Título: Os Corações Da Questão

Autora: Lab Girl
Categoria: Bones, B&B, 5ª temporada, romance/drama
Advertências: Os temas a serem abordados nesta história são de conteúdo adulto, com linguagem e situações muitas vezes inapropriadas para menores. Favor levar em consideração o alerta antes de prosseguir com a leitura!
Classificação: variando do R ao NC-17
Capítulo: 26/?
Status: Em andamento


Os Corações da Questão
por Lab Girl

Parte I: Graus de Aproximação


# 26: Caixa De Pandora

Ficar sem poder ir ao Jeffersonian realmente estava sendo um desafio para Temperance Brennan. Agora sua rotina estava ficando claustrofóbica, as 24 do dia na companhia de um agente do FBI. Pendrell e Byers durante o dia, Booth durante a noite.

No caso do parceiro, ela não se queixava, mas já estava começando a ficar nervosa com toda a vigilância e sem poder fazer seu trabalho. Desde que Booth havia tido aquela conversa com ela no Diner, três dias atrás, Brennan não voltara a pisar os pés no laboratório. Agora apenas tentava se dedicar a alguma coisa que não a deixasse enlouquecer, sentindo-se refém de um inimigo oculto.

Escrever ela já não conseguia. Mantinha contato com a equipe em Maluku, e isso a fazia se perguntar se não seria melhor estar lá, com eles. Daisy a mantinha informada de tudo, com e-mails e resumos quase diários. Temperance a invejava um pouquinho, lá nas Ilhas, podendo trabalhar e se mover livremente.

Ela suspirou, um dedo batendo distraidamente sobre uma das teclas do computador. De repente, um barulho vindo da entrada de seu apartamento chamou sua atenção. Ela se virou a tempo de ver Booth e Byers conversando; estava na hora da troca de turno. Byers se virou e acenou em despedida.

"Boa noite, doutora!"

Temperance respondeu com um meneio, não muito animada. Ela observou Booth entrar em seu apartamento, tirar o paletó e pendurá-lo sobre uma das poltronas da sala. E sem muita dificuldade notou como ele parecia cansado enquanto afrouxava a gravata e desabotoava os punhos da camisa.

Ela continuou a observá-lo em silêncio, sentada à mesa onde estava mexendo no computador. E sentiu uma leve onda de calor diante da visão, agora tão familiar dele, em sua casa. Era assim todas as noites, já fazia uma semana. E havia se tornado tão familiar, que ela sentia uma espécie de conforto com a situação.

Booth então pareceu finalmente notar sua presença.

"Oi, Bones" ele disse, sem muito ânimo, aproximando-se alguns passos de onde ela estava.

"Já comeu?" Temperance perguntou.

"Ainda não tive tempo para pensar em comida" ele respondeu, o cansaço evidente na voz.

Temperance se levantou no mesmo instante. "Vou servir o jantar."

Sem esperar pela resposta dele, ela entrou na cozinha e retirou a comida do forno. Depois de alguns minutos, viu Booth entrando no ambiente também, arregaçando as mangas da camisa.

"O cheiro está ótimo" ele comentou, sentando-se numa das cadeiras que ficavam ao redor do balcão de mármore que fazia as vezes de mesa, onde ela já havia disposto pratos e talheres mais cedo, para esperá-lo.

Quando Temperance colocou a travessa de comida sobre a bancada, o parceiro finalmente pareceu recobrar o ânimo tão característico que ela conhecia como Booth, e isso a deixou extremamente feliz.

"Macarrão com queijo! Não acredito, Bones..." ele ergueu os olhos para ela, um sorriso imenso no rosto.

Ela correspondeu ao sorriso, sem conseguir evitar.

"Você realmente sabe do que eu gosto!" ele disse, servindo-se sem cerimônia.

Temperance o observou retirar a comida com entusiasmo, o sorriso ainda em seus lábios. Logo em seguida, ela foi até a geladeira pegar a jarra de chá gelado que havia preparado, já que Booth não podia tomar álcool por estar oficialmente em serviço. Deixando a bebida sobre o balcão, sentou-se à frente dele.

"Como foi seu dia hoje?" ela perguntou, casualmente.

De repente, percebeu o silêncio de Booth e a forma como ele a encarou por um instante enquanto ela servia o chá no copo dele. Temperance percebeu que havia algo estranho com o parceiro, que repentinamente ficou em silêncio e assumiu um semblante um pouco desconfortável.

"Tudo bem, Booth?" perguntou, querendo entender a mudança repentina de humor do parceiro.

Ele pigarreou, remexendo o macarrão com o garfo. "Tudo. Eu vou ligar um pouco a TV, se você não se importa. Quero ouvir as notícias."

"Claro" ela disse, observando-o erguer-se para ir ligar o aparelho televisor que ficava na sala.

