Capítulo 26
Saudades & Brigas
Fevereiro 1979
Fazia uma noite fria. Florence estava sozinha na casa da madrinha. Era noite de Clube de Xadrez Bruxo e Eileen nunca perdia – principalmente quando era na casa do Sr. Wilkins. Sirius avisara que não poderia dormir lá com Florence pois tinham reunião com a Ordem da Fênix. Lily e James, obviamente, também não podiam.
Florence respirou fundo, após ajeitar os dois meninos no berço e foi deitar na cama, os olhos se desviando brevemente para o criado-mudo. Uma foto estava ali em uma moldura bonita. Eileen batera aquela foto, no primeiro natal deles juntos ali naquela casa, há dois anos. Na foto, Florence e Snape estavam abraçados; ele até sorria levemente.
Saudades. Muitas saudades. Florence olhou para as paredes quase vazias do quarto. O cheiro dele estava impregnado ali, levando-a a sonhar com ele todas as noites.
Quando estava se ajeitando para dormir, Florence ouviu um barulho no andar de baixo e levantou rapidamente, a varinha em punho. Ela saiu do quarto para o corredor, selando a porta do quarto ao sair. Tinha alguém lá embaixo, na cozinha. Desceu sem fazer barulho. Viu uma capa jogada sobre o sofá da sala.
"Severus."
Ao se aproximar mais da cozinha, pode vê-lo mexendo em alguma coisa sobre a mesa, de costas para a entrada. Resolveu testar a quantas estava o treinamento dele.
– Locomotor Mortis. – lançou ela.
– Protego. – revidou ele, assustado, se virando para encarar quem o havia atacado. – Florence! Por que me atacou? Eu poderia ter...
– Não poderia nada, Snape. – cuspiu ela. – Sua resposta não foi rápida o suficiente. Eu esperava mais. – e um chorinho de bebê, seguido de um segundo, foram ouvidos. – Com licença. – e ela subiu as escadas rapidamente.
Ele ficou a observando, os choros se tornando mais altos antes de cessarem. Os filhos dela também estavam ali, obviamente. Seu coração se apertou.
"Os filhos dela com o cachorro."
Mordeu o sanduíche com força, com raiva. Queria culpá-la por estar se sentindo tão infeliz, tão cansado, de saco cheio de receber ordens. Mas só existia um culpado, e tal pessoa estava ali naquela casa. E não era Florence.
Snape comeu mais outro sanduíche antes de subir para o quarto. Sabia que Florence estaria lá, mas precisava pegar roupas e tomar um banho. No corredor ele pode ver que a porta estava apenas encostada. Entrou, cuidando para não fazer barulho. Florence dormia, abraçada num travesseiro. Ao lado da cama, um bonito berço azul escuro. Tomado por um sentimento que chamou de "simples curiosidade", Snape se aproximou do berço; dois bebês estavam deitados lá, dormindo. Na penumbra em que estava o quarto, Snape não soube dizer se eles puxaram os cabelos de Florence ou de Black, mas podia ter certeza da força do poder veela do sangue dela. Os dois meninos eram lindos, encantadores, apaixonantes à primeira vista. Ele levou a mão ao pequeno rosto de um dos meninos, acariciando levemente a pele macia. A criança se mexeu e acordou. Olhinhos escuros o encararam e Snape temeu que o pequeno chorasse, acordando Florence. Mas, inesperadamente, o menino lhe sorriu e esticou as mãozinhas em sua direção.
Snape sentiu seu coração se apertar e aquecer. Como queria que eles fossem seus. Como queria chegar em casa todos os dias e encontrar sua bela esposa e seus dois filhos o aguardando para jantar. E, então, ele a ajudaria a colocar as crianças para dormir, a levaria para o quarto e faria amor com ela até desmaiarem de prazer.
Ele se afastou do berço, lágrimas querendo descer pelo seu rosto. Pegou uma roupa no armário e foi ao banheiro. Lá, as coisas dela estavam sobre a pia e, dependurada no gancho da toalha, uma pequena peça branca rendada lhe chamou a atenção. Snape levou a mão à peça e o aproximou do rosto, sentindo o perfume dela, a dor em seu peito tornando-se insuportável. Ele tratou de largar a peça onde a havia encontrado e começou a se despir para entrar no banho.
