Capítulo 26 – O nascimento da luz em meio ao luto
"E então no último momento, antes do suspiro que antecede a coragem e o passo que leva a morte, eu tomei conhecimento de sua profunda e sombria verdade e tive medo"
O torpor é o estado de letargia mais poderoso que existe, é quando o cérebro paralisa seus sentidos aprisionando-o em um lugar vazio de sentimentos e razão, onde é possível se proteger das imagens que podem machucá-lo. Torpor era o que segurava Harry naquele chão enquanto seus olhos viam nitidamente o corpo do velho Alvo Dumbledore cair por sobre o balaustre da torre de astronomia. Seus ouvidos captavam o claro movimento dos comensais indo embora, inclusive Severus, o seu Severus. Ele corria pelas escadas do castelo puxando Draco pelo pulso, estava indo embora enquanto continuava deitado no chão, parado embaixo da capa de invisibilidade apenas esperando o momento em que perceberia que tudo aquilo era um tremendo engano.
Esse momento não chegou, pelo contrário, os minutos passavam com rapidez enquanto continuava ali no chão como um fraco entregue a crueldade da realidade. Não, precisava se levantar, pelo bem de todos, inclusive de sua filha, precisava sair dali e ir atrás dele, descobrir a verdade, porque aquela não poderia ser a verdade, Severus não podia ter feito aquilo, tinha que ter outra resposta para tudo. Sentindo-se fraco Harry se esforçou para se levantar e assim que o fez gemeu de dor. Seu abdômen dava pontadas intensas que causava-lhe fortes dores.
- Não, agora não. Aguenta mais um pouco. – Pediu Harry internamente.
Assim que as dores diminuíram um pouco o menino correu pelos corredores vendo a destruição dos comensais que ainda estavam lutando com a Armada de Dumbledore e os membros da Ordem da Fênix. Hermione, Rony, Gina, Luna e Neville davam um banho nos comensais que ficavam mais e mais zangados por não conseguirem acertá-los. Harry deu graças por estarem todos bem, mas sua mente não podia parar para vê-los, precisava correr.
- Harry, aonde você vai? Não pode correr assim. – Gritou Hermione que se preparava para correr atrás do amigo, porém foi impedida por um comensal que quase a acertou.
Harry continuou correndo o máximo que conseguia enquanto sentia as pontadas aumentarem na ponta do abdômen. "Agora não, agora não" pensava enquanto corria. Tudo que pedia era que ela aguardasse mais um pouco, precisava encontrá-lo primeiro, olhar dentro de seus olhos e acreditar que tudo aquilo que viveram fora uma tremenda mentira, que o sentimento belo que ele demonstrara na soleira da porta antes de sair naquele mesmo dia era falso.
Após alguns minutos de muita correria e dor Harry finalmente o avistou no jardim correndo atrás dos comensais que ateavam fogo na casa de Hagrid.
- SNAPE! – Gritou fazendo-o parar e se virar.
- Continuem. – Disse o homem empurrando Draco para Belatriz que estava mais perto.
- COVARDE!
Harry sentiu o feitiço atingi-lo e seu corpo ser jogado longe no gramado duro. Seus pulmões esvaziaram com o baque causando-lhe falta de ar. Seu abdômen parecia explodir de dor, ainda assim se levantou com dificuldade e se virou para Snape que gritava com Belatriz dizendo que não podia machucá-lo, pois o Lord precisava dele vivo. O Lord. O maldito que era tudo para Snape, o ser reptileno que o transformara em um covarde falso.
- VOCÊ MENTIU! – Continuou gritando, mesmo quando já estava próximo o suficiente e os comensais já haviam ido embora. – VOCÊ MENTIU PARA MIM!
- Cale a boca, Potter. Será melhor para você.
- Então essa é a sua verdade. Esse é o seu verdadeiro eu. Você mentiu para mim, me enganou durante todo esse tempo, me fez acreditar que havia mudado e que me amava. VOCÊ DISSE QUE ME AMAVA. VOCÊ DISSE.
- Mentiras existem, Potter. – Disse Snape se aproximando e estendendo a mão para tocar no rosto do menino. – Algumas vezes elas são necessárias.
- Você o matou. Severus, por quê? Ele confiou em você assim como eu.
Snape cerrou os lábios, precisava sair dali o quanto antes. Harry precisava ir embora, voltar ao castelo antes que se machucasse, não era para estar ali, não era para olhar seus olhos verdes brilhantes e cheios de amor se transformar em duas pedras duras e odiosas.
