Capítulo XX

Hayden permanecia na sala comum muito calada e a escrever no bloco de notas um rascunho da composição de Poções. Tinha a sensação de alguma coisa se andar a passar com Zac, mas este não lhe dizia nada. O comportamento dele durante o primeiro mês do ano era muito estranho e muito sombrio. Era claro que todos estavam sobre pressão por causa dos exames finais que se aproximavam a passos largos, mas não era isso e ela sabia.

Pousou a pena e levantou os olhos do papel para olhar em volta. Harry estava sentado no sofá a ler um livro enquanto Ginny tinha a cabeça deitada no seu colo e aparentava estar a dormir enquanto Harry lhe mexia no cabelo devagarinho. Ron e Hermione estavam a jogar xadrez feiticeiro e pareciam concentrados naquilo que faziam, talvez um sorriso ou outro uma palavra ou um gesto…Hayden suspirou e ninguém notou quando ela saiu pelo quadro da Dama Gorda.

Não sabia onde é que os seus pés a levavam exactamente, sabia que apenas ficou a andar por um bom bocado até parar na frente da gárgula que dava entrada para o escritório de Dumbledore. Franziu o sobrolho e olhou para trás…andou imenso e nem deu por isso. Devia aproveitar aquela oportunidade de falar com o Professor sobre todo o que se passava em volta dela. Tinha dúvidas sobre duvidas, pensamentos escondidos e medos encolhidos. Sabia que a única pessoa que lhe podia responder era Dumbledore visto que M.J. não abria a boca para nada a não ser naquela noite…mas mesmo assim não lhe tinha dito grande coisa e Harry mantinha-se na sua concha e só partilhava aquilo que sabia com Ron e Hermione.

- Agora saber a password é que não sei. – resmungou para si própria. – Bem, vale a pena tentar. Tarte de Limão.

A gárgula começou a rodar até dar entrada para as escadas.

- É a password mestra desta gárgula. Tenho de agradecer ao Sirius. – sorriu para si enquanto subia as escadas em caracol.

Ia a entrar no escritório quando ouviu duas vozes e o seu coração saltou quando ouviu a de Zac, sentou-se no degrau, desconfiada com aquilo que o namorado tinha para falar a tais horas da noite com o Professor Dumbledore.

- Zachary, o problema aqui é a tua vida e a vida de quem amas. O Tom não te vai aturar para sempre nem essa tua língua afiada. – falou calmamente Dumbledore

- Eu apenas não tenho medo dele. Ele não me pode magoar, sabe que isso apenas o vai prejudicar. – respondeu Zac

- Lord Voldemort deixa passar mas nunca esquece. No momento oportuno ele livra-se de ti.

- "Voldemort? Tom? O que é que o Zac tem a haver com Tom Riddle?" – pensou angustiada Hayden

- Professor o que me preocupa aqui é as mentiras que eu tenho de dizer á Hayden… - disse Zac desesperado

- "Eu sabia!" – a mente de Hayden disparou quando Zac falou

- Terás de fazer isso até á altura certa. A menina Bulstrode não pode ser colocada no meio deste conflito. É demasiado especial.

- "Oh Professor, cale a boca! E é bom que eu descubra que é que aquele menino tem a haver com o Tom!"

- Mas o Harry desconfia.

- Ele sempre desconfiou. Ninguém passa indiferente ao Harry e tu nãos és excepção.

- Ele já quase me apanhou a jeito. Ele era um bom amigo, mas o Tom veio destruir a minha vida. Ainda por cima agora vou ter uma irmã, as coisas vão piorar para o meu lado. Já é outra pessoa que o Tom pode usar contra mim. Como se já não tivesse suficiente.

- Lembra-te da tua missão como espião…não podes demonstrar nenhuma fraqueza para com Voldemort, porque ele vai-se aproveitar disso.

- "ESPIÃO?!"

- Professor, tornar-me Devorador da Morte foi a pior coisa que já me aconteceu e é com isto que tenho de viver até ao fim de Voldemort.