Florence acordara quando Snape entrou no quarto. Viu ele se aproximar do berço, levando a mão ao rostinho de James que acordou. Ela sentiu o coração quase parar ao ver que o pequeno pedira colo para ele. Viu Snape retirar a mão do berço e ir ao banheiro, parecendo angustiado.
Ela se levantou, silenciosamente, e verificou se James voltara a dormir. O bebê estava quietinho e dormindo novamente. Florence foi até a porta do banheiro, parando ali para observar o homem que tomava banho com a porta entreaberta. Ela mordeu o lábio inferior, pensamentos impróprios surgindo em sua mente. Ele estava mais alto, mais forte e mais gostoso do que ela se lembrava. Florence desviou os olhos, encostando-se na parede, tentando refrear o impulso de arrancar as próprias roupas e se juntar ao corpo forte e molhado no chuveiro. Ela ouviu quando Snape fechou o chuveiro e voltou a olhá-lo. Ele enrolou a toalha na cintura depois de secar os cabelos e o peito, vestiu a camisa e em seguida a calça. Florence voltou a se apoiar na parede, implorando por controle. Se ele a visse ofegando de encontro à parede do lado de fora do banheiro... "Ele me pegaria nos braços e..." um arrepio de prazer a fez tremer. Ela fechou os olhos, buscando por um controle que não viria.
Snape ouviu um barulho de respiração do lado de fora do banheiro. Abriu mais a porta, cuidadosamente, e a viu ali, apenas numa camisola, os olhos fechados, os lábios entreabertos sorvendo o ar. Não precisou nem de um segundo para entender que ela estivera o observando. Ele sorriu, se aproximando dela, parando em sua frente.
– Estava me espionando, Srta. Delacour? – a voz macia e rouca.
Florence abriu os olhos, assustada com a proximidade em que ele estava. Perto demais. E avançando. Não conseguia se desviar dos olhos negros dele, líquidos de desejo. Estava perdida. Ele, num único movimento, a prensou na parede, beijando-a.
Florence tentou empurrá-lo, mas teve as mãos presas na parede por ele, que só as libertou quando viu que ela amolecera em seus braços.
– Pare, Severus. – mas ele desceu ao pescoço, aos mãos agarrando os quadris dela, descendo às coxas, o membro rígido sendo pressionado entre as pernas dela. – Pare, Sev. – Florence gemeu.
– Nem que eu quisesse. – ele sussurrou, ronronando em seu ouvido: – Me diga que quer... admita que me quer dentro de você, investindo no meio das suas pernas até você ficar tonta de prazer.
Ela gemeu alto, a voz rouca e sensual em seu ouvido, entorpecendo seus sentidos. E Snape não precisou de mais estímulo, voltou com ela para dentro do banheiro, sentando no sofá que havia ali, ela em seu colo. Ele levou as mãos à camisola que ela vestia e a retirou, jogando a peça no chão. Florence arrancou a camisa dele, arranhando-o no peito, ombros, descendo ao cós da calça, puxando-a para baixo. Ela ficou de joelhos entre as pernas abertas dele e sem nenhum aviso o colocou inteiro na boca, chupando-o lentamente. Os gemidos roucos dele a excitaram ainda mais. Ela o lambeu e chupou, dando atenção especial às bolas, tanto com as mãos quanto com a língua. Depois de um tempo, uma mão dele agarrada nos cabelos dela, controlando os movimentos, fez ela parar. Florence voltou a se sentar sobre ele, tendo a boca atacada pelos lábios dele, que a segurou pelos quadris fortemente, fazendo-a sentar nele, penetrando-a. Ambos gemeram.