- VOCÊ O MATOU, SEU COVARDE!
- NÃO ME CHAME DE COVARDE!
Harry viu o homem se aproximar aos poucos e quase colar o nariz no dele sentindo a respiração ruidosa, através dos olhos negros viu todos os meses que passaram juntos acabar em apenas um segundo. O local mágico em que estiveram e que por último se amaram estava agora destruído pela escuridão de sua alma.
- Eu te odeio. – Sibilou Harry entre dentes.
Snape sentiu como se o mundo caísse aos seus pés, como se tudo desmoronasse a sua volta, nem mesmo a morte de Dumbledore pelas suas próprias mãos causara dentro de si algo tão poderoso e forte como aquela frase dita baixinho e entre dentes. Ele o odiava. Mas era isso que precisava, não era? Que o menino o odiasse, era isso que queria. Sim, era o que queria, porém ouvir as palavras saírem da boca doce que tanto amava beijar era deveras cruel, muito mais do que simplesmente ter o conhecimento desse sentimento.
- Ótimo. – Disse Snape simplesmente antes de se virar e continuar andando para os limites do castelo.
- COVARDE, FIQUE E LUTE. DUELE COMIGO.
- Volte para o castelo, Potter. Ou irá se arrepender. – Disse parando e olhando para trás.
- Por quê? Vai me matar também, assim como fez com ele?
- Não vou me repetir.
- Você não manda em mim, seu desgraçado, não depois de acabar com tudo. Você arruinou minha vida, eu amei você, eu me entreguei a você e agora tudo aquilo foi o que? Nada?
- Isso mesmo, Potter. – Disse Snape querendo acabar logo com tudo aquilo e ir embora dali, ficar o mais longe possível do menino. – Nada. Você é nada para mim.
- Filho da puta, eu vou matar você.
Harry sentia o corpo arder com a ira que subia pelas suas veias e cegava seus olhos, pegou a varinha e a apontou para o homem. Suas mãos tremiam.
- Expeli...
Snape se virou rapidamente e com apenas um movimento de mão cessou o feitiço do menino. Era fácil prever seus movimentos, além de nunca aprender a fazer feitiços não verbais jamais conseguiu fechar sua mente tornando-se um livro aberto para o homem, ainda mais quando seus sentimentos estavam tão intensos como naquele momento.
- Impedi...
- Não, Potter. Você não vai conseguir nada com essa mente aberta. Mantenha a mente fechada.
- Cruci...
Mais uma vez Snape interrompeu o feitiço hostil. Aquilo estava ficando cansativo, precisava sair dali, afastar-se o quanto antes dele.
- Sectusem...
- Você ousa usar os meus feitiços contra mim? – Disse Snape acenando a varinha e jogando Harry no chão. O homem chegou perto dele e chutou a varinha do mesmo vendo-o ofegar. – Eu sou o príncipe mestiço, Potter.
Harry teve medo do olhar homicida de Snape, mas não teve tempo para pensar nisso, pois exatamente na hora em que Bicuço apareceu espantando Snape dali uma dor horrível quase o fez perder os sentidos. Ainda com dor conseguiu se virar a tempo de ver o professor atravessar os limites da escola e o olhar antes de desaparatar sumindo de sua vida.
- Deus! – Gritou Harry sentindo as fortes pontadas no abdômen. – Chame o Hagrid. – Pediu para Bicuço.
O hipogrifo soltou um grito alto e saiu voando como se tivesse entendido o pedido do menino. Harry mordeu o lábio inferior para não gritar enquanto a dor assolava seu corpo. Era tão intensa que varreu a imagem de Snape de sua cabeça, naquele momento só o que pensava era em continuar respirando, mas mesmo respirar tornara-se difícil. Suas costelas ardiam com o ato de inspirar e expirar, tudo era difícil e sua barriga tremia com os chutes da criança dentro dela.
- Harry! – Chamou Hagrid que vinha correndo com Bicuço ao seu lado. – Harry! Oh meu Deus. O que aconteceu.
- Hagrid, preciso ir para o castelo. – Conseguiu dizer em meio a dor.- Acho que ela vai nascer.
- Nascer?
- É.
- Mas agora?
- Hagrid!
- Tudo bem. Vamos.
