N/a: Capítulo sob o ponto de vista de Peeta. É uma tradução do primeiro capítulo da fic em inglês The Luxury and the Necessity, do autor Devanrae. Eu resolvi traduzi-lo e postá-lo porque achei que ele combina perfeitamente com os sentimentos de Peeta nessa fic. Essa fic é muito boa, eu recomendo a todos que gostam de Peeta e Katniss. Infelizmente ela não foi traduzida por ninguém. Espero que gostem :)


O que acontece quando você sonha com o cheiro do cabelo de alguém por dez anos? Passou horas deitado, acordado até um pouco antes do amanhecer, apenas tentando imaginar como seria a sensação de acariciá-los, de desfazer a sua longa trança e penteá-la com os dedos? Um garoto sozinho, tentando imaginar a sua textura. Seria fino? Grosso? Sedoso? Qual seria a sensação de segurá-lo firmemente em torno de suas mãos? E seus fios suaves abaixo da nuca?

Fiquei pensando nisso enquanto tomava banho há alguns minutos atrás. Aqueles cabelos estavam ao meu alcance, antes de sermos interrompidos por um Haymitch que sabia que estava enrascado por não ter tomado conta de mim devidamente. Eu e Katniss quase realizamos aquilo que eu espero há muito tempo.

Mas o tempo é relativo. Fiquei grato, desde o primeiro momento em que eu a vi na arena. Enterrado sob camadas de lama, protegido por folhas abençoadas, na margem do rio dos nossos primeiros jogos, eu testemunhei a inundação de alívio, medo e determinação que atravessou aqueles olhos cinza-tempestade. Agora eu posso morrer feliz, pensei, e a onda de conforto teria me enfraquecido os joelhos, se eu já não tivesse sido derrubado. A dor, o terror, do que eu tinha certeza de que seria uma morte triste e solitária, preso naquele inferno, desapareceram sob aquele olhar teimoso e consciente.

Eu nunca tive reservas em admitir para mim ou mesmo para qualquer outra pessoa que, de nós dois, Katniss é a mais corajosa e determinada. O que eu mais queria no mundo, deitado de costas, a cada dia que eu assistia o amanhecer e a luz diminuir e piscar por entre as folhas verdes acima, enquanto eu tentava permanecer tão imóvel quanto eu pudesse, era apenas a presença dela. Eu não queria morrer sozinho. E tudo o que veio depois foi muito mais do que eu poderia esperar. Não há um dia em que eu acorde que eu não me sinta com sorte, por cada pequeno momento que eu tive com ela, além daquele.

Katniss e eu voltamos ao Distrito depois de tudo. Com tão poucos de nós aqui, em um clima físico e político tão diferente, depois de termos sofrido tudo o que poderíamos, depois de nos submetermos aos caprichos da perda e da morte, eu lutei para voltar ao lugar onde eu nasci e cresci, e aqui estamos nós, na medida em que poderíamos estar em qualquer outro lugar, eu suponho.

Nós não éramos mais os mesmos assim que retornamos. A longa trança de Katniss havia sido chamuscada até os ombros, e por conveniência ela, na maior parte do tempo, apenas amarrou seu cabelo com uma mecha de couro cru em um rabo de cavalo solto, durante um bom tempo. Tenho a sensação de que tranças a faziam se lembrar de Prim. Ela desviava os olhos das poucas crianças com a coloração clara de Prim, que nós quase nunca encontrávamos, por muito ou pouco se parecerem com a sua irmã.

Katniss ferozmente se recusou a deixar que a medicina mágica da Capital removesse as cicatrizes da explosão, como se ela pudesse levá-las como uma forma de penitência, a vida toda. Ou talvez fosse para lembrá-la de que ela sobreviveu, contra todas as probabilidades. Eu não sei. Ela é bastante reservada sobre tudo isso na maior parte do tempo. O lado direito de sua garganta, do ombro e do braço são novos crescimentos da pele cor de rosa, que nunca vai ser realmente igual a verdadeira, mesmo com o passar do tempo.

