Capitulo 25
Um ano depois
- Jane tens a certeza que não queres vir connosco? Vamos só dançar um pouco, divertir-nos – sugeriu Katherine quando um grupo de hospedeiras no terminal 2 JFK de Nova Iorque tomava um café.
- Desculpem meninas, outro dia – disse Jane ajeitando o seu chapéu. – Agora tenho que ir.
- Esta rapariga é tão estranha - comentou uma hospedeira ruiva vendo a colega desaparecer no meio da multidão.
- Jane tomas um copo comigo logo noite, sabes perfeitamente que nenhuma menina fica tão bem nesse uniforme como tu? – perguntou o piloto aparecendo ao lado dela.
- A tua oferta é muito querida e obrigada pelo elogio, mas a minha avó vem cá – explicou Jane.
- Que amoroso, mas eu levo-te a casa.
- Já que insistes – respondeu Jane sorrindo e aceitou o braço que Kevin oferecera.
Kevin carregou-lhe a mala e arrumou-a na bagageira do Jaguar. Correu até à porta e abriu-a à hospedeira, ela sorriu perante o gesto de cavalheirismo. Ela poderia ceder às investidas dele, mas para além da diferença de idades, tinha noção que as hospedeiras para os pilotos eram apenas uma forma de fazer estatística e para isso não queria servir. Esses eram apenas os primeiros motivos, se essa Jane realmente existisse. A verdade é que Jane Darcy não existia, era apenas um nome inventado para continuar com a sua vida. Kevin parou o Jaguar à frente do prédio, o porteiro de imediato veio com o guarda chuvas para evitar que a menina Darcy se molhasse. Kevin tirou a mala de Jane e abraçou-a antes de arrancar.
- O voo correu bem, Menina Darcy? – perguntou Rob, o porteiro.
- Muito bem, obrigada Rob, alguém veio à minha procura?
- Veio um homem, de certeza europeu pelo sotaque que tinha, não que o seu não seja encantador Menina Darcy...
O coração dela parou, um europeu, em nova Iorque, à procura dela? Não era nada bom sinal, aliás a ideia aterrorizou-a e Rob pareceu notar.
- Sente-se bem Menina?
Jane apenas assentiu com a cabeça e murmurou um obrigada, puxou a mala pelo hall de entrada do prédio e entrou no elevador. Sentiu o coração a palpitar e as lágrimas a invadir-lhe os olhos. Não, era impossível, respirou fundo e disse a si mesma que era impossível. Abriu a porta, ligou as luzes e entrou em casa, pelo menos era a sua casa há alguns meses. Apenas recorrera à magia para arranjar os documentos falsos, e o primeiro mês que passara pelo mundo afora a chorar, a ultrapassar o sucedido, e a tentar esquecer tudo. Esquecer era impossível, mas a sua vida criada do nada chegava-lhe por enquanto. Ser hospedeira, viajar pelo mundo afora, parecia-lhe o mais sensato.
Descalçou-se, para não riscar o soalho e para aliviar os pés dos saltos, tirou o chapéu e soltou o cabelo dos ganchos, para ficar mais confortável. Era de manhã mas tinha sono, a diferença de horário era complicada e desregulava-lhe o sono. Entrou na área da cozinha e dirigiu-se ao frigorifico, tirou o leite, levou-o a boca e deixou-o cair. O que fazia aquela caixa em cima da mesa? A pequena caixa vermelha encontrava-se por cima da mesa. Aproximou-se lentamente como se esperasse que algum demónio ou sem-forma saísse de lá. Abriu-a e viu as fotos, a varinha. O pouco que tinha levado da sua vida anterior. Estremeceu ao ver aquilo e ao pensar na forma como é que ela tinha parado ali. Fechou-a depressa. Elisabeth podia finalmente ficar com Blaise e um mundo sem George e sem o pai era um mundo no qual ela não queria viver, preferiu criar um novo mundo. Bela já não existia, os Martins já não existiam.
- Sabes perfeitamente que os alarmes muggle nunca valeram nada – disse uma voz e Jane virou-se.
Deu um grito, era George, não podia ser George ela vira-o morto, ela vira o pai morto.
- O que fazes aqui? – perguntou ela quase sem conseguir falar.
Afastou-se dele como se assim o fantasma desaparecesse, era um fantasma e ela estava louca. Mas ele não desapareceu e continuou de pé no meio do seu estúdio.
- O que te passou pela cabeça? – perguntou George - fugiste todos, de mim de Elisabeth, nem para o funeral do teu pai ficaste.
A morena precipitou-se sobre a caixa e sacou a varinha, ou era um sem forma ou alguém que lhe queria fazer mal. Apontou-lha dividida entre a vontade de amaldiçoar a figura e a outra metade dela desejava que fosse realmente George. George estava morto.
- O que se passa contigo? – perguntou George quase aos berros e aproximou-se dela.
Ela tremia por todo o corpo e o cérebro parecia ter bloqueado. Segurou a varinha com força redobrada, deu alguns passos atrás. Porque é que aquele delírio não acabava simplesmente? Agora que estava bem é que o juízo a tinha abandonado.
- Tu morreste, o meu pai morreu...
Ele olhou a preocupado, como é que ela estava tão certa disso? Aproximou-se mais dela, tirou-lhe a varinha e abraçou-a. Sentiu que ela começou a chorar e a arfar por ar. Olhou-lhe nos olhos e limpou as lágrimas que lhe corriam pelo rosto.
