A mesma saudação do cap. anterior!


Cap. 26



No convento em Nassau...

Jack finalmente estava melhor, depois de vários dias de agonia.

Estava rouco ainda, espirrava muito e tinha febre, as costas eram seu maior problema, o pirata não conseguia se mexer, pois isso lhe causava as mais absurdas dores.

- Onde está Elizabeth? – foi a primeira coisa que perguntou quando sua voz finalmente saiu.

Ninguém quis responder de imediato, então ele começou a gritar histericamente.

- Elizabeth! Elizabeth! Elizabeth! - sua voz era rouca e desesperada. - Lizzie! Oh Lizzie! AMOR! Elizabeth! - logo sua expressão foi ficando cada vez mais triste à medida que sua voz ia falhando ao pronunciar as palavras.

Logo Gwen e John foram vê-lo e se trancaram com ele no quarto. A conversa seria difícil.


Gwen sentou na cama ao lado de Jack e John ficou de pé.

- Onde ela está? Por favor, me digam, eu não agüento mais perguntar e todo mundo ficar com cara de espanto e sair correndo! Não agüento mais! Savvy?! – Jack pediu abruptamente, bravo e sem paciência alguma.

- Meu filho, querido Johnnie, eles... – Gwen tentou dizer, mas acariciou a cabeça de Jack e suspirou.

- Lord Henry Beckett a levou daqui. – disse John com firmeza para que Jack não tivesse outra crise histérica. – Você já deve imaginar isso não é?

Jack se contorceu na cama e cerrou os dentes.

- Ela não podia ter feito isso comigo! Não podia! – falou alto.

- Querido, ela te protegeu! – disse Gwen.

- Protegeu?! – Jack protestou.

- O que mais ela poderia fazer? – disse a freira tentando acalmá-lo.

- Ela poderia descer no meu lugar, ficar trancada lá e me deixar ser levado por aquele desgraçado! – ele falava com todas as forças de seus pulmões.

John aumentou a voz para que Jack percebesse que ele não mandava ali, mas o pirata estava contrariado, desgostoso e tinha vontade de matar qualquer um que lhe dissesse um não.

- Isso não deve ter passado pela cabeça dela meu filho. – disse John. – Não deu tempo!

- Quem diabos deu com a língua nos dentes e nos denunciou? – ele disse raivoso. – Quem?!

- Betthy. – Gwen disse com pesar e Jack proferiu maldições.

- Aquela maldita espevitada! Ela me...

- Ela foi presa, junto com um rapaz que estava com ela no baile e bateram no moço até ela contar onde vocês estavam! Não a xingue, ela está pior que você, pois está presa, esperando o enforcamento por ajudar piratas. E dê graças a Deus que sua mulher nos inocentou antes de ser levada, pois do contrário, estaríamos perdidos, todos nós. – John estava firme.

- Desculpe. – Jack murmurou, se encolhendo envergonhado, imaginando os tormentos de Betthy e Josh, tudo culpa sua. Quando se tratava de tortura, os ingleses eram mestres cruéis. – Eu preciso sair daqui, tenho que salvá-la. Elizabeth, Betthy e esse moço aí!

- Só quando você se recuperar bem! – Gwen tratou de aquietá-lo. – Não adianta nada você sair daqui para tentar salvá-los, e cair doente em algum porto desconhecido! E o governador disse que os enforcamentos não ocorrerão tão cedo, pois esperam ordens do Rei, que chegam de seis em seis meses. Como ainda é fevereiro... Temos que esperar muito.

- Nada disso! Não posso esperar, eu preciso avisar aos meus... eu preciso avisar à tripulação e... – ele disse nervoso.

- Mensageiros nossos foram enviados aos portos piratas, não se preocupe. Mas ninguém sabe para onde Beckett levou Elizabeth, pois pelo que eu andei ouvindo por aí, ela não ficou muito tempo em Port Royal. Ficaram por lá um dia e logo no amanhecer do dia seguinte, o Maidstone zarpou.

- Oh Bugger! Zarpou?! Para onde?!

- Eu já disse, ninguém sabe.

- Oh Bugger! Que inferno! Essas costas que não colaboram. Eu não consigo me mexer, mas também não agüento mais ficar preso aqui! Tenho que ir atrás do Pérola! Oh Bugger, Elizabeth está grávida! – Jack grunhiu em dor.

- Oh querido, nós sabemos e isso é o que mais nos preocupa! Uma mulher pode perder a criança se passar por emoções muito fortes. – disse Gwen choramingando.

- Não fique me dizendo essas coisas mulher! E pare de chorar Gwen, por favor. – Jack estava incomodado com tudo aquilo. Sentiu uma vontade devastadora de chorar também. Isso não era coisa de pirata, mas ele estava tão abalado que isso estava o destruindo. Ele se segurou.


Os dias se passaram monótonos. Jack passava os dias a gemer de dor enquanto as freiras faziam compressas de água quente e várias ervas para pôr nas costas inflamadas. E à noite, à noite Jack chorava baixinho para que ninguém ouvisse.

Ele já estava se sentindo desmoralizado e humilhado simplesmente pelo fato de estar preso à uma cama, se o pegassem chorando de tristeza à noite seria a morte de seu mito pirata.

Sua cabeça estava frenética, cheio de planos de fuga e de vingança contra Beckett. Jack nunca imaginou que seria capaz de sentir um ódio tão imenso e profundo por alguém como sentia agora por Henry Beckett.