Tenkumoya vira-se para o vulto com um sorriso estampada no rosto.
- Noharahishimo.
- Chichiue- a jovem sorri para o pai.
Ela vestia um um hakama e haori negro, este com detalhes avermelhados de chamas e flocos de neve na gola que se estendiam até o ombro, e por baixo uma gi branca. Por cima usava uma armadura imponente alva, adornada com uma jade no tórax e outra por cima do primeiro osode. Na cintura, jazia um laço negro com detalhes de chamas vermelhas. Seus cabelas eram negros , com a franja e as pontas brancas presas no final por um laço dourado, possuía um olho líras e outro dourado, com pupilas verticais.
Apesar de jovem para os padrões dos youkais, apenas trezentos anos, tinha uma feição séria e uma larga experiência em batalhas que a faziam temida por muitos e sendo de sabedoria não provoca-la. Inicialmente seu semblante encontrava-se sério, mas depois abriu um sorriso, demonstrando um olhar tranquilo para a figura paterna.
-Conheço você minha filhote...esse olhar e sorriso é o contrário do que sente ou pensa, o que ouve minha filha? -pergunta preocupado.
- Nada Meu pai...apenas aborreci-me há pouco...
-Mas porque? Foi indicada à lista de aspirantes a comandante, dentre diversos, para competir e se classificar como um dos três finalistas? Estou tão orgulhoso, filhota.- falava com os olhos emocionados, fitando-a.
-Assim como...sou comedida ...não demonstro muito o que sinto...
-Sei...mas está tudo bem ? -ele continuava preocupado.
- Desde aquele incidente...o senhor ficou três vezes mais coruja...- ela diz com um olhar ameaçando ficar triste.
- Claro! Sempre será minha filhotinha... -e afaga a cabeça dela.
-Chichiue... -ela chama sua atenção -já sou praticamente uma kitsuneyoukai madura...já passei dessa fase enquanto arqueia uma das sobrancelhas para ele.
-Mas não deixará de ser minha filhote- sorri
- Fazer o que? - fala consigo mesma suspirando em resignação.
-Eu estou feliz papai pelo possível cargo, já que são poucas as fêmeas que conseguem ocupar posições altas como esse, pois os pais machos costumam detesta filhas e não são poucos que nós consideram um estorvo...
- Filha, você nunca foi um problema , ao contrário, sua existência só concede-me alegria...e isso das fêmeas depende do youkai, mas não são muitos que pensam desse modo, isso esse velho kitsunedaiyoukai garante...se bem que acabei a criando como um macho ... e ri, sendo acompanhado por um leve riso da filha.
-Arigatou, meu pai. Não vou decepciona-lo, farei o senhor orgulha-se desta Noharahishimo.
- Já sou orgulhoso e feliz de ter uma filhota como você... -sorri- conseguirá esse cargo, e mesmo que não consiga, o que é quase impossível, não irá fazer meu orgulho por você, diminuir. Pois sua presença e existência conforta o coração desse velho daiyoukai...esse Tenkumoya torturaria o infeliz que te fizesse sofrer...
- Eu sei, Chichiue, mas depende do " infeliz "...-. de repente ela volta seu olhar para o lado do pai, com uma expressão de seriedade Oyakatasama...
-O que filhota? -ele não entende e ao se virar percebe que ele se aproximava imponentemente deles, com o rabo de cavalo balançando ao sabor do vento repentino que soprara naquele instante. O pai não percebera a filha olhando-o compenetrada.
Tanto ela quanto seu pai fazem uma leve reverência quando inunotaishou se aproxima deles.
- Konnichiwa Tenkumoya e Noharahishimo.
- Konnichiwa Oyakatasama - ambos falam praticamente em ressonância.
O jovem general volta-se para a youkai com um sorriso no rosto estampado.
-Já faz tempo Noharahishimo...
- Sim, Inunotaishousama- fala curvando levemente a cabeça- dezoito anos para ser mais precisa- olhou para o pai que correspondeu com um olhar triste.
-Chichiue falou-me de que precisava treinar em terras longínquas para aperfeiçoar técnicas de batalha que aprendi com ele- fala tristemente, por mais que tentasse manter a face neutra.
- Está ansiosa pelo possível cargo? - pergunta gentilmente, fingindo não perceber o semblante de outrora. dela.
-Hai - ela ensaia um sorriso - será uma honra servi-lo como comandante e também fazer meu pai orgulhoso. É um cargo muito importante para uma fêmea, ainda mais jovem.
-Mas muito poderosa. Apreciei a demonstração de poder quando retornou as Terras do oeste antes de minha mãe falecer, mesmo que por pouco tempo.- fitava-a atentamente.
-Necessitava rever meu pai e conhecer Yukikohimesama já que partira a cem anos antes dela assumir o poder das Terras e seu filhote, a qual só ouvira falar...parti quando ainda Yo...- ela ameaçava falhar em pronunciar o nome, inutaishoo arqueia uma sobrancelha -...Yorusou ao perceber o olhar indagador , ela tenta remediar, ato que se mostra infrutífero -é que me distrai -e sorri, não convencendo o inuyoukai.