Estou mudado também. Como qualquer um de nós poderia não estar? Como Katniss, eu tenho cicatrizes que não estavam aqui, há apenas alguns anos atrás. Eu me descuidei e deixei o meu cabelo crescer e pairar sobre os meus olhos. O coto onde termina minha perna me dói em dias tristes, ou quando eu permaneço em movimento por longas horas. A prótese provoca arranhões e fricções e precisa de ajuste regular. Mesmo a Capital, com toda a sua tecnologia médica, não poderia trazer de volta o que foi me roubado. Eles não podiam fazer com que eu me sentisse eu mesmo de novo.

Ela, como eu ao retornar, era mais facilmente assustada com ruídos altos, andava constantemente desconfiada. Seus olhos, raramente eram capazes de se concentrar em apenas uma coisa ou uma pessoa ao mesmo tempo. Alguns dias ela se escondia no armário e não queria ver ninguém. Permanecia quieta e muda, monossilábica, apenas para que pudéssemos saber se ela estava viva. As melhores ofertas da Greasy Sae, deixadas em bandejas, permaneciam em sua porta. Eu a vi assim diversas vezes. Ela se enrolava em uma bola apertada, com os olhos voltados para a parede banca. Nessas ocasiões, eu sabia que sua mente desenvolvia imagens que ela não queria ver contra a parede, como uma tela.

Algumas vezes eu a forcei a levantar da cama pela manhã, para fazer qualquer coisa que não fosse dormir ou chorar. Então, em algum momento, Katniss começou a ir à floresta por si só, para caçar ou nadar ou sentar e se esconder, consolada pela familiaridade, principalmente quando chorava por todas as perdas que sofreu. Não tinha nenhuma dúvida disso, pois ela saía com os olhos vermelhos da floresta, por mais que tentasse escondê-los. Alguns dias, ela ficava na floresta por umas 12 ou 14 horas, e não saía com nenhum animal, nenhuma planta. Eu não esperaria que ela caçasse durantetodo o tempo, mas eu continuava esperando que ela saísse com alguma coisa. Nesses dias, eu acho que ela só se enroscava em algum arbusto e dormia por lá, embalada no verde de sua casa.

Eu me ressentia com isso, só um pouco, por mais que eu tentasse fazer o contrário. A minha casa... Tudo o que eu considerava uma casa... Se foi. Minha família se foi, de uma forma mais definitiva do que a de Katniss, embora eu não sinta mais dor, eu acho.

Os pesadelos eram bem ruins no início. Dr Aurélius certa vez, disse à Katniss que seria pior tentar evitá-los e que não deveríamos ter algo para suprimi-los, pois eles são um sinal de cura, de recomeço. "É fácil para ele dizer" Katniss rosnou depois de uma conversa telefônica insatisfatória. Raramente ela coloca seu rosto entre as duas mãos. Eu estava em sua casa naquela manhã, assando o pão e fritando ovos. Katniss se esquecia de comer muitas vezes no início, e eu não gostava quando podia ver os ângulos agudos de seus quadris emergentes. Deixei a minha comida para ir até ela, estendendo a mão na tentativa de tocar seu braço cheio de cicatrizes. Ela hesitou, e depois eu a tinha plenamente em meus braços. Ela não resistiu, fosse porque ela não conseguia resistir ou porque não queria, ou precisava disso, eu não sei. Eu a segurei em meus braços e sussurrei em seu cabelo. Era um novo sentimento estranho.

Por causa dos pesadelos, nós dormíamos juntos cada vez mais. Sua independência teimosa foi usada para fazer com que ela insistisse em dormir sozinha muitas noites, mas ela acordava gritando tão alto que eu podia ouvir seus gritos do meu quarto. Eu a encontrava dessa forma sempre sentada em um armário, sozinha no escuro, balançando para frente e para trás e sussurrando, às vezes para si mesma ou para irmã, às vezes para Finnick ou sua mãe. Eu nunca pude entender tudo, apenas trechos.

