Capitulo XXVI
Olá pessoal!
Estou de volta com mais um capítulo. Preciso informar que entramos aqui em uma nova fase. Nos próximos capítulos, novos personagens surgirão. Vocês amarão alguns e terão verdadeira gana de matar outros, mas faz parte da história.
Nos próximos capítulos conheceremos mais do passado do misterioso Ryou e também sobre a fêmea que ele tanto deseja, e que nós já sabemos que não é a Rin.
Desejo a vocês uma excelente leitura.
OBS: O que está em itálico são narrativas de acontecimentos passados ou lembranças dos personagens.
Semanas mais tarde em um dia quente de verão, Rin caminhava pela floresta nos arredores do castelo com o filho que já andava sozinho e parecia querer correr antes mesmo de adquirir a firmeza necessária nas perninhas miúdas. A mãe o deixava livre, mas estava sempre por perto para acudi-lo em caso de queda e para vigiar os pequenos obstáculos no caminho que poderiam atrapalhar a caminhada daquele pequeno ser, que se movia como se já dominasse o terreno.
Rin caminhou até uma clareira que estava repleta de pequenas flores amarelas contrastando com o gramado intensamente verde. Ela logo avistou quem queria sentada sobre a relva aproveitando o sol quente, mas agradável daquele fim de tarde.
- Olá Kiomi!
- Oh olá senhora! Heikou! A jovem cumprimentou em resposta com a voz doce comum a ela.
- Não é necessário usar de tanta formalidade para comigo Kiomi. Pode me chamar de Rin.
- Hai Rin-san! Assim está bom? Ela indagou sorrindo.
- Bem melhor.
Heikou já estava no colo da jovem inuyoukai e ela brincava com ele.
- Nossa como ele cresceu! Ela exclamou. Não faz tanto tempo assim desde a última vez em que o vi, mas ele parece tão mais crescido.
- É, ele está se desenvolvendo rapidamente. Não deveria estar andando ainda com essa idade, mas creio que isso seja normal dado o sangue youkai nas veias dele.
- Sim é mesmo.
- E você como está?
- Bem. A jovem youkai respondeu, mas a resposta não convenceu muito a Senhora do Oeste.
- Kiomi eu pedi que um mensageiro fosse chamá-la com um propósito.
Kiomi franziu o cenho demonstrando confusão e Rin continuou.
- Eu quero algumas informações de você e para que seu pai não a impedisse de vir, mandei que o mensageiro dissesse que eu exigia sua presença.
- Sim, meu pai me disse e ficou muito intrigado com isso.
A jovem senhora do Oeste sorriu imaginando a face intrigada e raivosa do velho general, mesmo que não quisesse permitir o encontro da filha com ela, ele não ousaria desacatá-la.
- O que quer saber? Kiomi perguntou enquanto brincava com Heikou entregando-lhe algumas daquelas pequeninas flores.
- Quero lhe perguntar sobre Ryou.
A youkai demonstrou imensa surpresa com a declaração da humana e sentiu um arrepio percorrer o corpo e o coração acelerar.
- Não fique assustada Kiomi, estou tomando essa iniciativa porque sei sobre vocês dois.
- Sobre nós dois??? Kiomi indagou como se quisesse esconder a realidade.
- Sim decidi conversar com você e obtive o consentimento de Ryou para isso, então não se preocupe eu estou do seu lado. Ele me contou que deseja desposá-la e que você também o deseja. É verdade?
Kiomi ainda não estava certa sobre o que responder, sabia que Rin era uma boa pessoa, mas nunca soube que ela e Ryou conversavam e muito menos que conversavam sobre ela. Achava que esse era um segredo só deles. A jovem pensou por um instante olhando o campo florido a sua frente e enfim respondeu.
- Sim é verdade, mas meu pai não o aceita.
- Eu percebi. A verdade é que eu não entendo o porquê disso. Ryou é um general proeminente, tem status e é tão poderoso quanto seu pai. Não entendo porque ele não o aprova.
- Ryou não lhe disse?
- Ainda não, apenas disse que era uma história longa e que não valia a pena ser lembrada, mas eu não me darei por vencida, quero saber sobre essa história em algum momento.
