A porta dupla de metal despencou no chão, fazendo um enorme barulho. Enquanto dois homens guardavam as ferramentas utilizadas para derrubar a porta, outro se adiantou e fez sinais com as mãos, orientando seus subordinados. Com a tática rapidamente formulada, 5 soldados entraram com suas armas empunhadas. Seus olhares atentos vasculhavam cada canto da sala.

- Nada aqui! – gritou um deles.

- Vazio!

- Não tem ninguém aqui!

- Tudo limpo!

O chefe da operação bufou de raiva:

- Maldição! Onde será que eles estão?

O último dos homens estava vasculhando a sala dos medicamentos. Imediatamente, sua visão apurada detectou algo anormal e de certa forma previsível. A grade que daria para a tubulação estava grosseiramente amassada. Sem pensar duas vezes, o homem retirou a grade e atirou lá dentro para todos os lados (embora só seus braços com a arma pudesse alcançar o interior).

- Caramba! Eu poderia jurar que tinha alguém lá dentro!

"E eu poderia jurar que você vai se ferrar" – pensou Leon, chegando de mansinho perto do soldado.

Quando sentiu a presença do ex-RPD, já era tarde demais. Leon pulou e acertou um chute na cabeça de seu rival, que bateu sua "cachola" com tudo na parede e apagou.

- Vamos logo, Ben! – chamava um dos companheiros, impaciente.

Foi quando ele viu um pequeno movimento atrás de um dos armários do local. Apontou sua arma na direção do vulto mas não teve tempo hábil para atirar, pois o objeto subitamente se moveu e caiu em cima do soldado.

- O que há? – perguntou outro homem quando entrou na sala. Uma mulher de colete e cabelos presos num rabo-de-cavalo fora responsável pela queda do armário de metal.

Claire viu que o homem estava com o laser de sua arma apontado para sua testa e ficou parada.

- Sua va---

Uma sinfonia de tiros fez o soldado cair e não terminar seu xingamento.

Agora já era muito tarde para pensar numa fuga discreta e silenciosa. Mais homens chegavam e eram baleados pelas armas de seus companheiros, que "voluntariamente" a emprestaram para o casal.

Um deles, com uma espingarda na mão, atirou nos dois, que pularam e se esconderam atrás de mesas tombadas pela busca feita anteriormente.

O capitão, que planejara toda a operação, se escondeu. Estava com vergonha de sua estratégia ter falhado, de trabalhar com pessoas tão idiotas e de ter sido enganado por quem quer que estivesse dentro da salinha. Ele esperaria até que o indivíduo saísse e mandaria bala.

Não demorou muito para que um homem, de cabelos castanhos e visivelmente ferido saísse. Quando apertou o gatilho, uma mulher praticamente voou em direção ao marido e ambos rolaram no chão.

- Seus ratos imundos! – esbravejava o capitão.

Ainda no chão, Claire atirou no chefe da operação, que se ajoelhou e depois caiu no chão, banhando seu celular com sangue.

- Tudo bem? – perguntou a quase-ruiva.

- Sim. Obrigado pelo salvamento. Nunca fiquei tão feliz por você ter pulado em mim.

Pela primeira vez, Claire sorriu timidamente. Leon ficou contente, pois sua mulher estava de volta.

Claire, curiosa, foi revistar o falecido capitão.

- Por que será que eles perdem tanto tempo nos xingando ao invés de atirarem? – filosofou Leon, se divertindo. Claire balançou os ombros:

- Sei lá! Melhor pra gente, não é mesmo? E por falar nisso...

Ela pegou o celular do capanga.

- O que vai fazer com isso?

Para responder, Claire estendeu o braço, mostrando o visor do aparelho.

- Ele estava acompanhando esse pontinho rosa, que agora está no T-16.

Leon apoiou a cabeça na mão esquerda e perguntou:

- Será que eles estão rastreando a Leny?

- Leny? Esse é o nome da garotinha que está com nosso filho?

O marido de Claire escolheu as palavras que falaria a seguir cautelosamente:

- Ela não é só a acompanhante dele, querida. Ela é sua...

- Nós temos a localização deles, Leon – exclamou ela, ignorando as palavras de seu marido – Vamos até lá encontrá-los!

Suspirando com pesar, Leon consentiu. Falaria a verdade para a esposa numa melhor ocasião.