O rosto de Hayden endurece. Os olhos ficam baços e parecia que a própria garganta se ia fechar. Zac era um Devorador da Morte. Ele estava a usá-la. Levantou-se e empurrou a porta com força obrigando Zac a virar-se repentinamente.

- Hayden…há quanto tempo estás aí? – perguntou assustado Zac

- Há tempo suficiente para perceber que és um traidor. Um traidor que se juntou á pessoa que assassinou os meus Pais, que me deixou, a mim á minha irmã e ao meu primo órfãos, para perceber que não passas de uma pessoa fria e cruel. Um hipócrita que usa as pessoas para próprio proveito.

- Hayden por favor tens de me ouvir. – disse Zac tentando alcançá-la desesperado

- És um devorador Zac. Um devorador. – gritou Hayden empurrando Zac para a cadeira. – Eu pensava que eras a única pessoa em quem eu podia confiar, depois de tudo o que aconteceu com a minha irmã, eu só te tinha a ti.

- Menina Bulstrode, por favor acalme-se. – disse Dumbledore levantando-se do seu cadeirão

- O professor ainda o ouve? Ainda lhe dá apoio seja lá para aquilo que for? Ele é um traidor, tal como Peter Pettigrew foi. Traiu os amigos por poder.

- Não é nada disso Hayden. Eu nunca era capaz de trair os meus amigos por…por poder.

- Ai não? Então seres devorador é uma coisa normalíssima que todos os teus amigos sabem mas que eu era a única ignorante que não o sabia?

- Fogo Hayden não dificultes as coisas, estás a entender tudo mal. – disse Zac desesperado por chamar Hayden á razão – E achas que se algum dos meus amigos soubesse eu ainda estaria aqui?

- Zac, esquece. Nem tentes. Aqui a verdade é que tu és um hipócrita nojento que só sabe mentir a quem o ajudou e a quem sempre esteve do lado dele. Uniste-te ao Voldemort então bom proveito porque tu a mim nunca mais me vais tocar ou sequer falar. Porque eu aviso-te…se te aproximares de mim não tenho medo de usar uma maldição imperdoável contigo.

Hayden não deixou nenhum dos dois falar e fugiu do gabinete lavada em lágrimas.

- Professor, o que é que eu vou fazer agora? – perguntou Zac

- O melhor que tens a fazer é dar-lhe tempo para entender as coisas como elas realmente são.

- Entender como, se ela nem me deixou explicar-lhe a verdade. Não tarda o Harry e a M.J. ficam aí a postos para me tirarem a vida. E ninguém os vai parar. Protegem-na demasiado mas isso o Professor já sabe.

- Sim, eles não vão deixar passar isto em branco. Tens de te preparar para o que der e vier, a protecção que eu te posso dar, é só aqui dentro de Hogwarts, em BH vais precisar de outra protecção.

Zac de repente ficou branco papel. M.J. ultimamente passava demasiado tempo em Basilisk Hall… e ele sabia que ela trazia sempre informações para a Ordem, no entanto ele sabia que ela também estava a ajudar algumas pessoas em BH a não irem para Azkaban quando a altura chegasse, se chegasse. Agarrou-se ao pulso e sentou-se.

- Eu não aguento mais Professor. – disse enquanto começava a suar frio

- Ele chama-te e tu deves obedecer-lhe. O fim está próximo e em breve saberemos quem vence.

- Mas Professor…

- Tenta inventar uma desculpa plausível que faça o Tom acreditar, que a Hayden descobriu por acidente.

-

Hayden entrou disparada na sala comum, felizmente já todos se tinham ido deitar. Subiu para o seu quarto e bateu a porta com imensa força só para ouvir alguém cair. Quando se virou para a sua cama, M.J. tinha estado lá deitada e estava agora a levantar-se do chão.

- O que é que tu queres daqui? – perguntou furiosa

- Vinha falar contigo mas escusas de me falar com esse humor de cão. – respondeu M.J.

