Música para o capítulo: "Walk Away from Love", de David Ruffin.
Capítulo 26
~ Bella ~
Eu estava um pouco mais do que mortificada após a troca que Kate e eu tivemos no banheiro. Eu acreditei em Victoria quando disse que ela era inofensiva, mas, ainda assim... foi estranho.
Esperei no quarto de hóspedes até que Victoria terminasse seu banho, porque eu não me sentia confortável o suficiente para sair sozinha.
Estava tudo tranquilo, apesar do som da televisão na outra sala quando entramos. Kate estava na cozinha e eu podia ouvir potes e panelas fazendo barulho ao redor. Vic sentou no sofá ao lado de Garrett e eu sentei em uma cadeira em frente a eles. Eu estava muito nervosa e comecei a brincar com os cordões do moletom de Edward. Eu podia senti-los olhando para mim. Era estranho.
"Tudo bem Bella, então, qual é a história? Onde está o imbecil que te engravidou?" Garrett perguntou sem rodeios.
Eu olhei para ele em choque. O olhar em seu rosto me aterrorizou. Ele parecia absolutamente lívido. Ele estava bravo comigo?
"Hum, ele está na faculdade em New Hampshire." Eu respondi calmamente.
"Bem, isso é um inferno de viagem para chutar uma bunda. Eu estou aqui para isso, no entanto." Ele balançou a cabeça antes de incliná-la para trás e tomar um gole da sua cerveja.
"NÃO!" Eu gritei.
Victoria riu e ele levantou suas sobrancelhas para mim.
"Não?" Ele perguntou incrédulo.
"Quero dizer, não, eu não quero que ele apanhe, ou algo assim. Você não tem que fazer isso." Eu disse em um fôlego só. O cara era fodidamente assustador.
"Foda-se, Bella. Você é uma menina boa, eu posso dizer. Aquele filho da puta precisa agir como homem. Já que ele não consegue entender a merda por conta própria, eu tenho paciência suficiente para ensiná-lo. Um dia comigo e ele nunca mais foderá com nada." Ele disse orgulhosamente.
"Não é assim." Eu respondi, abaixando minha cabeça.
"O que diabos isso significa? Ele não está cumprindo com a parte dele da barganha aqui, mãezinha. Ele que se foda. Ele precisa cuidar das merdas dele." Ele disse, irritado.
"Bella, perdoe o meu irmão homem das cavernas aqui. Ele apenas fica muito exaltado sobre coisas assim. Ele tem opiniões muito fortes... perdoe a sua bunda estúpida." Victoria disse enquanto dava um tapa na nuca dele.
Deixei escapar uma risadinha porque era engraçado ver esta garota 'tamanho PP' bater nessa besta gigante e durona. Ele me lembrava um pouco Emmett, bem, se Emmett fosse coberto de tatuagens, bebesse gasolina e comesse criancinhas no café da manhã.
Kate apareceu alguns minutos depois com um sorriso enorme em seu rosto e anunciou o jantar. Nós levantamos para ir em direção à pequena mesa da cozinha, quando Garrett puxou meu braço.
Eu olhei para ele com surpresa, molhando minha calça pela terceira vez hoje.
"Escute, eu amo a minha esposa. Ela é a mulher mais fodidamente linda no planeta, mas aquela cadela não poderia cozinhar para salvar sua vida. Eu garanto que ela fez alguma bosta de feijão, ou qualquer merda que ela chame de comida. Finja que você não se sente bem e eu vou levá-la para um passeio. Eu darei a você um pouco de comida de verdade." Ele disse com uma piscadela.
Eu não tinha certeza se queria ir a qualquer lugar com este psicopata, quero dizer, ele poderia me levar para algum beco e festejar no meu corpo morto, por tudo o que eu sabia. Eu simplesmente assenti porque, o que diabos eu deveria fazer?
MERDA.