Temperance se serviu do macarrão, ainda atenta a Booth, que retornou para a mesa e começou a comer, encarando o prato. Ele não falava nada, e o som do noticiário enchia o ar do apartamento. Ela sabia, ela sentia que algo o estava incomodando, mas não conseguia imaginar o que poderia ser. Ela queria falar alguma coisa, tentar perguntar a ele novamente o que estava acontecendo, mas antes que tivesse uma chance, a voz do repórter na TV chamou sua atenção.

É na próxima semana o julgamento da criminosa Heather Taffet, mais conhecida como 'A Coveira', que enterrava suas vítimas ainda vivas. Entre as testemunhas da acusação estarão Jack Hodgins, herdeiro do grupo multimilionário Cantilever, e a conhecida antropóloga forense Temperance Brennan.

Ela e Booth e ergueram os olhos um para o outro. Como de comum acordo, eles se ergueram e foram até a sala. De pé, a atenção dos dois se voltou para a tela e para o repórter que dava a notícia.

Ambos devem comparecer ao tribunal para acusar Heather Taffet por seus crimes, inclusive tendo sido eles próprios vítimas da criminosa, mas escapando com vida para ver a luz do dia e reunir provas contra Taffet. Especula-se que a doutora Brennan, autora de romances policiais que figuram entre os mais vendidos, aparentemente foi vítima de um incidente ocorrido há cerca de um mês no Instituto Jeffersonian, onde os doutores Hodgins e Brennan trabalham, e que pode ter a ver com a proximidade do julgamento da Coveira. Seria esse 'incidente' não divulgado para a mídia uma retaliação por parte da assassina mais misteriosa dos últimos tempos?

Temperance sentiu um frio na espinha. Então sentiu o corpo tremer quando Booth esmurrou o encosto de uma das poltronas da sala.

"Como ficaram sabendo disso?" ele urrou.

Ela percebeu sem qualquer dificuldade que o parceiro estava furioso.

"Não era para ninguém saber o que aconteceu no Jeffersonian!" Booth começou a dar passos curtos de lá para cá do ambiente, bufando. "Mas que droga!" ele então parou, dando um murro em uma parede.

Temperance se aproximou dele, preocupada. "Calma, Booth..."

"Calma? Você me pede calma?" ele se virou para ela, os olhos injetados. "Estamos fechados num cerco, Bones! Mal conseguimos provas, não temos um suspeito e tem alguém ao nosso redor que está envolvido nisso, e você me pede calma?"

Ela caminhou até o computador, em silêncio. Então abriu um arquivo onde vinha mantendo cada evidência e cada passo da investigação daquele caso, desde o começo.

"Lembra da bala que retiraram de mim? Do tiro que eu levei naquela noite da explosão?"

Ele se aproximou, sem dizer nada, os olhos fixos nela.

Temperance continuou. "Eu sei, ainda não temos uma arma suspeita para comparar com o projétil. Mas pelo menos sabemos que tipo de arma estamos procurando" ela disse, já ciente disso. "A bala é de uma marca antiga, um revólver 3.8 de um modelo comum nos anos 60."

Booth se acercou mais, apoiando uma das mãos no quadril. "Hodgins não conseguiu nada de anormal naquela bala. E o pessoal da balística do FBI fez um relatório completo sobre isso. Mas só esse detalhe do modelo da arma não nos leva a lugar algum. Sabe quantas pessoas têm um 38 da década de 60 só em Washington, DC, Bones?" ele falou, frustrado. "Já buscamos por todas as pistolas 3.8 dessa época registradas, mas nenhuma foi compatível até agora. E ainda restam centenas de pessoas com esse tipo de arma registrada para compararmos e interrogarmos... isso sem contar com a possibilidade de uma arma sem registro ter sido usada, o que é o mais provável" ele então suspirou, esfregando a testa.

"Sei que isso não restringe as nossas opções nem nos leva a algum lugar concreto, mas não acha curioso o fato de que a granada usada na explosão é um modelo antigo, usado em treinamentos do exército? E a bala é de uma arma dos idos de 1960...? Estamos procurando alguém por volta dos 50 anos, que tenha sido membro do exército por algum período. Isso pode ajudar a diminuir sua busca nessa lista de pessoas com registro de uma pistola 3.8 de 1960."

"Um pouco" ele concordou com a observação dela. "Mas o que me preocupa agora é o fato de que, seja quem for essa pessoa, está mais perto de nós do que estamos nos dando conta, Bones" ele passou as mãos pelos cabelos, frustrado.

"Você continua suspeitando de alguém do Jeffersonian" ela disse, já ciente da desconfiança de Booth.

"Alguém que sabe o que está se passando lá dentro... que tem acesso ao lugar... e sabe dos seus passos" ele olhou para ela, a preocupação estampada no rosto.

Temperance sentiu um arrepio involuntário na espinha. "Mas você disse que tem certeza de que não é nenhum dos nossos... nem mesmo algum dos estagiários..."

