- Então... ainda não falou com ela sobre Nova York? - Hay me entregou a última peça de roupa sentando na beirada da cama.
- Não... - Guardei a camiseta dentro da mala pequena a fechando. - Não sei direito como vai ser... só quero apenas aproveitar seus últimos dias de férias sem tocar nesse assunto.
- Vocês vão ficar bem, Sel. - Hay tentava amenizar meu receio. - Tenho certeza que nada vai atrapalhar vocês.
- Você está certa... mas por agora prefiro deixar esse assunto de lado. - Suspirei pesadamente.
Hayley assentiu em resposta.
- Querida. - Maria adentrou o quarto com um molho de chaves em mão. - Eu e seu padrasto estamos confiando em você, okay?
- Fiquem tranquilos. - Rolei os olhos pegando as chaves da casa de praia. - Serão só dois dias.
- Mal voltou do Texas e já está saindo de novo, não consigo nem imaginar como vai ficar essa casa quando for para Nova York. - A expressão triste em seu rosto me fez abraçá-la ternamente.
- Não é como se eu fosse embora pra sempre. - A beijei na bochecha. - Já conversamos.
- Eu sei, querida. Mas você é minha garotinha que vai se mudar para outra cidade longe de mim. Não acredito que cresceu tão rápido. Estou muito orgulhosa de você, Selena. - Me olhou com os olhos lacrimejados.
- Eu te amo tanto. - A abracei mais uma vez.
- Aww, parem! Vocês duas estão me fazendo chorar. - Hay disse com a voz chorosa se juntando ao abraço. - Também não quero ficar longe da minha melhor amiga, é como se arrancassem uma parte de mim.
- Você é tão dramática! - Ri fraco.
Sentia um forte aperto no peito por ter que deixá-los, embora ainda não tinha cem por cento de certeza em minha decisão. Havia agido silenciosamente seguindo o concelho de alguns professores ao mandar cartas de recomendação para um curso em outra cidade. No começo não tinha muitas esperanças porém tinha a chance de ser aprovada pelo bom desempenho e notas.
Passei dias pensando após passar por provas. Não esperava que a mulher por quem antes eu tinha apenas uma quedinha iria me trazer dúvidas sobre minha escolha. Na verdade, me apaixonar não estava em meus planos quando pensava em meu futuro antigamente.
Tudo o que eu queria fazer era o que eu mais gostava. Desenhar era o que eu sabia fazer de melhor. Era o que eu queria para meu futuro e não conseguia me ver fazendo mais nenhuma outra coisa em qualquer outra profissão importante. Aquela era uma ótima oportunidade para conseguir algo por conta própria, sem a ajuda de Brian. Mas para isso precisava deixar tudo e ir estudar em Nova York. Me mudar para uma cidade onde eu não conhecia ninguém.
Estava assustada para ser honesta, o próximo ano estava a caminho e eu continuava adiando a informação para Demi. Ela não sabia de nada ainda e foi um erro não ter contado antes. Continuar escondendo a novidade por puro medo do nosso relacionamento desmoronar estava me sufocando. Embora eu soubesse o quanto ela ficaria feliz por mim. Não estava em uma situação nada fácil mas pretendia fazê-la uma proposta quando estivesse pronta pois minha chance de receber um sim, talvez não fosse tão grande e meu pessimismo não ajudava.
- Não estou atrapalhando nenhum momento em família, estou? - A voz suave invadiu o quarto me fazendo olhar de imediato para a porta.
- Já chegou! - Exclamei abrindo um sorriso e recebendo outro de volta.
Me desvencilhei dos braços de Maria e Hay correndo para abraçar a mulher parada diante a porta aberta. A beijei com vontade a apertando delicadamente em meus braços.
- Nossa. - Sussurrou rindo fraco. - Quanto tempo não nos vemos mesmo? Um ano? - Brincou me tirando um riso curto.
- Hello! Vocês não estão sozinhas aqui não! - Hay anunciou em voz alta escorando o braço no ombro de Maria.
- Deixe as pombinhas em paz, menina! - Maria a empurrou levemente. - Vamos! - Saiu do quarto puxando minha amiga pela mão.
Admirei os olhos castanhos em minha frente enquanto a mão retirava a franja de meu olho. Observei um pequeno sorriso nascer no canto dos lábios rosados.
- O quê? - Questionei curiosa.
- Nada não. - Ela riu pelo nariz. - Já podemos ir, minhas coisas estão no carro.
- Certo, então... pronta pra ter outro fim de semana divertido, Doutora? - Pressionei mais nossos corpos.
- O que você acha? - Me puxou pela nuca capturando meu lábio inferior entre os dela.
(...)