Deitada no escuro, uma noite, envolta em meus braços, eu perguntei se ela voltaria para o 12 se tivesse escolha. O rosto dela se virou, e ela me fez uma pergunta retórica: "Para onde mais eu iria, Peeta?", perguntou ela. "Minha mãe tem muitas lembranças ao me ver, você estava internado na Capital, Gale estava desaparecido. Pr..." Ela se deteve aí. Eu passei as mãos em seu cabelo magnífico, tão adorável em qualquer comprimento, com ternura, tocando suas pontas irregulares. Eu sabia no que ela estava pensando. Ela não precisava me dizer mais nada. De todas as pessoas do mundo com quem poderíamos falar sobre estes horrores, só o outro poderia realmente entender. Ninguém que não estivesse lá com a gente poderia de fato saber.

Os médicos da Capital tinham medicamentos que poderiam fazer com que ela melhorasse, mas depois da quantidade de medicação que foi injetada à força em Katniss, depois dos segundos Jogos, ela simplesmente se recusava a se submeter ao tratamento. Katniss é brava desse jeito também, o que é um motivo de orgulho para mim, mesmo que no início eu tenha pedido a ela que seguisse o seu tratamento à risca. Tudo o que eu podia fazer para ter certeza de que ela manteria contato regular com o seu médico eu fiz, o que ela só fez por ter medo de ser levada de volta à Capital, depois do episódio do seu sumiço causado pela quantidade de repórteres no Distrito.

Eu não entendo as crises de depressão que levam Katniss, mas as alucinações ainda me perseguem, sempre que eu sinto um certo exagero em algo que eu mesmo não poderia ser capaz de promover, se a luz atingir Katniss de uma determinada maneira ou se ela se mover muito rápido. Meu coração se parte um pouco por isso, pois antes eu nunca iria querer, nunca escolheria, ser cruel com ela, nem mesmo no meu coração. Mas nem sempre sou eu. Ela sabe. É um reflexo do cuidado que ela tem, um esforço concentrado para não mostrar que ela nunca mais dará as costas para mim. Ela fala baixo comigo, quando está por perto e consegue ver o episódio chegando. "Peeta, Peeta," diz meu nome, baixinho. Seus olhos crescem mais levemente, com a testa franzida de preocupação, e ela segura as minhas mãos entre as suas.

Uma vez, enquanto tomávamos café, uma visão particularmente terrível veio: de mim, deitado na caverna, nossa caverna, sangrando até a morte enquanto Katniss acenava, segurando o remédio que iria salvar a minha vida, acima de mim, rindo e rosnando, dizendo insultos e provocações, apunhalando meu corte, sangrando a ferida com os dedos dos pés enquanto eu uivava de dor. Eu fechei os olhos e comecei a abanar a cabeça com tanta força que doía. "Não, não, não!" Eu gritei para a cozinha vazia. Katniss não estava lá, mas, em seguida ela, de repente, se embrulhou ligeiramente em volta de mim, soluçando e com o rosto enterrado no meu ombro, e então eu senti: o mais gentil dos beijos na minha mandíbula quando ela sussurrou em meu ouvido: "Não é real, não é real, não é real... Peeta, Peeta." E eu cedi. Quando eu me dei conta estava jogando todo o meu peso em cima dela, a caneca de café jazia em mil pedacinhos ao chão, enquanto ela sustentava o meu corpo e tentava me mostrar o laranja do nascer do sol. Nós choramos juntos nesse dia.

Eu costumava precisar dela. E continuo precisando. Mas eu ando suspeitando, já há algum tempo, que agora ela precise de mim também. E foi o que ela me disse hoje, enquanto estávamos os dois, molhados, no chão do seu banheiro. Eu não quero que ela precise de mim só porque os outros em sua vida se foram, mas eu fico impotente em face de sua própria necessidade.