"Mas é alguém que tem acesso ao laboratório, Bones... alguém que consegue andar livremente sem ser percebido como um suspeito" ele deu voltas pelo pequeno espaço da sala, apertando o próprio queixo enquanto falava, quase de si para si.

Ela o observou, assistindo o processo de reflexão dele se formando à medida que identificava os traços do parceiro se tornarem mais sérios, a mandíbula retesada, as sobrancelhas mais cerradas, o olhar focado em algum ponto indistinto da sala. E Temperance se surpreendeu com a sensação que essa observação despertou nela, uma espécie de arrepio – e sabia que não era de medo, pois varreu seu corpo de maneira prazerosa.

"Vigilância" ele então murmurou, estacando de repente. "Vigilância! Como eu não pensei nisso antes?" Booth esbravejou, correndo para pegar o telefone no bolso do paletó pendurado numa das poltronas da sala.

Temperance se levantou da mesa do computador e se aproximou dele enquanto o observava ligar para o FBI e ordenar que fossem levantadas as fichas de todos os funcionários do time da vigilância do Jeffersonian.

"Como eu não pensei nisso, como?" ele bufou, assim que desligou o telefone.

Estava se sentindo um perfeito idiota, um incompetente. Tanto tempo rodando em círculos, batendo a cabeça contra portas fechadas e ele sequer conseguira fazer o próprio trabalho – e pensar nos suspeitos fazia parte da coisa toda.

Sem conseguir conter a raiva, Seeley apertou os punhos, sentindo vontade de socar mais alguma coisa. Mordeu os lábios com força, tentando respirar, jogando o celular sobre o sofá.

"Booth..." Brennan tentou se aproximar, mas ele estava nervoso demais consigo mesmo para permitir.

"Não, Bones" ele ergueu um dedo, como se pedisse a ela para não dizer nada. "Eu falhei. Devia ter pensando nisso antes. Mas eu dei tempo a quem quer que esteja por trás disso para plantar a notícia do que fez na mídia. Não vê? Eu deveria proteger você e acabei expondo..."

Seus olhos buscaram os dela, de uma forma angustiada. Seeley detestava falhar em serviço, e pior quando isso envolvia pessoas a quem tinha obrigação de proteger. Bones ainda mais!

Era horrível a sensação de ter escorregado e de que alguém, àquela altura, estava rindo dele. De todos eles.

"Eu não culpo você por nada, Booth. Eu também devia ter pensado nisso antes, mas nenhum de nós pensou" ela começou a dizer, reaproximando-se alguns passos, cuidadosa. "Não fique se torturando por isso."

"Você não entende, não é, Bones?" ele a fitou, os olhos ardendo. "Eu sou o responsável por você, pela sua segurança... não era para ninguém saber o que aconteceu no Jeffersonian aquele dia. Fazia parte da minha missão resguardar essa notícia até que tivéssemos capturado o suspeito. Mas o desgraçado está lá dentro... rindo de nós... ameaçando você e agora está promovendo o terrorismo."

"Acalme-se, Booth... por favor" Brennan fechou os passos que os separava e tocou-lhe o braço. "Eu preciso que se acalme... não gosto de ver você assim."

Os olhos dele baixaram para a mão que segurava gentilmente seu braço. O toque era cuidadoso, transmitia calor e carinho.

Seeley sentiu um nó na garganta. Tentou respirar, oxigenar o cérebro a fim de pensar melhor, de voltar ao controle de si e da situação. Mas quando os dedos dela correram pela pele de seu braço, exposta pela manga dobrada de sua camisa, ele sentiu o arrepio percorrer não apenas seu braço, mas reverberar por todo seu corpo, instalando-se com um tom de urgência em seu abdômen e abaixo...

"Você me disse um passo de cada vez, lembra?Vamos chegar à verdade, Booth... um passo de cada vez" ela sussurrou, os dedos deslizando pelo braço dele, descendo até encontrarem sua mão.

Seeley apertou a mão dela na sua. Inspirando, ergueu o olhar para encontrar o dela.

"Você está certa. Um passo de cada vez" murmurou, meneando a cabeça.

E a sensação que o havia tomado de assalto segundos antes, tornou a invadi-lo quando ela sorriu, olhando em seus olhos... e Seeley Booth se perdeu no instante... no sorriso... nos olhos imensamente azuis...

E ele se inclinou... e com uma das mãos segurou o rosto delicado... e a beijou.

Sem planejar. Sem esperar...

Surpreendendo-se a si mesmo.

Sem pressa, sem medo... apenas tocando os lábios macios com os seus... Sabendo apenas que ela era tudo o que precisava para se acalmar, para sentir o mundo novamente firme sob seus pés.


Obrigada pelos comentários :)

Feliz Dia Internacional da Mulher! Bom Carnaval!