Fiel à palavra de Garrett, fomos servidos com a merda mole mais nojenta e desagradável existente na face terra. Aquilo fodidamente fedia! Era algo com curry e tofu misturado com algo mais nojento. Meu filhote ficou irritado. Naquele momento eu decidi que iria até para o inferno com Garrett. Eu esperava que fosse para o McDonald's, mas se fosse para um beco de morte... Foda-se. Eu morreria de fome logo com essa merda, de qualquer maneira. Por que adiar o inevitável?
Empurrei aquela merda molenga no meu prato por alguns minutos, enquanto Kate e Vic ficaram de gracinha uma com a outra. Eu estava feliz por Kate não ter me pegado ainda, como Vic prometeu que ela faria. Eu não estava no clima. Finalmente, pedi para tomar um ar e Garrett se ofereceu para me levar para um passeio pela cidade.
Caminhamos em silêncio pelo que eu havia temido ser o meu beco da morte. O cheiro do ar fresco do oceano era uma delícia, no entanto. A doçura salgada me acalmou. Eu de repente me vi sorrindo, e Garrett notou.
"Então, eu vou apresentá-la ao calçadão. Isto é pelo que Venice Beach é famosa. Você vai amá-la. Mas, eu não quero você aqui à noite sem mim. Sempre que você quiser vir, diga-me e eu virei com você." Ele disse sinceramente.
Eu concordei e ele me deu um sorriso doce.
Eu estava começando a ter um sentimento melhor por Garrett. Ele não podia ser tão ruim se era irmão de Vic, ela era um anjo aos meus olhos.
Caminhamos em silêncio durante a maior parte, enquanto eu apreciava a visão em torno de mim. Era uma infinidade de cores e ações. Por um lado estávamos cercados pela areia e pelas ondas, e do outro estavam as lojas e restaurantes que ladeavam a passagem estreita. Havia gente por toda parte. Artistas de rua, pessoas sem-teto, turistas, pessoas andando de bicicleta, patins, tinha de tudo. Eu nunca tinha visto tanta vida em todos os meus anos. Fiquei encantada.
Enquanto caminhávamos sem rumo, Garrett finalmente me conduziu em direção a uma barraca de comida no canto. Era decorada brilhantemente como algo que você veria em um parque de diversões. A placa acima dizia: Big Daddy's.
"Este é o lugar onde comeremos. A melhor comida maldita do mundo. Espere até você provar um churros daqui. Você ficará tão grande quanto uma casa porque se tornará uma viciada!" Ele riu.
"Você está tentando dizer que eu estou gorda?" Eu perguntei, sentindo-me insultada.
"inferno, não. Mas, mãezinha, você percebe que ficará enorme, certo?" Ele riu.
"Duh." Eu murmurei.
"Não diga isso assim, uma mulher grávida é uma coisa linda. Ver Kate carregando o nosso bebê foi a coisa mais fodidamente linda que eu fodidamente já vi." Ele disse pensativamente.
"Ugh, eu ficarei enorme, porém, toda cheia de estrias e gorda!" Eu resmunguei.
Eu não tenho certeza do que provocou a conversa que eu estava tendo sobre o meu corpo com aquele estranho, mas eu estava confortável com isso... por mais estranho que fosse.
"Marcas de estrias no seio são como um sinal de coragem. Eu adoro cada uma das de Kate. Isso significa que ela me amava o suficiente para dar à luz a minha desova demoníaca. Essa é uma fodida realização. Elas devem ser usadas com orgulho. Nunca deixe ninguém dizer algo diferente a você, Bella. Um homem de verdade gosta de uma mulher de verdade. Nunca se esqueça dessa merda." Ele disse enquanto dava um tapinha na minha cabeça.
Enquanto estávamos na frente do balcão para pedir, ele me deu o resumo sobre as delícias feitas pelo restaurante.
Nós dois acabamos pedindo um cheeseburger. Ele pediu também batatas grelhadas para nós compartilharmos, assim como um churros... o que quer que fosse isso.
Ele pegou toda a nossa comida e caminhamos até a grama de frente para o oceano, e nos sentamos para comer.
"Então, você quer me contar a história? Você não tem, você sabe." Ele disse entre mordidas.