- Ao todo então...cento e sessenta e nove anos em uma jornada...esse tempo de aperfeiçoamento contará pontos para a escolha após a eliminação...- o jovem general sorri.
-Se conseguir ir para a seleção final...- ela fala emum tom preocupado.
- Irá minha filha! Olhei os candidatos, devo confessar que todos são bons, mas são inferiores a você...já a vi lutando...com certeza passará...e não falo por ser minha filhote querida.- ele estufa o peito.
- Acredito na educação que Tekumoya deu a você e os poderes herdados dele assim como os da sua mãe...afinal, um youkai utilizar dois poderes distintos é rarissímo... e se consegue equilíbrio entre eles, torna-se ainda mais formidavél.
Ela tenta ocultar em vão suas feições levemente rubras pelo elogios proferidos pelos dois.

Não muito longe dali, Aiko usando um haori e hakama branco com gi rosa, encontrava-se no jardim ao lado da velha árvore de cerejeira, próximo do local onde Kuroisorakumo havia a sequestrado.
Ela ainda sentia leves tremores e o medo ameaçava tomar conta da jovem, porém ia diminuindo gradativamente conforme obrigava-se a superar seu temor com o incentivo de Myouga.
Encontra-se entretida em trançar caules para a confecção de um belo colar de flores, quando sente o cheiro de seu amado juntamente com outros dois, trazido por uma leve brisa que soprara naquele instante. Reconhece um deles, como sendo de Tenkumoya porém o outro não conseguia distinguir, mas sabia que era de uma fêmea youkai. Devido a esse odor perto dele, impulsiona-a ir até a origem dos cheiros
Após saltar através de algumas árvores frondosas com troncos nodosos, chega até o imenso pátio, próximo das enormes portas duplas da entrada do castelo.
Ao olhar mais atentamente, vê Inunotaishou conversando entusiasmante com uma jovem de armadura imponente lustrosa, que parecia muito compenetrada no que ele falava. Ela sentiu seus sangue ferver, a simples menção dela querer conquistar seu inuyoukai, viu-se obrigada a contar mentalmente até dez para não avançar sobre a mulher.
Emitiu um rosnado que fora apercebido pelos presentes próximos dali, fazendo-os voltarem seus olhares para a hanyou.
Ao notar a atenção sobre si, ficou levemente envergonhada. Engoliu em seco e inspirou profundamente, indo calmamente em direção a eles, embora seu desejo real fosse saltar no pescoço de inutaishoo e bater nele, após trucidar a youkai, pois cada fibra de seu músculo almejava essa realização.
Ela exibia um sorriso falso com um olhar de congelar inverno e ao mesmo tempo assassino, que dividia entre seu amado e a jovem fêmea.
-Minha Aiko- ele ameaça sorri, mas ao ver o semblante dela e seus orbes esmeralda homicidas, seu sorriso enfraquece.
-Konnichiwa, Aikosama- o comandante e sua filha curvam-se levemente.
O olhar mortal da hanyou agora mirava Noharahishimo, que limitava-se a meramente a mostrar um semblante sério, porém respeitoso, já que era sua senhora, enquanto seu pai, olhava-as apreensivo com o rumo que poderia tomar aquela mal entendido, embora soubesse que sua filha era controlada demais para perder a cabeça e respeitaria a Senhora das Terras do oeste, pois seria um crime gravissímo desrespeita-la ou afronta-la.
-Quem é você? - ela arqueia levemente o cenho.
- Noharahishimo, Aikosama- torna-se a curva-se.
-Noharahishimo? -ela fica levemente surpresa.
- hai, faz tempo...a última vez que a vi era apenas uma filhotinha. ela fala ostentando um sorriso leve.
-Dezoito anos... -a hanyou fala em um tom frio.
A jovem youkai já havia percebido o ciúmes que ela nutria por Oyakata, odiava aquele olhar e o tom de voz, porém como era a esposa de seu Senhor, e por mais que desejasse responder no mesmo timbre, não poderia. Com muito custo tivera que prender um rosnado em sua garganta, silenciando-o. Só restava-lhe conter-se e agir conforme esperava-se de um subordinado fiel, somente podia retrucar e realizar seu desejo contra ela em seus devaneios mais apraziveís .
Olhou para o pai que correspondeu ao seu olhar, com um orgulho desmedido de sua filha, pois estava implícito que ela não faria ou diria nada desonroso ,que seria respeitável para com a Senhora das terras do oeste, por mais que ela tentasse irritar-la, devido a um desentendimento.
- Tive que me ausentar por mais algum tempo, Minha senhora, para aperfeiçoar-me na arte da batalha e comando- fala com um tom respeitoso que encobria quase imperceptivelmente uma nota de irritação proferida, mas que não passara despercebido para o inuyoukai..
Ele encontrava-se admirado de ver o auto controle da filha de seu comandante mais fiel, praticamente como um avô para ele.
-E como foi? - a hanyou disse cinicamente.
-Muito bom, Aikosama, um excelente aprendizado- ela sorri- essas décadas de ausência ajudaram a organizar minha mente...- ela se détem ao notar que falara demais, pois se encontrava tão absorta em controlar-se perante a provocação de sua senhora, que não controlou o fluxo das palavras e do raciocínio, falando algo que não devia.
