cabo de um cara à pancadas antes de atirá-lo no rio. O corpo foi pescado das águas praticamente irreconhecível.
– Uau! – June se manifestou.
– Agora, ouve essa: - eu falei – O presunto era um ex militar, um desertor russo especialista no desenvolvimento de armas de destruição em massa e explosivos, que migrou clandestinamente para os EUA com o fim da Guerra Fria. Um velhote com mania de perseguição que dizem ter perdido um parafuso depois da morte do irmão por uma bala perdida em um confronto armado com a polícia.
– Nós fizemos uma visitinha pro infeliz – meu irmão continuou -. A casa do cara parecia um cofre forte. Não achamos nada de interessante por ali, mas o Kan fez umas averiguações no computador do sujeito, o disco rígido estava inteiro criptografado.
– Com um pouco de incentivo – eu sorri, dando uma idéia do quanto aquele incentivo tinha custado aos cofres públicos -, conseguimos uma permissão especial pra trazer o disco pra cá e o levamos até a Divisão de Inteligência.
– Sim. – Julian concordou. – Acabei de decifrá-lo, na verdade. – Ele disse, e permitiu a si mesmo um sorriso convencido enquanto segurava o disco orgulhoso e lançava outro olhar comprido na minha direção.
Saga o fuzilou com os olhos.
– E por que diabos você não avisou isso logo que chegou? – ele reclamou, indo até onde Julian estava e arrancando o disco de sua mão.
Insultado Julian abriu a boca, mas tornou a fechá-la com força ao perceber, com o canto dos olhos, o olhar severo do comandante.
Eu sufoquei o riso, enquanto June tentava sem sucesso transformar uma gargalhada em espirro.
– Tinha acabado de decifrá-lo quando fui chamado – ele disse com firmeza. – Ainda não tive tempo de ler todo conteúdo dos arquivos – continuou, enquanto Saga entregava o disco ao comandante que o colocava pra rodar. – Uma rápida olhada, porém, mostrou que ele especificou todos os materiais que utilizou, todos os dispositivos que construiu, e pode crer que há bastante deles pra riscar do mapa um país do Terceiro Mundo...
Ele fez uma pausa e se colocou, deliberadamente, do outro lado da mesa, ao notar meu irmão se aproximar do monitor. Saga estava com aquele olhar assassino que só ele sabe fazer.
Normalmente eu costumava ser o ciumento da relação, mas aquilo estava absolutamente hilário. Eu quase ri outra vez.
– ...Ou uma grande cidade – Julian completou em seguida.
– Quase cinco quilos do explosivo que ele batizou como PETN2 – Shion leu – Cujo poder de destruição nós já tivemos a chance de conhecer.
– Menos de trinta gramas já seriam suficientes para arrasar meio andar da central de polícia – Hilda falou. Quando ela se aproximou do telão, Julian deu mais um passo para o lado a fim de se afastar ainda mais de Saga.
– Temporizadores, controles remotos, ativação de dispositivos por voz, movimento e impacto. – Eu senti um friozinho na barriga. – Eles não esqueceram de nada. Possuem um monte de sensores, material de segurança e brinquedinhos pra vigilância. O sujeito montou um tremendo arsenal para os caras.
– E eles o remuneraram regiamente por isso – Shion murmurou. – Aqui estão registrados todos os custos, os honorários e os lucros obtidos em cada encomenda, tudo listado direitinho ao lado de cada um dos aparelhos fabricados.
– O cara era um incrível homem de negócios... – Os olhos do meu irmão se estreitaram. – Cinquenta unidades de AK-47?
– Armas de uso militar – June disse.
– Para que eles precisariam de tantas armas? – Shiryu, que vinha se mantendo quieto até então, especulou.
– Quando você começa uma guerra - Shion se afastou da mesa e bufou com força -, arma suas tropas.
Eu bufei também.
– Temos a descrição dos dispositivos que o russo fabricou e o número total deles – Saga disse -. Não sabemos, no entanto, se ele era o único fornecedor do grupo. Por essa lista aqui podemos calcular que ele recebeu mais de cinco milhões de dólares, em espécie, durante um período dois anos. Imagino que tenham recolhido todo o dinheiro quando o apagaram.
