- Capítulo Vinte e Seis –

N/A: OBRIGADA PELOS REVIEWS! Segunda parte da festa aqui. Esse capítulo é super importante, e espero que vocês gostem! Como estava ficando muito grande, dividi em dois MAIS UMA VEZ. Aguardem o que nele eu explico melhor! XD Beijos!

Natalie era a única pessoa do orfanato com a qual May quisera fazer amizades. Era, na verdade, filha do diretor. Isso, entretanto, não lhe dava nenhuma segurança. Ela e May tinham o mesmo problema – eram odiadas pelos demais órfãos por acharem que ambas não sofriam tanto quanto eles por "imunidade familiar", quando era justamente ao contrário.

Natalie não passava muito tempo no orfanato, mas sempre que ia ela e May acabavam juntas de algum jeito. A morena, acostumada com fatos inexplicáveis, simplesmente concluiu que era destino. As duas teriam firmado uma forte amizade se o pai da loira não interferisse sempre. May sempre pensava que o diretor a chamava a seu quarto porque ela era uma "versão morena" da filha, mas reencontrar Natalie agora não lhe suscitava nenhuma raiva. Muito pelo contrário.

Ela havia contado a Natalie, no passado, numa única ocasião em que elas conversaram, sobre o pai de Kai, sua avó e o próprio pai da menina. Desde então elas haviam se compreendido, mesmo que não de uma forma amiga, mas não existia antagonismo entre as duas.

- Natalie, seu pai... – May perguntou, quando Michele e Kai se afastaram.

- Ele morreu há alguns anos. Contraiu AIDS. – disse, e ao ver o olhar alarmado da outra correu a se corrigir. – Ele contraiu DEPOIS daquela história toda, não se preocupe.

May deu um suspiro aliviado. Só para depois voltar a se preocupar.

- E você? Quer dizer, eu consegui fugir, mas você... – ela não conseguiu completar a frase.

- Não se preocupe, eu estou limpa também. – Natalie sorriu, e as duas acabaram caindo na gargalhada numa forma de aliviar o nervosismo. – Como é a vida no Japão?

- Bem diferente da que eu costumava ter aqui, tanto quando meus pais eram vivos quanto quando eles morreram. – ela respondeu, rindo um pouco mais. – E você, o que tem feito da vida?

- Bem, eu me libertei do meu pai há alguns anos atrás, antes dele morrer, sabe? Seu exemplo me inspirou. – ela contou, ficando levemente rubra. – Fui colocada numa ONG para crianças que sofreram abusos sexuais e acabei adotada pelos pais do Daniel.

- Daniel? – May perguntou, erguendo uma sobrancelha.

Natalie apontou o rapaz da guitarra, que acenou para elas. May retribuiu o cumprimento com um meneio de cabeça e um sorriso.

- E...? – perguntou, ao voltar a fitar a amiga.

- E daí que desde então eu tenho sido muito feliz. Eles me tratam muito bem, os pais dele, a irmã... E recentemente nós dois descobrimos que somos mais... compatíveis do que como irmãos. – ela completou, lançando um olhar cúmplice para o rapaz, que retribuiu com um sorriso mais do que carinhoso.

May corou, sorrindo.

- Oh, que maravilha. Quer dizer que você está com uma vida normal agora? – ela quis saber, acanhada.

Natalie, entendendo ao que a outra se referia, apenas riu e assentiu com a cabeça.

- É maravilhoso. Ele é muito carinhoso comigo. Nunca me obrigou a nada e esperou até que eu estivesse segura do que queria fazer. – ela murmurou, cúmplice, fazendo a morena sorrir. – Não me arrependo de ter me entregado a ele, nem mesmo por um segundo.

- Você o ama, e ele ama você. – May constatou o que já era óbvio.

Natalie sorriu e assentiu mais uma vez.

- Quando sua irmã procurou nosso agente pra contratar a banda para esta festa, eu acreditei que foi o destino que nos colocou juntas novamente. – a loira contou, empolgada, abraçando-a mais uma vez. – Sei que nunca passamos tempo suficiente juntas para sermos amigas de verdade, mas eu me lembro de uma detenção que o papai nos colocou juntas e você me contou sua história. Desde então eu me sinto ligada a você.