- Vinhas falar comigo? Ai sim? Talvez me possas contar o que é que a Ordem tem andado a fazer ou o que anda a preparar.

- Ouve, não te posso contar. Não és da Ordem e isto…bem…é melhor não saberes nem te envolveres, o que já te contei é suficiente.

- NÃO ME ENVOLVER? MAIS ENVOLVIDA DO QUE EU JÁ ESTOU?

- Hayden eu não sei o que se passou contigo, mas escusas de gritar comigo porque eu não tenho culpa do que quer que se tenha passado.

- Não tens culpa? Desculpa? Se eu estou neste modo é porque estou rodeado de mentirosos que tentam proteger-me, mas eu NÃO quero ser protegida e estou farta de dizer estas mesma palavras, mas eu aqui não tenho voto na matéria pois não? Tenho de obedecer á minha irmã mais velha. Quer situação tão conveniente. Pois fica a saber M.J., não és a única com habilidades especiais, percebes-te?

- Hayden pára de gritar, pareces louca.

- Ai agora a louca sou eu? Vais-me responder a uma pergunta, em Basilisk Hall, conheces todos os Devoradores?

- Pode-se dizer que sim.

- E custava-te muito dizeres-me que o Zac era um devorador da morte?

- ELE É O QUÊ? DO QUE É QUE ESTÁS A FALAR?

- O Zac, ele é um devorador da morte e pelos vistos andava a usar-me às ordens do teu queridíssimo amigo, se é que é só amigo, Tom para poder chegar até ti.

- Hayden eu não faço ideia do que é que tu estás a falar. Eu nunca vi o Zac em BH.

- Pois ele já la esteve. Ele é um devorador há mais de um ano.

- Bem que o Harry depois de uma das reuniões da Ordem me tinha falado das suspeitas que tinha sobre o Zac, mas eu nunca lhe dei ouvidos, o Zac parecia tão…boa pessoa.

- É UM TRAIDOR! É ISSO QUE ELE É.

- Hayden acalma-te! – disse M.J. abraçando-a com força

- Eu amava-o Mary Jane, a sério que amava. Mas agora so sinto ódio, ódio por ele. Ele usou-me, ele disse que me amava mas afinal ele estava a mentir. Ele, ele esteve comigo. Foi com ele que eu perdi a minha virgindade e agora, tudo o que passamos juntos…para ele…para ele não foi mais que um jogo, que uma diversão.

- Hayden não fiques…

- Sai daqui Mary Jane, SAI! Eu não quero ver ninguém. – disse Hayden libertando-se dos braços da irmã

- Mas eu sou tua irmã.

- Vai-te embora! – sussurrou, a voz sendo abafada pelas lágrimas virando-lhe costas

M.J. saiu a contragosto do quarto, fechando a porta devagar, afinal a irmã poderia ter gritado e quase lhe batido mas a culpa era DELE não dela. Hayden merecia paz, mas uma coisa M.J. podia garantir, que o Inferno iria agora chegar á vida de Zachary David McKenzie.

-

Em Basilisk Hall, no escritório de Tom, este estava sentado na sua secretária, descontraidamente, enquanto um nervoso e sombrio Zac permanecia na frente dele.

- Então a irmã da Mary já descobriu o verdadeiro namorado? Interessante.

- Não foi interessante…foi humilhante, por tua culpa.

- Não me culpes dos teus erros rapaz. Lá por seres um imbecil que não tem cabeça para pensar e esconder as coisas da namorada, a culpa não é minha. Não sou teu Pai para te educar.

- Graças a Merlim. – resmungou Zac

- Não te atrevas a responder McKenzie! – disse Tom - Agora diz-me o qu…

Tom não teve a oportunidade de acabar de falar porque um raio de luz amarelo-torrado atingiu Zac no braço o que o faz ir para ao outro lado da sala. Quando Tom se virou para a porta só viu uma cabeleira ruiva a saltar nos seus olhos e quando deu por isso, Mary Jane tinha a varinha apontada a Zac, as expressões duras e irreversíveis e o uniforme estava enrodilhado.