– Ele sabia que planejavam eliminá-lo – informou Julian, dando uma olhada rápida no arquivo. – Vá para a página 17 – ele pediu ao comandante -. Tem uma espécie de diário lá.
Shion fez o que lhe fora sugerido e jogou o arquivo no retroprojetor. Logo o texto aparecia no telão:
"É tudo culpa minha, unicamente minha. Quando nos concentramos no dinheiro, não enxergamos o resto. Os canalhas me envolveram, e me evolveram por completo.
Isso aqui não se trata de um ataque a banco. Dá pra explodir a Casa da Moeda inteira com o material que eu disponibilizei pra eles. Talvez seja questão de grana, talvez não. De qualquer modo estou pouco ligando.
Pelo menos estava pouco ligando até começar a raciocinar. Até começar a lembrar. É sempre melhor não lembrar.
Só que estou pensando nisso agora. Imagino que o que está sendo planejado seja um outro 11 de Setembro.
Os dois imbecis com quem estou tratando acham que eu sou velho, ganancioso e burro. Só que eles se enganam. Ainda tenho massa cinzenta suficiente pra perceber que não são eles que estão orquestrando a operação. Não são mesmo! Força bruta é tudo o que eles representam. Músculos mecanizados sem visão. Assim que percebi que havia algo por trás de tudo, adicionei um pequeno bônus em um dos transmissores. A partir daí, tudo que precisei fazer foi me sentar, aguardar e ouvir.
Agora sei quem são e o que pretendem. Canalhas!
Eles vão ter que me liquidar. É a única maneira de se garantirem. Qualquer dia desses, um dos safados vai entrar aqui e cortar minha garganta.
Preciso desaparecer. Já forneci material suficiente e eles podem me dispensar na primeira oportunidade. Preciso recolher o que conseguir e desaparecer de verdade, ir pra bem longe. Eles não conseguirão entrar na minha casa, pelo menos por ora, e vão demorar algum tempo também pra conseguir acessar esses dados. Esse arquivo é minha cópia de segurança. As provas e o dinheiro vão comigo.
Por Deus, estou apavorado!
Forneci a eles material suficiente pra mandar uma cidade inteira para o inferno e eles vão utilizá-lo. Logo.
Por revolta. Por poder. Por vingança. E também, que Deus nos ajude, por pura diversão.
É um jogo, nada mais que isso. Um jogo disputado em nome dos mortos.
Tenho que desaparecer. Tenho que cair fora. Preciso de tempo pra pensar, pra entender as coisas. Minha nossa, talvez eu seja obrigado a procurar a polícia. Os velhos tiras canalhas.
Mas, antes disso, vou desaparecer. Se vierem atrás de mim, carrego os dois fantoches que vierem me pegar junto comigo."
– É isso aí... – Eu cerrei os punhos com raiva. – Isso é tudo. Ele tinha nomes, tinha dados. Por que o velho teimoso não guardou todas as informações em seu computador?
– Em vez disso – Saga falou -, o idiota levou tudo com ele, tudo que conseguira contra eles. E quando o liquidaram, pegaram tudo.
oOOoOOo
Saga POV
– Eu achei que você fosse matar o Julian lá dentro – meu irmão falou no elevador do nosso prédio a caminho do apartamento ao final do turno.
O resto da reunião havia sido dedicado a análises técnicas: dados sobre eletrônica, gatilhos, temporizadores, controles remotos, e outros materiais que poderiam ser utilizados por Pandora, bem como fatores de detonação e alcance do impacto.
– E você adorou a situação, não foi? – eu falei sarcástico.
– Ah, eu sou um safado – ele disse, dando um passo a frente e acariciando meu rosto com a ponta dos dedos. - Você ficou com ciúme?
– Se eu ficasse verde de ciúme de todas as pessoas com as quais você transou enquanto nós estivemos separados, e mais verde ainda pelas que gostariam de repetir a dose, e ainda querem, iria passar cada minuto da minha vida parecendo a Floresta Amazônica.