Quando estamos separados, estamos lidando com os problemas, vivendo a vida que ainda temos muita sorte de ter. Nós dois temos muito mais de 18 anos, na verdade. Minhas alucinações chegam, e eu cerro os punhos, repito meus mantras mais e mais na minha cabeça, e pinto. Eu pinto e pinto e pinto: paredes, telas, minha própria pele, por vezes, se o capricho me bate. Eu pinto os jogos, eu pinto a guerra, eu pinto Katniss. Eu pinto meus sonhos. E ela caça. Criamos uma rotina. Tinhamos que fazer isso. Mas é mais fácil, para não ficar sozinho.

Katniss zombava da noção de amor verdadeiro, porque ela não tinha tempo para esse tipo de sentimentalismo. Katniss tinha um verdadeiro amor apenas por Prim, e quando ela se foi, toda a sua realidade foi embora junto. Seu mundo, por um longo tempo, ficou em silêncio por ela. Só muito recentemente, depois da admissão de amor em meu rosto, no meio de toda a minha confusão e dor de cabeça eu a vi sorrir, apenas uma vez, e eu sei que fiz mais do que sonhar. Eu via algo novo em seus olhares casuais, às vezes. Uma pergunta. Ou talvez uma resposta. Assim como eu deixava os assuntos do coração de lado, eu aprendi a deixá-la seguir seu próprio caminho, uma vez que ela sempre foge, evitando os meus olhares e suas respostas.

Meus pensamentos são interrompidos por batidas na porta, o que é um pouco estranho já que as pessoas que são realmente bem-vindas apenas teriam entrado de uma vez. Eu fico surpreso ao me deparar com Katniss, parada na minha porta e olhando para os seus pés. Talvez ela tenha ficado com vergonha do que fizemos hoje. Ela sempre foi um pouco hesitante em entrar em certos assuntos que envolvessem nudez, quanto mais participar deles.

"Bom, eu bati à porta na esperança de que, talvez, você já estivesse dormindo. Mas eu não conseguiria pegar no sono sem ao menos ter tentado falar com você, mesmo que isso significasse dar com a cara na porta. Pelo menos eu teria a consciência limpa". Ela está vestindo uma longa camisola branca, descalça e tremendo, com uma lágrima gelada serpenteando pelo seu rosto. E é então que eu percebo que está fazendo um frio anormal para julho e que está começando a chover. Sem pedir, eu a pego em meus braços e a levo para dentro da minha casa.

O quarto que eu escolhi para o meu próprio tem uma lareira. Eu a deito sobre o tapete felpudo, na frente das brasas ardentes e esfrego suas mãos e pés vigorosamente enquanto seu olhar envergonhado e doloroso é drenado lentamente de seus olhos. Alguns pingos de chuva cobrem a sua pele e marcam a sua camisola, e eu tento evitar seus olhos quando as pontas de seus seios sobressaem sob o fino tecido da camisola rendada. Acho que nunca vi Katniss usando algo tão delicado e isso está me deixando nervoso. Eu sinto as minhas bochechas ficarem cor-de-rosa e eu estremeço.

"Por quê?" ela me pergunta, deitada sobre o tapete macio enquanto sua pele fria derrete lentamente sob minhas ministrações.

"O quê?" Eu pergunto de volta, preocupado.

"Por que..." ela repete, então murmura, olhando para longe, "Hoje mais cedo você disse que precisava ir embora? Por que você disse que precisávamos conversar antes de termos... Hã, novas experiências?"

Eu tenho evitado chegar nesse ponto desde que eu voltei da Capital, mas a minha força de vontade não é infinita. E assim, eu me inclino para baixo com cuidado, meus olhos azuis perseguindo aqueles cinza que eu amo, e eu encosto muito suavemente os meus lábios no seu ouvido enquanto eu sussurro "Porque eu esperei por isso a minha vida inteira Katniss, eu não posso decidir agir como um adolescente cheio de hormônios logo agora. E eu também não quero que você faça nada se ainda estiver confusa. Se você decidir fazer amor comigo eu quero que você pense apenas em mim, nada de preocupações ou ataques. Eu quero você inteira e curada, e é por isso que eu ainda estou aqui. Porque eu te amo."