- É melhor que ele mesmo conte o que aconteceu senhora... quero dizer... Rin.
- Então você sabe o que é?
- Sim eu sei.
- Estou curiosa Kiomi. Seu pai a protege com extrema cautela nem permitindo que você saia sem necessidade. Como foi que você e Ryou se conheceram?
A jovem youkai sorriu o que deixava seu rosto de linhas delicadas ainda mais belo. Kiomi era muito bela. Os cabelos negros e brilhantes cumpridos até a altura dos quadris brilhavam ainda mais sob o sol e contrastavam com o dourado de seus olhos, as presas levemente salientes roçavam os lábios bem desenhados e rosados, ela tinha a pele tão alva quanto os flocos de neve que cobriam as terras no inverno. Havia um ar de mistério nela por causa do comportamento reservado cultivado pela educação rígida e opressora dada pelo pai e mesmo sendo tão jovem percebia-se a força de seu caráter e sua maturidade misturada a uma delicadeza não muito comum as fêmeas youkais.
- Meu pai sempre me levou para onde quer que seus deveres como general, o levassem. Eu sempre estive com ele em cada local conquistado, cada fronteira estabelecida e cada fortificação a ser protegida. Em um desses locais, mais ao sul dessas terras, onde ficamos estabelecidos por um tempo, houve uma grande reunião todos os generais compareceram. Eu estava em casa e via pela janela a movimentação, eles reuniram-se em um dos pátios da fortificação, era noite e fazia muito frio, por essa razão havia uma enorme fogueira no local...
Kiomi observou aqueles homens confabularem durante algum tempo e logo seus olhos cruzaram com os dele. Ele a encarava de forma intensa já há algum tempo, mas ela não havia percebido até aquele momento. Os olhos negros dele iluminados pela luz da fogueira exibiam o reflexo desta. A jovem youkai não conseguia parar de olhá-lo, tão belo e imponente como poucos que ela conhecia, exceto é claro pelo Senhor Sesshoumaru que conhecia desde a mais tenra idade. Sua ama, uma youkai de nível inferior ao dela e que a criara desde o nascimento após a morte de sua mãe, também percebeu os olhares que aquele youkai lançava sobre sua menina e fez com que ela se recolhesse. A jovem obedeceu e foi para seus aposentos deitando-se sobre o futon, tentava ao máximo apurar sua audição para poder ouvir o que aqueles youkais falavam. Esperava poder ouvi-lo, depois se considerou uma tola já que não teria como identificar a voz dele pelo simples fato de nunca tê-la ouvido. Não era a primeira vez que o via, mas eles nunca se falaram. Kiomi adormeceu pensando naqueles profundos e misteriosos olhos negros.
Nos dias que se seguiram involuntariamente Kiomi se pegava procurando por ele com os olhos atentos, mas não o encontrava. Durante vários dias ela não o viu mais, chegou a achar que aquilo tinha sido um sonho e resolveu esquecer. Até que dias depois ele reapareceu no vilarejo enquanto a jovem caminhava despreocupada fazendo compras com sua ama. Foi a primeira vez que ele efetivamente falou com ela e a jovem ficou tão nervosa que não conseguiu responder.
– Bom dia Senhorita! Ele disse fazendo uma pequena reverencia sem deixar de olhá-la profundamente nos olhos.
A voz dele grave e ao mesmo tempo suave soou ao ouvido dela de forma tão melodiosa que o coração disparou no exato momento. Ela apenas olhou para ele como se estivesse hipnotizada e ele sorria, Kiomi nunca havia visto um youkai macho sorrir daquela forma tão espontânea e gentil. A ama a puxou para sair correndo dali, mas ela não queria se mover, suas pernas pareciam não obedecê-la, inexplicavelmente queria ficar perto dele.
Kiomi sorria enquanto lembrava-se daqueles dias olhando para as flores à sua frente.
- Durante dias ele criou situações em que nós nos encontrássemos, mas nós nunca conversávamos apenas cumprimentávamos um ao outro. Depois de algum tempo meu pai pareceu perceber o interesse dele e me proibiu terminantemente de me aproximar ou dirigir a palavra a Ryou. A principio achei que era porque ele me julgava jovem demais, mas depois descobri que não. O problema era realmente Ryou.