Hagrid levantou Harry com cuidado, mas ainda assim o menino gritou, a dor era insuportável. Eles passaram correndo pelo jardim, Harry viu a casa de Hagrid que fora incendiada, por sorte Canino estava bem e latindo do lado de fora enquanto via seu dono correr com o aluno nos braços.
- O que aconteceu Harry?
- Comensais...Ataque...Snape...morte...Dumbledore.
Aquelas palavras soltas eram tudo que Harry conseguia proferir. Rezava para que chegasse logo a ala hospitalar, mas parecia tão longe, tudo parecia demorar mais até mesmo o tempo parecia estar andando devagar enquanto implorava para que a menina agüentasse mais um pouco.
- Hagrid, mais rápido!
- Estou indo rápido Harry, agüente. Saiam do caminho, saiam do caminho! – Gritou o meio gigante para os alunos que estavam nos corredores tentando entender o que acontecia. – SAIAM!
Harry sentia que logo desmaiaria, a dor era excruciante, sua mente estava tão cansada de tudo aquilo, amor com Snape, entrega, descoberta do causador da morte de sua mãe, saída em busca de Horcrux com Dumbledore, a morte do diretor, a traição de Snape e agora a possibilidade de sua filha nascer mais cedo do que deveria. Deus, precisava descansar de tudo isso, fugir, sumir.
- Mantenha-se acordado, Potter. – Disse uma voz feminina.
Harry nem mesmo percebera que estava na ala hospitalar, não sentiu quando o meio gigante chegara ali e o depositara na cama, só sabia que agora Madame Pomfrey retirava sua roupa deixando-o seminu diante de diversos olhos que o observavam com nervosismo. Foi somente quando conseguiu entender todo o quadro que sentiu novamente as pontadas fortes e a falta de ar. Seu grito assustou a todos, menos Pomfrey que trabalhava em seu corpo vendo como estava seu estado.
- Por que dói tanto? – Perguntou apertando os dentes.
- Porque ela quer sair e não tem por onde, senhor Potter.
- Dói demais.
- Eu sei. – Disse a enfermeira passando um pano em sua testa suada. – Creio que saiba o que é uma cesariana, certo? – Harry assentiu, aprendera sobre os diferentes tipos de parto quando estava na escola primária e assistira uma vez na televisão quando seus tios viam um programa educativo na TV a cabo. – Ótimo, o que vou fazer é praticamente igual, mas sem os instrumentos trouxas, tudo por feitiços. Essa criança nascerá hoje, senhor Potter.
Harry sorriu em meio a tentativa de respirar e sentiu Hermione se aproximar e segurar sua mão.
- Vou preparar as coisas. Minerva, troque a roupa de cama dele e retire daqui quem for desnecessário.
- Claro. – Disse a professora aproximando-se de Harry e passando a mão em sua testa. – Tudo ficará bem, Potter.
- Dumbledore. – Disse Harry baixinho. – Precisam saber...
- Nós já sabemos. – Respondeu a professora com um olhar triste. – Não se preocupe com isso agora, apenas respire fundo.
Harry assentiu e viu a professora retirar muitas pessoas que estavam perto de sua cama. Percebeu que Rony não estava ao seu lado, mas sim em uma outra cama junto com os outros Weasley, todos olhando para alguém deitado. A senhora Weasley chorava copiosamente.
- Quem é?
- É o Gui. – Respondeu Hermione antes da professora fechar a cortina do leito do menino. – Ele foi mordido por Greyback.
- Ele vai virar um...
- Não sabemos,Greyback não estava transformado. Agora pare de fazer perguntas e apenas respire.
Harry assentiu e fechou os olhos concentrando-se nas respirações e na mão que apertava a sua, uma mão fina e delicada, pequena e que não se encaixava com a sua. Não era a mão de Snape.
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Snape aparatou no jardim da mansão Malfoy e caminhou com raiva até o portão negro que se transformou em fumaça ao passar por ele portando a marca negra em seu braço esquerdo. Ao abrir a porta viu todos os comensais reunidos, muitos davam risadas e bebiam, outros apenas bebiam e se vangloriavam do que acontecera. Dumbledore estava morto e a guerra estava cada vez mais próxima e possível. Draco estava no meio deles, mas seus olhos eram tão perdidos quanto sua própria alma. O menino não sabia o que fazia, apenas se mantinha em pé vendo os olhares dos comensais a sua volta, muitos o chamavam de covarde por não ter tido a coragem de terminar com sua tarefa, outros somente davam risadas. Belatriz não estava a vista, mas Narcisa estava ali, sentada e olhando para seu filho com uma expressão vazia. A mulher não sabia o que fazer naquele instante. Dar graças aos céus por seu filho não ter cometido aquele assassinato ou permanecer quieta e fingir não estar orgulhosa do menino? Snape suspirou, estava cansado demais.