Eu hesitei. E se ele achasse que eu era algum tipo de prostituta, ou pior? E se ele achasse que eu era apenas uma garotinha estúpida fugindo dos seus problemas? Oh, espere! Isso era exatamente o que eu era. Imaginei que eu não tinha nada a perder, então contei a ele.
Ele ficou sentado silenciosamente ponderando a minha admissão.
"Primeiro de tudo, eu acho que você é estúpida. Você ama o rapaz. Se você o ama, você vai perdoá-lo. Você precisa voltar e enfrentar essa merda. Parece que você tem pessoas que sentirão sua falta, Bella. Não é justo com eles." Ele disse severamente.
"Eu sei, mas eu simplesmente não quero. Isso faz sentido? Eu não quero voltar, pelo menos não ainda. Eles fodidamente me tratam como um bebê, porra e isso só ficará pior. Eles controlarão tudo, e até forçarão que Edward e eu façamos isso juntos. Eu não quero isso. Eu não quero que ele seja forçado a ficar comigo." Eu sussurrei.
"Eu entendo isso, mas, realmente, o que ele fez foi normal." Ele fez uma pausa diante da expressão de choque no meu rosto.
"NORMAL? É normal trair a sua namorada?"
"Ok, isso saiu errado. Ele é um cara jovem. Nós todos fodemos as coisas. Eu faço isso o tempo todo, pergunte a Kate. Tenho certeza que ela ficará muito feliz em contar a você o pedaço de merda que eu era. Nós éramos jovens quando eu a engravidei. Eu me assustei. Eu estava lá para cuidar do menino e essas merdas, mas eu vivia saindo e indo a festas também. Eu fodi muito com ela. Ela sempre me aceitou de volta porque não importa o que acontecesse, ela sabia que eu só amava a ela. Eu sou um homem, e nós somos fodidamente estúpidos. Nossos paus ditam as nossas ações. Não é uma desculpa... é a verdade. Beber deixa a merda obscura. Não é desculpa, é apenas a maneira que é a coisa. Você precisa descobrir se o ama o suficiente para amar suas mancadas também".
Uau! Quem fodidamente sabia que o Godzilla poderia ser tão fodidamente profundo? O cara me chocou completamente.
"Então, o quê, eu supostamente deveria simplesmente perdoá-lo por deixar a Rainha da Clamídia escalar o pau dele? Uma prostituta que me tratou como lixo durante anos? É isso que se espera de mim?" Eu rosnei.
"Infenro, não! Faça-o pagar. Confie em mim. Kate vai ensiná-la como torturar um homem." Ele riu. "Aquela mulher me tem na palma da sua mão. Ela deixou de aguentar as minhas merdas depois de um tempo. Eu acho que ela estava esperando que eu crescesse. Acho que eu cresci, eu não sei. Mas eu sei que nunca quero ficar com mais ninguém. As cadelas tentam se jogar em mim o tempo todo. Elas não significam merda nenhuma e eu tenho a certeza que elas recebam essa vibração de mim. Eu não sou mais um galinha. Eu digo a eles para se foder, ponto final".
Eu pensei sobre o que ele disse por um tempo. Eu estava começando a entender o que ele tentava transmitir, mas o fato não fez nada para diminuir a dor que Edward me infligiu. Era como se eu nunca pudesse esquecer a visão dele em tal posição comprometedora. Eu sempre desconfiaria dele, e eu não acho que queria viver dessa maneira.
"Eu não acho que posso voltar a confiar nele, ou perdoá-lo. Eu ainda o amo, porém, mais do que nunca." Eu admiti.
Ele balançou a cabeça em compreensão.
"Olha, eu acho que você tem muito no que pensar. Eu realmente acho que você precisa voltar, mas não vou mandá-la embora. Eu cuidarei de você... todos nós cuidaremos".
"Obrigada, Garrett, mas eu não posso deixá-lo fazer isso. Eu não quero ser um fardo. Eu tenho que encontrar uma maneira de cuidar de mim mesma. Eu não viverei às custas de vocês." Eu disse honestamente.