Quando Ryou percebeu que Kiomi o estava ignorando por ordens do pai, ele tomou uma atitude extrema e a seguiu quando a jovem ia a uma fonte termal para se banhar. Ele sabia que ali estaria apenas ela e sua ama que estava recostada a uma árvore cochilando como sempre fazia quando iam lá. Ele surpreendeu a jovem youkai tapando sua boca por trás para que eu ela não gritasse, e ela desistiu de fazê-lo quando sentiu o cheiro dele e ouviu sua voz calma pedindo para que ela ficasse em silêncio.
- Shiiiiiiiiiii não grite pequena, sou eu. Ele disse soltando-a lentamente.
Kiomi se virou assustada e completamente trêmula para encará-lo.
- O que está fazendo Ryou-sama? Meu pai vai matá-lo e a mim também.
Ele sorriu mais uma vez como se não houvesse nada de errado naquilo.
- Seu pai não tem poder para me enfrentar senhorita. Sei que ele a proibiu de se aproximar de mim porque sabe que a senhorita prendeu minha atenção. Corrija-me se eu estiver errado, mas o interesse é recíproco não é?
Kiomi ficou tão envergonhada e irritada por achar que estava sendo óbvia demais em seus sentimentos que fechou os olhos por um instante para tentar se conter.
- Como pode saber disso senhor?
- A senhorita sabe sobre minhas habilidades não?
Ela pensou por um instante e lembrou que já tinha ouvido falar que Ryou lia mentes e por isso os outros tinham dificuldade em confiar nele. Sua vergonha só aumentou quando pensou no que ele poderia ter descoberto ao se infiltrar em sua mente.
- O senhor não tem o direito de invadir a minha mente dessa forma. Ela disse com a voz firme.
- Fiz isso apenas para ter certeza do que sentia. Eu tinha que saber antes de tomar qualquer atitude.
Kiomi baixou os olhos e ajeitou o quimono que estava um pouco aberto, pois ela já se preparava para removê-lo e entrar na água quando foi abordada. Ela corou ao ver que estava descomposta e permaneceu com a cabeça baixa.
Ryou levou sua mão delicadamente ao queixo dela o erguendo para que ela o encarasse.
- Não se envergonhe pequena sei que não fez por mal e eu a respeitarei sempre não tenha dúvidas quanto a isso, só quero que confirme que não estou enganado.
A respiração de Kiomi estava ofegante e ela respirou profundamente antes de proferir mais palavras.
- Meu pai nunca irá permitir.
- Não me interessam as vontades de seu pai ou o que ele pensa. Interessa-me saber o que você quer. O youkai dizia de forma tranqüila olhando fixamente os olhos dourados da jovem inuyoukai. – Responda-me.
- O senhor não está enganado Ryou-sama. Ela disse quase sussurrando.
- Era tudo o que eu precisava saber. O youkai sorriu e acariciou o belo rosto da jovem que fechou os olhos ao sentir o toque dele. – Vou deixá-la agora para que se banhe com tranqüilidade.
Ryou afastou-se dela há passos lentos e saiu da área das fontes termais, deixando uma jovem youkai trêmula para trás.
- Então vocês costumavam se encontrar? Perguntou Rin.
- Depois desse dia sim. Ele passou a me seguir sempre que eu ia às fontes.
Era mais um dia de inverno em que Kiomi estava nas fontes termais, não tinha pressa em despir-se, pois sabia que Ryou apareceria a qualquer momento. Ela sentou-se em uma pedra próxima ao lago formado pelas águas da fonte e aguardou. Sua ama estava próxima dali colhendo ervas e a jovem olhava a sua volta procurando vê-lo e também monitorando os movimentos de sua ama para que não o visse.
Minutos depois Ryou surgiu por entre as árvores, com seu tradicional traje preto com detalhes nas mangas e golas brancos. Kiomi o viu e um sorriso surgiu em sua face, o coração batia acelerado ao vê-lo se aproximar. Ele tinha um semblante sério, mas sereno.