- Eu também. – May relevou, o que fez a outra sorrir.

- Sabia que você me entenderia! – Natalie sorriu, segurando as mãos dela. – Espero que seus parentes do Japão a estejam tratando bem.

May assentiu com a cabeça.

- Tia Michiko é ótima. Aquela é minha prima Kali. – apontou a garota, e só então percebeu a presença de Jounouchi na festa. Isso só podia significar uma coisa: Yugi estava por ali também.

Seu olhar preocupado buscou o amigo, antes que ele e Kaiba começassem a brigar um com o outro. Ficou ainda mais preocupada ao notar que não só Yugi estava com ele, mas Malik também. "Isso vai dar confusão...", pensou.

- Lizzie? – Natalie chamou, preocupada com a expressão nervosa da amiga.

- Natalie, me desculpe, mas eu vou ter que te deixar. Tem um assunto que eu preciso resolver. – disse, despedindo-se rapidamente da amiga e andando em direção ao grupo.

Tanto a expressão de Yugi quanto a de Seto estavam anuviadas. Somente Malik parecia relaxado, tendo um sorriso vitorioso estampado no rosto. Isso por si só já era preocupante, tendo ela uma boa noção da personalidade dos componentes daquele trio. Mas o fato de que os três se viraram com olhares carregados para ela enquanto se aproximava foi o que lhe deu mais certeza de que havia sim algo errado.

Foi parada pelo caminho para receber cumprimentos, mas adiantou-se o máximo que pôde até eles. Quando finalmente chegou à mesa, o trio estava em silêncio.

- O que houve? – perguntou a todos, mas seus olhos pousaram em Seto, tendo ela parado em pé ao lado do rapaz.

- Estamos relembrando o passado juntos. – Malik respondeu, voltando a sorrir. – Você está linda, Bastet.

Ela estivera pensando que eles relembravam o passado recente, como duelistas. Mas o elogio do ex-mestre deixou claro que o passado do qual ele falava era muito mais distante.

- Obrigada... Eu acho. – ela respondeu, confusa.

Kaiba, subitamente irritado, resmungou algo baixinho antes de virar-se para Malik, dardejando-o com o olhar.

- Ishtar, ela não é mais Bastet. Seu nome agora é Mayra Terrae e é assim que ela deve ser chamada. – o empresário corrigiu, ácido.

- Não me dê ordens, Seth. – foi isso o que o loiro respondeu, enquanto indicava a cadeira entre ele e o ex-sacerdote para que a garota sentasse.

Adivinhando que aquela conversa não terminaria tão cedo, e dando uma olhada ao redor para ver se nenhum repórter os espreitava e escutava a conversa, ela sentou-se.

- Não convidei vocês três para que revivessem antigas rixas. – ela declarou, um pouco chateada com eles.

- A culpa não é minha. – Seto respondeu, defendendo-se. – Seu amigo aí foi quem me abordou. – disse, indicando o egípcio.

Malik apenas riu e apanhou mais uma das guloseimas da cestinha de petiscos, jogando-a para o alto e aparando-a com a boca em sua queda. May apenas meneou a cabeça, resignada.

- Vocês dois são impossíveis. – disse, num resmungo. Sorriu fracamente para o terceiro rapaz. – Olá, Yugi.

- Oi, May-chan. – o rapaz a cumprimentou, levemente constrangido pela cena que se desenrolava à mesa. – Me desculpe a confusão toda.

- Não se preocupe. Se tem alguém nessa mesa que não tem culpa de nada, - e olhou significativamente para Seto e Malik. – e você. – completou, com um sorriso para o amigo.

- Oh, o santo Yugi, protetor dos fracos e dos oprimidos. – Kaiba rodou os olhos, resmungando um palavrão em japonês.

- Kaiba! – May exclamou, um pouco surpresa ao perceber que o homem se incomodava com o elogio que fizera ao amigo. – Não quero confusões na minha casa, principalmente por causa de... outras vidas.

- Quer dizer que desistiu de descobrir sobre sua vida como Bastet, Mayra?

A pergunta de Malik a pegou desprevenida, tanto pela alusão à conversa que tiveram na casa do novo sócio de sua tia, quanto pelo fato dele ter usado seu atual primeiro nome, e não o antigo.