"Ok, aqui está um pequeno acordo. Você sabe cozinhar?" Ele perguntou com a sobrancelha levantada.
"Sim, eu sei cozinhar. Por quê?" Eu perguntei, querendo saber o que diabos aquilo tinha a ver com o que estávamos falando.
"Bem, você viu a merda que a minha esposa cozinha. Eu não posso comer aquela porcaria. Você assume as funções da cozinha enquanto puder, e eu cuidarei de tudo o que você precisar. Você me fará um grande favor... confie em mim".
Eu ri do seu desespero. Eu totalmente compreendia, porém. Aquela porcaria era ruim.
"Ok, negócio fechado, mas você não acha que isso magoará os sentimentos de Kate?" Eu perguntei.
"Não, ela é ocupada o suficiente. Isso vai ajudá-la também. Talvez você possa ajudá-la com o estúdio e essas coisas. Eu te ofereceria um trabalho no bar, mas você é apenas uma pirralha, então isso não vai funcionar. Nós daremos um jeito".
"Obrigada, Garrett." Eu respondi.
"Não se preocupe, mãezinha. Agora, você está pronta para o churros? Você pensará que morreu e foi para o céu!" Ele riu enquanto arrancava um pedaço da massa açucarada e entregava para mim.
Ahhh... o churros era realmente celestial. Nós terminamos nosso deleite em silêncio e caminhamos de volta para a casa.
Kate e Victoria estavam sentadas próximas no sofá conversando quando voltamos.
"Aí estão vocês! Eu estava ficando preocupada!" Kate nos repreendeu.
"Desculpe, baby. Eu queria mostrar a ela os arredores. Nós paramos para comer um churros. É como uma iniciação." Ele disse enquanto piscava para mim.
"Onde está o meu?" Victoria choramingou.
"Da próxima vez." Ele prometeu.
Sentei ao lado de Victoria e ela envolveu seu braço em volta de mim.
"Então, Bumble Bee, nós precisamos conversar. Você já descobriu o que fará? Você voltará para casa, ou ficará?" Ela perguntou.
"Hum, ficar?" Eu disse, mas soou mais como uma pergunta.
"Isso é o que eu imaginei. Ok, aqui está a coisa. Se você não quer ser encontrada, nós precisamos fazer algum controle de danos. Seu pai receberá a carta que nós enviamos de São Francisco, a qualquer dia. Eu não acho que isso os impedirá de procurar por você, e você sabe que eu realmente preferiria que você volte para casa. Eu irei com você se você decidir ir, mas você precisará cobrir seus rastros. Você entende o que eu quero dizer?" Ela perguntou.
Eu balancei minha cabeça. Eu não tinha a menor ideia.
"Ok, depois que você tiver o bebê, haverá um registro médico. Eles saberão onde você está, é registro público. Nós teremos que dar a você um novo nome e essas coisas." Ela disse, olhando-me atentamente.
"Ok, então você quer que eu escolha um nome?" Eu perguntei. Bastante simples.
"Sim, mas você terá que esperar até ter 18 anos, então você tem que permanecer quieta por agora. Garrett pode sempre conseguir uma nova identidade para você, ele conhece algumas pessoas." Ela disse com um sorriso para Garrett. "Ele fez isso para mim quando eu fugi. Eu mantive o meu primeiro nome, mas adotei o nome de solteira de Kate. Eles teriam me colocado em um orfanato se tivessem me encontrado, então ele cobriu meus rastros".
"Ok, então, que seja. O que eu preciso fazer? Como eu faço isso?" Eu perguntei, de repente petrificada.
"Não se preocupe com isso agora. Você não precisará trabalhar nem nada, então eles não serão capazes de rastrear o seu número de segurança social. O bebê chegará depois do seu aniversário, então você deve ter tempo suficiente para fazer isso e tirar uma nova carteira de motorista – ou, eu posso simplesmente pedir ao meu cara para fazer uma identidade para você, assim você não terá um rastro de papel. Apenas me dê o nome e será feito." Ele disse.