- Vamos. – Disse pegando Draco pelo braço. – Vamos ver o Lord.
Na certa os comensais ergueriam suas taças e dariam vivas ao ser que teve a coragem de apontar sua varinha para o grande Dumbledore e recitar o feitiço da morte fazendo com que ele sumisse da face da terra, mas nenhum comensal seria burro o bastante para se meter no caminho de Snape e somente o olhar do homem já dizia que a primeira taça levantada seria o motivo para uma morte rápida e indolor.
Draco tremia em suas mãos, seus olhos cinza estavam assustados e arregalados. Era perceptível que ainda estava em choque pelo que quase fizera e pela morte daquele que lhe assegurara um esconderijo e proteção, uma saída para seu lamentável futuro. Se tivesse mais tempo poderia ter aceitado.
- Controle-se Draco. – Disse Snape virando o menino para encará-lo. – Se aparecer na frente do Lord com essa cara ele acabará com você no mesmo instante. Então, controle-se e feche sua mente. Agora.
O loiro assentiu e fechou os olhos por um instante regulando a respiração e fechando a mente, colocando todo seu medo e receio atrás de suas barreiras como sua tia ensinara.
- Ótimo. – Disse Snape antes de continuar andando em direção a sala de jantar da mansão.
Ao adentrar o recinto Snape soltou Draco e se dirigiu a frente da figura que se encontrava em pé e de costas. Mesmo sem ser visto Snape se ajoelhou em uma clara reverencia que foi imitada por Draco. Os olhos negros viram os pés de Lord Voldemort se virarem e sentiu em sua espinha o poder do homem.
- Severus, meu servo, levante-se.
Snape obedeceu e se levantou fitando os olhos vermelhos e finos que o observaram rapidamente antes de invadir sua mente com rapidez escavando todos os cantos com suas unhas afiadas. Seu corpo exausto começou a suar quando a leitura se estendeu, percebeu que o homem buscava por algo, uma brecha em seus atos que o denunciasse como um traidor, mesmo que tenha matado o único bruxo que lhe dava medo. Voldemort era astuto e sabia que uma prova de fidelidade como aquela poderia ser apenas para lhe enganar, assim como era de verdade, mas Snape era tão bom oclumente como ele era legilimente. As unhas afiadas rasgavam sua mente causando-lhe calafrios, mas não encontraram nada. Quando saíram Snape se sentiu aliviado.
- Muito bem, Severus, vejo que realmente posso confiar em você. Me saiu melhor do que pensei, quem sabe eu não lhe dê uma recompensa por isso.
- Não será necessário, meu senhor, minha única recompensa é agradá-lo.
- Eu sei. Mas percebo que não é o mesmo que Draco pensa, não é?
Draco tremeu ligeiramente quando Voldemort movimentou a mão forçando-o a se levantar.
- Você falhou, Draco.
- Eu teria sido bem sucedido, se tivesse mais tempo, meu senhor.
- Você teve praticamente um ano inteiro para tentar, e então quando estamos no final do ano letivo você coloca meus comensais dentro de Hogwarts e ainda assim, mesmo com o velho encurralado, não conseguiu matá-lo. Acha que isso é ser eficiente?
- Não, meu senhor, me desculpe.
- Desculpar? Eu não sou misericordioso, Draco. Eu não desculpo. Deveria saber disso.
Snape ouviu o baque do corpo de Draco quando Voldemort o jogou longe fazendo-o bater na parede. O Lord das Trevas caminhou lentamente até o menino e o prendeu ao chão com um feitiço.
- Você terá seu castigo por ter falhado. Severus.
Snape saiu de onde estava e se aproximou do homem que olhava para o menino trêmulo no chão.
- Milorde?
- Dê a Draco o castigo que ele merece. Acredito que depois de matar Dumbledore, castigar um menino não seja nada demais para você, não é mesmo.