- Malik... Desde que conversamos muita coisa aconteceu. – tentou explicar, um pouco envergonhada ao ver-se sob escrutínio explícito dos três. – Eu não tenho tido tempo de pensar em nada além da minha atual vida.

- Vou repetir a pergunta: você desistiu de descobrir mais sobre Bastet?

May ficou calada, pensando em tudo que vinha acontecendo em sua vida desde que encontrara Yugi e Kaiba. Lançou um olhar um pouco amedrontado para os dois, que ficaram sérios. Surpreendeu-se ao sentir Kaiba segurando sua mão por debaixo da mesa.

- Mayra não deve se ater aos detalhes de uma vida passada. Isso não lhe fará nenhum bem. – ele falou, sentencioso.

- Mas na verdade eu tenho curiosidade de saber... – ela comentou, insegura.

O olhar que recebeu daquelas íris azul-claras era inconfundível.

- Acredite, você estará melhor se não lembrar. – ele respondeu, com uma certa urgência na voz e nos olhos.

Ela abriu a boca para responder alguma coisa, mas Malik foi mais rápido.

- Não é uma questão de dever ou não, Kaiba. Ela vai lembrar de tudo.

- Não, não vai. – ele contrariou.

Desta vez era Malik que estava começando a ficar nervoso.

- Como pode ser tão teimoso?! – perguntou a ninguém em particular, sacudindo os cabelos loiros ao menear a cabeça, desapontado. – Você pode ter sido o sacerdote mais poderoso da nossa época, Seth, mas nem você poderá controlar as coisas desta vez. Aliás, como não conseguiu da outra também.

Seto riu amargo ao ser lembrado de que a havia assassinado numa vida anterior. Naquela época eles se odiavam com todas as forças que possuíam. Ele não sentia remorso por seu eu anterior ter feito o que fez, mas isso não queria dizer que se sentia em paz com aquilo também.

- Ela não tem mais nada a ver com isso. Nada! – insistiu. – Somos nós que provocamos a mente dela.

- O quê?

Seto virou-se para encarar a namorada, que o fitava perplexa. Além dos outros dois, é claro. Ele podia sentir a estupefação que emanava dela, assim como sabia que ela sentia seu sincero pesar. Eles eram ligados como se dividissem o mesmo corpo desde o Egito, e agora que haviam reativado a ligação, aquilo ficava ainda mais evidente.

- Ele quis dizer que você só lembra das coisas porque se reencontrou conosco nesta nova vida. Ou você lembrava de algo antes de nos conhecer?

Ela os fitou, pensativa, apertando inconscientemente a mão de Seto com a sua por baixo da mesa. Ela já dissera a Malik que começara a sonhar com o faraó e os sacerdotes há alguns anos, mas não fora ele mesmo que dissera que naquela época ela deveria estar conhecendo Yugi, e que algo havia mudado o destino e postergado o encontro?

- Não. Eu só comecei a lembrar depois que cheguei ao Japão e fui morar em Domino.

A resposta pareceu satisfazer aos três, pois o trio concordou com as cabeças.

- O fato de nós três termos despertados nossos... "poderes", por falta de palavra melhor, acabou influenciando no seu próprio despertar à medida que você convivia mais e mais conosco. – Seto explicou, fazendo-a finalmente compreender o que ele afirmara antes.

- Quer dizer que se eu não conhecesse vocês, provavelmente não lembraria de nada ainda? – ela quis saber.

- Sim, May-chan. – Yugi respondeu, sério. – Você seria uma pessoa normal.

Ela esqueceu de sentir confusão pelo uso do termo "normal", apenas pensando que se seus pais não tivessem morrido e ela jamais tivesse ido para o Japão, então ela nem sequer saberia da existência de Bastet, Seth, Ishtar e o faraó.

- Ei, espera aí... – disse, de repente, quando se lembrou de algo. – Eu realmente não lembrava de nada do passado antes de conhecer vocês, mas eu tive visões quando era criança.

- Como assim? – Yugi e Kaiba perguntaram juntos. Malik parecia pouco impressionado com a afirmação. Na verdade, ele parecia até satisfeito com a informação.