Eu fiquei intrigada por um momento, não tendo certeza do que diabos eu gostaria de ser chamada. Em seguida, eu disparei.
"Bella Masen." Eu respondi. Masen era o nome de solteira de Esme. Pelo menos o bebê teria um pedaço dos Cullen ligado a ele. "E eu acho que você deveria fazer isso, assim não haverá vestígios. Eu não quero correr o risco de me encontrarem e eles certamente serão capazes de rastrear uma mudança legal de nome".
"Bem, isso foi rápido." Ele riu: "Tudo bem então, eu darei um jeito nessa merda amanhã." Ele respondeu quando levantou, pedindo licença para sair para fumar.
"Bem, Bella, Tem sido um longo dia para você. Você deveria dormir um pouco. Eu vou acordá-la de manhã para meditar e então poderemos conversar, ok?" Kate disse docemente.
"Hum, ok." Eu assenti.
Ela se aproximou e deu um beijo na minha cabeça e Victoria levou-me para o quarto de hóspedes. Ela se ofereceu para dormir comigo e eu fiquei aliviada. Por mais agradáveis que todos parecessem, eu ainda estava assustada e desconfortável.
Nós ficamos acordadas conversando um pouco até que eu não conseguisse segurar meus olhos abertos por mais tempo. Eu então me joguei na terra dos sonhos.
A manhã seguinte foi estranha, para dizer o mínimo. Kate nos acordou fodidamente de madrugada para irmos até à praia e 'meditar'. Ela era uma mulher estranha, mas muito doce. Sua beleza era aparente por dentro e por fora. Era fácil ver por que Garrett a amava tanto. Eles eram um casal ímpar. Ele, o pagão, e ela, o anjo. Era hilário de uma forma maravilhosa. Eles eram o equilíbrio dos dois mundos.
Assim que terminamos com a nossa manhã sentadas na areia – já que eu não tinha ideia de como fodidamente meditar - Kate sentou ao meu lado com uma xícara de chá para conversar.
Ela era tão cheia de informações e conselhos sobre maternidade. Ela sorriu com orgulho enquanto esfregava o meu filhote mal aparente. Ela se ofereceu para me tratar, já que ela era uma enfermeira parteira. Ela era licenciada para realizar exames pré-natais e consultas, bem como fazer o parto. Ela me deu muitas informações e as diferenças entre o parto hospitalar e parto domiciliar. Quanto mais ela me informava, mais eu pensava que ter o filhote em casa era uma coisa boa. Parecia tão bonito, pacífico e íntimo.
Uma vez que foi decidido, ela ligou para o seu pequeno consultório e me encaixou para uma consulta na manhã seguinte. Ela disse que não estava muito preocupada porque eu era jovem e saudável, então eu não deveria ter nenhuma preocupação extra com a saúde do bebê. Eu expressei minha preocupação sobre a noite em que fiquei bêbada na festa de Mike e ela me garantiu que era mais do que provável que o fato não afetaria o desenvolvimento do bebê e que muitas mulheres bebiam nos estágios iniciais antes de perceberem que estão grávidas. Eu ainda estava pessimista, mas imaginei que ela me diria se houvesse necessidade de se preocupar.
Eu assumi as funções da cozinha, como Garrett havia arranjado. Kate aceitou numa boa, sem sequer questionar. Eu fiquei aliviada, pois ela era tão doce e eu não queria ferir seus sentimentos. Aparentemente, nem Garrett, daí o seu pequeno truque.
O tempo pareceu voar nas próximas semanas e meses que passaram enquanto eu morava com a família de Victoria. Eles eram uma raça estranha, com certeza, mas decentes, genuínos e amorosos.
Eu rapidamente me tornei parte da família. Meu coração sangrando estava começando a se curar e eu estava gostando de observar como o meu filhote estava vindo à vida. Eu ainda sentia uma culpa imensa por ficar longe da minha família, mas esperava que a carta que enviei aliviasse as coisas para eles.