Kiomi olhou para trás rapidamente tentando captar o cheiro de sua ama e saber assim exatamente onde ela estava. Quando se virou de volta Ryou já estava a sua frente observando-a a uma proximidade que fazia a jovem inuyoukai ficar nervosa. Ela ergueu os olhos para fitá-lo, pois Ryou era consideravelmente mais alto, visto que ela era ainda muito jovem.
- Ohayo pequena! Ele disse com aquele sorriso lindo estampado no rosto o que fez Kiomi também sorrir.
- Ohayo Ryou-sama!
- Está sozinha? Ele perguntou olhando a sua volta.
- Não, minha ama está lá atrás colhendo algumas ervas. Não pode ficar muito tempo aqui ou ela o verá.
- Eu deveria me importar com isso? Ele perguntou em um tom sarcástico.
- Ela pode contar tudo ao meu pai. A jovem disse apreensiva.
- Não se preocupe nada vai acontecer confie em mim. Pode fazer isso?
Ryou se aproximou mais dela e tocou seus lábios rosados contornando-os com os dedos. Kiomi fechou os olhos e a respiração tornou-se ofegante. Ela era uma menina considerando o tempo de vida dos youkais, ainda não havia conhecido o amor e nunca havia sido tocada por um homem como agora.
- Não tenha medo eu não vou lhe fazer mal. Ele concluiu aproximando o rosto do dela e sentindo o aroma de seus cabelos, os fios balançavam ao sabor do vento frio assim como os seus.
Kiomi permanecia com os olhos fechados e Ryou fitava aquele rosto tão lindo e entregue para descobrir novas sensações. Ele sabia da inexperiência dela, não só por ser jovem ainda, mas por causa da opressão imposta pelo pai. Ele analisou mais uma vez as linhas do rosto e aqueles lábios convidativos que o chamavam a prová-los.
Ryou tocou os lábios de Kiomi levemente com os seus, a sentindo estremecer num primeiro momento, ele buscou passagem na boca dela usando a língua de forma sutil e delicada para desbravar aquele ambiente até então inexplorado.
Kiomi sentia que não havia mais nada no mundo a não ser aquele momento, ela sentia a língua dele passear por sua boca, a sensação era deliciosa, o calor, o gosto tudo era perfeito ela gemeu ao senti-lo morder levemente seu lábio inferior, pouco antes de interromper o beijo.
- Já chega minha pequena. Não podemos ir além disso. Ele falou sorrindo e voltou a acariciar o rosto dela que parecia ainda estar em transe. – Kiomi?! Ele a chamou de volta a realidade quase sussurrando.
- Ryou-sama eu preciso ir ou nós seremos vistos.
- Chame-me apenas de Ryou. Eu a tornarei minha esposa Kiomi e você não terá que se preocupar com mais nada ou ninguém.
Ryou abraçava carinhosamente sua pequena como ele a chamava e ela correspondia ao carinho envolvendo seus braços a cintura dele
- Menina o que está fazendo?
A voz da criada ecoou, chamando a atenção do casal. Kiomi se virou assustada e Ryou apenas olhou para a fêmea parada a sua frente. Ela tinha a feição séria e se mostrava indignada com o que vira.
- Satoshi, por favor, não diga nada ao meu pai.
- O mestre não vai gostar de saber disso Kiomi-san.
- Não conte a ele. Kiomi pediu mais uma vez.
Ryou saiu de onde estava atrás de Kiomi e se aproximou da mulher olhando-a de forma séria e ameaçadora.
- Se contar o que viu a alguém eu a farei sofrer imensamente e depois vou matá-la. Ouviu-me?
A criada podia ver em seus olhos negros como uma noite sem lua que aquilo não era uma simples ameaça. Embora seu dever fosse informar a seu mestre, ela não o faria, não queria morrer. Todos conheciam a fama de Ryou-sama ele sabia ser cruel e impiedoso quando queria.
Kiomi ficou surpresa ao ouvir a ameaça feita por Ryou e o tom de voz utilizado por ele, totalmente oposto ao tom que ele utilizava com ela segundos atrás. O youkai continuava a encarar a serva de forma ameaçadora, a mesma tratou de demonstrar que havia entendido o recado.