Algumas gaivotas voavam pelo céu alaranjado de fim de tarde enquanto outras andavam pela areia da praia calma.
As pernas torneadas em volta da minha cintura me prendiam na areia macia. Demi sorriu largo levando a câmera fotográfica para perto do rosto novamente continuando a tirar fotos minhas. Eu ria fitando a lente à minha frente fazendo caras e bocas.
Não fazia muito tempo que havíamos chegado. A casa estava exatamente do mesmo jeito que me lembrava. Não era muito grande ou luxuosa, era simples e confortável. Há muito tempo não ia pra lá e tinha me esquecido de como era bom apenas ficar ouvindo o barulho do mar, das ondas se chocando contra as rochas e sentir o vento fresco tocar a pele.
- Estou adorando esse lugar. - Demi saiu de meu colo sentando ao meu lado. - Se eu pudesse moraria aqui!
- Que bom que gostou. - Sorri admirando o perfil do rosto sereno mirando o mar. - Já terminou com a sessão de fotos? - Arqueei uma sobrancelha.
- Não. - Ela riu fraco. - Mais uma nossa! - Pressionou os lábios em minha bochecha tirando outra foto.
- Está com fome? - Perguntei minutos depois. - Eu posso tentar fazer a macarronada italiana que Maria me ensinou ou podemos ir em algum restaurante aqui perto. - Sugeri.
- Os dois parecem ótimos, agora vire seu rosto bonito. - Pediu, eu ri a obedecendo. - Você é linda...
Sorri para o mar enquanto ela conseguia mais uma foto. Depois seus lábios capturaram os meus iniciando um beijo lento e carinhoso. Ficamos mais um tempo ali na areia namorando antes de caminharmos abraçadas de volta para a casa.
- Eu vou pegar alguma coisa pra gente beber. - Avisei quando entramos, indo em direção à cozinha.
Peguei uma garrafa de vinho e duas taças retornando à sala e avistando a mulher sentada no sofá.
- Lembrei que preciso telefonar pra casa e avisar Maria que chegamos bem. Sabe como ela é... - Suspirei repousando as coisas na mesa de centro. - Viu meu celular? - Perguntei procurando atrás das almofadas.
- Por que não me contou que vai para Nova York? - A pergunta repentina me fez engolir em seco prendendo a respiração.
- O quê? Como… - Notei que era meu celular em sua mão e estremeci.
Demi levantou séria o estendendo para mim. Peguei o telefone e fitei a tela onde havia uma mensagem aberta de Debby falando sobre minha viajem. - Demi, eu…
- Parece que eu fui a última a saber, não é? - Soltou um riso baixo e sarcástico. - Sou sua namorada e a última a saber... - Encolheu os ombros.
- Eu ia te contar, eu queria falar mas estava com medo e ainda estou. - Abandonei o celular no acento do sofá e me aproximei dela, segurando suas mãos. - Não quero ficar longe de você, eu preciso que… - Pausei respirando fundo. - Quero que você vá comigo.
Ela não disse nada, permaneceu estática me encarando por longos minutos com o cenho levemente franzido.
- Demi, eu posso comprar um apartamento pra gente e você é uma ótima médica com certeza há hospitais lá que contratariam você e… - As palavras saíam atropeladas da minha boca.
- Não é tão fácil como pensa, Selena. Eu... não posso. - Soltou as mãos das minhas. - Não, eu não posso. Não pode me pedir para largar tudo o que eu tenho aqui, meu trabalho, Liz e… - Se calou desviando os olhos lacrimejados dos meus.
Passei as mãos pelo meu rosto secando rapidamente as lágrimas que deslizaram, sem conseguir reprimi-las.
- Eu.. eu.. largaria tudo por você. - Balbuciei recebendo um olhar sério.
- Não. Você precisa ir. É ótimo pra você! Tem que ir.
- Mas e pra nós? - Elevei o tom de voz, as lágrimas embaçando minha visão. - Eu estou pensando no que é ótimo pra nós e ficar longe de você com certeza não é! - Completei sem conseguir conter o choro.
- Me desculpe... - Sussurrou, me deixando sozinha na sala.
- Isso é o que mais sabe pedir. - Murmurei sem pensar, saindo para fora da casa.
Chutei a areia com raiva, continuando a andar até a margem do mar. Minha mente girava em um turbilhão de pensamentos e ao parar para refletir, havia feito tudo errado. Não podia pressioná-la a nada, era óbvio que não largaria sua vida para me acompanhar. Não sabia onde estava com a cabeça.
O vento secou as lágrimas em meu rosto e não sei quanto tempo fiquei parada ali. Quando percebi já estava mais escuro. Abracei meus próprios braços ao sentir minha pele se arrepiar e fitei a lua por um tempo.