Eu fiz menção de dar meia volta, irritado, e tentei afastar a mão dele quando ele me segurou pelo braço.
– Tira a mão! – eu reclamei quando ele se recusou a me soltar
– Não. Não tiro. – Pra reafirmar isso, ele segurou meu outro braço também e me puxou com firmeza na sua direção. Um ar bem humorado estava estampado em seu rosto, e também, droga, uma ternura contra a qual eu não tinha defesa. Nunca tivera. – Eu amo você.
Eu suspirei.
– É, tá legal.
Ele riu, inclinou a cabeça pra baixo e mordiscou meu lábio inferior com carinho.
– Vem cá, vem. – ele disse aproximando mais meu corpo do seu enquanto me envolvia em um abraço.
– Sabe qual é o seu problema, Kan? – eu perguntei, me deixando abraçar.
– Não. – ele falou acariciando meu pescoço com o nariz - Por que você não me conta?
– Você é um orgasmo ambulante. – Eu tive o prazer de vê-lo parar o que fazia, arregalando os olhos.
Então riu com gosto.
– Somos, maninho, somos – disse, e antes que eu tivesse tempo pra pensar no que acontecia, senti meu corpo sendo pressionado contra a parede do elevador.
Eu notei o brilho de humor e desejo em seus olhos segundos antes de sua boca se fechar com força sobre a minha quase me fazendo engasgar.
Eu nunca sabia ao certo o que ele planejava fazer comigo. Aquelas ondas selvagens de prazer, o brilho lento e excitante delas... Eu me projetei pra frente, colando mais meu corpo de encontro ao dele, e me deixei abandonar, esquecendo tudo, a não ser o jeito maravilhoso com que os dentes dele mordiscavam meus lábios, enquanto sua língua trabalhava de encontro a minha.
Minha pulsação acelerou de forma rápida, e, de repente, nós nos puxávamos e empurrávamos, mordíamos e apalpávamos, arranhando-nos mutuamente. E tudo isso sem sair do lugar. Na verdade, eu desconfiava de que não conseguiria me mover dali nem que alguém encostasse uma arma na minha cabeça.
Mas me movi.
Eu não fazia idéia de como havia conseguido sair do elevador do prédio e chegar ao apartamento, mas era lá que eu estava. Eu só percebi isso porque senti contra as minhas costas o frio do metal da parede do elevador ser substituído pela superfície térmica da madeira da porta de entrada do apartamento.
E então fui eu que o puxei para o carpete espesso e macio da sala, puxando mais uma vez sua boca e forçando-a a mergulhar novamente na minha, pedindo:
– Dentro de mim! – eu puxei a camisa dele fora, atirando-a longe, querendo sentir a carne rígida e musculosa sob minhas mãos. Ele já havia se livrado da minha há tempos, embora eu não soubesse dizer exatamente quando isso aconteceu – Hoje eu quero você dentro de mim.
– Como você quiser – ele riu, e então voltou a me beijar. Sua boca descendo em uma trilha quente ao longo do meu pescoço, ombros, parando sobre os mamilos, seguindo rumo a barriga, brincando com o umbigo.
Eu não tinha como resistir ao que ele me proporcionava. A cada vez eu me sentia indefeso, atônito. E grato. Enterrei o dedos nos cabelos dele, enroscando-os, enredando-os naquela macia rede de seda dourada, ao mesmo tempo que as fortes fisgadas de desejo em minha barriga acompanhavam a fome insaciável da boca dele, que continuava passeando sobre mim.
Eu senti minha pele umedecer e esquentar, ficando escorregadia quando ele deslizou ainda mais pra baixo, descendo minhas calças e tentando alcançar o órgão desperto e dolorido entre as minhas coxas. Sua língua se movendo com destreza ali, me fazendo gemer. Meus quadris se arquearam em direção a ele, enquanto ele os apertava, levantando-os e os abrindo pra ele. E quando seus dedos escorregaram lentamente pelo meu ponto mais quente, invadindo-me, eu senti os primeiros tremores do orgasmo ameaçando querer me rasgar por dentro.
–Mais! – eu pedi.