- Quando eu vivia com meus pais, eu tinha visões. Eles nunca souberam. Eu simplesmente via que uma coisa ia acontecer e me mexia de acordo com meus sentimentos. Uma vez, quando estavam construindo o chalé da mamãe, eu vi que uma pilha de tijolos que o pessoal da construção trouxera iria desabar sobre um dos construtores. Eu o tirei do alvo da pilha apenas alguns segundos antes que ela caísse.

- Está me dizendo que podia ver o futuro mesmo antes de nos conhecer? – Seto perguntou, e ela apenas assentiu com a cabeça, ligeiramente encabulada.

Um silêncio incômodo se estabeleceu sobre a mesa enquanto todos se encaravam. Seto parecia preocupado com tudo o que ouvia. Yugi, genuinamente curioso. Malik parecia achar graça de tudo aquilo. May apenas esperava que alguém lhe explicasse o que acontecia consigo mesma.

- O fato é que... – quem retomou a voz primeiro foi o loiro egípcio. – Você tem "poderes próprios", por assim dizer.

Diante da cara confusa dela, o loiro sorriu.

- O que está tentando insinuar, Ishtar? – Seto perguntou.

- Que, ao contrário de nós, Mayra tem habilidades específicas desta existência. – ele concluiu. – Nós todos herdamos certas habilidades de nossas vidas anteriores, mas além dessa herança ela também criou em si mesma, de alguma forma, uma capacidade divinatória maior, que não tem nada a ver com sua vida anterior no Egito.

Os três se voltaram para observá-la, silenciosos.

- Isso explica porque ela teve visões sem ter tido contato conosco antes. – foi Kaiba quem falou. – Ela tem um dom de visão além do que já herdou de Bastet. – ele virou-se para ela, fitando-a seriamente. – Acho que é por isso que quando a toco e você tem uma visão, eu consigo vê-la também. Seu dom é mais forte por ser "duplicado".

Malik sorriu.

- Não é só pelo novo dom.

O casal virou-se para ele. Yugi resolveu voltar a se pronunciar.

- Está falando da Junção? – sugeriu, recebendo um satisfeito assentir de cabeça do outro.

- Você sempre foi esperto, Yugi. – Malik comentou, quase rindo novamente.

- O que é uma Junção? – May perguntou, mais uma vez perdida.

- Junção é um ritual em que duas almas se ligam para sempre. Independente de morrerem, quando estiverem vivas e no mesmo lugar ao mesmo tempo, o poder da Junção se renova sozinho. Ela permite que você saiba onde o outro está, o que ele está sentindo, esse tipo de coisa.

Diante do olhar arregalado dela, o qual ele sabia por que havia se instalado em seu rosto, Seto assentiu.

- Nós fizemos esse ritual no Egito pouco antes de morrermos.

- Então é por isso que nós... – ela começou, mas não completou a frase, por achar seu conteúdo por demais pessoal.

Ela estava pensando na experiência que haviam tido mais cedo, quando se beijaram no escritório dele. Havia acontecido uma conexão entre eles naquele momento, como se um elo os unisse. Ela pôde sentir a ternura que saía dele em direção a si, ao mesmo tempo que sabia que ele sentira seu próprio carinho por ele.

Encarou os olhos azuis dele e não conteve um sorriso. O ritual de Junção estava se renovando. Por isso ultimamente eles pareciam tão à vontade juntos. O laço estava se fortalecendo novamente e parecera voltar à ativa com força total naquela tarde.

Como se lesse seus pensamentos, - e, à essa altura do campeonato, ela não duvidava que isso fosse possível – ele sorriu de volta em concordância e acariciou sua mão por baixo da mesa. Imediatamente uma onda de preocupação vinda dele a invadiu. Ela retribuiu o gesto e sentiu como se partisse de si uma onda de tranqüilidade destinada a acalmá-lo.

- O ritual da Junção também proporciona um tipo de retroalimentação aos seus poderes. Se um de vocês ampliar a "potência" de seu dom, o mesmo acontece com os dons dos outros. Isso talvez explique suas visões mais freqüentes desde que conheceu o Kaiba, Mayra. – Malik disse, seguro. – Ele tem os dons muito desenvolvidos, mesmo que negue isso a si mesmo. E a junção acabou fazendo com que os seus dons também fossem acordados e potencializados.