- Com certeza que não, meu senhor. – Disse Snape retirando a varinha de suas vestes e se aproximando de Draco. Olhou em seus olhos e viu ali o medo claramente estampado. Ouviu o menino pedindo que não fizesse aquilo, mas estava tão cansado, tão acabado por tudo. Sabia no fundo que não era culpa dele, mas naquele momento, quando precisava descontar em alguém era Draco que estava a sua mercê. – Crucio.
Voldemort sorriu vendo o menino se contorcer no chão. A dor do Cruciatus de Snape era tão forte que poderia deixá-lo a margem da loucura. Podia ouvir o choro de Narcisa no andar de baixo e os urros dos comensais que vibravam com o castigo do covarde. Tudo aquilo era música para seus ouvidos. Somente após minutos de tortura, quando o menino mal gritava pela exaustão foi que pediu para que Severus parasse.
- Chega, Severus, não quero deixá-lo louco como os Longbottom, ele ainda pode servir para alguma coisa.
- Claro, milorde, como queira.
- Agora, meus servos estão eufóricos. Saia com eles, leve-os para alguma vila trouxa onde podem comemorar esse grande passo. Faça-os saciarem sua sede e leve Greyback, ele deve estar faminto, aquele pequeno pedaço de carne do Weasley não foi suficiente.
- Sim, senhor.
- E Severus, aproveite também, acredito que violentar algumas crianças e matar alguns trouxas nojentos seja suficiente para você.
- Claro, meu senhor. Com licença.
Snape desceu as escadas enfiando todas as suas lembranças o mais fundo possível e deixando na superfície da mente somente o instinto e controle que precisava para não enlouquecer com o que estava prestes a fazer, com as vidas que estava prestes a tirar. Não as violentaria como o Lord desejava, mas se a morte por suas mãos era o caminho mais rápido e indolor para evitar que Belatriz ou Greyback se divertissem com aqueles inocentes, então aceitava o fardo de ser o anjo da morte.
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- TIRE LOGO ELA DAÍ.
- Calma, senhor Potter. – Disse a enfermeira. – Ela já vai nascer, espere só mais um pouco e respire.
- Estou respirando, estou respirando. – Disse Harry sentindo as dores horríveis em seu abdômen e costelas.
Hermione segurava firmemente sua mão e limpava sua testa suada.
- Porque ele não está aqui, Mione? – Perguntou Harry chorando novamente. – Aquele desgraçado deveria estar aqui.
- Eu sei Harry, eu sei. Não pense nisso agora, pense em sua filha.
- Ele matou Dumbledore, ele me traiu. Eu o amei, Mione. Eu ainda o amo e aquele filho da...AAAAh...aquele filho da puta está com os merdas dos comensais ao invés de estar ao meu lado.
- Shh, calma Harry, se acalma. Madame Pomfrey, vai demorar muito ainda?
- Não, já vou fazer o parto. Senhor Potter, vou usar alguns feitiços no senhor que o fará sentir menos dor, mas não posso extingui-la, preciso que me diga se tiver alguma coisa errada.
- Tá bom, mas tira logo ela daí.
Madame Pomfrey arrumou Harry na maca deixando-o com as pernas completamente esticadas facilitando seu acesso a criança em seu ventre. Com cuidado recitou um feitiço que fez a dor diminuir deixando Harry mais calmo. McGonagall estava do outro lado da maca somente aguardando as instruções da enfermeira.
- Pronta? – Perguntou Papoula.
McGonagall assentiu e viu a destreza com que a enfermeira passava a varinha na parte baixa da barriga do menino cortando-lhe com cuidado. O sangue começou a manchar a pele branca de Harry que mantinha-se parado mesmo que a dor fosse cruel. A mão de Hermione estava dormente. Por minutos a fio Madame Pomfrey concentrou-se em cuidadosamente chegar até a criança que era fortemente protegida pela placenta de Harry que continha uma magia muito forte.
- Nunca vi uma coisa assim! – Exclamou Madame Pomfrey. – A placenta é extremamente forte, muito mais do que qualquer outra que tenha visto. – Disse enquanto a cortava para ver a criança. – A magia dela é muito forte.
Finalmente a enfermeira ultrapassou a barreira da placenta e visualizou a criança. Minerva limpava o corpo do menino deixando o caminho o mais limpo possível para que a enfermeira conseguisse trabalhar com mais cuidado.
- Minerva, preciso de sua varinha aqui.
- O que aconteceu? – Perguntou a professora vendo os olhos arregalados da enfermeira.