- Eu não percebo porque fugiste.
- Não iria conseguir sobreviver sem ti e o meu pai. Elisabeth ficou bem mas eu não aguentaria...
- Elisabeth contou-me das visões e é graças a ela que te encontrei. A poção que a minha tia pôs no teu chá fez com que ela fosse distorcida – explicou George.
- Mas isso não trará o meu pai de volta nem Fred, poderíamos tê-lo evitado – concluiu ela afastando-se de George e olhou pela janela a chorar de novo.
- Bela, o que aconteceu em Espanha, o que te disse em tua casa, não quero que nada mude. Eu preciso de ti, estes últimos meses foram os mais difíceis da minha vida, Fred, tu...
- Desculpa – exclamou Bela agarrando-se a ele – foi horrível para todos, mas eu pensei que tinhas morrido George.
- Bela e tu desapareceste, de novo. Por favor volta comigo, vamos reabrir a loja homenagear Fred, e esta lá a tua irmã, ela não te interessa?
Bela sorriu de alívio e beijou George pela primeira vez em meses.
- Quando acordar vou arrepender-me tanto por ter deixado que este sonho perdurasse.
George abanou a cabeça e sorriu aliviado.
Bela acordou e enroscou-se mais nos lençóis quando se lembrou do sucedido, ou do sonho? Olhou para o lado e George sorriu-lhe. Pela primeira vez em muito tempo Bela sentiu-se bem, feliz, quase como nas noites à socapa na casa da tia Muriel, as escapadelas na casa dela, de Fleur... Tudo estava finalmente bem.
- Amo-te Bela, amo-te – disse George calando-se apenas com o beijo em que ela os envolveu
- Não pode haver um homem mais feliz do que eu – disse Blaise
No seu colo tinha a cabeça de Elisabeth e ambas as mãos estavam sobre a barriga dela. O bebé mexia-se constantemente e os momentos em que sentia os movimentos do seu filho eram sempre de novo esfusiantes. Elisabeth sorriu e sentiu todos os movimentos que o filho fazia dentro de si, obviamente não planeara ficar grávida, muito menos teria cabeça para tal planos depois da reviravolta que a sua vida dera de novo, mas a gravidez estava tornar-se mais benéfica que imaginara. Sentia-se realmente feliz por ter um filho e que Blaise estava ao seu lado. Faltava muito na sua vida, demasiado, o pai, a irmã, Fred... mas isso iria passar sabia que as lágrimas iriam desaparecer definitivamente, aliás a vida que carregava dentro de si impediam-na de ter pensamentos menos positivos.
Estavam no Grimauld place 12. Sendo a última Black, Harry embirrara que ela ficasse com a casa. Segundo ele, se Sirius a tivesse conhecido ela teria sido a sua prima preferida. A casa não era a mesma, tudo mas tudo tinha sido removido e tinha sido completamente reconstruída. Estava agora leve, fresca, alegre, ideal para receber uma criança. Quanto ao quadro e à tapeçaria não tinham tido outro remédio se não cimentar por cima.
Tocaram a campainha e Blaise abriu. Draco entrou na saal onde elsiaebth estava.
- Anda aos pontapés, vem cá - chamou Elisabeth colocou a mão do primo em cima da sua barriga.
Draco sentiu os movimentos sorriu.
- É que vai ser um reguila!
Draco Malfoy não era nem por sombras quem tinha sido. Resumia-se a gora a um homem novo de traços belos mas sem brilho algum, já não olhava em frente nem mantinha a cabeça erguida, mas nenhum dos três conservara essa característica. O que tinham sofrido já tinha sido demais. Draco tinha uma mansão inteira apenas para ele, afinal a mãe tinha-se suicidado e o pai estava em Azkaban, onde, verdade seja dita, as visitas do filho não eram frequentes, e apesar da insistência de Draco, Elisabeth não conseguia voltar para a casa onde tinha sido criada. Todos os três tinham os cofres recheados, Elisabeth herdara a fortuna da mãe do pai, que era grande demais para uma vida só, herdara a casa ao pé da floresta de Dean mas para essa também não voltaria.
- O meu afilhado...
- Ou afilhada - corrigiu Elisabeth.
- Oh é igual.
- George já esta a demorar muitos dias - observou Blaise.
- Ele vai voltar, e vai voltar com Bela tenho a certeza - disse de imediato Elisabeth cortando palavra a Blaise.
- Elisabeth apenas não queremos que ganhes falsas esperanças - apoiou Draco o amigo de infância.
- Eu tenho a certeza eu vi – insistiu ela.
Os homens apenas encolheram os ombros esperando que por Merlim ela tivesse razão. Tocaram à campainha e George apertou a mão e Bela transmitindo força e calor. Blaise abriu a porta e viu o Weasley, ao lado dele estava um figura feminina, mais baixa, de cabelos negros, olhos grandes e pestanudos. Assustou-se por momentos, nunca esperara que a parecença com Bellatrix fosse tão grande
- Blaise apresento-te Bela - disse George.
Os dois cumprimentaram-se e seguiram Blaise pela casa adentro. Bela não conseguiu evitar de sorrir nos corredores, Elisabeth usara o mesmo papel de parede que no quarto de ambas. Entraram na sala.
- Draco eu disse-te ele voltaria com ela - disse Elisabeth levantando-se para abraçar a irmã.