- Está frio... você vai continuar aí? - Meu peito revirou ao ouvir sua voz, virei o rosto encontrando Demi com os braços cruzados sobre o peito. Ela andou mais alguns passos e se aproximou de mim. - Olha, Sel... não é como se fossemos terminar com você em outra cidade.
- Mas… - Tentei falar mas ela me impediu fazendo sinal com a mão.
- Você vai para Nova York. Eu vou ficar aqui. Não esperava por isso e sei que não será fácil mas eu... prometo a você que vamos ficar bem. - Sorriu fraco pegando minhas mãos e entrelaçando nossos dedos. - Temos telefone, internet e eu posso ir pra lá nos dias de folga e você vem pra cá nas férias. Confie em mim, meu amor. Vamos ficar bem.
- Por que tem tanta certeza? - Minha voz saiu baixa.
- Porque eu acredito em nós. - Esboçou um leve sorriso.
Fitei os olhos castanhos intensamente com o coração apertado.
- Não vai ser a mesma coisa. - A abracei forte permitindo que o choro que havia conseguido prender tornasse a sair. - Desculpe não ter contado nada antes, esse era p-pra ser um fim de semana divertido. - Solucei contra seu pescoço.
- Olha pra mim, baby... - Segurou meu rosto entre as mãos secando minhas lágrimas. - Vai dar tudo certo.
Juntou nossos lábios de forma singela mas eu aprofundei o contato com urgência o transformando em um beijo ávido. Colei nossos corpos a puxando pelo quadril.
- Vamos entrar. - Demi ofegou cortando o beijo e eu assenti voltando a beijá-la com paixão.
Tateei a porta atrás de mim em busca da maçaneta ao mesmo tempo em que recebia beijos e chupões em meu pescoço.
A boca sedenta voltou a se chocar com a minha com avidez e desejo ao entrarmos na casa. Gemi fraco contra os lábios entreabertos ao ser prensada contra a parede. Demi deslizou uma das mãos até minha coxa a erguendo e apertando com vontade, as unhas curtas pintadas de preto arranharam minha pele fazendo com que outro gemido fraco escapasse de minha garganta. A prendi perto de mim ao senti-la subir a mão novamente segurando a barra de minha camiseta.
Sua boca abandonou a minha e a peça de roupa foi retirada do meu corpo com rapidez, sendo jogada no chão da sala. Arfei mergulhando minhas mãos no cabelo macio sentindo os dentes se prenderem na cartilagem de minha orelha e os lábios úmidos e lascivos escorregarem para o meu pescoço.
Em um movimento rápido Demi me levantou do chão, me prendendo entre a parede e seu corpo quente. Gemi envolvendo minhas pernas em sua cintura a segurando firme pela nuca.
Rumamos aos beijos para o quarto de casal e Demi empurrou a porta com o pé, me carregando para dentro do cômodo parcialmente escuro. A respiração quente e ofegante se mesclando com a minha no curto caminho.
Puxei a camisa de flanela para fora do corpo em cima do meu após minhas costas descansarem no colchão, a atirando longe da cama. Demi iniciou uma trilha de beijos molhados ao longo do meu pescoço descendo até a clavícula, colo e barriga. Mordi meu próprio lábio enquanto a língua quente e ávida passeava lentamente por minha pele.
Sem pressa ela levou as mãos para debaixo do meu corpo. Arqueei as costas a dando total acesso ao fecho do sutiã. Um suspiro escapou de meus lábios ao sentir a pequena peça de renda ficar frouxa sendo vagarosamente retirada.
- Tão linda... - Demi sussurrou abocanhando um de meus peitos com desejo, sugando lentamente meu mamilo enquanto a mão carinhosa se apoderava do outro.
Gemi baixinho esboçando um sorriso e sentindo meu ventre revirar.
Segurei o rosto bonito entre minhas mãos juntando novamente nossos lábios em um beijo.
Suspirei com o breve arrepio que percorreu minha espinha ao sentir as pontas dos dedos deslizarem em meu abdome enquanto nos beijávamos, parando no botão do short jeans e o abrindo com lentidão.
Demi escorregou a mão para dentro do short afagando meu centro pulsante por cima da calcinha molhada. Gemi cravando minhas unhas em suas costas ao separar meus lábios dos dela, a observando deslizar a peça de roupa pelas minhas pernas, jogando a roupa de lado.
Estremeci com o hálito quente se chocando contra a minha pele quando os lábios macios tocaram a parte abaixo de meu umbigo. Demi passeou com a ponta do nariz em minha barriga enquanto beijava e chupava cada canto com lentidão, subindo até o espaço entre meus peitos deslizando a língua lentamente.