- O cordão umbilical está enrolado no pescoço dela, não sinto o batimento cardíaco, preciso que corte o cordão no pescoço dela. Rápido.
- O que aconteceu? Eu não sinto nada. – Disse Harry desesperado.
- Calma, Harry, não aconteceu nada. Está tudo bem. – Disse Hermione tentando acalmá-lo.
- Minha filha! O que aconteceu com minha filha?
- Minerva, rápido.
A professora largou o pano que segurava e se aproximou com a varinha na mão, viu que a enfermeira segurava a criança ainda dentro da placenta e que em volta do pescoçinho estava o cordão umbilical. A criança não respirava.
- Agora faça o feitiço de corte no cordão perto do pescoço, cuidado para não cortá-la.
Jamais McGonagall fizera algo desse tipo, jamais vira um nascimento, mas naquele momento sua mente estava tão concentrada que parecia ter a destreza de centenas de anos de medibruxaria. O feitiço cortou o cordão na nuca da criança. Assim que a viu livre Papoula a retirou do útero de Harry e a colocou na mesa próxima deixando-a de costas para o menino.
- Cadê minha filha, o que aconteceu com ela. Por favor, onde ela está? Por que ela não chora. Por quê?
Harry soluçava enquanto perguntava sobre a menina. McGonagall fora para seu lado e segurou sua outra mão, por dentro ela rezava como havia aprendido quando pequena, uma oração trouxa que implorava ao pai todo poderoso a proteção que aquela menina precisaria. Harry fechou os olhos quase desistindo de tudo, foi quando ouviu ao fundo o belíssimo canto de Fawkes que voava pelos campos de Hogwarts indo embora do recinto que Dumbledore não mais habitava. Ela cantava seu luto, e ainda que fosse belo jamais poderia ser comparado com o choro de vida que escutara quando a linda menina soltou o ar de seu pulmão.
Minerva levou a mão ao rosto sem se importar que o sujasse de sangue, Hermione beijou a testa suada de Harry e Papoula carregou um pequeno embrulho até o menino que estendeu a mão para receber a criança que chorava a plenos pulmões.
- Parabéns, senhor Potter. – Disse a enfermeira limpando o suor de sua testa e respirando fundo. – É uma linda menina.
- Obrigado. – Disse Harry recebendo a criança em suas mãos trêmulas. – Ela é linda.
- É sim, o senhor tem muita sorte, Harry. – Disse McGonagall se aproximando e vendo a menininha se acalmar aos poucos enquanto sentia a presença do pai.
- Senhor Potter, não quero estragar o momento, mas preciso colocá-la na incubadora. Ela nasceu de sete meses e precisará ficar algum tempo lá para desenvolver sua magia corretamente.
- Posso segurá-la só mais um pouco?
- Apenas um minuto. Ainda preciso cuidar do senhor.
- Certo. – Disse Harry sem deixar de olhá-la.
- Já escolheu o nome dela? – Perguntou Hermione.
- Já.
- E como será? Vai colocar o nome de sua mãe?
- Eu pensei em colocar o nome dela, mas depois mudei de idéia. Eu queria alguma coisa que mostrasse o significado do nascimento dela e como ela vem em um momento tão negro, eu quis colocar algo que a representasse.
- Você e o professor Snape discutiram sobre isso? – Perguntou a professora com cautela.
- Não, não tivemos chance e nunca teremos. Eu mesmo que pensei no nome.
- E afinal, qual é esse nome? – Questionou a enfermeira.
- Lys. Quer dizer Luz em norueguês.
Hermione sorriu e Minerva lhe disse que era um bonito nome. Papoula lhe pediu a criança para levá-la para a incubadora. Harry estava resoluto em entregá-la, estava tão quietinha com os olhinhos fechados e a boquinha cerrada, seus ralos cabelos todo sujo com sangue e gosma da placenta, toda suja e enrugada, toda linda e especial. Após um segundo pedido mais forte Harry lhe estendeu a menina, mas não antes de beijar-lhe a testa.
- Bem vinda ao mundo, Lys Prince Snape.
N/A:
E ai, gostaram do nome da menina? Eu achei muito lindo... me matei para tentar colocar um nome legal nela... espero que gostem... vamos aos comentários:
Daniela Snape: Pois é, acho que a maioria das pessoas não gostou da morte do Dumbledore, ele era o fodão da história, praticamente o bruxo mais importante após o proprio Harry... mas entendo que para que o Harry crescesse e seguisse eu proprio caminho ele tinha que perder Dumbledore para entender que ele precisava tomar as decisões sozinhos sem esperar que o grande bruxo estivesse sempre ali por ele... acho que é mais ou menos isso que J.K. tentou dizer com a morte dele... eu chorei muito no livro, no filme e na fic... sou uma chorona...