Ganancioso, ele agora me devorava, sugando com força, enquanto seus dedos ávidos trabalhavam habilidosos dentro de mim.
Eu me deixava levar por ele como jamais poderia fazer com mais ninguém, e ele sabia disso. Eu me deixava perder no que nós dois fazíamos juntos.
Então, quando eu já estava tremendo todo, prestes a sucumbir sobre o carpete, ele se livrou das próprias calças e levantou meu corpo um pouco mais, colocando-se em posição, prestes a se deixar escorregar pra dentro de mim.
– Quero você. – A respiração dele estava ofegante no instante em que me agarrou pelos quadris. – A toda hora. Sempre. Meu. – Ele colocou a boca novamente sobre a minha antes de me penetrar com força.
Meus olhos se arregalaram quando fisgadas deliciosas de dor e prazer atravessaram todas as minhas fibras, meu coração entrando em compasso com o dele.
Eu via seus olhos brilhando ardentes e selvagens. E isso era tudo o que eu conseguia ver. Era excessiva a necessidade desesperada e infinita que eu tinha dele. No entanto, por algum motivo, ela nunca parecia saciar.
– Mais! – Eu tornei a insistir, enganchando as pernas em volta da sua cintura pra trazê-lo ainda mais fundo. Vi o fulgor em seus olhos, a profunda e escura necessidade que morava dentro dele, e, trazendo sua boca de encontro à minha outra vez, mordendo aqueles lábios maravilhosamente esculpidos que ele tinha, eu me remexi por baixo dele.
Ele prendeu meus cabelos com as mãos, a respiração cada vez mais acelerada enquanto continuava como um aríete, bombeando-me com toda força, cada vez mais rápido, mais depressa, mais fundo, até eu sentir que meu coração poderia explodir com a ferocidade do ato.
Eu o acompanhava a cada estocada, recebendo cada investida, até que minhas unhas começaram a se enterrar nas costas dele, em seus ombros, nos quadris... Enquanto ele continuava a me golpear por dentro, engolindo meus gemidos e suspiros, parecendo estremecer de prazer com o ruído de carne molhada se esfregando contra sua pele.
Eu me sentia perigosamente perto do fim. O corpo tensionado por completo em agonia, tremulando convulso, para então contrair-se e reavivar-se em direção a uma abissal explosão de prazer.
Ele gritou comigo pela violenta contração dos meus músculos em volta de seu membro, de forma gloriosa. E, enquanto aquele gemido longo e gutural escorria de nossos lábios, ele esfregou o rosto nos meus cabelos e, com um golpe final, se deixou esvaziar também, antes de desabar sobre mim.
Eu estava mole, como se tivesse me liquefeito embaixo dele. Os ouvidos zunindo, enquanto luzes pareciam dançar no fundo dos meus olhos. Por ora, por alguns minutos, as pressões do trabalho pareciam estar a anos luz de distância. Ele conseguia fazer aquilo comigo, eu pensei. Conseguia abrir pequenos bolsões de paz em nossas vidas.
Eu sentia a respiração pesada dele contra a minha garganta enquanto meu coração martelava forte de encontro ao seu. Eu adorava vê-lo assim relaxado, largado ao prazer dos sentidos. Da mesma forma que amava vê-lo reavivado, com o pensamento agitado, e o corpo pronto pra ação.
– Ainda não acabei com você – ele avisou depois de um tempo com a voz arrastada enquanto acariciava meu pescoço com o nariz.
Eu sorri.
– Ótimo – disse -, porque eu também não.
– Mais umas duas vezes – ele levantou um pouco a cabeça, sorrindo de volta – e talvez eu consiga me livrar um pouco desse tesão.
– Mais umas duas vezes e cairemos mortos – eu ri.
– Eu topo - ele disse começando a mordiscar meu queixo outra vez -. Vamos?
– Lembre-se que nós ainda estamos... – '...de prontidão até a crise acabar', eu ia dizer, mas suas mãos já passeavam sobre mim, mais devagar dessa vez, apenas deslizando ao longo do meu abdómen.