Ela assentiu, séria.

- Isso explica muita coisa. – comentou, repentinamente consciente da enormidade do que lhe estava sendo explicado ali.

- Por isso digo que eventualmente você lembrará mais coisas sobre seu passado distante. Quanto mais seus dons se aprimorarem, mais acesso ao passado e ao futuro você terá.

- Ainda assim não acho que isso seja certo. – Kaiba resmungou, e Yugi sorriu ao ver como o "amigo" se preocupava com a garota sentada ao seu lado.

- Do que fala? – a morena perguntou ao namorado, novamente confusa.

- Essa eu explico. – Yugi sorriu mais uma vez, contente de poder contribuir mais para a conversa. – O que Seto quis dizer é que, quaisquer que sejam os crimes que você cometeu como Bastet no Egito, suas dívidas com os deuses já foram pagas.

- Nós três – Seto apontou a si mesmo, a ela e a Malik. – éramos assassinos profissionais lutando entre si pela chance de matar o faraó.

Ela assentiu, pois disso já sabia.

- Sendo os assassinos que éramos, não matamos somente o faraó numa vida passada. – Malik continuou, parecendo chegar à parte que mais lhe agradava. – Matávamos qualquer um que se intrometesse em nosso caminho, inclusive a nós mesmos.

- O faraó também não era exatamente um santo. – Yugi continuou, sentindo-se levemente incomodado por falar mal de Yami, mas o próprio parecia não se importar. Não que Yami não estivesse reclamando de ficar perto "daquela garota" de novo. – Todos nós tínhamos dons especiais que nos tornavam muito poderosos, embora você em particular tenha renegado seus dons nas últimas décadas de sua vida.

May ergueu uma sobrancelha, curiosa.

- Eu, Muttou e Ishtar preservamos uma aparência física igual, ou no mínimo muito semelhante, à que tínhamos naquela época. – Seto continuou. – Nunca se passou pela sua cabeça porque você não é igual a Bastet também?

Ele havia acertado o alvo.

- Nunca havia parado para pensar nisso. Mas agora que você falou... – ela comentou, ainda mais curiosa.

- O fato de você não ter mais aquela aparência significa que você já foi julgada e perdoada por Osíris. – Yugi sorriu. – Sua alma foi despida de qualquer pacote de trevas que contivesse, e lhe foi dada a chance de viver e fazer o bem nesta vida. – ele concluiu.

- Nós – Malik apontou a si mesmo e aos outros dois rapazes. – ainda estamos pagando pelos nossos pecados de épocas anteriores. É por isso que fomos levados a duelar nesta nova vida, e é por isso também que conservamos nossa aparência original. É como um lembrete de que ainda não fomos perdoados por Osíris.

- Aaahh... – ela arrastou a palavra, compreendendo tudo agora. – Então eu seria uma garota "normal" nesta vida, apenas com meus dons de ver o futuro, se eu nunca tivesse topado com vocês três.

- Não somos só nós. Existem muitos outros que reencarnaram nesta época para consertar algo mau-feito no passado. – Yugi comentou, lembrando de Bakura, Rishid, Ishizu e tantos outros que já haviam conhecido no caminho.

- É uma história incrível... – May comentou, os olhos ainda brilhantes de perplexidade.

- É a verdade. – Seto disse.

E, por saber que ele odiava falar do Egito e que só entrava no assunto quando a situação era séria, ela concordou sem pestanejar.

Ela abriu a boca para falar mais alguma coisa, mas um arrepio forte de perigo percorreu toda a sua espinha e, pelo jeito como Seto se empertigou, o alerta havia chegado ao corpo dele também.

Os dois viraram-se para enxergar ao mesmo tempo a entrada que saía da casa e dava para a área onde a festa estava sendo realizada. Exatamente no portal entre ambas, Elizabeth Terrae observava a festa que se desenrolava acompanhada de um homem fabuloso.

May sabia que ele já fora lindo seis anos antes. Tinha feições de um anjo, embora suas mãos fossem cruéis. Os cabelos, antes loiros, agora estavam em sua maioria brancos. Um pequeno cocuruto era visível numa área onde a calvície começava a ataca-lo.

Há seis anos ela não via Malakai Maxwell, o pai de Kai.