- Eu não direi nada ao meu mestre Ryou-sama. Ela disse visivelmente amedrontada.
Ryou voltou-se para Kiomi que continuava apreensiva, ele se aproximou dela segurou seu rosto delicadamente e beijou sua testa.
- Não se preocupe minha pequena. Ela não dirá nada. O youkai voltou a usar o tom tranqüilo e doce de antes.
Kiomi segurou as mãos dele que estavam pousadas em seu rosto e as apertou levemente, depois se ergueu na ponta dos pés para que seus lábios alcançassem os dele.
- Eu preciso ir. Ela disse baixo.
- Vá. Ele respondeu antes de beijá-la mais uma vez.
- Alguns meses depois meu pai recebeu um comunicado informando que o Senhor Sesshoumaru voltaria a se estabelecer nas Terras do Oeste e que ele deveria retomar o seu posto aqui. Então nós viemos para cá e ficou ainda mais difícil ver Ryou, pela distância e porque aqui eu sou ainda mais vigiada.
- Mas vocês se encontram porque Ryou sempre aparece por essas terras sem motivo aparente.
- Nem sempre é possível nos encontrarmos, por vezes só podemos nos ver de longe.
Kiomi disse com um tom de voz e olhar triste.
- Você o ama?
- Sim. Não sei como isso aconteceu, mas aconteceu, não consegui evitar.
Rin sorriu docemente. Ela sabia que o amor quando surgia, era algo inevitável sejam os indivíduos youkais ou humanos.
- Eu quero ajudá-los Kiomi e farei tudo ao meu alcance para isso.
- Não sei o que poderia fazer Rin-san, meu pai está irredutível. É provável que ele me entregue em casamento ao primeiro youkai que aparecer só para provocar Ryou. Eles se odeiam Ryou o desafiou e isso deixou meu pai furioso.
- Ryou disse estar disposto a qualquer coisa para tê-la.
- Sim eu sei. Ele mataria meu pai sem hesitar, não fosse pelo senhor Sesshoumaru.
- E por você também, ele sabe que você sofreria se isso acontecesse.
- Eu sinto falta dele, mas fico mais tranqüila quando ele se mantém afastado. Tenho medo que haja um confronto entre ele e meu pai, dois machos orgulhosos se enfrentando, de todas as formas isso seria uma tragédia.
- Eu farei o possível para evitar tal desgosto a você. A voz serena e grave do youkai soou no local.
Kiomi ergueu os olhos para fitar a figura parada ao seu lado e um sorriso de imensa satisfação brotou em sua face.
- Ryou! Ela disse se levantando e se jogando nos braços do general.
O youkai também sorriu e envolveu a jovem youkai carinhosamente em seus braços, sentindo o perfume de seus cabelos.
- Sentiu minha falta pequena?
- Sabe que sim Ryou.
Ele a beijou na testa e acariciou seus cabelos, depois lançou um olhar para a jovem Senhora do Oeste que estava ainda sentada com Heikou no colo.
- Obrigado Senhora! Ele disse inclinando a cabeça como numa pequena reverencia.
Rin apenas sorriu e voltou a brincar com o filho. Kiomi olhou incrédula para ele e depois para a Senhora.
- Vocês combinaram isso?
- Sim. Sabíamos que seu pai seria convocado por Sesshoumaru para uma reunião importante e eu convenci a Senhora Rin a chamá-la para dar um passeio. O youkai explicou sorrindo. – Eu precisava vê-la minha pequena e aquele velho a prendeu em casa no momento em que soube que eu havia chegado as Terras do Oeste.
Kiomi levou os dedos delicadamente aos lábios de Ryou.
- Não percamos tempo falando sobre o meu pai. Eu também queria muito vê-lo.
Os lábios de ambos se tocaram em um beijo intenso que visava aplacar a saudade que sentiam um do outro.
Rin já estava há certa distância acompanhando Heikou que caminhava por entre as flores e tentava seguir borboletas que voavam por ali. Ela queria deixar o casal sozinho.
- Ryou... A jovem inuyoukai suspirou ainda abraçada ao corpo másculo de Ryou.