Eu senti uma necessidade urgente de beijá-lo novamente. Seria um beijo longo e elaborado. No entanto, quando levantei a cabeça me preparando pra girar o corpo, invertendo as posições, meu celular tocou.
– Merda! – meu irmão praguejou – É o seu, ou o meu?
De repente, nós éramos tiras outra vez.
– Acho que é o meu - eu falei tateando pela sala em busca das minhas calças pra tirá-lo do bolso. Eu tirei o cabelo da frente do rosto e apertei o botão de viva voz ao ler o nome do comandante no visor.
– Saga, falando. – Eu atendi.
Imediatamente a voz grave do Shion encheu a sala.
– O alvo foi localizado – ele disse – É o Richard Rodgers Theater.
Olá a todos, mais um ch pra vcs ^^.
Sim, eu sei que demorou um pouquinho dessa vez. Mas, fazer o que? Eu juro que quero sossego, mas os problemas me adoram u.u... XD E eu também perdi um certo tempinho pra decidir como iria tratar algumas coisas nesse ch. A reação do Camus, por exemplo.
Eu sei que todo mundo meio que estava esperando que ele fosse ter um surto e saísse chutando tudo, mas esse não seria o Camus, seria? XD Além disso, eu meio que já percebi que quando a gente tem um problema qualquer que a gente acha que é sério(quando aparece uma barata em casa, no meu cos, por ex - zueira XD) a gente surta, mas quando uma coisa realmente grave e inesperada acontece, muitas vezes a gente meio que congela e não reage adequadamente. Quando se perde uma pessoa querida, por ex, tem gente que ri, eu só conseguia pensar que ia ter que faltar no Juri simulado da faculdade (ridículo). Mas não é frieza, nem crueldade ou monstruosidade como o Camus diz, é só entorpecimento mesmo, tipo um mecanismo de defesa , sabe. Então eu resolvi usar isso no POV do ruivinho ^^.
Outra coisa é que eu fiquei super em dúvida de como descrever a cena, sei que todo mundo queria muito ter visto a conversa do Camus com os gêmeos, mas sinceramente, gente, ia ficar meio tedioso, acreditem. Pq as informações passadas seriam as mesmas e a reação do ruivinho foi meio que de negação e entorpecimento, como eu disse, então ia acabar ficando sem graça e repetitivo. Por isso optei por fazer dessa forma, sabe, mandando o tempo pra frente, e colocando outras cenas mais interessantes ^^. Tá, eu sei que a cena com a Saori não foi exatamente interessante e vcs deves estar querendo me matar por aquele beijo forçado, mas tivemos também a volta da nossa diva, gente, o/... XDD
E, sim, eu sei o que vocês estão se perguntando do Milo, ele deu uma sumida nos últimos ch mesmo u.u, mas calma que ch que vem eu prometo que compenso isso e vcs terão muito do greguinho pra se divertir XD.
Em compensação, para os fãs dos gêmeos foi um momento de gritos, não? XD Meu Deus como vcs me atormentaram com esse lemon u.u (brincadeira, gente, vcs sabem que eu adoro ser atormentada por vcs XD)! Mas enfim aí está ele. E quero reviews sobre isso, viu, minhas taradas de plantão?! XDD E Saga com ciúmes, por que às vezes é bom variar um pouco XD
E, bem, no todo, tirando as descobertas e decisões do Camie e algumas informações no POV dos gêmeos, esse foi um ch mais de passagem, mas eu espero que dê pra vcs se divertir. Ch que vem, se tudo der certo, espero já poder descrever o dito casamento que todos querem ver, e que eu tb estou louca pra escrever XD
Enfim, acho que já falei demais, então muito obrigada mais uma vez a todos que acompanham e em especial aos que sentem peninha de mim e me deixam reviews pra me incentivar a escrever esses chs giganteeeescos: Little Litt, Eduarda, Vengeresse Lolita, Dark. ookami, Persefone-San, 0smo0, Ivy Visinho 2, Kamy Jaganshi, Y Taishou, e Becky Gemini; muito, muito, muito obrigada mesmo, pessoal, por todo carinho e consideração. ^^
Bjos
PS1: Estou respondendo as reviews aos pouquinhos pra não atrasar a postagem que já está bem atrasadinha, tá? Mas amei cada um dos comentários e responderei todos eles, prometo ^^
PS2: Respondendo as reviews de quem não tem conta, ou que por um motivo ou outro eu não consigo responder por PM:
Eduarda:
Sim, foi rápido mesmo, pena que eu não consegui manter o ritmo u.u. E, meu Deus! Claro que ele continua apaixonado pelo Milo. Como não continuar? XD E claro que eles vão ficar juntos também, eu sou má mas nem tanto XDD.