Florence começou a subir e descer, não conseguindo se impedir de gemer, deliciada. Ela o apertava dentro de si, enlouquecendo-o, o pau dele sendo pressionado pelas paredes quentes e encharcadas dela. Ele a sentiu gozar; ouvindo-a chamar o nome dele entre gemidos, sem parar de cavalgá-lo, mordendo os lábios. Ele não parou os movimentos dos próprios quadris, se metendo dentro dela cada vez mais fundo, com força. E Florence gozou outra vez, violentamente, quando ele forçou os quadris dela para baixo, enterrando-se por completo dentro dela, se despejando e pulsando dentro dela.
As respirações foram se normalizando. Mas ele não saíra de dentro dela, Florence ainda podia sentí-lo duro dentro de si. Ele a beijou sensualmente, os lábios roçando devagar. Florence abriu os olhos e o encarou antes de mover novamente os quadris. Os dois gemeram de prazer.
– Eu amo você. – ela sussurrou, os olhos fechados, começando a subir e descer no colo dele, novamente, sem segurar os gemidos que escapavam por seus lábios.
– Casa comigo, Flor...? – ele murmurou rouco.
Ela parou de se movimentar, olhando-o, assustada.
– Não repita isso. – ela colou os lábios nos dele.
Snape inverteu os papéis, deitando-a no sofá, ele a cobriu com o corpo, penetrando-a lentamente, e iniciou movimentos lentos e fundos.
Mas ela gemia alto, implorando que ele fosse mais rápido. Sentir ele se retirando quase que por completo para se meter dentro dela novamente era como uma doce tortura para Florence.
E Snape desistiu de se controlar; ele aumentou a velocidade e a força das investidas, Florence se agarrou às costas dele, as pernas ao redor da cintura dele, apertando-o. Ele já havia perdido a coerência dos pensamentos, só o que sabia era ela, molhada, apertada e quente, envolvendo seu pau cada vez mais... e ela gemeu o nome dele, apertando-o muito mais do que ele pudesse aguentar e ele se despejou dentro dela novamente, espasmos de prazer entorpecendo seus sentidos, como só ela o fazia sentir. Ele inverteu as posições deles, se deitando no sofá e puxando-a para seu peito.
Ambos ficaram em silêncio, ouvindo os corações se acalmarem em seus ouvidos, os batimentos idênticos lembrando-os que aquele amor jamais permitiria ser esquecido. Snape começou a acariciar os cachos dela.
– Você é tão linda... Eu amo você. Casa comigo?
Florence o olhou, muito séria, e se levantou do sofá, vestindo a camisola que juntara do chão.
– Já pedi para não repetir isso. – disse ela. – Você já sabe minha resposta...
– E eu sei mesmo! – ele se levantou, indo até ela que tentava sair do banheiro; ele a impediu, segurando-a pela cintura. – Eu sei sua resposta. É sim. Você quer ser minha. Você é minha! Por que não aceita...?
– Não posso! – Florence se segurava para não chorar. Sim, era a resposta dela à pergunta dele! Era óbvio. Mas não podia... – Não posso expor meus filhos.
– Eu vou cuidar de vocês...
– Você está louco! Como? Vai simplesmente assinar sua carta de demissão e deixar sobre a mesa do Lord das Trevas? – ironizou ela.
– Não. Não pretendo sair...
– Exatamente! Você está gostando do que faz! Volte para os braços da sua noiva...
– Você... soube? – interrompeu ele.
– Rosmerta fez questão de me enviar uma carta contando sobre o noivado. Mas não se preocupe, eu estou muito bem. Não preciso nem de você, nem do seu dinheiro, que eu sei que você tem agora. Merlin-sabe-como!
– Vai dizer que preferia quando eu era pobre? – rosnou Snape.
– Sim! Eu preferia! Você era o meu Severus. Emburrado. Pobre. Mal–humorado. Possessivo. Ciumento. Eu amava você daquele jeito. Não agora... desumano, gostando do mal que faz às pessoas... vá embora, Severus. Me esqueça. Case-se e seja feliz. – ela não conteve mais as lágrimas.
Snape juntou as roupas e se vestiu. Ele transfigurou o que vestia em roupas para sair e saiu do quarto.
Florence ouviu quando a porta da frente bateu e se sentou no sofá, aos prantos.