- Vais morrer por aquilo que fizeste á minha irmã Zac, vais-te arrepender muito mesmo. – disse M.J. friamente ignorando Tom

Bellatrix e Draco entraram a correr em seguida, Draco tinha também o uniforme vestido.

- M.J. não faças isso! Ele não merece. – disse Draco caminhando para ela e agarrando-a por um braço – Vamos embora!

- Deixem-me! – gritou para os dois que já a perseguiam desde que ela tinha entrado em BH, fazendo com que Draco fosse lançado contra a porta e Bella contra a parede

- Posso saber a razão da invasão no meu gabinete? – perguntou Tom friamente, tentando que as atenções de M.J. fossem viradas contra ele, pois ele tinha mais possibilidades de conseguir desarma-la do que Zac, Draco ou mesmo Bella

- Está calado Tom, porque tu vens a seguir. – gritou M.J. apontando-lhe a varinha

Pela primeira vez, Bellatrix e Draco virão Tom recuar perante uma varinha que soltava faíscas vermelhas. Apontou novamente a varinha a Zac.

- ALARTE ASCENDARE!

Zac elevou-se no ar e caiu em cima da secretária.

- BOMBARDA!

Zac rebolou antes que a secretária explodisse debaixo do corpo dele.

- EVERTE STATUM! – gritou novamente, ofegante de tanto gritar – Tu, nunca te devias ter aproximado da Hayden. Nunca, e se tentares alguma coisa com ela novamente eu juro-te que se não te matar agora, mato-te depois.

- Pára M.J.! – disse Zac. – O que aconteceu foi que eu me aproximei da Hayden primeiro sim, por interesse mas depois…

Quando M.J. ouviu o que o Zac disse, o sangue subiu-lhe á cabeça e nem o deixou acabar…

- És o maior filho de uma cabra que eu já conheci…SECTUMSEMPRA!

- M.J. PÁRA!! – disse Tom exaltado mas vendo que já não conseguiria impedir o feitiço dela – EXPELLIARMOS! Bellatrix, leva daqui a M.J., Draco ajuda-me a recompor o Zac, IMEDIATAMENTE!

Bellatrix agarra M.J. por um braço pegando na varinha desta e arrastando-a dali para fora, para dentro de um quarto, enquanto ela se tentava soltar.

- Lord, ele está…ele parece…

- Que foi esfaqueado e senão agirmos depressa ele morre e este imbecil é poderoso, puro-sangue e eu não quero perder um bom Devorador. Vamos ajuda-me! Faz-te útil para alguma coisa.

Tom fez alguns feitiços que Draco nunca tinha ouvido e os cortes no corpo de Zac foram desaparecendo e este desmaiou. Tinha várias marcas, mas foram causadas pelos outros feitiços e quedas.

- Agora leva-o para Hogwarts. ENERVATE!

Zac senta-se num pulo.

- Não é hoje que morres idiota! Mas eu não me importava de te dar com um Cruccio pela tua incompetência. – disse Tom. – Desapareçam antes que a M.J. reapareça.

Draco ajudou Zac a levantar-se, puxando-lhe um braço furiosamente, e desaparatou para Hogwarts.

- Meu Lord… - Bellatrix gritou entrando a correr

- Será que eu hoje não tenho descanso? Só histéricas a entrarem a correr e aos gritos…

- A Mary Jane, enganou-me e desaparatou, de certeza para Hogwarts.

- Maldição! Bella vem comigo. Vamos para Hogwarts!

- Hogwarts?! Alguma espécie de ataque? – perguntou ela com certo receio

- Não! Por incrível que pareça vou impedir um homicídio. – disse Tom com sarcasmo vestindo a capa negra e pesada e as suas luvas negras de cabedal. - "E impedir que a Mary arruíne a sua vida! Por este andar uma estupidez vai levá-la a Azkaban."