Renata: Essa música da Christina Perri é maravilhosa... eu sempre escrevo ouvindo-a pelo menos uma vez, mas a letra dela só vai encaixar na história mais para frente. Você estava morrendo de medo de ler o capítulo e eu de escrever... é horrivel ter que escrever tanto sofrimento, mas é tão necessário...Uau, parabens por ter passado na facul, fico muito feliz, espero que tenha muito sucesso lá... já terminei minha facul faz três anos e sinto uma saudade imensa... bjusss
Carolzinha: Muito obrigada pelo seu review;... bjusss
Tonks Fênix : Pois é... agora você sabe qual foi a reação dele. Harry normalmente não tem a capacidade de raciocinar e entender o que acontece por trás dos atos, mas sinceramente, naquele momento, com Dumbledore morrendo pelas mãos dele, nem eu conseguiria pensar em nada disso... então ele fez a unica coisa que conseguia, agiu conforme seu coração mandava naquele momento que era matar Snape pelo que ele fez ao diretor e a ele. Espero que tenha gostado do nascimento da menina... demorei para escrever, não sei como descrever o nascimento de um bebe... mas acho que ficou legal... rsrsrsr... bjussss
Sandra Longbottom : Como você pode ter visto, Harry seguiu o instinto de seu coração sem nem ao menor parar para pensar, naquele momento ele queria muito matar Snape tanto pela morte do diretor quanto pela traição a ele. Imagine você ver o amor da sua vida matar junto com pessoas ruins o seu mentor... ninguém conseguiria raciocinar... ninguém... mas então nasceu alguém que vai fazê-lo ficar mais com o pé no chão...vamos ver o que acontecerá agora neh... bjussss
Alma Frenz : Minha amada Alma, que imenso prazer te responder esse review... verdade mesmo,... amo seus reviews e sua analise da minha escrita, fiquei esperando seus reviews anteriores e quando vieram foi uma explosão enorme dentro de mim... muito obrigada mesmo por disponibilizar seu tempo que eu sei que é curtíssimo...
Pode perceber que tirei a idéia dessa despedida do Desiderium, pois achei muito linda, e tentei moldar ao máximo no que vinha a minha mente que era essa surpresa para o Harry que tanto sonhou em os dois poderem fazer coisas juntos que um casal normal faria... sim, aquele sentimento de desespero estava presente em todo o momento. Snape sabia que o relógio estava andando contra ele, correndo literalmente para o momento fatidico que ele sabia ser naquele dia. Harry por outro lado, mesmo sentindo que alguma coisa estava errada, ainda estava com a felicidade do amor recem entregue a ele para conseguir compreender que aquele momento intenso do "Eu te amo" era o último dos dois...e então chegamos ao momento em que o mundo para completamente aos seus olhos. Acho que qualquer um iria querer roubar aquela varinha e matar Dumbledore no lugar de Snape só para poupar os dois dos sofrimentos da separação. E agora você viu como foi a reação, mais do que esperada, do Harry e o sentimento de Snape de que tudo estava finalmente acabado... agora eles estão em caminhos diferentes, Snape tem seu disfarce que é tudo que lhe resta para proteger, mesmo de longe, Harry e a menina... e do outro lado temos Harry e Lys que terão que lutar para sobreviver ao caos que virá...muito obrigada pelo review e logo logo posto mais... bjussss
mulamxd : Você sabe que quase me matou do coração com o inicio do seu review? Eu quase infartei ao ler que você odiou o capítulo, murchei completamente pensando onde eu tinha errado em minha cansativa tentativa de trazer algo interessante aos meus leitores... ai depois eu li o que estava entre parenteses...Imagino como você ficou, pois é como eu fico também quando leio...mais uma separação, mas acredite, essa aqui será mais duradoura, tem coisas demais para os dois passarem separadamente para que finalmente fiquem juntos, se é que isso irá acontecer...Desiderium é maravilhosa e eu quase arranco os cabelos quando tem capítulo novo... Sou super fã da tradutora e das autoras... espero que esteja curtindo essa fic...bjussss