Oyakata arqueia a sobrancelha desconfiando ainda mais do verdadeiro motivo que a levou a sair das terras do oeste, há cento e sessenta e nove anos atrás, pois era um tanto jovem para iniciar uma jornada dessas, embora seu poder, segundo fontes, era incrível já naquela época.
A filha e seu pai trocam um olhar levemente temeroso. O inutaishoo quando percebera as trocas de olhares entre eles, rapidamente fingiu não reparar no que fora falado, voltando a exibir um semblante tranquilo.
Aiko percebera algo de errado com a youkai, mas seu ciúmes havia tomada conta de sua razão, levando-a a dar pouca importância ao ocorrido.
Tenkumoya e Noharahishimo olham ainda preocupado para o Senhor deles, com receio que tenha desconfiado de algo. Inunotaishou aproveita que Aiko rosnara de ciúmes para ele, para dissipar qualquer desconfiança que ele possa ter transmitido com seu olhar, e emiti um leve riso olhando-a para sua amada, fazendo-na lançar-lhe um olhar mortal, voltando suas orelhas negras de lobo para o lado, juntamente com seu rosto, extremamente aborrecida pela leve risada emitida por seu amado.
Seu pai suspira aliviado, pensando que seu senhor não desconfiara de nada. Emite um aceno discreto de cabeça para ela que compreende imediatamente o recado.
-Sumimassen, Oyakatasama e Aikosama- olha do casal para o seu pai -chichiue- e curva-se para todos -mas necessito retirar-me, pois preciso resolver alguns assuntos e curva-se novamente.
-Pode ir Noharahishimo
-Tudo bem, filha, poderia aproveitar e levar aquele pedido à Ichi ?
-Hai, meu pai
-Já vai tarde- Aiko fala seca para a jovem ainda olhando de lado com o cenho franzido, fazendo inunotaishou suspirar cansado.
A jovem youkai curva-se para sua senhora, para logo depois surgir uma corrente de ventos misterioso que tornam -se uma tormenta de chamas azuladas e algumas dessas correntes, viram neve, que se fundem formando um minitornado, suficiente para envolver o corpo dela. Após alguns segundos, dissipa-se , para revelar o vazio aonde encontrava-se a filha do comandante.
-Aiko...- Oyakata volta seu olhar para sua amada não contendo um sorriso ao ver a face estupefata dela com a saída pomposa de Noharahishimo, que com certeza, fizera de propósito. Inunotaishou não podia dizer que ela não possuía classe.
Seu pai também admirava a maneira como ela lidara com a situação do ciúmes da Senhora deles e de revidar tudo o que teve que aturar, com aquela saída pomposa e imponente.
Aquilo fora um tapa com luva de pelica para Aiko, afinal, foi um completo exibicionismo e pode ver o discreto sorriso de satisfação que lançara a ela, mesmo que rapidamente . Aquilo aborreceu muito a meia youkai , mas a youkai não fora desrespeitosa ou retrucara com ela durante toda a conversa, mas a saída teatral equivalia a tudo o que ela não fez ou disse." Exibida " , a hanyou pensa.
-Hã? -ela é tirada de seus pensamentos passando a olhar para seu amado.
- Irei a sala de reuniões com Tenkumoya, para organizar alguns pergaminhos e assuntos fronteiriços, deseja vim conosco?- ele pergunta gentilmente , acariciando com um dedo a orelha de sua amada que emite um leve tremor ao toque amavél dele , fazendo seu ciúme de outrora titubear.
Extremamente ruborizada fala:.
- Iie, vou dar mais uma volta no jardim- e sorri para seu amado.
-Myouga?
-Haai, Oyakatasama? - e curva-se levemente .
-Necessito que se dirija depois para a sala de reunião, pois preciso falar-lhe- ele sublinha levemente o depois , juntamente com seu olhar, a nomiyoukai entende que devia dirigir-se o mais rápido possível.
O comandante não desconfiava das verdadeiras intenções de seu senhor chamando a pulga, não para depois como ele pensava, mas sim imediatamente.
-Sayounara, Minha Aiko.
-Sayounara, Meu Oyakata- e ambos trocam sorrisos apaixonados.
O comandante sorri ao ver a cena e observar o quanto se amavam. Desejava intensamente que sua filha um dia encontrasse um companheiro de valor, digno, gentil, respeitoso e amoroso, porém olha levemente triste para o céu límpido, enquanto pensa " Será que ela superou? ", e emite um suspiro cansado a menção desse pensamento.

Essa é a primeira vez que escrevo uma cena de ciúmes, espero ter ficado bom, me preocupo que talvez tenh exagerado um pouco, ou que falta algo mais na cena entre Noharahishimo e Aiko, gostaria de saber a opinião dos leitores, se a cena ficou boa ou não, agradeço quaisquer critícas, pois na próxima poderei saber o que melhorar ou não...

Notas:
Haori - parte de cima da gi
Gi- parte de baixo do haori
Hakama - a calça japonesa