Gemi baixo agarrando os fios do cabelo negro e com um pouco de dificuldade capturei o fecho do sutiã. Deslizei as alças pelos ombros alvos e Demi terminou de tirá-lo, aproveitando para fazer o mesmo com o resto de suas roupas.
Umedeci meus lábios admirando seu corpo perfeito com desejo antes de se colar ao meu provocando um sensação maravilhosa. Ela prendeu meu lábio inferior entre os dentes o puxando com sensualidade, invadindo minha boca com a língua lasciva.
Percorri as mãos nas costas nua descendo até a bunda e apertando com vontade, arranhando as coxas grossas lentamente. Meu corpo se contorceu levemente ao sentir a coxa grossa entre minhas pernas pressionar meu sexo molhado coberto pela calcinha me fazendo gemer entre o beijo. Cravei as unhas na pele macia arqueando os quadris em busca de mais contato e um ronronar chegou ao meus ouvidos.
Demi afastou a boca da minha, deixando uma mordida carinhosa em meu queixo enquanto descia uma das mãos pela lateral do meu corpo parando na barra da calcinha, adentrando o tecido úmido devagar.
- Demi… - Ofeguei fechando os olhos quando os dedos delicados me tocaram com vagareza. - Ahn… - Movimentei o quadril ansiando por mais.
- Gostosa... - Sussurrou rouca e ofegante em meu ouvido, o roçar dos lábios molhados e da língua me fez estremecer.
Meu peito subia e descia por conta da respiração descontrolada. Segurei o lençol da cama sentindo o movimento circular cessar e a pequena e última peça de roupa deslizar pelas minhas coxas sem pressa, me deixando mais ansiosa.
Demi percorreu as mãos delicadas em minhas pernas suavemente as afastando e se posicionando entre elas. Fitei os olhos castanhos que miravam os meus intensamente, recebendo um beijo molhado na virilha antes da boca ir mais além e meu gemido alto preencher o quarto quando a língua habilidosa correu lentamente pela minha intimidade. Joguei a cabeça para trás arqueando as costas.
- Demi… - Choraminguei com a respiração pesada e entrecortada, a sentindo lamber e sugar meu clitóris, me invadindo lentamente com os dedos. - Deus… - Meus olhos se fecharam.
O movimento lento dentro de mim e da língua em meu ponto pulsante foi se tornando mais rápido aos poucos aumentando o som de meus gemidos impossíveis de conter. Enterrei os dedos nos cabelos negros gemendo seu nome e logo meu corpo inteiro tremeu em um orgasmo. O grito fino que escapou de minha garganta ecoou pelo cômodo quente. Respirei ofegante e suada relaxando na cama quando os dedos me abandonaram.
Abri os olhos devagar acarinhando os cabelos de Demi ao sentir o movimento de sua língua em meu clitóris sensível. Tremi fechando os olhos novamente enquanto meus batimentos cardíacos se normalizavam.
Demi depositou beijos ternos em minha barriga e peitos. Sorri agarrando os cabelos alvoroçados quando seu olhar encontrou o meu. Ela sorriu docemente acariciando a maçã de meu rosto com o polegar antes de me beijar nos lábios.
(...)
Inalei o cheiro doce do pescoço cheiroso percorrendo as pontas dos dedos na pele alva a notando se eriçar. Ri baixo vendo que Demi já estava acordada e apenas com os olhos fechados.
Levantei o rosto de seu peito olhando em direção da porta-janela aberta. A cortina fina balançava com o vento e o sol fraco da manhã adentrava o quarto.
Eu desejava permanecer ali naquela posição para sempre e esquecer do resto do mundo lá fora. Tentei não pensar em mais nada e apreciar o momento mas não conseguia deixar as preocupações de lado.
Soltei um longo suspiro deitando a cabeça de novo.
- Pare de pensar nisso. - Demi sussurrou com a voz rouca e sonolenta acarinhando minha coxa nua sobre seu corpo. - Como você disse antes... esse é pra ser um fim de semana divertido.
- É… - Sorri fraco fechando os olhos.
- Por que já está acordada? Que horas são? - Perguntou um pouco mais desperta se mexendo no colchão.
- Não sei... só quero continuar aqui com você. - Eu disse manhosa abraçando o corpo quente.
- Lembra... quando eu falei sobre sentir medo de te perder?
- Mhm. - Assenti em resposta lembrando do dia exato.
- Você disse que não vai acontecer. - Continuou com a voz baixa. - Então... agora quero que saiba que você também não vai… me perder. - Depositou um beijo terno em minha cabeça.
- Eu te amo. - Sussurrei sentindo um frio na boca do estômago.
Me aninhei mais em seu corpo ouvindo o coração pulsar acelerado assim como o meu e sentindo os braços me apertarem juntando ainda mais nossos corpos nus entre o lençol.