-

Em Hogwarts, Draco ajudava Zac a andar, estavam a percorrer os jardins perto do lago até á entrada principal. Draco conseguiu ver Harry, Ron e Hermione de longe a saíram do castelo e fechou os olhos. Tinha a certeza que alguém, ou seja Zac, iria morrer hoje, estivesse ele aonde estivesse. Ouviu um CRACK agudo e por detrás dele apareceu M.J. no fundo dos jardins a correr e logo a seguir a ela, Tom e Bellatrix muito bem disfarçados. Tornou a olhar em frente e viu que Harry tinha caído de joelhos agarrado á sua testa e que Hermione estava do lado dele.

- "A cicatriz! Hum, noite interessante esta… este idiota so sabe fazer asneiras." – pensou Draco

- IMMOBILUS!

Draco sentiu Zac a paralisar. Harry tinha conseguido levantar-se e começava a aproximar-se.

- Mary pára! Não faças nada de que te arrependas depois. – disse-lhe Tom, que depois reparou em Harry e esfriou a voz. – Potter, novamente. Hmph! Estás com sorte, esta noite não é para te atacar.

- Riddle, sempre o mesmo prazer. – disse Harry sarcástico

Ron e Hermione colocaram-se em posição estratégica detrás de Harry, com as varinhas em posição de ataque. Harry retirou a dele.

Bellatrix viu que os primos iriam atacar em conjunto Zac e alguma coisa interiormente lhe disse que não podia deixar os dois atacarem o rapaz.

- HARRY! MARY JANE! NÃO! VOCÊS VAO MATÁ-LO! – gritou colocando-se de pé ao lado de Zac com a varinha apontada a para cima disposta a lançar um feitiço contra quem quer que tentasse alguma coisa contra ele.

O Professor Dumbledore aparece ao pé deles apressadamente.

- Vamos por favor manter a calma. Senhor Malfoy e Senhorita Granger levem o Zac á Poppy. – disse ele com calma

Hermione desfaz o feitiço de imobilidade e juntamente com Draco ajudam Zac para dentro de Hogwarts levando-o para a enfermaria.

- M.J. vamos embora! – disse Tom pondo-lhe uma mão no ombro

- Deixa-me! – disse M.J. com fúria afastando-se dele – o que te faz pensar que eu vou sair daqui e regressar a Basilisk Hall? Estou farta dos teus jogos! Por tua causa é que a minha irmã está no estado em que está e eu quase matei o Zac!!! TUDO PORUE SUA EXCELÊNCIA AINDA NÃO ACEITOU QUE JÁ NÃO TEMOS NADA!!!!

- Ou vens a mal… ou vens a bem M.J. tu decides… - disse Tom com frieza

- Tu não me metes medo… - disse M.J. apontando-lhe a varinha, mas antes que ela ou alguém pudesse dizer alguma coisa, Tom avançou para ela e envolveu-a com a sua capa desaparecendo os dois depois

- Bellatrix, achei uma atitude muito sensata da tua parte protegeres o teu afilhado. – disse Dumbledore com um pequeno sorriso depois de ter assistido com um brilho divertido nos olhos à discussão de M.J. e Tom

- Afilhado? – questionou baralhada

Dumbledore sorriu e fez o seu rumo para o castelo sem dizer mais nada e sem ser impedido por ninguém.

- Sempre disse que ele não tinha uma caixa dos pensamentos certa… - disse Bella desaparecendo depois e deixando Ron e Harry no jardim.

- Percebeste alguma coisa do que se passou aqui? – perguntou Ron

- Não… mas neste momento isso não me preocupa… eu gostaria era de saber porque Tom não nos atacou... mas vamos para dentro! Quero ver como está a Hayden… – disse Harry

- Sim, também não tarda está a chover a potes… mas eu não gostava de estar no lugar da M.J. quando ela descobrisse o que aconteceu ao Zac…

- Eles já não são namorados… no entanto acho que nada mais me surpreende…

Ouve-se um trovão de fundo.

- VAMOS EMBORA! – gritou Ron

Harry riu-se do susto que Ron apanhara e do turbo que ele tinha dado para chegar rapidamente ao castelo, afinal não eram só as aranhas.