Ela se vira bruscamente para que seu rosto esteja apenas a uma polegada do meu. Vejo muitas emoções conflitantes lá no fundo. Medo, confusão, vergonha... E amor. E eu não estou imaginando. O rosto de Katniss é tão expressivo, é difícil projetar qualquer coisa mentirosa nele, pelo qual eu sou grato. O que eu vejo é um tipo de contestação, uma necessidade. Eu chego e lentamente acaricio seus cabelos com a mão esquerda, enterrando meus dedos nele, fios soltos ao redor da minha mão, da maneira que eu costumava sonhar. Ela morde o lábio, então suspira. Ela parece mais jovem. Seu corpo está tenso, dos sonhos, da conversa, do que? O que mais se esconde sob ela? Eu fui um livro aberto o tempo todo, não há nada que ela pudesse me pedir que eu não desse a ela, nada que eu pudesse negar. Ela permanece enigmática. Mas, nesse momento de extrema vulnerabilidade, já não posso mais me aguentar. Eu persigo a cintilação da necessidade, do calor, e baixo os meus lábios entreabertos nos dela. Ela faz um som como um sussurro ou um suspiro e de repente ela se encontra debaixo de mim, me puxando para ela. Sua língua macia cutuca o meu lábio inferior, "Katniss," eu sussurro em sua boca.

"Peeta", ela sussurra de volta, e me deixa, apenas por alguns momentos, pensar na minha decisão de ser apenas um adolescente, algo que eu tenho ouvido falar, acho que, com ironia, de passagem, mas nunca experimentei. Nossas pernas estão coladas, as suas escondidas sob o longo comprimento da camisola, e por um segundo fugaz, eu me pergunto como seria se eu também estivesse sem as calças do pijama. Pele na pele. Eu choramingo tão baixinho que eu acho que ela não ouviu isso, mas os ouvidos de caçador da Katniss não perdem nada, e suas mãos deslizam para cima e pra baixo na áspera barba loira, cobrindo o meu rosto suavemente em suas mãos enquanto sua língua se aventura pela minha boca, um pouco menos timidamente. Eu a encontro com a minha, acariciando suavemente, tentando desesperadamente não deixar que o meu corpo tome o controle. Eu sou o garoto em chamas hoje à noite... Ou nós dois somos, a nossa pele brilhando sob um delicado vermelho-alaranjado na quase escuridão das brasas. Eu tremo quando eu sinto uma de suas pernas deslizando entre as minhas, então eu salto. Ela recua um pouco, ofegante, mas apenas com a boca. Ela empurra o meu cabelo dos meus olhos.

"O quê?", ela pergunta, parecendo insegura, e eu vejo a incerteza lá, quando seus olhos começam a se fechar, a protegendo de seu próprio embaraço em potencial, o que ela não permitiria que fosse visto.

"Ei, ei" eu sussurro, tomando sua boca outra vez, incapaz de ajudar a mim mesmo. A razão pela qual eu pulei, é claro, é porque ela permanece perigosamente perto de descobrir o meu descontrole, enquanto tudo que eu desejo é me aninhar em Katniss.

Eu tento me mover, mas é claro que, se eu me levantar, não haverá nenhum lugar para ir. Eu suspiro por dentro. Oh, como é divertido ser um adolescente. Eu me inclino para baixo e arrasto beijinhos em todo o seu rosto, testa e queixo. Mas Katniss sendo Katniss, não vai ser enganada.

"O que houve?", ela pergunta mais uma vez, uma nota de suspeita em sua voz. Eu tenho que lembrar que, tanto quanto eu, Katniss está pisando em terreno desconhecido enquanto tocamos um ao outro desse jeito, e que ela pode até não saber.