Minha barriga estava crescendo dia a dia, e eu fiquei tão impressionada com as mudanças no meu corpo. Os enjoos começaram a desaparecer e eu estava começando a realmente gostar de estar grávida. Era um alívio pensar nisso como uma bênção, em vez de um fardo.
Viver em Venice era maravilhoso. Eu sempre gostei de praia, mas esta era completamente diferente.
A água era mágica, e eu passava muito do meu tempo livre apenas observando e ouvindo as ondas. Era calmante e relaxante para refletir sobre as coisas enquanto eu observava a natureza. O tempo foi algo que eu apreciei imediatamente. Depois de viver na floresta úmida de Forks a minha vida toda, o sol era um alívio bem-vindo. Eu amava isso. Eu amava ser capaz de passear a qualquer hora do dia e ficar confortável. Eu não tinha que carregar camadas e mais camadas de roupa, e isso era maravilhoso.
Era bom sentar à noite e olhar as estrelas da praia. Garrett e eu continuamos com o nosso ritual noturno de visitar o Big Daddy's para buscar nossos doces após o jantar. Quando ele estava fora da cidade, Victoria me levava. Nós compartilhávamos um churros e eu comia uma banana coberta de chocolate. Eu estava rapidamente me tornando uma leitoa.
A cidade também me ensinou muito sobre a natureza humana. Havia uma fossa de libertinagem e pobreza, mas também um toque de beleza. Observando as pessoas em sua caminhada de vida, ou mesmo desfrutando do ambiente, ensinou-me muito. Somos todos falhos em nossos próprios caminhos, e embora seja difícil ver além do exterior, todos nós sangramos vermelho. Pura e simplesmente.
Garrett era um ótimo amigo. Ele era inteligente, atencioso e profundo. Ele estava constantemente me incentivando a dar outra chance a Edward, dizendo-me que, se Kate não tivesse feito o mesmo, ele nunca teria tido a oportunidade de assistir Jake crescer.
Eu sabia que ele estava certo, e eu sabia que daria a Edward a chance de ser parte da vida do meu filhote, mas dar a nós outra chance era outra história. Eu não tinha certeza se estava pronta para isso. Eu não tinha certeza se um dia eu seria capaz de confiar nele o suficiente. Talvez com o tempo, e só o tempo diria. Eu não podia evitar perguntar-me se ele realmente ainda queria mais. Talvez, uma vez que ele me teve, ele tenha tirado isso do seu sistema, como se eu fosse apenas uma conquista, ou desafio. Meu coração me dizia que não, que éramos mais, mas minha mente estava cheia de dúvidas.
Jake era outra história. Eu ainda tinha que conhecê-lo, já que ele era na Marinha. Tanto Kate como Garrett estavam absolutamente loucos de orgulho por ele. Observar Garrett falar sobre seu filho com tanta emoção e orgulho me fazia realmente deseja permitir que Edward participasse da vida do filhote.
Mas, ao mesmo tempo, Edward não estaria conosco, de qualquer maneira. Ele era um estudante em New Hampshire. Eu ainda estaria sozinha, e seria devastador para ele ter que ficar longe do seu filho. Eu sabia que não manteria seu filho longe dele para sempre. Um dia eu voltaria, mas eu não tinha certeza quando.
Assim que chegamos mais perto da data do meu parto, Kate e Victoria começaram a se preparar para a chegada do bebê. Elas vinham diariamente com sacos de guloseimas para mim, assim como coisas para o bebê.
Kate estava tão convencida, como eu estava, de que o bebê era uma menina. Eu a tinha imaginado em meus sonhos desde o momento em que descobri sobre ela. Eu sabia na minha alma. Eu sabia o tom exato da sua pele, o brilho do seu cabelo e o lindo verde penetrante dos olhos dela. Eles me perseguiam, como se Edward estivesse olhando através de mim.
Garrett tinha começado a trabalhar na edícula assim que eu me mudei. Uma vez foi o sei "Recanto dos Homens", como ele a chamava, mas ele logo a transformou em uma linda casa/quarto do bebê para o filhote e eu. Fiquei impressionada com sua hospitalidade e generosidade.