- O que foi pequena? Ele indagou enquanto suas mãos deslizavam pelos cabelos macios dela.
- Eu sinto muito a sua falta, os últimos meses têm sido uma tortura.
- Eu sinto o mesmo.
- Vamos embora Ryou. Eu estou disposta a seguir com você para onde for, onde ninguém possa nos encontrar.
- Fugir? Nunca. De forma alguma trarei desonra a você e isso acontecerá se agirmos dessa forma Kiomi, você não sairá da casa de seu pai como uma fugitiva. Sairá para se tornar minha esposa como deve ser.
Ryou conduziu Kiomi pela mão até a sombra de uma árvore. Rin havia caminhado com Heikou até chegar ao riacho próximo dali como a jovem inuyoukai pôde perceber ao farejar o cheiro de ambos.
Kiomi parecia triste, estava ficando desesperada e como uma jovem cheia de impulsos considerou uma boa alternativa propor uma fuga a Ryou, mas devia saber que um youkai orgulhoso como ele não aceitaria isso.
- Tenha paciência minha pequena. Ele disse fitando o rosto decepcionado da jovem que agora estava de pé recostada à árvore. - Logo tudo será resolvido.
Ryou aproximou-se mais da jovem e pressionou o corpo dela levemente contra o tronco daquela árvore milenar. Kiomi sentiu os lábios quentes dele, tocarem seu pescoço o que a fez arrepiar-se por inteira. O youkai a beijava com delicadeza sentindo a maciez e o perfume de sua pele, os lábios rosados e tão convidativos o faziam querer perder-se neles. O beijo tornava-se cada vez mais intenso e profundo com as línguas executando uma dança ritmada e deliciosa. Ryou pressionou o corpo dela com o seu e sentiu a jovem estremecer antes de dar um leve suspiro. O youkai sentiu durante o beijo as presas de Kiomi se salientarem gradativamente, as garras também se pronunciaram o arranhando levemente no pescoço, Ryou sabia o que isso significava, então interrompeu o beijo e passou apenas a acariciá-la no rosto enquanto falava ao seu ouvido.
- Acalme-se minha pequena, ainda não é o momento.
A respiração da jovem youkai estava alterada, ela ainda mantinha os olhos fechados enquanto sentia o toque delicado de Ryou em seu rosto.
- Kiomi olhe para mim. O youkai pediu com a voz serena vendo que a jovem evitava abrir os olhos para encará-lo.
Kiomi finalmente abriu os olhos revelando o brilho dourado e certa timidez.
- Por favor, não leia meus pensamentos. Ela pediu.
Ryou sorriu vendo a face ruborizada da jovem a sua frente.
- Não preciso ler seus pensamentos para saber o que quer. Não se envergonhe por sentir desejo.
- Não me envergonharia se você também me desejasse.
Ele sorriu mais uma vez e voltou a beijá-la levemente nos lábios, depois falou ao seu ouvido.
- Acha mesmo que não a desejo Kiomi? Perguntou de forma sedutora antes de sugar o lóbulo da orelha dela.
A jovem gemeu com a carícia.
- Eu a quero e muito, mas não vou possuí-la até que se torne minha esposa, até que seja minha de verdade.
Kiomi o abraçou com força sentindo o calor do corpo dele e o youkai retribuiu ao carinho.
- É melhor eu ir, já está ficando tarde e não podemos abusar da boa vontade da Rin-san.
- Rin-san?
- Sim. Ela me disse para chamá-la assim.
- Ela é uma boa companhia para você, é inteligente e sagaz, uma mulher forte apesar de ser humana.
- Você a admira...
Ryou nada disse apenas sorriu e voltou a beijar a inuyoukai como forma de despedida.
- Vamos ao encontro dela.
Oi gente!
E aí o que acharam? Eu introduzi aí um novo casal, que eu amei criar. Tenho certeza que vocês também vão adorá-los se já não estão.
O Ryou é um macho ousado e experiente em relação a sua pequena. Isso renderá ótimos capítulos. Adoro o modo como ele a deixa desconcertada.
TÃO LINDO...
Deixem reviews com as opiniões de vocês.
Beijos!
