A Lei da Sexualidade por Rakina
Tradução: Rebecca Mae
Beta-reading da tradução: Ivich Sartre
Capítulo Vinte e Seis: O Mensageiro
Ponto de Vista do Harry:
É a última semana do ano letivo e descobri que tenho que voltar para a casa dos Dursley neste verão. Não as férias todas, graças a Deus. Dificilmente seria o lugar ideal para Sev me Capacitar, afinal! A imagem mental de Tio Vernon em pé do lado de fora do meu quarto com um copo de vidro encostado à porta é horripilante demais para ser engraçado.
Professor Dumbledore diz que eu tenho que voltar pra eles por um mês, pra renovar a proteção do sangue da minha mãe. Então me mudo para o Largo Grimmauld e passo o resto das férias com Sirius, que 'está ansioso para passar algum tempo comigo'. Devo admitir, já gostei bastante disso, mas agora estou preocupado, sei que vai ser bem mais que estranho. Só porque ele não mandou mais nenhum Berrador, não quer dizer que ele aceitou a idéia de Snape ser meu Capacitador e suponho que ele vá tentar me dissuadir até o fim. Não estou atrás de um verão inteiro o ouvindo falar mal do Severus.
Temos bem pouco trabalho pra fazer – nada de dever de casa, na verdade, exceto algumas leituras preparatórias para as matérias no ano que vem. Severus passou muitas delas para os que esperam continuar tendo aulas de Poções, mas não há mais aquele senso de urgência e Ron, eu e Hermione andamos muito pelo Lago, conversando. As coisas com Ron estão bem, desde que nos mantenhamos longe de assuntos envolvendo Snape, sexo e meu aniversário. É incrível como a conversa apimenta perto desses assuntos, então a atmosfera não tem sido relaxada como costumava ser.
Hermione está bem, ela não diz muito sobre mim e Severus. Acho que ela aceita todas as minhas razões lógicas para escolhê-lo, mas suspeito que ela saiba que a verdadeira razão pela qual o escolhi, dentre todas as pessoas, é que eu quero mesmo transar com ele. Graças a Deus, ela se abstém de fazer comentários.
"Aquele não é o Remus?" ela pergunta, enquanto vemos uma figura andar até nós vinda da entrada do castelo.
"É," eu digo e meu coração afunda. É uma coisa triste que a visão do meu ex professor favorito me cause essa reação. Remus sempre foi gentil e me deu apoio. Mas Remus é o melhor amigo de Sirius e, no momento, isso quer dizer problema.
"Olá!" ele diz ao se aproximar. "Um entardecer lindo, não acham? Aposto que mal podem esperar para fazer os NOM's e acabar logo com isso."
Ele não veio até aqui pra falar de NOM's. Deixo Ron e Hermione conversarem com ele e espero que o real assunto venha à tona. Noto que estou me comportando de um jeito bem sonserino ultimamente. Bom, quase caí na casa do Sev e agora que eu o vejo quase todas as noites, deve ser natural.
"Posso dar uma palavrinha em particular com você, Harry?" ele pergunta depois de uns cinco minutos.
"Tá," eu respondo e me afasto um pouco com ele, deixando Ron e Hermione sozinhos em mais um desses 'interlúdios românticos à beira do lago' que eles têm. Eles podem adivinhar o que Remus quer... Você teria que ser um verdadeiro trasgo pra não perceber.
"Harry, eu contei a Sirius sua escolha."
"Hummm… É?" eu digo. "Acho que essa ocasião deve ter sido interessante..."
Ele me olha, escrutinador, como se não estivesse esperando bem essa resposta. Bom, Remus, acho que eu mudei um pouquinho desde o terceiro ano. E acho que estou adquirindo a fina arte do comentário sarcástico.
"Você entende que Sirius não pode mesmo vir aqui e falar com você, ele próprio, Harry, então ele me pediu para falar com você em seu nome."
Graças a Merlim que ele não pode! – é meu primeiro pensamento. Então me sinto culpado por estar feliz de não poder ver Sirius. Há pouco tempo, não haveria nada que me faria mais feliz. Mas acho melhor não dizer nada, só esperar ele continuar. Porque eu sei que ele vai.
"Sirius está totalmente desesperado para que você não faça isso Harry..."
Eu o interrompo antes que ele consiga dizer mais.
"Bom, eu sinto muito quanto a isso, mas como eu já falei pra você, eu já me decidi. Está tudo arranjado, e eu confio na opinião de Dumbledore, mesmo que o Sirius não confie."
"É claro que Sirius confia em Dumbledore!" Remus diz.
"Então ele tem um jeito engraçado de demonstrar, não é? Remus, eu quero que Severus seja meu Capacitador. Passei bastante tempo com ele ultimamente, estou mesmo chegando a conhecê-lo..."
"Não mesmo, Harry!" ele interrompe. "Você não faz idéia de como Severus é realmente! Ele é um Comensal da Morte, pelo amor de Merlim!"
"Ele é o Comensal da Morte espião que Dumbledore confia, Remus! Isso é só um pouquinho diferente, não acha?" Estou falando mais alto e mais estridente conforme meus sentimentos se tornam mais fortes. Sabia que essa conversa ia chegar, mas não vou deixar ninguém fazer minha cabeça.