"Hum..." Eu começo, sem jeito, "Katniss, eu... Eu não estou sempre no controle do meu corpo", deixo escapar de uma forma direta. "E eu sinto muito, eu não quero que você se sinta mal, como se eu estivesse tirando vantagem de você ou qualquer coisa, eu não posso... Você é tão bonita e está maravilhosa com essa camisola, você nem pode imaginar... Eu só não vou conseguir me controlar assim... ", eu termino sem convicção. Minhas bochechas estão escarlate, eu posso sentir isso. Minha ereção descontente não parece notar, e continua ali. Mas eu posso ver o entendimento amanhecendo e subindo nos olhos de Katniss e eu acho que, pelo menos, ela sabe o que quero dizer, e eu não tenho que dar mais aulas de anatomia.

"Isso é tudo?", ela pergunta, com ironia.

"Tudo?" Eu digo, e rio um pouco, apesar de eu mesmo nem ter certeza do que estou falando. "Isso não é o suficiente?"

Fico chocado quando ela me puxa para baixo de novo, com um pequeno sorriso brincando ao redor de seus lábios. Eu resisto um pouco, um protesto se formando em minha boca, mas antes que eu possa fazê-lo, ela coloca suas coxas deliberadamente em volta do meu quadril. E então eu sinto: sua carne lisa, firmemente pressionando a minha dor. Eu exalo acentuadamente, involuntariamente e ela suprime o que quase se parece com um sorriso.

"Katniss, eu não..." Eu protesto."Eu não quero que você... Eu quero... Pare." Então argumente, minha voz interior zomba.

"Está tudo bem", ela sussurra, mas eu me contorço desconfortavelmente. "A vida vai seguir em frente", diz ela em voz baixa.

Eu a amo tanto. Eu não quero que ela faça qualquer coisa que ela vá se arrepender. Eu não quero machucá-la, por favor não me deixe magoá-la. Mas, em seguida, seus olhos estão ferozes e ela tranca seu olhar em meu próprio, e sua voz é tão suave e decidida ao mesmo tempo...

"Está tudo bem", ela sussurra tranquilizadora, e usa a alavancagem de sua própria perna e sua mão esquerda para, para minha surpresa, me virar e sentar em cima de mim. Eu respiro fundo. Bom, eu acho que tudo bem, melhor assim, inesperado, mas...

Então Katniss oscila uma daquelas fortes pernas em volta de mim e, de repente, eu estou propenso, e ela está me ocupando, antes de eu ter um momento para pensar ou orar ou agradecer aos céus por um luxo que eu nunca poderia ter imaginado. Ela sorri. "Melhor?", ela pergunta, brincando. Eu não ouço esse tom de brincadeira em sua voz desde... Eu não me lembro. Eras. Antes da guerra, antes de Prim, apenas antes. Esse tom só me tranquiliza, porque é um som de cura.

Ela desliza a sua boca para baixo, arrastando os beijos pelo meu peito. Ela se muda para a minha barriga e eu gemo. Eu não posso mais me conter. A primeira coisa que ela faz depois de me olhar profundamente é começar a trabalhar lentamente os dedos nos grampos da minha prótese. Ela me viu fazer isso muitas e muitas vezes, então seus dedos ágeis o fazem com facilidade. Eu já permiti que ela fizesse isso uma vez, mas agora é diferente. Ela parece sentir o meu desconforto e olha para mim.

"Eu quero o verdadeiro Peeta", diz ela, à guisa de explicação "Não a criação da Capital." O coto da perna parece mais evidente do que nunca e eu me sinto vulnerável. Seus dedos suaves acariciam a pele ferida e sensível onde a minha perna termina, logo abaixo do joelho. Então, como se estivesse tentando me ajudar a ficar à vontade, ela beija a ponta dos dedos e a toca em seguida.

São de seus próprios olhos que a vejo me observando, e eles não têm conhecimento, mas estão vivos, brilhantes e focados. Ela me estuda, como se visse algo que ela realmente amasse. "Peeta, eu... Eu quero sentir as coisas boas, as novas experiências. Com você. Agora. Eu acho que estou pronta. Fica comigo?"

Há apenas uma resposta para essa pergunta.

"Sempre"