Huahuahua, impossível resistir ao Camus MESMO XD, mas como eu ando dizendo pra todo mundo, temos que ir com calma nessa história da paixão da Saori. Afinal, quando o Seiya diz que ela está apaixonada pelo Camus, e acredito que ele a essa altura também pense assim, é um 'apaixonada' nos padrões Saori de amar, ou seja, ela ama o Camus como mais um artigo de luxo em sua coleção, como ela ama sua bolsa de marca favorita, na verdade, ela ama muito mais o que ela é ao lado dele (o status que ser a noiva, mulher dele lhe proporciona) do que ele em si. Mas como ela é incapaz de amar alguém além de si mesma, ela acredita que isso seja amor, como o Seiya também acredita, já que foi isso que ele sempre recebeu dela, com o nome de amor.
Sim, sim, entendo que tem sido traumatizante mesmo todos essa acontecimentos, o Oga, o Dite, mas vou ser má e não te direi nada, você vai ter que descobrir XD... mas gostei do raciocínio ^^ E, falando em Dite, aí está ele outra vez pra você matar a saudade ^^.
Huahuahauuhua, verdade June, não é pq você é uma encalhada que tem que estraga a felicidade daqueles meninos, e da mulherada toda aqui hauhauahu... mas, sério, eu ia colocar a June de novo interrompendo a primeira cena lemon nesse ch também, daí fiquei com peninha, achei que vcs iam matar a pobre e resolvi aliviar pra coitada metendo o Shiryu no lugar XDD.
Sim, sim, Oguinha está bem agora, na colônia de férias com os cunhados gostosões XDD. E, realmente, não deixe a oficial June aflita, Oga, ou ela interrompe momentos importantes e NOS deixa aflitas XDD
Huahauhauau, pois é, é o que eu sempre digo, desde o primeiro ch, no fim, tudo aconteceu por causa da Saori. Morra de arrependimento, vaca! Òó... XD Perdeu um príncipe ruivo francês lindo de morrer... já era XDD
Mas enfim, muito, muito obrigada por mais essa review, estou super feliz que esteja gostando tanto, brigadão pelo elogios, e espero que tenha se divertido com mais esse ch também ^^. Bjos
0smo0:
Hauhuahauhua, sim finalmente vão explicar as coisas ao principal interessado. Cara, me deu pena do Camus agora XD. Verdade, pega todo mundo e some, Camie... huahuahua.. Seria bom, mas até parece que aquela criaturinha ruiva certinha, e toda cônscia dos seus deveres ia fazer isso u.u.
Enfim, muito obrigada por mais essa review, pelo incentivo e até a próxima ^^ Bjos
Ivy Visinho 2:
Sim, finalmente o Camus soube de tudo ^^. E seria bem mais fácil mesmo se o Milo tivesse contado, até porque acabaria com essa coisa do Camus de 'ele não confia em mim', mas até aparece que o Milo ia mesmo concordar em não só envolver o Camus naquela história (coisa que o grego tava morrendo pra não fazer), como utilizá-lo no plano, pedindo ainda que ele volte a ter um relacionamento amoroso com a Saori pra isso. Não mesmo u.u... XD
Huahahau... Hyoga é doidinho mesmo, mas foi pelo bem do irmão XD
E boa teoria, gostei, mas não vou das spoiler afirmando nem negando nada, você vai ter que esperar pra saber XD. Mas adorei de verdade ^^.
Enfim, muito obrigada por mais essa review, espero que tenha curtido esse ch também ^^. Bjos
PS3: Créditos devidos, os mesmo do ch anterior.