Remus tem a graça de parecer abalado, mas acrescenta: "Mas você ainda não tem noção do que ele já fez na vida, harry. Antes de vir para a Ordem, ele era igualzinho ao resto deles. Apenas tente e assista o que ele é capaz de fazer!"
"Ele é capaz de enfrentar Voldemort, de arriscar sua vida para ajudar o lado da Luz! Você conhece alguém mais que faça tanto? Ele é capaz de me mostrar como lutar!"
Remus fica quieto. Acho que ele percebeu como estou certo quanto a isso. Já é hora de perceber.
"Você não vai mudar de idéia, vai, Harry?"
"É verdade, não vou. Você devia me conhecer bem o bastante para saber que quando eu decido alguma coisa, vou até o fim. Vou fazer isso, Remus. Vou ser maior de idade e a escolha é minha."
"Sim. Como deve ser, Harry. É só que isso não é o que a maioria das pessoas escolheria pra você,"
"As pessoas têm feito escolhas por mim desde que eu era um bebê e raramente coincidem com o que eu quero, ou funcionaram particularmente bem. Não posso piorar mais as coisas, então diz pro Sirius que essa escolha é minha e que eu já decidi."
Ponto de Vista do Remus:
Cada vez que eu vejo Harry, me impressiono. Impressiono-me que ele pareça ter pensado nisso tudo³. Impressionado de que ele tenha falado com Albus. E agora estou impressionado de que ele queira mesmo isso. Estou convencido de que, da parte do Harry, é genuíno. Agora tenho que investigar a outra parte, e esse, é claro, é o problema, porque é Severus.
Despeço-me de Harry e seus amigos e me dirijo ao castelo e às masmorras. Severus ainda está em seu escritório, então é fácil de encontrar. Empurro a porta e entro, pronto para a costumeira conversinha sarcástica. Ele olha para cima para ver quem está entrando sem bater, o cenho franzido, sem dúvida prestes a retirar pontos, ou dar uma detenção.
"Lupin!" ele diz e, embora sua voz não demonstre, acho que ele está surpreso. Ótimo, é uma vantagem.
"Preciso falar com você, Severus," eu o informo. Ele precisa saber que não tem escolha.
"Ah. Então sugiro que nos retiremos para meus aposentos e façamos isso confortavelmente, como seres humanos civilizados." Essa ênfase suave, só pra deixar óbvio que ele não me qualifica como um. Ele não muda; se ao menos Harry pudesse saber como ele realmente é, talvez as coisas pudessem ser diferentes.
Quando nos ajustamos em frente à lareira –e devo admitir que é muito confortável e surpreendentemente agradável aqui -, eu vou direto ao ponto.
"Vim ver Harry hoje, para contar a ele o ponto de vista de Sirius sobre a Capacitação."
Ele apenas ergue aquela maldita sobrancelha, e espera.
"É claro, Sirius quer que Harry mude de idéia."
"É claro. Mas o que Harry quer?" ele pergunta.
Ele me surpreende um pouco ao chamar Harry por seu primeiro nome. Eu esperei que ele dissesse 'Potter'.
"Harry quer você. Simples assim."
Snape sorri. Maldito seja! Ele sorri. Não lembro quando foi a última vez em que vi seu rosto transformado em um sorriso genuíno – ele não é do tipo que sorri!
"O que você quer com isso, Severus?" eu pergunto, meio brusco. "Além de um rabo virgem, é claro.
O sorriso desaparece. O cenho franzido retorna.
"Tão eloqüente, Lupin, tão grifinório revelando assim seus sentimentos. Eu quero alinhar meus poderes com os de Harry, é claro. Quero ser seu Capacitador. E quero entre nós um elo que dure toda a vida, ao menos por agora..."
Um tremor corre minha espinha. Snape tem planos futuros com Harry. Isso é... Perturbador. Ele quer dizer que essa Capacitação, com todas suas ramificações, não é o bastante.
"E mais que tudo, eu quero Harry. Pra mim."
É minha vez de parecer atônito. Bom Merlim, o que ele quer dizer com isso?
"Você não vai trancá-lo com você!" eu grito, entrando em pânico como um trouxa que encontra um dragão.
"Não tenho desejo algum de trancá-lo comigo, de onde você tirou essa idéia? Não... Eu quero que Harry esteja comigo, alinhado, apreciado, amado..."
Eu cairia da minha cadeira se ela não tivesse encosto!
"Você está dizendo que ama Harry?" eu pergunto, minha voz ainda amedrontada e alta demais.
Severus me encara, avaliando minha falta de controle.
"Isso é entre nós, Lupin, e é pessoal."
"O que é isso, Snape! Se você quer que eu mantenha Sirius longe disso, poderia ao menos ser honesto sobre o que quer com Harry."
"Eu disse a você. Eu o quero."
Ele me encara com aquele olhar negro e implacável e eu sei que não vou conseguir arrancar mais nada dele hoje. Realmente, estou maravilhado que eu tenha conseguido tanto. Termino minha bebida.
"Adeus, Severus," digo e saio de lá. Não prometo nada a ele; ele também não me prometeu nada. Mas ainda penso que o que ele disse é significativo e foi além do que jamais pensei que Severus Snape fosse capaz de dizer.
Agora, só preciso falar com Sirius. Tenho que me acostumar a ser o mensageiro: sempre um serviço perigoso, em tempos antigos os mensageiros de más notícias eram mortos pelos interlocutores. Isso não acontece hoje em dia, é claro.