Quando os dois chegaram á sala comum. Ginny estava lá a andar de um lado para o outro, com as suas pantufas brancas a arrastarem no chão, o pijama vermelho a indicar que ela se tinha levantado á pouco tempo assim como o cabelo solto e desalinhado.

- Eu vi tudo da janela. Harry estás bem? – preocupou-se Ginny

- Foi só uma pequena dor de cabeça, não te preocupes. Eu fico bem – respondeu Harry beijando a testa de Ginny – Agora tenho de ir falar com a Hayden…

- Ela não está no quarto…

- O QUÊ? – disseram Harry e Ron

- Eu tentei ir falar com a ela, mas quando abri a porta do quarto dela, ela tinha desaparecido. Levou a mala dela e foi-se embora. – explicou Ginny

- Não deixou um bilhete? Qualquer coisa a dizer para onde foi? – perguntou Ron

- Não, que eu tivesse visto não estava lá nada. – disse Ginny encolhendo os ombros

- Esperem, eu acho que sei para onde é que ela foi. Ela está bem. – disse Harry suspirando aliviado depois de uns momentos em silêncio

- Tens a certeza? – perguntou Ron

- Tenho, vamos deixá-la passar a noite sozinha, precisa de organizar as ideias, assim é melhor para todos. Amanhã de manhã eu vou ter com ela e tento falar com ela. Sorte que é fim-de-semana.

- Então eu vou ter com a Hermione. Até amanhã. – disse Ron indo ter com Hermione, que iria ficar com Zac na enfermaria, responsabilidades de Monitora Chefe de Equipa

Depois de Ron sair Ginny aproximou-se de Harry e abraçou-o. Pousou o queixo no peito dele e olhou-o.

- De certeza que estás bem Harry?

- Apeteceu-me matá-lo naquele momento. Ele estava ali, sem intenções de me atacar, mas eu queria matá-lo, vingar-me. Mas não. Quando isso acontecer quero que seja justo e ambos tenhamos as mesmas igualdades.

- Isso é muito nobre da tua parte.

Colocando-se em bicos dos pés beijou Harry levemente nos lábios.

- Gi…

Ginny riu-se.

- Vá lá Harry, tenho o meu dormitório vazio. – respondeu-lhe beijando-o novamente

- Tenho para aí o teu irmão e a minha melhor amiga á solta, de certeza que não é seguro.

- Desmancha-prazeres, mas sempre temos o quarto da Hayden.

- Ah pois claro, vamos dormir juntos para a cama da minha prima.

- Não queres estar comigo?

- Não vamos por aí!!

As mãos de Ginny retiraram a gravata de Harry e deslizaram para os ombros largos dele.

- Que seja. – acabou por assentir pegando na mão de Ginny

Com Ginny a rir-se os dois desapareceram para dentro da torre dos monitores chefe, para o quarto de Hayden.

- Se me apanham, sou um homem morto. E se a Hayden descobre isto sou um homem duplamente morto…

- Ao menos morres feliz.

-

Já tinha começado a trovejar e a chover a cântaros quando Hayden se sentou no piano da casa dos Pais em Godric's Hallow começando a tocar notas ao acaso. Sentia a ferocidade do vento no exterior, o ping pong das gotas de chuva na janela o movimento das árvores e dentro de casa apenas as velas em cima do piano de cauda.

Please Remember

How we laughed and how we smiled
And how this world was yours and mine
and how no dream was out of reach
I stood by you, you stood by me
We took each day and made it shine
We wrote our names across the sky
We ran so fast, we ran so free
I had you and you had me
Please remember, please remember

A voz saiu calma, triste e melodiosa. Hayden não fazia ideia donde tinha tirado aquela quadra, mas conseguiu as notas de piano correctas que fizeram daquela quadra numa canção. Hayden suspirou tirando as mãos do piano. Olhou em volta. Mesmo sabendo que ali se tinha passado uma coisa terrível não podia deixar de se sentir em casa, de se sentir segura. Levantou-se e vagueou até á sala de estar onde os móveis estavam cobertos de lençóis brancos. Uma ideia veio-lhe á cabeça.