Todos eles ainda eram muito inflexíveis sobre a minha volta para a minha família, mas nunca me pressionaram. Eles queriam ter certeza que, se eu não estava com a minha família, que eu estivesse segura com eles. Eu me sentia sortuda e honrada por eles se importarem conosco.
Quando meu parto se aproximou, Kate começou a me levar com ela para o trabalho. Ela não me queria sozinha em casa quando eu estava prestes a estourar. Victoria estava ausente na maioria dos dias, e em outros ela dormia durante todo o dia depois de trabalhar longas horas no bar de Garrett à noite.
Eu amava trabalhar com Kate. Ela já havia me introduzido ao mundo maravilhoso da yoga, que eu absolutamente amei. Surpreendentemente, eu era boa nisso. Eu nunca tinha sido capaz de realizar qualquer tipo de proeza atlética, então foi um grande impulso de autoconfiança. Ela também ensinava Pilates, dança do ventre, flamenco, assim como outros estilos interessantes de danças étnicas. Eu amava ficar assistindo as aulas, especialmente quando ela dava aulas de Burlesco*.
*A arte do Burlesco se refere a um tipo de apresentação teatral que consiste em uma paródia ou sátira, que muitas vezes envolve strip-tease.
Eu não tinha ideia do que era e, quando vi, eu fiquei em transe. Ela tinha um 'trupe' de garotas que dançava com ela, incluindo Victoria. Elas se apresentavam em várias das casas noturnas de Los Angeles, assim como no bar de Garrett em ocasiões especiais.
Quando ela originalmente me informou que o Burlesco era 'strip-tease', eu meio que me apavorei. Stripper e Kate não combinavam, Victoria... talvez, mas isso era outra história. No entanto, assistindo-as, era apenas muito erótico, sensual e sexy. Era como se elas estivessem comemorando seus corpos, não os expondo.
Eu fui rapidamente recrutada como costureira e ela me ensinou como costurar. Eu me diverti muito aprendendo e criando aquelas belas roupas. Elas variavam de simplesmente escandalosas, para bonitas e sutis.
Ela achava que eu tinha nascido para a Yoga e estava me incentivando a continuar uma vez que o bebê nascesse. Eu tive que concordar, já que me fazia sentir forte e saudável e, pela primeira vez na minha vida, malditamente graciosa. As posições eram tão naturais e únicas. Fazia eu me sentir em paz. Tanto quanto eu amava Yoga, eu realmente queria aprender Burlesco.
E assim foi, a maioria das minhas noites eram passadas com Kate no estúdio e meus dias mudaram de dona de casa, para ajudá-la na clínica de obstetrícia e de volta ao estúdio de Yoga. Era uma rotina maravilhosa. Nossas vidas eram muito descontraídas e realmente não ditada por regras, ou obrigações. Tudo que fazíamos era porque queríamos. Onde quer que fôssemos, era porque queríamos estar lá.
Eu podia sentir-me amadurecendo. Antes de sair de casa, eu estava oscilando entre a adolescência e a idade adulta. Eu sempre tive alguém ao meu redor, eu nunca aprendi realmente a confiar em mim mesma. Tanto quanto eu sentia falta de todos, eu tinha que admitir o quanto essa experiência seria benéfica para mim. Eu logo seria responsável por outro ser humano, e eu sentia como se finalmente fosse capaz de fazer isso bem.
Eu ainda sentia falta da minha família, no entanto. Terrivelmente. Meu coração ainda quebrava por Edward... a cada momento de cada dia. Eu ainda o amava e isso era o que mais doía. Era como se nunca fosse me curar, porque eu sabia que sempre o amaria. Meu coração pertencia a ele, mesmo que o dele já não me pertencesse.
Minha vontade de arrastar Bella pelos cabelos ainda não passou, mas o que me consola é que em 3 capítulos as coisas acontecem...
Beijos minhas amadas!
Nai.