Aproximou-se do que, pelo aspecto parecia uma estante, e com um movimento brusco arrancou o lençol. Fez o mesmo no resto dos móveis da sala de estar, jantar e cozinha. Subiu ao andar de cima e fez o mesmo no quarto dos pais. Trancou o quarto da irmã e com a varinha fez que o quarto de bebe praticamente destruído ficasse novamente arrumado, trancando-o em seguida. Desceu à cave e tirou uma fotografia, um retrato da mãe. O cabelo negro a reluzir ao sol, o sorriso feliz e os olhos com esperança.

Até tirar as fotos, resolveu esperar. Saiu da cave e dirigiu-se á casa de banho. Conjurou uma tesoura. Soltou o seu cabelo, que estava preso numa trança, e este caiu-lhe até ao fundo das costas. Lavou-o á pressa sem aplicar qualquer produto e depois de o pentear, pegou na tesoura e começou a cortar o cabelo enquanto grossas lágrimas lhe caiam pela cara. Parou de cortar quando o cabelo ficou pela altura dos ombros e por incrível que pareça, tinha ficado direito. Pegou na varinha e apontou-a a um fio de cabelo.

- Finite Incatentem!

Os fios dourados começaram a desaparecer dando lugar a um cabelo negro carvão. Lavando a cara, olhou-se no espelho. Sentiu ódio. Apertou bem a varinha na sua mão e o desespero começou a tomar conta dela. Ao mesmo tempo que um trovão maior surgiu, ela gritou, gritou e alguma coisa na sua mão se quebrou.

Quando olhou viu a varinha partida em duas. O horror tomou conta da sua cara. O que iria fazer agora sem varinha?

Deitou a varinha partida ao lixo, e saindo para o corredor olhou para a porta que instantaneamente se fechou. Hayden inclinou a cabeça e respirou fundo, entrando no quarto dos Pais cruzou os braços.

Sem varinha e com medo que não resultasse, murmurou…

- Accio Varinha Jennifer Potter Bulstrode.

As portas dos armários abriram e nas mãos de Hayden para uma caixa.

- Tanto tempo a controlar as habilidades para agora ser tudo em vão. – resmungou deitando-se por cima da cama destapando a caixa

Dentro da caixa repousava uma varinha branca. Pura pele de unicórnio e na parte onde se segurava a varinha, era cristal. O cristal aparentava estar oco, mas assim que Hayden lhe tocou, uma chama parecia que se tinha acendido e permaneceu acesa. Mas a chama não aquecia o cristal. A chama transmitia serenidade e paz. A varinha devia ser das mais longas, sendo de 40 cm. O núcleo era de coração de unicórnio.

- Acho que não vou ter que me preocupar por comprar uma nova varinha.

-

Hayden tinha adormecido já muito tarde. Quando abriu os olhos e os esfregou, foi porque a campainha não parava de tocar e era, sinceramente, muito irritante pela manhã. Levantou-se e ajeitou o cabelo com as mãos e desceu as escadas. Ainda não tinha sequer aproximado da porta quando duas vozes lhe soaram nos ouvidos, as duas claramente irritadas, estavam claramente a discutir uma com a outra. Hayden ficou impaciente e abriu a porta irritada. Mal abriu a porta as duas figuras calaram-se. No minuto seguinte já tinha a sua irmã a abraçá-la com tanta força que lhe faltava o ar. Viu o seu primo a entrar e a fechar a porta.

- M.J….ar…calma… - dizia Hayden

- Desculpa! – disse M.J. ruborizada largando a irmã um pouco . – Estás bem Hayden? Mesmo mesmo mesmo bem?

- Vive-se. – disse Hayden sorrindo fracamente

- O que é que fizeste ao cabelo? – perguntou Harry com grande curiosidade

- É a minha cor natural. O loiro e só…passageiro. – respondeu Hayden enquanto os três se sentavam

- Ela fica gira das duas maneiras. – disse M.J. sem esconder que estava a despachar o primo. – Hayden…em relação ao Zac…

- Por favor não me fales dele. Não quero ouvir mais esse nome. É enjoativo ouvir esse nome. – disse Hayden com tamanha frieza que o coração de M.J. congelou. – Harry desculpa, eu sei que desconfiavas do Zac de alguma maneira, mas eu nunca o quis saber.

- Não tens de pedir desculpa e eu não tinha provas para o condenar Hayden. O que interessa agora é que tu estejas bem. – disse Harry

- Eu…eu tenho que continuar. Não posso desistir nem ficar para trás. Mas vai ser tão difícil encarar o Zac depois de tudo o que ele fez. Vê-lo a todo o tempo vai ser tortura.

- Só o vês quando ele sair da enfermaria. – balbuciou M.J.

- O quê? Mary Jane o que é que tu fizeste?

- Digamos que a tua irmã ontem…mandou o Zac para a enfermaria com graves danos corporais e estou a poupar detalhes. – disse Harry olhando de uma para outra

- Mary Jane! Achas bonito isso? Cala-te e deixa-me continuar… - disse assim que viu a irmã abrir a boca para dizer qualquer coisa. - … aprecio muito a vossa protecção e adoro saber que vocês nunca me vão deixar em baixo. Mas uma coisa é quase assassinares o Zachary, mesmo que ele mereça. M.J. tu não podes sair por aí a matar pessoas por elas me magoarem. Imagina a catástrofe.

Algo no último comentário de Hayden fez com que Harry e M.J rissem baixinho.

- Eu descontrolei-me assim que saí do teu quarto. Fui até Basilisk Hall onde encontrei o Zac com o Tom e… bem não me contive…ataquei-o com tudo o que tinha e não quero saber o que pensam…ele é uma das pessoas que eu odiei conhecer. – explicou M.J.

- Harry por favor diz-me que…

- Não fiz nada porque não cheguei a tempo. Quando ia atacar a Bellatrix meteu-se a proteger o Zac vai-se lá saber porquê!

- Agora que falas nisso tenho de tirar isso a limpo. Mas passando esse assunto, quero que saibas que nunca mais te deixo sozinha. – disse M.J. abraçando a irmã que se aninha no colo dela

- Está bem…Mamã! – diz Hayden um pouco a brincar

- Vocês as duas ficam bem pela manhã? Eu tenho de voltar, só de desaparecer assim a Gi já me vai matar. Logo á tarde volto com o resto do pessoal, OK?

- Está bem Harry! – disse M.J

- Obrigada Harry! – agradeceu Hayden

Harry deu um beijo na testa de cada prima e saiu de casa.

- És mesmo a favorita dele! – disse M.J

- Sou não sou?

- Convencida!

- Tu é que o disseste! – riu-se Hayden. – Já enviaste alguma coisa á tia Nicole?

- E ao tio Sirius. A primeira coisa que fiz de madrugada!

- É bom que tenhas magoado imenso o Zac porque se ele sair da enfermaria é bem capaz de morrer logo.

- Bom para ele.

- Mary Jane!

- Hayden, quer queiras quer não, vais ter de o esquecer. Ele não te merece. Tu mereces alguém muito muito melhor. O que é feito daquele amigo da Luna…aquele que ela te apresentou na festa de natal e que tu não te cansaste de me falares dele…

- Justin Turner. E é só um amigo…não me estás a empurrar para cima dele pois não?

- Claro que não. Mas então que fazemos o resto da manhã?

- Nada. Quero ficar aqui contigo. Não quero ficar sozinha…ficas comigo?

- Vou ficar sempre contigo! – disse M.J. abraçando-a

- És a melhor irmã que eu poderia querer.

- Sou não sou? – disse M.J. sorrindo convencida

As duas largaram a rir com vontade. Ao pé uma da outra, as duas sentiam-se muito melhor.